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O ódio à 'rua islâmica'

por Pedro Correia, em 31.03.11

 

As revoltas populares no Magrebe e no Médio Oriente têm servido de pretexto, a vários colunistas na imprensa portuguesa, para debitarem o seu ódio contra as sociedades islâmicas em geral e os países árabes em particular. Não me lembro há muito de ver textos tão rasteiros e tão boçais, em que se traça de cada árabe o retrato de um fulano manipulável, demente, violador de mulheres, saqueador de bens e um terrorista em potência, às ordens dos extremistas mais fanáticos. Um desses colunistas, alarvemente, chegou a proclamar-se islamófobo em prosa digna de um Ahmadinejad – bastaria trocar “islâmico” por “judeu” no referido arrazoado.

Esses articulistas (alguns dos quais certamente com ascendência árabe) nem reparam, nesta visceral aversão à “rua islâmica”, que os seus textos expressam um radicalismo simétrico ao daqueles que  pretendem denunciar. E esquecem que, se os atentados matam, também as palavras podem matar. O primeiro passo para uma bomba assassina é sempre um texto a escorrer ódio.

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27 comentários

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De José Gil a 31.03.2011 às 16:55

Sou contra todos os comentários inflamados de "adjectivo fácil", demagogia dissimulada e acima de tudo falta de honestidade intlectual. Admiro muitas realizações da cultura muçulmana e certamente não creio que o cidadão muçulmano anónimo queira diáriamente matar ocidentais (cristãos ou não).
Parece-me é desmedido e um pouco gratuito estar a comentar textos mal amanhados, (talvez com a lógica de penso rápido da moda) e compará-los, colocando-os ao mesmo nível de um atentado terrorista, (de uma bomba que certamente se rebentasse num centro comercial de Lisboa iria ser uma tragédia irreparável).
Quanto a argumentar que é na origem de textos mal medidos que começa o terrorismo de sangue, é estar a admitir a indigência intlectual de todo um povo, ficando por sua vez em contradição com o que atrás se criticara nos textos acerca de muçulmanos.
Será que tem medo que portugueses, espanhois ou outros façam rebentar uma bomba em Bagdad?
Parece-me muito infeliz colocar no mesmo nível a violência brutal e gratuíta com textos mal pensados ou escritos com os pés, acerca dos países muçulmanos.
Com essa lógica será que também acha que uma caricatura um pouco pateta é motivo para uma intifada e ódio contra os Dinamarqueses?
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De Pedro Correia a 31.03.2011 às 17:09

Respondendo à sua pergunta: é óbvio que não. Nenhuma caricatura deve ser motivo para campanhas de ódio. Mas uma caricatura é isso mesmo: uma caricatura. E é tempo de encararmos o mundo árabe muito para além do plano da caricatura e do estereótipo. Suponho que estaremos de acordo nisto.
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De Castro a 31.03.2011 às 17:49

"Admiro muitas realizações da cultura muçulmana" Por acaso não me recordo de nenhuma neste momento...
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De Cristina Torrão a 01.04.2011 às 15:31

Castro, os mouros revolucionaram a agricultura na Península Ibérica. As noras, por exemplo, e outros sistemas de irrigação são invenções deles.

E que dizer da arquitectura muçulmana? Por acaso, em Portugal, não sobraram muitos vestígios, mas muitos dos centros históricos visitados na Espanha, conhecidos mundialmente, são de origem muçulmana, como a mesquita/catedral de Córdova ou a Alhambra de Granada.

Só para dar alguns exemplos.
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De Castro a 01.04.2011 às 17:26

Andar com uma mula à volta de um poço e fazer 2 palacetes em Espanha não me parece brilhante em 1400 anos de colonização cultural... Mesmo contando com os cachimbos de água.
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De Pedro Correia a 01.04.2011 às 17:45

Aprecia azulejos, Castro? E costuma utilizar algarismos?
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De Castro a 01.04.2011 às 19:14

Já havia azulejos antes do Islão. Tal como algarismos. Ou também devemos ao Islão as Pirâmides e o Vale dos Reis? É aí que eu quero chegar - que o Islão abafou civilizações na poeira, e não o contrário.
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De Cristina Torrão a 01.04.2011 às 18:37

Os cristãos gostaram tanto da mula a andar à volta do poço, que adoptaram a técnica durante séculos. Até, pelo menos, meados do século XX...
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De Cristina Torrão a 31.03.2011 às 19:11

Não acho que haja contradição. As palavras podem realmente matar, os extremismos começam com a propaganda. E embora não haja grandes possibilidades de portugueses ou espanhóis porem uma bomba em Bagdad, a exortação ao ódio é contraproducente.
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De Pedro Correia a 31.03.2011 às 22:39

