Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




As melhores praias portuguesas (138)

por Pedro Correia, em 31.10.16

baía s. lourenço, st maria.jpg

 

São Lourenço (Santa Maria, Açores)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Blogue da semana

por Pedro Correia, em 31.10.16

O blogue da semana, desta vez, é o blogue do ano: Por Falar Noutra Coisa, que acaba de merecer este título por escolha da TVI. Um blogue cuja leitura eu já tinha recentemente recomendado por justificar leitura atenta. O seu autor, Guilherme Duarte, tem sentido de humor e não assassina as chamadas "consoantes mudas". Em pouco tempo, tornou-se um caso raro de popularidade, que até já deu livro. Está de parabéns.

Aproveito para esclarecer alguns leitores que me interrogaram sobre a ausência do DELITO DE OPINIÃO na escolha dos blogues do ano, inicialmente sujeita a votação nas redes sociais e depois deixada ao critério de um júri nomeado pela TVI-Media Capital.

Acontece que o regulamento forçava os autores a apresentarem-se a concurso nas diversas áreas temáticas. Na componente cultural não seria possível inscrever o DELITO pois não estava sequer contemplada neste concurso (o que é um significativo sinal dos tempos). Na componente política não faria o menor sentido pois a TVI decidiu agrupá-la com "economia e negócios" - tudo à molhada, sem qualquer lógica, e abrindo até espaço a "blogues" que nunca o foram. De tal maneira que acabou por ganhar uma coisa chamada Poupadinhos e com Vales: só o nome já é um tratado de "política" - o que diz muito sobre a forma como este canal televisivo encara tal fenómeno.

Um critério mais que duvidoso, alvo de pertinentes críticas. Por exemplo, aqui e aqui.

Ficámos, portanto, voluntariamente de fora. Acreditamos, hoje como no primeiro dia, que o nosso melhor prémio são os leitores que continuam a visitar-nos e comentar-nos. Concordem ou não com o que aqui se escreve.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão de Halloween

por Rui Rocha, em 31.10.16

Entrar nos gabinetes ministeriais disfarçado de Inspector Geral do Ensino Superior.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Coming soon to a Theatre near you

por Rui Rocha, em 31.10.16

Dom Profano.jpg

- I don't know what to do, Dom Profano. The Vila Real old geezers have no interest in the book Sundays Male Flour wrote in your name. I just can´t get them on the bus Charles Saints Bramble booked for them! Even if I pointed them a gun they still would prefer to spend their time watching Preço Certo.
- Forget the gun, show them the cannoli.
- I already did, Dom Profano. They didn´t move a damn old finger!
- Don´t worry, Fontane. I´m gonna make them an offer they can´t refuse: codfish cake with Serra da Estrela cheese for all! 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Palavras para recordar (2)

por Pedro Correia, em 31.10.16

010-0033-00001_142[1].jpg

 

JOSÉ PACHECO PEREIRA

Público, 1 de Dezembro de 2007

«Só há uma alternativa a esta política do modelo social europeu e essa alternativa é um consistente, persistente e intransigente programa de liberalismo moderado, reformista, prudente, passo a passo, sempre no mesmo sentido de dar mais liberdade a pessoas e a empresas do domínio abafador do Estado.»

Autoria e outros dados (tags, etc)

Transparência à socialista

por José António Abreu, em 31.10.16

1.

Faltavam dados no orçamento de Estado para 2017. Dados que, legalmente, o governo estava obrigado a fornecer e cuja ausência tornava difícil perceber a lógica por trás das previsões. Enquanto pôde, o governo resistiu a entregá-los. Não surpreende: sabemos há muito que a definição de «transparência» muda durante os governos socialistas. Perante a complacência geral, a verdade tende a assumir a forma das declarações oficiais.

 

2.

Mas, afinal, o que assusta o governo? Talvez que se perceba a inconsistência das previsões. E a mentira criada para a esconder.

 

3.

Em duas semanas, sem que tivesse ocorrido o anúncio de qualquer nova medida, receitas e despesas mudaram. Centeno, a estrela da Economia que iria pôr o país a crescer a mais de 3% ao ano, parece hoje limitar-se a ajustar números no Excel, de acordo com as conveniências.

 

4.

E era conveniente passar a ideia de um orçamento muito mais cor-de-rosa do que na verdade ele será. Veja-se o exemplo do ministério da Educação; em duas semanas, um crescimento das verbas disponíveis de 3,1% transformou-se num corte de 2,7%. O valor orçamentado é agora ligeiramente inferior ao de 2013. Porém, enquanto na altura Bloco, PCP e Frenpof anunciavam o «ataque à escola pública», hoje assinam de cruz e Mário Nogueira permite-se mesmo chamar «cretino» a quem se atreve a referir as suas incoerências. Televisões, rádios e jornais, entretanto, referem apenas que Centeno, embora no limite do prazo com que se comprometera, até enviou os dados. Alguém lhe ofereça um cartão de parabéns, por favor.

 

5.

E depois há a execução de 2016 e o truque das cativações. Elas existiram em anos anteriores, mas hoje, neste período pós-austeridade em que deveriam mostrar-se desnecessárias, são afinal cruciais para o cumprimento dos objectivos do défice - os únicos em que, ironicamente (falhados que foram os de crescimento, investimento e consumo), o governo está empenhado. Mais uma vez, Bloco e PCP parecem ter-se tornado panglossianos: este é o melhor dos mundos possíveis.

 

6.

De resto, as ironias acumulam-se. Nos montantes e termos actuais, as cativações - despesa orçamentada que o governo não deixa utilizar - significam serviços públicos em degradação acelerada. Hospitais, escolas, transportes públicos. Rui Ramos escreveu-o melhor do que ninguém: O governo devolve salários ao funcionalismo, mas tira-lhe, ao mesmo tempo, os meios para desempenhar o seu papel. Não poderia haver melhor sinal de que o Estado social só interessa ao governo e à maioria como uma bolsa de clientelas e de dependentes, e não como prestador ou garante de serviços à sociedade. A geringonça - formalmente de esquerda - não parece notá-lo. A comunicação social também não.

 

7.

