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As canções de Novembro

por Pedro Correia, em 31.10.15

Outono adiante, com mudança de hora e novo ciclo político em perspectiva. Chega Novembro e prossegue o desfile das Canções do Século. Desta vez com a promessa de passarem por cá Billie Holiday, Lena Horne, Chavela Vargas, K. D. Lang, Anita Baker, Shirley Horn, Ibrahim Ferrer, Bob Dylan, Elvis Presley, Van Morrison e Carlos Gardel, entre outras vozes.

Como sempre, aceito sugestões vossas. Serão bem-vindas.

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A propósito

por Rui Rocha, em 31.10.15

Nada contra aqueles que não apreciam o Halloween por ser uma criação dos americanos. Gostaria, em todo o caso, de salientar que o Twitter e o Facebook também não foram propriamente inventados por engenheiros de Samora Correia.

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Sugestão de leitura

por Rui Rocha, em 31.10.15

Está a pôr-se um belo fim de tarde para ler uma edição fac-simulada do livro do Sócrates.

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Condição humana

por Helena Sacadura Cabral, em 31.10.15

“E quando os homens são de tal condição, que cada um quer tudo para si, com aquilo com que se pudera contentar a quatro, é força que fiquem descontentes três. O mesmo nos sucede. Nunca tantas mercês se fizeram em Portugal, como neste tempo; e são mais os queixosos, que os contentes. Porquê? Porque cada um quer tudo. Nos outros reinos com uma mercê ganha-se um homem; em Portugal com uma mercê, perdem-se muitos.

... Porque como cada um presume que se lhe deve tudo, qualquer cousa que se dá aos outros, cuida que se lhe rouba.”

 

                                                       Padre António Vieira, in 'Sermões' 

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Vidas perdidas

por Rui Rocha, em 31.10.15

E a pena que sentes quando vês miúdos, com a vida toda pela frente, a consumir fatias de bacon?

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Ponto de situação

por Teresa Ribeiro, em 31.10.15

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Depois de um ano em que as eleições substituíram na agenda política a governação propriamente dita, infere-se que nos espera em 2016 igual vazio. Até que a crise se resolva, provavelmente através de novo sufrágio eleitoral, os tempos não estarão para iniciativas governativas. A começar pelas do governo recém eleito: os que transitaram do governo anterior para o que está agora em funções admite-se que até podem dar seguimento a algumas matérias que deixaram em pousio, mas os que se estrearam, além de alindarem o currículo pessoal vão ter oportunidade e motivação para fazer o quê?

A seguir não se sabe o que vai acontecer, mas o que for, será transitório.Teremos um 2016 completamente político, com o país em autogestão até engatilharmos em ponto morto e voltarmos a fazer eleições. Contas feitas serão dois anos passados assim. O ano que agora acaba e o próximo. A política tem destes efeitos colaterais, mas o país é demasiado frágil para permanecer tanto tempo manietado por ela.

 

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Os amanhãs que cantam

por Pedro Correia, em 31.10.15

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"A austeridade acabou de facto." (Pedro Lains, 29 de Outubro)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 31.10.15

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 Assim Foi Auschwitz, de Primo Levi e Leonardo de Benedetti

Tradução de Federico Carotti

Testemunhos (1945/86)

(edição Objectiva, 2015)

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As canções do século (2130)

por Pedro Correia, em 31.10.15

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Aparições

por Rui Rocha, em 30.10.15

O Nicolás Maduro garante ter visto várias vezes a cara de Chávez em paredes de Caracas. Já eu estava capaz de jurar que vi a cara do Costa no doodle de Halloween do Google:

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Bom Halloween!

por Rui Rocha, em 30.10.15

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Digerindo o relatório da OMS

por Teresa Ribeiro, em 30.10.15

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Nada disto é novidade. Notícia foi a OMS tê-lo assumido, contra o poderosíssimo lobby dos produtores de carne. Chapeau!

Não li o relatório e através dos media não apurei o principal. E o principal seria saber quanta carne se pode consumir sem arriscar um cancro. Um bife, duas vezes por semana, pode ser? Um cozido só no pino do Inverno e de 15 em 15 dias é razoável? 

A moderação, sobretudo num tempo em que praticamente nada do que se consome para alimentação é isento de contraindicações, é tudo. 

Dito isto, o alerta da OMS pode suscitar alarmismos se não convenientemente enquadrado, mas tem o grande mérito de nos chamar a atenção para a percentagem de carne que a nossa cultura alimentar nos coloca no prato. Com ou sem cancro no horizonte, comê-la quase todos os dias é uma escolha que nos é induzida pela indústria, que está sempre atenta às nossas necessidades e fraquezas. Necessidade, temos sempre a de poupar tempo. Fraqueza temos a da preguiça de cultivarmos hábitos mais saudáveis, mas que dão trabalho. Da sandes de fiambre, à bifana, passando pela empada de galinha e o icónico hamburguer, é de carne que se fazem quase todos os expedientes a que recorremos para saciarmos a fome sem grandes maçadas.  

