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Fora de série (16)

por Alexandre Guerra, em 31.05.16

Quando o Pedro Correia lançou o desafio desta nova rubrica, a dificuldade que nos assaltou de imediato foi o que escolher. Foi como se fôssemos umas crianças numa loja de brinquedos e nos dissessem que só podíamos escolher um brinquedo para levar. Neste caso, não é difícil de imaginar a dispersão de cada um de nós, em regressar aos tempos de infância e juventude e escolher apenas uma das muitas séries que marcaram essas fases das nossas vidas. Porque, a verdade é que não houve apenas uma, mas sim várias séries que nos agarraram à televisão e onde se cumpria religiosamente o hábito semanal de assistir a mais um episódio à hora marcada, porque, se por qualquer motivo falhássemos, já nada havia a fazer. O tempo dos youtubes, dos DVD, das box da tv cabo ainda eram coisa do futuro.  

 

Já aqui foram recordadas séries que marcaram diferentes infâncias e adolescências. No que me diz respeito, foram mencionadas algumas que me agarraram literalmente ao ecrã na segunda metade dos anos 80 e no íncio dos anos 90, tais como Sledge Hammer, Ficheiros Secretos, Blackhadder, O Polvo, A Balada de Hill Street ou o Espaço 1999. E muitas outras poderia referir, quase todas de produção britânica ou norte-americana. Mas, com todo o orgulho, posso dizer que uma das séries que mais gostei de ver e que ainda hoje recordo ou revejo (está a passar na RTP Memória) com alegria e saudade, é de produção nacional e dá pelo nome de Duarte e Companhia. Penso que a partir daqui já não preciso de escrever mais nada... 

 

Episódio "O Artista do Crime". Hilariante o diálogo inicial entre o Duarte e o Tó.

 

Pensando hoje um pouco sobre essa série, estamos obviamente perante algo muito datado, que reflectia um Portugal ainda muito atrasado, uma Lisboa algo "provinciana", uma população "cinzenta", ou seja, havia um contraste brutal na cor e na dimensão daquilo que nos chegava através das séries que vinham dos Estados Unidos e aquilo que os episódios do Duarte e Companhia nos mostravam. Portanto, não foi a dimensão do "espectáculo" que me contagiou, mas sim a ingenuidade de tudo aquilo, os personagens irrealistas, a rivalidade infantil entre o "Átila" e o "Lúcifer" e respectivos bandos, os diálogos que tinham tanto de cómico como de absurdo, criando um ambiente sempre alegre e, apesar de tudo, de convivência pacífica entre todos, onde até as cenas de pancadaria mais pareciam um ajuntamento de amigos do que outra coisa.

 

Duarte (interpretado por Rui Mendes) ao voltante do seu Dois Cavalos e o seu parceiro Tó (cujo papel era desempenhado pelo saudoso António Assunção) eram os polícias que tinham a difícil (nem tanto) missão de combater Átila (Luís Vicente) e Lúcifer (Guilherme Filipe), mafiosos e gangsters à portuguesa, que tinham tanto de tolos como de inofensivos. Pelo meio, havia um grupo de personagens absolutamente hilariantes, como o Japonês, o Albertini, o Rocha, a Joaninha ou a temida sogra do Duarte. Ainda hoje, tenho gravado na minha memória muitos dos nomes, das cenas, das falas, de muitos dos episódios do Duarte e Companhia.

 

A série passou inicialmente na RTP na segunda metade dos anos 80, estando agora a ser retransmitida na RTP Memória. No entanto, penso que já estão editadas em DVD quase todas as temporadas. É daquelas coisas que vale sempre a pena rever, porque é boa disposição garantida.

 

Episódio "A cadeira do Poder". A estupidez foi sempre um característica reinante nos bandos do Átila e do Lúcifer

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Uma Mesquita em Lisboa

por João André, em 31.05.16

Não acompanhei o assunto no início e cheguei a ele pelo post do Luís. Depois vi uma partilha do texto de João Miguel Tavares (um comentador de quem não gosto por diversas razões - que pouco têm a ver com as suas opiniões) no Facebook.

 

Deixo apenas o texto que um amigo, o Paulo Granja, colocou na sua página do Facebook e que me pareceu bastante melhor - independentemente das opiniões - que o de JMT.

 

JMT não sabe do que fala

Antes de mais, a intervenção urbana que tem sido reduzida à construção de uma mesquita insere-se numa operação de maior dimensão de requalificação urbana “entre o Martim Moniz e o Intendente, com o nome Praça-Mouraria”, e prevê a criação de um jardim, uma sala polivalente, de uma praça coberta e de uma ligação entre a Rua da Palma e a Rua do Benformoso, para além da referida mesquita (creio que também se prevê a requalificação/integração do Arquivo fotográfico municipal, já existente num edifício contíguo, mas não me recordo agora se o Arquivo será ou não formalmente integrado no projeto), sendo que o interior da mesquita ficará a cargo da comunidade muçulmana (creio que mais precisamente a cargo do Centro Islâmico do Bengladesh). A construção da mesquita neste bairro, e neste local em particular, justifica-se pela forte comunidade muçulmana do Bangladesh aí existente. De facto, já existiram 3 mesquitas em edifícios próximos, estando a última, frequentada por cerca de 600 pessoas, localizada num edifício para habitação, se não estou em erro, no Beco de S. Marçal, compreensivelmente com grande incomodo para moradores e para a vizinhança.

Segundo, o projeto de intervenção insere-se no Plano de Urbanização do Núcleo Histórico da Mouraria (o único ponto em que admito que JMT possa ter alguma razão é na aparente contradição entre a exigência feita ao proprietário/PUNH e a intervenção projetada, mas a legislação prevê que os poderes possam estabelecer exceções às regras e planos que os próprios fizeram aprovar, em nome do interesse público – como creio que foi feito com o PDM para a construção do novo Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia -, mas se isso é bom ou mau é já outra discussão), e está a ser pensado desde 2009, altura em que mereceu apoios do FEDER/QREN. O projeto final de arquitetura foi apresentado a discussão pública e votado favoravelmente por todas as forças partidárias com representação na Assembleia Municipal de Lisboa em 2012.

Em terceiro lugar, sim, a CML também patrocina igrejas, sinagogas e templos de Shiva (se o deveria fazer ou não é outra questão…). Que me lembre, a CML já apoiou o Centro Ismaili, O Centro Hindu, O Museu Judaico e a (re)construção de várias igrejas católicas – estou a lembrar-me da Nova Catedral de Lisboa, a construir perto da Parque Expo. Nalguns casos (Museu Judaico e Igreja Católica), os apoios financeiros chegam também aos vários milhões de euros, já para não falar nas operações urbanísticas envolvidas (creio que no caso do Museu Judaico está prevista a intervenção/requalificação de vários edifícios no centro histórico de Alfama, mesmo ao lado da Igreja de S. Miguel).

Resumindo, não se trata apenas de pagar uma mesquita.
Não houve falta de discussão pública, nem atropelos à legislação e regulamentos camarários – se houve, serão dirimidos em local próprio, os tribunais.
Não foi uma proposta socialista ou sequer de esquerda feita a revelia dos partidos de direita, a direita também votou favoravelmente o projeto.
E sim, a CML, e não o Partido Socialista, apoia financeira e logisticamente, várias outras confissões religiosas.

JMT pode contentar-se em comentar artigos publicados no jornal onde escreve sem se dar ao trabalho de se informar. Isso também eu posso fazer, a diferença é que não sou jornalista e não me pagam para isso.

 

Leitura complementar: A mesquita da Mouraria, o Google e o Facebook.

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Coisas que nenhum Acordo Ortográfico resolve

por Sérgio de Almeida Correia, em 31.05.16

"Tem toda a obra traduzida em Portugal o escritor que ontem foi anunciado como vencedor do Prémio Camões, o mais importante da língua portuguesa."

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 31.05.16

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As Viúvas de Dom Rufia, de Carlos Campaniço

Romance

(edição Casa das Letras, 2016)

"Este livro segue a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico de 1990"

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Somos nós a pertencer aos livros

por Pedro Correia, em 31.05.16

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Não sei se convosco acontece o mesmo, mas eu tenho por hábito levar para férias alguns livros que já não voltam na bagagem. São livros mais velhos que tenciono ler apenas uma vez, acabando por deixá-los ficar nos hotéis por onde passo - leituras momentâneas, semelhantes a diversas pessoas com quem nos vamos cruzando vida fora. Chegam e partem.

É também uma forma de partilhar leituras: acho estimulante a ideia de imaginar que aquela janela que para mim ficou fechada tavez possa abrir-se inesperadamente para alguém que nunca conhecerei. Por cá temos pouco esse hábito: ainda sacralizamos o livro enquanto objecto - por vezes na proporção inversa à verdadeira atenção que lhe dispensamos. Ao contrário do que acontece por exemplo com alemães e britânicos, com um nível de alfabetização geral muito anterior e superior ao nosso.

 

Inciei esta tradição pessoal há 25 anos em Patong, na Tailândia. Levava para férias a Cabra-Cega, de Roger Vailland, e a Memória de Elefante, de António Lobo Antunes. Lidos os livros, antes de fazer as malas entreguei-os à pequena biblioteca pública local, inaugurando ali a secção de obras em português. Cinco anos depois, quando voltei à capital da ilha de Pukhet, revisitei o local: a Memória de Elefante não estava lá, mas o livro de Vailland que foi temporariamente meu permanecia na prateleira onde eu o deixara - sem outro livro em português.

