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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 31.01.16

«Há uma dimensão das análises que, curiosamente, nunca vi contemplada: o financiamento dos partidos através das eleições.
Os das esquerdas, que não contam com a simpatia nem as bolsas dos privados que têm a massa, financiam-se através do Estado, de diversas formas, incluindo as eleições.
O caso é evidente no bónus de 500 mil euros que o BE irá receber por estas eleições e na (lamentada) perda de 380 mil do PCP pelo mau candidato que escolheu e pela participação na geringonça (bendita geringonça se ajudar a acabar com o último dinossáurio político na Europa Ocidental).
E o PCP financia-se ainda através das autarquias que gere, que enche de filiados (só na minha, com 903 funcionários, tem mais de 500 militantes), pois estes pagam a dízima ao partido. E através de todos os cargos que consegue em todas as estruturas do Estado, nos mais diversos acordos que faz: veja o caso da Área Metropolitana de Lisboa, cujo 1.º secretário é Demétrio Alves.
Por isto o PCP é o mais acérrimo opositor de qualquer reforma do Estado: está sempre contra qualquer racionalização administrativa.
A proliferação de estruturas é o sangue donde se alimenta.
O instinto de sobrevivência deste dinossáurio, forjado na clandestinidade durante quase metade da sua longa existência (foi criado em 1921), condiciona toda a racionalidade que que por lá possa existir.»

Do nosso leitor M. S. A propósito deste meu texto.

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Fotografias tiradas por aí (279)

por José António Abreu, em 31.01.16

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Vila Nova de Gaia, 2004.

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Primárias americanas

por Luís Naves, em 31.01.16

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Começa amanhã no irrelevante estado do Iowa o ciclo frenético das primárias americanas, cujo momento decisivo (pelo menos no caso dos democratas) deverá ocorrer no início de Março, na chamada super-terça-feira. No Verão, haverá convenções partidárias e a votação presidencial realiza-se em Novembro.

As sondagens indicam que, do lado republicano, o milionário Donald Trump tem vantagem, só não se sabe quais serão os rivais capazes de aguentar até Abril ou de dar luta até à convenção (talvez Marco Rubio ou Ted Cruz). Do lado democrata, apesar da subida do esquerdista Bernie Sanders, a eleição parece ao alcance de Hillary Clinton. Mesmo que sofra contratempos no Iowa ou em New Hampshire, Hillary tem vantagem nos estados do Sul que votam na super-terça-feira e já garantiu a maioria dos delegados institucionais do partido.

As eleições americanas baseiam-se num mecanismo arcaico do século XIX que convive mal com a sociedade mediatizada do século XXI. Este paradoxo favorece um sistema oligárquico, dependente de quantidades impressionantes de dinheiro, e produz campanhas que afunilam os temas, discutidos com extrema demagogia. A política americana está a tornar-se mais populista e virada para dentro, incapaz de ter um olhar sobre o mundo. Os candidatos precisam de ter cuidado com temas tóxicos (imigração, armas, aborto) e nunca perdem tempo com assuntos complexos, que não interessem à televisão.

A América é um império relutante, que ao longo da sua História manteve políticas de isolamento, sobretudo após intervenções externas. Na pré-campanha, Trump já radicalizou o partido republicano, que parece aderir a um isolacionismo patológico. Do lado democrata, a favorita Hillary Clinton foi chefe da diplomacia americana, mas aí está também a sua vulnerabilidade. Com a política externa submetida a discussões de política interna, a América tenderá a desinteressar-se pelos conflitos mundiais, o que implicará eventual abandono de aliados, acções a meio-gás, paralisação institucional, hesitação ou até incapacidade de agir.

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Expressões que detesto (74)

por Pedro Correia, em 31.01.16

"TECNICALIDADE ORÇAMENTAL"

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Antes que seja tarde

por Rui Rocha, em 31.01.16

Eu, Rui Rocha, declaro que não me responsabilizo pelas dívidas contraídas ou a contrair por António Luís Santos da Costa, cidadão com última residência oficial conhecida no Palácio de São Bento.

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Já li o livro e vi o filme (46)

por Pedro Correia, em 31.01.16

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CRÓNICA DOS BONS MALANDROS (1980)

Autor: Mário Zambujal

Realizador: Fernando Lopes (1984)

Um "divertimento" literário que foi sucesso de vendas gerou um filme com bom elenco mas resultados aquém das expectativas - um musical falhado em vez da comédia negra que o livro prenunciava.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 31.01.16

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Política e Entretenimento, de José Santana Pereira

Ensaio

(edição Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2015)

"Este livro não está redigido segundo o novo Acordo Ortográfico"

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Blogue da Semana

por Diogo Noivo, em 31.01.16

Estreio-me na série Blogue da Semana sugerindo aos leitores do Delito que passem pelo Café Steiner para tomar qualquer coisa. Vale a pena visitar este blogue do El País por várias razões. Primeiro, o bom gosto de homenagear George Steiner. Segundo, Jose Ignacio Torreblanca, o autor, é um excelente analista de política internacional, especialmente de assuntos europeus. Terceiro, no Café Steiner há uma atenção cuidada aos desenvolvimentos da cena política espanhola, que vive um dos momentos mais interessantes (e incertos) das últimas décadas. Por fim, um blogue espanhol que faz referência a Pessoa no seu texto de apresentação é merecedor de amizade lusa.

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As canções do século (fim)

por Pedro Correia, em 31.01.16

 

Estas coisas nunca acontecem bem como as planeamos. Eu tinha pensado inicialmente numa série de 365 canções que marcaram o século XX - uma por dia, ao longo de 2010. O segundo ano de vida deste blogue.

Lembro, a propósito, as primeiras que seleccionei: Starting Over (John Lennon), Time After Time (Margaret Whiting), Impossible Dream (Luther Vandross), Cucurrucucu Paloma (Caetano Veloso), Bon Annniversaire (Charles Aznavour), Valsinha (Chico Buarque), Perfidia (Ibrahim Ferrer), The Man I Love (Billie Holiday), Gracias a la Vida (Violeta Parra), Trouble (Elvis Presley), Eleanor Rigby (Beatles), La Foule (Edith Piaf), Singin' in the Rain (Gene Kelly), Desafinado (João Gilberto) e Something Stupid (Frank e Nancy Sinatra).

