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Frases de 2015 (24)

por Pedro Correia, em 30.06.15

«É muito frequente ser difícil distinguir o discurso da responsabilidade do da covardia e da rendição.»

José Sócrates, hoje, em entrevista ao DN e à TSF, numa evidente farpa dirigida a António Costa

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Futebol como debate religioso

por João André, em 30.06.15

No futebol moderno é comum encontrar pessoas de dois lados de um argumento: a favor ou contra o tiki-taka. Quando ouço estas discussões fico frequentemente incomodado, porque a mesma demonstra o quanto a mesma demonstra o pouco que se sabe de futebol e da sua história. A discussão assume frequentemente proporções - e moldes - de debate religioso, típicos da discussão do Bem contra o Mal. Dependendo do lado onde cada pessoa está em relação ao tiki-taka, o Bem e o Mal assumem formas diferentes, mas os argumentos são frequentemente proselitistas ou de oposição à ideia adversária.
Este debate fica ainda mais inquinado quando se entra noutro aspecto: de que lado está a Razão. Esta discussão move-se para lá do aspecto estético (que depende do gosto de cada um) e passa para um suposto debate sobre a objectividade do futebol. Neste artigo no Financial Times, Simon Kuper (um jornalista inglês que cresceu na Holanda e é fascinado por tudo o que diga respeito à influência holandesa neste desporto) entre precisamente por este caminho. Cruijff, afirma, estava certo, por oposição aos ingleses, alemães ou brasileiros, que estavam errados.
Esta afirmação é apenas mais uma da hagiografia a Cruijff. É curioso que Kuper dedique um parágrafo a explicar como Cruijff já não é o seu herói apesar de escrever um texto que vai no sentido oposto. Faz quase lembrar as pessoas que abandonaram uma religião mas que continuam a viver a sua vida como se ela os orientasse. Comparativamente poderemos usar a ideologia: vejam-se os antigos trostkistas e maoístas portugueses. O texto pode ser um rejeitar da pessoa em si - qual o santo que não cai do pedestal se conhecido pessoalmente? - mas não o é da ideia. Kuper é um cruijffista e defende-o intensamente.
Só que, como referi acima, o texto é uma hagiografia. Muito bem escrita, mas tão redutora e tão baseada nas caricaturas de outros conceitos que distorce a realidade. Não é preciso recuar mais que a 1970 para saber que o Brasil sabia misturar perfeitamente a componente física e técnica (drible e passe) do jogo. Também assumir que os ingleses terão mais desejo que os brasileiros é esquecer estupidamente a famosa afirmação de Roberto Drummond: «Se houver uma camisa preta e branca pendurada no varal durante uma tempestade,o atleticano torce contra o vento» (que chegou a ser adaptada livremente para o brasileiro em relação a uma camisola do escrete). Todos os países têm a mesma componente de todos estes aspectos do futebol. E todos eles são fundamentais.
O problema desta discussão é assumir que o jogo baseado no passe começou com a Holanda do final dos anos 60 e teve o seu apogeu nas equipas do Barcelona de Guardiola. Esquece que este tipo de jogo teve já campeões muito antigos - os escoceses foram os primeiros a introduzir o passe em 1870, e austríacos nos anos 30, soviéticos em 1945 e húngaros em 1954 já tinham demonstrado os mesmos conceitos: passe e movimento. Aquilo que os holandeses nos anos 70 e espanhóis entre 2008 e 2012 fizeram foi não mais que explorar a mais antiga das tácticas: uma geração única associada a regras circunstancialmente mais favoráveis.
Pensar na Espanha recente (ou no Barcelona) é pensar nos seus principais intérpretes: Xavi e Iniesta. São jogadores únicos que, independentemente daquilo que a máquina de propaganda culé possa querer passar, não saem de uma linha de montagem made in La Masía. Associá-los a Messi, Busquets, Casillas, Ramos, Dani Alves, Fábregas, David Silva, Eto'o, Mascherano, etc, é uma oportunidade que não surge todas as décadas. É algo de único. As regras - ou a interpretação das mesmas - também ajuda: o futebol de Guardiola (como foi implementado pelo Barcelona) teria sido completamente ineficaz contra, por exemplo, o Milan de Sacchi de 1990 com as regras de então. Não só os jogadores eram autorizados a fazer entradas bem mais duras que hoje (algumas que não dariam falta então poderiam dar hoje vermelho) como a regra do fora de jogo estava definida de forma muito menos liberal.
O texto de Kuper, mais uma vez, concentra-se num momento circunstancial e temporalmente muito definido, distorcendo o passado (e o presente, ao invocar Luis Enrique e Mourinho) para vender uma imagem e fazer doutrina. É por isso que neste debate tenho duas posições, uma bem definida e outra fundamentalmente indefinida: sou definitivamente anti-cruijffista/barcelonista (mesmo quando gosto do estilo de jogo das "suas" equipas) e é-me indiferente o tiki-taka só por si, sendo mais fascinado pela táctica e interesse do jogo.
No final é mais que um debate sobre quem é bom e mau no jogo Barcelona-Inter de 2010. É uma questão de compreender que o jogo em si é fascinante, mesmo sem se tomar partido ideologicamente.