As cativações representam igualmente atrasos nos pagamentos ao sector privado. Este foi um cancro dos últimos anos do governo Sócrates que a Troika tentou imediatamente corrigir, consciente dos seus efeitos: preços mais elevados para o Estado e dificuldades financeiras para inúmeras empresas. Na ânsia de fingir que tudo vai bem, a «geringonça» garante ao Estado custos superiores no futuro e a Portugal um menor crescimento económico desde já.

 

8.

Pouco importa. A lógica do governo é a sua própria sobrevivência, gerida dia a dia. Com uma comunicação social domada, com os sectores mais reivindicativos razoavelmente satisfeitos, com um sociedade cujo grau de conformismo pouco evoluiu desde os tempos do Estado Novo (para não recuar mais), a «geringonça» está à vontade.

 

9.

Nunca saberemos quais teriam sido os resultados de uma política que tivesse incentivado o investimento em vez de o afugentar, que tivesse devolvido os cortes de salários e pensões num ritmo mais lento para que essa devolução não se reflectisse na qualidade dos serviços e nos prazos de pagamento do Estado, que tivesse garantido gestão profissional e apolítica nos transportes públicos, que tivesse enfrentado a necessidade de reformar a Segurança Social. Mas sabemos que, em meados de 2015, tendo provavelmente aplicado um «efeito multiplicador» negativo ao cenário, Centeno garantia que essas opções representariam um crescimento de 1,7% em 2016. Quase o dobro do que ele se prepara para conseguir.

 

10.

Governar é assumir compromissos. Uma grande parte de governar em democracia é assumi-los em transparência. Numa perspectiva de futuro, os compromissos deste governo são péssimos, a sua falta de transparência assustadora. Mas os portugueses nunca foram de pensar no futuro e, desde que sintam estar a receber algumas migalhas, convivem bem com a dissimulação e com a mentira. É tradicionalmente a sorte dos caciques, é também a sorte da «geringonça». Até ao momento em que as migalhas acabem.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O estado da arte da Ciência

por João André, em 31.10.16

No seu melhor a ciência deve procurar dar respostas a perguntas e, idealmente, descobrir novas perguntas que nos direccionem para novas áreas de conhecimento. A melhor forma de o conseguir é seguir o método científico. Analisar a pergunta, formular uma hipótese, testar a mesma e analisar os resultados. Tirar conclusões e repetir o processo. Nunca chegamos ao fim porque mesmo que os resultados confirmem perfeitamente a hipótese e respondam perfeitamente à questão, haverá sempre novas perguntas a responder.

 

Seguir simplesmente este processo é essencialmente inútil, há que disseminar a informação. De tempos a tempos são descobertos documentos de cientistas do passado que não se deram ao trabalho de publicar ideias ou resultados e que, se o tivessem feito, poderiam ter avançado o conhecimento numa determinada área por décadas. A forma ideal de disseminação de conhecimento é a revisão por pares, ou peer review no termo inglês mais em uso. Este método habitualmente funciona bem porque os revisores têm interesse em permitir apenas que a boa ciência seja publicada, dado que ajuda também os seus trabalhos.

 

No seu estado mais perfeito a revisão pelos pares é simples: um cientista (ou grupo) submete um manuscrito a um jornal, este pede a outros cientistas, com outras publicações no currículo, que examinem o mesmo e ofereçam as suas opiniões. Estas podem ser simples aprovações ou rejeições do trabalho na presente forma ou sugestões de correcções ou pedidos de esclarecimento. No final do processo, a palavra final é do editor do jornal, que habitualmente segue a opinião consensual e decide em que número o trabalho será publicado.

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Cartas de amor

por Helena Sacadura Cabral, em 31.10.16
Acabei hoje de ler as cartas de Mitterrand a Anne Pingeot, mãe da sua filha Mazzarine, agora uma mulher de 41 anos. São centenas de epístolas que revelam o lado mais privado do homem que ocupou o mais alto cargo político na França.

A intimidade, quando revelada, tem sempre o duplo efeito de nos fazer participar de algo que não vivemos. E se, neste caso, isso pode ter um lado algo perverso, visto que se trata de um triângulo amoroso, noutras circunstâncias pode ajudar a compreender melhor alguém de quem só conhecemos o lado público.

Anne Pingeot e François Mitterrand apaixonaram-se no começo dos anos sessenta. Nessa altura o político francês tinha 46 anos, era casado e pai de dois filhos, e ela tinha 19. Anne tornar-se-ia - nas próprias palavras de François - não apenas a sua amante, mas a mulher da sua vida. 

Esta relação intensa e de enorme cumplicidade só se tornou pública em 1994, quando a revista Paris Match publicou fotografias do então Presidente da República a sair de um restaurante parisiense com a filha de ambos, Mazarine, nessa altura com 20 anos. Este “escândalo mediático” para a época foi, até então, bem protegido pela comunicação social que o conhecia desde há muito.

E se é verdade que Pingeot terá sofrido pelo silêncio que a rodeou e à sua filha, seguramente que a mulher oficial, Danielle, e os outros filhos não terão sofrido menos, já que chegaram a habitar em lados opostos no Eliseu.

O livro "Lettres à Anne", que saiu há cerca de quinze dias em França, deixou-me uma sensação estranha, que pouco tem que ver com conceitos morais – embora eles existam – mas que tem mais a ver com o homem e o conceito de família que estão por detrás daquelas cartas.

De facto, se esta mulher era assim tão importante, porque é que ele se não divorciou da primeira? Se esta filha foi o fruto desse imenso amor, porquê esconde-la tanto tempo dos olhares públicos? E porque é que todas estas personagens aceitaram desempenhar um papel que apenas Mitterrand impunha? Finalmente, o que leva Anne Pingeot a publicar agora estas missivas, quando o seu amor morreu há vinte anos e a sua rival há cinco?

Estas são para mim as perguntas mais inquietantes. Da resposta a qualquer delas depende, afinal, a ideia que façamos dos diversos intervenientes nesta história.

