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Carlos Drummond de Andrade

por Patrícia Reis, em 31.12.15

O último dia do ano
Não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
E novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
Farás viagens e tantas celebrações
De aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia
E coral,

Que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
Os irreparáveis uivos
Do lobo, na solidão.

O último dia do tempo
Não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
Onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
Uma mulher e seu pé,
Um corpo e sua memória,
Um olho e seu brilho,
Uma voz e seu eco.
E quem sabe até se Deus...

Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.

Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa, já se expirou, outras espreitam a morte,
Mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
E de copo na mão
Esperas amanhecer.

O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
O recurso da bola colorida,
O recurso de Kant e da poesia,
Todos eles... e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.

As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
Lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

 

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O declínio da imprensa

por José Navarro de Andrade, em 31.12.15

Mesmo no fim do ano aparece um artigo solitariamente lúcido sobe a crise da imprensa. De quem havia de ser senão de João Carlos Barradas?

Clique-se à vontade porque vale a pena, mas para ler há que pagar. Se fosse à borla o artigo não existia - uma lógica simples, não?

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Feliz Ano Novo

por Teresa Ribeiro, em 31.12.15

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Não me quero meter num 31. Se o Natal é quando um homem quiser também o ano novo nasce quando muito bem entender. Ainda há dois dias ouvi um curioso discurso contra as 12 passas e os 12 desejos (não desgosto de passas, mas também prefiro m&m's). Os 12 desejos são, de facto, um exagero. Uma clara invenção da sociedade de consumo, que como sabemos tem na venda de desejos o seu grande negócio. Eu gosto de dizer "não" ao desperdício. Além de que não me tenta apresentar um tão extenso caderno de encargos ao destino. No que toca ao meu destino sou supersticiosa. Acho que o melhor é deixá-lo estar, distraído de mim, não vá o diabo tecê-las. De modo que não lhe vou pedir nada.

Gosto daquela máxima que diz: "Não peças nada, espera pouco e deseja tudo". Desejar tudo é só uma questão de princípio. Ninguém deseja tudo esperando que tal se concretize, por isso estou de mala aviada para 2016 sem grandes expectativas. Apenas com uma ideia de pragmatismo que me agrada, que é a de fazer o que estiver ao meu alcance para me sentir bem. Se for competente, haverá consequências para quem estiver próximo e até longe de mim. Quantos mais, melhor, porque o efeito multiplicador é muito importante.

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Conto de Ano Novo

por José António Abreu, em 31.12.15

As dores começaram a sério na manhã do dia 31 de Dezembro. Para Susana, não constituíram uma surpresa. Há meses que as esperava a qualquer instante. Sentira-as até muitas vezes, em parte reais, em parte por antecipação. Fez uma tentativa débil para se convencer de que ainda não seria agora, de que não passava de um falso alarme, mas desistiu de imediato. Para quê fingir optimismo nesta fase?

Vítor estava a trabalhar. Pensou telefonar-lhe mas desistiu também dessa ideia. Fá-lo-ia mais tarde. Ou não. Os esforços que ele fazia para lidar com a situação deviam agradar-lhe (sabia-o perfeitamente) mas, em vez disso, irritavam-na.

Deitou-se no sofá da sala e recordou os dias do diagnóstico. A preocupação do médico, cuja confiança profissional se esvaiu ao perceber o grau do pessimismo dela. «Precisa de ânimo. Uma visão positiva é essencial.» As garantias de Vítor de que tudo correria bem: «Não há verdadeiras razões para ficares assim. As taxas de sobrevivência são altíssimas, hoje em dia.» (Evitava sempre dizer «taxas de mortalidade», em mais uma demonstração de tacto que a irritava profundamente.)

Ela sabia que era verdade. Mas também conhecia os factores de risco, que, honra lhe fosse feita, o médico nunca suavizara. E, acima de tudo, conhecia a história da sua família. Pesquisara. Por entre um mar de imprecisões e contradições, os familiares mais idosos recordavam pelo menos cinco mortes, todas pelo mesmo motivo. A penúltima, claro, fora a da mãe dela. A última, a de uma tia, irmã da mãe. Era a única de que Susana se lembrava, embora vagamente. Tinha seis anos. Haviam-na poupado ao funeral mas recordava a viagem até à Guarda, onde a tia residia com o marido. No final da década de 1970, as viagens ainda eram difíceis e, talvez por isso, memoráveis.

 

As dores não desapareceram. Pelo contrário, foram aumentando ao longo da manhã, como ela sabia que aconteceria. Almoçou uma maçã, voltou para o sofá. Perto do final da tarde, desistiu. Ligou para o telemóvel de Vítor. O som de chamada prolongou-se tanto que ela desligou num espasmo. Deu um par de minutos e ligou o número do médico. Dia 31 de Dezembro à tarde. Seria possível apanhá-lo? Foi. Atendeu, disse-lhe que seguiria de imediato para o hospital, profissional até na forma como escondeu a mais do que natural desilusão pela noite de passagem de ano estragada. Perguntou-lhe se tinha quem a levasse. Susana hesitou e depois respondeu que sim. «OK, encontramo-nos lá. Anime-se. Vai correr tudo bem.»

Ela sabia que as pessoas estranhavam. Que, no íntimo, a consideravam egoísta. Não era suposto reagir daquele modo. Tornava tudo mais difícil para toda a gente. Devia facilitar-lhes a vida, aceitando o desafio com estoicismo; não, com mais do que isso (estoicismo tinha ela): com ânimo, talvez mesmo entusiasmo. Era incapaz de o fazer. Percebia a inutilidade do seu comportamento, a injustiça que cometia e pela qual, se tudo acabasse mesmo por correr bem, teria de se penitenciar, mas as coisas eram como eram.

