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Convidado: PAULO PINTO MASCARENHAS

por Pedro Correia, em 26.11.10

  

2040 - Província Portugalesa da Ibéria Europeia

 

O meu neto Francisco está a preparar um trabalho sobre o fim das nações para a cadeira de Ciência Política Avançada e quer utilizar o exemplo português para explicar como é que um Estado que foi soberano durante mais de oito séculos pode perder a independência e tornar-se uma mera província de uma região europeia.

Pediu-me ajuda urgente por mensagem logovisual e eu enviei-lhe alguns velhos vídeos da primeira década do século, início das duas últimas décadas da independência nacional portuguesa, quando um primeiro-ministro chamado José Sócrates começou a tornar o país absolutamente dependente do exterior, endividando as gerações futuras até o tornar ingovernável, nas mãos dos credores internacionais. Como este:

 

 

Aconselhei-o depois a procurar no visor aquovirtual outras imagens e textos publicados no que se chamava então de blogosfera - e nos jornais. O Francisco ficou espantado quando percebeu a existência de uma rede imensa de chamados “bloggers” ou “bloguistas” que tinham sido cúmplices activos e convictos do fim de Portugal. “Mas eles não podiam deixar de saber que isto se estava a passar”, gritou-me ele, à saída do teletransportador na minha casa.

“Estes Abrantes existiam mesmo, eram muitos a escrever com o mesmo apelido, ou mandavam mensagens uns aos outros?” - acrescentou.

“Mas eram funcionários do tal do Sócrates, recebiam dinheiro de algum país estrangeiro interessado em ficar com as nossas praias, mas porque é que eles fizeram isto?” - insistia.

Respondi-lhe que existiram “mesmo”, abrantes anónimos, mas que partilharam sítios na internet com figuras públicas, que muitos deles ainda andam por aqui, agora ao serviço das autoridades regionais da Ibéria Europeia. “Eles eram assim, inconscientes, convencidos que Portugal era propriedade deles e dos amigos.”

O meu neto não podia acreditar na falta de vergonha de toda aquela gente que continuara a defender o indefensável mesmo quando todos os sinais indicavam o óbvio sobre as características políticas e pessoais do primeiro-ministro e o buraco em que estava a enterrar Portugal. “Uma vergonha”, repetia. Pois é.

 

(Esta é uma ficção. Qualquer semelhança com a realidade será pura coincidência)

 

Paulo Pinto Mascarenhas

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8 comentários

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De João Carvalho a 26.11.2010 às 13:03

Comigo, o neto do Paulo Pinto Mascarenhas tinha a cadeira garantida: Portugal passar de nação a não-região, mas sim a «mera província de uma região» parece-me um trabalho de fôlego. Parabéns ao avô do Francisco.
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De Pedro Correia a 26.11.2010 às 13:20

Há já neste momento "abrantes" prontos a mudar de agulha. São aqueles que se mantêm sempre à superfície, seja quem for que estiver a mandar. Espero que haja a lucidez suficiente, da parte do futuro poder, de não se confundir com o Instituto de Socorro a Náufragos.
Abraço, Paulo. E obrigado pela visita.
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De Carlos S. Campos a 26.11.2010 às 14:54

Infelizmente, isto não é ficção. É antecipação, nem sequer a longo prazo.
Como é possível que os responsáveis pelo anunciado naufrágio continuem na posse do leme?
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De vivere in spagna a 26.11.2010 às 14:55

elogios para as fotos, lindo! Eu sempre vi a fotografia como arte mais do que capaz de captar todas as emoções e todos os momentos
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De João André a 26.11.2010 às 15:43

Bom, a história pode ter sido diferente, mas a ideia é mais que roubada do meu post :)

http://estacaocentral.blogspot.com/2010/10/consequencias-de-um-nao.html

Hei-de pedir as compensações monetárias pelo roubo, se o país não desaparecer até lá ;)
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De Paulo Pinto Mascarenhas a 27.11.2010 às 00:51

Não tinha lido, mas devia para melhorar a minha ficção. Abraço a todos os delitos de opinião e obrigado pelo convite.
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De João André a 28.11.2010 às 16:43

A sua é mais bem disposta que a minha. E pelo menos ainda não se tornou errada, algo que se passou rapidamente com a premissa da minha...

Do meu lado (leitor e comentador regular do DO), agradeço o texto.
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De Ana Vidal a 27.11.2010 às 11:38

Tenha medo. Tenha muito medo.



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