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No reino das bravatas verbais

por Pedro Correia, em 30.10.15

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Catarina Martins, que de há um mês para cá tem vindo a dar a táctica à esquerda do alto dos impressionantes 10,19% que recolheu nas urnas, considera que a posse do XX Governo Constitucional, hoje ocorrida no Palácio da Ajuda, foi "uma perda de tempo".

Por estes dias, é muito instrutivo ver as manifestações de arrogância daqueles que, sem terem sequer posto um pé no poder executivo, já se comportam como se fossem tutores absolutos das instituições políticas - Presidente da República, Assembleia da República e Governo.

A porta-voz de um partido rejeitado nas opções de voto de 89,91% dos boletins expressos em 4 de Outubro cresce em arrogância à medida que se aproxima o momento em que o BE poderá enfim tornar-se peça de uma solução de governo após 16 anos de existência. Alguém deveria dizer-lhe que em democracia, quando se cumprem as regras, nunca há perdas de tempo.

 

Mas se é de perder tempo que falamos, a verdade é que, 26 dias após as legislativas, nenhum elenco governativo sólido e credível se vislumbra em alternativa ao que hoje foi empossado.

No PS - que recolheu menos de um terço dos votos expressos - persistem as vozes contrárias à realização de um acordo com os sectores mais extremistas da esquerda.

"Seria bom que alguns actuais deputados do Partido Socialista que andam por aí levianamente a proferir barbaridades olhassem com mais rigor para a história do partido que conjunturalmente representam", escreve sem rodeios o eurodeputado Francisco Assis, que já liderou a bancada socialista em São Bento. O deputado Eurico Brilhante Dias não tem dúvidas: "O PS devia ir para a oposição", até porque "um acordo à esquerda nunca foi apresentado" como hipótese perante os eleitores. António Galamba, ex-membro do Secretariado Nacional e ex-director do jornal Acção Socialista, compara um putativo acordo de legislatura PS/BE/PCP/PEV a uma "parceria público-privada".

Por bandas do PCP, a reserva mental é ainda mais notória. Jerónimo de Sousa reivindica o direito de votar medida a medida todas as iniciativas legislativas de um eventual executivo do PS, consoante a avaliação conjuntural do mérito de cada uma feita pelo Comité Central. E traça desde logo linhas de fronteira: os comunistas são radicalmente contra o Tratado Orçamental, manifestam-se na rua contra a participação de Portugal na Aliança Atlântica e nem querem ouvir falar em limites ao endividamento do Estado.

Tudo isto enquanto duram as "negociações" com o PS. Descritas pelo Avante! desta forma esclarecedora: "Prosseguem reuniões para exame de possibilidades de soluções políticas, num quadro de compreensíveis e previsíveis dificuldades."

 

Em Janeiro, na estreia da esquerda radical grega à frente do Governo de Atenas, Alexis Tsipras selou em 24 horas um  acordo de coligação com a direita nacionalista. Não perdeu tempo, o que terá bastado para lhe valer o aplauso de Catarina Martins, parceira ideológica do líder do Syriza. Por cá, quase um mês depois de contados os votos, as diversas esquerdas continuam a entender-se apenas pela negativa: correr com a direita do poder.

Falta tudo o resto. Faltam, desde logo, as traves-mestras da solução de estabilidade que Costa prometeu durante a campanha, quando ainda sonhava com a maioria absoluta. Falta o acordo sobre matérias financeiras e orçamentais entre um partido maior, que quer manter as metas globais de ajustamento orçamental, e dois partidos menores, que só desejam aumentar a despesa pública.

Um acordo que nenhum português conhece.

 

No discurso de posse do Governo, ao fim da manhã de hoje (muito melhor do que a mensagem que dirigiu ao País no dia 22), o Presidente da República sintetizou a chave do problema nesta frase: "Sem estabilidade política, Portugal tornar-se-á um país ingovernável."

É uma frase que há-de ser muito recordada e repetida nos meses mais próximos, quando as bravatas verbais de Catarina Martins começarem a dissolver-se no horizonte.

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A garantia da sobrevivência das clientelas

por José António Abreu, em 30.10.15

A mão dada ao PS também não é surpresa. Há quarenta anos que o PCP tenta arrastar o PS para uma “maioria de esquerda” (expressão inventada pelo PCP), e nunca como agora o PCP e o BE precisaram tanto do poder: o PCP, para conservar os seus sindicalistas, ameaçados pela concessão dos transportes públicos; e o BE para tentar fixar, com os recursos do Estado, uma base de apoio volátil.

[…]

Um governo do PS nas mãos do PCP e do BE agravará despesas e impostos até onde contribuintes e credores do Estado aguentarem, mas suspenderá as reformas no país. É essa a questão.