Nem quero imaginar onde estará agora: Patong foi uma das povoações devastadas pelo brutal maremoto de 26 de Dezembro de 2004 no Sueste Asiático. É um daqueles locais onde só voltarei em pensamento.

 

Escrevo estas linhas no mesmo hotel algarvio onde há um ano passei um fim de semana alargado. Cá reencontrei no salão principal um livro que aqui deixei então - isolado título português em elegantes prateleiras cheias de volumes em alemão, inglês ou francês. Pego nele e vou à página final, onde sempre inscrevo a data e o local em que terminei a leitura: "Tavira, 1.5.2015". E mantenho-o na nova morada que passou a ter naquele dia. Continua sem a companhia de nenhum outro no nosso idioma.

E uma vez mais me interrogo: porque teremos tanta dificuldade em desapegar-nos de livros que foram nossa efémera companhia de férias em vez de lhes proporcionarmos novos leitores? Isto sempre me fez alguma confusão. Porque, em boa verdade, não somos donos deles. Na melhor das hipóteses, somos nós a pertencer aos livros. É pura ilusão pensarmos que eles nos pertencem.

 

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O problema é geral

por Sérgio de Almeida Correia, em 31.05.16

Enquanto não aparece a factura das t-shirts amarelas, fiquemo-nos com as palavras de Francisco: “uno de los peligros que tiene la educación es que si es inclusiva para pocos y exclusiva para muchos, es comercio”.

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RH Music Box (121)

por Rui Herbon, em 31.05.16

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Autor:  Calibro 35

 

Álbum: Rare (2010)

 

Em escuta: Come Un Romanzo

 

 

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algumas proposições com pássaros e árvores

por Patrícia Reis, em 30.05.16

 

Os pássaros nascem na ponta das árvores
As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvores acabam
Os pássaros fazem cantar as árvores
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se
deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
quando o outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
mas deixo essa forma de dizer ao romancista
é complicada e não se dá bem na poesia
não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração

 

Ruy Belo  

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O mar e os submarinos

por Alexandre Guerra, em 30.05.16

Os portugueses adoram o seu mar, orgulham-se dele e banham-se nele. Os políticos, académicos, jornalistas e toda a alma pensante cá do burgo vêem no imenso oceano a salvação do País, tal como já o foi nos tempos em que corajosos aventureiros nas suas caravelas se fizeram à vida para outras paragens. Ao fim e ao cabo, é o mar que faz de Portugal um país especial no contexto europeu e mundial e que, apesar de tudo, lhe deu uma dimensão geopolítica e geoestratégica relativamente significativa no sistema internacional, se se tiver em consideração a pequena dimensão do país. Naturalmente, que essa importância foi evoluindo de acordo com as contingências históricas, no entanto, basta recuarmos um pouco até à II GM para se perceber facilmente a relevância que o mar português teve para os Aliados. Já durante a Guerra Fria, essa importância manteve-se, materializada com a entrada de Portugal na NATO enquanto membro fundador daquela organização. Sem correr grande risco de exagero, pode dizer-se que, atendendo à extensa faixa costeira de Portugal Continental e dos respectivos arquipélagos, o nosso país foi sempre uma espécie de "guardião" de parte do Atlântico Norte, sobretudo no que diz respeito à sua imensa Zona Económica Exclusiva (ZEE), uma das maiores do mundo e que poderá aumentar, caso as Nações Unidas reconheçam os argumentos das autoridades nacionais para a extensão da Plataforma Continental portuguesa.

 

A questão principal, e um pouco à semelhança do que aconteceu no século XIX com o princípio da "ocupação efectiva" imposto aos governantes portugueses no território africano, não basta que políticos e cidadãos em geral olhem para o mar e digam que ele é bonito e que providencia boas sardinhas. É preciso exercer soberania efectiva sobre a actual ZEE, porque só dessa forma se pode potenciar e proteger os seus recursos de todo o tipo de ameaças. Este é um ponto fundamental e que, à luz daquilo que se vai lendo e vai ouvindo, não parece ainda estar bem percebido. Os anos passam, mas continuam a ser habituais os artigos de imprensa (como ainda esta Segunda-feira) sobre os tão polémicos submarinos, Arpão e Tridente, que estão ao serviço desde 2010. As suas despesas de manutenção são um tema recorrente, como se o erário público estivesse a ser usado para divertimento de alguns almirantes. Na verdade, trata-se de uma abordagem pouco acertada por parte da nossa "intelligentsia", já para não falar do povo, geralmente menos sabedor destas coisas. Mas admite-se que parte do problema está no facto dos Governos envolvidos na compra dos submarinos (e foram tanto do PS como do PSD) nunca terem tido a arte de explicar objectivamente as razões estratégicas que sustentaram a aquisição daqueles equipamentos. Porque, efectivamente, existiam e existem razões válidas e importantes à luz dos interesses nacionais que mereciam ser conhecidas pelos portugueses. 

 

É certo que Portugal actualmente não tem os problemas de outros países no que diz respeito à disputa militar de territórios insulares, sendo que aqui o território está claramente demarcado em relação aos seus vizinhos mais directos, Espanha e Marrocos. No entanto, muitos outros problemas surgem nas águas portuguesas directamente relacionados com questões de soberania e de interesse nacional. É certo que em termos geoestratégicos e geopolíticos o conceito de soberania vai hoje muito além do território físico do Estado, porém, a sua defesa e o seu controlo efectivo continuam a ser vectores basilares para qualquer Governo responsável. E aqui Portugal tem uma missão hercúlea na defesa do seu espaço marítimo. Uma defesa feita a vários níveis, tais como militar, económico, ambiental e até mesmo social. A vertente militar no sentido mais clássico está hoje mais atenuada, sobretudo depois do fim da Guerra Fria. Em contrapartida, assistiu-se nos últimos anos a uma ameaça crescente aos interesses económicos, ambientais e sociais de Portugal no mar.  

 

A defesa da economia do mar deve merecer a maior atenção por parte das autoridades portuguesas porque quanto menor for o controlo do seu território marítimo, maior serão as delapidações dos recursos feitas por terceiros, como acontece com as pescas. Além das imposições de quotas legais de Bruxelas, os portugueses certamente que desconhecem as incursões ilegais feitas por embarcações de pesca espanholas e marroquinas em águas portuguesas. Dizia há uns anos uma fonte militar ao autor destas linhas, que até "histórias de tiro" costumava haver entre embarcações de patrulha e de vigilância portuguesas e barcos de pesca espanhóis e marroquinos.

 

O controlo e a vigilância dos mares assume hoje uma particular importância na defesa do ambiente e neste capítulo Portugal tem uma enorme responsabilidade. O caso da tragédia ambiental de 2002 na Galiza, provocada com o derrame de petróleo do Prestige, é um bom exemplo de como os interesses nacionais foram ameaçados no mar. A determinada altura do processo de gestão de danos, no qual a Espanha estava sem capacidade de resposta, Portugal foi obrigado a intervir com a sua marinha para evitar que os espanhóis "empurrassem" o Prestige para as águas nacionais. Este foi um episódio muito grave, mas muitos outros casos há. A existência de uma capacidade naval forte é totalmente justificada quando se tem uma ZEE que é corredor de passagem para todo o tipo de navios de várias partes do mundo. É por isso vital que a Marinha portuguesa esteja atenta contra todo o tipo de ameaça à integridade ambiental do seu território, tais como pequenos derrames, lavagens de tanques, despejo de detritos no oceano, e por aí fora. 

 

Muito do trabalho preventivo e reactivo que é desempenhado pela Marinha a este nível (e também por outros ramos, como é o caso da Força Aérea) não é do conhecimento público e, seguramente, não é valorizado quando as pessoas se banham alegremente nas águas limpas das belíssimas praias portuguesas de Norte a Sul do país. Ou então, quando diariamente chega às lotas portuguesas o pescado que delicia os portugueses e alimenta uma boa parte da economia. Para garantir a integridade do mar, é preciso muito esforço e investimento. Custa dinheiro e que ninguém tenha qualquer dúvida disso. 

 

Socialmente, a defesa do mar é também um pilar basilar dos interesses nacionais. O combate à imigração ilegal, ao tráfico humano ou ao contrabando de armas e de droga tem de ser uma obrigação do Estado português. Trágicas realidades para a qual a Marinha portuguesa tem de estar preparada para as enfrentar. Um Estado responsável e desenvolvido deve ter em consideração todos estes factores. Mesmo no que diz respeito aos compromissos militares propriamente ditos, Portugal deve estar dotado de capacidade naval para dar resposta aos compromissos internacionais, como o tem feito exemplarmente, inclusive com o Arpão e o Tridente, que nestes seis anos de actividade já participaram em inúmeros exercícios e missões, algumas das quais de combate ao terrorismo. Os submarinos não devem ser vistos como realidades isoladas, mas sim como parte de um modelo naval ajustado aos desafios do século XXI, no qual todos os tipos de navios, embarcações e sistemas de vigilância costeiros se complementam. 

 

Publicado originalmente em O Diplomata

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O marxismo deu origem a abordagens marxistas. Como denúncia radical parece-me mais do que suficiente. Mas isto, claro... digo eu que não tenho livros para vender.

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Fora de Série (15)

por Francisca Prieto, em 30.05.16

O Verão Azul dava à quarta feira à tarde da minha pré-adolescência e passava-se numa vila balnear perto de Málaga.

