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As melhores praias portuguesas (107)

por Pedro Correia, em 30.09.16

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Benagil (Lagoa)

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Frases de 2016 (30)

por Pedro Correia, em 30.09.16

«Trocava os meus sete romances por um filho.»

Valter Hugo Mãe, hoje, em entrevista ao DN

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Temple of the Dog, 25 anos depois

por Alexandre Guerra, em 30.09.16

A partir do início dos anos 90, Seatlle passou a ser o símbolo de uma tendência social e cultural que influenciou e inspirou parte de uma geração, na altura ainda na sua adolescência. É certo que a cidade já tinha visto nascer Jimi Hendrix e que, antes, já tinha experimentado um fervilhar musical, sobretudo ligado ao jazz. Mas, é no final dos anos 80 e início da década de 90, quando uma parte dos adolescentes se encontram musicalmente órfãos e as “trends” da altura pouco lhes diziam, que Seattle emerge como um centro de sub-cultura que vem rasgar por completo com as tendências instituídas.

 

Este movimento “independente”, que mais tarde viria ser chamado de “grunge”, resulta da combinação espontânea de talento, juventude e irreverência (e, já agora, de alguma droga à mistura). O que alimentou esse movimento foi a música, um determinado estilo de música, à volta da qual se criaram tendências culturais e sociais, um certo estilo de vida, e que se prolongaram durante muitos anos. O expoente máximo desse fenómeno criativo não terá durado mais do que cinco anos, talvez entre 1989 e 94, mas foi o suficiente para criar colossos como os Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden, Alice in Chains ou Stone Temple Pilots. Mas estas bandas, provavelmente, não teriam existido se não fossem os Mother Love Bone, grupo criado em 1988, considerado como o percursor do movimento “grunge” e que durou até 1990, tempo suficiente para fazer um espectacular EP, chamado Apple, já lançado depois da morte por ovedrose do seu vocalista, Andrew Wood.

 

E a história começa a partir daqui. Daquela banda, faziam parte Jeff Ament, baixista, e Stone Gossard, guitarrista, músicos que viriam a fundar os Pearl Jam. E como? Porque, Chris Cornell, amigo de Andrew Wood e que dispensa qualquer apresentação, foi ter com Ament e Gossard para fazerem um álbum de homenagem ao antigo vocalista dos Mother Love Bone. Esse álbum viria a ser feito com a colaboração de Eddie Vedder que, juntamente com Cornell, gravaria o espectacular dueto, Hunger Strike.

 

O álbum chamou-se Temple of the Dog, nome também desta banda improvisada, e foi das melhores coisas feitas no último quarto de século em termos musicais no estilo rock/alternativo. É muitas vezes esquecido pelo público mais “mainstream”, mas quem gosta de música e esteve atento ao fenómeno “grunge”, reconhece a importância e a qualidade daquele álbum na influência que teve em tudo o que se lhe seguiu. Foi um trabalho único e, entretanto, cada músico seguiu a sua vida com o sucesso que se conhece.

 

Hoje, dia 30 de Setembro, 25 anos depois, vai ser lançada uma reedição de aniversário de Temple of the Dog, e com o anúncio de que essa super-banda se vai reunir em Novembro para dar uns concertos nos Estados Unidos. Em tempos de alguma desertificação no panorama rock actual, é sempre inspirador recuperar o que de muito bom se fez.

 

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Música recente (31)

por José António Abreu, em 30.09.16

Eleanor Friedberger, álbum New View.

Cada canção dos The Fiery Furnaces parecia conter ideias suficientes para três ou quatro temas distintos. Sozinha, Eleanor faz pop mais normal. Mantém-se, contudo, um elemento de estranheza, em parte inerente à voz dela, em parte decorrente das letras offbeat e da própria música. É como se a maioria das canções estivesse em equilíbrio instável, podendo desmanchar-se a qualquer momento.

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O mundo às avessas

por Pedro Correia, em 30.09.16

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Jorge Coelho (militante do PS)

«A pobreza só se resolve com o crescimento da nossa economia, só se resolve com a criação de empregos, com a criação de trabalho. É preciso haver estabilidade na nossa política fiscal porque isso é importante para o investimento externo.»

 

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Pacheco Pereira (militante do PSD)

«Uma política que pretenda diminuir as desigualdades passa também por taxar uma parte da riqueza e por garantir que essa riqueza não cria um mecanismo de acumulação que gera cada vez mais desigualdade. Há muita gente em Portugal que ou foge para os paraísos fiscais e não paga o imposto que devia ou que é muito menos taxada do que são os mais pobres.»

 

Na Quadratura do Círculo (SIC Notícias), 22 de Setembro

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.09.16

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Onde Estavas Quando Criei o Mundo?, de Artur Ribeiro

Teatro

(Edição Guerra & Paz, 2016)

"A presente edição não segue a grafia do novo Acordo Ortográfico"

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Do princípio ao fim (8)

por José Navarro de Andrade, em 30.09.16

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“«La caballería ya no tiene sentido», comentó el capitán Arderíus al término de la reunión del 8 de febrero, martes.”
Assim começa assim “Herrumbrosas Lanzas” de Juan Benet (1927-1993). A melhor maneira de alegar a favor dos méritos desta escolha como admirável abertura de um livro é recorrer à frase que inicia outro livro de forma exemplar: “A beginning is the time for taking the most delicate care that the balances are correct.” (“Dune” de Frank Herbert).
Mesmo em Espanha, embora tenha atingido aquele ambíguo estatuto em que fica mal a um literato confessar que nunca o leu, a verdade é que Juan Benet continua a ser um autor secreto e intimidante, havendo poucos leitores com paciência e necessidade para se afoitarem aos parágrafos caudalosos e às oceânicas 720 páginas de “Herrumbrosas Lanzas” – livro tão lateral aos apetites literários prevalecentes que está omisso da Wikipédia.
Por conveniência editorial, que o autor artisticamente converteu em figurino folhetinesco, o livro foi publicado em 3 volumes autónomos (partes I-VI em 1983; parte VII em 1985 e partes VIII-XII em 1996) e só em 1998 saiu do prelo a póstuma edição integral, contemplando ainda as supostamente incompletas partes XV e XVI, não havendo traços das XIII e XIV em falta. A corrente edição de bolso da editora Debolsillo (ISBN: 9788499080079) traz de brinde uma carta topográfica de Region, desenhada pelo próprio Benet (de profissão engenheiro de estradas) que é uma preciosa companhia à leitura da obra.
Por uma daquelas coincidências que por vezes encadeiam a literatura, mais barrocas do que invulgares (o que confunde os idealistas, perpetuamente esperançosos de verem o dedo do transcendente a furar a casca do tangível), a história editorial de “Herumbrosas Lanzas”, no que teve de intrincada, acidentada, mas sobretudo de resoluções pragmáticas, ilustra e reflecte
a mecânica do enredo do livro.
“Herrumbrosas Lanzas” é o relato de uma ínfima e quase frívola campanha da Guerra de Espanha, desenrolada na periférica região de Region (inevitável redundância) quando as tropas e os militantes fiéis à República sediados em Region (a cidade homónima da região), lançam um assalto à franquista cidade de Macerta, através da montanha que separa os dois vales. A matéria romanesca de “Herrumbrosas Lanzas” são os planos, os preparativos, as intendências, as discussões processuais, as controvérsias bélicas e as conspirações e traições dessa campanha, havendo um bom par de batalhas expostas com a inquestionável ferocidade que nelas costuma manifestar-se. Ou seja, “Herrumbrosas Lanzas” captura o lado mais exposto da condição humana, normalmente evitado pela literatura coetânea, que prefere apascentar as personagens e as ficções pelas acostumadas vertentes da psicologia e do sentimentalismo.
Segundo Javier Marías “Herrumbrosas Lanzas” é o livro definitivo sobre a Guerra de Espanha. Desta vez é possível concordar com ele.