O problema português é que demasiada gente (empresas, corporações, classes profissionais, etc.) vive de “rendas”, isto é, de rendimentos que dependem unicamente do poder político. São estas as clientelas com que os oligarcas contam para exercer influência ou para ganhar eleições. O ajustamento de 2011-2014 abalou o sistema. Caíram grupos financeiros, o sindicalismo do sector público viu-se ameaçado, e a justiça expôs a promiscuidade político-empresarial. A eventual “maioria de esquerda” será, no fundo, o último e desesperado esforço de sobrevivência daquele regime que, antes da crise, era encarnado por Ricardo Salgado, a CGTP e José Sócrates. Para oxigenar o velho sistema, os oligarcas confiam no BCE, nos fundos estruturais e na máquina fiscal. E para impedirem reformas, confiam no PCP e no BE: em 1975, eles foram uma ameaça aos poderes então dominantes; agora, pelo contrário, são a sua garantia.

Rui Ramos, no Observador.

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Mordaças

por Rui Rocha, em 30.10.15

Há aqui uma coisa que é especialmente repugnante: um individuozinho que passa a vida a ostentar grande indignação contra a Justiça por uma violação pretensamente abusiva do seu direito à liberdade, decide promover uma providência cautelar com o objectivo de impedir um jornal de realizar o seu direito à liberdade de informar. Isto é, os direitos, liberdades e garantias são objecto para grandes proclamações inflamadas apenas e só em proveito próprio e nunca se o seu exercício por terceiros provocar um qualquer inconveniente.

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O mérito de falar com clareza

por Pedro Correia, em 30.10.15

"Obviamente", o PCP não respeita nem respeitará o Tratado Orçamental.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.10.15

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A Paixão do Conde de Fróis, de Mário de Carvalho

Romance

(reedição Porto Editora, 6ª ed, 2015)

"Por vontade expressa do autor, a presente edição não segue as regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa"

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 30.10.15

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Alessandra de Osma

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As canções do século (2129)

por Pedro Correia, em 30.10.15

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Al Berto

por Patrícia Reis, em 29.10.15

MUDANÇA DE ESTAÇÃO

para te manteres vivo - todas as manhãs
arrumas a casa sacodes tapetes limpas o pó e
o mesmo fazes com a alma - puxas-lhe brilho
regas o coração e o grande feto verde-granulado

deixas o verão deslizar de mansinho
para o cobre luminoso do outono e
às primeiras chuvadas recomeças a escrever
como se em ti fertilizasses uma terra generosa
cansada de pousio - uma terra
necessitada de águas de sons de afectos para
intensificar o esplendor do teu firmamento

passa um bando de andorinhões rente à janela
sobrevoam o rosto que surge do mar - crepúsculo
donde se soltam as abelhas incompreensíveis
da memória

luzeiros marinhos sobre a pele - peixes
que se enforcam com a corda de noctilucos
estendida nesta mudança de estação

 Horto de Incêndio, Assírio & Alvim, p. 52

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Drake

por Patrícia Reis, em 29.10.15

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A esquerda cada vez mais unida

por Pedro Correia, em 29.10.15

 

No primado da estabilidade política:

"Programa do PS não responde à aspiração da ruptura com a política de direita""Há significativas diferenças entre o PCP e o PS que, aliás, têm estado presentes nas reuniões que se têm realizado.""Prosseguem reuniões para exame de possibilidades de soluções políticas, num quadro de compreensíveis e previsíveis dificuldades que decorrem de programas e de opções estruturantes diferentes." (Excertos dos editoriais do Avante! de 15, 22 e 29 de Outubro)

 

Na adesão ao projecto europeu:

PCP e Bloco de Esquerda votam no Parlamento Europeu uma emenda ao orçamento comunitário para 2016 que prevê o fim do Tratado de Estabilidade Orçamental. Eurodeputados socialistas votam em sentido contrário.

 

Na salvaguarda do sistema monetário europeu:

Eurodeputados do PCP querem incluir no orçamento comunitário uma rubrica para financiar a saída de Estados da zona euro. 

 

No respeito pelos tratados internacionais subscritos pelo Estado português:

Dirigentes comunistas e da CGTP participam, em Lisboa, num desfile "contra os exercícios militares da NATO". E Bloco de Esquerda contesta exercício da NATO em Beja, exigindo "dissolução da aliança militar".

 

Na sintonia de metas nas próximas presidenciais:

«Não nos podemos resignar à actual subordinação de Portugal aos centros do capitalismo, expressa pela UE através de pactos e programas que só agridem as condições de vida dos portugueses», declarou o candidato presidencial comunista, Edgar Silva.

 

Nas bases ideológicas:

Jerónimo de Sousa reafirma a fidelidade do PCP aos princípios do marxismo-leninismo, [doutrina que concebe a luta de classes como motor da história e preconiza o derrube do sistema capitalista por acção revolucionária dos trabalhadores enquanto vanguarda social].

 

Na defesa dos direitos humanos à escala internacional:

Deputados municipais do PCP em Lisboa rejeitam voto de solidariedade a Luaty Beirão, preso político em Angola, apresentado pelo Bloco de Esquerda. 