Na altura eu passava férias no parque de campismo de Ferragudo, de maneira que sonhava com o dia em que, montada na bicicleta, integraria um grupo como o do Verão Azul. Claro que eu queria ser a Bea, a rapariga de cabelo comprido por quem todos os rapazes se batiam. E queria que o Javi gostasse de mim porque, para além de ser loiro, tinha uma sunga Speedo último grito da moda balnear.

Um dia quase consegui estar à altura da Bea, lá na cafetaria do parque de campismo. Uns rapazes de dezasseis anos meteram conversa comigo e quando me perguntaram a idade eu tive vergonha de dizer que só tinha doze e avancei para a maior mentira da minha vida: disse que tinha treze.

O Verão Azul fazia-nos caminhar pelo verão algarvio embalados pelo tralalá do genérico. E era uma série muito realista porque tinha uma data de pais às direitas que, de copo de whisky na mão, não tinham qualquer pudor em recorrer ao antigo método pedagógico de distribuir lambadas sempre que um filho se armava em esperto. Só o Piranha levou para cima de meia dúzia num dia em que resolveu levar a cabo uma greve de silêncio.

Era este realismo que me lançava para dentro do ecrã da televisão e me fazia conversar com as personagens como se fossem meus amigos. Fartei-me de comer gelados com o Quique, de dar conselhos à Desi, que era a feiosa do grupo, de passear pelas ruas de Ferragudo com o Pancho, que sabia tudo sobre pesca, e de derramar lágrimas verdadeiras pela morte do bom e velho Chanquete.

Claro que os meus filhos não percebem nada destes dramas quando os obrigo a passar os DVDs da série, com uma pobre imagem desbotada. Julgam que é ficção científica. Mas a verdade é que o meu coração ainda palpita de cada vez que oiço assobiar as notas dos azuis verões de antigamente.

 

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O ridículo mata

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.05.16

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Não tenho nada contra manifestações, desde que sejam pacíficas e tudo se processe dentro da legalidade. Com mais ou menos exaltação, mais ou menos indignação, todos têm o direito de se manifestar e agitar as suas bandeiras, tendo o Estado de direito o dever de proteger essa conquista da democracia. Se existe ou não razão para a manifestação, isso é outra história. Por isso mesmo, seria curioso se amanhã os defensores da escola pública se lembrassem de promover manifestações por todo o país em defesa da sua dama. Para exigirem, por exemplo, o fim dos contratos de associação e mais dinheiro para a escola pública. Quem sabe se então o título da notícia não seria qualquer coisa como "Milhares em defesa da escola pública e contra os contratos de associação"?  Não é que eu esteja a sugerir alguma coisa que não devesse já ter sido feita, mas seria o bom e o bonito.

De qualquer modo, tenha uma manifestação o peso que tiver, convenhamos que a defesa dos contratos de associação não é propriamente a mesma coisa que defender a Rádio Renascença do perigo comunista. Para ser coerente e manter a razão, a Igreja portuguesa devia agir com inteligência. E arranjar uma causa, como hei-de dizer, menos fracturante. 

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A queda a pique do Syriza

por Pedro Correia, em 30.05.16

Sondagem confirma crepúsculo da ex-nova esperança da esquerda europeia.

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Coisas que deviam ser óbvias

por José António Abreu, em 30.05.16

“[Seguro] teve medo de ser corrido e por isso foi fazendo a vontade às tribos todas, mas correram com ele na mesma. Quem ande a gerir as tribos com medo de ser corrido não sabe o que há-de fazer se algum dia ganhar.”

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.05.16

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Cartas Reencontradas de Fernando Pessoa a Mário de Sá-Carneiro, de Pedro Eiras

Ficção

(edição Assírio & Alvim, 2016)

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Blogue da semana

por Adolfo Mesquita Nunes, em 30.05.16

A blogosfera começou, para mim, por ser política. Estávamos em 2003 ou 2004 e nela encontrava, ou começava a encontrar, outras formas de pensar os factos e a história que não vinham nos jornais. Fossem de esquerda ou de direita, pensassem ou não como eu, os blogues políticos serviram-me, anos a fio, como leitura primeira do dia, antes mesmo dos jornais. E desses tempos ainda hoje guardo amigos, de vários cantos. Mas a chegada de novas plataformas, para onde muitos dos seus autores migraram, fez com que a política deixasse de ser, para mim, o principal motivo de leitura da blogosfera. É hoje raro, muito raro, perder minutos na blogosfera, para além da leitura dos blogues liberais com que me identifico, para descobrir análise política que me interesse. Mas há excepções, e escolho uma delas para blogue da semana: o Gremlin Literário. Uma análise acutilante e com um enorme sentido de humor a que regresso com muita frequência.

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RH Music Box (120)

por Rui Herbon, em 30.05.16

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Autor:  Public Image Ltd

 

Álbum: The Flowers Of Romance (1981)

 

Em escuta: Go Back

 

 

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Algumas notas sobre música

por Alexandre Guerra, em 29.05.16

1. Depois de ter lido bastante sobre o álbum e o artista, já andava há meses para comprar o "To Pimp a Butterfly" do rapper Kendrick Lamar. Fi-lo hoje. Tinha sido considerado de forma quase unânime pela crítica como um dos melhores álbuns de 2015, o que é um feito, já que estamos a falar de hip hop agressivo e duro, vindo directamente de Compton. A cidade no sul de Los Angeles, casa dos gangues rivais Crips e Bloods e que, nos anos 80, viu nascer o "gangsta rap", por um grupo que iria ficar para a história, os N.W.A. Os Niggaz Wit Attitudes tinham, entre outros, o Dr. Dre e o Ice Cube na sua formação. A difícil conjuntura social que se vivia na altura e a vivência hostil da comunidade negra em particular naquela grande zona metropolitana, acabou por ser inspirador para a composição do primeiro e mítico álbum daqueles rappers, Straight Outta Compton (1988). Entretanto, os anos foram passando, e depois dos trágicos acontecimentos de 1992 em Los Angeles, o final dessa década e o início dos anos 2000 trouxeram alguma acalmia a Compton, mas nem por isso os problemas desapareceram e a criatividade se esvaiu. Pelo contrário, "To Pimp a Butterfly" de Kendrick Lamar espelha as várias fracturas que os Estados Unidos teimam em não sarar, mas também a sua própria visão crítica enquanto "nigga" de Compton. O racismo, a discriminação, a violência policial sobre os negros, a exclusão e a auto-exclusão social dessa comunidade, a violência e desunião entre entre os "niggas"...ouvindo as músicas de Lamar, percebe-se que a América de hoje continua a ser tão perturbadora como a dos anos 80. E também por isso, o álbum é poderoso.  

 

 

2.Há uns anos recordo que eu e dois colegas meus tivemos uma daquelas discussões (estúpidas) que não levam a lado algum sobre qual seria a banda que mais importância e impacto teria na história da música recente, se os Red Hot Chili Peppers ou os Radiohead. Naquela altura, era (e sou) um grande fã de Anthony Kiedis, Flea e companhia e embora já tivesse sido num passado longínquo que a banda californiana dera a conhecer ao mundo o genial "Blood Sugar Sex Magik (1991)", os alicerces que criaram ao nível do funk rock abriram caminho para a inspiração criativa de muitas outras bandas. É certo que o seus trabalhos posteriores entraram num caminho que se afastou dessas raízes primitivas e mais agressivas, para um estilo menos funk e mais pop. Mas mesmo assim, sempre considerei que os seus álbuns estão na generalidade sempre muito acima do que se vai fazendo por aí. Quanto aos Radiohead, com um estilo musical completamente diferente, os meus dois colegas também tinham argumentos de peso na defesa do seu caso, já que em 1997 a banda de Thom Yorke lançou um dos melhores álbuns dos últimos 20 anos: "Ok Computer". Também este disco se tornou uma referência musical, quer ao nível criativo, quer ao nível do conteúdo da sua mensagem. Os Radiohead nunca mais voltaram àquele nível (o que é normal), mas continuaram a fazer álbuns de grande qualidade e aclamados pela crítica. Por coincidência, e depois de alguns anos sem terem editado nada, os Radiohead e os Red Hot estão a lançar álbuns novos, que deverão chegar nas próximas semanas em formato físico às lojas. A banda de Thom Yorke já lançou o álbum, A "Moon Shaped Pool", nas plataformas digitais, antecipando-o com dois singles e respectivos vídeos que espelham bem a qualidade superior desta banda: o incendiário Burn the Witch e o poético Daydreaming, realizado por Paul Thomas Anderson. Os Red Hot deram apenas a conhecer uma música do novo "The Getaway", que começa com uma malha fortíssima do baixo do Flea.

 

 

3. Roberta Medina poderá dar as voltas que quiser e até dizer que o Rock in Rio é um festival "mainstream" (que efectivamente é), mas isso não poderá servir para iludir a realidade e não constatar que a edição deste ano teve um alinhamento muito débil ao nível dos cabeças de cartaz. Exceptuando a noite de Bruce Springsteen, todas as outras não tiveram nomes com o verdadeiro estatuto de cabeça de cartaz num festival deste género que pode levar até 85 mil pessoas ao recinto. Maroon 5, Hollywood Vampires, Queen com Adam Lambert ou Avicii??? Não está em causa a sua qualidade ou actuação, mas basta consultar todas as edições desde 1985 e facilmente se percebe que ao Rock in Rio 2016 faltaram aqueles grandes nomes que dão dimensão musical e até histórica ao acontecimento.