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anda lá, vamos para casa

por Patrícia Reis, em 30.06.15

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Estás a ver alguma coisa? Não te preocupes, deve ser o camião do lixo. Ou outro carro. Estás a ouvir? Anda lá, despacha-te, está mais frio do que esperava, temos de ir para dentro. Estás a olhar para mim? Não, não me apetece andar mais, vamos voltar para casa. Não puxes a trela, espera aí. Não me puxes. Não aguento quando me puxam e passo o dia a sacudir essas violências. Anda, vamos para casa.

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Grécia antiga (34)

por Pedro Correia, em 30.06.15

«Portugal tem pela primeira vez um governo que nos representa na Europa, é um governo grego, não é um governo português, mas isso já é uma grande notícia para Portugal.»

Francisco Louçã (12 de Fevereiro de 2015)

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Pérolas de sabedoria para uso quotidiano

por Rui Rocha, em 30.06.15

Se encontraste finalmente a tua meia laranja, por favor não a calces com sandálias.

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Stiglitz dixit

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.06.15

"That concern for popular legitimacy is incompatible with the politics of the eurozone, which was never a very democratic project." - Joseph Stiglitz  

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Passagem de Nível

por Francisca Prieto, em 30.06.15

I needed to temper (my dad's) enthusiasm a bit (about attending Princeton), and so I announced that I would be majoring in patricide...My mom was actually jealous.

 

(David Sedaris, in When You Are Engulfed in Flames)

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O melhor é ir levantando o cacau

por Rui Herbon, em 30.06.15

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O debate sobre a Grécia

por Luís Naves, em 30.06.15

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É difícil escrever contra a corrente dominante e contra mitos instalados. Nos últimos dias, triunfou no discurso público uma interpretação da crise grega que torna quase impossível apresentar um ponto de vista alternativo: venceu a ideia falsa de que a Europa é um espaço anti-democrático em colapso, onde Portugal já não cabe; a crise em Atenas tem a ver com imposições tecnocráticas e ignorância política. Embora a teoria não resista a cinco segundos de análise, ela é hoje dominante nos meios de comunicação.

Em textos anteriores, tentei explicar que esta crise é política. A União Económica e Monetária (UEM) nasceu com uma falha de concepção e os resgates foram mal desenhados, num contexto de pânico financeiro que os tornou inflexíveis. Qual é a falha da UEM? A ausência de união política, o que se traduz no seguinte: o eleitor do país A não se pronuncia sobre o governo do país B e, no entanto, o governo do país B pode tomar decisões que prejudicam a prosperidade do eleitor do país A.

É este o caso da Grécia, onde o governo populista de esquerda quer sair da zona euro, mas culpando os europeus pelo resultado. Com a saída, o Syriza podia nacionalizar a banca e imprimir dinheiro, libertando-se de medidas impopulares que não tem condições para aplicar, como cortes nas pensões. As poupanças dos gregos serão destruídas, mas o Syriza é um partido da esquerda radical e não está interessado na classe média. Tsipras mentiu ao seu eleitorado sobre a saída da zona euro e precisa de um bode expiatório. O verdadeiro jogo é sobre a culpa.

Na Europa há também a intenção de tirar a Grécia da zona euro, embora não a de arcar com a responsabilidade. O incumprimento e a desvalorização da nova moeda permitiriam reestruturar a dívida grega e recuperar a economia, sobretudo se houver uma ajuda em larga escala. Em vez de uma agonia lenta e de um terceiro resgate que talvez não passe nos parlamentos, a Grécia podia ser colocada num programa temporário de recuperação, suspendendo a sua participação na UEM. Há outra vantagem: a saída (ou meia-saída) permite resolver de vez a falta de união política, pois quem fica sabe que a falta de disciplina orçamental terá a punição grave do eventual afastamento da UEM.

O debate nacional ignora tudo isto. Os mesmos que fazem previsões catastróficas sobre o futuro de Portugal na moeda única criticam de forma ácida qualquer declaração sobre as dificuldades de Atenas, como se Portugal não fosse uma democracia. Cada vez que o governo português se pronuncia sobre um assunto com potencial para nos afectar, surge logo um coro de indignação, que deviam estar calados ou que deviam apoiar Tsipras. E, no entanto, quanto mais conseguir destruir as minhas poupanças, melhor negócio terá a Grécia, embora o meu protesto seja visto como um atentado à democracia e àquela Europa mítica que nunca existiu e não existe.

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As alternativas

por José António Abreu, em 30.06.15

Cada uma pode ter ligeiras cambiantes mas, na verdade, só há três vias de lidar com a acumulação de dívida na economia mundial e, em particular, na Europa.