A adesão inicial dos leitores e o próprio entusiasmo que fui ganhando durante a elaboração da série prolongou-a por outros anos: 2011, 2012, 2013, 2014, 2015. Entrou até em 2016, com direito a destaque no portal do Sapo, por ser a mais antiga série diária em publicação ininterrupta na blogosfera portuguesa.

Termina hoje, com uma capicua perfeita e ao inevitável som do arrebatador e profético tema dos Doors que pela primeira vez escutei num dos filmes que integram o meu panteão pessoal: Apocalypse Now. A música é indissociável do cinema, é indissociável da vida, é inseparável da biografia de cada um de nós: se pudéssemos escolher a banda sonora das nossas vidas quantos temas musicais seleccionaríamos?

 

 

Descobri muito mais do que supunha nas pesquisas que fui fazendo para estas Canções do Século que hoje se despedem de vós. No fundo era esta uma das motivações mais fortes que me levaram a lançar a série: ampliar a minha própria cultura musical. Sem a circunscrever ao universo anglo-americano, contrariando assim uma das lacunas mais recorrentes e um dos erros mais grosseiros neste domínio: como é possível ignorar Tom Jobim, Edith Piaf, Carlos Gardel, Caetano Veloso, Antonio Machín e Jacques Brel quando se elaboram listas dos temas musicais que mais marcaram o século XX?

 

 

Nem sempre foi fácil escolher entre originais e versões. Se nunca tive dúvidas, por exemplo, em eleger Les Feuilles Mortes na interpretação de Yves Montand que lhe deu fama, noutros casos optei por uma versão que se tornou mais célebre ou simplesmente por ter encontrado um vídeo com maior qualidade sonora. Aconteceu por exemplo com Sea of Love, gravada originalmente em 1959 por Phil Phillips e que aqui trouxe na versão muito posterior de Cat Power. Houve outros casos, embora raros, em que optei pelas duas versões. Aconteceu com Les Moribonds, de Brel, e da versão norte-americana intitulada Seasons in the Sun, que sempre associarei ao quente Verão de 1974, interpretada por Terry Jacks. Ou o célebre My Way, popularizado por Frank Sinatra, que começou por ser Comme d' Habitude, na voz de Claude François.

Voltou a acontecer ontem, propositadamente, com At Last - fabulosa canção composta por Harry Warren e Mack Gordon que foi logo um êxito ao estrear num filme da 20th Century Fox em 1942. Chegou aqui nas suas duas melhores versões: a de Etta James em 1961 e a de Beyoncé, que entrou para a história ao abrilhantar o baile inaugural da presidência Obama, em 2009.

 

 

Nem sempre foi possível encontrar vídeos disponíveis na rede com o padrão estético que as circunstâncias exigiam. Acabou por imperar a tese do mal menor: julgo que os leitores terão relevado esta falha. Houve também problemas suscitados por direitos de autor: gostaria de ter trazido aqui mais temas do meu sempre idolatrado Bob Dylan, mas a rigorosa Sony ia-me informando que não estavam disponíveis. Os Supertramp, na sua composição original, permaneceram quase sempre inacessíveis pelo mesmo motivo.

Mas música nunca faltou por cá - de 1902 (o tema mais antigo) a 1999 (o mais recente); dos A-Ha aos Zombies, por ordem alfabética.

Os mais representados, julgo que sem surpresa, foram os Beatles (com 54 canções). Seguiram-se Chico Buarque (33), Frank Sinatra (29), Rolling Stones (21), Ella Fitzgerald (21), Caetano Veloso (16), Brel (16), Elvis Presley (15), Elis Regina (15), Beach Boys (14), Stevie Wonder (14), Nat King Cole (14), Dylan (14), Billie Holiday (14), Leonard Cohen (13), Ray Charles (13), Simon & Garfunkel (13), Lennon (13), Charles Aznavour (13) e Piaf (13).

Alguns dos intérpretes foram morrendo enquanto a série durou: Jean Ferrat, Lena Horne, Crispian St. Peters, Cesária Évora, Whitney Houston, Donna Summer, Robin Gibb (dos Bee Gees), Chavela Vargas, Andy Williams, Lou Reed, Joe Cocker, Natallie Cole, David Bowie, Black (que imortalizou o tema Wonderful Life). A quase todos foi possível prestar aqui, no dia imediato, a merecida homenagem musical.

 

 

Alguns leitores estranharam a ausência de portugueses neste longo desfile. É fácil de explicar: tenciono fazer outra série de Canções do Século só com vozes e temas nacionais. Tal como não excluo organizar outra dedicada apenas a temas instrumentais, que desta vez ficaram de fora: será então possível trazer aqui Glenn Miller, Santana, Astor Piazzolla, Egberto Gismonti, Benny Goodman, Anton Karas, John Coltrane, Miles Davis, Nino Rota, B. B. King, Paco de Lucia, Ry Cooder e tantos outros.

Do século XXI poderei ocupar-me mais tarde. Por agora suspendo as funções de DJ do nosso DELITO que durante tanto tempo desempenhei com gosto. Passo o testemunho ao Rui Herbon, que a partir da próxima madrugada tomará conta da emissão. Espero que acompanhem o próximo desfile musical com o mesmo interesse que me demonstraram durante estes seis anos. E agradeço a todos as preciosas sugestões que me foram dando.

Um blogue também serve para intercâmbio de conhecimentos. É útil e desejável aprendermos um pouco mais uns com os outros. E divertindo-nos de caminho, sempre que possível.

Foi o que aconteceu comigo. Não vou esquecer.

 

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As canções do século (2222)

por Pedro Correia, em 31.01.16

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Esta Cosme Machado não viu

por Rui Rocha, em 30.01.16

Rui Patrício joga intencionalmente a bola com a mão dentro da sua grande-área num lance claríssimo para grande penalidade.