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Fotografias tiradas por aí (296)

por José António Abreu, em 29.05.16

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Montalegre, 2005.

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Fictiongram, continuação da continuação

por Patrícia Reis, em 29.05.16

Portanto, a coisa do Jaime, a sua sobranceria, a ideia de que era capaz de ser superior e viver longe de Carmen, isto dentro do seu putativo manuscrito (que chatice, não pode dizer manuscrito se escreve num computador, ou pode? decide que pode) era apenas uma alteração mínima da realidade. Ele, o escritor, fora o Jaime na vida real, ou seja, não sairá de casa, mas dissera aquelas coisas

Nem na cama és bom.

 

A ficção tem esse grande poder salvador. Tudo se transfigura, mas se há falta de assunto, ou não existe a mínima paciência para a pesquisa e para o romance histórico, pois escreve-se sobre aquilo que se vive. É preciso ter uma vida interessante. Convém. Nem todos os escritores têm. Por exemplo, ele, o escritor, sabia que a conversa sobre os filhos servia apenas para albardar o burro à vontade do dono. Ou seja, se Carmen tem a idade que tem (que idade tem?), pois terá aquela coisa do relógio biológico e tal. O escritor é ajuizado, sabe que quem compra livros são as mulheres, por isso os filhos e as dores.

 

O telemóvel tocou de novo. Jaime. Tão chato e comprido, o Jaime que fora fascinante durante dois anos – como se ele não soubesse de antemão que nada dura mais de vinte quatro mesinhos, sendo os últimos uma boa chatice – queria coisas. Achava que tinha direitos. Fazia ameaças. Claro que existia a questão das cartas, mas o escritor convencia-se de que ele nunca se atreveria a tanto. Não iria, decerto, publicar as cartas num livro com uma capa horrenda e com um prefácio de um pensador actual. O escritor despreza livros com prefácios, se o livro precisa de explicação, então é mau, nem tem discussão.

 

Escrevera cartas a Jaime quando aceitou o convite de uma figura da realeza europeia que o convidara para passar o princípio do Inverno na Suíça. Não é possível satisfazer a sua curiosidade, lamentamos, caro leitor, estamos obrigados a algum recato e até assinámos um contrato de confidencialidade, logo não nos é possível dizer onde e com quem, podemos adiantar apenas que estava lá todo o mundo. Todo o mundo. Menos o Jaime. Por mais incrível que fosse, o convite era pessoal e intransmissível e para uma pessoa apenas: o escritor que iria “prestigiar” a grupeta afectada junto à neve.

Pois. Jaime amuara.

Queria tanto ir, mas porque não posso eu ir? Tu já não me amas, que mau que és. Vai lá estar o E.J.? Não me digas que sim que eu morro, morro. Se tu vais sem mim, morro.

O escritor, feito estúpido, em vez de ter uma ideia brilhante para uma trilogia que fosse passível de ser traduzida, pelo menos, para trezentos países, decidira passar uma hora por dia, à lareira, a escrever a Jaime. As tais cartas.

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Fora de série (14)

por Teresa Ribeiro, em 29.05.16

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Até as séries começarem a disputar o cinema a sério, fenómeno bastante recente, andei um pouco alheada da ficção televisiva. Mais do que a concorrência da Internet, o que mais me afastou foi a moda do alinhamento dos enredos por temporadas, tão mais intermináveis quanto maior fosse o seu sucesso de audiências. Não me apetecia morder o isco e depois ficar presa a caprichos ficcionais ditados mais por prazos contratuais do que pelo talento dos argumentistas. Enquanto as boxes não nos vieram libertar dos horários de transmissão dos programas, salvando-nos também dos penosos intervalos para a publicidade, evitei fidelizar-me. Mas há sempre uma excepção. A última série antes da era da TV on demand que me amarrou à cadeira, fez adiar compromissos e reservar o serão, foi Os Sopranos. Até do tema do genérico eu gostava e se há coisa que eu não aprecio é rap...

A moral da máfia, em que me iniciei com a trilogia de O Padrinho, voltava a fascinar-me. James Gandolfini, no papel da sua vida, entrava-me em casa todas as semanas, tão vulnerável quanto brutal e eu, durante o tempo que durava cada episódio, suspendia de boa vontade a minha vida para viver a dele e surpreender-me com as minhas próprias contradições: como é que eu podia sentir simpatia por um assassino? Ainda por cima aquele burgesso sanguinário não fazia nada o meu tipo, só que expunha-se de uma forma... a natureza humana no que tem de mais perturbador era exposta de uma forma naquela série, que tocava as raias da pornografia.

Tecnicamente próxima da perfeição, a saga concebida por David Chase  transcendia o mundo da máfia. Além das actividades da "rapaziada", acompanhávamos a evolução da família disfuncional de Tony Soprano - com uma Edie Falco a encarnar a sua mulher, Carmela, sempre maravilhosa - e as suas inesquecíveis sessões de psicoterapia, o toque de originalidade da série.

 

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New York Times considerou-a "provavelmente a melhor obra da cultura popular americana dos últimos 25 anos". Foi a primeira série de um canal por cabo a ser nomeada para um Emmy. Durante os oito anos em que esteve em exibição, de 1999 a 2007, foi sempre nomeada na categoria de melhor série dramática e por duas vezes ganhou o prémio. David Chase enquanto autor também foi galardoado por três vezes. Nessa categoria a série recebeu 21 nomeações além de outras tantas pelo desempenho dos seus actores, nomeadamente Gandolfini, que levou para casa três Emmys. Mas do palmarés de Os Sopranos constam toda a sorte de prémios, dos Globos de Ouro aos Guilds.

Terá o gangue da série comprado votos? Com a máfia nunca se sabe... A mim, como já revelei, sequestraram-me, amarraram-me à cadeira e... se eu tivesse aqui a psicanalista dele perguntava-lhe... mas acho que não estou errada se disser que a coisa evoluiu para algo próximo do síndroma de Estocolmo. Durante 50 minutos por semana, ali presa ao ecrã, dei comigo a relativizar ou, pior ainda, a compreender todas as  malfeitorias do Tony. E que adrenalina isso me dava!

À hora de Os Sopranos não estava para ninguém. Se alguém me interrompesse, habilitava-se. Era bem capaz de levar com um tiro no meio da testa. Só por causa das coisas.

 

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O momento decisivo

por Pedro Correia, em 29.05.16

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Outros dirão, naquele jargão cultivado com tanto esmero pelos especialistas da bola, que Ronaldo "passou ao lado de uma grande partida" e "estava lá mas era como se não estivesse".

Não acreditem.

Ontem à noite, na final da Liga dos Campeões disputada em Milão entre as duas potências futebolísticas de Madrid seguida com calor e paixão nos recantos mais recônditos do planeta, o português guardou-se para o momento decisivo - aquele em que tudo se desenrola em fracções de segundos, aquele em que se comprova com inequívoco rigor quem tem fibra de campeão, aquele em que mais se exige perícia técnica servida por nervos de aço. O momento do penálti que decide um destino, que traça a linha separadora da exígua fronteira entre o sucesso e o fracasso: quem não a transpõe é humilhado na praça pública por multidões de adeptos inconformados, quem a ultrapassa ascende mais um patamar no panteão reservado aos escassos heróis contemporâneos com dimensão global.

Nesse momento decisivo ele estava lá.

Fixou a baliza adversária como se nada mais houvesse para mirar no mundo, tomou balanço, trotou resoluto para a bola e desferiu o golpe fatal com toda a convicção da sua força mental comandando a arte incomparável do seu pé direito. 

Ainda antes de centenas de milhões de gargantas gritarem a mágica palavra golo, já ela se havia tornado realidade na mente daquele homem que foi um pobre menino das ladeiras do Funchal e soube torcer as voltas à vida, construindo uma carreira milionária a pulso. A inevitável inveja alheia só lhe confere motivação acrescida. Porque ele parte sempre à conquista de um novo troféu como se fosse o primeiro que ganha.

É isto que conta: nunca falhar no momento decisivo. Quem ignora que o futebol é uma metáfora do percurso humano tem muito a aprender com Cristiano Ronaldo.

 

Também aqui

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.05.16

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Hamlet-Rei (Luís II da Baviera), de Guy de Pourtalès

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

Biografia

(edição Sistema Solar, 2015)

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RH Music Box (119)

por Rui Herbon, em 29.05.16

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Autor:  Prince Fatty Meets The Mutant HiFi

 

Álbum: Return Of Gringo (2011)

 

Em escuta: Wear The Black Hat (If The Black Hat Fits) 

 

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 28.05.16

«O Bloco de Esquerda quer que se possa mudar de sexo aos 16 anos. Infelizmente, os adolescentes que mudarem de sexo mais cedo não vão poder celebrar com champanhe: álcool só aos 18. Mas há mais: propõe que o cartão de cidadão deixe de fazer menção ao sexo. Faz sentido. Um chip com informação privada? Claro. Revelar o sexo? Nunca!»