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 30.09.16

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Ana de Armas

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De blogue em blogue

por Pedro Correia, em 30.09.16

Um ano de Chic' Ana: 366 dias de sucesso deste que se tornou o blogue mais comentado da plataforma Sapo. Votos de que o sucesso redobre no ano que agora começa.

 

Nuno Garoupa reforça o plantel d' A Destreza das Dúvidas, um blogue cada vez mais imperdível.

 

Movimento pelo Jardim do Caracol da Pena: eis uma causa que merece apoio.

 

Um estranho caso de hibernação estival: quase quatro meses de silêncio no Abrupto.

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RH Music Box (243)

por Rui Herbon, em 30.09.16

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Autor: Scott Walker

 

Álbum: Scott 4 (1969)

 

Em escuta: The Old Man's Back Again

 

 

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Diário semifictício de insignificâncias (16)

por José António Abreu, em 29.09.16

Entro para executar a única operação que alguma vez levei a cabo num consultório de dentista: uma limpeza. (Sim, é verdade, nunca tive uma cárie e mal me recordo de ter dores de dentes, o que às vezes me deixa a ponderar se estarei a perder experiências fundamentais numa vida normal.) Saio do consultório com uma cárie que é uma sombra mal visível na radiografia, uma sugestão para encher as arestas de três dentes, outra para encher as zonas junto às gengivas de dois, mais um aviso quanto à necessidade de corrigir uma deformação causada pelo modo como cerro os dentes durante a noite. Para ser franco, saio porque fujo, depois de dizer ao médico que hei-de tratar do assunto no mesmo tom em que ele me disse boa tarde. Saio a pensar que ele até pode ter razão em tudo o resto mas que, quanto ao cerrar dos dentes, acontece mais durante o dia.

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As melhores praias portuguesas (106)

por Pedro Correia, em 29.09.16

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Machado (Odemira)

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Já li o livro e vi o filme (152)

por Pedro Correia, em 29.09.16

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LOLITA (1955)

Autor: Vladimir Nabokov

Realizador: Stanley Kubrick (1962)

Ainda hoje seria complicado transpor para o cinema a relação entre um adulto e uma menina de 12 anos. Na altura, Nabokov foi acusado de pornografia. Hoje o romance é considerado obra-prima. O filme é bom mas não chega a tanto.

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Frases de 2016 (29)

por Pedro Correia, em 29.09.16

«Não sou amigo de políticas de procura à escala de dez milhões de tesos e endividados.»

Daniel Bessa, ex-ministro da Economia

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.09.16

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Cinco Réis de Gente, de Aquilino Ribeiro

Prefácio de Luísa Costa Gomes

Introdução de Jorge Coelho

Romance

(Reedição Bertrand, 2016)

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Do princípio ao fim (7).

por Luís Menezes Leitão, em 29.09.16

"Jemand mußte Josef K. verleumdet haben, denn ohne daß er etwas Böses getan hätte, wurde er eines Morgens verhaftet" (Alguém devia ter difamado Josef K. porque, sem que ele tivesse feito nada de mal, foi preso numa manhã). É assim que se inicia o livro de Franz Kafka, Der Prozeß (O processo), escrito por volta de 1915, mas apenas publicado cerca de 10 anos depois. Este início retrata bem uma das angústias que atravessou todo o séc. XX: o medo da prisão em resultado da denúncia alheia. Esta prisão poderia ser efectuada pela Gestapo, pelo KGB, pela Stasi, pela polícia do apartheid ou até pela PIDE portuguesa. E por isso este início do livro é dolorosamente familiar em qualquer país. Curiosamente, no entanto, nenhuma destas polícias existia quando o livro foi escrito.

Mas o núcleo do livro é precisamente o que acontece depois da prisão: o processo. O processo é labiríntico e envolve Josef K. como uma teia de onde ele nunca se consegue livrar. Entra pela primeira vez num mundo de iniciados. O advogado explica-lhe como ir adiando o processo, mas que não conseguirá resolvê-lo. O juiz também terá contacto com o processo, mas não o decide. E Josef K. desespera para ter acesso ao processo, sem nunca conseguir.

 A maior simbologia que já foi feita sobre o acesso à justiça está num capítulo onde se conta uma parábola, capítulo que aliás tinha sido previamente publicado autonomamente como conto: Vor dem Gesetz (Perante a lei) aqui reproduzido em filme. Nesse capítulo conta-se a história de um homem que se aproxima de uma porta que dá acesso à lei. No entanto, a porta é guardada por um porteiro que não o deixa entrar. O homem aguarda ano após ano sem que o porteiro o deixe alguma vez entrar. Até que, por fim, envelhecido e moribundo, o homem desiste. Mas pergunta porque, durante tantos anos, foi ele o único a esperar à porta, sem que mais ninguém tentasse entrar. A resposta do porteiro é arrasadora: Esta porta estava aqui apenas para ti e, agora que desististe, vou fechá-la e mais ninguém entrará.

E a crueldade da justiça surge no capítulo final, com a execução de Josef K., às mãos de dois desconhecidos. Ele bem pergunta onde está o juiz que ele nunca tinha visto ou o alto tribunal que nunca alcançara. Mas agora tudo é inútil. Josef K. é executado, limitando-se a murmurar "Como um cão!", como se a vergonha devesse sobreviver-lhe ("Wie ein Hund!" sagte er, es war, als sollte die Scham ihn überleben). E de facto também aqui a vergonha do processo nunca é individual, espalha-se por todos os familiares e amigos e sobrevive até à morte do visado.

 

É curioso que uma obra-prima destas só tenha sobrevivido porque o amigo de Kafka, Max Brod, se recusou a destruir os papéis do autor, ao contrário do que tinha sido o desejo deste. Talvez Kafka pensasse que o mundo não estivesse preparado para uma descrição tão crua do sistema de justiça. Um ideal altamente nobre, com uma aplicação prática que pode ser extremamente perversa.

