Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Março

por Isabel Mouzinho, em 29.02.16

Quando chega Março, tudo muda. Março sabe-me sempre a princípio. Escreve-se com M de Mouzinho e de Mãe. E, também por isso, Março é meu. É o mês que me viu nascer e é o mês da Primavera. É azul, como o céu e o mar. Traz consigo muita luz, cor e festa. E a serenidade da brisa da tarde, na claridade que mansamente se prolonga, que cresce um pouco mais dia após dia, encurtando a noite.

É o esplendor da natureza a renascer em efusiva e contagiante ostentação. São perfumes de flores e cheiros frescos e intensos, sentidos despertos que facilmente se deixam inebriar, pele que se destapa, vontade de passear ao sol.

E é o som do canto dos pássaros, o melro preto de bico muito amarelo que me visita todas as manhãs, e os chilreios na minha varanda ao amanhecer, para anunciar o nascimento de mais um dia.

Março convida ao amor e à ousadia, revitaliza a alma e traz boa disposição em doses reforçadas, a cada novo despertar. Em Março volto sempre a nascer, em alegria, força, energia e vontade. Porque, tal como na canção, é  promessa de vida no meu coração.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

De blogue em blogue

por Pedro Correia, em 29.02.16

 

O Insurgente de parabéns a dobrar. Pelos 11 anos de dinâmica existência e pelo novo grafismo, prenda de aniversário oferecida aos leitores pelos responsáveis deste que é provavelmente o mais influente blogue político português.

 

Parabéns também ao Blasfémias, um dos blogues cuja leitura diária não dispenso. Já lá vão 12 anos (ou apenas três, se respeitarmos o calendário bissexto). Que contem muitos mais. E sempre em boa forma.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Sim, Senhor Ministro (6)

por Pedro Correia, em 29.02.16

article-0-031009E80000044D-711_634x400[1].jpg

 

Ministro dos Assuntos Administrativos, Jim Hacker - Dá-me uma resposta directa a uma pergunta directa?

Sir Humphrey Appleby - Com todo o prazer, desde que não me peça que caia em generalizações grosseiras e simplificações excessivas, como sim ou não..

Ministro - Isso é um sim?

Sir Humphrey - ... Sim.

Ministro - Cá vai então a pergunta directa.

Sir Humphrey - Pensei que já a tinha feito.

Ministro - Vai apoiar ou não a minha tese de que existem funcionários públicos em excesso?

Sir Humphrey - Se me pede uma resposta directa direi que, tanto quanto é possível verificar, respondendo por ordem, e tomando a média dos departamentos, talvez, em última análise, seja provavelmente verdade dizer que, em termos gerais, se descobriria, sem forçar, que provavelmente nenhum dos aspectos em consideração tem peso excessivo. Tanto quanto se pode presumir, nesta fase.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Já li o livro e vi o filme (75)

por Pedro Correia, em 29.02.16

imagem[1].jpg

tumblr_lfr2jchMFV1qzzh6g[1].jpg

 

O ROUBO NO HIPÓDROMO (1955)

Autor: Lionel White

Realizador: Stanley Kubrick (1956)

Em início de carreira, Kubrick assinou um fulgurante filme negro (The Killing, no original; Um Roubo no Hipódromo entre nós). Muito superior à mediana novela em que se inspirou, surgida como nº 210 da Colecção Vampiro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sexo, mentiras e 'selfies'

por Pedro Correia, em 29.02.16

jeanne-moreau-1[1].jpg

 Jeanne Moreau: «sexualidade enigmática e brilhante»

 

«Sinto-me muito feliz por ter feito parte de uma geração que assistiu à revolução do cinema europeu com estrelas como Jeanne Moreau e Catherine Deneuve, que carregavam uma sexualidade enigmática e brilhante, tão superiores ao período americano de Doris Day ou Debbie Reynolds. Fui confrontada com um olhar sofisticado sobre a sexualidade e sobre a sensualidade. Tudo isso desapareceu. Os filmes de hoje já não mostram sexo com algum tipo de mistério e química. As mulheres vestem-se como babydolls e Barbies. A imaginação sexual perdeu-se, morreu mesmo, pelo menos na América. Por alguma razão hoje em dia o sexo está em todo o lado mas tornou-se fastidioso. Acho que o útlimo filme com verdadeiro potencial sexual foi Instinto Fatal, com a Sharon Stone, em 1992.»

 

angelina-jolie[1].jpg

 Angelina Jolie «com os ossos todos à mostra»

 

«Olhem para a Angelina Jolie hoje. É uma chatice. Quando começou a carreira parecia que iria ser uma grande figura do ponto de vista da cultura popular, fez grandes papéis, era dinâmica, sexy e fabulosa. O que lhe aconteceu? Está cheia dela própria com esta carreira humanitária. Parece uma anoréctica, com os ossos todos à mostra e sem qualquer potência sexual. Deixou de ser a grande estrela sexy que poderia ter ido longe. É uma tragédia. É o espelho do que aconteceu à nossa cultura.»