José Diogo Quintela, no Correio da Manhã

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Ser Presidente até ao último dia

por Alexandre Guerra, em 28.05.16

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Barack Obama na Sala Oval, 19 de Maio (Foto: White House/Pete Souza) 

 

Num dos episódios da realista série The West Wing, com o título "365", a equipa da presidência de Josiah Bartlet (Martin Sheen) vê-se confrontada com a inevitável aproximação do final do segundo mandato, num misto de nostalgia, desmotivação e desânimo. Normalmente, os poderes executivos, sejam Governo (em sistemas parlamentares ou semi-parlamentares) ou chefes de Estado (sistemas presidencialistas), olham para os últimos tempos de funções como um mero cumprimento de calendário, aguardando passivamente o dia em que os seus sucessores lhes tomem o lugar. Regra geral, a um, dois anos do término do mandato, há uma espécie de ideia tácita que pouco já nada há fazer, adiando-se grandes decisões e políticas para o próximo Executivo. Em países como Portugal, por exemplo, existe um consenso político-partidário em que os governantes que se encontrem nessa situação, ou seja, com a porta da rua semi-aberta, já não podem ousar assumir grande protagonismo, correndo o risco de serem acusados de estarem a condicionar o trabalho dos seus sucessores. 

 

Mas a verdade, é que um primeiro-ministro ou um Presidente está de plenos poderes até ao último dia do mandato e, como tal, deve exercê-los com a mesma determinação e convicção como se estivesse a iniciar funções. Nesse episódio aqui referido, e perante o "baixar de braços" do Presidente e de quase todo o "staff", conformados com o fim à vista do seu mandato, entra em cena Leo McGarry (John Spencer), chefe de Gabinete da Casa Branca, experiente e sábio, que, num discurso emotivo, lembra à sua equipa que ainda faltam 365 dias para o mandato terminar e que em cada um destes dias eles tinham o poder, como mais ninguém tinha, de fazer algo pelo bem comum.  

Como em tantas outras passagens daquela série, também esta parece ter sido premonitória em relação ao que Barack Obama viria a fazer (e está a fazer) nos seus dois últimos anos de mandato, aproveitando todas as oportunidades para fazer história. Acordo do clima de Paris, Tratado Trans-Pacífico, reatamento das relações diplomáticas com Cuba, reaproximação ao Irão e agora a visita a Hiroshima, são apenas alguns eventos da agenda externa de Obama dos últimos meses, carregados de significado e importância histórica. Também a nível interno, Obama tem mantido uma actividade política constante, até porque ainda tem alguns dossiers da máxima importância para resolver. Tudo leva a crer que nestes meses finais Obama não irá abrandar a sua acção governativa. E caso isso se confirme, é assim mesmo que deve ser... Presidente até ao último dia.      

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Três anos

por Pedro Correia, em 28.05.16

Há três anos que destaco um livro aqui no DELITO, todas as manhãs, sem nunca falhar. O que começou por mero acaso, como recomendação de duas dúzias de obras a adquirir na Feira do Livro de Lisboa em 2013, acabou por transformar-se numa rubrica diária: também destes acasos é feita a imprevisível vida de um blogue.

Já mais de mil títulos passaram por este espaço, que regista cerca de 150 mil visualizações por mês. Ao fim de todo este tempo as reacções que me chegaram de editores e autores contam-se pelos dedos das mãos - e sobram dedos, exceptuando naturalmente os casos de colegas de blogue e alguns amigos mais próximos. Não foi certamente para receber agradecimentos que lancei e mantenho esta janela de divulgação quotidiana de alguns dos melhores títulos que vão sendo impressos ou reimpressos por cá. Mas não deixa de ser significativo que na era da comunicação a generalidade dos escritores comunique tão pouco e tão mal, preferindo levantar muralhas em vez de estender pontes. Ao contrário do que sucede noutras latitudes. Nem precisamos de ir mais longe do que Espanha: repare-se na reacção espontânea e calorosa da grande escritora Rosa Montero, que aqui deixou uma merecida palavra de saudação à nossa Ana Vidal.

Se dependesse dos ecos que chegam ou não chegam, há muito que a série do DELITO teria acabado. Mas vai continuar porque faço gosto nisso - receba as reacções que tiver, haja o silêncio que houver. De qualquer modo, passados três anos, julguei ser tempo de deixar aqui este desabafo antes de seguir em frente.

Já fui.

 

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A ler

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.05.16

"Austerity policies not only generate substantial welfare costs due to supply-side channels, they also hurt demand—and thus worsen employment and unemployment. The notion that fiscal consolidations can be expansionary (that is, raise output and employment), in part by raising private sector confidence and investment, has been championed by, among others, Harvard economist Alberto Alesina in the academic world and by former European Central Bank President Jean-Claude Trichet in the policy arena. However, in practice, episodes of fiscal consolidation have been followed, on average, by drops rather than by expansions in output. On average, a consolidation of 1 percent of GDP increases the long-term unemployment rate by 0.6 percentage point and raises by 1.5 percent within five years the Gini measure of income inequality (Ball and others, 2013).­
In sum, the benefits of some policies that are an important part of the neoliberal agenda appear to have been somewhat overplayed. In the case of financial openness, some capital flows, such as foreign direct investment, do appear to confer the benefits claimed for them. But for others, particularly short-term capital flows, the benefits to growth are difficult to reap, whereas the risks, in terms of greater volatility and increased risk of crisis, loom large.­
In the case of fiscal consolidation, the short-run costs in terms of lower output and welfare and higher unemployment have been underplayed, and the desirability for countries with ample fiscal space of simply living with high debt and allowing debt ratios to decline organically through growth is underappreciated." - aqui, na página do FMI, seguindo a notícia do The Guardian, 27 de Maio de 2016

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.05.16

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 A Noite Não é Eterna, de Ana Cristina Silva

Romance

(edição Oficina do Livro, 2016)

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Fora de série (13)

por Fernando Sousa, em 28.05.16

Há uns meses andava eu numas arrumações quando encontrei um pedaço de papel pardo com uma letra esquisita, a lápis, com um nome, Ben Cartwright, e uma morada de que só eram nítidas três letras: NBC. Bingo!! Era a prova definitiva que nalgum ponto do meu passado tinha privado com a família feliz de Nevada! Num segundo fiquei com o papelito na mão e a cabeça no tempo em que ainda havia heróis, não sei se se lembram... Eram os anos 60 e a tv por cá era uma menina. Já tinha deixado o Zorro e entretinha-me aos domingos com o Stingray, o submarino da World Aquanaut Security Patrol, do capitão Troy Tempest. O pedaço de pacote de açúcar amarelo tivera a morada do patriarca grisalho da Ponderosa, o Ben Cartwright, ele próprio, o da Bonanza, a série de David Dortort exibida pela NBC entre 1958 e 1973, para quem tencionava escrever não sei para quê, talvez para lhe contar das noites em que esperava, no café Monserrate, ansioso pelo mapa a arder e o tema musical do guitarrista Tommy Tedesco que me ficou nos ouvidos – a mim e ao Johnny Cash (Ring of Fire: The best of Johnny Cash, 1963).

 

 

Sabia lá eu, aos 10 anos, onde era Nevada e a fazenda desta família de ganadeiros e madeireiros podre de rica, nas margens do Lake Tahoe, ou a poeirenta Virginia City, com rolos de urze nas ruas, do xerife Roy Coffee (Ray Teal), sofria apenas pelo regresso dos quatro magníficos a cavalgarem na minha direcção!! A semana para mim era o espaço entre dois episódios da saga, a primeira do seu género transmitida assim pela tv, pelo menos cá, a preto e branco, só me escapa o dia – tenho ideia de que era aos sábados, alguém aí que me ajude... O epicentro era sempre a casa de Ben, interpretado por Lorne Greene, de onde ele administrava os 2600 quilómetros quadrados de vacas e madeiras de Ponderosa, além da família, e ajudava Coffee contra bandidos e trapaceiros. Viúvo três vezes e com um filho de cada mulher, Adam (Pernell Roberts), Eric, o gordo e ingénuo “Hoss” (Dan Blocker) e Joseph ou “Little Joe” (Michael London), o velho fazendeiro geria tudo com fé, trabalho e se fosse preciso a murro, e como batia bem! De todos de quem eu gostava menos era de Adam, que um dia desapareceu do saloon onde eu ia todas as semanas, soube mais tarde que tinha deixado a história e emigrado, acho que por uma questão de cachet, ouvi dizer, preferindo o bonacheirão e o sempre-apaixonado Joe Pequeno. Ah, e o Hop Sing, o cozinheiro chinês, com quem o caçula passava a vida a meter-se pelos cozinhados e por comer os erres. Às vezes também havia mulheres, que era quando aquilo ficava sem tiros nem graça. Bonanza era uma novidade por combinar ladrões de gado, batoteiros, garimpeiros e um grupo de homens honrados, generosos e bravos, geneticamente bons, americanos por definição portanto, fora do registo de banditismo puro, duelos ou carroças a fugirem de navajos em Monument Valley... Um western de princípios, a harmonia no Oeste, nem de outra forma teria durado o que durou, e passado na nossa RTP. Evidentemente a série foi acompanhada de uma colecção de fotogramas (com coloração manual, uma estreia, distribuída cá pela APR) e eu fui um dos que a começou e não acabou, pois eles saíam repetidos nas saquetas e a semanada era curta, pelo que trocava os que tinha a mais pelos que não tinha ou ganhava-os aos outros nas escadinhas do Sintra-Cinema na “chapadinha”: dando um golpe seco com a mão em concha sobre cromos que seriam meus se o vácuo os virasse de rosto. Foi assim que uma vez ganhei um cromo do Adam e noutra perdi um do “Joe”... Depois a Bonanza acabou, Lorne Greene entrou em mais trinta dos seus 65 filmes, Michael Landon fez Uma Casa da Pradaria (1974) e Um Anjo na Terra (1984), onde interpreta um papel ridículo, cresci, vim a descobrir que o Nevada era também o estado da misteriosa e muito restrita Área 51, que ainda deve ser, os heróis foram-se ao entardecer e eu fiquei desse tempo com um pedaço de papel pardo a dizer Ben Cartwright e três letras, NBC, prova de que algures no meu passado privei mesmo com a família de Ponderosa. 

