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Blogue da semana

por Teresa Ribeiro, em 30.04.17

São veteranos da bloga. Donos de uma opinião que nos chega consistente, acompanham tudo o que de relevante se passa na pólis. Nem sempre estou de acordo com os pontos de vista dos seus autores, mas mesmo quando é esse o caso nunca dou por perdido o meu tempo, até porque não gosto de monolitismo. Recomendo a leitura de Ladrões de Bicicletas, o blogue desta semana. 

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Fotografias tiradas por aí (353)

por José António Abreu, em 30.04.17

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Zona do Cabo Mondego, Figueira da Foz, 2017.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.04.17

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 Imaculada, de Paula Lobato de Faria

Romance

(Edição Clube do Autor, 2017)

"Por vontade expressa da autora, a presente edição não segue o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990"

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Ler

por Pedro Correia, em 30.04.17

Júdice, mestre do insulogio. De Sérgio Barreto Costa, no Blasfémias.

Não havia necessidade. De Vital Moreira, na Causa Nossa.

No Camboja. Da Joana Lopes, no Entre as Brumas da Memória.

Diário de um psicólogo (34). Do Filipe Nunes Vicente, na Depressão Colectiva.

Poetas e gente dessa. Da Eugénia de Vasconcellos, na Cabeça de Cão.

Maria Helena da Rocha Pereira. Do Francisco José Viegas, n' A Origem das Espécies.

A educação do cidadão no século XXI. De Helena Damião, no De Rerum Natura.

Estou farta. Da Ana Matos Pires, na Jugular.

Efeméride. Do José Meireles Graça, no Gremlin Literário.

Os militares no 25 de Abril. Do José Pimentel Teixeira, n' O Flávio.

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Canções do século XXI (30)

por Pedro Correia, em 30.04.17

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Pensamento da semana

por Diogo Noivo, em 29.04.17

Ao menino e ao borracho mete a DBRS a mão por baixo.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

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Leituras

por Pedro Correia, em 29.04.17

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«Não há ser vivo que não tenha medo quando enfrenta o perigo. A verdadeira coragem está em enfrentar o perigo quando temos medo

Frank BaumO Feiticeiro de Oz (1900), p. 116

Ed. Público, 2004. Tradução de Lúcia Cabrita Harris. Colecção Geração Público, n.º 7

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Comecei a trabalhar na redacção do semanário O Jornal, a tempo inteiro e com salário zero - estágio, chamavam-lhe eles - a 2 de Janeiro de 1983. Ainda não havia o capitalismo neo-liberal e não sei que mais, nem a crise dos mercados financeiros, nem o modo de vida do Sócrates, enfim, nada dessas coisas tenebrosas que vieram perverter o mundo e, segundo os entendidos, atrair as pessoas para a extrema-direita, a loucura e a morte. Certo é que, sem nenhum desses horrores no horizonte, já se praticavam os estágios gratuitos, mesmo em jornais de esquerda como, segundo as boas línguas, era o caso daquele.

Tive sorte: o jornal, então maioritariamente masculino, queria jovens do sexo feminino para mandar para a Assembleia da República. Explicaram-me os chefes que, sendo a maioria dos deputados do sexo masculino, convinha que fossem entrevistados por jornalistas do sexo oposto, com decotes generosos, para os levar a responder com maior sinceridade. O Rogério Rodrigues foi incumbido de me levar ao Parlamento para me apresentar as pessoas.

Não correu muito bem: assim que me viu, Almeida Santos fez-me uma festa na cabeça e pespegou-me dois beijos nas bochechas, antes que o Rogério tivesse tido tempo de explicar quem eu era. "Homem, vocês agora vão buscar jornalistas ao infantário?" - perguntou, embaraçado, Almeida Santos. Ofendida, retorqui que já tinha 20 anos. O então Ministro de Estado e dos Assuntos Parlamentares declarou: "Pois olhe, eu não lhe dava mais de 15". Assim terminou a minha promissora carreira de repórter parlamentar. Aproveito para prestar as minhas homenagens a Anabela Neves, minha colega de turma na universidade, e a Maria Flor Pedroso, que honraram e honram a difícil e delicada especialização do jornalismo parlamentar, em décadas de trabalho isento e exemplarmente rigoroso. Entraram para a profissão nessa época em que as redacções machas queriam meninas para impressionar os deputados, e sobreviveram magistralmente a essa sinuosa forma de assédio profissional.

 

A palavra assédio, pura e simplesmente, não existia. Quando o orientador de estágio que me fora designado no jornal começou a sussurrar-me que tinha de ir jantar com ele para garantirmos que eu conseguiria o emprego, valeu-me o apoio da Clara Pinto Correia, que entrara um ou dois anos antes para o jornal e tinha uma inteligentíssima capacidade de contra-ataque. Aconselhou-me a Clara a que marcasse o jantar na agenda de serviço do jornal, que estava colada na parede, no meio da redacção. De facto, essa boa acção teve o condão de anular de imediato o apetite do meu orientador. Pouco depois, consegui que me transferissem para a secção de cultura e passei a ser orientada pelo Fernando Dacosta, a quem devo lições essenciais sobre jornalismo, teatro, literatura e, sobretudo, dignidade humana.  

Ao fim de um ano e meio de estágio gratuito, o José Carlos Vasconcelos e o António Mega Ferreira, respectivamente director e chefe de redacção do JL - Jornal de Letras, Artes e Ideias, contrataram-me para a redacção deste jornal cultural, que passava então de quinzenal a semanal. Um belo dia, fui encarregada de entrevistar um escritor já em processo de consagração que, enquanto ia respondendo à entrevista, tentava meter-me as mãos em todas as partes do corpo (excepto, salvo erro, os tornozelos e os pés). Lembro-me de ter pensado de mim para comigo: "Respira fundo e faz de conta que estás numa daquelas comédias italianas desesperadamente ansiosas por parecerem picantes". O literato Don Juan extraira da minha cândida pessoa a confissão de que eu queria um dia escrever romances e, enquanto me dedilhava, dissertava sobre a superior facilidade de escrita que eu experimentaria se me deitasse com ele. Respondi-lhe que, mesmo que o talento se contagiasse sexualmente, preferiria escrever à minha maneira, e não à dele, o que o fez concluir, escandalizado: " Além de pespineta, você é uma arrogante".

Infelizmente, esses dois grandes defeitos não o fizeram desistir do assédio, antes pelo contrário, e o ordálio continuou por uns tempos, sem que eu me tivesse queixado a ninguém. Nem me ocorria. Nesses tempos considerávamos tais ataques como "normais". Preço a pagar pela ousadia de querermos afirmar-nos num mundo de homens. 

