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O primeiro dever de um jornalista

por Pedro Correia, em 11.08.10

Andam agora por aí uns teóricos que nunca escreveram uma notícia na vida mas brandem a toda a hora o Estatuto do Jornalista e o código deontológico da profissão, de ares muito sapientes, com o objectivo de espadeirar contra os jornalistas. Sempre em defesa do poder em geral, do Governo em particular e do primeiro-ministro mais especificamente. Essa diligente rapaziada omite o essencial: o primeiro dever de um jornalista é informar. Sem o cumprimento deste dever todos os outros se tornam irrelevantes.

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35 comentários

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De Pedro Coimbra a 11.08.2010 às 16:54

Isso era noutros tempos, Pedro.
Nos dias de hoje, os "jornalistas" de que o Pedro fala são mais relações públicas que jornalistas.
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De João Carvalho a 11.08.2010 às 19:55

E assessores... e mensageiros...
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De Pedro Sousa a 11.08.2010 às 17:58

A pseudo-superioridade moral que se auto-atribui ao falar da "rapaziada" nem merece comentário.
Mas o estatuto dos jornalistas diz muito (apesar de já quase ninguém lhe ligar).
Logo no ponto 1 "O jornalista deve relatar os factos com rigor e exactidão e interpretá-los com honestidade. Os factos devem ser comprovados, ouvindo as partes com interesses atendíveis no caso. A distinção entre notícia e opinião deve ficar bem clara aos olhos do público"
E muito mais "O jornalista deve combater a censura e o sensacionalismo e considerar a acusação sem provas e o plágio como graves faltas profissionais. "
E tem ainda um grande final "O jornalista não deve valer-se da sua condição profissional para noticiar assuntos em que tenha interesses. "
Isto já foi tantas vezes atropelado que, olhe, vamos vivendo... depois admiram-se que fechem jornais.
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De João Carvalho a 11.08.2010 às 19:58

E então, da sua lição e rol de males, onde é que se encaixa que a tal «pseudo-superioridade moral (...) ao falar da "rapaziada" nem merece comentário»?
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De Pedro Sousa a 11.08.2010 às 22:05

Apenas na utilização do termo "rapaziada"... não se sente ai um género de desprezo por quem defende o Governo? Ou o termo foi utilizado de forma inocente?
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De javali a 11.08.2010 às 20:06

Pedro Sousa, se está a falar do Cerejo, devo dizer-lhe que, como leitor, só leio um relatório de factos. Não os vejo serem "interpretados". Se são sensacionais, a "culpa" parece ser dos próprios factos. Ou acha que o Freeport foi um processo normal? Foi tudo inventado por jornalistas que não gostam de Sócrates a soldo de interesses obscuros do PSD ou de outro partido? Mas quais são os interesses de Cerejo, afinal? Quanto ao facto de os artigos não escutarem os visados, concedo. Mas a pergunta crucial que deve fazer-se é: por que razão o jornalismo de investigação incomoda SEMPRE tanto? É abusivo? Inventa coisas? Quer ser mais do que deve ser? E digo já que não sou jornalista, nem tenho particular adoração pela espécie - mas as perguntas mantêm-se.
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De Ana Matos Pires a 11.08.2010 às 21:47

Importa-se de definir "jornalismo de investigação", pf?
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De João Carvalho a 11.08.2010 às 21:52

Não sei se ele se importa ou não, mas eu fico curioso: "jornalismo de investigação" - qual é a palavra que não percebe?
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De Ana Matos Pires a 11.08.2010 às 22:56

Pedi a definição do conceito, não o significado das palavras de per si.
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De javali a 11.08.2010 às 23:13

Na sua linha de pensamento, Ana: "Jornalismo de Investigação" é tudo o que não se debruça sobre os atrasos das camionetas no Mali (mesmo que alguém tenha tirado fotografias).
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De Ana Matos Pires a 11.08.2010 às 23:32

Lê pensamentos, portanto. Estou a perguntar pq gostava mm de saber, sem ironia.
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De javali a 12.08.2010 às 00:31

Tem razão, Ana... Fiz ironia. Eu definiria "jornalismo de investigação" como todo o tipo de jornalismo que se ocupa de uma determinada matéria que, pelo seu carácter demorado no tempo, e com recurso a métodos explícitos de aquisição de informação, é publicada de forma organizada, de maneira a que reproduza fielmente, na mesma escala temporal em que foi investigada, os factos, os agentes e as circunstâncias que poderão explicar certos factos. Poderão, sublinho. O jornalismo não é uma ciência exacta.
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De Pedro Sousa a 11.08.2010 às 22:13