 

taylor-swift-2014-sarah-barlow-billboard-650[1].jp

 Taylor Swift: «uma espécie de Barbie»

 

«Desprezo completamente Taylor Swift. É uma fraude, uma espécie de Barbie, mas muito fashion. Se não fosse assim não tinha toda a prole de raparigas atrás ou contra ela. Só ganhou o Grammy porque o disco foi um sucesso comercial. O que ela faz é música de pastilha elástica, doces para miúdas adolescentes.»

 

Selfie-HG[1].jpg

  «Esta cultura da selfie é aberrante»

 

«Os jovens estão interessados em redes sociais. Para mim, o Facebook e o Twitter, coisas que não utilizo, são os grandes culpados da situação a que chegámos. Os jovens só comunicam por mensagens. Felizmente há o Instagram, onde se podem expressar em termos artísticos. Mas esta cultura da selfie é aberrante. (...) E o mais grave é que todas as fotografias que se tiram, mesmo as que possam ter valor artístico, são mostradas apenas aos amigos. Não há a noção de que um artista, que pode começar pelo Instagram, se dirija ao grande público, que faça verdadeiras declarações públicas daquilo que tem para dizer. Considero que a cultura ocidental está num nível muito baixo, é um deserto, é estéril.»

 

Camille Paglia, numa excelente entrevista à revista E, do Expresso, conduzida por Alexandra Carita. Uma das melhores entrevistas que tenho lido na imprensa portuguesa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.02.16

84015c_00fc2232f39442f285160ffd29537ea1[3].jpg

 

Os Dias Portugueses de Isabel II, de António Simões Brás

Investigação

(edição Parsifal, 2016)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Blogue da semana

por Joana Nave, em 29.02.16

Não tenho tido muito tempo para leituras, nem para a escrita, mas tenho visto uns vídeos no youtube, naqueles 15 minutos a caminhar para as 8 da manhã em que, com olhos ensonados, como as minhas papas de aveia e tento abstrair-me do longo dia que tenho pela frente. Os vídeos não me obrigam a um grande esforço de concentração, vejo-os quase sem ter de ligar o cérebro, o que naquela hora matinal é fundamental para começar o dia com relativa tranquilidade. Claro que por trás dos vídeos estão blogues, blogues que me inspiram e que me distraem dos compromissos e obrigações, blogues que ganham prémios na sua área de especialização e que me enchem de orgulho por serem bons blogues, escritos em Português.

Assim, deixo-vos a minha sugestão para blogue da semana: Made by Choices.

Autoria e outros dados (tags, etc)

RH Music Box (29)

por Rui Herbon, em 29.02.16

81QPEFMHbXL._SL1308_.jpg

 

  

Autor: José Prates

 

Álbum: Tam... Tam... Tam...! (1958)

 

Em escuta: Nanã Imborô

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 28.02.16

«Não consigo perceber como é que alguém como o [Bernie] Sanders que vive há décadas no (e do) establishment americano consegue dizer que é o candidato anti-establishment. Sem o establishment ele não era NADA.
O único que vejo nesses moldes é, para o bem ou para o mal, o [Donald] Trump, apesar de me dar calafrios a remota ideia de ele ser presidente. Contudo, já se viu que esteja quem estiver como POTUS, a política destes pouco difere, só os europeus é que acham que há enormes diferenças, externamente, não há.

Adiante.
Esta geração de "apoiantes" do Sanders (e de certa forma do Trump - mas estes muito menos messiânicos) é a geração mais preguiçosa das ultimas décadas - quase uma reinvenção dos babyboomers mas sem as drogas, sem toda "a" fase de descoberta e com 100000000x mais informação disponível. Lá está, têm toda a informação possível imaginária, todos os "luxos" associados a esta, à comunicação, aos meios de comunicação e de transportes, mas no entanto não entendem a realidade, alias odeiam a realidade ou odeiam ter de viver com ela. Não a querem compreender, tudo é "revoltante", tudo é "escândalo", tudo é "indignação", tudo é conspiração, tudo é um problema, até respirar é um drama.

Assim, com esta revolta toda digna do primeiro mundo, esta geração prefere apoiar messianismos, gente que pinte os inimigos por si, que aponte os seus e os erros dos outros (uma espécie de white man burden millennial edition) e que volte a invocar e a delinear estratégias e ideias que sabemos que são e estão erradas.

Um tipo ouve-os na academia, nos fóruns, nos reddits, e são tão previsíveis que chega a chocar. A contradição é fácil de detectar e é isso que os denuncia quanto ao que refiro em cima, basta mudar ligeiramente os intervenientes e toda a argumentação cai por terra.»

 

Do nosso leitor T. A propósito deste texto do Luís Naves.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (283)

por José António Abreu, em 28.02.16

Blogue_paisagem26_Aveiro2016.jpg

Ria de Aveiro, 2016.