 

Hoje, sabemos identificar o assédio. Continuamos todavia a deixar que nos desmereçam. A aceitar que nos diminuam. A pactuar com o desmerecimento e a diminuição de outras mulheres. Sem sequer darmos por isso. 

- Ele a mim tratou-me sempre muito bem.

A frequência com que ouço esta frase, entre mulheres e contra mulheres, em situações de relações pessoais ou laborais, e o que ela representa de falta de solidariedade, cobardia, indiferença, obediência e auto-depreciação, leva-me a pensar que o pior assédio é o do medo. Invisível, inatacável, persistente, mantendo cada ovelhinha no seu lugar.

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.04.17

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 Ficção, de Mário-Henrique Leiria

Prefácio e notas de Tania Martuscelli

Obras completas (contos, novela, teatro e guiões)

(Edição E-primatur, 2017)

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De blogue em blogue

por Pedro Correia, em 29.04.17

 

José Flávio Pimentel Teixeira com nova morada blogosférica: O Flávio.

 

Doze anos de Bic Laranja. É obra.

 

Há 11 anos a navegar na Outra Margem. Parabéns ao António Agostinho.

 

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Canções do século XXI (29)

por Pedro Correia, em 29.04.17

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E se fosse consigo?

por Rui Rocha, em 28.04.17

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Música recente (91)

por José António Abreu, em 28.04.17

 

Conor Oberst, álbum Salutations.

O complemento de Ruminations. A face mais solarenga de Oberst.

 

(The modern world is a sight to see. It's a stimulant. It's pornography. It takes all my will not to turn it off.)

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Convidado: LUÍS MILHEIRO

por Pedro Correia, em 28.04.17

 

Viver na estrada ou morrer no estádio...

 

Às vezes pensa que mais valia ter morrido no estádio.

Nunca mais seria esquecido, nem duvidavam dele quando afirmava que era fulano tal, esse mesmo que jogara no meio campo do “Belém”. E que só por não ter tido muito juízo, é que andava agora com uma camioneta a distribuir pão, aqui e ali.

Raramente é reconhecido. E quando isso acontece chega a ser deprimente, pois só alguns “doentes da bola”, dos que fazem todas as colecções de cromos, o enchem de palmadas nas costas. É por isso que lhes mente quase sempre, diz que é engano, que não é esse cromo do Belenenses, que lhe faltou numa colecção qualquer.

Pode parecer contraditório, mas as coisas da fama são mesmo assim, é como o amor, só gostas de quem te vira as costas, de quem não fica à tua espera na esquina.

Um dia, num completo desespero, dias depois de se divorciar da segunda mulher, queimou tudo o que tinha em casa dessa outra vida, fotografias, camisolas, calções, etc.

Os troféus teve o cuidado de os levar para a casa dos pais, dias antes. Foi por isso que escaparam a mais aquela crise de identidade, assim como os álbuns de fotografia dos tempos de solteiro e os recortes que o pai foi coleccionando ao longo da carreira.

Mas a “destruição” não mudou nada, parece que os álbuns de retratos continuam lá todos por casa, com as louras platinadas bem entrancadas e o inesquecível Lamborguini azul marinho, que lhe venderam como se fosse a sua cara. Não devia pensar nisso, até porque as louras hoje devem estar todas encarquilhadas e o desportivo está na sucata há muitos anos…

Estava ali a almoçar, com aqueles homens cansados de trabalhar como escravos, com vontade de fazer uma revolução, pelo menos de palavras. Ele nem isso. Continuava às voltas com o passado, tão mal resolvido…

Ali ninguém o reconhecia e ainda bem. Ainda lhe chamavam parvo, por ter deitado tanta coisa fora… por ser agora também “escravo” nesta sua última vida. Foi então que, à boa maneira portuguesa, se tentou confortar, “lambendo as feridas” e dizendo para os seus botões que ganhava uma miséria e não gostava nem um pouco do que fazia, mas pelo menos tinha trabalho.

Olhou o relógio, pagou a despesa e despediu-se da malta, pois tinha de se fazer à estrada, na velha Transit, cada vez menos voadora…

 

 

Luís Milheiro

(blogue LARGO DA MEMÓRIA)

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100 dias de Donald Trump.

por Luís Menezes Leitão, em 28.04.17

 

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Grandes animais

por Pedro Correia, em 28.04.17

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Nestas coisas nunca sei o que me choca mais: se aqueles que são capazes, aos milhares, de subscrever um abaixo-assinado contra o abate de um rottweiler que segundo fonte policial deixou  praticamente desfigurada uma criança de quatro anos na via pública (faltando saber se os mesmos ou outros militantes animalistas já se mobilizam em defesa de um arraçado de Serra da Estrela que arrancou uma orelha a outra criança, esta de nove anos), se aqueles que são capazes de desejar a morte de um menino de seis anos só porque teve a desdita de confessar que gostaria de ser toureiro.

Que uns e outros são grandes animais, não me restam dúvidas. Acrescento que, ao contrário do que os visados possam supor, isto não constitui um elogio.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.04.17

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 Vinte Mil Léguas Submarinas, de Júlio Verne

Tradução de Gaspar Borges de Avelar

Romance

(Reedição 11x17, 2016)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 28.04.17

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Ava Gardner

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Canções do século XXI (28)

por Pedro Correia, em 28.04.17

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Mário ou Marioneta?

por Rui Rocha, em 27.04.17

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Animais de estimação

por Helena Sacadura Cabral, em 27.04.17

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Nunca tive animais de estimação. Nem mesmo cães, esses que se consideram os melhores amigos do homem. Mas os telejornais de ontem não só deram conhecimento de que essa amizade por vezes se torna raiva, como lembraram o longo historial da série de acidentes havidos recentemente por investidas de cães contra adultos crianças.

Nada sei da psicologia dos canídeos. Apenas lembro que a minha querida amiga Madalena Fragoso, foi gravemente ferida por uma cão que estimava há já vários anos. E o dela não era de uma raça potencialmente assassina.
Agora que temos um deputado que defende a natureza e os animais talvez fosse ajuizado pedir-lhe que se ocupe de propor legislação que presida à defesa não só destes últimos, mas, sobretudo, à defesa daqueles que, sem qualquer responsabilidade, se vêem num hospital, em consequência deste tipo de agressões, que se está a tornar cada vez mais frequente.