 

1. Especular, especular, especular. Pode parecer contraditório, atendendo a que os seus representantes clamam frequentemente pela «regulação dos mercados», mas, de Tsipras a Galamba, passando por Krugman e Maduro, trata-se da opção preferida da esquerda. Injectar mais e mais dinheiro na economia através dos bancos centrais, da subida de salários e do crédito. Apostar no consumo. Em simultâneo, taxar mais a actividade empresarial, os «ricos» e o capital. Ignorar (apenas na prática; na retórica está bem presente) o carácter aberto da economia mundial. Esquecer os desequilíbrios existentes e o facto desta política os agravar.

 

2. Especular e reformar. Injectar dinheiro na economia mas em simultâneo exigir reformas tendentes a corrigir desequilíbrios e potenciar crescimentos futuros. É o caminho que a Europa tem tentado seguir (pendia para o lado das reformas antes de Draghi assumir a presidência do BCE, inclina-se hoje para o lado da especulação). Riscos? Desde logo, o político: os eleitores detestam reformas e tendem a voltar-se para os defensores da opção nº1. Depois, o inconveniente de todos as soluções que não são carne nem peixe: o compromisso entusiasma poucos e os resultados demoram a aparecer (até mesmo em versões mais radicais, como a japonesa). Finalmente, a circunstância de, em caso de falhanço, as consequências não serem substancialmente diferentes das da opção nº1: a bola de neve apenas cresce mais devagar.

 

3. Assumir perdas. Deixar de alimentar o monstro, permitindo a queda de quem tiver de cair: bancos, empresas, estados, particulares. Compreensivelmente, todos a recusam. Mas é uma inevitabilidade em caso de insucesso de qualquer das vias anteriores. Sendo que a queda será tão mais dolorosa quanto mais tempo se mantiver o esforço para a evitar.

 

Pessoalmente, acho a via nº1 suicidária e, em especial devido aos riscos de carácter político, tenho poucas esperanças na nº2 (veremos até que ponto o caso da Grécia servirá de «vacina» contra os populismos). Quanto à terceira, faço parte do imenso clube que prefere não pensar seriamente nela (de momento, deixo isso para os gregos).

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.06.15

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Ir é o Melhor Remédio, de Teresa Conceição

Viagens

(edição Guerra & Paz, 2015)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

 

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Isto ainda agora começou.

por Luís Menezes Leitão, em 30.06.15

Esta entrevista de José Sócrates é um tiro mortal em António Costa, precisamente na pior altura, quando lhe começam a cair em cima os estilhaços da crise grega, depois do seu irresponsável apoio ao Syriza. Sócrates diz: "Não esperem de mim, em período pré-eleitoral, qualquer palavra que possa prejudicar a liderança do PS. Até porque me ficaria mal". Mas imediatamente a seguir responde à tentativa de António Costa de desligar o PS da sua prisão com uma frase lapidar: "É muito frequente ser difícil distinguir o discurso da responsabilidade do da covardia e da rendição". É assim evidente que Sócrates vai fazer António Costa pagar caro a sua tentativa de colocar o PS num assento etéreo acima de Sócrates. É por isso que Sócrates responde à pergunta sobre se a política para ele acabou com outra resposta elucidativa: "Isto ainda agora começou". Que não haja dúvidas a esse respeito.

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Pensamento para hoje

por Joana Nave, em 30.06.15

O exercício físico tem inúmeros benefícios. Um corpo saudável é fundamental para o bem estar geral, principalmente no que respeita à mente, que se torna até mais criativa. As pessoas que fazem desporto com regularidade são naturalmente mais bem dispostas e mais produtivas.

 

Caminhe pelo menos meia hora todos os dias.

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Em Harare também não se reuniram porque se sair um ficam 18

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.06.15

"Em quase todas as capitais da União — Lisboa foi a grande excepção —, os governos reuniram-se de urgência para avaliar o referendo anunciado por Tsipras na madrugada de sábado. Houve conselhos de ministros extraordinários, reuniões de chefes de Estado com os seus núcleos duros, encontros com os responsáveis dos respectivos bancos centrais ou até, no caso de Berlim, uma inédita reunião que juntou os líderes de todos os partidos com representação no Parlamento." - Sofia Lorena, Público, 30/06/2015, p. 2

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As canções do século (2007)

por Pedro Correia, em 30.06.15

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Onde tudo começou

por José António Abreu, em 29.06.15

A Grécia entrou no Euro em 2001. Desde essa altura, teve um crescimento imparável.

Muito superior ao registado em Portugal - ou na Alemanha. Convém ver os números (PIB, salários, consumo) e perceber porquê. Leitura essencial, n'O Insurgente. Por Carlos Guimarães Pinto.

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Crisis? What crisis?

por Luís Menezes Leitão, em 29.06.15

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Cavaco: "Se a Grécia sair ficam 18".