Autoria e outros dados (tags, etc)

erro.png

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sim, Senhor Ministro (5)

por Pedro Correia, em 28.02.16

article-0-031009E80000044D-711_634x400[1].jpg

 

Sir Humphrey Appleby - Bernard, você sabe muito bem que tem de haver uma forma de medir o êxito da administração pública. A British Leyland mede o êxito pela dimensão dos lucros ou, melhor dizendo, mede o falhanço pela dimensão dos prejuízos. Mas nós, na função pública, não temos lucros nem prejuízos. Temos de medir o êxito pela dimensão do nosso pessoal e pelo volume do nosso orçamento. Um organismo grande tem mais êxito do que um pequeno.

Bernard Woolley - Isso quer dizer que o responsável pela Autoridade Regional do Nordeste agiu mal ao economizar tanto?

Sir Humphrey - Claro que sim. Ninguém lhe pediu para fazer isso. Já pensou se todos fizéssemos o mesmo? Se todos começássemos irresponsavelmente a poupar dinheiro público?

Bernard - Mas é isso que o ministro quer...

Sir Humphrey - Os ministros vêm e vão. Duram em média menos de onze meses em funções. O nosso dever é ajudar o ministro  bater-se por mais dinheiro para o ministério, por maior que seja a reacção de pânico que isso lhe provoque.

Bernard - E não o ajudamos a superar o pânico?

Sir Humphrey - Não, não. Ele que fique em pânico. Os políticos apreciam isso, o pânico fá-los sentir activos. Serve-lhes como sucedâneo das concretizações. Só temos de nos certificar de que isso não altera nada.

Bernard - Mas são representantes do povo, democraticamente escolhidos...

Sir Humphrey - Os deputados são escolhidos pelas secções locais dos partidos: 35 homens de gabardina ou 35 mulheres com chapéus ridiculos.

Bernard - Mas o Governo é escolhido de entre os melhores deles...

Sir Humphrey - Bernard, só há 630 deputados. Basta um pouco mais de trezentos para formar governo. Desses trezentos, cem são demasiado velhos e demasiado tontos. Outros cem são demasiado jovens. Sobram cem deputados para preencher cem postos governamentais. Não há escolha. Não houve selecção nem preparação. Temos de ser nós, na administração pública, a fazer o trabalho deles.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Papa que ri

por Teresa Ribeiro, em 28.02.16

papa_18.jpg

 

O ódio contra o Papa Franciso grassa. Não me espanta. Entrou no seu pontificado como um elefante em loja de santinhos e partiu a loiça toda. Falou dos casos de pedofilia, da corrupção no Vaticano e dos seus crimes económicos, dos católicos divorciados, dos católicos gays... Demasiados issues. Uma poeira que não assenta. Quem é ele para expor assim as fragilidades de uma instituição que se quer sólida e vista como a referência moral e espiritual do ocidente?

Não me surpreende o ódio da hierarquia e de todos os que beneficiam directamente do statu quo, o que me encanita é a reacção das "bases". Dos católicos que desconfiam do seu chefe supremo porque prescindiu da gravitas da função e prefere chegar às pessoas, porque não assobia para o lado e, ao contrário, faz mea culpa, em nome da Igreja, por todos os podres que se lhe reconhecem. Porque denuncia, ao estilo de Cristo, tudo o que no mundo deve ser, aos olhos de um verdadeiro cristão, abominável. Finalmente porque usa e abusa da palavra de Deus para confrontar as suas ovelhas com contradições e hipocrisias quotidianas. Mas não é essa a função de um líder espiritual?

Esta parte, a das consciências, é a que mais mói.  É este ódio que nasce da incomodidade que anda, não duvido, a envenenar parte da comunidade católica. Há dias li no El Mundo, assinada por Fernando Sánchez Dragó, uma crónica intitulada  "Incapacitación" que põe à discussão a necessidade imperiosa de desencadear o impeachment de Francisco: "Es necesario meter en cintura al hereje Francisco si se niega a cambiar el rumbo de su pontificado o a dimitir", escreve este romancista, ensaísta e crítico literário, conhecido pelo seu conservadorismo social e ultra-liberalismo económico. Aqui está um bom discurso de ódio. Das primeiras acusações veladas que começaram a circular no início do pontificado às críticas mais inflamadas foi um passo. Mas agora já entrámos noutro domínio, o dos apelos à rebelião.

Enquanto Dragó traçava estas linhas, o Papa dava um passo que por si só seria suficiente para inscrever o nome de Francisco como um dos mais notáveis na história da ICAR. Em Cuba reunia-se com o chefe da Igreja Ortodoxa, algo que não se via desde 1054.