À segunda tentativa, Vítor atendeu. O tom de pânico na voz dele devia tê-la enternecido. Não o fez. Ele prometeu estar em casa em menos de um quarto de hora. Susana disse-lhe para não exagerar no trânsito. Só faltava ter um acidente. Depois de desligar, lembrou-se do comportamento dele nos primeiros tempos. De como parecia sentir mais medo do medo dela do que do risco que ela corria. Susana acabara por lhe garantir: «Sossega. Não vou fazer nada de irreflectido. Não condiz comigo.» Mas nem por isso ele ficou mais tranquilo.

Sabia que correra riscos. Perguntou-se várias vezes porquê. Um desafio à sorte? Mas então por que não conseguira assumi-lo até ao fim? Porquê o negativismo, a sensação de que o trajecto era inexorável e ela (como na viagem para a Guarda, há cerca de trinta e cinco anos) uma simples passageira?

As dores regressaram, tão fortes que a atiraram ao chão. Ao longo dos últimos meses, a sogra, especialista numa mistura de encorajamento e crítica, dissera-lhe várias vezes para rezar. Susana nem sequer sabia uma oração.

 

A filha tinha testa ampla como o pai mas os olhos eram os dela. E o nariz. Susana perguntou-se que efeitos negativos teria programado o seu pessimismo naquele corpo minúsculo. Desconhecia se, há quarenta e um anos, a mãe a chegara a ver e não conseguia decidir qual a melhor hipótese: morrer depois de verificar a sobrevivência de uma filha ou antes de confirmar a existência de um ente que se abandona no mundo. Mas Susana sobreviveria. Pelo menos isso.

O médico entrou no quarto. Já vestia roupa normal, tinha um ar cansado.

«Deu luta, hã? Mas está de parabéns. Tem uma bela rapariga. E sortuda, ainda por cima. Vai começar já a ter presentes. Foi o primeiro parto do ano aqui no hospital e provavelmente em todo o país.»

Mas logo a seguir explicou-lhe que, agora, talvez fosse mesmo preferível evitar nova gravidez. «Não estou a dizer taxativamente que não possa. Digamos que é algo a avaliar com cuidado, dependendo da evolução da situação, OK?» Tocou-lhe no braço, desejou-lhe um bom ano e saiu.

Vítor começou a falar. Dizia o que devia dizer (tudo correria bem; era cedo para ter certezas; ainda que não pudessem ter outros filhos, isso não constituiria uma tragédia) mas ela não sentia vontade de o ouvir. Olhou para a filha, que ainda nem tinha nome. Alegria e renovação do medo, pensou. Talvez a única forma adequada de entrar num ano novo.

 

(Também aqui.)

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Vamos lá ver

por Rui Rocha, em 31.12.15

Também aconteceram coisas espantosas em 2015. Por exemplo: como é que estas criaturas se meteram ali? E como é que as vamos tirar de lá?

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Já li o livro e vi o filme (15)

por Pedro Correia, em 31.12.15

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FAHRENHEIT 451 (1953)

Autor: Ray Bradbury 

Realizador: François Truffaut (1966)

A ficção científica não era o forte do realizador francês, como comprova esta mediana adaptação a filme do excelente romance do escritor norte-americano.

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Dão-se alvíssaras a quem puder esclarecer

por Rui Rocha, em 31.12.15

Desejar "boas entradas" vale como piropo?

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Carlos Drummond de Andrade

por Patrícia Reis, em 31.12.15

 

RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

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Bom ano a todos

por Patrícia Reis, em 31.12.15

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Alguns álbuns de 2015: "My Love is Cool", dos Wolf Alice

por José António Abreu, em 31.12.15

Não sei se o primeiro trabalho de longa duração dos britânicos Wolf Alice é o melhor álbum pop do ano mas é certamente o que ouvi mais vezes e um dos dois mais eclécticos (chegaremos ao outro). Repleto de momentos de descontracção, inclui variações de ritmo e uma pitada de introspecção e nostalgia que lhe conferem espessura. Este vídeo parece-me ainda uma boa maneira de abandonar 2015.

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Um ano difícil

por Luís Naves, em 31.12.15

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O próximo ano não será fácil para Portugal. No final de 2015, houve uma acumulação de tensões políticas como não se via desde os anos 80. Temos agora a bizarra situação de um partido de governo que perdeu as eleições, com apenas 32% dos votos, e que em certas votações cruciais para a credibilidade externa do país necessitará do apoio de um partido rival com mais deputados ou, alternando, do apoio de duas formações da esquerda radical. O PS vai governar de forma precária, toureando à vez, à esquerda e à direita, conforme o tema. As trapalhadas serão constantes, as surpresas inevitáveis, e nem o apoio automático de uma comunicação social desligada da realidade poderá esconder as sucessivas crises.

As promessas da esquerda ameaçam inverter o que foi conseguido na redução da despesa pública e nas contas externas. As incertezas políticas podem reflectir-se no crédito da república e esbanjar a rara oportunidade do petróleo barato e do financiamento a juros baixos. E, no entanto, é perfeitamente possível que a transição pantanosa dure mais de um ano, pois será punido nas urnas quem derrubar este governo minoritário antes que sejam visíveis os seus estragos.