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.04.17

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 As Pupilas do Senhor Reitor, de Júlio Dinis

Romance

(Reedição Guerra & Paz, 2017)

"A presente edição não segue a grafia do novo Acordo Ortográfico"

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Crónica Feminina

por Inês Pedrosa, em 27.04.17

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Escrevi durante nove anos consecutivos, sem uma semana de férias que fosse, uma crónica semanal com este título para a revista do jornal Expresso. Homenagem irónica à velhinha Crónica Feminina: um dia o então director do Expresso  José António Saraiva propôs-me que fizesse "uma crónica para a mulher" e eu, respirando fundo, perguntei: " Uma espécie de Crónica Feminina? " Para minha sorte, Saraiva tinha boas memórias da revista. Eu também: aos 12 anos de idade, ganhara nessa revista os primeiros 500 escudos da minha vida, prémio do concurso semanal "Cartas de Amor, Quem as Não tem". Ganhei-o com uma carta de amor à minha mãe, enviada para o concurso por uma prima - e deu-me um gozo especial porque a minha mãe detestava a revista e não queria que eu a lesse, por causa das fotonovelas que trazia. Mas eram fotonovelas bem eruditas: a edição em que se publicava a minha carta tinha um capítulo da fotonovela Madame Bovary. Ironicamente também, essa minha crónica acabou uma noite em que o recém-nomeado director do Expresso Ricardo Costa me telefonou dizendo que, para continuar, a crónica teria de ser quinzenal e eu teria de, cito, "alternar com um homem". Respondi (para gáudio do meu camarada Rui Zink, que estava a jantar comigo e assistiu a este diálogo) que já não tinha idade nem posição para iniciar uma vida de alterne. E assim se finou a minha Crónica Feminina.  

Vim a descobrir mais tarde que também Clarice Lispector escrevera, mais ou menos pelas mesmas razões do que eu,  uma Crónica Feminina. Quando cheguei ao Brasil tinha vergonha de não ter lido Clarice, sobretudo porque todos os jornalistas diziam que se notava haver uma cumplicidade entre mim e ela. Tinham razão: eu é que ainda não sabia. 

Lembrei-me desta história ao ver esta noite uma reportagem classista e presunçosa, na RTP 2, sobre essa popular e pioneira revista feminina. Valeu à memória da revista a Maria Antónia Palla, mulher livre, sem parvoíces peneirentas nem papas na língua. Houvesse mais mulheres assim e a paridade não estaria no pântano em que continua: muita lei, muito paleio, e nada de prática. Podiam pelo menos ter recordado a jornalista que lançou a revista, Maria Carlota Álvares da Guerra, por sinal mãe dessa fabulosa (e subestimada em Portugal, embora justamente idolatrada no Brasil)  actriz que é Maria do Céu Guerra. Mas a memória, neste país de mansos sonsos medíocres e fatais invejosos, é uma rapariga sem vício nenhum, nem o menor dos contactos com a verdade.

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Canções do século XXI (27)

por Pedro Correia, em 27.04.17

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Diário semifictício de insignificâncias (25)

por José António Abreu, em 26.04.17

Há momentos de inebriante clareza em que percebo que a minha vida dava um livro em vários volumes. Todos chatos.

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Já li o livro e vi o filme (182)

por Pedro Correia, em 26.04.17

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O ÚLTIMO TANGO EM PARIS (1973)

Autor: Robert Alley

Realizador: Bernardo Bertolucci (1972)

Um dos mais controversos filmes eróticos de todos os tempos, que levou Pauline Kael a compará-lo à Sagração da Primavera, de Stravinsky, e William Buckley a chamar-lhe "pornografia disfarçada de arte". O livro surgiu só meses depois da estreia, com base no guião, aproveitando o sucesso comercial do filme.

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I&D e Inovação

por João André, em 26.04.17

Todos os anos a empresa onde trabalho tem um dia dedicado a criar novas ideias tecnológicas que possam ser usadas. Várias empresas são convidadas para apresentar ideias que sejam interessantes e, se existir potencial, poderão ser convidadas a participar de um projecto. Isto, claro, à parte quaisquer ideias ou projectos de I&D que sejam desenvolvidos internamente ou em colaboração com parceiros. O objectivo é apenas ter um dia dedicado a descobrir o melhor que existe em oferta no mercado.

 

No início do dia há sempre um convidado que faz um "discurso motivacional". Desta vez tivemos um convidado que falou sobre inovação em grandes empresas e como as grandes empresas frequentemente ficam tão presas no seu ciclo de sucessos passados e modelos de negócio que (até ver) funcionam perfeitamente, e deixam de investir em inovação. Para ilustrar o seu ponto de vista, pegou no relatório da PwC sobre inovação e apresentou alguns números.

 

Fê-lo também usando comparações entre empresas de indústrias semelhantes. Volkswagen vs Tesla, IBM vs Apple, Microsoft vs Google (Alphabet...), etc; e ia pedindo para indicar qual seria a empresa com mais orçamento de I&D e a mais inovadora. O top-10 em ambas as categorias na lista da PwC está abaixo.

 

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Valores em milhares de milhões de dólares.

 

Nesta comparação, sublinhou como a VW tem o orçamento de I&D mais elevado do mundo, mas não consegue surgir nas empresas mais inovadoras. Foi aqui que me comecei a irritar com a apresentação. É já comum este tipo de "gurus" apresentarem conclusões baseadas em conceitos que formaram antes de elaborarem hipóteses, mas este caso aborreceu-me mais que o habitual. A razão para isso é simples: quis fazê-lo para demonstrar que investimento em I&D, mesmo como proporção das receitas, não correspondem a mais e/ou melhor inovação.

 

Nas palavras imortais do Dr. Homer Simpson: Duh!... Penso que qualquer pessoa o poderia dizer. Gastar dinheiro, só por si, não significa nada. Num caso absurdo, se a VW gastar mil milhões de dólares em bancos de células, poderia dizer que o gastava em I&D, mas provavelmente não melhoraria em nada a sua inovação.

 

O que falta na análise são duas coisas: a) como se define inovação e, b) como se qualifica o investimento de I&D?

 

Inovação

O livro do apresentador dá uma definição e muitas outras poderão ser usadas. No entanto, o ranking da PwC foi criado após consultas com especialistas em inovação. Ou seja, é um ranking completamente qualitativo e subjectivo e provavelmente ignorará os muitos milhares de empresas que são essencialmente desconhecidas e muito mais inovadoras que uma Apple ou uma Tesla.