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Estado da Arte orçamental

por Diogo Noivo, em 30.01.16

O homem quer, o homem sonha, a austeridade morre. É esta a convicção do Governo e dos partidos de esquerda que o apoiam. O problema é que, com excepção da aliança frentista, ninguém acredita neste aforismo.

As agências de rating não estão convencidas com o esboço de Orçamento de Estado para 2016. Mas deixemos as agências de rating. São pérfidas, a face mais visível do grande capital especulativo que oprime os trabalhadores e o povo.

Os bancos, entre os quais o Commerzbank, tão pouco estão convencidos com as intenções oníricas do Executivo nacional. Mas deixemos os bancos. São geridos de forma irresponsável. São os sicários que estiveram na origem da crise internacional.

A Comissão Europeia une-se ao coro de receios. Teve a ousadia de, por carta, questionar o Governo socialista e, pasme-se, alerta para o incumprimento de metas com as quais o Estado português se comprometeu. Mas deixemos a Comissão. Todos sabem que Bruxelas é parte integrante de um pacto mefistofélico com bancos, com as agências de rating e, pior, com o anti-cristo que dá pelo nome de Angela Merkel.

O Conselho de Finanças Públicas, já em terras lusas, também suspeita das contas apresentadas no esboço de Orçamento. Mas deixemos o Conselho de Finanças Públicas. Na sua maioria, são cinzentões académicos, destituídos de uma noção real das coisas.

Por último, a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) não só questiona as contas do Governo, como afirma que contribuem “para melhorar artificialmente o esforço orçamental, interferindo com a medição da variação do saldo estrutural conforme estabelecido no Pacto de Estabilidade e Crescimento e reflectido na Lei de Enquadramento Orçamental”. Em bom português, as contas estão marteladas. Mas deixemos a UTAO. De acordo com o deputado Paulo Trigo Pereira, em declarações proferidas há dias na RTP, a unidade técnica pecou na forma como se pronunciou e está a fazer o jogo da direita.

No meio de tudo isto, o que é real? A realidade é a pátria soberana, diz-nos José Pacheco Pereira. E essa quem a define é o Governo.

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Álvaro de Campos Revisited

por Francisca Prieto, em 30.01.16

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Já li o livro e vi o filme (45)

por Pedro Correia, em 30.01.16

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A SANGUE FRIO (1966)

Autor: Truman Capote

Realizador: Richard Brooks (1967)

Arrepiante "romance de não-ficção", género aqui inaugurado. E transposto com êxito para cinema, em registo de filme negro. Aplausos para ambos.

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A criança problemática

por Luís Naves, em 30.01.16

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Os defensores da frente de esquerda subestimam as dificuldades da sua estratégia populista. O Governo parece cercado por duas opções incompatíveis: continua a consolidação orçamental ou perde a confiança dos mercados. Dito de outra forma: o País cai em crise política ou as taxas de juro sobem. A questão não está apenas nas exigências de Bruxelas, que teme os efeitos da súbita perda de credibilidade portuguesa, mas na percepção dos investidores e na ilusão de que será possível convencer os credores de que esta é uma luta entre bem e mal.

O Governo ignora os sinais da realidade. O problema das migrações transformou-se na crise mais séria da última década na Europa. Um grupo de países de Leste (com os mesmos votos que a França) uniu-se em rebelião contra os poderes da Alemanha, e talvez mais do que isso. A banca italiana pode necessitar de um resgate gigantesco. A UE entrou numa difícil negociação sobre reformas internas, visando manter o Reino Unido nas instituições; sem mudanças profundas, algumas difíceis de concretizar, os ingleses poderão abandonar a organização.

Estas negociações decorrem num ambiente inquinado pela ascensão dos populistas de direita. A Frente Nacional, em França, ultrapassou um patamar eleitoral que ameaça o regime da Quinta República; outro partido, Alternativa para a Alemanha, conquistou parte do eleitorado da CDU da chanceler Angela Merkel; o governo minoritário dinamarquês (liberal) terá de aplicar uma lei injusta que confisca os refugiados, demonstrando que os populistas de direita (Partido do Povo, DF), fora do governo, mexem todos os cordelinhos; o fenómeno do crescimento de formações que contestam o sistema tradicional estende-se ainda à Suécia, Finlândia e Holanda. Todos estes países receberam multidões de refugiados, pelo que parece pura hipocrisia o tom das críticas em Portugal. E como se resolve isto? Suspende-se a democracia? Entretanto, a zona euro não estabiliza e a Espanha entrou numa crise política que talvez só tenha solução em Maio.

Nem é preciso alargar o palco para se perceber que 2016 será um ano de instabilidade. Ao contrário do que escrevi, o populista Donald Trump tem mesmo hipóteses de ser nomeado candidato republicano às eleições presidenciais americanas de Novembro de 2016. Esse pesadelo não é impossível, nem sequer improvável. Para piorar os cenários, o petróleo barato pode não durar muito tempo, sobretudo se tiverem êxito as tentativas russas de negociar cortes na produção; a alternativa é o inevitável estoiro de economias emergentes, o que pode provocar uma nova vaga na crise financeira mundial.

Talvez António Costa acredite ser possível passar entre as gotas desta chuva torrencial, mas parece insensato apostar em travessia tão arriscada. Convinha ter prudência, pois com tantos problemas entre mãos, os nossos credores tentarão matar à nascença qualquer veleidade de insubordinação da “criança problemática”.

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Descubra as diferenças

por Pedro Correia, em 30.01.16

«O Governo quer melhorar a situação das pessoas que têm salário, melhorar os direitos laborais, melhorar as reformas, e subitamente este Governo surge aos olhos dos burocratas de Bruxelas como inteiramente subversivo. E estão a pô-lo na ordem. (...) Portugal não é uma colónia dos burocratas de Bruxelas.»

Pacheco Pereira, 28 de Janeiro

 

«A Comissão Europeia está a assaltar o nosso país.»