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Cristalino!

por Luís Menezes Leitão, em 29.09.16

Acompanhei com bastante cepticismo a euforia nacional em torno do "sucesso" da candidatura de António Guterres à ONU, expressa em sucessivas votações. Sempre achei que essas votações não serviam absolutamente para nada, uma vez que a Realpolitik é que iria decidir quem iria ser o Secretário-Geral da ONU. E, por isso, a figura dos candidatos a responder a interrogatórios sucessivos "para inglês ver" é perfeitamente patética.

 

Neste momento, por razões geopolíticas, está assente que o próximo secretário-geral da ONU deverá vir da Europa Oriental e que deverá preferentemente ser uma mulher. Não faz por isso qualquer sentido esperar que um homem da Europa Ocidental possa ganhar a eleição. Mesmo que ganhe todas as votações, haverá sempre um veto de um membro permanente a inviabilizar a ascensão ao cargo. E não vale a pena falar em violação às regras democráticas: a ONU não é uma democracia já que, se o fosse, não haveria direito de veto.

 

A questão tem paralelo com o que se passou com o austríaco Kurt Waldheim em 1981. Tendo sido indiscutivelmente um bom secretário-geral da ONU, cumpriu dois mandatos à frente da organização com o agrado geral. Quando se tentou recandidatar a um terceiro mandato, surpreendentemente surgiu o veto da República Popular da China. Era o único país que se opunha à reeleição, pelo que Waldheim insistiu. 16 vezes se apresentou a votos e 16 vezes a China o rejeitou. A justificação para o veto foi apenas esta: Waldheim fora um excelente secretário-geral, mas em 35 anos da organização esse cargo fora ocupado durante 25 anos por homens do ocidente. Agora a China queria um secretário-geral oriundo do terceiro mundo. E assim Waldheim acabou por retirar a sua candidatura, tendo sido eleito o peruano Javier Pérez de Cuellar, que teve um mandato sem qualquer brilho à frente da organização.

 

Portanto, não vale a pena os nossos políticos fazerem de virgens ofendidas, e proclamarem a sua indignação pela entrada na corrida de Kristalina Georgieva, que já se percebeu muito bem que vai ser a escolhida. Aliás, já se sabia desde o início que, a bem ou a mal, o próximo secretário-geral será da Europa do Leste. Um dos maiores problemas actuais na esfera internacional é a ascensão da Rússia, e é necessário um secretário-geral que possa fazer a ponte entre a Rússia e o Ocidente, essencial para resolver antes de tudo o conflito na Síria. Neste quadro não é o currículo de Guterres na área dos refugiados que lhe permite qualquer expectativa de ascender ao cargo. Como ele próprio costuma dizer: "é a vida!". Na verdade, ele de nada se pode queixar que isto desde o princípio foi sempre absolutamente cristalino.

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RH Music Box (242)

por Rui Herbon, em 29.09.16

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Autor: Banda Do Mar

 

Álbum: Banda Do Mar (2014)

 

Em escuta: Dia Clarear

 

 

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As melhores praias portuguesas (105)

por Pedro Correia, em 28.09.16

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Cordoama (Vila do Bispo)

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Um tiro de pólvora seca

por Pedro Correia, em 28.09.16

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Parece cada vez mais óbvio que a polémica em torno do novo imposto sobre o património imobiliário anunciado pela deputada bloquista Mariana Mortágua foi um tiro de pólvora seca, precipitado pela preocupação do BE em antecipar-se ao PCP no preenchimento da agenda mediática. António Costa esvaziou-a na primeira oportunidade e dela resulta apenas uma espécie de marcação de território ideológico com matriz identitária – algo que só interessa aos parceiros menores da actual maioria parlamentar.

“Combater os ricos” - caricaturados na propaganda clássica como obesos de cartola, prontos a ceder aos pobres apenas as cinzas dos seus charutos - é uma bandeira da esquerda pura e dura que o PS nunca partilhou.

Há excelentes motivos para o primeiro-ministro se demarcar do debate ideológico em curso, passatempo que nunca seduziu este "moderado social-democrata”, como ele próprio se intitula. Os sinais que as inflamadas declarações de Mariana Mortágua num evento socialista transmitiu à sociedade portuguesa, tão carente de recursos financeiros, são errados. Por demoverem as poupanças, desmobilizarem as aplicações dessas poupanças na economia real e desencorajarem o investimento de que a nossa economia tanto carece em tempo de estagnação.

De resto, “acabar com os ricos" sob o pretexto de que é preciso acabar com os pobres constitui uma mistificação grosseira: nunca pobre algum enriqueceu a partir do empobrecimento de um rico, como as chamadas “revoluções proletárias” do século XX amplamente demonstraram. Eis a maior vantagem do conhecimento histórico: evitar que se repitam trágicos erros do passado.

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Do princípio ao fim (6)

por Diogo Noivo, em 28.09.16

“A raíz del regicidio del 1 de febrero, última escena trágica de la historia de Portugal, que es, siglos hace, un continuado naufragio, pudieron algunos creer que iba a cambiar el rumbo de su vida pública. No los que lo conocen. Aquel acto, tal vez justiciero, en todo caso fatal, fue de una justicia, de una fatalidad anárquicas.”

Miguel de Unamuno, “Desde Portugal”, Julho de 1908

Ensaio reunido no livro Por tierras de Portugal y de España (Alianza Editorial, 2014)

 

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Miguel de Unamuno, filósofo espanhol, um dos mais importantes da Geração de 98, viveu apaixonado por Portugal. Não era uma paixão cega, acrítica. A admiração e o fascínio iam quase sempre de mão dada com a exasperação.

Insuspeito de simpatias com a monarquia, Unamuno foi prudente – se não desconfiado – com o advento da república portuguesa. Muito poderia ser escrito a este respeito. Aqui, registo apenas a solidez e a seriedade intelectual de alguém que, não gostando da monarquia, recusou entregar-se nos braços do republicanismo português. Para este autor, a política, que se quer séria e importante, não se coaduna com lógicas de barricada. Em Miguel de Unamuno, a paixão por Portugal foi o motor de um espírito crítico sem concessões, de uma cidadania activa e comprometida vinda de alguém que, não sendo português, foi mais exigente com a pátria do que muitos dos seus contemporâneos lusos.

No ensaio “Desde Portugal”, cujo primeiro parágrafo aqui cito, após deambular pelas páginas de Oliveira Martins, Eça de Queiroz, Alexandre Herculano, entre outros, conclui que o pessimismo endémico dos portugueses resulta da apatia, “una apatia que produce a veces arranques de furia”. Normalmente mal direccionados, claro. Pouco terá mudado em Portugal.

Mais adiante, Unamuno arremete contra a pseudociência progressista e “pedante” das classes médias dirigentes, deslumbradas com trivialidades vindas do estrangeiro. Isto é, se fosse ressuscitado e voltasse a Portugal, Miguel de Unamuno não estranharia, por exemplo, as certezas dos economistas que fazem carreira no PS, no Bloco de Esquerda e na direita que gostava de ser liberal.