 

Pense-se na Tesla. Qual a sua inovação? Não criou o conceito de carro eléctrico. Não produziu sequer o primeiro para venda. É um carro tecnologicamente avançado, mas não tem nada de excepcionalmente novo. Muitos "especialistas" em gestão de inovação apontam para o seu software, mas mesmo este nada tem de especialmente inovador. A principal inovação da Tesla foi no seu modelo de negócio - vender directamente ao consumidor - e mesmo este está a ser parcialmente abandonado. Há muitas outras inovações, é certo, mas não serão, no seu alcance e conceito, diferentes das de uma Ford que produz um novo motor a gasolina de 1.000 cc com 100 hp ou de uma Mercedes que cria um novo sistema de estacionamento automático.

 

O mesmo se pode apontar em parte para a Apple. O iPod não foi inovador pelo que trouxe - já existiam leitores de MP3 - mas pela sua qualidade e design e, essencialmente, pela sua ligação ao iTunes. O iPad não foi novo - a Microsoft tinha apresentado o seu Tablet PC em 2001 - mas foi apresentado não como um novo tipo de PC mas antes como um novo produto. Quando a Apple trouxe o iPhone para o mercado foi a primeira verdadeira e completa inovação tecnológica revolucionária que apresentou na sua i-Family. Não foi pequena e não pretendo menorizar o que foi feito, mas a percepção da inovação na Apple é influenciada pela forma como alterou a cultura popular. No entanto, a maior inovação que a Apple trouxe foi diferente e económica: o seu modelo de negócio. Conta, obviamente, como inovação, mas outras empresas que terão feito o mesmo e de forma mais influente (Google, Amazon, Facebook) aparecem abaixo da Apple.

 

Ou seja: na impossibilidade de colocar números no ranking de inovação, as empresas foras classificadas em função do élan que possuem. Dificilmente a melhor forma d emedir inovação.

 

O investimento em I&D

Este é um aspecto mais difícil de avaliar. Comparando com a VW com a Tesla, chegamos à conclusão que o orçamento da Tesla é cerca de 5% do da VW. Em parte isto deve-se ao tamanho das empresas. A Tesla tem cerca de 5% dos empregados da VW e um alcance das operações mais pequeno. Além disso, a VW está distribuída também no negócio das partes, tem divisões de serviços, logística, etc.

 

Além disso, a VW provavelmente terá uma forma diferente de qualificar os orçamentos, mais em linha com o de outras empresas alemãs (das que conheci). As empresas alemãs têm o hábito de considerar uma despesa de I&D tudo o que esteja tangencialmente relacionado com tal. Um novo equipamento, mesmo que já em tamanho industrial, será pago desse orçamento. O mesmo para todos os custos com ele relacionado (instalação, teste, início de funções, avaliação, manutenção, etc). O mesmo se pode dizer para actividades de debottleneckingtroubleshooting, (lamento mas não conheço termos portugueses) ou simples melhorias incrementais nos seus processos ou sistemas.

 

Outras empresas poderão não o fazer. Conheci empresas (especialmente americanas) que preferiam colocar qualquer investimento acima de um determinado valor (por exemplo, 200 mil dólares) na categoria de "investimentos", mesmo quando destinado a I&D. Isso automaticamente baixa o valor investido em I&D. Se a Tesla usar esta prática (e creio que a usa, olhando para o seu orçamento de I&D - baixíssimo), isto ajuda a explicar a sua diferença para a VW. Algumas outras empresas fazem outsourcing da investigação, decidindo quais as áreas interessantes e escolhendo parceiros. Isso transfere o investimento em I&D, que é indirecto, para categorias como "parcerias" ou "serviços".

 

Por outro lado, o investimento da VW em I&D é de 11,6% das suas receitas (12.3 mil milhões a dividir por 105,651 mil milhões), enquanto que o da Tesla é de 17,7%. O da Apple, no entanto, é de apenas 3,5%, o que pode ser resultado de receitas elevadíssimas ou de outras práticas de contabilidade financeira.

 

Eu não concluo nada de diferente de todos os gurus que decidem que não existe relação entre orçamento de I&D e inovação (por outro lado não sou nenhum guru nem aspiro a sê-lo). Só que olho para os valores de forma crítica. A VW ou a Microsoft são empresas líderes nas suas indústrias e que têm sabido reinventar-se constantemente, mesmo quando enfrentam revezes graves. Uma Tesla já poderá ser muito inovadora, mas não sei se existirá daqui por 10 anos (prevê ter quase todos os seus lucros para lá de 2020).

 

Quando se tenta avaliar inovação, convém, antes de tudo, olhar para tendências históricas e descobrir aquilo que foi feito de forma correcta no passado e tentar adaptar tais lições ao presente. A gestão eficaz não muda só porque a tecnologia muda. No entanto, para quem quer vender um livro, o mais importante são os próximos 50 minutos mais 10 minutos para perguntas.

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Um grito constante de sofrimento

por Alexandre Guerra, em 26.04.17

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Recordo, há uns anos, em conversa sobre o Guernica, de alguém me dizer que, para um especialista em pintura ou para um aspirante a pintor, mais do que apreciar aquele famoso quadro, o mais emocionante era ver e estudar os 45 esboços e estudos prévios igualmente expostos nas galerias contíguas. Compreendi a lógica. Muitas vezes, e dependendo sempre da perspectiva de quem vê, o mais importante pode ser o processo técnico e artístico que conduz a um determinado fim.

 

Para um simples admirador de pintura, como é o meu caso, é naturalmente a obra final que mais interessa, porque é lá que a arte e a mensagem atingem a sua plenitude, aquelas que o artista queria transmitir, deixar para a Humanidade. E no caso do Guernica, o que vi há uns anos no Museu Reina Sofia, em Madrid, foi a expressão máxima da violência e da destruição, provocada pelo bombardeamento dos aviões da Alemanha Nazi, aliada de Francisco Franco, sobre a pequena aldeia basca perto de Bilbao, precisamente a 26 de Abril de 1937, em plena Guerra Civil Espanhola. Todo o quadro é um retrato premonitório do horror apocalíptico que se viria viver poucos anos depois na II Guerra Mundial e uma antecipação dos bombardeamentos massivos que seriam levados a cabo pela Luftwaffe. Mais mais do que isso, é um grito constante de sofrimento de uma população indefesa. 

 

Além de toda a componente artística, aquilo que me toca tanto neste quadro é o facto de representar uma reacção imediata do pintor aos acontecimentos, uma espécie de “fotografia” em tela... E, sobretudo, a visão e o sofrimento de Picasso, o seu statement contra a perversidade que o Homem consegue infligir ao seu semelhante.

 

Guernica foi criado como um manifesto pacifista ou anti-guerra (ou pelo menos adquiriu esse estatuto) contra as acções políticas que conduzem a um massacre deliberado de homens, mulheres, crianças e até animais. Infelizmente, hoje, ao olharmos para o quadro de Picasso, sabemos que há sempre alguém, algures no mundo, a gritar de sofrimento por causa das motivações perversas do Homem. E nisso, 80 anos depois do génio ter pintado aquela obra prima, o mundo continua igual.