 

Na definição de objectivos comuns:

Programa do novo Governo PSD/CDS vai ser chumbado com uma moção de rejeição comum pelas forças parlamentares de esquerda, segundo fontes socialistas e bloquistas. Mas Jerónimo de Sousa diz que tal cenário nunca foi discutido nas reuniões à esquerda até agora realizadas.

 

Actualizado

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Olha, afinal não era o Cavaco.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.10.15

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Vamos ao que Interessa, de João Pereira Coutinho

Crónicas

(edição D. Quixote, 2015)

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Semelhanças

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.10.15

"Mas fosse o Governo cair daqui a 12 dias, a 12 meses ou a 12 anos, há um nome que nunca poderia constar de uma lista de ministeriáveis de uma democracia digna, responsável e madura. Refiro-me ao novo ministro da Administração Interna, João Calvão da Silva.

Há 14 milhões de razões para João Calvão da Silva não poder ser nomeado ministro, uma por cada euro que Ricardo Salgado recebeu do construtor José Guilherme. E nenhuma razão para que alguém se lembre de o pôr à frente da Administração Interna, tendo em conta que ele foi um dos dois distintos professores de Direito de Coimbra a assinar um parecer atestando a idoneidade de Ricardo Salgado para continuar à frente do BES após ter embolsado a famosa “liberalidade”. - João Miguel Tavares, Público

 

Um recebia empréstimos de milhões do amigo para viver acima das suas possibilidades. Outro viajava para Bruxelas para tratar dos assuntos de terceiros e só recebia as despesas de transporte e alojamento. Um outro serviu o país e a Europa tão desinteressadamente que hoje acumula dezenas de tenças; e ainda há aquele velhote que recebe centenas de milhares de euros dos chineses, diz ele, "por mérito". Este de que fala agora João Miguel Tavares vai a ministro depois de ser pago para justificar "liberalidades" de 14 milhões dadas a um banqueiro que se esquecia de declarar milhões ao fisco e levou um dos bancos do regime à falência, deixando os portugueses a arder e a pagarem pelos desmandos que praticou.

Enfim, tudo gente altruísta cujo espírito de serviço público é atestado por quem lhes dá posse. A idoneidade, essa, já foi atestada pelo cartão do partido, pelos fatos de bom corte e, em especial, pela subserviência a quem lhes paga o sebo que os faz brilhar nos salões. É Portugal no seu melhor. O deles.

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As canções do século (2128)

por Pedro Correia, em 29.10.15

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Circos, touradas e águia Vitória

por Pedro Correia, em 28.10.15

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Leio que o PAN (vulgo, Partidos dos Animais) quer pôr imediato fim à humilhante exibição de animais em cativeiro para gáudio de multidões ululantes com instintos primários à solta.

Acho muito bem.

Por isso venho associar-me sem reservas a esta meritória acção do jovem partido em defesa dos direitos dos animais. Além do fim das touradas e dos espectáculos com animais em circos, além da defesa acérrima dos gansos que as bestas humanas transformam em nojento foie gras, é fundamental terminar com a escandalosa, degradante e reiterada violação dos direitos de imagem e personalidade do mais conhecido animal com penas existente em Portugal.

Liberdade para a águia Vitória. Já!

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Cristalização de direitos

por José António Abreu, em 28.10.15

Será curioso ver, num futuro não assim tão longínquo, o governo dos derrotados nas eleições, acossado por Bruxelas, abandonado pelos parceiros de conveniência, exigir aos vencedores dessas mesmas eleições que se lhe juntem na aprovação de medidas que, sendo de austeridade, terão recebido outra designação. Exigi-lo, note-se, com toda a veemência dos detentores de direitos adquiridos.

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São todos iguais

por Rui Rocha, em 28.10.15

Os ministros do novo governo estão quase a terminar o mandato e ainda não fizeram nada.

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"O petisco, porém, é mero engodo, pois os sinais positivos são em grande medida aparentes. A realidade é muito diferente da imagem que a coligação PSD-CDS usou como bandeira nas últimas eleições, e que lhe deu a vitória. Há várias bombas retardadas que gerarão problemas graves nos próximos tempos, exigindo medidas duras.

O crescimento não é suficiente ou sequer sustentável. O desemprego continua altíssimo e perdeu a dinâmica de descida, enquanto o investimento se recusa a atingir um nível decente. No Orçamento, depois de tanto esforço, atingiu-se apenas o limite máximo do intervalo permitido. Pior, a indiscutível redução do défice foi conseguida sobretudo à custa de medidas contingentes e temporárias, com poucas reformas na máquina. Preferiram-se cortes em salários e pensões, que na campanha todos os candidatos se propuseram eliminar. Por isso a tão falada consolidação orçamental está ainda muito longe. Por sua vez, o lado privado da situação financeira não é mais favorável. As empresas continuam descapitalizadas, os bancos permanecem frágeis e a taxa de poupança das famílias encontra-se no mínimo histórico. A conjuntura só é boa se comparada com a anterior.