No parágrafo que abre este texto, o intelectual espanhol vê o regicídio como um acto de uma justiça e fatalidade anárquicas. No final do ensaio, Unamuno remata o assunto atestando que em Portugal, como na Galiza, pode “florecer el anarquismo, pero no el sentimiento de liberdad. Y la anarquia es la servidumbre”. Volvidos mais de cem anos, tudo está na mesma.

Abreviando bastante, uma das principais conclusões a retirar da leitura de “Desde Portugal” no início deste século XXI é que o país é dono de uma coerência estóica. A pele rija do carácter nacional é imune à passagem do tempo e, sobretudo, à aprendizagem que advém da experiência. É verdade que muito mudou. A alfabetização é quase total, a tecnologia superou a barreira da imaginação, a esperança média de vida aumenta. Mas o país é o mesmo. Sem tirar nem pôr.

Enfim, e honrando o propósito desta série que agora fazemos no DELITO, está tudo no primeiro parágrafo do ensaio: a paixão sofredora por Portugal; o espírito crítico; o acontecimento que serve de mote para perscrutar o carácter nacional; o fado imutável do naufrágio histórico.

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A última "pomba" do Médio Oriente

por Alexandre Guerra, em 28.09.16

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Desde que me lembro de ter alguma consciência política e sensibilidade para as questões do mundo, que convivo quase diariamente com o conflito do Médio Oriente, seja em momentos de maior ou menor intensidade. Não estarei a exagerar se disser que aquela realidade israelo-palestiniana me tem acompanhado ao longo da vida, onde aliás já tive o privilégio de estar por mais que uma vez. Havia três figuras que faziam parte desse meu mundo: duas já morreram há uns anos; Ytzhak Rabin, em 1995, e Yasser Arafat, em 2004. E a terceira figura era Shimon Peres, que morreu esta manhã. Todos eles foram em tempos das suas vidas "falcões", que lutaram pela sua terra, mas morreram como "pombas" na tentativa de encontrar uma solução de paz para um conflito milenar.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.09.16

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A Rainha Santa, de Isabel Machado

Romance histórico

(Edição A Esfera dos Livros, 2016)

"Por vontade expressa da autora, esta edição não segue as regras do Novo Acordo Ortográfico"

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RH Music Box (241)

por Rui Herbon, em 28.09.16

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Autor: Monty Norman

 

Álbum: Dr. No (1962)

 

Em escuta: Under The Mango Tree [Diana Coupland]

 

 

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Diário semifictício de insignificâncias (15)

por José António Abreu, em 27.09.16

Tenho de escrever sobre o início de um livro e o final de outro. Ando dois dias a pensar no assunto, depois encolho os ombros e tomo uma decisão. O livro com o início, comprado e lido durante a universidade, está a duzentos quilómetros, em casa dos meus pais (tem lógica: os pais são sempre o início). O outro encontra-se aqui, a cerca de dois metros. Quase ouço uma voz dizendo: O final está muito mais próximo do que o início.

Desde há uns tempos, não consigo evitar sentir que há uma força irónica e malévola que aproveita toda e qualquer oportunidade para reforçar o meu pessimismo.

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As melhores praias portuguesas (104)

por Pedro Correia, em 27.09.16

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Salgados (Albufeira)

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Do princípio ao fim (5)

por Luís Naves, em 27.09.16

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A obra-prima de Eça de Queirós, O Crime do Padre Amaro, tem um início de aparência banal, mas importante para se imaginar a intriga futura. O livro tem também dois finais, um para encerrar a história, o outro menos conseguido, que pretende ser ideológico. Julgo que não existe na nossa literatura um romance tão devastador e cruel em relação às limitações da alma portuguesa. O livro é brutal nas suas mais minúsculas observações sobre a hipocrisia nacional, a culpa e a inveja. A pequena sociedade de Leiria funciona como microscosmos da pátria. De resto está lá tudo o que persiste, a cobardia e as indignações beatas, a fanfarronice e a vaidade, a ignorância e o provincianismo, a importância da classe social e o poder da intriga.

Amaro é um encantador hipócrita, que se deixa ir na corrente dos acontecimentos, um videirinho ambicioso, manipulador e cobarde, que inventa argumentos para se justificar, acabando por trair a sua amante. Na realidade, não tem qualquer convicção, nem sequer acredita nas coisas religiosas que vai pregando com aborrecimento. Amélia é a vítima, infantil quase até ao fim, cega para a evidência que está à frente dos olhos. A sua ingenuidade é uma tragédia, a sua beleza uma má circunstância (escreve o autor que até a penugem de um ligeiro bigodinho aloirado a torna mais apetecível).

Além das personagens principais, o romance tem uma galeria impressionante de figuras secundárias e até de pequenos esboços menores, entre eles, por exemplo, Libaninho, que julgo ser na literatura portuguesa o primeiro exemplo de homossexual fora do armário: sabemos pelo próprio que “estava a fazer muitas virtudes no quartel de Leiria”, mas apanhado em flagrante delito na companhia de um sargento, acaba recompensado com um lugar de sacristão; o curioso desenlace sugere que em O Crime do Padre Amaro as indignações são selectivas e a intolerância, tão omnipresente neste universo, é um pouco mais flexível do que parece.

A importância das personagens secundárias é vital no texto, pois elas criam um ambiente de sociedade, permitindo a ilusão de movimento, o humor e diversidade da vida, facilitando o fluxo narrativo. O começo do romance, a primeira frase, é exactamente sobre uma personagem secundária e julgo que só há mais uma referência a esse padre falecido, o que nos deixa na total ignorância sobre a sua existência: “Foi no Domingo de Páscoa que se soube em Leiria que o pároco da Sé. José Miguéis, tinha morrido de madrugada com uma apoplexia”. Só ficamos a saber o estritamente necessário, que era um homem dado a fúrias ocasionais e certas contradições de carácter, o que acentua o mistério deste início: parece de uma banalidade extrema, não nos diz nada sobre Amaro ou Amélia, embora se refira à abertura de uma vaga na paróquia. Só no final do romance, quando tentamos imaginar a continuação não escrita, enfim, a história para além do enredo, percebemos a importância do início: a morte de José Miguéis é idêntica à morte de Amaro, a premonição do mesmo fim banal a que ele não poderá escapar, pois todo o resto da sua vida será uma rede de mentiras, também ele terá fúrias ocasionais e acabará morto por uma apoplexia.

 

 

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Música recente (30)

por José António Abreu, em 27.09.16

 Daughter, álbum Not to Disappear.

O poder estranhamente animador da melancolia. Ou talvez - porque a música, como as outras artes, é sempre a dois - o poder estranhamento animador da melancolia partilhada.

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Broca de esquerda

por Rui Rocha, em 27.09.16

De valor era a Uber mudar o nome para Cannabis só pelo gozo de ver o Bloco a opor-se à legalização.