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Abril dos esquecidos

por Rui Rocha, em 26.04.17

Na ressaca das comemorações de ontem, gostaria de sublinhar que há o Abril dos heróis, dos discursos, das cerimónias, das condecorações, das proclamações, da poesia e dos cravos. Mas também há os esquecidos que encarnam os valores de Abril e sobre quem nunca se diz uma palavra, relativamente a quem nunca se faz um gesto de reconhecimento. Aqui fica apenas um exemplo concreto de abnegação, solidariedade, fraternidade, acção desinteressada, altruísmo e sacrifício pessoal e da família. Um só exemplo, mas andam outros por aí. Pouca justiça lhes temos feito.

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Convidado: RUI ÂNGELO ARAÚJO

por Pedro Correia, em 26.04.17

 

Criar o futuro

 

Há talvez vinte anos, um fornecedor de produtos informáticos tentava convencer-nos de que a ausência de cedilhas e acentos no processador de texto do software que nos vendia não representava nenhuma limitação, já que no futuro, um futuro luminoso ali ao virar da esquina, esses detalhes da língua desapareceriam. Com o uso generalizado da informática, uma novilíngua agramatical impor-se-ia com naturalidade e júbilo, contra os info-excluídos velhos do restelo. Contudo, a empresa fabricante, apesar de estrangeira, não tinha as mesmas ideias visionárias do seu representante na província lusa: não tardou a haver actualizações do software que incluíam dicionário em português, com a vetusta cedilha e tudo.

 

O Público de há uns dias trazia um artigo de mais um destes seres tecnológicos ávidos de futuro, agora um espécime que, com espantosa presciência e originalidade, declara a morte do livro.

Não vale a pena perder muito tempo com o texto em si, a estultícia intrínseca da argumentação é suficiente para fazer dele um nado-morto. Interessa-me, porém, na medida em que um cadáver interessa a um médico-legista ou a um epidemiologista — ou talvez na medida em que interessa a um taxidermista —, interessa-me perder um minuto a identificar o gérmen de que se contamina a prosa e a determinar o instinto primitivo que leva alguém a cometer textos assim.

 

O preclaro articulista é designer e isso não diz nada sobre ele, porque nenhuma formação académica ou profissão determinam o brilhantismo ou a burrice do utilizador. Mas a malícia trouxe-me à memória aquelas revistas artísticas e literárias de gosto gráfico vanguardista que no dealbar do século XXI faziam sair do prelo páginas por vezes curiosas mas ilegíveis, como se na redacção se digladiassem o editor literário e um designer gráfico revanchista e este levasse a melhor. Não falo de experiências comemorativas do centenário modernista, com ideias futuristas de tipografia ou de mancha de texto, mas sim de ornamentação barroca, sobreposição e mescla de imagem, texto e formas geométricas, colorações infelizes e sem contraste, escalas inadequadas e caprichos afins que nas melhores das hipóteses pediam lupa e excelente iluminação e nas piores não deixavam de todo o ler o texto, caso ele fosse para ler.

 

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Quando o designer é em simultâneo amante de literatura sabe que nos livros e revistas, independentemente do suporte, o seu espaço de trabalho fica nas margens do texto, mas já nem sequer como nos fólios medievais, que a página precisa de respirar. Tirando tipografia, capas, folhas de rosto, índices, marcas de capítulos, etc., não há muito a fazer, quem lê não quer perturbações no seu campo visual, e quem escreve — a não ser que esteja em fase Apollinaire ou Mallarmé, ou pretenda ter o seu momento de fusão disciplinar, de importação gráfica de meios comunicacionais contemporâneos — também não quer dar ao seu leitor mais trabalho do que o de mergulhar no texto.

 

Mas atrevo-me a dizer que para o articulista do Público o livro não está a morrer por incompatibilidade com as novas realidades e interesses do design digital ou tecnológico. O livro morre porque os opressores devem morrer. É a emancipação da mediania (ou da mediocridade), por perversão democrática, que exige a condenação do livro. O autor, ao contrário do que diz e possivelmente acredita, não prevê o fim de uma época, mas exprime o desejo de um mundo à sua medida. Adivinha-se pelo artigo que a sua relação com o livro é a de vítima, não de cúmplice ou amante. Vítima por ter sido em algum momento do seu desenvolvimento traumático obrigado a pegar num contra a vontade. Vítima por o torturar a mera ideia de permanecer em silêncio algumas horas com um livro na mão. Vítima por ter intuído a sua condição de plebeu perante uma certa aura aristocracia dos literatos (uma classe na verdade hoje decadente ou pouco influente, mas que ainda provoca ódios e rancores, nem que seja pela memória do seu antigo ascendente social — o ressentimento, já se sabe, exige retroactivos e transmite-se por via genética).

 

Como o meu vendedor de software de há vinte anos, o cidadão médio, de que o nosso designer parece distinto exemplar, sonha com um mundo à sua imagem, sem cedilhas ou outras extravagâncias intelectuais que atrapalhem a irrequietude púbere e impaciente do frenético admirável mundo novo. Sonha com um mundo em que todos têm um só olho e ninguém é rei. É decerto fã do Got Talent.

 

Num outro texto, de 2014 (sim, dei-me ao trabalho de procurar outros cometimentos do articulista), o designer, ignorando o dicionário, enuncia translucidamente a sua condição, mas não da forma que imagina:

 

«Gosto de acreditar que, nós designers, somos “futurologistas”. Ou seja, somos peritos a criar o futuro, ou pelo menos a prever ou a antever os tempos ...» [Sublinhado meu.]

 

A chave está de facto em criar o futuro, não em prevê-lo. Designers ou sapateiros (a profissão é irrelevante), o wishful thinking que estes indivíduos tomam por pensamento filosófico e visionário transforma-se em gesto criador quando decidem não ler livros. E o gesto criador ascende a verdadeiro Genesis quando toda uma multidão decide eleger os seus iguais, confundindo democracia com mediocracia.

 

 

Rui Ângelo Araújo

(blogue OS CANHÕES DE NAVARONE)

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Quando o cão morde no homem

por Pedro Correia, em 26.04.17

Cada vez me convenço mais que o país e o mundo que povoam o tempo de antena dos doutos tudólogos acampados noite após noite nas pantalhas nada tem a ver com o mesmo país e o mesmo mundo reflectidos nos telediários das estações que lhes dão guarida.