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Coisas que nunca mudam

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.06.15

Não sei qual será o resultado da crise em que a Europa está mergulhada. Não sou bruxo. Como em qualquer ruptura, creio que há culpas de parte a parte. Uns porque prometeram o que não deviam, outros porque impõem o que não devem, esquecendo que se a Europa chegou ao beco em que se encontra isso se deve à distância em relação aos cidadãos e à intransigência em que assentou a construção daquilo que temos hoje. Um referendo nunca fez mal a ninguém. E parece-me fazer mais sentido perguntar aos cidadãos se querem agora o que não estava no contrato de governo, no programa eleitoral, do que apresentar-lhes como consumado aquilo que à partida rejeitaram e que quem os governa se comprometeu, demagogicamente ou não, a rejeitar.

É certo que, perante as circunstâncias em que a consulta terá lugar, a decisão que venha a ser tomada será tudo menos ponderada. As condições para a realização do referendo são sofríveis. Mas aí, como uma personagem de um filme que fez sucesso há uns anos dizia à sua paixão, parafraseando Faulkner, há gente que quando se vê numa situação de desespero é confrontada com a escolha entre a dor e o nada. Os gregos estão nessa situação. Porque quem não tem nada já nada tem a perder. Porque já teve dor que chegue. Porque já está para tudo. 

Não sei se na segunda-feira o euro continuará a cair, nem se a Europa algum dia irá recuperar, mas há coisas que nunca mudam. E é com elas que temos de contar.

Uma é confirmar-se que para os agiotas é sempre preferível correr o risco de esticar a corda e deixar que o devedor agonizante se enforque com ela, não reavendo os juros nem o capital, do que dar mais cinco dias para que esse mesmo devedor tome uma decisão final e se recomponha para voltar a pensar. No final, as culpas poderão ser imputadas ao devedor mas estarão todos a arder. Ou melhor, no fundo.

A outra são as sempre rigorosas e felizes declarações de Cavaco Silva. Enquanto a chanceler Merkel, quando questionada sobre um eventual fracasso do euro e uma saída da Grécia, dizia que "se o euro falha, a Europa falha", em Portugal, questionado em termos similares sobre o mesmo assunto, o Presidente da República fazia contas de somar e subtrair para concluir que "se a Grécia sair ficam dezoito". 

Perante isto que mais se pode dizer? 

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todos temos bom gosto

por Patrícia Reis, em 29.06.15

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 O homem sabia que, realisticamente, era impossível que todos tivessem bom gosto, sentido de humor, um guarda-roupa impecável, corpos perfeitos e outras coisas. Olhou para a mulher, ela de riscas multicolores, camisa e colete, tudo baralhado, e pensou que seria uma bondade alguém alvitrar a possibilidade de ela não ver bem as cores. Hoje não era totalmente dramático, azul e rosa, enfim, admissível, mas a mulher, aquela mulher, só podia ser daltónica.

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Pérolas de sabedoria para uso quotidiano

por Rui Rocha, em 29.06.15

- Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és.

- Com quem andas?

- Quem és?

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Grécia antiga (33)

por Pedro Correia, em 29.06.15

«Há dois aspectos essenciais que os novos governantes gregos - de que, tenho a certeza, vou discordar muito no futuro - trouxeram e que eram e são essenciais: o declarar alto e em bom som que o caminho seguido vai destruir a sua comunidade - e o resto das europeias e a própria ideia da União Europeia, digo eu - e o de porem a discussão no único plano possível, o da política.»

Pedro Marques Lopes, no Diário de Notícias (8 de Fevereiro de 2015)

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Coerências (auxiliar de memória para os fãs)

por José António Abreu, em 29.06.15

Varoufakis afastou a possibilidade de um referendo aos termos do acordo dizendo que seria efectivamente um voto à manutenção do euro como moeda.

«Seria injusto para os cidadãos gregos terem de tomar uma posição sobre o assunto, respondendo com um sim ou um não», disse ele.

