Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




A nossa obsessão por discutir os pequenos casos da campanha é já mais cansativa do que exasperante. Com o país à beira do colapso financeiro, com a soberania significativamente limitada, com medidas muito duras e ainda mal compreendidas no horizonte, entretemo-nos com uma pletora de «factos» acessórios. Não deixa de ser curioso reparar como quase todos os que adquirem relevância noticiosa, dos «pintelhos» ao «querem proibir o aborto», são negativos para o PSD. Os socialistas parecem nada dizer de inconveniente. Por não dizerem mesmo? Não, apenas por ninguém estar a usar com o PS a táctica que o PS está a usar com o PSD (de vez em quando há quem tente mas falta a convicção que só experiência e dissociação da realidade permitem) e por, como já foi dito e redito, o PS ser insuperável no uso dos meios de comunicação social. Sócrates, esse, transmutado em menos de dois anos de vendedor de ilusões em instigador de medos, livre de ter de defender ideias concretas por obra e graça de um programa eleitoral em que elas não existem, mostra-se chocado três dúzias de vezes por dia, acusando de cada uma delas o PSD de pretender acabar com tudo o que de bom tem o Estado Social (numa versão anterior àquela que ele mesmo amputou). É compreensível. Ao fazer propostas ou ao rebatê-las, Sócrates sempre operou com base em chavões e ideias simples. De resto, sempre foi elogiado por isso – não é uma das críticas que fazem a Passos Coelho, ser demasiado palavroso, não apresentar apenas uma ou duas ideias fortes? Claro que o facto desta táctica ter resultado antes diz muito acerca dos portugueses e claro que dirá ainda bastante mais se resultar novamente. E diz também imenso acerca do papel que a comunicação social, com a inestimável ajuda de dezenas de comentadores, aceita desempenhar, ao dedicar horas à discussão destas minudências (para fugir ao termo de Eduardo Catroga) em vez de focar as atenções nos pontos realmente importantes: as medidas constantes do memorando de entendimento com FMI, UE e BCE e a forma como cada partido se propõe (ou não) implementá-las. Mas, como Philip Roth escreveu em O Animal Moribundo a propósito de algo totalmente diferente, a TV está a fazer o que faz melhor: o triunfo da banalização sobre a tragédia. Com o PS a orquestrar e muita gente a dar uma mãozinha.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Comentar:

CorretorEmoji

Notificações de respostas serão enviadas por e-mail.

Este blog tem comentários moderados.



O nosso livro


Apoie este livro.



Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D