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Uma figura ridícula.

por Luís Menezes Leitão, em 27.09.16

Se há coisa que acho que não deve preocupar um único português é a "discriminação" de que Durão Barroso diz ser alvo pelo tratamento que a Comissão Europeia lhe passou a dar depois de ter ido para a Goldman Sachs. Durão Barroso está habituado a assumir as consequências das decisões de carreira que toma. Ele próprio tem consciência de que o povo português nunca lhe perdoou o ter abandonado o barco do governo para ir para Bruxelas, com as consequências que se sabe e que o país pagou muito caro. Não é de estranhar por isso que na Comissão Europeia também não lhe perdoem mais esta estranha transição.

 

Não é o facto de outros membros da Comissão terem anteriormente estado na Goldman Sachs que justifica alguma vez a atitude de Barroso. A indicação de exemplos de anteriores comissários que também se albergaram na Goldman Sachs só me faz lembrar aquele programa cómico brasileiro, em que quando alguém era criticado por alguma coisa, desatava a berrar: "Mas sou só eu? Cadê os outros?".

 

Mas António Costa, que tem feito tantas malfeitorias nos últimos tempos, resolveu aproveitar este assunto para fazer uma bravata nacionalista, e resolveu pedir esclarecimentos a Juncker "sobre a decisão tomada relativamente ao Dr. Durão Barroso, comparativamente a outros antigos membros da Comissão", uma vez que era "necessário assegurar e garantir que nenhum português é objecto de qualquer tipo de atitude discriminatória". Parece assim que a Comissão Europeia responderia perante o Primeiro-Ministro português e que qualquer funcionário português, desde o varredor das escadas ao ex-Presidente da Comissão, poderia contar com a intervenção marialva do Dr. António Costa para o proteger, se alguma vez se sentisse discriminado.

 

Mas, como não poderia deixar de ser, a Comissão Europeia já respondeu a António Costa que tivesse juízo e que trataria desse assunto directamente com Durão Barroso. Quanto a António Costa, há apenas duas perguntas a fazer: Primeira, ele não tem consciência da figura ridícula que fez? Segunda, não há assuntos na Europa mais preocupantes para o Primeiro-Ministro de Portugal do que o tratamento que a Comissão Europeia decide dar ao seu ex-Presidente?

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Séries do ano (2) - Stranger Things

por Diogo Noivo, em 27.09.16

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Stranger Things é um regalo para quem viveu os anos oitenta, até para aqueles que, como eu, começaram a década de fraldas e a cheirar a pó de talco. Está lá tudo o que de bom foi produzido pelo cinema de mistério, de aventura e de terror nessa época gloriosa (um adjectivo que evidentemente não se aplica à moda capilar).

Esta série, produzida pelo Netflix, tem muito de E.T., muito de Os Goonies, bastante de Encontros Imediatos do Terceiro Grau, algo de Explorers e de Stand By Me, um pouco de Alien – O Oitavo Passageiro (que é de 1979, mas não é por um ano que nos vamos aborrecer e excluí-lo da década de 1980), um travo a Firestarter, um cheirinho a Pesadelo em Elm Street e, claro, uns apontamentos de Poltergeist e de The Shining. Julgo ter encontrado também referências a Carrie, mas não farei disso um ponto de honra. Na banda sonora há mais anos 80: muitos sintetizadores e miúdos a descobrir The Clash com as cassetes dos irmãos mais velhos.

O enredo, e sem revelar muito, centra-se em quatro miúdos irrequietos (jovens actores fantásticos), personagens que podiam perfeitamente ter saído de versões alternativas de E.T. ou de Os Goonies. Há também uma menina com capacidades psíquicas invulgares (actriz igualmente notável), muito mistério e acontecimentos paranormais. O monstro, no respeito estrito pela pauta dos filmes de terror dos anos 80, só é visto com nitidez lá para o final. Numa última menção aos personagens da série, Winona Ryder, actriz que nas décadas de 1980 e 1990 interpretava miúdas irreverentes, desempenha agora o papel de mãe de um dos rapazes.

 

O entusiasmo juvenil que Stranger Things suscita nos maduros que viveram os 80 é suficiente para nos distrair do quão batido é o guião da série. De facto, o argumento não é inovador. A série aproveita-se do mercado da nostalgia que capturou muitos trintões e quarentões, cuja proximidade à meia-idade porventura os (nos) torne totalmente complacentes com histórias requentadas, desde que ofereçam um passeio à infância e à adolescência. E aqui encontramos, a meu ver, a chave do sucesso de audiências: Stranger Things é muito competente na recuperação das imagens, dos sons, dos temas e dos golpes de asa do cinema dos anos 80, evitando com distinção o enorme risco de resvalar para o kitsch de uma feira de salvados. Em suma, ver Stranger Things foi um vício irrefreável.

Tal como boa parte dos filmes aos quais presta homenagem, Stranger Things é uma história sobre o fim da inocência, sobre a passagem à idade adulta e sobre os medos que nos acompanham nesse processo. A série acaba como deve ser, com um desenlace que se ocupa dos principais nós da história, e as pontas soltas que ficam são parte imprescindível de um bom guião de mistério. Por essa razão, temo o pior desde que soube que Stranger Things terá uma segunda temporada. Bem sei que a vida custa a ganhar e que a tentação para a explorar uma fórmula com sucesso comprovado é mais do que muita. Mas pode ser a receita para matar uma série com todas as condições para se assumir como referência de culto. Enfim, por ora, é ver a primeira e única temporada disponível e entregar-se nos braços da boa nostalgia.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.09.16

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Uma Dor Tão Desigual, de Afonso Cruz, Dulce Maria Cardoso, Gonçalo M. Tavares, Joel Neto, Maria Teresa Horta, Nuno Camarneiro, Patrícia Reis e Richard Zimler

Contos

(Edição Teorema, 2016)

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 27.09.16

Ao Fragmagens.

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RH Music Box (240)

por Rui Herbon, em 27.09.16

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Autor: Rosinha De Valença

 

Álbum: Um Violão Em Primeiro Plano (1971)

 

Em escuta: Asa Branca

 

 

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As melhores praias portuguesas (103)

por Pedro Correia, em 26.09.16

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Abano (Cascais)

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Auto promoção

por Helena Sacadura Cabral, em 26.09.16

 


 


Sairá para as livrarias, no próximo dia 4 de Outubro, o meu primeiro livro de Memórias. O subtítulo de "uma vida consentida" tem um duplo significado. Foi a vida que eu consenti e foi, também, creio hoje, uma vida com sentido.

Explico na introdução o que me levou a escrever sobre mim e sobre uma parte importante da minha existência. É que, afinal, foi ela que permitiu que eu me transformasse na mulher que sou hoje e que, com alguma ousadia, confesso, está bem próxima daquela que eu gostaria de ser.