Voltei a perceber isso ontem à noite quando o Jornal da Noite da SIC foi incapaz de narrar algo mais relevante aos seus telespectadores do que o facto de uma menina ter sido mordida por um cão.

Sempre me garantiram que notícia era o homem abocanhar o animal e não o contrário. Afinal eu e muitos andávamos iludidos. Qualquer irrelevância ascende hoje à dignidade de foco central de um bloco informativo.

E se ainda me sobrassem dúvidas, teriam ficado desfeitas ao ouvir este destaque noticioso logo após a já mencionada peça de abertura: "Julia Roberts foi a Madrid e emocionou-se ao conhecer Cristiano Ronaldo."

Senti por isso que ontem, à sua maneira insólita, os estúdios de Carnaxide produziram uma espécie de 25 de Abril jornalístico. Cruzando uma linha fronteiriça sem retorno. Nada voltará a ser como já foi.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.04.17

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 A Guerra de Samuel, de Paulo Varela Gomes

Contos

(Edição Tinta da China, 2017)

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Canções do século XXI (26)

por Pedro Correia, em 26.04.17

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Crónicas

por Patrícia Reis, em 25.04.17

Olhar para Portugal e manter esse tesouro “inicial inteiro e limpo” por ser urgente ainda agora a Liberdade, uma outra forma de Liberdade ou várias liberdades. Como se a luta pelo melhor fosse infinita e, por isso, o que foi ontem ainda é hoje e podemos construir sempre mais e melhor.

Foi ontem a madrugada pela qual tantos esperaram. Foi ontem que as conversas em sussurro vieram para a rua em clamor, sem receios ou olhares de soslaio.

Foi ontem que capitães juntaram os homens para mudar o estado das coisas.

Foi ontem que Paulo de Carvalho cantou E Depois do Adeus de José Niza e José Calvário.

Foi ontem que as mulheres passaram a conseguir sair do país sem precisar de autorização do pai ou do marido.

Foi ontem que o poema de Sophia tatuou para sempre o que todos sentiam.

 

Esta é a madrugada que eu esperava

O dia inicial inteiro e limpo

Onde emergimos da noite e do silêncio 

E livres habitamos a substância do tempo (*)

 

Foi ontem que a senhora dos cravos nos deu esse símbolo, mesmo que a história tenha várias versões.

Foi ontem que os estabelecimentos prisionais se abriram para deixar livre quem nunca deveria ter sido preso.

Foi ontem que se cantou Liberdade com a convicção de que o futuro seria melhor, seria nosso.

Foi ontem e foi agora mesmo, porque importa recordar o 25 de Abril, o que nos uniu, a razão para a luta.

*Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'O Nome das Coisas'

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Música recente (90)

por José António Abreu, em 25.04.17

Karen Elson, álbum Double Roses.

Há sete anos, quando lançou The Ghost Who Walks, Elson encontrava-se casada com Jack White. O álbum era excelente, mas permitia a dúvida, inevitável no caso de primeiros trabalhos de gente cujos parceiros têm carreira firmada, de saber até que ponto essa qualidade se lhe devia exclusivamente (ainda por cima, White fora o produtor). Incluindo canções um tudo-nada menos teatrais e colaborações tão discretas que é fácil não as detectar (em Distante Shore, a voz longínqua e esperançosa pertence a Laura Marling), Double Roses mostra que Elson não precisa de ter White por perto.

 

(O tema Wonder Blind, ao vivo.) 

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25 de Abril

por João André, em 25.04.17

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 25.04.17

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 A Rosa do Povo, de Carlos Drummond de Andrade

Poesia

(Reedição Companhia das Letras, 2017)

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Canções do século XXI (25)

por Pedro Correia, em 25.04.17

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Diário semifictício de insignificâncias (24)

por José António Abreu, em 24.04.17

Continuo um leitor compulsivo de t-shirts. Devia parar. Um dia destes arranjo problemas. É quase impossível ler as frases mais compridas das t-shirts femininas (chegam a parecer volumes do Guerra e Paz) sem dar ideia de estar a obervar as mamas das utilizadoras.

Voltei a pensar nisto por causa de uma rapariga com quem me cruzei no passeio. Vestia uma t-shirt preta com as palavras Can't touch this. Em mais um sinal de que nasci há demasiado tempo, primeiro lembrei-me de MC Hammer. Quase me pus a cantarolar o tema. Só depois ponderei se a rapariga usaria a t-shirt em modo de desafio ligeiramente parvo, confiante na capacidade de atracção dos seus atributos, se em jeito de pedido quase desesperado de atenção. A verdade é que, sem aquela t-shirt, eu jamais pensaria em tocar-lhe (desculpa, OK?). Ainda assim, espero que o motivo fosse excesso de confiança. Fora dos campos da ciência, da economia e da política, há ilusões benignas.

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1

A paisagem política francesa mudou na primeira volta das eleições presidenciais, com a compressão dos dois maiores partidos (socialista e republicano, ou gaulista) que dominaram durante meio século um sistema quase perfeito de alternância. Quando um estava no poder, o outro chefiava a oposição. Desta vez, foram ambos afastados da segunda volta, o que corresponde a uma situação inédita.

 

2

O eleitorado está agora dividido em quatro grandes blocos, todos semelhantes: a esquerda, o centro, a direita e a extrema-direita, tendo passado à segunda volta os representantes do segundo e do quarto. Marine Le Pen é a candidata da ruptura e do protesto, mas também da oposição ao consenso europeu; Emmanuel Macron representa a ortodoxia europeia e concorre prometendo reformas de inspiração liberal. Independentemente do vencedor, a França está agora mais à direita e o presidente terá dificuldade em reunir uma maioria nas legislativas, que se realizam um mês depois da segunda volta. Para já, os dois partidos derrotados vão aconselhar o voto em Macron, mas não têm grande interesse em que ele consiga uma maioria demasiado expressiva, apenas a suficiente.

 

3

O discurso de Le Pen já não é propriamente de extrema-direita, mas populista: a candidata da Frente Nacional apoderou-se dos temas preciosos da esquerda radical, nomeadamente contestando o liberalismo financeiro e os seus efeitos no encerramento de indústrias e na destruição de empregos. Ela diz-se a candidata do povo e a sua mensagem será simples: o adversário é um privilegiado e ex-banqueiro; o modelo económico liberal, associado à globalização descontrolada, está na base do declínio da França e da pobreza crescente de muitos eleitores, sem perspectivas de emprego ou de progresso social num dos países mais ricos do mundo. A intenção é conseguir que a esquerda se abstenha, mas Le Pen terá de atrair o voto da direita (difícil) e não pode abandonar o tradicional discurso nacionalista do seu partido. Sem grandes hipóteses de vencer o rival, a candidata tentará tornar-se a líder da oposição em França, levando a FN a maior partido.