As bolhas das elites políticas, empresariais, culturais e jornalísticas estão a rebentar, pondo fim às ilusões em que todos viveram. Os bancos serão comprados por bancos estrangeiros maiores e esse processo talvez já seja visível em 2016. Os jornais perdem leitores e abraçam a cultura da banalização do superficial. A economia é pouco competitiva, o desemprego elevadíssimo, as empresas precisam de capital e a credibilidade externa do país depende de decisões que não controlamos, tomadas por burocratas da Comissão ou do BCE e por tecnocratas anónimos das agências de notação.

Dentro de semanas, nas eleições presidenciais, o país terá de fazer uma escolha entre estabilização e agravamento da instabilidade, sendo mais provável a primeira opção, com a eleição de Marcelo Rebelo de Sousa à primeira volta. Marcelo é o candidato que está em melhores condições de conseguir introduzir algum bom senso nesta complexa equação política.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 31.12.15

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O Salão Vermelho, de August Strindberg

Romance

(edição E-Primatur, 2015)

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A fechar o ano

por Sérgio de Almeida Correia, em 31.12.15

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(Bansky) 

 

"Moving forward, Europe must rediscover a progressive sense of universal values, something that the continent’s liberals have largely abandoned, albeit in different ways. On the one hand, there is a section of the left that has combined relativism and multiculturalism, arguing that the very notion of universal values is in some sense racist. On the other, there are those, exemplified by such French assimilationists as the philosopher Bernard-Henri Lévy, who insist on upholding traditional Enlightenment values but who do so in a tribal fashion that presumes a clash of civilizations." - Kenan Malik, The Failure of Multiculturalism

 

A diversos níveis, 2015 foi um ano de grande turbulência. Política e socialmente, na Europa e fora dela. O ano que se prepara para chegar ao fim foi também um ano de catástrofes naturais, de acidentes no ar, no mar, na terra, debaixo dela também, e sabe-se lá onde mais, de terrorismo, de pungentes dramas humanos, enfim, numa palavra, um ano de tragédias, um ano de excessos e radicalismos perigosos e inusitados. Sabemos hoje que se a nossa mão tem tido um papel no desenvolvimento, nos avanços técnicos e científicos que têm servido para minorar o sofrimento de muitos, a sua acção tem servido igualmente para acelerar desgraças, seja pela forma imponderada como se tem olhado para as questões do clima, cujos efeitos nefastos se fazem sentir com cada vez maior frequência, seja pela leviandade com que se mercantilizam direitos e obrigações, humanos e desumanas, ignorando-se questões essenciais para a nossa sobrevivência, para a construção de sociedades mais decentes e mais justas, e para o equilíbrio da nossa espécie e das que connosco sobrevivem e com as quais repartimos o espaço e o ar que respiramos. A falta de líderes e políticos preparados, responsáveis, sérios, interessados pelas questões que nos afectam, com estatura e pedigree não explica tudo. Nenhum de nós tem uma varinha mágica para resolver os problemas que nos afligem. Da nossa rua à nossa cidade, do nosso país ao mundo há, porém, muita coisa que pode ser feita sem custos, apenas com um pouco de esforço, olhando com olhos de ver, pensando no que merece ser pensado e discutido. Não podemos fugir de nós próprios, estamos condenados a viver e a compartilhar alegrias, dramas e sobressaltos. Há muitas maneiras de o fazermos e todas as que possam fazer-nos sair da modorra, do conformismo, da inércia, e que sejam susceptíveis de nos obrigar a agir são legítimas. Se por vezes é preciso falar das coisas a brincar, muitas vezes mesmo gozando com as situações, ironizando, satirizando, provocando, gerando desconforto, incomodidade, reacções contraditórias de amor e ódio naqueles que nos rodeiam, outras haverá em que temos de nos confrontar com o que fizemos, com o que não fizemos e com o que ficou por fazer devendo ter sido feito. Nas páginas deste e de outros blogues, nos meus textos avulsos, em redes sociais, em jornais, em debates ou em seminários e conferências, escrevendo cartas, confrontando os poderes formais e informais, por vezes sendo voluntariamente excessivo na adjectivação, contundente na farpa, incisivo na crítica, porque achei que assim devia ter sido, porque águas paradas não movem montanhas, porque é a indiferença que nos mata, que nos mói e que vai corroendo os alicerces da nossa vida colectiva, fui dando conta das minhas preocupações, muitas vezes enaltecendo posições que não são as minhas nem as que defendo apenas para obrigar os outros a reagirem. Um texto que gere a indiferença não serve para nada. É um amontoado de palavras. Até poderá ser um jogo de imagens agradáveis, bonitas, sensíveis, mas não passará disso mesmo, de uma inutilidade, de um desperdício sem consequências de maior. A sua função esgota-se com a composição e dissipa-se com a leitura. O que aqui ficou registado deve também ser visto nesta perspectiva. E como nos próximos dias muitos terão tempo - os que puderem ou tiverem pachorra - para foliar e descansar, aproveitando a circunstância do primeiro de Janeiro coincidir com uma sexta-feira, resolvi aqui deixar-vos a frase que acima transcrevi e convidar-vos a, num momento mais sossegado, perderem algum tempo a ler este texto de Kenan Malik. Penso que seria uma forma saudável de terminarem este ano antes de se atirarem ao próximo, aos encontrões, ao marisco, ao leitão, às passas, ao champanhe e a outros excessos da nossa "civilização", hoje mais dada ao insulto, à estupidez, à vacuidade e à veneração da mediocridade, apesar de excessivamente sensível para algumas coisas menores que deveriam merecer o nosso desprezo. Espero que a leitura, desta vez, não vos tenha sido indigesta, e que no próximo ano tenhamos todos direito à criminalização da imundície, de toda, e da idiotia. Entretanto, desejo-vos um ano farto. De saúde, porque sem ela nada feito, de luz e de paz, a começar pela de espírito, esperando que se continuem a indignar, criticar, exaltar, amofinar com o que por aqui vou deixando. Será sinal de que estão vivos, de que este blogue continuará o seu caminho e de que eu continuarei a ter motivos para aqui voltar quando me apetecer para exercer a minha cidadania. Quanto mais não seja para de vez em quando vos ir provocando a exercerem a vossa. De preferência num português inteligível. E a deixarem os vossos piropos, mesmo os mais ordinários, mesmo os destinados ao desprezo e à censura, com tesura. Porque a liberdade também passa por aqui.