Catarina Martins, 29 de Janeiro

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Muitos e bons delitos

por Pedro Correia, em 30.01.16

Nos últimos dez dias, registámos 32.747 visitas e 46.352 visualizações. É a nossa primeira estatística de 2016. A confirmar que o DELITO DE OPINIÃO, neste oitavo ano de existência, mantém as boas audiências que sempre registou.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.01.16

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365 Orações Para Dormir Melhor, de David Veerman

Tradução de Rosemarie Ziegelmaier

(edição Planeta, 2015)

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As canções do século (2221)

por Pedro Correia, em 30.01.16

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As canções do século (2221-bis)

por Pedro Correia, em 30.01.16

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Piadola de Livararia

por Francisca Prieto, em 29.01.16

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 29.01.16

«Quando um documento chega a Bruxelas com um parecer de uma entidade independente, como é o Conselho das Finanças Públicas, a dizer que esse mesmo documento tem "riscos relevantes" e que as previsões são "pouco prudentes", não seria de esperar uma reacção muito diferente da Unidade Técnica de Apoio Orçamental e da Comissão Europeia. O deputado socialista João Galamba, a quem coube a ingrata tarefa de rebater os argumentos do Conselho das Finanças Públicas, lembrou-se de dizer que "sem assumir riscos, não podemos ter resultados". Essa é a primeira frase em que penso quando chego ao Casino do Estoril, mas nunca tal coisa me passaria pela cabeça se estivesse em São Bento a governar e decidir a vida de milhões de pessoas.»

Pedro Sousa Carvalho, no Público

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Aventuras de Uma Livreira Acidental

por Francisca Prieto, em 29.01.16

Há dias em que o coração de uma livreira acidental fica à beira de um enfarte de felicidade.

Hoje, a equipa da caixotaria começou a jornada num dos nossos pontos de entrega de livros, com a missão de se lançar ao desbaste. Isto quer dizer que nos atiramos aos sacos e caixotes que os doadores por lá vão deixando e vamos separando a mercadoria por temas, títulos para seguirem directamente para a livraria, outros para armazém, outros ainda para restauro ou para serem vendidos na internet. Uma trabalheira dos diabos, mas que alguém tem de fazer.

Para o final restavam três enormes caixotes em que ainda não tínhamos tido coragem de pegar, pelo tamanho e pelo peso.

Abrimos à cautela e fomos retirando o espólio. À primeira remessa, o meu coração começou a palpitar: saltaram-me logo para as mãos uns quantos José Régio antigos, aos quais se seguiram Stau Monteiros de que nunca tinha ouvido falar, mais umas quantas primeiras edições de poesia de primeira.

Ao segundo caixote estava perto da taquicardia quando começaram a aparecer Luiz Pachecos, um Ary dos Santos autografado, mais um Herberto Hélder muito antigo e mais uma data de volumes de Brecht iguais aos que existiam em casa dos meus pais.

O nível dos livros era de primeiríssima e, para além da alegria, a raiar a comoção, de os ter a passar pelas mãos, não nos foi alheio o sentimento de que serão certamente uma excelente fonte de angariação de fundos para a nossa causa.

Depois desta trabalheira, e com o coração em transe de gratidão por quem lá deixou os caixotes, venho para casa. Sabia que tinham passado por cá a deixar uns quantos livros provenientes do Porto.

É quando olho para o primeiro saco que o coração me cai aos pés. Não era nenhum Herberto Hélder, nem tão pouco um Luiz Pacheco. Era uma colectânea de peças de teatro infantil, compilada em 1948, onde constam duas peças escritas pelo meu pai, que foram levadas a cena vezes sem conta, mas de cujo livro original só temos um exemplar na família.

Não sei qual é o valor de mercado. Baixo, provavelmente. Mas no rating do meu coração, foi a melhor surpresa do dia. Foi a única que me levou às lágrimas.

 

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Já li o livro e vi o filme (44)

por Pedro Correia, em 29.01.16

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TERNA É A NOITE (1934)

Autor: Scott Fitzgerald

Realizador: Henry King (1962)

Melodrama com forte cunho autobiográfico, funcionou como livro-testamento de Fitzgerald. Quase três décadas depois, surgiu o filme. Que soube a pouco.

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Subserviente

por Pedro Correia, em 29.01.16

No debate quinzenal desta manhã no Parlamento, Heloísa Apolónia, deputada de um partido tão subserviente ao PCP que nunca se apresentou a eleições com sigla autónoma, pediu a António Costa para não ser "subserviente a Bruxelas". Há coisas que ainda me fazem sorrir na política portuguesa.

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Esboço de orçamento para enganar papalvos

por José António Abreu, em 29.01.16

trafulhice não surpreende: imagem de marca dos governos socialistas recentes, só confirma as suspeitas sobre a falta de seriedade intelectual de Costa e de Centeno. Mas classificar como extraordinárias medidas que obviamente representam despesa corrente constitui tamanho insulto à inteligência alheia que ainda incomoda ligeiramente - e acima de tudo envergonha, por recuperar o lugar-comum do português que utiliza todos os expedientes para tentar evitar o que tem de fazer. Depois disto, será lícito esperar respeito por parte de técnicos e ministros das finanças europeus? Há um ano, Varoufakis perdeu a consideração dos colegas por arrogância (faça-se-lhe a justiça: claramente assumida); Centeno, com o sorriso cada vez mais parecido com o de um vendedor de carros usados (as minhas sinceras desculpas aos vendedores de carros usados), irá perdê-la por esperteza saloia.

Mas enfim, sejamos positivos: pelo menos como espectáculo para consumo de pipocas, a coisa promete. Vai ser divertido assistir ao braço de ferro entre governo, comissão europeia, bloco de esquerda e partido comunista. E pode ser que entretanto a DBRS resolva juntar-se à festa. Nesse caso, os tempos ficarão mesmo muito, muito interessantes.