 

4

Emmanuel Macron é o quase inevitável vencedor, mas já cometeu o erro de fazer um discurso de vitória na primeira volta que mais parecia o discurso de vitória na segunda volta. Macron representa a última chance de se fazerem as reformas de que o país necessita, mas não terá tarefa fácil, devido à falta de experiência e à ausência de máquina política: o seu movimento é uma espécie de ‘albergue espanhol‘ que deverá incluir socialistas, centristas e republicanos. Quando for eleito, Macron vai reforçar o eixo Paris-Berlim, garantindo à partida a hostilidade da Frente Nacional e dos partidos esquerdistas que resultarem da insurreição protagonizada pelo quarto classificado na primeira volta, Jean-Luc Mélenchon, que conseguiu estilhaçar o PS. As duas rebeliões (à direita e à esquerda) vão comprimir ainda mais o bloco central que se está a formar em torno do provável novo presidente.

 

5

Estas eleições revelaram a enorme desconfiança dos franceses em relação à Europa, da ordem de 45% do eleitorado, e o profundo descontentamento de franjas importantes da população. Estas pessoas, pertencentes ao que antes se chamavam 'as classes trabalhadoras', sentem-se inseguras e desprezadas; já não falam a mesma linguagem das elites e da classe média, grupos que parecem viver numa bolha de esplendor indiferente à sorte destes perdedores. A clivagem atingiu patamares alarmantes e promete reaparecer em futuras votações, mas também na discussão política (uma paixão francesa) ou ainda em protestos de rua. Poderá ainda agravar-se o clima de insegurança que resulte de eventuais atentados terroristas. O sistema político está paralisado e não favorece um processo coerente de reformas. Estamos provavelmente a assistir ao estertor da Vª República, que foi criada para estadistas da dimensão do general De Gaulle, mas que não poderá suportar um quarto episódio consecutivo de um presidente fraco no Eliseu.

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Soma e segue

por Pedro Correia, em 24.04.17

Três eleições, três vitórias da Europa.

Primeiro nas presidenciais austríacas.

Depois nas legislativas holandesas.

Agora na primeira volta das presidenciais em França.

Os extremistas progridem nos ecos alarmistas dos telediários mas recuam nas urnas: excelente notícia para todos nós.

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Convidado: RICARDO ANTÓNIO ALVES

por Pedro Correia, em 24.04.17

 

Versos

 

Nem pensar pagar a camaradagem do Pedro Correia com prosa sobre actualidades, ou delitos semelhantes. Para isso, tenho lá o meu sítio; por isso, em bom espírito de bloga, compartilho com os leitores do DELITO DE OPINIÃO um punhado de versos, que, infelizmente, não são meus, mas de que me apropriei desde que os li pela primeira vez. Foi uma escolha difícil.

Aqui ficam, por ordem alfabética e sem repetição de autoria, que é referida no fim.

Boa leitura, de preferência demorada.

 

A beleza sim mais uma vez

Não por adorno mas instinto fundo (1)

 

a noite ergue-se num continente envelhecido (2)

 

bastou-me ver teu rosto e mais que ver olhar (3)

 

Coisas, e a morte que existe nelas, (4)

 

da poética só o pó, só a ética. (5)

 

É a vida a dar socos na porta. (6)

 

É só com sangue que se escrevem versos. (7)

 

É tarde, muito tarde na noite, (8)

 

Havia no ar um prazer de livro lido (9)

 

Jogue a dama na cama, que ela fica. (10)

 

Marta! Marta! / A minha ânsia de te morder, embriaga-me! (11)

 

O tacto, a vista, o ouvido, o gosto, o olfacto! (12)

 

Olha-me a estante em cada livro que olha. (13)

 

Os teus versos sabem mais de literatura do que tu, (14)

 

pode um desejo humano ser divino? (15)

 

Que somos nós? Navios que passam um pelo outro na noite, (16)

 

Sem Jeito Para o Negócio (17)

 

Seu amor é um céu católico e distante… (18)

  

Viesses tu, Poesia,

e o mais estava certo. (19)

 

 

(1) Alberto de Lacerda

(2) João Paulo Monteiro (Ângelo Novo)

(3) Ruy Belo

(4) Murilo Mendes

(5) amadeu liberto fraga

(6) José Régio

(7) Saul Dias

(8) Jorge de Sena

(9) Fernando Grade

(10) Homero Homem

(11) João Rosado (Horácio ou O’Racio)

(12) Cesário Verde

(13) Pedro Kilkerry

(14) Rui Almeida

(15) Vasco Graça Moura

(16) Fernando Pessoa/ Álvaro de Campos

(17) Mário Cesariny

(18) Gomes Leal

(19) Sebastião da Gama

 

 

Ricardo António Alves

(blogue ABENCERRAGEM)

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Vale a pena fazer primárias?

por Luís Menezes Leitão, em 24.04.17

As primárias correspondem a um traço muito  característico da democracia americana, funcionando como ligação do eleitorado às candidaturas presidenciais. Tal possibilita que candidatos populistas e desalinhados possam triunfar. Foi o que permitiu a ascensão de Trump à presidência. É, no entanto, muito duvidoso que se ganhe alguma coisa em fazê-las no espaço europeu e especialmente em sistemas parlamentares, em que a ascensão à chefia do governo depende do parlamento. António Costa foi escolhido em primárias do PS como candidato a primeiro-ministro, mas só chegou a esse cargo porque criou uma geringonça que o sustenta, não lhe tendo as primárias assegurado qualquer benefício.

 

Em França, onde vigora um sistema presidencial, as primárias foram criadas como reacção ao surpreendente resultado de 2002, em que Jean-Marie Le Pen suplantou Lionel Jospin, passando à segunda volta. O PS francês chegou à conclusão que, se deixasse que continuassem a concorrer todos os candidatos folclóricos de todas as esquerdas possíveis e imaginárias, o resultado seria sempre ser ultrapassado pela Frente Nacional. Criou assim umas primárias para escolher o candidato presidencial de esquerda, e a direita passou a imitá-lo, escolhendo também em primárias o candidato da direita. Foi assim que Benoit Hamon e François Fillon foram desta vez escolhidos como candidatos da esquerda e da direita. Mas curiosamente nenhum passou à segunda volta.

 

A verdade é que ambos eram péssimos candidatos, o que demonstra o falhanço das primárias. Numa eleição interna aberta a simpatizantes, tende a ser escolhido o candidato com que os simpatizantes mais simpatizam e não aquele que tem maiores possibilidades de sucesso, o que só os militantes sabem avaliar. Por isso é que Macron, que não se sujeitou a quaisquer primárias, e Marine Le Pen, que é a líder do seu partido, passaram à segunda volta.