Dois elementos agravam o quadro periclitante. Primeiro, o cansaço da austeridade. O país, embora longe de ter suportado o ajustamento necessário, sente-se com o dever cumprido e merecedor de alívio. O segundo é a vontade explícita que todos partidos manifestaram na campanha de lho conceder, prometendo tudo o que a ilusão exige.

Assim, qualquer governo que resultar da negociação pós-eleitoral vai ficar mal, faça o que fizer. Se cumprir as promessas, verá a troika regressar em breve; se tiver juízo e proceder como a situação exige, é crucificado por engano aos eleitores." - João César das Neves, A Ratoeira, DN

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.10.15

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Mulheres, de Charles Bukowski

Tradução de Vasco Gato

Romance

(edição Alfaguara, 2015)

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(foto DN)

"Este é um Governo para um[a] legislatura e para quatro anos";

"[U]ma equipa que revela (...) uma renovação";

"Este Governo e a coligação fizeram aquilo que o povo mandatou fazer: formar uma equipa para um Governo de quatro anos";

“Este poderia perfeitamente ser um Governo de maioria absoluta” - Nuno Magalhães

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As canções do século (2127)

por Pedro Correia, em 28.10.15

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Nem Sócrates nem Luaty Beirão estão em greve de fome.

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Gente para tudo

por Rui Rocha, em 27.10.15

Há por aí muito aproveitador que, depois de obter a pensão de invalidez, é capaz de tentar sobreviver mais de 3 anos só para lixar o Estado.

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Reflexões governativo-parlamentares

por João André, em 27.10.15

Formar governo

Com os resultados das eleições conhecidos o Presidente da República deveria ter, desde logo, indigitado o líder do partido (ou coligação) vencedor para formar governo. As declarações de António Costa demonstraram desde logo que havia margem para deixar passar até um governo minoritário. Dependendo da forma como as coisas corressem o aparelho interno do PS poderia ter forçado uma coligação.

 

Isto não quer dizer que um governo à esquerda não fosse possível nem legítimo. É-o claramente. Se os partidos encontram uma plataforma de entendimento isso é tão legítimo como se o BE decidisse agora apoiar o governo PSD/CDS. Quaisquer conclusões sobre intenções dos votantes são disparatadas. Há no entanto uma ressalva que eu, pessoalmente, faço: se o putativo líder do governo não for do partido mais votado, então essa coligação à esquerda tem de o ser sob a forma de governo. Apresentar um acordo de incidência parlamentar baseado apenas no próximo orçamento e em linhas gerais muito vagas para viabilizar um governo PS não faz sentido. O PS estaria numa posição excessivamente fraca e cairia ao menor abalo.

 

Nesta situação, o governo deve ser o do partido mais votado (ou coligação, PSD/CDS). O PS deveria simplesmente apresentar a intenção de se abster em relação ao orçamento e programa de governo e, no futuro, votar cada proposta de lei de acordo com as suas posições políticas. Se isto levasse a uma queda do governo dentro de 12, 18 ou 40 meses, assim fosse. São essas as regras do jogo democrático e parlamentar: quem não tem maioria tem que negociar.

 

A situação actual é simples: PCP e BE querem mostrar que não são avessos a negociar para formar governo (crítica que recebem amiúde). Querem também que o ónus de medidas duras fique com o PS e quaisquer responsabilidades de novas eleições fiquem para os outros. António Costa quer simplesmente manter o poder no PS. Mesmo que não consiga ser PM, pode sempre argumentar que foi por influência dos outros. Já PSD e CDS estão simplesmente à espera que ou o PS mude de rumo ou que haja novas eleições e o poder lhes caia no colo porque a responsabilidade será dos outros. Basicamente esperam que 1987 se repita.

 

Presidente da República

Na sua intervenção, Cavaco Silva demonstrou mais uma vez a arrogância e absoluta falta de compreensão pela democracia que o caracteriza desde sempre. Mesmo tomando uma decisão acertada (de forma tardia e assim contribuindo para a confusão, como afirmo acima), acabou a fazer um ataque à esquerda que terá deixado a direita trauliteira (e também a esquerda do mesmo tipo) a salivar e a direita clássica a desesperar.

 

Cavaco Silva não entende como é possível que outros tenham posições diferentes das dele. Tem uma mente tecnocrática que só vê uma forma de fazer coisas, como se a política fosse uma ciência exacta. Não o é. Há forma diferentes de chegar ao mesmo destino e há destinos diferentes que poderão também ser atractivos. Claro que a negação desta evidência é parte da estratégia de uma onda de direita (que hesito chamar neo-conservadora ou outra coisa qualquer - os seus promotores habituais são normalmente libertários na economia e profundamente conservadores socialmente) que tem varrido o mundo ocidental.