Caro Javali, José António Cerejo escreveu no jornal que a sua intervenção como assistente no processo teve como único objectivo obter informação.
É preciso dizer mais sobre a forma como este jornalista encara a profissão? No fundo, tornou-se assistente não com o objectivo para que existe essa figura mas para obter informação. Fraude, portanto...
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De javali a 11.08.2010 às 23:39

Mas qual fraude? A figura existe - ele disse ao que vinha. Que outro tipo de honestidade quer? Acha que um bom jornalista tem que esperar pela verdade mastigada? Sinceramente acho uma jogada bastante inteligente: utilizar uma figura do Direito para obter informação em cru. A deontologia começa depois, não antes. É Cerejo capaz de divulgar essa informação em bruto de forma apropriada e isenta? O que me parece é que toda a gente está a criticar a forma como acedeu à informação e não como a está a transmitir - sobre a última das quais incide o código deontológico. Sem dúvida, já o disse antes, estará a falhar no aspecto de não confrontar os implicados na informação que divulga. Mas ainda vai a tempo.
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De Pedro Correia a 11.08.2010 às 21:36

Muito gosta a rapaziada de papaguear o código deontológico dos jornalistas sem saber sequer como se escreve uma notícia. Foi isso que escrevi, é isso que repito.
Percebo-os bem: dói-lhes que todos os dias continuem a sair notícias incómodas para o Governo. Por muitos jornais que fechem, o que parece constituir motivo de gozo para essa rapaziada, haverá sempre outros que persistirão em contar aquilo que o poder político não gostaria que se soubesse.
Ainda bem que é assim. Se não fosse, isso significaria que não vivíamos num regime democrático e a liberdade era apenas uma flor de retórica.

Em tempo: o Pedro Sousa, do blogue 'Ponto por Ponto', acusa-me aí mais acima de alardear "superioridade moral". É curioso: não me recordo de o ter visto reagir desse modo quando aqui destaquei o blogue dele, no dia 2 de Março de 2009: delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/240875.html
Aliás, não me lembro sequer que tenha dito fosse o que fosse.

Os actos, as palavras, os silêncios e a deselegância ficam com quem os assume. É o caso.
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De João Carvalho a 11.08.2010 às 21:41

Que chatice. Vinha ele aqui para falar de moral e estragaste-lhe tudo...
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De Pedro Sousa a 11.08.2010 às 22:18

Começa agora o julgamento da pessoa, mais do que o que eu escrevi... pode ser.
Agradeço-lhe a referência e, realmente, podia ter-lhe agradecido. Diga-me que retribuo com as 7 linkadelas que já fiz para aqui. Mas não estou num concurso.
Aquilo que defini como espécie de superioridade moral é a utilização do termo "rapaziada", claramente pejorativo, para com quem defende - na generalidade - o Governo.
Parece que se considera quem ataque o Governo gente sã e quem o defende "rapaziada" como se não pudesses exercer a opinião de forma livre sem levar etiquetas.
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De João Carvalho a 11.08.2010 às 22:53

Não é «podia ter agradecido» - é "devia". Chama-se boa educação.
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De C. a 12.08.2010 às 01:46

"podia", "devia" aplica-se somente ao particípio passado. "Ele antes podia" ou "Ele antes devia". No caso, deveria ser "poderia" ou "deveria". Está na gramática. Um abraço.
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De Pedro Correia a 11.08.2010 às 23:28

Para a próxima, em vez de rapaziada, escrevo 'yes men'. Assim, à americana, acha mais giro?
Registo o facto: 17 meses depois de eu ter feito uma referência ao seu blogue que não justificou uma palavra da sua parte, você desembarca aqui a acusar-me de 'pseudo-superioridade moral'.
Um primor de elegância que não deixo de registar.
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De javali a 12.08.2010 às 00:01

"Parece que se considera quem ataque o Governo (...)"