Tal e qual, Cristina.
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De Luís Lavoura a 01.04.2011 às 12:39

Não há muçulmanos nem árabes apenas em Bagdad. Também os há em Portugal, e muitos. O ódio e o preconceito contra os árabes ou contra os muçulmanos pode virar-se contra muitos portugueses e contra muitos imigrantes.
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De Francisco Castelo Branco a 31.03.2011 às 17:00

os povos não podem ser equiparados aos facínoras que os governam ha bastantes anos...

até porque não foram eles que escolheram estes lideres. Foi uma imposição
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De Pedro Correia a 31.03.2011 às 17:09

Isso mesmo, Francisco.
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De Eme a 31.03.2011 às 18:15

Na questão da Líbia, com razão ou sem ela, vê-se que não há intervenção ocidental/americana onde não escorra petróleo.
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De Pedro Correia a 31.03.2011 às 22:38

Isso significa que você é contra ou a favor?
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De Eme a 01.04.2011 às 09:39

De momento não sei dizer. Se as coisas ficarem como no Iraque, apenas se libertou um ninho de terroristas que estava mais controlado pelo ditador. Se o povo seguir o caminho da democracia, então valeu a pena intervir.
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De Pedro Correia a 01.04.2011 às 13:41

Pois. O caminho faz-se caminhando, como dizia o outro.
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De Dylan a 02.04.2011 às 01:05

Engana-se. Não se consta que no Kosovo escorra petróleo...
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De Pedro Correia a 02.04.2011 às 21:37

Não consta mesmo.
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De lucklucky a 31.03.2011 às 20:14

O ódio à Rua Muçulmana tem todo o sentido. A Rua Muçulmana é supremacista, anti-semita e um antro de preconceitos. Quem elogia a Rua Muçulmana tem para manter a coerência que elogiar a Rua da Frente Nacional da senhora Le Pen. É que a senhora Le Pen ainda ganha aos pontos à Rua Muçulmana.
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De Pedro Correia a 31.03.2011 às 22:37

Você pensa mais rápido do que a própria sombra. O resultado, lamento dizer-lhe, não é brilhante.
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De lucklucky a 31.03.2011 às 22:56

Como era de esperar não há argumentos.
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De Luís Lavoura a 01.04.2011 às 10:00

prosa digna de um Ahmadinejad – bastaria trocar “islâmico” por “judeu” no referido arrazoado

Mas alguma vez o sr Ahmadinejad exprimiu qualquer ódio aos judeus?

O que o sr Ahmadinejad repetidamente disse é que é contra o Estado de Israel - não contra os judeus!

O Pedro Correia está a cair no erro básico de identificar os judeus com o Estado de Israel, como se fossem uma e a mesma coisa.

Sabe o Pedro Correia que no Irão vivem cerca de 30.000 judeus, os quais, que se saiba, não se queixam de ser perseguidos, molestados, nem odiados? Dispõem de sinagogas, de hospitais só deles, e de outras variadas instituições comunitárias - que estão lá no meio do Irão, sem que ninguém as destrua ou prejudique!

Ainda recentemente, aquando de um encontro internacional, o então presidente do Irão encontrou o então presidente de Israel, o sr Katsav, que é um emigrante iraniano - e trocaram umas palavras amigáveis em farsi. Onde está o ódio antissemita que o Pedro Correia atribui ao regima iraniano?
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De Pedro Correia a 01.04.2011 às 13:44

Luís Lavoura, por vezes leio textos seus que deixam transparecer um insólito e muito peculiar sentido de humor, aparentemente involuntário. Foi, uma vez mais, o que senti ao ler este seu comentário. Até que me lembrei do dia em que estamos e aí tudo bateu certo. É um texto apropriado ao 1º de Abril.
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De Dylan a 02.04.2011 às 01:11

O presidente iraniano também falou do Holocausto, no qual seis milhões de judeus morreram sob o nazismo alemão, que voltou a colocar em dúvida, como em algumas ocasiões anteriores.

"Se o Holocausto, como eles dizem, é verdade, por que não oferecem provas?", perguntou.


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De Pedro Correia a 02.04.2011 às 21:38

Citação muito oportuna, Dylan. Para fim de conversa.
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De Luís Lavoura a 01.04.2011 às 10:03

O primeiro passo para uma bomba assassina é sempre um texto a escorrer ódio.

Pois, e valeria a pena aqui fazer notar o inacreditável texto, muito recente, de António Ribeiro Ferreira no Correio da Manhã, no qual apela explicitamente a que se assassine José Sócrates.

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