 

Em Portugal tem vindo a instalar-se na comunicação social e blogues (a reacção neste meio do lado da esquerda foi profundamente canhestra na forma de coisas como o Câmara Corporativa) e tem vindo a fazer tudo o que pode para condicionar o debate. As posições que são tomadas baseiam-se nas mais básicas estratégias de agitar o espantalho (no que são facilmente seguidos por outros) e de evitar qualquer verdadeiro debate de ideias ou situações reais.

 

Não sei se Cavaco Silva é seguidor ou promotor disto tudo, mas é uma bandeira destas acções. Nas suas declarações acabou a tentar dar razões para ignorar tudo o que não seguisse a sua opinião e dar armas a quem prefira apenas e só círculos uninominais. Depois do resto dos desastres da sua presidência, só falta chegar ao fim do mandato e declarar que passará a presidente vitalício. Felizmente que nem ele se atreveu até agora a desafiar a constituição (apenas a demonstrar o seu desprezo por ela).

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Ah e tal, as carnes processadas

por Rui Rocha, em 27.10.15

Tudo muito bem. E sobre os efeitos nocivos dos políticos processados... nada?

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Rex Stout e um teste de geografia

por José António Abreu, em 27.10.15

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Teria treze anos. Acabei o teste de Geografia em pouco mais de metade do tempo disponível. Como não era possível sair antes da hora, saquei da pasta o livro Duplo Crime na Rádio, de Rex Stout (editado na saudosa colecção Vampiro), e pus-me a ler. A professora (muito aprumadinha mas, a esta distância, pouco marcante) não gostou. Perguntou-me se estava certo de já ter acabado e se não achava melhor rever as respostas. Disse-lhe que sim e que não, respectivamente. Já não me recordo da nota que tive mas creio ter sido ligeiramente pior do que seria de esperar (modéstia à parte, à época era bom aluno), o que, evidentemente, só pode atribuir-se a despeito. Contudo, lembro-me do prazer que extraí do livro, o primeiro que li com essa personagem peculiar, Nero Wolfe. 

Wolfe terá sido um dos últimos detectives clássicos, que descobriam o assassino quase exclusivamente através do raciocínio - das «celulazinhas cinzentas», como lhes chamava Hercule Poirot. Gordo, apaixonado por comida e orquídeas, raramente saía de casa e mais raramente ainda deixava os casos perturbarem-lhe a hora das refeições ou o tempo destinado a cuidar das orquídeas. Era o seu assistente, Archie Goodwin, quem calcorreava as ruas de Nova Iorque e visitava os apartamentos dos suspeitos. Archie, sendo em grande medida um puro Watson (ao ponto de narrar as aventuras), talvez ainda assim fizesse a ligação à modernidade: era altivo mas boa pessoa, céptico mas disposto a correr riscos, mordaz mas não agressivo, fisicamente apto mas intelectualmente mediano. Digamos a mistura de uma parte de Philip Marlowe com três de inúmeras personagens de livros e séries televisivas desde então (as NCIS actuais, por exemplo).

Já não lia um livro de Stout há décadas quando, no ano passado, aproveitei uma promoção da Amazon e comprei um para o Kindle. Encontrei um estilo de escrita bastante menos básico do que temia e obtive um prazer quase tão elevado quanto recordava.

Faz hoje 40 anos que Rex Stout morreu.

 

(Foto recolhida num blogue - infelizmente já inactivo - sobre a colecção Vampiro.)

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Polícia-sinaleiro

por Pedro Correia, em 27.10.15

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Na sua  mensagem aos portugueses do passado dia 22, Cavaco Silva esteve bem ao indigitar Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro: trata-se do líder da coligação que saiu vencedora das legislativas e do presidente do partido que dispõe da maior bancada parlamentar. Como já sublinhei, a democracia é ritualista: nenhum ritual próprio do sistema político-constitucional deve ser dispensado a pretexto de que urge "ganhar tempo", como se apressaram a considerar os representantes das diversas esquerdas.

Cavaco, no entanto, resvalou para uma lamentável ambiguidade ao deixar no ar a ideia de que não indigitaria um executivo formado por via parlamentar em alternativa ao eventual derrube do novo governo liderado por Passos Coelho, hoje anunciado.

Lamenta o Presidente que "as forças partidárias europeístas não tenham chegado a um entendimento". Mas cumpre perguntar: que pontes estendeu Belém com vista a esse entendimento? Que passos concretos deu Cavaco, no exercício da sua magistratura de influência, para firmar as bases de uma solução política "europeísta" dotada de um sólido apoio parlamentar?

Não basta ao inquilino do palácio presidencial refugiar-se em cortinas de retórica inconsequente para depois vir dizer aos portugueses que lançou avisos no momento próprio. De um Presidente espera-se que seja muito mais do que uma espécie de polícia-sinaleiro.