 

Esperemos que isto sirva de lição a quem anda a propor primárias. Os partidos têm que saber escolher candidatos que os levem ao poder e não candidatos do gosto dos simpatizantes, mas mal colocados para ganhar eleições. A simpatia não chega e o pragmatismo é essencial na escolha dos candidatos.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 24.04.17

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 Cinco Contos sobre Sucesso e Fracasso, de Alexandre Andrade

(Reedição Relógio d'Água, 2017)

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 24.04.17

«Parece-me que já comentei um post seu, não sei se neste blogue, em que emitia uma opinião neste mesmo sentido, tendo eu tecido algumas observações sobre o que, quanto a mim, é a relação entre as opções a que se refere e o regime jurídico vigente em matéria de direito de autor e direitos conexos. Correndo o risco de me repetir, permito-me, em todo o caso, salientar que este regime prevê que as traduções sejam comparadas a originais, sendo a protecção daí decorrente extensível aos títulos.

Não é o momento de entrar em fastidiosas divagações ou elucubrações jurídicas, mas a situação é fácil de compreender se atentarmos no comentário do leitor João Espinho, quando afirma que "... a tradução é, também, recriação."

Também o Pedro se pronuncia no mesmo sentido: "Quem diz que um bom tradutor não pode criar?"

 

São exactamente esta dimensão intelectual e este esforço criativo que justificam uma tal disciplina. Um bom exemplo: a nota de pé-de-página constante da página 89 da 1.ª edição de O Caso Kurílov, de Irène Némirowsky, excelente tradução de Aníbal Fernandes para a Sistema Solar (já agora, as transliterações do título e nome da autora não merecerão alguma discussão?) refere duas traduções da sentença latina (Séneca?) "Juvenile consilium, lates odium, privatum odium, bhoec tria ominia regna perdiderunt".

Uma, de Adília Lopes, sigo a nota mencionada, "Juízo imaturo, ódio latente, ódio privado, três presságios que fazem perder reinos."

A segunda de Mário Rui de Oliveira, continuo a seguir a nota, "Três coisas levam à ruína todos os reinos: o comando nas mãos dos jovens, as guerras intestinas, a procura do interesse próprio. Mas todas se equivalem".

Independentemente do juízo que especialistas possam fazer sobre o valor destas traduções, o que me parece indiscutível é que ambas procedem a uma recriação, como lhe chama o leitor a que acima me referi, digna de protecção jurídica. E tanto assim é que a protecção se mantém quando a obra que dá origem à tradução tiver caído no domínio público.

Qualquer tradução de, por exemplo, Stendhal, será protegida dentro do período legalmente fixado, sendo certo que as obras do autor original já não o estão, em razão do decurso do prazo previsto para o efeito.

 

Longe de mim contestar muitos dos exemplos que o Pedro refere no post. O que quero fazer sobressair é a possibilidade de, também, em muitos casos, os autores (das traduções) não estarem interessados em conceder as autorizações necessárias para a utilização das suas criações. Não tenho, obviamente, a certeza, mas estou convencido de que estará aqui a razão para, depois de O Monte dos Vendavais, depararmos com O Monte dos Ventos Uivantes.

Se não for o caso, muitos haverá, certamente, em que o regime jurídico que aflorei terá fundamentado aparentes desmandos.»

 

Do nosso leitor João Paulo Palha. A propósito deste meu texto.

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Canções do século XXI (24)

por Pedro Correia, em 24.04.17

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Fotografias tiradas por aí (352)

por José António Abreu, em 23.04.17

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Coimbra, 2017.

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France partout

por João Pedro Pimenta, em 23.04.17

Lá pelas 19:00, mais minuto menos minuto, teremos as primeiras projecções dos resultados da primeira volta das presidenciais francesas. Às 19:45 começa o superclássico Real Madrid-Barcelona, em que os "merengues", treinados pelo antigo craque francês Zinedine Zidane, tentarão dar a estocada final no rival da Catalunha, essa região vizinha de França. Não há por onde escapar: dê por onde der, hoje todas as atenções se centram em franceses ou aparentados.

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A União Europeia em questão.

por Luís Menezes Leitão, em 23.04.17

Se há coisa que demonstra que a União Europeia não passa de um gigante com pés de barro é precisamente o facto de tremer como varas verdes de cada vez que há uma eleição num dos seus estados mais fortes. A verdade é que a União Europeia é composta presentemente por 28 países (até à saída do Reino Unido), pelo que poderia perfeitamente perder um ou dois países sem consequências de maior. Só não sucede assim porque a construção europeia é artificial, sendo apenas uma estrutura de domínio dos Estados pequenos pelos grandes. Para inglês ver, lá puseram um parlamento europeu sem iniciativa legislativa onde os deputados falam sozinhos e uma comissão, que deveria ser independente, mas faz tudo o que os Estados grandes mandam. A Europa foi preparada para ser gerida por quatro grandes Estados: Alemanha, França, Reino Unido e Espanha. Por isso, se algum deles sair, como aconteceu com o Reino Unido, e poderia acontecer com a França, a estrutura cai como um castelo de cartas.

 

Vale por isso a pena perguntar se se justifica manter este castelo de cartas. Da minha parte, sempre preferi viver num país livre do que aprisionado numa mentira. Actualmente vivemos com uma moeda que não podemos pagar, beneficiando de compras de dívida feitas pelo Banco Central Europeu, já que, sem isso, os nossos juros disparariam. Corremos permanentemente o risco de que em qualquer eleição ou referendo num dos grandes Estados alguém diga que já basta de financiar os povos do Sul. E perante este risco, dizem apenas que a União Europeia garante a paz na Europa. Bem, Portugal não tem uma guerra no seu território europeu há quase duzentos anos, sendo que só tivemos que participar numa guerra na Europa em 1917 porque a República assim o decidiu e a mesma consistiu apenas numa expedição à Flandres. Mas que hoje a Europa está em guerra, isso ninguém tem dúvidas, como o atentado de Paris demonstra. E que tem feito a União Europeia para resolver esse assunto? Absolutamente nada.

 

Por muito que continue o discurso de fé na construção europeia, a verdade é que a mesma está a ser questionada em todo o lado. Ou a União Europeia sofre uma reforma profunda ou acaba. Só não vê quem não quer.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.04.17

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 Evangelha, de David Toscana

Tradução de Helena Pitta

Romance

(Edição Parsifal, 2017)

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