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Pós-eleitorais (4)

por Pedro Correia, em 29.01.16

Continuo a ler e a escutar alguns tudólogos que anunciam ao País ter sido Sampaio da Nóvoa um dos "vencedores" da eleição presidencial. Isto autoriza-me a revisitar a história. E a reescrevê-la. Estou assim em condições de garantir-vos que foram estes os verdadeiros "vencedores" das eleições presidenciais ocorridas nos últimos 40 anos: Otelo Saraiva de Carvalho em 1976, Soares Carneiro em 1980, Freitas do Amaral em 1986, Basílio Horta em 1991, Cavaco Silva em 1996, Ferreira do Amaral em 2001 e Manuel Alegre em 2006 e 2011. Triunfadores, todos eles.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.01.16

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O Vento nos Salgueiros, de Kenneth Grahame

Tradução de Júlio Henriques

Literatura infantil

(edição Tinta da China, 2016)

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Gente desta não interessa a ninguém

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.01.16

Há acordos que os arguidos podem e devem fazer com o Ministério Público. Com o partido espero que quem manda tenha o bom senso de não fazer qualquer acordo e que sejam seguidos os procedimentos estatutariamente previstos para situações desta natureza. Quem assim procedeu não merece qualquer confiança, não está na política de forma séria, limpa, não faz qualquer falta aos partidos nem à democracia e, além do mais, dá cabo do nome da agremiação. Para esses só vejo um caminho. 

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 29.01.16

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Cristina Escobar

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As canções do século (2220)

por Pedro Correia, em 29.01.16

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O profe de português do 1ºCC, turma G

por José Navarro de Andrade, em 28.01.16

À beira da reforma, o professor de português passava as aulas a olhar pela janela com supino enfado, enquanto tentávamos desbravar o texto que nos dera a ler – em silêncio! - durante a aula. Dúvidas? No fim. E no fim a campaínha apanhava-o já à porta da sala, prestes a desaparecer por entre os plátanos do pátio sul do Camões. Nesse ano de 75 as classes passaram a ser mistas e, entre outras novidades igualmente truculentas, o ar andava denso de hormonas. De tal modo a paciência de Vergílio Ferreira se havia esgotado que nem para se mostrar descontente tinha disposição. Era uma sombra de meio-dia que só desejava não ser importunada pelos estados de alma da época. Valia-nos que não se armava em pedagogo, nem concedia que o admirassem, pelo que também lhe fazíamos o favor de não lhe ligar. Anos depois, ao ler a “Conta Corrente” pareceu-me detectar uma referência à nossa azougada turma, numa frase suspirada como um encolher de ombros, mas sem pez pejorativo. Na verdade, a distância que Vergílio Ferreira nos impunha seria igual àquela que manteríamos em face de uma figura que sentíamos como imponente. Alguns de nós até havíamos lido os seus romances.

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Já li o livro e vi o filme (43)

por Pedro Correia, em 28.01.16

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OS 39 DEGRAUS (1915)

Autor: John Buchan

Realizador: Alfred Hitchcok (1935)

O filme tornou-se um marco na história do cinema. Com o seu talento, Hitchcock transformou uma banal história de espionagem numa obra-prima.

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Expulsões

por Luís Naves, em 28.01.16

Na crise migratória europeia não há apenas refugiados. Alguns comentadores resistiram ao uso da palavra ‘migrantes’, dizendo que tinha carga ideológica. São refugiados, dizia-se, por isso deve ser usada apenas essa palavra. Ontem, a Suécia decidiu expulsar 60 mil a 80 mil migrantes, tendo rejeitado quase metade dos pedidos de asilo recebidos em 2015, e algumas notícias mostram que entre nós o fenómeno não é compreendido, escrevendo-se por exemplo que estão a ser expulsos refugiados, algo que seria crime. A Suécia não deixou de cumprir as leis internacionais e expulsa pessoas que não têm direito a asilo, com origem em países que não estão em guerra.

A opinião pública portuguesa foi submetida a uma versão da crise migratória que torna difícil assimilar alguns dos problemas criados. A proporção de refugiados é metade do total de pessoas que entraram nas fronteiras europeias e a expatriação dos migrantes que não têm direito a asilo terá custos adicionais. A crise migratória coloca questões de segurança e ameaça alterar a própria identidade europeia, tendo criado graves divisões, com um grupo de países de leste a recusar a ideia de uma política comum de imigração e asilo. Neste momento, está em perigo o próprio espaço de livre circulação de Schengen, que permite uma das liberdades essenciais na União Europeia, mas a animosidade entre governos pode já ter ultrapassado o ponto de não retorno. O número elevado de migrantes e refugiados provocou reacções de descontentamento em países como Alemanha, Dinamarca ou Suécia, o que beneficia partidos populistas que exigem limites. Entretanto, apesar do Inverno, os números continuam a crescer.

Em 2015, a Europa recebeu mais de 1 milhão de pessoas, que têm de ser alojadas, alimentadas e integradas na sociedade. Este é o problema político mais grave que a Europa enfrentou nos últimos dez anos, mas em Portugal pairam as teses politicamente correctas, sobretudo a ideia simplista de que a Europa está a falhar por falta de generosidade, quando ocorre o caso inverso, ela parece incapaz de enfrentar esta quantidade de refugiados, para mais havendo a perspectiva de multidões que se podem pôr em movimento (2 a 3 milhões de refugiados sírios na Turquia) e a dificuldade em integrar altas percentagens de gente com uma cultura distinta. É evidente que a Suécia não pode receber em cada ano 150 mil pessoas (1,5% da sua população) e a rejeição dos migrantes económicos era uma mera questão de tempo.

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Vergílio: a luz da escrita

por Pedro Correia, em 28.01.16

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«Não deixes que te abandone o milagre de escrever. Não deixes que a miséria do teu corpo escureça com a sua sombra a pequena luz da tua escrita.»

Vergílio Ferreira, Escrever

 

É confrangedor verificar a facilidade com que hoje se desfazem as bibliotecas familiares. Encontro vestígios dispersos destas colecções organizadas nos alfarrabistas que frequento e procuro recolher tudo quanto posso: não é raro encontrar pequenas pérolas desbaratadas por gente que não fazia a menor ideia do que deitava fora.