19.05.2015. Tradução minha.

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O palácio a arder

por João André, em 29.06.15

Quando o Syryza foi eleito governo terão soado as campainhas de alarme em Bruxelas e Berlim (e Amesterdão, já agora). Quando Tsipras e Varufakis andaram a passear ideias limite pela Europa em alegres passeios, as reuniões terão começado com um objectivo: trazê-los à terra. Havia esperanças e um ou outro sinal de abertura iriam nesse sentido. Quando Tsipras e Varufakis demonstraram a sua completa inabilidade política e diplomática, o objectivo tornou-se um e um só: fazer um exemplo da Grécia.
Que tipo de exemplo não faz muita diferença, na realidade. Ou os gregos aceitariam as propostas iniciais das "instituições" sem qualquer alteração e assim levariam à queda de tão radical governo; ou então deixar-se-ia cair o próprio país. Foi esta opção que, com a colaboração de Tsipras, acabou "escolhida".
A esmagadora maioria dos comentários que leio vão no sentido de culpar a "Europa" (pode até ser o FMI, ou o BCE, ou Merkel, ou o senhor X que fez a folha de Excel) ou de culpar os gregos (os extremistas do Syryza, os abusadores do passado, os radicais disto ou aquilo). (In)felizmente existe culpa suficiente para distribuir: das "instituições" por tratarem a Grécia como uma folha de Excel onde as pessoas serão pouco menos que células; dos líderes europeus que nunca se preocuparam com a Europa em si mesmo mas apenas e só com a próxima eleição; do acutal governo grego que julgou que a Europa era uma manif mas em grande e com alguns tipos de gravata; dos governos gregos antigos que fizeram pela vida dos amigos e trataram a UE como uma cornucópia; dos diversos líderes europeus dos últimos 20 anos que não souberam assumir a construção europeia como ela precisava de ser assumida; (continuem a preencher, isto pode levar muitos outros alvos e nem importa de que lado vocês se posicionem, a vossa atribuição de culpas estará muito provavelmente correcta).
No meio disto tudo há um povo que será culpado de ter feito pela sua vida perante as circunstâncias que lhes eram oferecidas. Culpar os gregos não faz muito sentido: seria como culpar quem faz compras numa loja que anuncia dumping. Só que é esse mesmo povo que agora irá sofrer com a estupidez, ganância e mesquinhez dos líderes europeus (incluindo os seus próprios). Estas cimeiras deveriam ter sido feitas com a intenção de lhes minorar esse sofrimento. Não houve essa preocupação. Agora que o palácio está em chamas, ninguém se preocupa com os habitantes, apenas com quem deixou o gás ligado e a tostadeira ligada.
E agora? pelo que tenho lido de toda a gente que faz previsões: ninguém sabe. Podem uns, outros ou ninguém ter razão. Da minha parte não faço ideia. Sei que haverá quem lamba os beiços e quem avalie os méritos da varanda do quinto andar e cobice acesso à do décimo. A ver vamos onde chegarão as chamas e se haverá bombeiros disponíveis.

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Não foi apenas a Grécia que ficou à beira da insolvência este fim-de-semana. Porto Rico também admitiu oficialmente que não pode pagar as dívidas contraídas nos últimos anos. A culpa, evidentemente, é dos «mercados» que lhe emprestaram os dólares - essa verdadeira moeda que, ao contrário do euro, permite evitar defaults e a necessidade de austeridade.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.06.15

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Vinte Degraus e Outros Contos de Hélia Correia

(edição Relógio d' Água, 2014)

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Pensamento para hoje

por Joana Nave, em 29.06.15

Estar a braços com muitas coisas acaba por ser uma forma de não realizar nenhuma delas. É importante parar, definir prioridades, e só depois avançar, executando cada tarefa em separado e só começando uma nova depois de terminar a anterior.

 

Pare, analise, priorize.

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Blogue da semana

por Fernando Sousa, em 29.06.15

Adorava o que fazia, tinha sempre um sorriso e gostava de cantar. Tinha o sol na cara. Trabalhei com ele, com o David Clifford, que, como toda a gente, morreu cedo, no seu caso ainda mais cedo pela pouca idade que levava e o mundo que ainda queria - e que tanto o queria. Eu, e tantos! Fica aqui parte do seu trabalho, um trabalho sempre atrás da luz, que numa vida bem vivida é a direcção certa. 

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As canções do século (2006)

por Pedro Correia, em 29.06.15

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Não é bem assim, menina nandinha

por Rui Rocha, em 28.06.15

CANCIO.jpgPor exemplos, os que já há uns tempos tinham perdido a confiança no sistema bancário não vão precisar de levantar nada.

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Fotografias tiradas por aí (232)

por José António Abreu, em 28.06.15

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Porto, 2009.

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Trecho para um livro que nunca vou escrever

por Francisca Prieto, em 28.06.15

Se me tivessem deixado escrever a história da minha vida, as coisas teriam tomado outro rumo. Havia de ter arranjado maneira de me escapar à sucessão de acontecimentos desgovernados que deixaram mortos, feridos, perdas e estilhaços.

Controlo de danos, é o que tenho andado a fazer nos últimos anos, a viver numa não felicidade, na passividade de me deixar perdurar neste limbo de esforço, encurralada entre dois imanes de pólos opostos. Eu, uma figura parada com a vida a atropelar-me para a esquerda e para a direita, a cair no desnorteio do turista continental que atravessa uma rua de Londres.

Se tivesse sido eu a escrever a história da minha vida, contava-a em fotogramas, como fazem os realizadores de Hollywood, que arranjam maneira de meter pessoas a apaixonarem-se em Nova Iorque.

Nova Iorque no Outono é um sofá de dois lugares com uma manta de xadrez.

Eu, da primeira vez que me apaixonei, foi no largo do Calhariz e era Inverno. Caía uma chuva molha-parvos que me molhava. Um senhor de fato escuro, na paragem do autocarro, ofereceu-me o guarda chuva. Tinha olhos claros e, provavelmente, pena de mim.