Foram estes anos que determinaram que se operasse em mim uma verdadeira revolução relativamente à mulher que fui há três décadas. São memórias muito vivas das tristezas e alegrias por que passei e das razões que me fizeram escolher o meu caminho, depois de um divórcio que, tendo-me deixado devastada, acabou por ser determinante para a minha percepção daquilo que eu não queria jamais ser.

Quando o Miguel morreu pensei muito na catarse que então poderia ter sido escrevê-lo. Não o fiz, porque não era essa a minha intenção. Quatro anos passados sobre o seu desaparecimento e com o meu outro filho já fora da política, senti que talvez fosse chegada a altura de dar a conhecer aos que me são próximos - filho, netos, irmãos e amigos - o meu olhar, o meu sentir sobre o valor que atribuo àqueles anos. É que, muito possivelmente, qualquer deles, ao ver-me agora, dificilmente admitiria a mudança radical pela qual passei.

Se este livro permitir que uma pessoa compreenda e acredite que sobre os destroços de uma vida que apenas se consentiu se pode construir uma outra, essa sim, consentida e com sentido, eu já me sinto gratificada. 

Não sei se escreverei um outro sobre o que vivi quando já era dona de mim própria. Acredito que talvez venha a fazê-lo, porque os anos que se seguiram tiveram momentos de uma enorme e inesperada felicidade. Será, no fundo, contar a história de uma mulher cuja verdadeira vida se descobre e inicia pelos quarenta anos. E essa história é, felizmente, completamente diferente da que acabo de escrever. Na forma e no conteúdo. Enfim, na vida vivida.

É que, até àquela idade, limitei-me a aprender a viver e a escolher, com algum sacrifício próprio, o que me parecia ser melhor para aqueles que me rodeavam. A partir dela o processo altera-se, e eu escolho não só ditar a minha própria vida como procurar, acima de tudo, ser feliz.  Não tenho de que me queixar porque os anos que desde então vivi superaram em muito os anteriores e, sobretudo os que, por via deles, me poderiam estar naturalmente destinados...

Nota: o livro já se encontra em pré-venda.

Na Wook: 


Na Bertrand: 


Na Fnac:


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The Voice

por Rui Rocha, em 26.09.16

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Falsa partida

por Tiago Mota Saraiva, em 26.09.16

A discussão gerada em torno do alegado novo imposto sobre o património imobiliário não está a correr bem ao governo e à maioria parlamentar. E nem sequer começou mal. 

Na sequência da fuga de informação publicada no “Jornal de Negócios”, José Gomes Ferreira – na sua ânsia de liderar a oposição a partir da televisão – espalhou-se com estrondo ao ensaiar relacionar a classe média com os detentores de património imobiliário com valor patrimonial inscrito superior a 500 mil euros, provando mais uma vez que se o ridículo matasse o comentário político banalizaria o suicídio.

Apesar da escassez de informação sobre o novo imposto tudo corria bem até que o BE resolveu assumir a sua paternidade, atropelando-se com o governo. A fuga de informação, que governo e maioria parlamentar nunca deviam ter confirmado até ao dia de apresentação do orçamento, transformou-se num facto. Abriu-se espaço e tempo para que os detentores de património imobiliário afectado possam tratar de fugir ao imposto deixando perguntas importantes por responder. Porque não se aplica este imposto a acções ou a fundos? Quais as vantagens de reabilitar e melhorar as condições energéticas de imóveis que passem a enquadrar-se neste imposto? Como se protege alugueres de longa duração no caso de senhorios com vasto património agregado que, além do IMI, já estão tributados em 28% sobre o valor da renda?

Tenho vindo a defender que o IMI é dos impostos mais interessantes para promover a redistribuição. Mas este é um imposto complexo e multidimensional que não pode ser deixado exclusivamente ao arbítrio de fiscalistas ou de estratégias de comunicação. Alterações ao IMI têm reflexos no ordenamento do território, nas políticas de habitação ou no meio ambiente. Como salvaguardar a habitação própria permanente que corresponde a um direito fundamental constitucionalmente consagrado?

Temo que esta falsa partida fira de morte um caminho que tem de ser feito. O que hoje se conhece do novo imposto denota insuficiências técnicas que deverão ser corrigidas longe da gritaria instalada.


(publicado hoje no i)

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Dizem-me, pessoas entretanto falecidas, que, após leitura deste parágrafo de marialvice, José António Saraiva ter-se-á preocupado por intuir nas entrelinhas uma certa mariquice de elevador pouco digna da direita conservadora. Afinal, porque não se propõe estuprar a doida varrida?

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Deve ser do período

por João André, em 26.09.16

Tenho dificuldade em compreender este post da Francisca.

 

Em primeiro lugar é o título. Porquê "as raparigas"? É por serem mulheres? Também se escreve "os rapazes do PS", "os marmanjos do PCP", "os tipos do PSD" ou "os cahopos do CDS"? O sexo faz diferença? Se calhar faz - para muita gente. Não devia. É por serem várias delas mais jovens? Também escrevemos "os velhotes do PS", "os cotas do PSD", "as carcaças do PCP" ou "os idosos do CDS"? A idade faz diferença desde que tenham o suficiente para serem julgadas pelas suas palavras, ideias ou acções?

 

Não, essas são apenas palavras destinadas a distrair das políticas. Já escrevi o meu post sobre o assunto. A ideia de ir às poupanças, coisa que não parece ter sido avançada em lado nenhum, nem é exclusivo do Bloco nem teria nada de especial. Seria uma política tal como aquelas que os governos anteriores praticaram, aqui e em todo o lado. "Ir buscar o dinheiro" não é "roubar", como a Francisca escreve, caso contrário teria que se aceitar que toda e qualquer cobrança de impostos seria roubar. A frase é infeliz? Talvez do ponto de vista da Francisca ou de tantos outros, mas do ponto de vista do Bloco de Esquerda é provavelmente o que queriam expressar. Se já se "foi buscar" dinheiro a tanta gente, porque não "ir buscar" dinheiro aos ricos?

 

A Francisca falou ainda dos "assuntos fracturantes" mas referiu apenas o disparate do "cartão da cidadã" e depois invcou o velho fantasma da "queima dos soutiãs". Haveria ainda o outro disparate da criminalização dos piropos, mas estão-me a faltar mais assuntos que seriam assim tão merecedores «[d]o fim da lista na agenda parlamentar». O resto é essencialmente o ataque à ideia nebulosa de "ir buscar o dinheiro aos ricos". Muitas das pessoas que ela referiu são também aquelas que sofreram (e sofrem ainda) no passado. São também pessoas que pagaram várias vezes (a Francisca esqueceu os impostos indirectos, mas estes normalmente não recaem sobre as empresas, que os passam ao consumidor) e que, depois de tudo isso, ainda levam com mais taxas e retaxas.