Anoto isto para realçar a importância das bibliotecas familiares na formação de quem teve o privilégio de beneficiar com elas. Recordo o respeito quase solene com que pela primeira vez entrei na biblioteca do meu avô, já era criança crescida, e como demorei os olhos a decifrar as letras das lombadas. Recordo o convívio familiar com os volumes acumulados na biblioteca do meu pai ("o escritório", assim chamávamos àquela divisão) e as longas horas que lá passei. Cada um daqueles livros era uma janela aberta sobre o mundo.

De início, era eu miúdo, o Pai incentivava-me a permanecer ali encarregando-me de uma tarefa que desempenhei com zelo: abrir as páginas dos livros que vinham por guilhotinar da tipografia, como naquele tempo tantas vezes sucedia. Exerci com gosto essa função durante alguns anos, sempre que um novo título ali entrava - e eram muitos, de vários géneros.

 

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Foi assim, munido de um corta-papéis com cabo de ébano, que tive pela primeira vez nas mãos uma obra de Vergílio Ferreira. O nome, Cântico Final, nada me dizia.

Mas senti uma curiosidade adolescente de espreitar as linhas iniciais. E logo essa prosa me arrebatou como se nenhuma outra eu tivesse lido até então.

«Por uma manhã breve de Dezembro, um homem subia de automóvel uma estrada de montanha. Ma­nhã fina, linear. O homem parou um pouco, enquanto o motor arrefecia, e olhou em volta, fatigado. Aqui estou. Regressado de tudo. Pelo vale extenso até a um limite de neblina, viam-se aqui e além indícios brancos de aldeias, brilhando ao sol. Que dia é hoje?

Pelos campos perpassava uma alegria estranha, tal­vez do sol e daquele fundo silêncio a toda a volta, sem uma voz repentina das que sobem e vibram nas manhãs de trabalho. E de súbito lembrou-se: para o fundo do vale, ouviu o dobre dos sinos do Freixo. Manhã de domingo, manhã de infância, sinos de ou­trora.»

 

Nunca me tinha acontecido com nenhum escritor, raras vezes voltou a acontecer: Vergílio Ferreira conquistou-me com aquelas primeiras linhas. Peguei no livro editado pela Portugália e percorri-o com a mesma sensação de enamoramento pelo nosso idioma que voltaria a sentir com todos os outros que dele fui lendo ao longo dos anos: Aparição, Manhã Submersa, Vagão J, Alegria Breve, Mudança, Estrela Polar, Nítido Nulo, Rápida, a Sombra, Para Sempre, Até ao Fim, Na Tua Face, Em Nome da Terra.

 

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Nem todos me conquistaram: Rápida, a Sombra e Nítido Nulo, por exemplo, sempre me pareceram romances falhados. Mas a sedução da prosa do autor de Escrever - que viria a prolongar-se na sua escrita ensaística e diarística, sem esquecer os contos - jamais deixou de me tocar.

Prosa poética, no mais profundo e visceral sentido da expressão, tantas vezes abastardada. Prosa limpa, límpida, luminosa. Prosa de um escritor maior, que nunca solucionou um conflito íntimo entre a razão e a emoção capaz de o sobressaltar a cada passo e que transparecia da sua escrita.

Prosa que não deixei de ler como um rito iniciático a esta língua que nos serve de traço identitário e nos elevou através dos séculos desde os humildes confins da tribo à nobre condição de povo.

Prosa incapaz de nos deixar indiferentes. E à qual sempre regresso em eventuais crises de inspiração. Vergílio Ferreira - cujo centenário hoje evocamos, como a Isabel Mouzinho já assinalou aqui - merece ser lido e relido. Felizmente tem uma editora apostada em tratar o seu espólio literário com o carinho e o respeito que merece: a Quetzal acaba de lançar as 1000 Frases de Vergílio Ferreira (obra organizada pelo nosso Luís Naves) e lançará em 2016 novos títulos da sua obra completa. Incluindo o segundo romance, Onde Tudo Foi Morrendo, com as alterações introduzidas pelo autor à versão inicial, da década de 40, e o "meu" Cântico Final, também há longos anos ausente dos escaparates.

 

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Falta fazer regressar Vergílio Ferreira aos programas escolares, como a Isabel justamente também reclama. Essa seria a melhor homenagem que o País oficial poderia prestar-lhe em ano de centenário (e do 20º aniversário da sua morte, ocorrida a 1 de Março de 1996).

Para que adolescentes sem acesso a uma biblioteca familiar, neste tempo em que a memória é encarada como um estorvo e nos iludimos a todo o instante com a fugaz eternidade do "presente", se deixem também hoje seduzir por esta prosa ímpar. Tal como aconteceu comigo quando tinha essa idade propícia a todos os encantamentos.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.01.16

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Comboio Nocturno para Lisboa, de Pascal Mercier

Tradução de João Bouza da Costa

Romance

(reedição D. Quixote, 7ª ed, 2015)

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Pós-eleitorais (3)

por Pedro Correia, em 28.01.16

As chamadas esquerdas quiseram medir forças nas presidenciais. Perverteram o espírito deste escrutínio, transformando-o numa segunda volta das legislativas (e em novo round das primárias do PS, no caso do confronto Nóvoa/Belém). Alegavam que só a multiplicação das candidaturas conseguiria travar o passo ao "candidato da direita". Pura mistificação, como a linguagem das urnas demonstrou: as esquerdas multiplicadas valem hoje apenas 38,1%. Em política o aumento de parcelas costuma produzir efeitos destes: subtrair em vez de somar.

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Para sempre

por Isabel Mouzinho, em 28.01.16

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Hoje fui ver o mar. Na realidade não ia vê-lo mas aproveitei. E à primeira impressão  eu via-o mas não o via, porque via dele apenas a realidade imediata em ondas e espuma. Foi preciso que deixasse vir ao de cima o que oculto se me queria revelar. Abandonei-me a ele e deixei. Mas o que então se me revelou foi uma nebulosa confusa de emoções , memórias, associações indistintas, qualquer coisa que se anuncia como numa casa desabitada. O indizível. O flagrantemente presente e que se não acaba de esclarecer. O estranho que nos perturba e não sabemos de onde vem. A praia estava deserta e o mar convulsionava-se num mundo ainda por nascer (...) Eu podia enumerar todos os elementos do que presenciava, mas havia outra realidade que ficava intacta à minha enumeração. Essa, essa - dizê-la. Não é aí precisamente que começa o "escrever bem"? Por isso a escrita não tem que ver com o real mas com o outro real dela. (...) Há no homem o insondável da sua interrogação. Mas só o artista a conhece e a pode revelar aos outros para ela ser desses outros e a verdade do ser se lhes iluminar. Escrever bem. Ser sensível ao que se quer revelar e ser só a sua revelação. E o mundo existir porque ele o revelou. 