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As canções do século (2191)

por Pedro Correia, em 31.12.15

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Fernando Pessoa

por Patrícia Reis, em 30.12.15

DEIXEI ATRÁS OS ERROS DO QUE FUI

Deixei atrás os erros do que fui,

Deixei atrás os erros do que quis

E que não pude haver porque a hora flui

E ninguém é exacto nem feliz.

Tudo isso como o lixo da viagem

Deixei nas circunstâncias do caminho,

No episódio que fui e na paragem,

No desvio que foi cada vizinho.

Deixei tudo isso, como quem se tapa

Por viajar com uma capa sua,

E a certa altura se desfaz da capa

E atira com a capa para a rua.

«23-8-1934 - Poesias Inéditas (1930-1935)

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O que vos desejo para 2016

por Rui Rocha, em 30.12.15

Saúde, amor, um amigo como o do Sócrates e, se estiverem metidos em alguma alhada, uma entrevista com o José Alberto Carvalho.

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Do regresso à opacidade como forma de evitar críticas

por José António Abreu, em 30.12.15

Já tem uns dias mas convém ler E os nomeados são, de João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.

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Já li o livro e vi o filme (14)

por Pedro Correia, em 30.12.15

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ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA (1995)

Autor: José Saramago (Nobel da Literatura, 1998)

Realizador: Fernando Meirelles (2005)

Ficou demonstrado que a obra do Nobel português supera a prova da passagem para cinema, contrariando o que alguns garantiam. Mas prefiro o original em livro à adaptação para filme.

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Regresso à normalidade

por José António Abreu, em 30.12.15

Lentamente, os contornos do caso Banif vão ficando mais claros. O processo foi fechado antes de 1 de Janeiro de 2016, evitando as novas regras europeias para a resolução bancária, que forçam uma contribuição dos maiores depositantes e dos detentores de dívida sénior. Ao contrário do que sucedeu no Novo Banco, a venda do «banco bom» foi restringida a entidades com licença bancária, o que permitiu um excelente negócio ao Santander - e um péssimo negócio para os contribuintes. Para grande satisfação dos principais bancos, o Fundo de Resolução foi não apenas poupado a contributos desagradáveis (o que forçou o ministro das Finanças a declarações de veracidade questionável) mas capitalizado - ambas as coisas, mais uma vez, à custa dos contribuintes. Com a ajuda de uma comunicação social acéfala ou alinhada (não sei o que será pior), o ónus de toda a situação foi empurrado para o governo PSD-CDS.

Resta admitir mérito a quem o merece. A operação foi excelentemente montada e perfeitamente executada. Até já se percebe o apoio de Fernando Ulrich (quase sempre alinhado com o PSD) à formação de um governo liderado por António Costa: enquanto o PS é de confiança, a versão do PSD liderada por Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque demonstrara não saber respeitar os costumes e as hierarquias da República.

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Um bom trabalho

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.12.15

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Fui durante muitos anos um leitor fiel de O Independente, apesar de muitas vezes não concordar com o estilo de algumas reportagens. Ainda hoje tenho saudades do jornal porque apreciava a escrita contundente, desempoeirada e frontal. E em matéria de opinião li nesse jornal algumas das melhores crónicas da imprensa nacional. Como muitos outros títulos, o jornal acabou por não resistir e desapareceu. Filipe Santos Costa e Liliana Valente, jornalistas que passaram pela escola do Indy, resolveram regressar ao passado e nele colheram algumas das melhores e mais deliciosas histórias então publicadas. Agora com o adicional de ficarmos a conhecer algumas das gargantas fundas. Não deixa de ser curioso que a edição do livro, com prefácio de outro grande jornalista, Vicente Jorge Silva, e editado pela Matéria-Prima, coincida com a mudança de ciclo político em Portugal, com o final do governo de coligação PSD/CDS-PP e a reforma de Cavaco Silva. Torna-se, por isso mesmo, particularmente interessante confrontar o que então foi escrito, em especial por Paulo Portas, que foi um dos directores do jornal Pelo Socialismo nos seus tempos de JSD, quer sobre o PSD, quer sobre a direita e algumas das suas figuras. É verdade que muitas vezes o jornal e alguns dos seus jornalistas se excederam e foram arguidos em numerosos processos, por vezes obrigados a retratarem-se e a pedirem desculpas e de algumas outras vezes mesmo condenados. Mas nada disso retira mérito ao que então se fez, de muito bom, bom e de menos bom, e que foi recuperado pelos autores de "A Máquina de Triturar Políticos". Quando nos recordamos das queixas de alguns protagonistas recentes sobre a forma como alguns blogues e alguma imprensa os (des)tratava, não há nada como recuperar o que então foi escrito para se poderem estabelecer comparações. Seria bom que as gerações mais novas, em especial aquelas que não tiveram o prazer e o gozo de ler o jornal todas as sextas-feiras, a começar pelas novas gerações de jornalistas, aproveitassem para ler o trabalho dos seus colegas, cuja leitura vivamente recomendo. De Cavaco Silva a Costa Freire, de Leonor Beleza a Tomás Taveira, de Santana Lopes a Durão Barroso, de Carlos Melancia a Dias Loureiro, de Miguel Cadilhe à "fonte da Campa 24", das histórias de Luís Filipe Menezes, de João de Deus Pinheiro, Mendes Bota, Macário Correia às peúgas brancas de alguns laranjinhas e ao empréstimo do PSD a Fernando Nogueira, do qual só Cavaco sabia, está lá tudo. Reler o que então se publicou escrito por Paulo Portas, Miguel Esteves Cardoso, Vasco Pulido Valente ou Helena Sanches Osório, conhecendo-se o passado mais recente, é um exercício obrigatório. Sublinhando o excelente grafismo, a recordar o seguido pelo jornal, e a reprodução de muitas das primeiras páginas que fizeram história, só lamento que, com excepção do prefácio, tenha sido escrito na "nova ortografia". Enfim, não se podendo ter tudo, o trabalho feito impõe-se por si, merece atenção e recomenda-se.    