Que foi uma impressionante história de amor, parece evidente. Mas que tipo de poder tinha este homem para que ela se tenha desenrolado deste modo?!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 31.10.16

o rapaz e o pombo7[2].jpg

 

O Rapaz e o Pombo, de Cristina Norton

Romance

(Edição Oficina do Livro, 2016)

"Por vontade expressa da autora, o livro respeita a ortografia anterior ao actual acordo ortográfico"

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

RH Music Box (274)

por Rui Herbon, em 31.10.16

SLV304361-2.jpg

 

 

Autor: Marcos Valle

 

Álbum: Marcos Valle (1983)

 

Em escuta: Fogo Do Sol

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (325)

por José António Abreu, em 30.10.16

Blogue_ruas63_Bergen2013.jpg

 Bergen, Noruega, 2013.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 30.10.16

«"Temos de ser lúcidos e corajosos para derrubar este e outros mitos e construir uma outra via que, essa sim, possa condenar e combater todos estes regimes desumanos."
Creio que foi Bernard-Henri Lévy que incentivou em tempos a "malta nova" a ajudá-lo a mudar o mundo, terminando com um inesperado "ide!" (e não com o esperado "vamos!").
As pessoas gostam de dizer "temos que", muito em especial quando estão à espera que outros o façam (ou mais provavelmente não estão à espera de nada mas acham que devem dizer coisas bonitas e que lhes tragam uma boa consciência antes de ír para a cama).
Mas esta ideia é boa: cada vez que algo não me agrade passo a dizer que está mal e há que procurar uma nova via.
E se alguém me pedir sugestões disfarço o não ter a mais pequena ideia.
Não posso é fazer isto na frente dos netos, ainda me gozavam...»

 

Do nosso leitor RMG. A propósito deste meu texto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

As melhores praias portuguesas (137)

por Pedro Correia, em 30.10.16

costa-nova, ílhavo.jpg

 

Costa Nova (Ílhavo)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ainda o caso Nuno Felix

por Rui Rocha, em 30.10.16

Recordemos antes de mais, os factos. Num primeiro despacho de nomeação, Nuno Felix é apresentado como detentor de duas licenciaturas. Uns meses depois, Nuno Felix é novamente nomeado, referindo-se então apenas a frequência das mesmas. Agora, Nuno Felix demitiu-se. Perante estes factos, se bem vejo, temos 3 cenários possíveis:
a) O despacho inicial resultou de um erro não imputável a Nuno Felix (é a tese do próprio Nuno Felix). A hipótese é improvável. Como é que alguém se lembraria de colocar no despacho duas licenciaturas (logo duas, caramba!) sem que a informação tivesse origem no próprio. Em todo o caso, se assim fosse, a pergunta que fica é a de saber como é possível que o Ministério da Educação tenha recebido o pedido de demissão. Ninguém deveria suportar as consequências de um erro a que é alheio. Mais. Como é que o Ministro da Educação ou o Secretário de Estado assistem à humilhação de Nuno Felix sem virem esclarecer que se trata de um erro, reabilitando-o perante a opinião pública? Mais ainda: como é que um Governo que mantém em funções Rocha Andrade que teve uma conduta eticamente condenável não protege a vítima de um erro? Que confiança se poderá ter em responsáveis governamentais que demonstram tal falta de lealdade perante um dos seus?
b) Nuno Felix mentiu e essa situação foi detectada entre o primeiro e o segundo despacho. Neste caso, a responsabilidade política é gravíssima. Ou o Secretário de Estado sabia e não partilhou com o Ministro, caso em que João Paulo Rebelo terá de demitir-se, ou partilhou com o Ministro e terão os dois de abandonar imediatamente as suas funções. Não há outra solução.
c) Nuno Felix mentiu e a situação foi detectada apenas agora. Neste caso, a consequência adequada seria a exoneração de Nuno Felix e não o seu pedido de demissão. De qualquer forma, o Ministério da Educação tem a obrigação de clarificar a situação. Se Nuno Felix entregou falsos documentos que atestem a licenciatura, a questão é criminal e os responsáveis políticos estão obrigados a dar-lhe o respectivo seguimento. Se não houve documentos, a questão é sobretudo ética mas impõe uma clarificação por parte do Ministro da Educação. Tiago Brandão Rodrigues tem de dizer preto no branco que foi isto que aconteceu e não outra coisa. E não pode escudar-se em comunicados dúbios e que parecem mais preocupados em jogar com as palavras para evitar futuros constrangimentos do que em esclarecer a situação. Até à data Tiago Brandão Rodrigues não esclareceu se Nuno Felix mentiu ou não mentiu e, se mentiu, como e quando o fez. Até que o faça, ao contrário do que os agora complacentes pretendem, o assunto está longe de estar encerrado. E o único culpado é o próprio Ministro da Educação.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Romance de parede

por Pedro Correia, em 30.10.16

R Gabriel Victor do Monte Pereira.jpg

 

Évora, Rua Gabriel Victor do Monte Pereira

Autoria e outros dados (tags, etc)

Grandes mudanças

por Luís Naves, em 30.10.16

O nosso mundo é dominado por dois fenómenos que correm em paralelo, a ruptura e a dessacralização. Vemos a tendência da ruptura em notícias diárias sobre rebeliões populistas nas democracias, em delirantes projectos para criar regimes teocráticos ou ainda nas cenas caóticas envolvendo migrações em massa: no fundo, as sociedades contemporâneas não têm soluções para as ‘selvas’, para o ocasional demagogo ou para os delírios homicidas dos fanáticos. Todos estes exemplos estão ligados a mundos em extinção, que não têm resposta para o que aí vem.

A dessacralização é menos óbvia, mas está presente na linguagem politicamente correcta que cada vez mais trava as discussões, está também presente na forma algo estranha como instituições conservadoras acompanham os tempos (tentando adiar o seu declínio) surpreendendo os próprios críticos com a ousadia das inovações. Os papas da literatura, para citar um exemplo recente, guardiães do templo, atribuíram em dois anos consecutivos o Prémio Nobel da Literatura a um trovador e a uma repórter, dois excelentes exemplos da cultura popular.