 

No fim fica tudo explicado: há que recompensar "essa gente", suponho que se trate dos empresários. Ou talvez os que são ricos (no post da Francisca está subentendido que só os empresários o podem ser). Isto porque são pessoas que «através do seu talento e do seu esforço, contribuiu para o crescimento económico do país», dado que mais ninguém o fez. Como os empresários são como os outros, também existem os incompetentes, abusadores e tacanhos que fizeram o oposto e são largamente responsáveis pelo ridículo estado do tecido empresarial do país.

 

Não: recompensemos os empresários tout court porque são eles que nos vão retirar do nosso buraco. Os outros não trabalham, não são talentosos. Os empresários merecem tudo, talvez até que se acabe com as taxas para eles, pobrezinhos.

 

Mas vou fechar o círculo, indo aos empresários que, entre tudo o que são, bem ou mal sucedidos, talentosos ou incompetentes e que, no seu dia a dia, tratam as mulheres ao seu redor como secretárias, empregadas de limpeza ou "aquela cachopa jeitosa que traz o café". Nalguns casos até as tratam por "raparigas" até terem idade de serem candidatas a Presidente da República ou vão buscar o epíteto de "esganiçadas" atrás de títulos de professor. Eles não são machistas, não confundamos coisas, só que às vezes aquelas raparigas começam a maçar. Deve ser do período.

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Contra a devassa da vida alheia

por Pedro Correia, em 26.09.16

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Um dos factos mais notórios do nosso tempo é a crescente desvalorização da reserva da vida privada. A todo o momento milhões de pessoas expõem na Rede imagens e palavras oriundas do seu reduto mais íntimo, colectivizando aquilo que devia ser privado.

Conceitos como recato e pudor parecem ter deixado de fazer sentido na era digital, em nome da “transparência”, conceito controverso quando estão em causa questões sem o menor interesse público e propícias a infames manipulações por parte das multinacionais que operam as chamadas “redes sociais” e de indivíduos sem escrúpulos, prontos a fazer comércio devassando a intimidade alheia.

Um Estado totalitário, munido destas ferramentas, iria hoje muito mais longe do que foram a Alemanha hitleriana ou a Rússia estalinista no aniquilamento cívico de um número incalculável de pessoas.

 

A palavra de ordem, nos dias que correm, é pôr tudo em linha com a rapidez de um relâmpago. Escancarando encontros e desencontros, paixões e ódios, amores e desamores. Contribuindo assim para o drástico recuo do direito à preservação da esfera íntima de cada um.

Como escrevia ontem Yoani Sánchez num artigo de opinião no El País, as gerações mais jovens, sobretudo, “sentem que o tempo da privacidade chegou ao fim”. Dizer não à devassa ficou fora de moda.

“Nas redes sociais, vimo-los superar o acne, livrar-se dos aparelhos dentários, estrear barba e extensões capilares. Estão dispostos a entregar informação pessoal em troca de uma socialização mais intensa. Os filhos fazem parte desta experiência: exibem-nos na Rede, sorridentes, ingénuos, desprovidos de filtros. Dão à luz, amam, protestam e morrem frente a uma webcam. Criam relações baseadas na horizontalidade, em parte porque as redes lhes inculcaram a convicção de que interagem com os seus pares, sem hierarquias”, observa a jornalista cubana.

 

Um perfeito retrato do nosso tempo em que se esbatem fronteiras entre informação rigorosa e mexericos destinados a estimular o voyeurismo mais primário. E no entanto, por mais fora de moda que seja, impõe-se remar contra a maré. Urge lembrar que cada cidadão tem assegurada protecção constitucional à reserva da intimidade da sua vida privada, um direito humano fundamental.

É preciso sublinhar isto todas as vezes que for necessário. Sem desistir.

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Do princípio ao fim (4)

por Rui Herbon, em 26.09.16

 

O sol da manhã reverberou na espada de bronze. Já não havia nenhum vestígio de sangue.

– Acreditarás, Ariadne? – disse Teseu –. O minotauro mal se defendeu.

 

 

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Astérion, personagem de Borges em A casa de Astérion, chega-nos com o seu mundo labiríntico que o aprisiona numa terrível solidão. Para se entreter e passar o tempo, cria um mundo imaginário com pensamentos contraditórios à realidade, e assim emerge da narrativa um problema existente e recorrente, que é o destino do Homem. O labirinto passa a significar o sonho ou os ideais do Homem – que é representado por Astérion –, cada um deles prefigurando um novo labirinto. Por vezes percorre-o e sai triunfante, noutras perde-se na confusão de caminhos e obstáculos, e pensa que a sua única salvação é a morte. Astérion considera-se a si mesmo um prisioneiro, pois ainda que todas as portas estejam abertas, ele não pode encontrar a saída; repudia a escrita porque pensa esta não pode comunicar nada, mas noutros momentos lamenta-se por não saber ler; conta os jogos que inventa para passar o seu tempo: «Há terraços de onde me deixo cair, até me ensanguentar»; medita sobre a casa: «… qualquer lugar á outro lugar», porque são infinitos. «A casa é do tamanho do mundo; ou melhor, é o mundo», porque é o único mundo que conhece.

 

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«A cerimónia dura poucos minutos. Um após outro caem sem que eu ensanguente as mãos. (…) sei que um deles, na hora da morte, profetizou que um dia chegará o meu redentor. Desde então a solidão não me magoa, porque sei que o meu redentor vive…». Astérion considera que a morte é como a entrada numa nova vida, onde se libertam de todos os males. É por isso que ele mata os homens que entram no labirinto, para, segundo ele, lhes dar a libertação. «– Acreditarás, Ariadne? – disse Teseu. – O Minotauro mal se defendeu». Astérion não resiste porque também ele quer ser libertado da sua solidão, daquele labirinto. Este conto, através da personagem Astérion, cuja complexidade vai muito para além do seu papel no mito original, faz com que nos perguntemos se, por acaso, não estaremos também nós num labirinto, onde somos prisioneiros, ainda que todas as portas estejam abertas, e a única maneira de escapar seja a morte. Não nos encontraremos nós numa casa de Astérion ou, dito de outro modo, não seremos Astérion?

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.09.16

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O Espaço Vazio, de Dick Haskins

Policial

(Edição Reverso/Sábado, 2016)

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As Raparigas do Bloco Começam a Maçar

por Francisca Prieto, em 26.09.16

Tenho muito pouca paciência para discussões políticas estéreis e ainda menos para gente aos berros de mão na anca. Prefiro, de caras, meter a mão na massa.

Aconteceu, no país onde vivo, que um partido fosse eleito, mas que o primeiro ministro viesse a ser o candidato da oposição. Nem sabia que isto era constitucionalmente possível, mas foi. Para possibilitar tal excentricidade, teve de se dar voz a duas favas do bolo rei, que não há meio de pararem de se esganiçar e que já começam a dar cabo dos nervos a quem quer trabalhar tranquilamente.

O primeiro assunto fracturante sobre o qual se debruçaram foi a questão do cartão de cidadã. Num país onde não se sabe por que ponta se há-de pegar, parece-me que o tema da queima dos soutiãs pode perfeitamente passar para o fim da lista na agenda parlamentar. Digo eu, que por acaso até sou mulher.