 

Enquanto não lerem o livro, os leitores poderão entreter-se a adivinhar quem escreveu o que a seguir se transcreve:

"O primeiro-ministro de Portugal aceitou que a sua viagem de férias a Salzburgo fosse a convite e por conta de uma multinacional. A Nestlé teve a ideia, escreveu a Cavaco, organizou e pagou. O burgomestre austríaco limitou-se ao protocolo. Nós pagámos o Falcon e a Nestlé pagou o resto" - os bilhetes para o festival, a estadia na suite presidencial do melhor hotel da cidade e um passeio para ver as vistas. Tudo confirmado pela multinacional. (...) Foi assim que pela primeira vez um primeiro-ministro português se deslocou ao estrangeiro a convite de uma empresa privada."

"O homem que confunde Thomas Mann com Thomas More está no seu legítimo direito quando faz alguma coisa para se cultivar (...)"; "[S]eja qual for a importância da causa, o cidadão Aníbal Cavaco Silva não pode obrigar quem paga impostos a financiar-lhe despesas de elevação espiritual (...)"

"Os portugueses foram habituados, ano após ano, a ver na Europa um processo de enriquecimento fácil, gratuito e infinito. O doutor Cavaco tem a maior responsabilidade nesta ilusão nacional."

"A cultura cavaquista nunca teve nada de sólido e duradoiro. Não pretendia disciplina nas despesas, nunca apostou a sério no capitalismo nacional, nem sequer usou uma maioria única para reformar a sério e a fundo a indústria e agricultura. A cultura cavaquista esgotava-se em três palavras: consumismo, obras públicas e subsídios."

"[O]s políticos da maioria, e são muitos, que enriqueceram tão depressa que parecem ter transitado milagrosamente das cavernas para os palácios."  

"Jamais na história política do regime se verificou tamanha falibilidade  de um ministro das Finanças. Não há um número certo, não há uma conta exacta, não há uma previsão verificada. As contas não falham por magia. Falham porque as decisões de política estavam erradas.[...] [O ministro das Finanças] orientou toda a política económica para cumprir os critérios de convergência do Tratado de Maaastrich e chega ao fim do ano com resultados que afastam Portugal das metas a que se obrigou. [...] Viveu todo este ano num país irreal e numa economia imaginária. [...] O que o ministro das Finanças prevê não acontece. A aldrabice ganhou foros de Estado."

"O PSD agarra[-se] ao Estado como a lapa à rocha. Se o dr. Cavaco o tentar arrancar de lá, fica sem unhas."  

"Quem olhar a elite política reconhecerá semelhanças com A Mala de Cartão. É de admitir que Linda de Suza tenha primos e mais primos no poder e na oposição"

"É um erro acreditar que são bons os que nasceram assim e maus os que nasceram assado. Pelo contrário, os mais elevados critérios de apreciação de um político são os factos do seu carácter e da sua dignidade."

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.12.15

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O Astrágalo, de Albertine Sarrazin

Prefácio de Patti Smith

Tradução de Luís Leitão

Romance

(edição Antígona, 2015)

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A luz ao fundo do túnel

por Pedro Correia, em 30.12.15

Portugueses gastaram mais 289 milhões de euros em compras de Natal

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Fim das ilusões

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.12.15

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"Ciudadanos no va a apoyar a ningún Gobierno del Partido Popular ni va a estar en ningún gobierno que no presida ni encabece

 

Para quem contava com Rivera para fazer a diferença é o fim do devaneio. Na hora da verdade, a política não é actividade para diletantes.

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As canções do século (2190)

por Pedro Correia, em 30.12.15

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Leituras

por Pedro Correia, em 29.12.15

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«Talvez para uma mulher o sentido da vida consista unicamente em ser descoberta desta forma, olhada de maneira que ela própria sinta que irradia luz.»

Carmen LaforetNada (1945), p. 183

Ed. Cavalo de Ferro, Lisboa, 2014 (2ª edição). Tradução de Sofia Castro Rodrigues e Virgílio Tenreiro Viseu

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Já li o livro e vi o filme (13)

por Pedro Correia, em 29.12.15

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A MULHER QUE VIVEU DUAS VEZES (1954)

Autores: Pierre Boileau e Pierre Ayraud

Realizador: Alfred Hitchcock (1958)

Pode uma medíocre novela policial dar origem a um dos mais extraordinários títulos da Sétima Arte, vagamente inspirado nela? Pode. Vertigo é a prova.