Nada que esmoreça os que o odeiam de coração. Pelo contrário. Para estes, quanto melhor ele estiver, pior.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Já li o livro e vi o filme (74)

por Pedro Correia, em 28.02.16

4783213808-o-sol-nasce-sempre-fiesta-1958-e-heming

le_soleil_se_leve_aussi_the_sun_also_rises_1957_po

 

FIESTA

Autor: Ernest Hemingway (Nobel da Literatura, 1954)

Realizador: Henry King (1957)

A "Geração Perdida" entre as duas guerras, que Hemingway imortalizou neste seu romance seminal (The Sun Also Rises, no original), não encontrou réplica adequada no filme apesar da presença radiosa de Ava Gardner no papel de Lady Ashley Brett.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Leituras ao domingo

por Diogo Noivo, em 28.02.16

MEC.jpg

 

“A primeira premissa da Ontologia Portuguesa é a seguinte: Há uma diferença fundamental entre o HAVER, de aplicação universal, e o HAVER-HAVER, exclusivamente português. […] Este verbo HAVER-HAVER, que se conjuga quase sempre na terceira pessoa do singular do presente do indicativo («Ele haver, há…») tem um estatuto ontológico rigoroso. «Haver, há…» significa, em português, «Há, mas não existe». Há vários exemplos que se podem dar. Pergunta-se se há Cinema Português e responde-se honestamente que não. Para ser mais preciso, acrescenta-se «Quer dizer: haver há…só que, enquanto tal, não existe». […] Existir enquanto tal não é, de facto, o existir português.”

 

Miguel Esteves Cardoso (2002), A Causa das Coisas, Lisboa: Assírio & Alvim, p. 121. [ed. orig. 1986]

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.02.16

d39eebac083f882612b7861ff78d3c55-bigbook[1].jpg

 

Europa, de Rui Cóias

Poesia

(edição Tinta da China, 2015)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Pronto, agora já estão como os portugueses

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.02.16

election-heads.jpg

Numa altura em que ainda estão na memória aqueles belíssimos cartazes da campanha do PS, e enquanto em Portugal se perde o tempo a discutir os méritos e deméritos de uma inqualificável borrada do BE, que para a sua dirigente Catarina Martins é considerado um problema de "incompreensão", que aliás coloca em causa a própria compreensão por parte dos votantes no BE da sua mensagem eleitoral de 4 de Outubro, na Irlanda, na sequência de uma campanha miserável de Enda Kenny e do tandem Fine Gael-Labour, onde até se chegou a ameaçar os eleitores na sua liberdade de escolha com o filme português, também os eleitores irlandeses, sem medo de papões, retiraram o tapete aos partidos do governo.

O exemplo das campanhas de Passos Coelho e Rajoy, que dera tão brilhantes resultados relativamente aos objectivos que haviam definido quanto à manutenção das suas maiorias de governo, foi replicado na Irlanda com os resultados e a teimosia a confirmarem-se. 

O partido outrora maioritário colhe agora os frutos do seu discurso e da tempestade de asneiras que promoveu. E com o Reino Unido a um passo de fazer as malas para sair da UE, deixando o que resta do projecto europeu em pantanas, fruto da mais hipócrita e oportunista campanha de que há memória por parte de um primeiro-ministro e líder conservador, não deixa de ser curioso que os únicos que neste momento estão em condições de poderem apresentar alguma estabilidade à chanceler Merkel e aos mercados sejam, para grande desgosto de Paulo Rangel, os portugueses e a rapaziada da geringonça.

Enfim, coisas da vida, como diriam António Guterres e o Prof. Marcelo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

RH Music Box (28)

por Rui Herbon, em 28.02.16

4623606695_5960508975.jpg

 

  

Autor: Ornette Coleman

 

Álbum: Change Of The Century (1960)

 

Em escuta: Ramblin'

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Leituras

por Pedro Correia, em 27.02.16

Prod1024[1].jpg

 

«Os jornalistas evitam o mais possível contrariar os instintos do público

Julio Cortázar, Todos os Fogos o Fogo, p. 138

Ed. Cavalo de Ferro, Lisboa, 2015. Tradução de Alberto Simões

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ou este

por Rui Rocha, em 27.02.16

espit.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sim, Senhor Ministro (4)

por Pedro Correia, em 27.02.16

article-0-031009E80000044D-711_634x400[1].jpg

 

Ministro dos Assuntos Administrativos, Jim Hacker - Quando é que trato desta correspondência toda?

Bernard Woolley, secretário particular do ministro - Não é obrigado a isso.

Ministro - Não sou?

Bernard - Se não quiser, não. Podemos elaborar uma resposta oficial.

Ministro - E essa resposta diz o quê?

Bernard - Diz: "O ministro pediu-nos para agradecer a sua carta." E acrescentamos: "O assunto está a ser considerado." Ou, em alternativa, especificamos que "o assunto está a ser seriamente considerado."

Ministro - Qual é a diferença?

Bernard - "A ser considerado" significa que perdemos o dossiê. "A ser seriamente considerado" significa que andamos à procura dele... Basta passar as cartas do cesto de Entrada para o de Saída, acrescentando uma nota se quiser ver a resposta. Se não quiser, não voltará a ser maçado com este assunto.

Ministro - Quer dizer que se eu as transferir daqui para ali, mesmo sem ler, não preciso de fazer mais nada?

Bernard - Sim.

Ministro - E tratam disso?

Bernard - Precisamente.