Pode ser menos evidente, mas esta cultura popular vive dias revolucionários, a dessacralização garante-lhe um lugar proeminente na linha do tempo, para além de existir uma nova e agressiva corrida à criação de impérios que vão dominar ainda mais o seu futuro. Por razões tecnológicas, não haverá sobrevivência para quem não tiver massa crítica. O que se aplica, aliás, ao jornalismo ou à literatura: acabou a era dos autores obscuros que vendiam meia dúzia de exemplares e iam ganhando lentamente a fama; hoje, sem garantir escala, ninguém é publicado. Assim será com a televisão, com o cinema. Os países ocuparão pequenos nichos de exotismo. Isto aplica-se a todas as elites que dominaram o passado, até nas descobertas científicas, que dependem do dinheiro para experiências complexas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Acabou a novela, mas não acabou o drama

por Diogo Noivo, em 30.10.16

RajoyCD_20minutos.jpg

 

Ouvi há dias uma frase que resume na perfeição o último ano da política espanhola: Mariano Rajoy é o único animal no planeta que avança sem se mover. O líder dos Populares não tem carisma, não tem o dom da palavra, lidera um partido com vários militantes e antigos militantes envolvidos em casos de corrupção e de branqueamento de capitais, não fez grandes cedências à oposição apesar de carecer de uma maioria absoluta, mas avança. Aliás, olhando para o percurso de Rajoy na política nacional vemos uma história quase inexplicável de sobrevivência. Uns dirão que se trata do triunfo da mediocridade, outros que é um bom exemplo da importância do sangue-frio e da estratégia em política. Seja como for, o homem resiste.
Isso deve-se, em parte, à hecatombe socialista, que analisei aqui. O desastre estratégico e eleitoral do PSOE levou o partido a um Comité Federal, realizado no passado domingo. Ao órgão máximo do PSOE competia-lhe tirar os socialistas de uma encruzilhada asfixiante: abster-se na investidura de Rajoy, permitindo que Populares formassem governo, ou votar “não” e levar o país a terceiras eleições. Esta era a escolha visível e imediata, aquela que se assume perante as câmaras. Mas, como na música, havia outra, mais importante: ganhar tempo para reconstruir o partido ou ser ultrapassado nas urnas pelo Podemos e, consequentemente, tornar-se irrelevante. Sem surpresa, o PSOE optou pela abstenção, ou seja, por manter o lugar de principal força política de esquerda.

 

O Podemos não gostou. Ainda com Pedro Sánchez no lugar de Secretário-Geral, Pablo Iglesias y sus muchach@s (assim, com arroba, à Podemos) pressionavam diária e intensamente o PSOE. Segundo o Podemos, os socialistas não podiam ceder aos apelos à responsabilidade, tinham que ser intransigentes no “não” ao PP. Para o Podemos, este era o caminho para o sucesso: as terceiras eleições fariam dele o primeiro partido de esquerda em Espanha, seguido por um PSOE de rastos e sem condições para se reafirmar no panorama político nacional. Era uma oportunidade de ouro. Decidida a abstenção socialista no passado domingo, o radicalismo e a ferocidade do Podemos atingem novos patamares. Pablo Iglesias e os seus dizem do PSOE o que Sócrates não disse de Cavaco (pelo menos em público), evidenciando um discurso típico de mau perdedor. “Traidores”, “marca branca do PP” e “casta” figuram entre os apodos mais simpáticos, ditos nos intervalos da exploração das fracturas internas que um profundamente inábil Pedro Sánchez deixou no PSOE.
Mas Iglesias também extrema posições num espaço político mais vasto. Após defender que o Podemos devia menorizar o papel das instituições e fazer política na rua, Pablo Iglesias mostrou-se favorável à ideia de um protesto que cercasse o Congreso de los Diputados, uma manifestação cujo intuito é de tal forma contrário ao espírito e aos procedimentos do Estado de Direito Democrático que dispensa comentários adicionais. Pelo meio, manifestantes de cara tapada impediram Felipe González, antigo Presidente de Governo e histórico líder socialista, de dar uma conferência na Universidade Autónoma de Madrid. É verdade que não houve um apoio formal do Podemos a estes manifestantes, mas é igualmente verdade que as palavras de ordem foram copiadas de diferentes intervenções públicas de Pablo Iglesias. É caso para evocar as brujas que não existem, mas que vão aparecendo.
No passado domingo, o PSOE optou por sobreviver, como aliás demonstra a reacção visceral do Podemos. Os socialistas têm tempo e o Governo de Mariano Rajoy nas mãos, o que é um bom ponto de partida. Mas a pressão à sua esquerda deve continuar num trajecto ascendente.


Acabou a novela da investidura em Espanha porque há desde ontem um Presidente de Governo. Tal como Mariano Rajoy, o PSOE sobrevive. É o melhor cenário para ambos. Mas os problemas de um e do outro estão longe de estar resolvidos. Rajoy estará nas mãos do PSOE e o PSOE talvez esteja nas mãos do Podemos. Há drama no horizonte.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.10.16

e2d0d80e77c84bfe8ad5198b3a02614f[1].jpg

 

As Lágrimas da Princesa, de Maria João Fialho Gouveia

Romance histórico

(Edição Topseller, 2015)

"Por opção da autora, este texto não foi escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1990"

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

A Paz, o Pão... Habitação?

por Tiago Mota Saraiva, em 30.10.16

A partir do acompanhamento do caso das demolições dos Bairros de Santa Filomena e 6 de Maio na Amadora e de uma queixa do Coletivo Habita, o Provedor de Justiça emitiu uma recomendação ao governo (n.º 3/B/2016) – destinada ao Ministério do Ambiente que tutela as questões da Habitação – para que fosse legislado um novo Plano Especial de Realojamento (PER) de modo a suprir as carências e necessidades urgentes que ainda hoje existem por todo o país. Passados três meses o governo ainda não respondeu ao Provedor, nem o OE2017 parece oferecer espaço para uma resposta decente.

Se é certo que o problema da habitação não se coloca como há quarenta anos - não faltam casas – o direito à habitação, nos termos consagrados no Art. 65º da nossa Constituição - “todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto e que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar” - ainda está por cumprir.

Urge colocar no terreno um novo PER, desburocratizado e sem ser concebido por quem não tem qualquer sensibilidade para o problema ou contacto com os territórios, ainda que o problema não se esgote na resposta de emergência, no realojamento ou na habitação social.