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Calma que o homem sabe o que faz

por Rui Rocha, em 28.06.15

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Pescadinha

por José António Abreu, em 28.06.15

Falando acerca disto após o Eurogrupo, o loquaz ministro das finanças da Grécia, Yannis Varoufakis, tombou em incoerências. A recusa dos ministros em aprovar uma extensão do programa, disse ele, causou «danos permanentes à credibilidade da UE». Porquê? Porque havia uma «muito elevada probabilidade» de que os gregos ignorassem o governo e aprovassem a proposta dos credores. A Grécia, parecia estar a argumentar o Sr. Varoufakis, merecia ainda mais uma extensão do programa para dar tempo ao governo para aconselhar os eleitores a rejeitar os seus termos porque esse conselho poderia bem ser rejeitado.

The Economist. Tradução minha.

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Pérolas de sabedoria para uso quotidiano

por Rui Rocha, em 28.06.15

Me, my selfie stick and I.

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E agora o desconhecido

por Luís Naves, em 28.06.15

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A Grécia e os seus credores estavam à beira de um acordo, quando houve ruptura inesperada das negociações. O Eurogrupo chegou a propor condições mais generosas do que as que foram oferecidas a Portugal há dois anos e que permitiriam a Atenas prolongar por cinco meses o actual programa e negociar tranquilamente o terceiro resgate. A atitude dos negociadores gregos sugere que o governo de Alexis Tsipras não conseguiu convencer os membros mais radicais do Syriza ou, em alternativa, pretendia desde o início abandonar a União Económica e Monetária (UEM), culpando os europeus pelo desfecho. No comentário nacional, há observadores que acreditam na culpa exclusiva dos dirigentes europeus, ou seja, a estratégia teve êxito.

Entre os credores havia quem defendesse a saída da Grécia, sublinhando que podia facilitar a reparação da própria zona euro. O Grexit implica horrores económicos e riscos políticos, mas o copo pode ser visto meio cheio, pois a partir de agora quem não cumprir o Tratado Orçamental será vítima de gradual afastamento dos mercados, o que leva à porta de saída. Acabaram as ilusões: esta circunstância tem mais força do que a união política, cuja ausência no projecto inicial da UEM se revelou tão desastrosa.

Nos próximos dias, tudo o indica, assistiremos ao colapso financeiro que levará a Grécia a impor controlos de capital e a introduzir uma moeda paralela para pagar salários e pensões. A desvalorização dessa moeda permitirá recuperar a competitividade, mas entretanto haverá falências e serão destruídas as poupanças da classe média, que tem grandes quantidades de dinheiro debaixo dos colchões e, assim, poderá resistir durante alguns meses. O governo de esquerda pode finalmente cumprir as promessas eleitorais, acabar com a austeridade, imprimir dracmas, aplicar um programa radical. A Grécia empobrecerá ainda mais e a Europa (incluindo os contribuintes portugueses) pagará os incumprimentos gregos e correrá certo risco de perturbação nos mercados de dívida, mas do ponto de vista político tudo avançará mais depressa: nos próximos dois anos serão definidos mecanismos de maior integração e haverá mudanças fundamentais na UE, com a renegociação da relação dos britânicos e uma nova geração de líderes na Alemanha e talvez também em França, resultando num núcleo mais forte de países e em periferias mais distantes.

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A pergunta do referendo grego

por Rui Rocha, em 28.06.15

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.06.15

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Guia Politicamente Incorrecto do Socialismo, de Kevin D. Williamson

Tradução de Maria Dulce Guimarães da Costa e Vasco Teles de Menezes

(edição Alêtheia, 2015)

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Vantagens

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.06.15

Não estou no grupo daqueles que estão sempre contra a autogestão. Penso, aliás, que a autogestão em período pré-eleitoral, no que diz respeito à actividade de governos, permite aos eleitores aperceberem-se de alguns pormenores que noutras situações passariam despercebidos. Foi assim com alguns governos do PS em fim de ciclo, está a ser assim com o actual governo. No caso das colocações dos amigalhaços em embaixadas e consulados, com a reabertura do que havia sido encerrado por Paulo Portas, bem como em relação aos serviços que andam a ser prestados para fins partidários por diversos organismos da Administração Pública, assim se justificando os impostos que pagamos, é possível ainda encontrar sinais vitais no corpo da coligação PSD/CDS. A profunda sintonia de posições entre as atitudes dos ministros e as propostas políticas dos representantes de cada um dos partidos sobre os mesmos assuntos não permite outras leituras. Mais transparente e mais sincero não há.