 

"Se o Governo formado pela coligação vencedora pode não assegurar inteiramente a estabilidade política de que o País precisa, considero serem muito mais graves as consequências financeiras, económicas e sociais de uma alternativa claramente inconsistente sugerida por outras forças políticas." São também palavras de Cavaco, proferidas nesse discurso, que suscitam sérias interrogações.

O Chefe do Estado poderá recusar uma solução alternativa que lhe seja proposta pelo Parlamento?

Em tese abstracta, sim - correndo o risco de terminar o seu mandato com um inédito conflito institucional entre o Presidente da República e a Assembleia da República, susceptível de causar sérios danos reputacionais ao País no plano externo e de criar feridas políticas insanáveis no plano interno.

Mas, estando impedido de dissolver o Parlamento pelo artigo 172º da Constituição, que alternativas restariam a Cavaco num cenário desses? A indigitação de um executivo de gestão, sem poderes efectivos nem prestígio institucional, destinado a manter-se penosamente em funções até Junho de 2016. Ou a formação de um governo de "iniciativa presidencial", fatalmente também condenado a um chumbo no hemiciclo.

Ambos os cenários, além de fragilizarem o País, transferiam a resolução do problema para o novo Chefe do Estado, que só tomará posse em Março.

Seria um péssimo legado de Cavaco. Não por acaso, Marcelo Rebelo de Sousa já avisou: "Cabemos todos na democracia. O debate é legítimo, mas tem de ser um debate feito com serenidade e sem exclusões, não confundindo adversários e inimigos." O candidato presidencial, numa indisfarçável farpa ao ainda inquilino de Belém, apressou-se a garantir: "No que depender de mim, tudo farei para tentar não onerar o meu sucessor com problemas evitáveis."

 

A democracia, além de ritualista, também é gradualista. Não vivemos tempos propícios a experimentalismos constitucionais. Nem os portugueses são cobaias de laboratório político.

A palavra, sem reservas, cabe à Assembleia da República: primeiro, para apreciar e votar o programa do segundo executivo Passos; depois, em caso de chumbo da coligação, para viabilizar um governo alternativo, caucionado pela nova aritmética parlamentar. Colocando-se a iniciativa nos ombros de António Costa. Se também esta solução fracassar, a partir de Abril de 2016 - já com novo inquilino em Belém - há sempre o recurso a legislativas antecipadas.

Cavaco, por sua vez, deve poupar o País aos seus estados de alma, reservando-os para a elaboração de um futuro livro de memórias. E se quer aproveitar bem o tempo que lhe falta até ao fim do mandato, o melhor é meditar nos erros cometidos - a começar pela "magistratura de influência" que lhe cabia mas nunca concretizou.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.10.15

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Regressos Quase Perfeitos, de Maria José Lobo Antunes

Memórias da guerra em Angola

(edição Tinta da China, 2015)

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As canções do século (2126)

por Pedro Correia, em 27.10.15

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Yanis Varoufakis esteve em Portugal no fim-de-semana passado, para a 'Aula Inaugural' dos Programas de Doutoramento do Centro de Estudos Sociais (CES) - Universidade de Coimbra. Durante a exposição, num aparte que não terá sido dos mais recordados, insurgiu-se contra a tendência de 'mercantilização' das Universidades:

 

<A certo ponto, nas nossas grandes Universidades, foi-nos dito que deveríamos tratar os alunos como clientes. Ora, isso representa o fim da Universidade, uma vez que o cliente, como se sabe, “tem sempre razão", sabe o que quer e tem direito a isso. Mas, quando se vem para a Universidade, por definição, não se sabe o que quer. Caso contrário não precisaríamos de vir para a Universidade. A missão do professor, por isso, não é satisfazer o cliente, é confrontar os alunos, pedir-lhes que leiam o que não querem ler, examiná-los em tópicos em que não querem ser examinados.>

(tradução minha, livre)

 

Embora não seja um tema mainstream, é um ponto-de-vista que já tenho visto defendido noutros fóruns. E, curiosamente, é uma crítica capaz de granjear apoios tanto à esquerda como entre a direita - chamemos-lhe - ‘tradicional’.

 

Não sendo -- dizia -- a primeira vez que ouvi este lamento, a verdade é que me deixou a cogitar, até porque está, em alguma medida, em sintonia com a minha experiência enquanto estudante. Digo em alguma medida porque existem inegavelmente méritos na profissionalização do ensino universitário. Mas as desvantagens a que Varoufakis se refere são também manifestas para qualquer pessoa que tenha estado numa sala de aula no século XXI. 

 

O que está em causa, então, é a profissionalização da actividade pedagógica. A docência já era, claro está, uma categoria profissional, mas o enfoque era até aqui colocado sobretudo nos méritos académicos do docente, mais do que na sua capacidade pedagógica. Há, quanto a mim, claras vantagens em avaliar criteriosamente a capacidade de ensinar, a disponibilidade, a metodologia de ensino – entre outros factores – de cada professor. Não obstante, embora parte dessa avaliação tenha que se centrar na satisfação do beneficiário-último do ensino, o aluno, depender exclusivamente dessa aprovação acarreta, inegavelmente, riscos.