A substituição das políticas de habitação por políticas de incentivo ao crédito para habitação de casa e endividamento, a tolerância para com a degradação do edificado ou, mais recentemente nas cidades turísticas, a emergência do alojamento local conduziu-nos a uma situação em que o direito à habitação, nos justíssimos termos em que a Constituição o coloca, não está garantido para largas camadas da população. Casas com humidades, sem condições de salubridade ou ventilação, em sobrelotação ou em condições de elevada degradação, são situações que não devem ser tidas como normais porque “há quem viva pior” ou porque “já se viveu pior”.

Faltam uma política pública de habitação, não apenas para a dita “habitação social”, e um instrumento legislativo que enquadre no plano dos princípios e das acções toda a legislação dispersa, desarticulada ou incompetente. Hoje, mais do que nunca, cumpre-nos exigir que todos e todas vejam cumprido o que tão bem está descrito no Art. 65º da nossa Constituição, na certeza que não há governo de esquerda sem uma política de habitação.

 

(publicado no jornal i)

Autoria e outros dados (tags, etc)

RH Music Box (273)

por Rui Herbon, em 30.10.16

paul-simon-stranger-to-strangerjpg-9c1edf92c7f853b

 

 

Autor: Paul Simon

 

Álbum: Stranger To Stranger (2016)

 

Em escuta: Wristband

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

nunoF 4.png 

Autoria e outros dados (tags, etc)

As melhores praias portuguesas (136)

por Pedro Correia, em 29.10.16

Vieira Leiria MG.jpg

 

Vieira (Leiria)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Já li o livro e vi o filme (156)

por Pedro Correia, em 29.10.16

estrada[1].jpg

on-the-road-movie-image-sam-riley-garrett-hedlund[

 

 PELA ESTRADA FORA (1957)

Autor: Jack Kerouac

Realizador: Walter Salles (2012)

Livro-referência da geração beat, com incontáveis legiões de admiradores, On the Road levou décadas a chegar ao cinema. Valeu a pena esperar: o filme capta a essência do romance. Mas nada substitui a leitura desta obra desmedida e genial.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tudo baralhado outra vez

por Luís Naves, em 29.10.16

Vivemos numa época dominada pela ideia imprecisa de que ninguém controla os acontecimentos. As eleições americanas, onde a oligarquia parece ter perdido o pé, é um bom exemplo deste triunfo da imprevisibilidade. O caminho que parecia fácil para a vitória de Hillary Clinton transformou-se ontem num gigantesco ponto de interrogação. O anúncio de que o FBI investiga novos e-mails do servidor particular que a candidata manteve enquanto secretária de Estado fez cair a bolsa de Nova Iorque e desencadeou um clima de pânico entre as elites políticas. A nove dias das eleições presidenciais, a democracia americana mergulhou de novo na irrealidade. Já não bastavam os sinais de chapelada eleitoral, a retórica delirante, a argumentação absurda, as manipulações mediáticas; na recta final da corrida surge um escândalo que ameaça mudar a opção de muitos americanos que iam votar de forma relutante na candidata e agora talvez não lhe concedam o benefício da dúvida.

Ninguém em seu perfeito juízo pode dizer como é que isto acaba, uma coisa é certa: seja quem for o vencedor das eleições, sabemos que o próximo presidente dos EUA será uma criatura detestada por mais de metade do país, talvez o mais isolado presidente da história americana, com grandes hipóteses de nem sequer concluir o primeiro mandato. A insurreição eleitoral que Trump cavalgou é mais funda do que parece, tem a ver com um poderoso descontentamento em relação às elites, mas não ultrapassa um terço da população. Se vencesse por causa da abstenção, Trump teria a hostilidade dos outros dois terços da América. Em condições normais, os democratas deviam ganhar com facilidade, mas foi escolhida uma candidata com demasiados esqueletos no armário, que defraudou eleitores entusiasmados com a rebelião populista de Bernie Sanders. Se sobreviver aos próximos dias, Clinton terá a presidência, mas sem direito a estado de graça, pois é perseguida por escândalos e já perdeu de vez a benevolência dos compatriotas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.10.16

image[5].jpg

 

Sonetos, de William Shakespeare

Tradução de Vasco Graça Moura

(Edição Quetzal, 2016)

"Por expresso desejo manifestado por Vasco Graça Moura, as suas obras são publicadas com a ortografia anterior ao Acordo Ortográfico de 1990"

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

NunoF 1.jpg

 

NunoF 2.jpg

NunoF 3.jpg 

Autoria e outros dados (tags, etc)

RH Music Box (272)

por Rui Herbon, em 29.10.16

MMBST-84227-2.jpg

 

 

Autor: Joe Henderson

 

Álbum: Mode For Joe (1966)

 

Em escuta: Shade Of Jade

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

As melhores praias portuguesas (135)

por Pedro Correia, em 28.10.16

Torreira, murtosa.jpg

 

Torreira (Murtosa)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Música recente (39)

por José António Abreu, em 28.10.16

Leonard Cohen, álbum You Want it Darker.

O álbum mais recente do cantor que não ganhou o Nobel da literatura. Talvez o último álbum de um homem que, aos 82 anos, se confessa pronto para morrer.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Com a voz embargada de emoção

por Pedro Correia, em 28.10.16

14585471917856[1].jpg

 

Os enviados das mesmas televisões que preenchem o tempo a perorar sobre os presos de consciência em Angola desembarcam em Cuba e desdobram-se em salamaleques perante o "líder histórico" que ali instaurou uma das mais ferozes e persistentes ditaduras do planeta, denunciada em todos os relatórios de organizações como a Amnistia Internacional e os Repórteres Sem Fronteiras. Nem um aludiu à existência de dezenas de presos políticos na ilha-prisão, governada há quase 58 anos por dois irmãos que controlam com mão de ferro o aparelho do Estado, submetendo ao seu ditame todas as instituições políticas, a magistratura e as forças armadas. Nem um fez o mais remoto reparo à inexistência de partidos políticos, de uma imprensa livre, de manifestações contra o Governo e de qualquer outro direito cívico e político - começando pelo épico direito à greve tão idolatrado pelos émulos castristas cá do burgo.