É por causa de frases destas que se utiliza o termo "rapaziada", Pedro Sousa. Por que razão uma investigação (neste caso sobre o Freeport - e que nem terá começado em Portugal, tanto quanto sei), e no âmbito normal do jornalismo, é considerada como um "ataque" ao Governo? É que quando diz "ataque" está mais a definir como entende a coisa do que a coisa em si vale - o que gera ainda mais suspeição sobre a coisa.
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De ana cristina leonardo a 11.08.2010 às 23:12

Na minha modesta opinião reina uma grande confusão nesta matéria. O jornalista Cerejo foi aceite como assistente no processo. Fê-lo dentro da maior legalidade. Tem escrito agora sobre o assunto, que já não está no segredo de justiça. Não violou a lei em momento algum.
Pergunta-se: apesar disso, será o que fez deontologicamente defensável? Como nem todos os valores se equivalem, por ex., matar a mãe não vale o mesmo que matar uma galinha, o jornalista aproveitou a possibilidade, julgo que entendendo que o dever de informar se sobreporia a qualquer dúvida sobre o seu estatuto como assistente (que o coloca, claro, numa situação de vantagem em relação aos outros jornalistas).
As questões formais são importantes. Formalmente parece que não há nada a apontar. As questões éticas também. Mas há questões e questões. Por exemplo, num filme que não me canso de aconselhar, Justiça para Todos, Al Pacino, advogado de defesa de um juiz corrupto, acaba por denunciá-lo em tribunal, desrespeitando todas as regras do Direito. Naturalmente, podemos concluir que o julgamento é anulado e Al Pacino corrido da profissão. Mas às vezes há valores mais altos que se levantam.
Quanto ao jornalismo de investigação, foi chão que deu uvas. É demasiado lento e demasiado caro. Ponto. Hoje em dia há tráfico de dicas e contradicas e já é um pau.
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De João Carvalho a 12.08.2010 às 11:10

Eis uma reflexão a ter seriamente em conta.
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De Designerferro a 11.08.2010 às 23:51

Se "o primeiro dever de um jornalista é informar.", que deve ele fazer relativamente aos direitos inscritos da constituição da Republica Portuguesa? Devem os deveres de uma pessoa sobrepor-se aos direitos de outra?
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De Pedro Correia a 12.08.2010 às 00:46

Não percebo a sua dúvida. Quando há colisão de direitos, numa sociedade democrática e civilizada, recorre-se aos tribunais. Ou seja: quem tiver motivo justificado de queixa contra um jornalista, acciona um processo crime ou cível contra ele.
Será que confia tão pouco na justiça ao ponto de considerar não ser esta uma boa solução?
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De Designerferro a 12.08.2010 às 00:56

Gostei do engodo "confia tão pouco na justiça", mas o essencial é que os tribunais só devem ser recurso de quem já não consegue ver os seus direitos garantidos por outra via legal.

(Resista à tentação de responder a este engodo que lhe deito)
Não está a sugerir que haja um juiz em cada cruzamento de transito.
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De Pedro Correia a 12.08.2010 às 01:00

Seria mais fácil se falasse de uma situação concreta. Assim, tão em abstracto, não percebo onde quer chegar. Ao 'exame prévio'? À lei da rolha de Berlusconi? À equiparação dos jornalistas a funcionários públicos?
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De javali a 12.08.2010 às 01:13

Que artigo da Constituição é esse de que falas, df?
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De PALAVROSSAVRVS REX a 12.08.2010 às 00:28

Querem matar o mensageiro, purgá-lo dado o incómodo que lhes causa. Mas essa é uma batalha perdida, Pedro. Temos de recordar-lhes, a essa "rapaziada" bem untada para blaterar argumentário de latão e para dar pauladas nos mensageiros, que ESSA É UMA BATALHA PERDIDA.

Provavelmente devem andar muito desorientados com a torrente de factos que desmontam os entraves sistémicos ao bom andamento do Free Porc.

Abraço e parabéns pelo post.
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De Pedro Correia a 12.08.2010 às 00:47

Obrigado, meu caro. De facto, essa é uma batalha perdida, por mais que queiram matar sucessivos mensageiros.
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De Carlos Azevedo a 12.08.2010 às 05:13

Pode ser uma batalha perdida, mas ainda levam vantagem na guerra. Afinal, não continua José Sócrates no poder? E até o PGR e a Cândida Almeida, não continuam eles a minar, diaria e competentemente, a justiça? Não o escrevo com alegria, mas se o crime não compensa, parece. E só nos resta fazer o que Ana Gomes escrevia há uns dias no seu blogue: não desistir de Portugal. Mas não é fácil.
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De João Carvalho a 12.08.2010 às 11:12

Com efeito, nada fácil, meu caro. Nada fácil, nos dias que passam.
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De J.P. a 13.08.2010 às 14:13

Quando o comentário lhe cai nas raças, já não há avisos deselegantes em relação a maiúsculas?
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De João Carvalho a 13.08.2010 às 16:13

V. apanhou sol a mais?

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