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Convidada: MARIA JOÃO NOGUEIRA

por Pedro Correia, em 10.01.11

 

Delito de opinião

 

Fui convidada para a passadeira vermelha deste Blog há mais de 1 mês, mais precisamente no dia 3 de Dezembro. Hesitei muito. Não estou habituada a escrever para ser lida por tanta gente, e os posts do meu blog são, na maior parte dos casos, iguais aos posts de tantos blogs pessoais. Palermices. Coisas do meu dia-a-dia. Um blog sem tema, sem agenda, sem pretensões. Mas o convite foi feito duma forma que não me permitia recusar. Com simpatia. Acedi.

Andei durante algum tempo a pensar no que é que eu poderia escrever que interessasse aos leitores deste Blog, que eu sei que são exigentes. E a verdade é que nada me ocorria.

O tempo encarregou-se de solucionar este meu problema de expressão. Criou outro, é um facto, mas temos de olhar as coisas pela positiva.

Assim, aproveito o "tempo de antena" que me concedem, para, ainda a quente, contrariar um bocadinho as várias análises que tenho lido, em relação ao caso Ensitel. Não vou contar a história toda de novo, não faz sentido e, confesso, já estou um bocadinho cansada, além de que os leitores do Delito de Opinião são pessoas informadas, dispensam informação redundante.

A grande maioria das pessoas cujas análises tenho visto tem, quanto a mim, uma leitura errada. Referem a qualidade das minhas ligações, e que se eu não tivesse activado esses meus contactos, nada disto teria acontecido. Não saberão, talvez (mas eu sei), que não activei nada. Conheço muita gente? Conheço sim senhor. Mal seria se com mais de 40 anos (42 para ser mais exacta) não conhecesse muita gente. Tenho os contactos de muitos jornalistas? Tenho, há muitos anos, sou amiga de uns quantos, fui contactando com muitos, ao longo da minha carreira, quer em publicidade quer, mais tarde, na indústria do online. Mas a verdade, é que não recorri a esses contactos. Não fiz um telefonema a pedir ajuda. A "qualidade"  das pessoas com quem lido (no Blog, Facebook, Twitter, etc...) teve muito pouco a ver com esta bola de neve.

 

Desenganem-se aqueles que acham que me atribuo um papel importante nesta questão. Não tive, não sou a heroína de nada, nem paladina das liberdades. Tanta gente lutou, com sacrifícios pessoais tão grandes, pela liberdade, que eu acho um insulto acharem-me paladina seja do que for.

O factor fulcral tem a ver com a situação inicial. O conflito de consumo. Vivemos numa sociedade de consumo, consumimos todos os dias, muitas vezes por dia. É natural que existam más experiências. O facto da grande maioria das pessoas se conseguir colocar, com relativa facilidade, no meu lugar foi, quanto a mim, um dos principais factores, a empatia. Muitas foram as pessoas que não compreenderam que o fulcro da questão nada tinha a ver com telemóveis, ou indemnizações, mas com outra coisa totalmente diferente. E quanto a mim esse factor foi o segundo factor mais importante. Uma certa blogosfera percebeu o meu problema, e viu de imediato que era uma questão de delito de opinião (daí este ser o local indicado para escrever sobre o tema) e essa blogosfera reagiu de imediato à tentativa de silenciamento de uma opinião. Ainda estão muito presentes alguns fantasmas do passado.

 

Eu, a partir do momento em que fiz um tweet e publiquei o post, limitei-me a olhar e a ver a bola de neve a crescer, descontrolada, incontrolável. Incontornável também.

Hoje, apesar de ainda ser a quente, já consigo olhar para o que foi acontecendo com alguma distância. Já consigo sorrir, olhar para coisas que me passaram ao lado. Ainda não consegui agradecer a todas as pessoas, mas todos os dias tiro um bocadinho para essa tarefa.

Até agora, olhando para trás, há três coisas que me espantam: a quantidade de pessoas que no início do processo me sugeriram que removesse os posts e não me chateasse mais; a quantidade de pessoas que se solidarizaram comigo, e me escreveram mensagens, e comentários, e posts, e tweets e sms; e, por último, que ainda haja quem não perceba que, Delito de Opinião, é este Blog. Mais nada.

 

Maria João Nogueira

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14 comentários

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De Ana Vidal a 10.01.2011 às 13:25

Muito bem, Jonas. Gostei da serenidade e da sinceridade. Mas, queira ou não queira, o seu caso foi exemplar por várias razões: pela recusa em ceder a pressões, pela denúncia de uma tentativa de silenciamento e pela demonstração óbvia de que não compensa a nenhuma empresa - nem sequer do ponto de vista comercial - ter uma atitude tão estúpida como esta com um cliente.
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De jonasnuts a 10.01.2011 às 13:52

O meu caso sim, mas não eu em particular :)

Podia ter acontecido a qualquer outra pessoa com uma razoável dose de mau-feitio :)
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De Teresa Ribeiro a 10.01.2011 às 13:59

Não me apercebi dessa onda de comentários que insinuavam que a Maria João foi bem sucedida porque tinha contactos. Ao reagir dessa forma, essas pessoas provavelmente nem se aperceberam de que reflectiam na sua atitude a cultura que está na base do nosso conformismo: se não há cunha para meter, não vale a pena fazer nada. É com essas tuguices que as "Ensiteis" desta vida se habituam a conviver, daí a arrogância e o abuso.
Não vou repetir o que a Ana Vidal já disse aqui em cima, faço minhas as suas palavras.
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De João Carvalho a 10.01.2011 às 14:49

Faço também minhas as palavras da Ana e da Teresa. Muito bem, Jonas.
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De Pedro Correia a 10.01.2011 às 15:10

Está de parabéns, Maria João. A sua atitude foi exemplar no plano cívico. E, como é óbvio, gostei muito de a ver por cá.
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De jonasnuts a 10.01.2011 às 15:13

Olhe que se não fosse esta coisa toda, confesso que não saberia muito bem o que escrever para responder ao convite :)
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De Pedro Correia a 10.01.2011 às 23:23

Há males que vêm por bem...
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De João Severino a 10.01.2011 às 15:54

Já manifestei no meu blogue o apoio à sua atitude, Maria João. Venho manifestar a minha satisfação por este texto excelente e, mais uma vez, pela coragem que teve no seu gesto, o qual representou bem o combate que todos devemos ter contra os prepotentes.
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De jonasnuts a 10.01.2011 às 17:10

E se por acaso o comentário que deixou no meu blog ficou por responder (a certa altura, e ainda agora, a confusão era tanta que perdi o fio à meada), os meus agradecimentos, pelo apoio :)
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De eduardo saraiva a 10.01.2011 às 17:19

Maria João

Gostei das "pisadelas" dadas na "passadeira vermelha". "Pisadelas" feitas com elegância e sem ruídos.
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De jonasnuts a 10.01.2011 às 18:19

Se eu pedi paz, no meu blog, não faria sentido limentar mais polémicas, e andar às pisadelas fosse a quem fosse :)

(Embora mitos não acreditem, eu sou, de facto, uma pessoa tímid e que gota pouco e holofotes :)
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De João Carvalho a 10.01.2011 às 18:53

Pela escrita neste comentário, dá para perceber isso...
:o)
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De jonasnuts a 10.01.2011 às 19:20

Fui reler (algo que devia ter feito antes de clicar no "publicar comentário).

O que dá para perceber é que estou a precisar de uma ida à manicure, cortar unhas demasiado grandes :)

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