A palavra ditadura foi banida do discurso jornalístico dominante. Ou só é utilizada quando dá jeito, com uma chocante duplicidade lexical em função de indignações muito selectivas. Quando tanto se fala em crise de jornalismo, eis mais um factor que a justifica: a persistente incapacidade dos jornalistas de chamar as coisas pelos seus nomes.

Imaginam um repórter estrangeiro a visitar Portugal nos anos 60, embargado de emoção, a chamar "líder histórico" a Salazar? Pois. É precisamente isso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.10.16

imagem[1].jpg

 

O Palácio do Riso, de Germán Marín

Tradução de Helena Pitta

Romance

(Edição Antígona, 2016)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Belles toujours

por Pedro Correia, em 28.10.16

 

JeanSimmonsDreamyC[1].jpg

 

Jean Simmons

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

RH Music Box (271)

por Rui Herbon, em 28.10.16

709_foto1_product_groot.jpg

 

 

Autor: Screamin' Jay Hawkins

 

Álbum: At Home With (2006)

 

Em escuta: Frenzy (1957)

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Menos uma figura de referência

por Pedro Correia, em 27.10.16

Joao-Lobo-Antunes[1].jpg

 

De raros compatriotas podemos dizer que são figuras de inequívoco prestígio nacional. Era assim João Lobo Antunes - grande médico, grande cientista, grande escritor, grande humanista, grande intelectual, grande cidadão.

Cheguei a mencioná-lo aqui no DELITO DE OPINIÃO como um possível candidato a Presidente da República - cargo em que, sem desprimor para o actual titular, tenho a certeza de que representaria exemplarmente os portugueses e este País que ele tanto amou.

O seu desaparecimento, de algum modo prematuro, deixa-nos um pouco mais desamparados. Por andarmos tão carecidos de personalidades inspiradoras num tempo em que a mediocridade impera e a mediania se exibe travestida de excelência.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A minha "conversa" com João Lobo Antunes

por Alexandre Guerra, em 27.10.16

Tinha-me cruzado com o Professor João Lobo Antunes por duas ou três ocasiões, por motivos profissionais, mas nunca tinha falado (e nunca falei pessoalmente) com ele. Desses breves momentos, nunca fiquei com a ideia de que seria uma pessoa simpática, pelo contrário, daquilo que ia vendo e conhecendo do Professor João Lobo Antunes, enquanto personalidade pública, sempre o considerei algo elitista e pouco acessível (nada que me incomodasse), mas nunca tive dúvidas quanto à sua rara envergadura intelectual e, sobretudo, quanto à sua firmeza nas convicções ideológicas que tinha.

Em Maio último, por razões que um dia poderei contar, tive o privilégio de trocar alguns e-mails com João Lobo Antunes. Fiquei esmagado com a sua dureza de argumentos intelectuais e ideológicos. O professor foi impiedoso comigo, mas ao mesmo tempo concedeu-me o privilégio de poder rebater e contra-argumentar, tendo eu as devidas réplicas da sua parte.

Divergimos naquilo que era o âmago da questão, com João Lobo Antunes a expor os seus argumentos de uma forma duríssima, como nunca ninguém me tinha confrontado. Ao projectar a sua intelectualidade e ao exprimir as suas convicções, acabei por perceber que João Lobo Antunes me tinha concedido um estatuto merecedor do seu tempo e atenção.

No final, e depois de ter literalmente arrasado os meus pontos de vista, embora eu me tenha mantido firme em relação àquilo que defendia, o Professor João Lobo Antunes despediu-se de uma forma que nunca irei esquecer e que tanto me orgulha. Só um homem de tal inteligência, sofisticação e elegância responderia o que ele respondeu. Mas isso, fica só para mim.

Autoria e outros dados (tags, etc)

As melhores praias portuguesas (134)

por Pedro Correia, em 27.10.16

Valmitão, Lourinhã.jpg

 

Valmitão (Lourinhã)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Erros meus, má fortuna

por Pedro Correia, em 27.10.16

bob-dylan-52fe6be6-hero[1].jpg

 

Anda muita indignação à solta – até aqui no DELITO DE OPINIÃO – pela atribuição do Nobel da Literatura ao cidadão norte-americano Robert Allen Zimmerman, conhecido há mais de meio século pelo seu nome artístico: Bob Dylan.

Aplaudi o prémio desde a primeira hora e nenhum dos argumentos aduzidos contra a atribuição do Nobel 2016 me convenceu. O júri da Suécia, num gesto inovador, entendeu desta vez galardoar um escritor de canções. Se queremos atribuir-lhe um rótulo, este é o que mais se adequa a Bob Dylan, que encaminhou milhares de jovens em várias latitudes para a poesia ao som de música.

 

É de poesia que falamos, não de “letras”, como alguns mencionam com indisfarçável desdém. Não é preciso puxar do cânone: os monólogos interiores e os sinuosos labirintos estilísticos concebidos por Dylan são poesia. Mais qualificada do que a mediana produção poética de um Derek Walcott, o galardoado de 1992, sem escândalo aparente.

Alegam os críticos que a poesia de Dylan não vale um Nobel por emergir como subsidiária de outra arte ao ter sido escrita para fins musicais. Parece-me um argumento débil. Pela mesma lógica nunca o Nobel devia ter sido atribuído ao italiano Dario Fo ou ao britânico Harold Pinter, prolíficos autores de textos destinados a ser representados nos palcos. O teatro está para ambos como a música para Dylan. E ninguém contestou os prémios que receberam em 1997 e 2005. Ibsen e Lorca, dois outros mestres da arte teatral, também teriam sido dignos destinatários do Nobel da Literatura.

O teatro não os menorizou: engrandeceu-os.

 

Muitos esquecem que a Academia Nobel já distinguiu com este galardão muitos autores fora do padrão dominante, que pretende confinar a literatura à ficção e à poesia. Do historiador alemão Theodor Mommsen (1902) ao filósofo francês Henri Bergson (1941), do ensaísta britânico Bertrand Russell (1950) à jornalista bielorrussa Svetlana Alexeivich (2015). Sem esquecer que também Winston Churchill, vencedor em 1953, integra a lista dos premiados.