Depois, tivemos de gramar com a declaração bombástica de que o voluntariado era uma treta. Não existem dúvidas de que qualquer cidadão deve ter direito ao trabalho. Faz parte da dignidade humana e é essencial para a estabilidade das famílias. Mas misturar o direito ao trabalho com aquilo que as pessoas escolhem fazer nas horas vagas, é misturar alhos com bugalhos. Ser voluntário não é treta nenhuma. É usar tempo livre em benefício da comunidade. Há quem escolha ir ao Benfica, há quem prefira alimentar os sem abrigo. Não me macem.

Agora andam para aí a berrar aos sete ventos que “é preciso perder a vergonha de ir buscar dinheiro aos ricos”. Ora ir buscar dinheiro seja a quem for é, na sua essência mais elementar, roubar. Seja a ricos, seja a pobres, seja a remediados.

Claro que há para aí muita gente que enriqueceu a praticar a bandidagem. Mas há, em igual número, quem tenha corrido riscos, dado emprego a muita família e se tenha matado a trabalhar para ter uma conta bancária confortável. Gente que já pagou os impostos duas vezes: primeiro através dos lucros da empresa, depois com base no seu rendimento individual. Gente que abdicou da sua segurança para arriscar em negócios que não ofereciam nenhuma garantia à partida. Gente que perdeu dinheiro pessoal de um lado mas que conseguiu vir a ganhar noutro. Gente que, através do seu talento e do seu esforço, contribuiu para o crescimento económico do país. A essa gente, gostava que o estado oferecesse incentivos em vez de ameaças. Parecer-me-ia uma atitude bastante mais produtiva.

Não macem as pessoas, caramba, que isto é muito cansativo.

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RH Music Box (239)

por Rui Herbon, em 26.09.16

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Autor: John Barry

 

Álbum: From Russia With Love (1963)

 

Em escuta: James Bond With Bongos

 

 

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Fotografias tiradas por aí (311)

por José António Abreu, em 25.09.16

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Lavadores, 2008 (em jeito de adeus ao Verão).

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 25.09.16

«Na qualidade de pessoa que tirou a carta depois dos 30 anos, trabalha e (desde que tem voto na matéria) vive no centro de Lisboa, tem passe desde os anos 80, e faz 90% das suas deslocações urbanas a pé ou transportes públicos (incluindo, claro, táxi, porque depois das 21h30 demoro mais tempo entre o Rossio e as Amoreiras de transportes do que a pé), e nunca foi ao grande Porto de automóvel, estou de acordo consigo em tudo. E, ao mesmo tempo, estou de acordo consigo em nada. A Holanda, país rico e ordenado (até os alemães gozam com a ordem na Holanda), cuja maior "montanha" é da altura de Monsanto (não a aldeia beirã, mas o monte à saída de Lisboa), não é comparável em nada com Portugal.

Não é por gosto que as pessoas gastam duas ou três horas por dia no trânsito, e, as que usam transportes urbanos (como eu) empatam meses ou anos de salário num objecto que só usam ao fim-de-semana e em férias. O facto é que os transportes públicos em Portugal (como quase tudo o que é público, em Portugal) são ineficientes, excepto para as pessoas que lá trabalham. Na Holanda o pessoal dos comboios ocupa a primeira classe e vai para lá discutir diuturnidades e subsídios de flatulência? Na Holanda os trabalhadores do metro ganham em média o triplo dos passageiros? Na Holanda os trabalhadores do metro recebem complementos vitalícios para manter a reforma igual ao salário dos colegas no activo? Na Holanda há seis greves de transportes por ano?

Com estas condicionantes, com os custos de pessoal inacreditáveis que têm as empresas públicas de transportes, temos de perceber e aceitar que, ao fim-de-semana, haja metros de 16 em 16 minutos, que, depois das 22h00 é normal estar 20 minutos no Marquês à espera de um autocarro para as Amoreiras, ou meia-hora em Santa Apolónia à espera de um comboio que pare em Moscavide, que, salvo para “o Barbas”, seja impossível ir às praias da Costa sem levar um carro, que, tirando para Faro, ir ao Algarve de comboio é como ir à Índia, e que qualquer emigrante tem de trazer carro (ou vir de navette) para chegar à sua aldeia beirã ou transmontana.

Em suma: é a favor da privatização de todos os transportes públicos? É a favor da automatização da rede do metro, como em Barcelona? É que enquanto os transportes públicos de Lisboa e a CP estiverem ao serviço da CGTP, não será possível “acabar a ditadura do automóvel” - enfim, só se for falindo (outra vez) o erário público ou pondo tudo a andar de bicicleta, na nossa cidade das (muito mais do que) sete colinas, e não só os lunáticos que andam por aí em sentido contrário e com fones nas orelhas, e para quem (supostamente) se edificam longas pistas rosas que só servem para carrinhos de bebé, runners, senhoras com joanetes e amigos da construção civil com pouco trabalho.»

 

Do nosso leitor JPT. A propósito deste texto do Tiago Mota Saraiva.

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As melhores praias portuguesas (102)

por Pedro Correia, em 25.09.16

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Memória (Matosinhos)

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"Cada uno en su rutina"

por Diogo Noivo, em 25.09.16

Nos eléctricos de Lisboa há uma enorme mistura entre a necessidade e o prazer. Quem o diz é Juan José Millás, um dos mais célebres e interessantes escritores espanhóis contemporâneos, num artigo publicado pelo El País Semanal. Em poucas linhas e partindo de uma fotografia, Millás retrata a Lisboa de hoje, onde as velhas e trágicas rotinas de quem lá vive coincidem com as novas (e talvez igualmente trágicas) rotinas de quem a visita. É ler e perceber.

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Burkini

por Rui Rocha, em 25.09.16

Agora que as temperaturas altas já nos vão abandonando, que o argumento já não ferve no calor que também traz a preguiça, talvez tenhamos o momento para organizar as ideias. Chamar-lhe burkini é, por si, uma traição. O bikini é arejado, fresco e liberal. A burka é um sarcófago pensado para sepultar em vida. A burka ou se tem ou se tira, não se bikiniza. Chamem-lhe, se quiserem, burka de banho. Mas não metam qualquer partícula libertadora de "bikini" na burka que é só radical e assim deve ficar. Aliás, a tentativa de bikinização da burka não é inocente. Só pode ser mal intencionada. Quer passar subrepticiamente a ideia de que tudo, bikini e burka, islão e ocidente, é comparável. Que tudo vale o mesmo. Não vale. A burka não é um bikini de gola alta ou de manga comprida. É outra coisa. Por isso devíamos, antes de mais, introduzir rigor na semântica. Se não designarmos as coisas correctamente, não seremos capazes de pensar correctamente sobre elas. Entendamo-nos: burka de banho e nunca burkini. Depois, logo vemos se a proibimos ou não.

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