Ministro - Tratam de tudo como deve ser?

Bernard - Imaculadamente.

Ministro - Então para que serve aqui um ministro?

Bernard - [Muito hesitante] ... Para tomar decisões políticas. Decide e nós executamos.

Ministro - E quando é que essas decisões são necessárias?

Bernard - De vez em quando...

Ministro - [Indignado] Este Governo veio para governar! Não veio só para fazer de conta que governa, como o Governo anterior. Quando um país vai por aí abaixo chega um momento em que é preciso alguém tomar conta do volante e carregar no acelerador.

Bernard - Julgo que quer referir-se ao travão, senhor ministro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fica a sugestão

por Rui Rocha, em 27.02.16

homeo.jpg

Autoria e outros dados (tags, etc)

Portocarrero strikes again

por Rui Rocha, em 27.02.16

Não é um fenómeno novo. Há muito que se se sabe que um acto aparvalhado tem em si mesmo um potencial incalculável de gerar efeitos que replicam a parvoíce de forma exponencial. Veja-se o exemplo que hoje nos dá o sacerdote católico Portocarrero. Há não muito tempo, afirmou o santo homem num texto notável: 

Aos cruzados do anti-catolicismo militante e aos modernos inquisidores, que continuamente julgam e condenam a Igreja pela sua história, não se podem pedir as virtudes cristãs da caridade ou do perdão para os pecados dos fiéis pretéritos. Mas deve-se-lhes exigir a justiça de não julgar o passado à luz do presente, nem culpabilizar os cristãos do terceiro milénio pelos erros dos cruzados, ou pelos excessos dos inquisidores. A cada homem e geração bastam-lhe as suas próprias faltas.

 

Hoje, pouco mais de cinco meses depois, e a propósito do já celebérrimo cartaz do Bloco de Esquerda, este escravo da virtude avança com não menos profundidade:

Não obstante os nossos brandos costumes, é bom recordar que os jesuítas foram expulsos de Portugal no século XVIII, pelo Marquês de Pombal; que, no século XIX, não só eles mas também todas as outras ordens religiosas foram extintas pelo liberalismo jacobino; e que, no século XX, voltaram a ser perseguidos todos os religiosos, bem como todos os bispos e padres do clero secular, pela primeira república. No século XXI, será que o Bloco de Esquerda dará continuidade a esta ignominiosa tradição?!

Ou seja, para o bom padre os cristãos não podem ser julgados pelas faltas praticadas pelas gerações de cristãos que os precederam. Em contrapartida, os cartazes dos pataratas do Bloco de Esquerda podem e devem ser avaliados tendo em conta os actos praticados pelo Marquês de Pombal.  

Autoria e outros dados (tags, etc)

Já li o livro e vi o filme (73)

por Pedro Correia, em 27.02.16

Guine_Arco_Triunfo_Erich_Remarque_BS[1].jpg

27-hoberman-jp-articleLarge[1].jpg

 

ARCO DO TRIUNFO (1946)

Autor: Erich Maria Remarque

Realizador: Lewis Milestone (1948)

Confesso-me leitor fiel das obras de Remarque. Incluindo esta, centrada no drama dos refugiados que afluíam a Paris em vésperas da II Guerra Mundial. Grande romance, mediana adaptação a filme. Apesar da deslumbrante Ingrid Bergman.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Maria do Rosário Pedreira

por Patrícia Reis, em 27.02.16
 

Ainda bem
que não morri de todas as vezes que
quis morrer - que não saltei da ponte,
nem enchi os pulsos de sangue, nem
me deitei à linha, lá longe. Ainda bem

que não atei a corda à viga do tecto, nem
comprei na farmácia, com receita fingida,
uma dose de sono eterno. Ainda bem

que tive medo: das facas, das alturas, mas
sobretudo de não morrer completamente
e ficar para aí - ainda mais perdida do que
antes - a olhar sem ver. Ainda bem

que o tecto foi sempre demasiado alto e
eu ridiculamente pequena para a morte.

Se tivesse morrido de uma dessas vezes,
não ouviria agora a tua voz a chamar-me,
enquanto escrevo este poema, que pode
não parecer - mas é - um poema de amor.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Leitura recomendada

por Pedro Correia, em 27.02.16

En busca de la última barra de pan en Caracas. De Daniel Lozano, no El Mundo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.02.16

imagem[1].jpg

 

A Estação da Sombra, de Léonora Miano

Tradução de Miguel Serras Pereira

Romance

(edição Antígona, 2015)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

RH Music Box (27)

por Rui Herbon, em 27.02.16

erotic-moods.jpg

 

  

Autor: George Benson + The Harlem Underground Band

 

Álbum: Erotic Moods (1978)

 

Em escuta: Sweet Taste Of Love

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Palavras da salvação

por Rui Rocha, em 26.02.16

jj.jpg

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sim, Senhor Ministro (3)

por Pedro Correia, em 26.02.16

article-0-031009E80000044D-711_634x400[1].jpg

 

Ministro dos Assuntos Administrativos, Jim Hacker - Este ministério tem de eliminar muita burocracia. Vamos dar aqui uma vassourada, abrir as janelas para entrar ar, pôr esta máquina obsoleta em ordem.