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RH Music Box (118)

por Rui Herbon, em 28.05.16

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Autor:  Prince

 

Álbum: Sign 'O' The Times (1987)

 

Em escuta: Adore

 

 

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Fora de série (12)

por João Campos, em 27.05.16

É muito provável que os nossos filhos e netos olhem um dia para os filmes e para as séries dos anos 80 e pensem: aquela gente era louca. Olhando nós para trás, não admira: perante o mundo cada vez mais entricheirado, mais intolerante, mais politicamente correcto e mais mal humorado, o atrevimento e a irreverência daquela década não tão distante quanto isso parece quase remetê-la para os confins longínquos da História. Não tenhamos ilusões: muitas produções dos eighties não chegariam hoje à pré-produção, pela certeza de que iriam ferir susceptibilidades num mundo onde o humor mais atrevido se tornou numa espécie em vias de extinção.

 

A série que vos trago hoje não teria qualquer hipótese de passar pelo politicamente correcto deste ano da graça, mas com muito pouca graça, de 2016: Sledge Hammer!. Numa época em um espirro vai ofender um ou outro grupo, as tropelias do polícia violento, misógino, e machista interpretado de forma inspirada por David Rasche iriam fazer a Internet - o palco de todas as indignações contemporâneas - esgotar o stock de forquilhas e archotes virtuais. Pouco importaria que a série fosse uma sátira especialmente bem conseguida ao Dirty Harry de Clint Eastwood e à tradição de bad cop dos anos 70. Pouco importaria que o registo propositadamente exagerado dos episósios em momento algum permitisse dar alguma seriedade às tiradas do inspector Sledge Hammer. Para as brigadas da indignação selectiva, nada daquilo seria admissível.

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Para mim e para o meu melhor amigo de infância, Sledge Hammer! não só era admissível como era uma delícia. É claro que não compreendíamos a sátira da série (nem teríamos as referências para tal), mas nem por isso deixávamos de nos divertir imenso com aquele humor deadpan, a ver Sledge Hammer desenrascar-se apesar da sua inusitada incompetência, a causar enxaquecas ao inesquecível Capitão Trunk e a safar-se de sarilhos diversos graças à determinação da sua segunda parceira Dori Doreau (a primeira, como se sabe, era a Magnum de calibre .44 pela qual Sledge Hammer seria capaz de colocar as mãos no fogo).

 

À distância destes anos, já não me consigo recordar qual era a minha idade exacta quando descobri Sledge Hammer!, ou em que canal a série passou (provavelmente na RTP, mas talvez já tenha sido na SIC daqueles primeiros e revolucionários anos). Mas lembro-me de vê-la, e da marca indelével que deixou: as imagens perduraram na minha memória, mesmo quando durante anos tentei, sem sucesso, recordar-me do título daquela série com o polícia maluco que falava com a Magnum. Enfim, maravilhas da Internet: o título foi recuperado e a série foi revista. Continua exagerada, atrevida e muito, muito divertida. E, ironia das ironias: ainda que seja profundamente filha do seu tempo e impossível de ser concebida noutra época que não nos anos 80, talvez a sua sátira seja mais actual e pertinente hoje, trinta anos volvidos, neste novo e estranho milénio.

 

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Pintores sem prazo de validade

por Pedro Correia, em 27.05.16

 

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Costureiras, quadro de Querubim Lapa (1949)

 

"Leva muito tempo tornarmo-nos jovens"

Picasso

 

Sempre me questionei sobre o motivo da longevidade dos pintores, muito superior à de escritores e músicos, e apenas equiparável à dos arquitectos. A chave dessa incógnita pode estar na frase de Picasso que cito em epígrafe: o pintor tem uma relação única não só com o espaço mas também com o tempo.

Aí estão, para demonstrar esta tese, Georgia O'Keeffe (que morreu aos 98 anos), Marc Chagall (97 anos), Maria Keil (97 anos), Oskar Kokoschka (94 anos), Abel Manta (93 anos), Júlio Resende (93 anos), Nadir Afonso (93 anos), Alfredo Volpi (92 anos), Willem de Kooning (92 anos), Ticiano (91 anos), Pablo Picasso (91 anos), Andrew Wyeth (91 anos), Joan Miró (90 anos), Victor Vasarely (90 anos), Giorgio de Chirico (90 anos), Victor Pasmore (89 anos), Miguel Ângelo (88 anos), Emil Nolde (88 anos), Dórdio Gomes (88 anos), Lucian Freud (88 anos), Fernando Lanhas (88 anos), Antoni Tàpies (88 anos), Árpád Szenes (87 anos), Henrique Medina (87 anos), Emilio Vedova (87 anos), Frans Hals (86 anos), Jean-Auguste Ingres (86 anos), Claude Monet (86 anos), Carybé (86 anos), Carlos Calvet (86 anos), Max Ernst (85 anos), Eduardo Viana (85 anos), Henri Matisse (84 anos), Edward Hopper (84 anos), Norman Rockwell (84 anos), Sarah Afonso (84 anos), Salvador Dalí (84 anos), Thomaz de Mello (84 anos), Edgar Degas (83 anos), Jean Dubuffet (83 anos), Jean Hélion (83 anos), Maria Helena Vieira da Silva (83 anos), Francesco Albani (82 anos), Francisco de Goya (82 anos), Carlos Botelho (82 anos), Francis Bacon (82 anos), George Stubbs (81 anos), Benjamin West (81 anos), Veloso Salgado (81 anos), Georges Braque (81 anos), Marcel Duchamp (81 anos), Rolando Sá Nogueira (81 anos), Donatello (80 anos), Francesco Guardi (80 anos), Jean-Baptiste Chardin (80 anos), Edvard Munch (80 anos), Roman Opalka (80 anos), Pierre Bonnard (79 anos), Jean-Baptiste Corot (78 anos), Pierre-Auguste Renoir (78 anos), Wassily Kadinsky (78 anos), José Malhoa (78 anos), Jacques-Louis David (77 anos) e Almada Negreiros (77 anos).
Ou, entre os vivos, Cruzeiro Seixas (95 anos), Albert Bertelsen (94 anos), Júlio Pomar (90 anos), Leon Kossoff (89 anos), Manuel Cargaleiro (89 anos), João Abel Manta (87 anos), Arnulf Rainer (86 anos), Jasper Johns (86 anos), Nikias Skapinakis (85 anos) e Frank Auerbach (85 anos).

 

Lembrei-me disto há dias, ao saber que o grande Querubim Lapa se despediu de nós, com 90 anos, para cruzar a noite rumo à eternidade. Também ele demorou a tornar-se jovem.

Ei-lo imune enfim à erosão do tempo. Com a idade exacta da sua arte.

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E esta vontade de jogar bowling?

por Rui Rocha, em 27.05.16

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Extremismos

por Diogo Noivo, em 27.05.16

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Nas últimas noites, o bairro de Gràcia, em Barcelona, esteve a ferro e fogo. Um grupo de okupas tomou as ruas de assalto, deixando um rasto de destruição e os moradores aterrorizados. Montras de lojas e de sucursais bancárias, supermercados, contentores do lixo, scooters, carros, nada escapou à fúria. A presença de jornalistas em directo do local, também insultados e agredidos, permitiu ouvir as vozes de protesto. “A polícia é terrorista” é das poucas frases que posso reproduzir aqui. O vocabulário era desinibido e pouco exemplar.

 

A razão para tanta destruição, perdão, indignação é inaudita: deixaram de lhes pagar a renda. É verdade, eu também sou do tempo em que os okupas eram uns tipos destemidos que ocupavam imóveis contra a vontade do proprietário, contra as normas da lei, contra as decisões judiciais e contra a polícia. Enfim, sou do tempo em que usar bens pagos era, para os okupas, um vício burguês, uma contradição nos termos. Ser okupa num imóvel que alguém paga era como ser partidário da castidade e decidir viver num prostíbulo.

 

Os antecedentes desta história contam-se em três penadas. O imóvel, uma antiga dependência bancária, foi ocupado em 2011. Dois anos mais tarde, o proprietário, a Catalunya Caixa, fez chegar aos okupas a ordem de despejo. Os okupas protestaram para reivindicar o seu direito a um tecto e a uma vida digna, ou seja, saíram à rua para destruir propriedade pública e privada, para além de expiar frustrações na polícia. Perante a violência e o desrespeito pela lei, o então presidente da câmara municipal de Barcelona, Xavier Trias, decidiu que era chegado o momento de tomar uma decisão. Levantou a cabeça, encheu-se de coragem, assumiu os poderes públicos nele investidos e começou a pagar-lhes a renda. Aqui chegados, não sei se me devo revoltar com os okupas ou se devo aplaudi-los. O município de Barcelona passou então a desembolsar 5.500 € com cadência mensal. O maquiavelismo primário (e alguma benevolência com Trias) poderia ver nesta decisão do Executivo municipal uma estratégia audaz para subverter a identidade okupa. Acontece que a ideologia e os valores okupas são abnegados e irrenunciáveis, mas não há ideias no mundo que se comparem ao conforto de uma casa paga por terceiros.