 

(Vergílio Ferreira, Pensar)

 

Tinha dezassete anos quando o li pela primeira vez. Ou, pelo menos, quando se me revelou. E essa leitura marcou-me de uma forma tão profunda, que determinou de certo modo a escolha do caminho, porque me levou a decidir em definitivo que queria estudar literatura.

Escritor, ensaísta, professor, de personalidade forte e humor mordaz, dele se diz que morreu a escrever, aos oitenta anos, e que quis que o seu caixão ficasse virado para a Serra da Estrela, que ele tanto amava. Verdade ou não, o que importa é o que nos fica: uma obra imensa que, goste-se muito ou não se goste nada, ocupa um lugar central na literatura portuguesa do século XX. É, por isso, incompreensível e imperdoável que tenha sido retirado dos programas de Português do Ensino Secundário...

Vergílio Ferreira faria hoje cem anos. Para mim, será sempre um dos melhores.

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As canções do século (2219)

por Pedro Correia, em 28.01.16

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Maria do Rosário Pedreira

por Patrícia Reis, em 27.01.16

E se dissesses
o meu nome eu morreria de amor.
Devo, por isso, afastar-me de ti – não
por ter medo de morrer (que é de já não
o ter que tenho medo), mas porque a chuva
que devora as esquinas é a única canção
que se ouve esta noite sobre o teu silêncio.

 

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Já li o livro e vi o filme (42)

por Pedro Correia, em 27.01.16

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MYSTIC RIVER (2001)

Autor: Dennis Lehane

Realizador: Clint Eastwood (2003)

O livro dá-nos um murro no estômago. O filme também, ainda com mais intensidade. Um e outro lembram-nos que todas as aparências podem iludir.

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Equipas de sonho

por João André, em 27.01.16

Quando perguntamos a cada um qual o clube preferido recebemos habitualmente um (ou mais) nome(s). Essa resposta será igual qualquer que seja a altura em que se faça a pergunta. O clube escolhe-se relativamente cedo e raramente (não conheço um único caso) muda para o resto da vida.

 

Aquilo que é curioso é que ninguém é realmente capaz de explicar de forma objectiva porque razão é desse clube. Há as influências habituais dos pais, irmãos, amigos ou sucessos em determinadas alturas. Isso explica as origens da preferência, mas quando se pede a explicação para o porquê de essa preferência se manter, a resposta tende a ser quase igual em todos os casos: «os adeptos são os melhores do mundo», «somos um clube diferente», «este clube representa o/a/um povo/cidade/classe/região/mentalidade/etc [à escolha]» entre outras. Raramente são justificações intemporais, ou seja, que sejam verdade tanto hoje como há 20 anos ou dentro de 30.

 

Vejo o meu caso: sou adepto (cada vez mais passivo) do Benfica. É um clube que precisou de uma Assembleia Geral para aprovar a contratação do primeiro jogador estrangeiro mas que entretanto já teve jogos em que nem um terá jogado. O FC Porto representou, sem qualquer margem para dúvidas, o Porto e a região do norte do país, mas no plantel actual só se encontram 5 jogadores portugueses e apenas um joga com regularidade. Isto não pretende menorizar estas equipas, apenas fazer notar que as identidades são mutáveis ao longo do tempo. Os casos mais claros vêm de Inglaterra, onde os clubes eram uma forma de unificar comunidades locais e são hoje em dia essencialmente veículos de merchandising futebolístico.

 

Por isso preferi fazer um exercício diferente. Em vez de dizer qual a "minha" equipa (Benfica desde pequeno por influência do pai, Académica por ter estudado em Coimbra) prefiro referir equipas que me marcaram no seu período temporal. Exemplos seriam (para ir para uma altura em que não era nascido) o Ajax de 1970-73; o Real Madrid de 1956/60 ou a Wunderteam austríaca de Sindelar e Meisl dos anos 30 (não posso invocar estas equipas porque não as vi jogar a não ser, no melhor dos casos, em pequenos clips no YouTube). Vou referir umas quantas equipas que me fizeram sonhar. Equipas com as quais criei algum tipo de laço emocional por uma razão ou outra, mesmo que não compreenda como surgiu. Nalguns casos poderão ser adversárias do Benfica, mas tentarei não deixar que isso me distraia.

 

Deixo ainda uma sugestão: se os nossos comentadores quiserem fazer o mesmo exercício, que cada um me faça chegar um texto e tentarei publicá-lo. Este tipo de actividade em torno das memórias é normalmente mais agradável quando em grupo.

 

A seguir aqui.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.01.16

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Entre Dois Impérios - Viajantes Britânicos em Goa (1800-1940), de Filipa Lowndes Vicente

História

(edição Tinta da China, 2015)

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Pós-eleitorais (2)

por Pedro Correia, em 27.01.16

Pedro Silva Pereira salientava na noite de segunda-feira, na TVI 24, que o bom resultado eleitoral de Marisa Matias "premeia o contributo do BE para uma governação à esquerda". Este raciocínio do eurodeputado socialista conduz-nos fatalmente à conclusão que o PCP tem dado um contributo negativo à governação, visto ter obtido o seu pior resultado eleitoral de sempre.

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As canções do século (2218)

por Pedro Correia, em 27.01.16

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O regresso dos maus da fita e o poder do pensamento positivo

por José António Abreu, em 26.01.16

Moodys afirma que esboço do orçamento de Estado é optimista e repete erros do passado.