Sir Humphrey Appleby - Uma limpeza, quer dizer?

Ministro [sentado à secretária] - Isso mesmo. Há demasiada gente sentada à secretária

Sir Humphrey - ...

Ministro - Não me refiro a nós. Temos de correr com aqueles que só estão a fazer número!

Bernard Woolley, secretário particular do ministro - Correr com eles?

Sir Humphrey - Redistribuí-los, quer o senhor dizer.

Ministro - Sim, sim. Quero pô-los a trabalhar. Somos adeptos de um Executivo aberto: é nisto que o meu partido acredita e que serviu de base ao nosso manifesto eleitoral. Temos de abrir a política ao País. Que tal?

Sir Humphrey [segurando uma pasta com papéis] - Veja estas propostas. Esboçam a implementação dessa política e contêm a base para um Livro Branco, que a meu ver deverá chamar-se Governo Aberto.

Ministro - Então já foi tudo...

Sir Humphrey - Já foi tudo tratado.

Ministro - Quem preparou tudo isto?

Sir Humphrey - A máquina burocrática obsoleta.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Não, não, senhores Bispos

por Rui Rocha, em 26.02.16

Estão enganados. O cartaz do Bloco de Esquerda não ofende crentes nem não crentes só por o serem. Ofende a inteligência. De quem quer que a tenha. Por isso, melhor seria se guardassem a indignação para a utilizarem, por exemplo e para não irmos mais longe, contra instituições que promovem uma visão do mundo em que cabe às mulheres um papel de obediência e subordinação.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Não havia necessidade...

por Helena Sacadura Cabral, em 26.02.16

Jesus.jpeg

Pessoalmente já exprimi aqui a minha posição relativamente à adopção por casais do mesmo sexo. Entendo que uma criança precisa de amor, seja ele dado pela família tradicional ou pelas famílias que o não são. As unidades familiares de hoje não são iguais às de há meio século e, portanto, os hábitos e os costumes terão de ir-se adaptando.

Na minha opinião, uma criança institucionalizada está pior do que numa família que tem amor para lhe dar, sejam dois pais, duas mães, uma só mãe ou um só pai. E se foi permitido o casamento entre pessoas do mesmo sexo e que um solteiro adopte uma criança, tenho dificuldade em aceitar que um casal do mesmo sexo não o possa fazer.
Posto isto, entendo de um profundo mau gosto e revelador de bastante desrespeito por quem pensa de forma diferente os cartazes com que o BE resolveu pulverizar o país, usando como símbolo uma pirosíssima imagem de Jesus, com uma frase na qual se afirma que ele tem dois pais.
Uma coisa é defender ideias que se considera estarem certas. Outra coisa é defendê-las exorbitando os limites, para ofender aqueles para quem Jesus representa algo de muito sério. A nossa liberdade termina onde começa a do nosso semelhante. Não havia necessidade!
Eu inclino-me para que estejam a faltar ao Bloco as causas que lhe davam alma. Agora, como situacionistas que são, começam a não ter temas fracturantes e portanto a perder a graça. Estão, de facto, a envelhecer!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Frases de 2016 (19)

por Pedro Correia, em 26.02.16

«Não é possivel ter democracia com liberdade de circulação de capitais.»

Francisco Louçã

Autoria e outros dados (tags, etc)

Já li o livro e vi o filme (72)

por Pedro Correia, em 26.02.16

suma-mil1[1].jpg

Mildred-Pierce-1945[1].jpg

 

MILDRED PIERCE (1941)

Autor: James M. Cain

Realizador: Michael Curtiz (1945)

Um dos mais expressivos retratos de mulher da literatura americana foi êxito também no cinema, com Joan Crawford a conquistar um Óscar no filme, entre nós intitulado Alma em Suplício. Em 2011 deu origem a uma premiada série de TV.

Autoria e outros dados (tags, etc)

estaline.png 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Bingo

por José António Abreu, em 26.02.16

O governo e a sua maioria têm sido acusados de dar com uma mão e tirar com a outra, mas o que importa nessa ginástica não é quanto ganham as pessoas, mas que ganhem por vontade do poder político: o rendimento de cada cidadão não deve depender do seu esforço, mas da sua relação com o governo. O PS, PCP e BE nada têm contra quem ganha muito, desde que ganhe muito no Estado ou através do Estado. Banqueiros e empresários disponíveis para “parcerias” nunca terão dificuldades.

Rui Ramos, no Observador.