 

Por razões que os okupas não entendem, a actual presidente de câmara, Alda Colau, considera que a renda de 5.500€ é danosa para o erário público. Por isso, mandou cancelar a transferência mensal. Note-se que não é uma posição de força. A alcaldesa de Barcelona, eleita por uma plataforma local do partido Podemos, distancia-se da violência, mas diz compreender os “manifestantes”.

 

E aqui termina a história, certo? Errado. A CUP (Candidatura d’Unitat Popular), partido anti-sistema de esquerda radical que sustenta o Executivo camarário, é um forte apoiante da causa okupa e, perante a decisão de Colau, vai dizendo entre dentes que o governo municipal pode cair. Abreviando, Barcelona pode ficar sem Executivo municipal porque um grupo de okupas exige que lhes paguem a renda. Mas ainda bem que a Áustria não elegeu um perigoso extremista.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.05.16

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 Outro Ulisses Regressa a Casa, de Luís Filipe Castro Mendes

Poesia

(edição Assírio & Alvim, 2016)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 27.05.16

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Aoibhín Garrihy

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 27.05.16

Ao Um dia... ainda escrevo um livro.

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RH Music Box (117)

por Rui Herbon, em 27.05.16

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Autor:  Primal Scream

 

Álbum: Dixie-Narco EP (1992)

 

Em escuta: Stone My Soul

 

 

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"Está vento, assim custa..."

por Isabel Mouzinho, em 26.05.16

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Todas as raparigas da minha geração têm a Anita como uma referência da sua infância. Pelo "Observador", soube que estes livros, que tanto contribuíram para desenvolver o nosso gosto pela leitura, comemoraram há dois dias 50 anos de publicação em Portugal.

Em minha casa não chegámos a ter a colecção inteira, mas havia aqueles que não podiam faltar: A "Anita dona de casa", desde logo, que era o primeiro volume, mas também a "Anita Mamã", a "Anita no ballet" ou a "Anita vai às compras".

Lembro-me de ir à Feira do Livro todos os anos, quando ela era ainda na Avenida da Liberdade, e de me deter longamente em bicos de pés junto da barraca amarela da Verbo Editora, a escolher, com critério e minúcia, um novo título (só podíamos comprar um). Lembro-me, também, de frases inteiras de alguns livros, que repetia com a minha irmã nas mais diversas circunstâncias, e que ainda hoje são uma espécie de "private joke" entre nós.

Muitos vieram depois considerar que o conteúdo destas histórias era demasiado conservador e veiculava uma visão da vida um pouco machista, o que na verdade me parece um exagero. Para nós, as histórias da Anita eram a mistura perfeita de ilusão e realidade quotidiana. Isso explica, talvez, o seu sucesso, que se prolongou por várias décadas. Estes são os primeiros livros que me lembro de ter lido. E relido muitas vezes, durante anos, até quase os saber de cor. 

Só quando já depois dos vinte anos deixámos a grande casa familiar da Conde Valbom é que eles desapareceram fisicamente da(s) nossa(s) casa(s). Acho que não guardei nenhum, a não ser na memória, onde ainda se conservam todos, intactos na sua pureza e simplicidade pueril, de onde às vezes regressam por uma palavra, uma frase, um desenho, e de onde espero que não desapareçam nunca por uma daquelas fatalidades que atiram tudo o que vivemos para o vazio do esquecimento.

Recentemente mudaram-lhe o nome e, sob nova editora, rebaptizaram-na, chamando-lhe Martine para a aproximar do original belga.

Mas para mim e para todas as que, como eu, cresceram com ela, será sempre a Anita, companheira de brincadeiras, descobertas, aventuras.

E hoje, que (re)começa a Feira  - agora no Parque Eduardo VII, onde ficará cerca de duas semanas -, lá voltarei uma vez mais, já não à procura de mais um livro da Anita, mas de outras leituras que, espero, me farão,  de igual modo, um pouco mais feliz. 

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Pela não vulgarização das reticências

por Marta Spínola, em 26.05.16

Li ali, não interessa onde (foi no Facebook, pronto), uma pessoa defender o seu discurso pontuado exclusivamente por reticências com o argumento "é.. Para fazer... Pausas... Na conversa..."

Vamos lá a ver uma coisa: a gramática prevê pausas, chamam-se vírgulas e pontos finais. As reticências, para quem sabe ler, deixam uma ideia no ar, ou arrastam o discurso. Que ideia é esta de que são pausas? Se... Eu... Escrever um post... Assim... Isto não irrita ler?

De repente, há esta convicção de que pontuar tudo e um par de botas com três pontinhos está certo. Conta os três pontos de exclamação já, e bem, indignação. E este abuso das reticências? Ridículo, no mínimo.

Eu assumo que nem sempre ponho uma vírgula no lugar certo, se calhar faço parágrafos que podiam estar num só, mas... Esta... Coisa... Aborrecida... Das reticências... A... Fazer... Uma frase... Não, tenham paciência, mas as reticências eu sei bem quando usar.

As reticências são maravilhosas para a ironia e o sarcasmo, por exemplo. São óptimas para um flirtzinho ou uma picardia. Não as banalizem, se faz favor.

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Já li o livro e vi o filme (126)

por Pedro Correia, em 26.05.16

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NOVO TESTAMENTO

Filme: Jesus de Nazaré (1977)

Realizador: Franco Zeffirelli

Mini-série televisiva de produção italiana e britânica que obteve sucesso redobrado ao ser exibida nos cinemas, tornando-se um clássico da Páscoa. Fiel aos Evangelhos e com um vasto elenco: Michael Powell (Jesus), Olivia Hussey (Maria), Laurence Olivier, Claudia Cardinale, Rod Steiger, Fernando Rey, Anne Bancroft, James Mason, Anthony Quinn, Peter Ustinov, Ernest Borgnine, Christopher Plummer.

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Regressos

por Ana Vidal, em 26.05.16

Há dias em que tudo nos nos puxa inexoravelmente para o passado. Dias que nos obrigam a olhar para trás e a reviver momentos longínquos, antes que a voragem do tempo os leve para sempre da nossa memória. Que nos devolvem imagens de muros caiados, cheiros e sabores há muito perdidos, sons de passos em soalhos encerados ou lajes de pedra, alamedas de cedros e palmeiras onde o sol se entretém a desenhar sombras chinesas, povoando de fantasia os misteriosos caminhos da infância.

Ontem foi um desses dias. Sem saber como nem porquê, no regresso de Lisboa para Sintra fiz um desvio e fui procurar uma velha quinta, vendida há anos, onde passei os mais saudosos Setembros da minha vida. Foi um erro. Para começar, custou-me encontrar o lugar, porque já nada existe que seja reconhecível: os arredores passaram de muros de pedra cheios de musgo e estradas de terra batida a um emaranhado de ruas asfaltadas entre prédios altos, todos iguais; a antiga casa da quinta, desenhada por Raul Lino, foi substituída por inúmeras moradias geminadas pintadas de um amarelo pífio; todas as árvores e plantas morreram ou foram arrancadas; o portão verde de ferro rendilhado deu lugar a uma enorme placa metálica que obedece ao abre-te sésamo de um qualquer comando electrónico; o velho tanque, a que gostávamos de chamar piscina e fazia as nossa delícias, desapareceu sem deixar rasto. Há uma grade alta que rodeia tudo, sem ter sequer uma sebe a suavizar-lhe a rigidez ameaçadora.

É um condomínio de luxo, minha senhora, disse-me uma mulher a quem fiz perguntas cujas respostas não queria ouvir. Luxo? A mim pareceu-me uma triste gaiola partilhada.

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A mesquita de Medina.

por Luís Menezes Leitão, em 26.05.16

Nada tenho contra a construção de mesquitas em Lisboa. Há uma mesquita que funciona ao pé do meu escritório e tem sido absolutamente exemplar em termos de convivência pacífica com os moradores da zona. Por isso até acho muito bem que se construa uma nova mesquita na Mouraria, um lugar com grandes raízes de presença muçulmana. O que já não acho nada bem é que o Presidente da Câmara queira construir a mesquita em questão à custa dos impostos e taxas que sistematicamente anda a extorquir aos lisboetas. Num Estado laico não há qualquer razão para que os dinheiros públicos financiem a construção de templos, seja qual for a religião que neles seja praticada. E considero especialmente grave que um proprietário esteja a ser expropriado dos seus bens, devido a esta intenção do Presidente da Câmara, Fernando Medina, que pelos vistos quer lançar uma nova Mesquita de Medina, agora em Lisboa. Qual é o interesse público que pode estar subjacente a esta expropriação? E dizem que isto foi aprovado por todos os partidos na Câmara? Será que em Portugal os cidadãos não têm um único partido que os defenda?