Fitch considera que orçamento assenta em pressupostos de crescimento «irrealistas» e ameaça descer rating de Portugal.

Não será altura de a intelligentsia nacional começar novamente a bramir contra as agências de rating? (Poupando a DBRS, claro - por enquanto.)

 

Governo acredita que por cada euro de estímulos, retoma devolve quatro.

Funcionou bem em 2009 e 2010, não foi? E as PPP até se pagaram a elas mesmas...

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A música pop e a idade

por José António Abreu, em 26.01.16

O meu consumo de música pop começou a declinar por volta dos vinte anos e qualquer coisa, cerca de meados dos anos oitenta, e aos trinta a minha ignorância na matéria já atingia proporções cósmicas. Uma desgraça para alguém que, em tempos de pré-adolescência, sabia de cor os nomes de todos os membros de muitos grupos rock, inclusive alguns que, por pudor, não ousaria hoje nomear. Ainda tentei algumas vezes, sem muita convicção, e a conselho de amigos, ouvir coisas novas, mas, tirando uma vez ou outra, não percebi ou não me interessou. Continuei a ouvir, é claro, de tempos a tempos, música que ouvia em tempos passados (os Beatles ou os Kinks, ou os RoxyMusic, por exemplo) e certas coisas novas feitas pelas pessoas que eu costumava ouvir: Leonard Cohen, Zappa, LouReed às vezes, algum Dylan – e David Bowie, em primeiro lugar. Não se nasce impunemente em 1960.

Suponho que, com estes ou outros nomes, é uma experiência comum. As pessoas crescem, esquecem, envelhecem, e depois já é tarde demais para voltar a aprender um entusiasmo ou outro.

Paulo Tunhas, no Observador.

 

Será uma experiência comum mas baralha-me há muito. Estou ciente do poder da inércia mas estranho a capitulação. Percebo que se vão adquirindo outros gostos (raras pessoas ouvem A Love Supreme, de John Coltrane, ou a oitava sinfonia de Mahler aos dezoito anos) mas confunde-me que isso suceda através de um processo de substituição. Para mais, quando este é incompleto: não se abandonam os gostos da juventude, apenas se prescinde de ganhar outros.

Nada disto ocorre no cinema: muitos podem preferir os filmes do tempo em que cresceram, ou mesmo os «clássicos», mas nenhum fã de cinema se recusa a assistir e, quando entende adequado, a elogiar os actuais. (Pelo contrário: ficar preso a filmes «antigos» é visto com estranheza.) Não ocorre também na literatura: mesmo quem pensa que todas as grandes histórias já foram escritas não se sente impelido, por desagrado ou inércia, a evitar as obras de autores contemporâneos. Em qualquer arte, conhecer trabalhos do passado (e, em particular, os que marcaram a evolução dessa arte) evita gritos extemporâneos de originalidade mas não obriga ao desinteresse. As obras que descobrimos na juventude são com frequência as mais marcantes mas não têm o poder de se impor como exclusivas. Excepto na música pop/rock.

Precisamente: falamos de música pop/rock, argumentarão alguns. Por já não constituírem desafio suficiente, filmes e livros de certos géneros também se vão abandonando com a idade, mantendo-se apenas uma relação cúmplice com aqueles que nos encantaram na juventude. Talvez. Mas será a boa música pop/rock assim tão simples e evidente? Eu arrisco dizer que pelo contrário. Que há nela uma dificuldade especial, maior do que a existente na literatura e no cinema contemporâneos, que a torna problemática para todos aqueles a quem (desculpem lá) a idade entorpece. A melhor música pop/rock recusa-se não por ser básica e repetitiva mas por - de forma algo similar à música «clássica» contemporânea - ainda conseguir ser estranha. No cinema e na literatura, a estranheza instintiva, quase epidérmica, já é rara. Tristam Shandy tem um quarto de milénio. O monólogo de Molly Bloom (depois dele, será possível estranhar alguma coisa na literatura?) aproxima-se do século. No cinema, Un Chien Andalou surgiu há quase noventa anos e depois do surrealismo de Buñuel tivemos muitos outros, incluindo o de David Lynch. O minimalismo e o grau de exigência de Bergman e Dreyer prepararam-nos para quase todos os filmes «lentos» que vieram depois e a sequência final do 2001: Odisseia no Espaço não nos permite grande surpresa quando assistimos a The Tree of Life, de Terrence Malick. Mas a música pop/rock tem uma história relativamente curta e a estranheza ainda é frequente. De tal modo que, muitas vezes, a renúncia é temporária: há bandas que são postas de lado à primeira audição mas que, anos depois, mais ou menos entradas na consciência colectiva (para não escrever no cânone do pop/rock), já se apreciam. No fundo, o que os Animal Collective (novo álbum dentro de dias) faziam por volta de 2010 não era substancialmente diferente do que David Bowie ou os Velvet Underground levavam a cabo por volta de 1970, os Joy Division por volta de 1980 ou os Nirvana por volta de 1990: moldavam sons e palavras em canções que primeiro se estranham e depois se entranham. Todavia, embora certamente recordados de quão incompreensível lhes era na adolescência a indiferença (quando não a hostilidade) dos seus pais em relação à música que ouviam, poucos «adultos» actuais se dispuseram a prestar-lhes atenção. Talvez dentro de mais uns anos.

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Já li o livro e vi o filme (41)

por Pedro Correia, em 26.01.16

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POR QUEM OS SINOS DOBRAM (1940)

Autor: Ernest Hemingway (Nobel da Literatura, 1954)

Realizador: Sam Wood (1943)

O mais emblemático romance de Hemingway, centrado na Guerra Civil de Espanha, teve uma adaptação frouxa para cinema mesmo com Gary Cooper e Ingrid Bergman.

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Uma simples dúvida

por Ana Lima, em 26.01.16

Se até agora certas zonas do país eram conhecidas como o cavaquistão, depois das eleições de domingo o país (quase) inteiro vai passar a ser conhecido como o marcelão?

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Leitura recomendada

por Pedro Correia, em 26.01.16

Não há paciência. Da Helena Matos, no Observador.

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