Autoria e outros dados (tags, etc)

CHE.png

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.02.16

1507-1[1].jpg

 

Traço de União, de Miguel Torga

Oito textos sobre as relações luso-brasileiras

(reedição Glaciar, 2016)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Belles toujours

por Pedro Correia, em 26.02.16

Marina_Berti_(Quo_Vadis)[1].jpg

 

Marina Berti

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Obrigado, João Almeida

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.02.16

800.jpg

"Estudei sempre em escolas públicas, em relação aos meus filhos, se isso for viável, também estudarão sempre em escolas públicas." – João Almeida, deputado, vice-presidente do CDS-PP

 

Vamos todos fazer para que seja sempre viável, mesmo que alguns dos companheiros dele não sejam da mesma opinião e prefiram todo o dinheiro público e mais algum a subsidiar escolas privadas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

RH Music Box (26)

por Rui Herbon, em 26.02.16

51ztzCDqbGL.jpg

 

  

Autor: Palais Schaumburg

 

Álbum: Palais Schaumburg (1981)

 

Em escuta: Wir Bauen Eine Neue Stadt

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pérolas na Padaria do meu Irmão

por Francisca Prieto, em 25.02.16

Oito da manhã, à porta da do estabelecimento, trabalhadores africanos assentam calçada à portuguesa. Padeiro vai a passar com uma caixa de Ferrero Rocher na mão. Um dos dos trabalhadores atira timidamente um "já comia um chocolate". Padeiro abre a caixa e oferece-lhe um bombom. Trabalhador responde "Merci".

Autoria e outros dados (tags, etc)

Já li o livro e vi o filme (71)

por Pedro Correia, em 25.02.16

c194f572715b4fb4100c111deef44c65[1].jpg

Doomed-romantic---Michael-010[1].jpg

 

O AMERICANO TRANQUILO (1955)

Autor: Graham Greene

Realizador: Phillip Noyce (2002)

O romance que anteviu com lucidez a intervenção americana no Vietname foi adaptado ao cinema de forma exemplar. Michael Caine interpreta o jornalista britânico Thomas Fowler, alter ego do escritor. Greene teria gostado.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sim, Senhor Ministro (2)

por Pedro Correia, em 25.02.16

article-0-031009E80000044D-711_634x400[1].jpg

 

Ministro dos Assuntos Administrativos, Jim Hacker [recém-chegado ao ministério] - Quem há mais no nosso departamento?

Sir Humphrey Appleby - Eu sou o subsecretário de Estado permanente, o [Bernard] Woolley é o seu secretário particular principal. Eu tenho um secretário particular principal, que é secretário particular do secretário permanente. Hé dez secretários delegados responsáveis perante mim, e 87 secretários e 219 secretários adjuntos que respondem perante os secretários particulares principais. O primeiro-ministro vai nomear dois subsecretários parlamentares e o senhor nomeará o seu secretário particular parlamentar.

Ministro - E sabem todos escrever à máquina?

Sir Humphrey - Nenhum de nós sabe. Quem faz isso é Mrs. McKay. É a secretária.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 25.02.16

image[1].jpg

 

Não Há Tantos Homens Ricos Como Mulheres Bonitas que os Mereçam, de Helena Vasconcelos

Romance

(edição Quetzal, 2016)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

RH Music Box (25)

por Rui Herbon, em 25.02.16

0004426758_10.jpg

 

  

Autor: Eska

 

Álbum: Eska (2015)

 

Em escuta: This Is How A Garden Grows

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

David Mourão Ferreira faria hoje 89 anos

por Patrícia Reis, em 24.02.16

Do Tempo ao Coração

E volto a murmurar Do cântico de amor
gerado na Suméria às novas europutas
Do muito que me dás ao muito que não dou
mas que sempre conservo entre as coisas mais puras

De uma genebra a mais num bar de Amsterdão
a não perder o pé numa praia da Grécia
De tantas tantas mãos que nos passam pelas mãos
a tão poucas que são as que nunca se esquecem

De ter visto o começo e o fim da Via Ápia
De ter atravessado o muro de Berlim
De outros muros que não aparecem no mapa
De outros muros que só aparecem aqui

ao barro deste céu que te modela os ombros
ao sopro deste céu que te solta o cabelo
ao riso deste céu que vem ao nosso encontro
quando sabe que nós não precisamos dele

Da pertinaz presença E da longevidade
do corvo do chacal do louco do eunuco
ao rouxinol que morre em plena madrugada
à rosa que adormece em caules de um minuto

Do que foi noutro tempo a saúde no campo
à lepra que nos rói a paisagem bucólica
Do tempo ao coração minado pelo cancro
Dos rins ao infinito incubado na cólera

Do tempo ao coração mas com pausa na pele
como «Roma by night» entre dois aviões
como passar o Verão numa vogal aberta
como dizer que não que já não somos dois

Dos rins ao infinito A este que não outro
Ao que rola dos rins Ao que vai rebentar-te
na câmara blindada e nocturna do útero
E nos transfere o fim para um pouco mais tarde

Da curva de entretanto à entrada do poço
De soletrar em mim a ler nas tuas mãos
como é rápido e lento e recto e sinuoso
o percurso que vai do tempo ao coração.