 

Enquanto estudante, frequentei durante a licenciatura uma instituição que era – à época, algo anacronicamente – em grande medida ainda imune à ‘mercantilização’ do ensino universitário. Posteriormente, dentro e fora de Portugal, tive contacto com instituições já claramente integradas na onda de mercado. Entre esta e aquela experiência, identifiquei rapidamente uma melhoria clara num aspecto: a probabilidade de encontrar um professor realmente fraco caiu drasticamente. A profissionalização da pedagogia tem, inegavelmente, esse mérito: deixa de ser possível a eternização no lugar de professores cuja falta de capacidade pedagógica é tão flagrante que, com o passar dos anos, chega a conferir-lhes, paradoxalmente, um estatuto de lenda-viva. Do outro lado do espectro, fui-me apercebendo de que a profissionalização trazia acoplada uma certa ‘estandardização’ do modelo de professor, coarctando a liberdade necessária à actuação daqueles professores que, sendo menos convencionais, são também muitas vezes os mais geniais e, na minha experiência, os que mais nos marcam para a vida. Por um lado, o estabelecimento, ex ante, de um modelo de aula cria entraves à adopção de um estilo mais idiossincrático, restringindo apartes que fujam à agenda pré-definida e métodos alternativos. Por outro lado, como nota Varoufakis, o peso dado à avaliação do professor coloca o aluno no lugar de cliente, um esquema que, trazendo vantagens, tem também o claro custo de incentivar o professor a abster-se de tudo aquilo que não tenha um benefício visível, imediato e relativamente indolor para o aluno. Com efeito, várias vezes reparei no desagrado de colegas com tarefas vistas como demasiado difíceis ou trabalhosas, quando estas, analisadas com a devida distância, eram claramente justificadas (outras vezes, certamente, terei sido eu próprio a lamentar-me erradamente do mesmo).

 

Em suma, parece-me necessário encontrar um meio-termo entre o ensino autoritário de antigamente e a via, de inspiração ango-saxónica, do ‘curso-enquanto-produto’.

 

Termino com um episódio que julgo exemplificativo. Recentemente, em conversa com um amigo que leccionou durante uns anos no ensino universitário, ele relatava-me uma experiência reveladora. No primeiro ano, com o entusiasmo típico do estreante, deu-se ao trabalho de programar as aulas à minúcia, de modo a torna-las tão interessantes e desafiantes quanto possível. No final do ano, a Universidade deu-lhe conta de que a reacção dos alunos tinha sido claramente negativa, dela sobressaindo desagrado com o excesso de trabalho e a exigência desmesurada. Conformado com a realidade, este meu amigo decidiu arrepiar caminho, e refez a cadeira no ano seguinte, abrandando o ritmo e estandardizando-a. O resultado? Avaliações transversalmente positivas, evidentemente.

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Blogue da semana

por Pedro Correia, em 26.10.15

Qualidade acima de tudo. Em gastronomia, viagens, vinhos, lazer. Um blogue requintado que aqui recomendo a quem aprecia alguns dos mais saudáveis prazeres da vida. Este mesmo: Joli. Visitem-no. O Jorge sabe receber bem.

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Rewind

por José António Abreu, em 26.10.15

«Se houver um problema, tem que se ajustar a meta do défice», diz um dos socialistas que tem acompanhado as negociações.

 

E subitamente, sem pelo menos rejuvenescermos meia dúzia de anos, regressámos a 2009. Com a diferença essencial para transformar a tragédia em farsa: na altura, o PS conduziu o país ao abismo a partir de uma vitória; hoje, fá-lo-á a partir de uma derrota.

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e. e. cummings

por Patrícia Reis, em 26.10.15

que o meu coração esteja sempre aberto às pequenas
aves que são os segredos da vida
o que quer que cantem é melhor do que conhecer
e se os homens não as ouvem estão velhos

que o meu pensamento caminhe pelo faminto
e destemido e sedento e servil
e mesmo que seja domingo que eu me engane
pois sempre que os homens têm razão não são jovens

e que eu não faça nada de útil
e te ame muito mais do que verdadeiramente
nunca houve ninguém tão louco que não conseguisse
chamar a si todo o céu com um sorriso

, in "livrodepoemas"

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Frases de 2015 (52)

por Pedro Correia, em 26.10.15

«Estaremos perdidos se a coligação continuar à frente do País.»

Bispo Januário Torgal Ferreira

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Profetas da nossa terra (69)

por Pedro Correia, em 26.10.15

«Vamos defrontar onze jogadores do Sporting, não sei se serão uma equipa.»

Rui Vitória, 24 de Outubro de 2015

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.10.15

 

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Derradeiro Suspiro Real, de José Navarro de Andrade

Romance

(edição Arranha-Céus, 2015)

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As canções do século (2125)

por Pedro Correia, em 26.10.15

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