Serão as entrevistas de Svetlana Alexeivich mais dignas de encómios literários do que as narrativas musicadas de Dylan?

Julgo que não.

amalia-rodrigues-lianor-columbia[1].jpg

 

A poesia teve sempre uma forte ressonância oral: fez-se para ser recitada, declamada, cantada. Assim o comprovam as remotas rimas medievais – cultivadas por alguns dos nossos primeiros reis – e as estrofes trovadorescas. Sem esquecer os clássicos, de Dante a Yeats.

Toda a poesia de Camões, épica ou lírica, pode ser cantada. E muita já foi. Vale a pena lembrar o frémito de indignação que percorreu a intelectualidade pátria, em meados da década de 60, quando a grande Amália se atreveu a cantar Camões – como fez com tantos outros poetas, de Vinicius de Moraes a Alexandre O’ Neill.

Ela estava certa, ao contrário dos intelectuais que a consideraram indigna de intrepretar Lianor e Erros Meus com a sua voz incomparável. Estou convicto de que daqui a uns anos diremos o mesmo do júri que agora ousou distinguir Bob Dylan com o Nobel da Literatura.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.10.16

thumbnail_CapaPeq_a_magia_do_acaso[1].jpg

 

A Magia do Acaso, de Tiago Rebelo

Romance

(Edição ASA, 2016)

"Por vontade expressa do autor, o livro respeita a ortografia anterior ao actual acordo ortográfico"

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Frases de 2016 (33)

por Pedro Correia, em 27.10.16

«O António Costa é um líder em formação.»

José Sócrates, em entrevista à TVI, 26 de Outubro

Autoria e outros dados (tags, etc)

RH Music Box (270)

por Rui Herbon, em 27.10.16

scottclimate_1394709639_crop_550x550.jpeg

 

 

Autor: Scott Walker

 

Álbum: Climate Of Hunter (1983)

 

Em escuta: Rawhide

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

De blogue em blogue

por Pedro Correia, em 26.10.16

 

Buracos na Estrada: um blogue que justifica atenção.

 

João Paulo Guerra, uma das melhores penas da imprensa portuguesa, teria lugar como colunista de qualquer jornal. Isso hoje não acontece, o que diz muito sobre a miopia dos responsáveis editoriais. Mas podemos sempre lê-lo (ou relê-lo) no seu blogue, Jornalismo: diz que é uma espécie de democracia.

 

Blogosfera sem Bomba Inteligente não é a mesma. Espero que a Carla Hilário Quevedo regresse um destes dias.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

O veto da Valónia e o negócio de armas

por Alexandre Guerra, em 26.10.16

A mais recente crise espoletada pela região francófona da Valónia, que se recusa a aceitar o acordo económico e de comércio entre a União Europeia e o Canadá, e que está a deixar os responsáveis europeus em Bruxelas à beira de um ataque de nervos, é paradoxal e tem uma dose considerável de hipocrisia à mistura. E porquê? Primeiro, porque o CETA (Comprehensive Economic and Trade Agreement) -- cuja sua assinatura está prevista para amanhã em Bruxelas, onde se espera a presença do primeiro-ministro canadiano, Justin Trudeau, que ainda acredita numa solução de última hora -- é um acordo que poucas implicações terá numa região que representa apenas 10 por cento das trocas comerciais da Bélgica com o Canadá. Ou seja, os restantes 90 por cento dessas trocas são feitas através da Flandres. Segundo, porque, embora o primeiro-ministro da Valónia, Paul Magnette, longe de ser um eurocéptico, se apresente como uma espécie de herói ao resistir à pressão da União Europeia, naquilo que ele considera ser a defesa dos standards europeus em matéria de direitos sociais, dos trabalhadores e do ambiente, a verdade é que muitos vêem nisto uma mera manobra interesseira de hipocrisia. E lembram, como aliás o próprio site Politico europeu sublinha, que a Valónia parece não ter qualquer problema de princípio ou de consciência em vender armas para o Médio Oriente, nomeadamente, para a Arábia Saudita, mas as campainhas de alarme já soam quando está em causa um acordo que, diga-se, poderá beneficiar a União Europeia e prejudicar muito pouco, ou quase nada, a Valónia.

De notar que o estado regional da Valónia é detentor a 100 por cento da FN Hersta, uma empresa de armamento que é acusada de pouca transparência na sua actividade. Por exemplo, em 2009, a FN Hersta causou muita polémica, ao vender armas para o falecido líder líbio, Muammar Khadafi.  Além disso, no ano passado, a FN Herstal e outras empresas da Valónia obtiveram licenças para venderam armas no valor de quase mil milhões de euros, o dobro do valor em relação a 2004. E de realçar que 60 por cento dessas vendas foram para a Arábia Saudita. Mas um dos casos mais exemplares da hipocrisia de Paul Magnette, um socialista moderado e especialista em assuntos europeus, tem a ver com aquilo que aconteceu em 2014, quando o parlamento valão aprovou um negócio de armas de 3,2 mil milhões de euros com o Canadá, para a montagem de viaturas militares cujo destino final era a Arábia Saudita.

Perante isto, não são de estranhar as críticas que o primeiro-ministro da Flandres fez a Magnette, ao acusá-lo de preferir vender armas aos sauditas do que fazer um acordo de comércio com o Canadá. E embora o Governo belga, liderado pelo francófono Charles Michel, apoie o CETA, a questão é que este é um acordo misto, o que implica que o mesmo, além de ser aprovado pelo Conselho e Parlamento europeu, terá também de ser ratificado pelos Estados-membros. O problema é que a Constituição da Bélgica obriga a que esta ratificação passe pelos parlamentos regionais.

