Quinta-feira, 12 de Março de 2009
por Ana Margarida Craveiro | 12.03.09

Por todo o lado, somos rodeados de avisos, a informar-nos alegremente de que estamos a ser vigiados. Shoppings, lojas, museus, edifícios de estado. Claro, ainda não chegámos às câmaras na rua (excepto na entrada de alguns prédios), e estamos muito longe de Tóquio. Vamos aceitando tudo isto, acriticamente, em nome da nossa seguranças. Os estudos concretos, normalmente sobre o Japão, exemplo máximo, indicam que nunca ninguém foi preso devido à presença dessas mesmas câmaras. Mas fomos aceitando. Nos jogos de futebol, todos os adeptos são filmados, sem que haja qualquer rejeição de tal abuso. Tanto é filmado o Macaco agarrado às grades como a D.Maria que gosta do seu Benfica em dias de sol. Em nome da igualdade. Em nome da segurança.

Nick Gibson é um inglês, proprietário de um pub em Islington, em Londres. Não tinha licença de exploração do bar, porque se recusou a instalar CCTV, como a polícia aparentemente lhe exigia. Recusou-se a invadir a privacidade dos seus clientes, de controlar por filme a quantidade de cerveja e sandes ingerida. Mas não se ficou por aqui: escreveu à sua MP, e fez publicar essa mesma carta no Guardian. Ontem, viu finalmente ser atribuída a licença, sem CCTV. A pergunta final da sua carta, porém, permanece digna de transcrição: When was it that the constant small erosion of our liberties became irreversible?

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8 comentários:
De Pedro Correia a 12 de Março de 2009 às 12:30
Um caso desses nunca aconteceria em Portugal. Aqui é ao contrário: gostamos de ser filmados, vigiados, controlados, «normalizados». E nunca poderíamos escrever uma carta ao deputado. Até porque esse deputado já teria dado lugar a outro que por sua vez também já teria sido substituído.

De Ana Cristina Leonardo a 12 de Março de 2009 às 12:47
Ontem, viu finalmente ser atribuída a licença, sem CCTV.

finalmente, uma boa notícia!

De Virgínia a 12 de Março de 2009 às 12:48
Em Portugal temos muitos sítios vigiados. Para quê? Quando acontece um assalto, os ladrões são filmados, algumas vezes são apanhados pela polícia, vão a tribunal e são postos outra vez na rua... e o ciclo repete-se!
A filmagem fica para recordação...

De Paulo Quintela a 12 de Março de 2009 às 12:58
"...escreveu à sua MP...", a ideia mais relevante do post na minha opinião. Ontem na SIC, dizia Alexandre Quintanilha que quando pagava os impostos na California, recebia depois um documento em que se discriminava a distribuição das suas contribuições pelos diversos sectores e que, se houvesse desacordo, era possível influenciar de algum modo o destino do imposto. Aqui, nem 'MP' nem controlo sobre o nosso dinheiro a partir do momento em que é descontado pelo estado...

De Once a 12 de Março de 2009 às 13:03
When we've allowed the "erosion of democracy and civil liberties" i would answer.

De qualquer forma, uma rosa no deserto na manutenção da liberdade individual.
Cá? é o oposto. Ainda que sem a garantia de segurança que tal pressuposto pressupõe.

De João Carvalho a 12 de Março de 2009 às 13:51
Tal capacidade de crítica e resistência ao abuso, entre nós, enfrenta um problema bicudo: a generalidade dos portugueses pela-se por ter uma câmara virada para si. No mínimo, uma câmara virada para outro, mas que lhe permita pôr-se atrás a espreitar como quem não quer a coisa...

De Ana a 12 de Março de 2009 às 14:36
Ana:

Deixo-lhe o link para a tomada de posse do Presidente dos EUA. Aqui, verá que foram todos vigiados ao pormenor. Se aumentar o zoom consegue ver as caras (e não só) dos presentes. Pode, inclusive, ver detalhes das partituras musicais da Banda.

http://gigapan.org/viewGigapanFullscreen.php?auth=033ef14483ee899496648c2b4b06233c

De Ana Margarida Craveiro a 12 de Março de 2009 às 14:57
obrigada a todos os comentadores. queria só acrescentar que Gibson escreveu à MP, sim, que por acaso tem gabinete na mesma rua, mas ela não respondeu. algumas coisas não são muito diferentes: a MP só respondeu quando a carta de gibson apareceu no jornal, e a resposta é uma miséria, em termos de discussão de liberdades (o vazio).

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