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Fora de série (11)

por Rui Rocha, em 26.05.16

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Do fundo da memória, desse mesmo tempo em que esperávamos o início da transmissão  televisiva a mais de meia tarde olhando para a mira técnica, em que o indicativo da Eurovisão prenunciava quase sempre os Jogos sem Fronteiras (quando não calhava tratar-se de uma transmissão da filarmónica de Viena para profunda decepção deste que aqui escreve), em que Vasco Granja pronunciava o nome de Tex Avery e os olhos já brilhavam, recupero vagas imagens de loucas correrias de hordas de guerreiros, de bandeiras ao vento, de artes marciais improváveis, de códigos de honra inquebráveis apesar das maiores vilanias. Ling Chung era um herói. E Ling Chung era eu quando segurava um ramo que se assemelhava à sua espada para correr pelo quintal da avó Palmira com o cabelo ao vento (e meu Deus, como em Espinho fazia vento) em perseguição do ignóbil Cau-Chi, ou lá como se chamava. E invariavelmente o Cau perdia, dobrado o cobarde, ali de joelhos onde o quintal acabava. Perdia o Cau e perdiam os morangueiros que o avô Adriano tinha plantado que nisto de perseguições a tiranos não podia o herói afastar-se do seu caminho da justiça cá por coisa de meia-dúzia de morangos. Claro que até os heróis cometem erros. Ling Chung cometia-os na série, mas nunca desistia. E eu, embora menos, também cometi alguns quando no Sisto, Silvalde, Espinho, Distrito de Aveiro, nos anos 70 do século XX, entrava na pele do justiceiro que vivera na dinastia Song. Ou não terei cometido um erro naquela tarde de Verão em que, empunhando a espada-ramos, zurzindo-a em todas as direcções, defendendo os imaginários companheiros de Ling Chung da injustiça, enfiei tamanha bordoada no Monteiro que andava a sulfatar as fruteiras que o homem perdeu o controlo da escada e aterrou de bruços no meio das couves-pencas? Cometi pois. E nestes casos há que saber recuar quando a batalha está perdida para evitar maiores danos. Retirei a todo o vapor, correndo mais do que Ling Chung correra em qualquer episódio, enquanto o Monteiro Cau-Chi me perseguia, com metade da cara azul do sulfato e a outra metade vermelha do impacto da aterragem. E só parei na cozinha, recuado já em linhas defensivas, bem atrás da saia da minha mãe. Que embora não aparecesse na série, o Ling Chung também havia de ter mãe que devia gostar muito dele. E pronto. Para os que não viram ou já não se lembram, se não me engano, o Ling Chung era aquele que está ali em cima de amarelo. E digo se não me engano porque já não me lembro muito bem dele, embora me lembre como se fosse hoje da cara do Monteiro Cau-Chi  com o nariz espetado entre as pencas ou, visto de outro ângulo, com as pencas espetadas no nariz.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.05.16

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 A Papisa Joana, de Emmanuel Rhoides, segundo o texto de Alfred Jarry

Tradução e apresentação de Aníbal Fernandes

Romance

(edição Sistema Solar, 2016)

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Para reflectir neste feriado

por Pedro Correia, em 26.05.16

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Procissão do Corpus Christi em Lisboa, com a presença do Rei D. Manuel II (1908)

 

É o dia certo para aplaudir outra medida do Governo. Esta tem uma importância acrescida no plano simbólico, o que a torna ainda mais digna de realce. E - tal como a do Simplex 2016, que saudei aqui - também tem um impacto directo na vida dos portugueses. Refiro-me à reposição das quatro datas do calendário laboral que haviam sido retiradas em 2012 da lista dos feriados nacionais - sem uma justificação plausível, sem resultar de imposição dos credores externos que tutelavam as nossas finanças públicas, sem sequer um estudo de impacto orçamental que as tornasse credíveis no estrito plano contabilístico. Foi um erro lapidar do anterior Executivo: nos momentos de crise, há que fazer um apelo reforçado aos valores comunitários que estes feriados de algum modo celebram.  "Uma coisa completamente tonta", como na altura salientou Marcelo Rebelo de Sousa.

Sendo justo e acertado o aplauso a António Costa por ter anunciado de imediato o regresso ao bom senso neste domínio, não pode passar sem um severo reparo crítico a atitude pusilânime da hierarquia católica, que há quatro anos acedeu sem um sussurro de protesto à supressão do Dia do Corpo de Deus e do Dia de Todos os Santos - datas solenes do calendário litúrgico e com longa tradição de prática votiva entre nós - da lista de feriados oficiais.

Assistia plena razão à Igreja, no plano institucional e moral, para reclamar contra o banimento oficial das duas festas cristãs que forçou até uma troca de documentos diplomáticos entre Lisboa e o Vaticano por incluir matéria contida na Concordata, tratado internacional celebrado entre o Estado português e a Santa Sé. Mas optou pelo silêncio, como se lhe fosse indiferente a opinião da cidadania católica e não entendesse o grave precedente que aquela decisão governamental abria no equilíbrio sempre delicado entre um Estado aconfessional e uma sociedade com matriz religiosa.

Esse perturbante silêncio de então contrasta de forma chocante com o alarido actual em torno das previstas alterações ao modelo dos contratos de associação celebrados entre o Ministério da Educação e algumas dezenas de estabelecimentos escolares, parte dos quais geridos pela Igreja. Apetece perguntar como Jesus no Evangelho: "O que vale mais? O ouro ou o santuário que tornou o ouro sagrado?" (Mateus, 23-17)

Matéria que justifica meditação neste dia que volta a ser feriado.

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Feira do Livro de Lisboa: sessões de autógrafos

por Inês Pedrosa, em 26.05.16

 

26 DE MAIO

Ana Maria Magalhães & Isabel Alçada (16 h); Inês Pedrosa (16.30); Maria Manuel Viana (16.30); Patrícia Müller (16 h).

 

27 DE MAIO

Helena Sacadura Cabral (18 h); Maria Manuel Viana (17 h).

 

28 DE MAIO

Ana Maria Magalhães & Isabel Alçada (16 h); Cristina Carvalho (16 h); Cristina Norton (17 h); Deana Barroqueiro (16 h); Gabriela Ruivo Trindade (16 h); Inês Pedrosa (17h); Maria Manuel Viana (17 h); Patrícia Reis (17 h); Rita Ferro (17 h); Rita Taborda Duarte (16 h).

 

29 DE MAIO

Alice Vieira (16.30); Ana Margarida de Carvalho (16 h); Ana Maria Magalhães & Isabel Alçada (16 h); Ana Zanatti(15.30); Helena Sacadura Cabral (15 h); Joana Bértholo (16 h); Maria João Lopo de Carvalho (17 h); Maria Teresa Horta ( 16.30); Patrícia Portela (16 h).

 

4 DE JUNHO

Ana Margarida de Carvalho (16 h); Ana Maria Magalhães & Isabel Alçada (16 h); Deana Barroqueiro (16 h); Filipa Leal (16 h); Helena Sacadura Cabral (17 h); Inês Pedrosa (16.30); Isabel Rio Novo (16 h); Julieta Monginho (16 h); Lídia Jorge (16.30); Mafalda Moutinho (16 h); Margarida Fonseca Santos (17 h); Maria João Lopo de Carvalho (16.30); Maria Manuel Viana (16.30); Rosário Alçada Araújo (17 h).

 

5 DE JUNHO

Ana Cristina Silva (16 h); Ana Maria Magalhães & Isabel Alçada (16 h); Ana Zanatti (15.30); Isabel Rio Novo (16 h); Mafalda Moutinho (16 h); Maria Manuel Viana (16.30); Maria Teresa Horta (16.30); Patrícia Müller (16 h); Patrícia Reis (16.30); Rita Taborda Duarte (16 h); Teolinda Gersão (15.30).

 

10 DE JUNHO

Alice Vieira (16.30); Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada (16.30); Inês Pedrosa (16.30); Isabel Zambujal (17 h); Joana Bértholo (16.30); Rita Ferro (16.30).

 

11 DE JUNHO

Ana Maria Magalhães & Isabel Alçada (16 h); Dorothy Koomson (17 h); Helena Vasconcelos (17 h); Luísa Costa Gomes (17 h); Mafalda Moutinho (16 h); Patrícia Portela (16 h); Tatiana Salem-Levy (15 h).

 

12 DE JUNHO

Ana Maria Magalhães & Isabel Alçada (16 h); Dorothy Koomson (17 h); Helena Sacadura Cabral (15 h); Inês Pedrosa (16.30); Rita Ferro (16.30); Teolinda Gersão (15.30).

 

13 DE JUNHO

Alice Vieira (16.30); Ana Maria Magalhães & Isabel Alçada (16 h); Dorothy Koomson (17 h).

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RH Music Box (116)

por Rui Herbon, em 26.05.16

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Autor:  Praxis

 

Álbum: Transmutation - Mutatis Mutandis (1992)

 

Em escuta: Animal Behavior

 

 

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Pesos e medidas

por Ana Vidal, em 25.05.16

"Não gosto de fanatismos, porque nos cegam. Quem defendeu como nós a total liberdade da imprensa e pintou na cara a bandeira francesa quando surgiu a tragédia do Charlie Hebdo, porque se indigna agora ao rubro com um anódino cartaz em que Mário Nogueira vestido de Estaline puxa os cordelinhos a um ME marioneta? Porque o cartaz é da JSD? Porque Mário Nogueira é sacrossanto, intocável e sagrado? Porque é proibido fazer humor com políticos e com sindicatos? Afinal não queremos liberdade de imprensa? E é proibido rir?"

 

(Teolinda Gersão, na sua página do facebook)

 

A verdade é que muita gente ainda não integrou bem o conceito de liberdade de expressão, por isso lida mal com ela quando não é praticada pelos "seus". E quando a esta se associa o humor, tudo piora ainda mais.

 

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