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A ler

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.12.15

"Entrei para ficar menos tempo, mas não deu para sair antes. Não tenho o desapego de tudo, ninguém tem. Quem me dera. Mas pratica-se, e ajuda. Considero-me um homem feliz porque também tenho as minhas angústias. E por saber reconhecê-las."

 

Uma extraordinária entrevista de Carlos Vaz Marques a um homem do outro mundo.

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Expressões que detesto (73)

por Pedro Correia, em 29.12.15

"ALMOFADA FINANCEIRA"

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.12.15

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Maria Stuart, de Stefan Zweig

Biografia

(edição Alêtheia, 2015)

 

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O nosso Odorico

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.12.15

"Como dizia o poeta Castro Alves: "Bendito aquele que derrama água, água encanada, e manda o povo tomar banho" (Odorico Paraguaçu).

 

(a título de declaração de interesses esclareço que não apoio nenhum dos candidatos presidenciais que vão a votos)

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As canções do século (2189)

por Pedro Correia, em 29.12.15

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Lembrete

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.12.15

Como ultimamente se fala tanto na excelência do trabalho do Ministério Público e na sua eficiência noutros casos, Nicolau Santos fez bem em recordar-nos que "um dos homens fortes do cavaquismo, Dias Loureiro é arguido desde 2009 por compras de empresas em Porto Rico e Marrocos, suspeita de crimes fiscais e burlas" e que "seis anos depois, o Ministério Público ainda não acusou Dias Loureiro, nem o processo foi arquivado".

Espero que o atraso não tenha que ver com o final do mandato de Cavaco Silva nem com as presidenciais que aí vêm porque seria uma chatice se o atraso na acusação acabasse por ter alguma interferência nos resultados. Por isso mesmo, seria bom que a senhora Procuradora-Geral da República fizesse um ponto da situação. Só para a gente saber com o que pode contar antes do actual titular se perder nos encantos da Urbanização da Coelha.

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Assim feia é que eu gosto de ti

por Pedro Correia, em 28.12.15

- Toma cuidado com os piropos: podem dar-te o passaporte para três anos no chilindró!

- Ficas descansada. Nunca me passaria pela mona gastar o meu dicionário de piropos numa abécula como tu.

- Olha quem fala! Já te viste ao espelho? Caganda frasco me saíste...

- E tu? És mesmum coiro...

- Quem desdenha quer comprar, ó boi-cavalo!

- É isso mesmo. Tens troco, trinca-espinhas?

- Vai-te catar, filho dumaganda égua! O que tu queres sei eu...

- Eheheh. Dá-me pica.

- Dá-te pica o quê, rafeirote?

- Seres tão... feia. Mas assim mesmo é que eu gosto de ti.

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Já li o livro e vi o filme (12)

por Pedro Correia, em 28.12.15

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OS TRÊS MOSQUETEIROS (1844)

Autor: Alexandre Dumas

Realizador: George Sidney (1948)

Realizador: Richard Lester (1973)

Clássico entre os clássicos, o livro de Dumas impõe-se a todas as versões da Sétima Arte. As duas aqui mencionadas são as melhores.

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Viva 2015, Venha daí 2016

por Francisca Prieto, em 28.12.15

2014 tinha sido um ano horribilis, de maneira que me lancei a 2015 decidida a fazer uma pega de caras à vida, das que nos dão direito a duas voltas à arena no final do espectáculo e uma saída em ombros.

Não posso ter a pretensão de achar que cheguei efectivamente a sair pela porta grande, até porque vários acontecimentos menos felizes se foram sucedendo durante o ano que passou, mas foi um ano em que cumpri com brio um par de objectivos que estavam dentro da gaveta e que nunca pensei que viessem a ver a luz do dia.

Um deles foi a abertura de uma livraria solidária, que tem crescido a olhos vistos e que não só me dá todos os dias o prazer de estar a trabalhar para uma causa, como me fez conhecer dezenas de pessoas extraordinárias, desde os voluntários que fazem turnos, a pessoas que doam parte do seu espólio livreiro ou outros que não se importam de passar tardes a limpar o pó ou a carregar caixotes. De igual forma, adoro os clientes que já se tornaram amigos ou os que visitam pela primeira vez o espaço e que ficam maravilhados pela boa energia que dali emana. Sinto, por tudo isto, que foi um ano riquíssimo em termos de trabalho e de relacionamento humano.

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O outro grande sonho cumprido foi uma viagem ao Peru e à Bolívia, acompanhada por uma irmã e por um grupo de gente cheia de genica e de sentido de humor. Nem consigo explicar como pode ser divertido viajar com uma irmã adulta durante quase três semanas.

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É quase impossível que 2016 me traga dois acontecimentos com este nível de superlatividade. Mas se for um ano de consolidação, já me sinto muito grata. Venham então de lá esses ossos, seu 2016.

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Leitura recomendada

por Pedro Correia, em 28.12.15

Para não acabar de vez com os jornais (e a democracia). Da Alexandra Lucas Coelho, no Público.