Magnette tem explorado ao máximo o sentimento de descontentametno dos valões, que vêem na sua região uma grande crise industrial, o que tem contribuído para a subida do Partido do Trabalho da Bélgica (marxista), sendo que ainda recentemente a Caterpillar anunciou o encerramento da sua fábrica na Valónia, levando ao despedimento de 2200 trabalhadores. Tudo isto está a permitir a Magnette bloquear o CETA, o problema é que, ao que tudo indica, está a fazê-lo pelas razões erradas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

As melhores praias portuguesas (133)

por Pedro Correia, em 26.10.16

Porto de mós, lagos.jpg

 

Porto de Mós (Lagos)

Autoria e outros dados (tags, etc)

O mais rico partido de Portugal

por Pedro Correia, em 26.10.16

slide4_1050[1].jpg

 Vista aérea da Quinta da Atalaia (Seixal), propriedade do PCP

 

O PCP queixa-se de ter má imprensa. E de ser sistematicamente ignorado pelos órgãos de informação. Entendo mal estas queixas. Pelo contrário, os comunistas beneficiam por serem muito menos escrutinados do que os restantes partidos pelo olhar inquiridor dos media. Se o fossem, saber-se-ia alguma coisa, mínima que fosse, acerca das divergências que se exprimem entre os muros opacos da sede da Soeiro Pereira Gomes. Mas nem uma palavra perpassa cá para fora sobre tais divergências, o que constitui um atestado de preguiça ou incompetência do jornalismo político português.

Se os jornalistas aplicassem ao PCP a mesma atenção severa e rigorosa que dedicam aos restantes partidos, do CDS ao Bloco de Esquerda, indagariam sobre o motivo que leva uma força partidária que tanto pugna pela igualdade, e faz dela palavra de ordem enquanto ergue o punho direito, tem  menos de 25% de mulheres no seu Comité Central.

Se os comunistas merecessem o mesmo crivo inquiridor saber-se-ia que os numerosos “operários”, “empregados” e “licenciados” com assento no órgão máximo da estrutura dirigente comunista são afinal funcionários do partido e em diversos casos nunca tiveram outra entidade patronal.

Recebesse o PCP um foco semelhante ao que ilumina as restantes forças políticas e saber-se-ia tudo sobre o discretíssimo circuito das receitas financeiras comunistas, qual o seu montante concreto e quem as administra. Saber-se-ia por exemplo para que serve e quem utiliza as imponentes Quinta da Atalaia e Quinta do Cabo, implantadas à beira-Tejo, nos 362 dias do ano em que não albergam a Festa do Avante! Saber-se-ia sobretudo quem são os guardiães deste templo financeiro com sólidos alicerces na propriedade privada – aqueles que realmente dominam os circuitos de decisão no partido colectivista.

Se fossem escrutinados de forma exigente pela comunicação social, alguém indagaria como conseguiram os comunistas reunir um património imobiliário equivalente ao dos outros partidos todos somados e valorizá-lo em dois milhões de euros entre 2012 e 2015, ampliando-o de 13 milhões para 15 milhões no apogeu nacional da “crise do sistema capitalista” que tanto dizem combater mas de que aproveitam como nenhum outro, percorrendo sem rebates de consciência as alamedas do lucro. Assim talvez ninguém se espantasse por saber, como há dias se soube, que os comunistas pagarão em 2017 cerca de 50 mil euros em IMI, apesar de os edifícios adstritos à actividade partidária estarem isentos deste imposto.

Em vez de se queixar o PCP devia congratular-se por continuar a funcionar sem contraditório como porta-voz dos pobres sendo afinal um partido rico. O mais rico de todos os partidos em Portugal.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Aflitivo

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.10.16

Eu supunha que episódios do tipo Relvas e do tipo Sócrates não se iriam repetir e que teriam servido de lição. Uma vez vez mais estava enganado. A leviandade com que este tipo de situações, e outras idênticas, ocorre na nossa vida pública e o modo como os partidos contemporizam com isto é aflitivo. Bem sei que os outros eram membros do Governo, um era ministro e o outro primeiro-ministro, e ambos com fortes responsabilidades políticas nos respectivos partidos, e este é apenas um capataz, mas isso não afasta a gravidade da situação nem a posição em que deixam os seus partidos.

Um tipo que admite ser nomeado por um primeiro-ministro nas circunstâncias em que este foi nunca se devia ter demitido. Ele nunca deveria é ter sido nomeado. Mas tendo-o sido, o que partido devia fazer era instaurar-lhe um processo disciplinar com vista à sua exclusão, com base no art.º 14.º n.º 2 dos Estatutos do PS que prevê a exclusão daqueles que, sendo militantes, com a sua conduta acarretarem sério prejuízo ao prestígio e ao bom nome do partido.

Enquanto os partidos não cortarem a direito e não correrem com esta gente das suas fileiras, gente que revela uma tremenda falta de carácter e de idoneidade moral para estar na política e exercer cargos políticos e/ou de confiança política, os partidos vão continuar a fenecer lentamente e a desprestigiar a democracia, afastando o comum dos cidadãos da participação e obrigando-o a procurar refúgio em movimentos sociais e outras organizações da sociedade civil. Já era mais do que tempo para perceberem isto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O pequeno Nogueira está bem

por Rui Rocha, em 26.10.16

nogueira.jpg 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.10.16

Eugenio Lisboa II Vol[1].JPG

 

Acta Est Fabula, de Eugénio Lisboa

Memórias II, Lisboa (1947-1955)

(Edição Opera Omni, 2016)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

RH Music Box (269)

por Rui Herbon, em 26.10.16

R-1165573-1197597976.jpeg.jpg

 

 

Autor: Anna Domino

 

Álbum: Colouring In The Edge And The Outline (1988)

 

Em escuta: Luck

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 25.10.16

«Os condutores que não respeitam os semáforos accionados pela velocidade esquecem que põem em perigo os peões, principalmente crianças. Será que eles não pensam, por exemplo, que não teriam tempo de travar, se uma criança lhe surja numa passadeira? É uma grande falta de respeito!
Mas mesmo não considerando o perigo, não há dúvida de que uma povoação fica bem mais aprazível e mais convidativa ao passeio a pé quando os carros andam devagar. Só isso já é razão para que se respeitem esses semáforos.»

 

Da nossa leitora Cristina Torrão. A propósito deste texto do José António Abreu.

Autoria e outros dados (tags, etc)

As melhores praias portuguesas (132)

por Pedro Correia, em 25.10.16

praia Formosa, santa maria.jpg

 

Formosa (Santa Maria, Açores)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pág. 1/6





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D