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A vitória de Tsipras

por Rui Rocha, em 28.06.15

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 28.06.15

«Enquanto na TAP a greve prejudicou a empresa, na Carris/Metro esse tipo de prejuízo não ocorre porque os consumidores não têm mecanismos eficazes para actuar contra a quebra de contrato.
Assim, para a direcção desses monopólios uma greve é um dia de grande lucro, já que nesta bandalheira de terceira república nunca foi criado nenhum organismo que defenda os consumidores.

A DECO é apenas um dos muitos membros franchising da organização privada "Consumers International":
https://en.wikipedia.org/wiki/Consumers_International

Na prática este tipo de organizações privadas são os principais interessados em angariar sócios, que é o seu negócio, e não lhe interessa nenhuma outra estrutura que faça o serviço.
Por isso, quanto mais desprotegidos estiverem os consumidores, mais candidatos a sócios podem ganhar.
Uma das suas eficácias é na implementação de normas da treta (tal como outra fachada de lóbis que é a Quer-cus), já que normalmente há normas ou detalhes que favorecem um produto X relativamente ao Y.

Há uma série de pretensas "entidades reguladoras", que normalmente são outro nome para "grandes tachos do partido", que igualmente nada fazem, e lembro-me de terem arranjado um tacho socialista ao Acácio Barreiros como provedor dos consumidores... O que fez esse grande ex-UDP? Nada!

Pode parecer estranho, mas na prática, pela sua rotunda ineficácia, o sindicalismo de inspiração comunista tem sido um dos, senão o principal, destruidor de toda a estrutura estatal. E não é por acaso... pode ser por ignorância dos militantes e funcionários, mas não é por simples estupidez do "comité central", é por ortodoxia a um nível, e manipulação a outro.

Uma das principais degradações da sociedade actual está justamente na fragilidade do consumidor. Pressionado para contratos com cláusulas leoninas, desde o consulado de Sócrates que o consumidor passou até a arriscar-se a injunções com penhora, se não pagar logo as contas, por mais astronómicos e injustificados que sejam os valores. Casos vergonhosos são o pão-nosso de empresas de telecomunicações e serviços cabo, exploração de portagens, onde os enganos são sucessivos e sempre à conta do consumidor.
Na injunção há o requinte de ser o consumidor a ter que accionar o tribunal e pagar as despesas (muito aumentadas) se quiser se livrar da penhora. Todo o estado foi recrutado para actuar contra os cidadãos.

Conforme o Pedro bem refere, o Carris/Metro não devolve nos "passes lisboetas" o valor dos dias em que não prestou serviço.
Não precisa, porque todos, desde a DECO até às entidades reguladoras, todos se calam ou ficam apanhados de torpor, como se isso fosse normal. Pior, acresce que a Câmara alfacinha foi penalizando sucessivamente as viaturas, por ter o delírio dos ciclistas de montanha nas colinas lisboetas, e tudo isto se passa como num filme surrealista.

Quando ocorreram os aumentos exorbitantes dos preços dos bilhetes de Metro/Carris, aí não vimos os trabalhadores preocupados com os consumidores. Agora com a privatização é que os sindicatos se lembraram de invocar solidariedade com a penalização dos futuros consumidores... enfim, um espectáculo de retórica numa sociedade decadente.»

 

Do nosso leitor daMaia. A propósito deste meu texto.

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As canções do século (2005)

por Pedro Correia, em 28.06.15

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Diário Secreto

por Francisca Prieto, em 27.06.15

Tesourinho no email da nossa livraria Déjà Lu: “boa tarde, gostava de comprar o seu livro "descubra a cabra secreta que há em si". O que necessito fazer? como se processa o pagamento?”

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Referendo

por Rui Rocha, em 27.06.15

O meu feeling é que os gregos vão dizer naí.

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Um dia em grande

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.06.15

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E assim se encerra uma semana plena de êxitos desportivos. À tarde foi a vitória de Miguel Oliveira no Grande Prémio da Holanda, em mais uma indiscutível demonstração de todas as suas qualidades no Campeonato do Mundo de Motociclismo. À noite, já madrugada, chegou a extraordinária exibição da selecção nacional de futebol, categoria de sub-21, no Campeonato da Europa, a decorrer na República Checa, dando uma lição de futebol, em termos técnicos e tácticos, à rapaziada alta e loura da chanceler Merkel. Um resultado de 5-0 numa meia-final de um campeonato europeu é sempre um grande resultado. Contra a Alemanha, que cilindrara o Brasil há um ano no Mundial, em circunstâncias idênticas nos mais velhos, tem o sabor de um abraço para o outro lado do Atlântico, como quem diz "não nos esquecemos do que vos aconteceu". E qualquer que venha a ser a classificação final, nas motas ou no futebol, esta juventude já mostrou que está para lavar e durar.