David Mourão-Ferreira, in “Obra Poética”

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sim, Senhor Ministro (1)

por Pedro Correia, em 24.02.16

article-0-031009E80000044D-711_634x400[1].jpg

 

Sir Humphrey Appleby - Bruxelas vai introduzir um bilhete de identidade europeu, para uso de todos os cidadãos da CEE. O Ministério dos Negócios Estrangeiros vai aceitar para poder negociar a montanha de manteiga, o lago de vinho, o oceano de leite, a guerra do carneiro e o cheirete a bacalhau. O primeiro-ministro, como é lógico, quer que seja o senhor a apresentar [aos ingleses] a nova legislação.

Ministro dos Assuntos Administrativos, Jim Hacker - Eu?!

Sir Humphrey - Sim. O senhor é conhecido como pró-europeu e, a longo prazo, esta legislação poderá ser benéfica para a nossa administração.

Ministro - Boa ideia, não acham?

Frank Weisel, conselheiro político - Boa ideia?!!

Ministro - Boa ideia?!!

Sir Humphrey - Não é boa ideia?

Frank - É um suicídio político!

Ministro - Obrigar os ingleses a usar um documento de identificação! Vão dizer que estou a introduzir um estado policial. Foi para isto que combatemos em duas guerras mundiais?!

Sir Humphrey - Vendo bem, ministro, isto é pouco mais do que uma carta de condução.

Ministro - É o último prego no meu caixão!

Frank - Porque não tratam os Negócios Estrangeiros disto?

Sir Humphrey - Foi  essa a sugestão inicial do primeiro-ministro. Mas os Estrangeiros disseram que era questão para o Interior. E o Interior disse que se tratava de um assunto administrativo e o primeiro-ministro acabou por concordar.

Frank - Andam todos a passar a batata quente!

Ministro - Não admira, se vai explodir.

Sir Humphrey - Receio que esta venha a ser a último acção deste departamento: um excelente cavalo de batalha para os eurocépticos.

Ministro - Os Estrangeiros não vêem o mal que isto vai causar ao ideal europeu?

Sir Humphrey - Claro que vêem. Por isso mesmo é que procedem desta maneira.

Ministro - Os Negócios Estrangeiros não são pró-europeus?!

Sir Humphrey - Sim e não... se me permite a expressão. São pró-europeus porque, no fundo, são anti-europeus. A nossa administração pública sempre fez tudo para que o Mercado Comum [europeu] não funcionasse. Por isso entrámos nele.

Ministro - De que é que você está a falar?!

Sir Humphrey - Senhor ministro, há pelo menos 500 anos que a Inglaterra tem a mesma política no plano internacional: criar uma Europa desunida. Por isso nos aliámos aos holandeses contra os espanhóis, aos alemães contra os franceses, aos franceses contra os alemães e os italianos. Dividir para reinar. Porque haveríamos de alterá-la agora se tem resultado tão bem?

Ministro - Isso é história antiga!

Sir Humphrey - Isto é gestão corrente. Para destruir tudo tínhamos que entrar para lá. Tentámos destruir de fora, mas não resultou. Agora que estamos dentro podemos transformar aquilo numa bagunça. Pôr alemães contra franceses, franceses contra italianos, italianos contra holandeses. Os Negócios Estrangeiros estão satisfeitíssimos. É como nos velhos tempos.

Ministro - Mas estamos empenhados no ideal europeu...

Sir Humphrey - [Ri-se]

Ministro - Então porque é que apoiamos a entrada de novos Estados-membros?

Sir Humphrey - Pela mesma razão. É como na ONU. Quantos mais países tiver, mais zaragatas haverá, mais inútil se torna.

Ministro - Que cinismo terrível!

Sir Humphrey - Nós chamamos-lhe diplomacia, senhor ministro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Já li o livro e vi o filme (70)

por Pedro Correia, em 24.02.16

img_221633369_1405087996_abig[1].jpg

paljoey1-1600x900-c-default[1].jpg

 

 O AMIGO JOEY (1940)

Autor: John O' Hara

Realizador: George Sidney (1957)

Esta novela epistolar, muito mais irrelevante do que a sua fama faria supor, recebeu sofisticado tratamento na passagem a cinema, transformada num surpreendente musical - com Frank Sinatra, Kim Novak e Rita Hayworth. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Grande malha, Mr. President

por Teresa Ribeiro, em 24.02.16

Kevin-Spacey-returns-Frank-Underwood-House-Cards.j

 

Não é o primeiro actor a ter o seu retrato pendurado na galeria dos presidentes, mas é a primeira vez que se junta à colecção alguém que nunca ocupou a presidência em terras do Tio Sam. Pelo menos na vida real. Sua excelência o "presidente dos Estados Unidos" Frank Underwood, a personagem da série House of Cards encarnada por Kevin Spacey, soube-se agora, vai ter essa honra. O seu quadro, resultado de uma jogada de marketing magnífica da Netflix - poderá ser apreciado à entrada do museu onde se encontra o acervo presidencial.

Jamais na empertigada Europa se tomaria semelhante iniciativa.  

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Pág. 1/6





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D