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Rumor ainda não confirmado

por Rui Rocha, em 28.12.15

O blogue Câmara Corporativa poderá retomar a actividade em breve, agora sob a orientação de Miguel Abracadabrantes.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.12.15

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O Cavalheiro Inglês, de Carla M. Soares

Romance

(edição Marcador, 2014)

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Os bons exemplos da Finlândia

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.12.15

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O Presidente da República, Cavaco Silva, queria que Portugal seguisse o bom exemplo finlandês. Pedro Reis, aquele guru que foi presidente da AICEP e entretanto se mudou para o BCP Capital, dizia que a Finlândia é um país "que teve que sair de situações complicadas e reconstruiu uma economia e atingiu patamares de sofisticação que são uma referência para o que p[o]demos fazer em Portugal". Três anos depois de ter reconstruído a economia e atingido esses "patamares de sofisticação", a Finlândia está à beira da saída do Euro, o seu ministro dos Negócios Estrangeiros diz que nunca deviam ter entrado nesse clube, a União Europeia aponta o país como aquele que será o mais fraco em 2017, com um crescimento que será, vergonhosamente, metade do grego, e o seu governo prepara-se para, "à boa maneira socialista", distribuir dinheiro pelo povo, em cacau sonante: 800 Euros por mês a cada cidadão. Para quem tanto criticava as políticas sociais da esquerda e a política de distribuição de rendimentos a "ociosos", não há nada como ver estes exemplos que nos chegam do conservadorismo liberal, nacionalista e xenófobo.

Como há dias dizia o Presidente da República, "a realidade acaba sempre por derrotar a ideologia". E a estupidez, acrescento eu.

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As canções do século (2188)

por Pedro Correia, em 28.12.15

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 27.12.15

«Há muito tempo que o Natal foi sendo lentamente esvaziado de sentido religioso. E não foi por qualquer "tolerância" ou "inclusão" religiosa. Foi apenas porque foi transformado num acontecimento essencialmente comercial em torno do qual gira uma importante actividade económica. A nostalgia do antigo Natal tradicional das nossas aldeias, tal como era vivido até 1960, não é suficiente para contrapor a um modelo de celebração cada vez mais global, em que o significado económico e comercial suplantou o significado espiritual e religioso, através de modelos de inspiração americana popularizados globalmente através das indústrias da "Cultura Pop" como o cinema, a televisão e os cantores pop.
Isto não é motivado por qualquer desejo de "tolerância" embora possa ser justificado com esse discurso. É apenas uma forma de alargar o mercado potencial da "Indústria do Natal" a nível global.»

 

Do nosso leitor José. A propósito deste texto do José António Abreu.

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Fotografias tiradas por aí (275)

por José António Abreu, em 27.12.15

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Praia da Madalena, Vila Nova de Gaia, 2004.

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Já li o livro e vi o filme (11)

por Pedro Correia, em 27.12.15

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DOMINGO À TARDE (1961)

Autor: Fernando Namora

Realizador: António de Macedo (1966)

Esta longa-metragem incorpora todas as virtudes do romance e torna-o ainda mais vibrante, com inesquecíveis interpretações de Isabel de Castro e Rui de Carvalho. Um caso em que o filme supera o livro.

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Jogos da Fome (de Poder) em Espanha

por Diogo Noivo, em 27.12.15

Nestas últimas eleições, o PSOE obteve o pior resultado desde 1977. O número de votos obtido é cerca de metade do que foi conseguido em 2008. E tudo isto após uma legislatura do Partido Popular, liderado por um Mariano Rajoy politicamente inepto, onde a corrupção e as medidas de austeridade fizeram diariamente as capas dos jornais. Alfredo Pérez Rubalcaba e, antes dele, Joaquín Almunia, demitiram-se do cargo de secretário-geral do PSOE por derrotas mais amenas. Mas Pedro Sánchez, o homem que levou os socialistas espanhóis a um desastre eleitoral sem paliativos, não entrega os pontos e procura apoios para formar governo.

O Podemos, pela voz de Pablo Iglesias, já disse qual é o preço do seu apoio: a celebração de um referendo na Catalunha. Esta solução enferma do pequeno detalhe de ser uma inconstitucionalidade flagrante. Ou seja, o que o Podemos exige – sem o verbalizar – é uma revisão constitucional que evidentemente não se ficará pelas alterações que permitirão a realização de um referendo, mas que dará a Pablo Iglesias a possibilidade de implementar o seu projecto e, dessa forma, desmantelar o sistema político saído da Transición espanhola.

Face ao exposto, as hostes socialistas entraram num frenesim que deixa Pedro Sánchez em maus lençóis para a reunião do Comité Federal socialista que ocorrerá na próxima segunda-feira. Susana Díaz, presidente da região da Andaluzia que esteve por diversas vezes para contestar a liderança de Sánchez, já veio a terreiro denunciar as intenções do Podemos: rasgar a unidade de Espanha e eliminar o PSOE do mapa partidário. Ao seu lado estão os barões socialistas de Valência, Aragão, Astúrias, Estremadura e de Castilla-La Mancha. Susana Díaz e outros destacados membros do Partido Socialista sabem que um acordo PSOE-Podemos nestes termos não será uma cópia da “geringonça” lusitana, mas algo igualmente português: uma lobotomia a sangue frio, neste caso ao sistema político e à unidade de Espanha. Aguardemos, portanto, as cenas dos próximos episódios.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.12.15

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Pura Coincidência, de Renée Knight

Tradução de Isabel Veríssimo

Romance

(edição Suma, 2015)

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Blogue da semana

por Tiago Mota Saraiva, em 27.12.15

O fworld da Fátima Rolo Duarte é uma declinação desviante da blogosfera. Se houvesse um Zukerberg aprumadinho que mandasse nos blogues a página já estaria fechada por subverter as regras blogosféricas.
A Fátima reescreve e apaga sem pudor. Sem olhar a datas e visualizações. Faz imagens das imagens e vai actualizando sem actualidade. O fworld está firmemente enraizado em práticas de criação com uma forte identidade portuguesa contemporânea - poderia explicá-lo um pouco melhor mas apetece-me pouco discuti-lo agora.
Durante a semana em que aqui vai ficar como blogue da semana o fworld poderá não ser actualizado, poderá bloquear-nos o acesso ou até fechar.
That's fworld, folks!