Pena foi que a RTP Internacional, uma vez mais, não tivesse cumprido os serviços mínimos. Se quanto ao motociclismo isso é normal, o mesmo não se pode dizer e é incompreensível quanto ao futebol. Desta vez, valeram a Internet e o site da UEFA. Mesmo sem locução. Porque em Macau, depois de ter sido anunciada a transmissão, os portugueses tiveram direito a ouvir Júlio Isidro a entrevistar Ana Isabel num programa para encher chouriços. Não houve transmissão do jogo da selecção nacional de sub-21 porque a zona não estava no "pacote". Dinheiro só há para carros novos, propaganda e mandar reabrir as embaixadas onde se irão colocar, "à mama" do défice, os boys e as girls do Pedrinho, do Maduro e dessa referência das laranjadas e pirolitos nacionais que andou a queimar etapas na Câmara de Gaia.    

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Timings (e felicitações)

por José António Abreu, em 27.06.15

O referendo constituiria uma opção razoável se realizado antes do final de Junho. Para que tal fosse possível, o governo grego não poderia ter queimado meses em manobras dilatórias. Mais: considerando o apelo ao voto no «não» por parte do Syriza, seria de toda a conveniência garantir uma margem de várias semanas, uma vez que a vitória do «sim» deixaria o governo numa posição insustentável, podendo ser necessário realizar eleições antecipadas.

Agora tudo se precipita e, a menos de um golpe de teatro de último instante, o referendo nem sequer faz sentido (no próximo domingo, a proposta terá perdido a validade). Como, de resto, a análise acima também pode não fazer - porque é bem possível que Tsipras tenha conseguido o seu verdadeiro objectivo: retirar a Grécia da zona euro sem, junto dos seus cidadãos e de ingénuos espalhados um pouco por toda a Europa, parecer ter manobrado para o fazer. Caso em que restará dar-lhe os parabéns por um trabalho bem feito.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 27.06.15

«Há na vida coisas muito importantes, que são muito poucas. Depois há coisas importantes, que são mais. Depois há coisas que são muito menos importantes, que são aos milhões. E nós perdemos na vida um tempo enorme com os milhões de coisas pouco importantes.»

Marcelo Rebelo de Sousa, na Alta Definição (SIC)

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Pérolas de sabedoria para uso quotidiano

por Rui Rocha, em 27.06.15

Estás descontente com o teu trabalho? Podia ser pior. Pensa nos vendedores de fruta em filmes com cenas de perseguição.

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Acelera a agonia da Grécia

por Luís Naves, em 27.06.15

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As últimas semanas demonstraram que na zona euro não se negoceiam apenas doses de austeridade, mas o que parece mesmo estar em causa é ficar ou sair. A insistência em ‘outros caminhos’ ou na necessidade de ‘mudar de políticas’ é uma mera ilusão e não imagino como a esquerda portuguesa ou os comentadores habituais vão explicar a calamidade que se adivinha.

Em Portugal, muitos acreditaram erradamente que o governo grego podia impor aos credores europeus uma alteração fundamental nos tratados e no funcionamento da moeda única. Como aliás acreditaram erradamente que o cumprimento das regras impostas pelos credores levava à espiral recessiva. Durante cinco meses, o governo de esquerda liderado pelo Syriza tentou obrigar os países europeus a prolongarem as ajudas sem se comprometer com um programa de reformas e, no entanto, crivada de dívidas e sem soberania financeira, a Grécia só agravou a situação económica, invertendo o pequeno crescimento que conseguira. Agora, se quiser ficar na zona euro, terá de aceitar medidas duras que abrem caminho à negociação do terceiro resgate; e só depois se falará em alívio da dívida. O pacote é semelhante ao que Portugal aplicou há dois anos, apesar de haver comentadores que, ignorando estes factos, continuam a considerar errada a estratégia de credibilidade seguida pelo governo português, que permitiu o regresso aos mercados e ao crescimento.

Não podendo cumprir as promessas eleitorais, o primeiro-ministro grego ensaia o que parece ser uma fuga para a frente, anunciando um referendo com escassos dias para pensar. Votar nestas circunstâncias mostra que existe aqui sobretudo um problema político, pois todas as combinações partidárias anteriores falharam na Grécia. Chamam-lhe democracia madura e modelo a seguir. Este foi o outro grande erro de avaliação da esquerda portuguesa, ao contar a história como se estivéssemos perante a resistência de uma democracia que enfrenta o cruel império neo-liberal, interpretação em que os diferentes governos da zona euro não tinham legitimidade nas urnas e nunca respondiam perante os seus eleitores. Talvez a saída da Grécia da zona euro seja o plano mais lógico ou até o plano em aplicação pelas partes, mas será sempre um golpe fatal no radicalismo de esquerda a nível europeu. Quem, no seu perfeito juízo, quererá seguir por este caminho?

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Passagem de Nível

por Francisca Prieto, em 27.06.15

As my father always used to tell me, 'You see, son, there's always someone in the world worse off than you.' And I always used to think, 'So?

 

(Bill Bryson, in The Lost Continent: Travels in Small Town America)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.06.15

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Proibido, de António Costa Santos

História

(edição Guerra & Paz, 7ª ed, 2015)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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