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As canções do século (2187)

por Pedro Correia, em 27.12.15

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Leituras

por Pedro Correia, em 26.12.15

 

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«Mostrar as emoções, deixar o coração chegar à boca mais depressa do que o cérebro, pode matar-nos com mais rapidez do que uma bala perdida.»

Lorenzo Carcaterra, 'A Mil Milhas de Sítio Nenhum, em  Mulheres Perigosas (antologia), p. 183

Ed. Gótica, Lisboa, 2006. Tradução de Manuel Resende

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2015, o jazz

por José Navarro de Andrade, em 26.12.15

Como de costume, ver as listas de “os melhores do ano” compostas por outrem é motivo de decepção. Sem dúvida que “outrem” dirá o mesmo desta, pois mil e uma cabeças ditarão mil e uma escolhas diferentes, boa parte delas conflituosas entre si, o que poderá atestar que, afinal, o jazz não está tão morto como isso. Também é certo que um género musical com necessidade constante de fazer prova de vida, não pinta demasiada saúde. Por isso cá vai uma lista minha, muito minha, que aceita com prazer a acusação de convencional, porque jazz é escola e escola é tradição, nem que seja para contraria-la.

 

 Vijay Iyer, “Break Stuff”

Apesar de ter sido capturado pela petulante ECM, que desde há décadas tem vindo a agasalhar o jazz numa frigidez setentrional, Vijay Iyer não se deixou vencer pelo cerebralismo. Houve quem ouvisse esvoaçarem nesta música as fórmulas matemáticas do espectralismo de Steve Lehman, mas “-ismos” aparte, Iyer densifica ritmos com a mão esquerda, ora estranhos ora compulsivos, e, à mão direita, vai desenhando ideias melódicas, algumas encantatórias outras dançantes. Uma surpresa ao virar de cada esquina.

 

Maria Schneider, “The Thompson Fields”

A música de Maria Schneider nunca toca no chão, desliza no ar, empurrada de um lado para o outro pela requintadíssima orquestração. Um francês evocaria a “tessitura”, outros mais simples diriam que a compositora, mas sobretudo a orquestradora, tem o secreto condão de transformar a música em paisagem. É como se estivéssemos lá, nas desmesuradas pradarias do norte, onde o céu se dissolve no horizonte. Em termos domésticos experimentem ouvir o disco no Alentejo – que pancada!

 

José James, “Yesterday I Had the Blues, The Music of Billie Holiday"

A proposta mais insensata que poderia passar pela cabeça de alguém: recriar com voz masculina o canto de Billie Holiday, no ano do seu centenário. Oportunismo e contrafacção – nos ídolos não se toca – seria o mínimo que se lhe poderia invectivar. Pois meta-se a viola no saco. Que o Zé tenha voz de algodão e crocante só lhe dá um certo mérito, pois se até na pobre da pop actual há cordas vocais formadas em conservatórios. O ponto mesmo é a calibragem certíssima entre dramatismo e contenção, capaz de lançar toda uma nova luz no repertório de Lady Day.

 

Rudresh Mahanthappa, “Bird Calls”

Aplicar a sintaxe e o vocabulário da música cárnatica à velocidade balística de Charlie Parker, endossar a coisa com o poder de impacte que tem sido o seu timbre, eis a promessa e o conseguimento (estás a ver Sãozita como de alguma coisa serviu a tua verve estrambólica) de Rudresh Mahantappa. Bem podem deitar as cartas que não se encontrará, nos dias de hoje, melhor e mais pujante saxofonista alto.

 

Ryan Truesdell, "Lines of Colour (The Gil Evans Project: Live at Jazz Standard)"

Reviver um orquestrador é empresa bem mais árdua do que reinterpretar ou recriar composições. Sendo Gil Evans o evocado, que para nossa felicidade nos legou tantos e tão diversos diamantes lapidados, de brilho capaz de ofuscar os imprevidentes – vamos lá ouvir em que se meteu este Truesdall. O disco foi gravado ao vivo: não se excitem com a ideia de risco e ausência de margem para o erro, esta gente sabe o que faz. Ao vivo quer dizer caloroso e corroborado pelo entusiasmo do público, assim saibam os músicos suscitá-lo. Souberam. Soube também Truesdell ser fiel sem subserviência, swingar sem nostalgia, quando foi preciso, reinventar o cool sem Califórnia. Uma hora muito bem passada.

 

Se me pedissem, eu até alinharia mais escolhas, mas assim já têm trabalho de casa quanto baste. Falta ainda o orgulho nacional. Não há “melhor do ano” sem haver o melhor da Clean Feed: “Epicenter” de Cris Lightcap, cintado por uma formação que é a fina-flor de um jazz despreocupado com parentescos.

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Modo de Vida (43)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 26.12.15

Hoje fiquei sem uma amiga. Sem aviso, sem premonição, fiquei sem ela. E há um sentido inaugural nesta absoluta perda, a primeira que me chega sem cumprir qualquer lógica, consequência ou ordem natural; e que por isso me apanha à socapa, onde mais me dói. Hoje fiquei sem uma amiga. Não é este o momento para escrever, nem saberia o quê, que só me ocorre esta frase, uma e outra vez: hoje fiquei sem uma amiga. Mas não quero deixar passar o dia, quero marcá-lo. Da última vez, há poucos dias, falámos d’O Número dos Vivos, de que ambos gostámos muito. Abro a primeira página e encontro: “existira na bênção saudável e pesada que cobre as flores e os homens a quem o sol desperta e a noite faz horror”. Basta isto. Um beijinho muito grande, Catarina.

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