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Diário Secreto

por Francisca Prieto, em 31.05.15

Ontem tive falta aqui no diário, mas era Sábado por isso não conta.

Hoje achei que, para não perder a mão, tinha de me pespegar defronte do computador pelo menos cinco minutos a dissertar sobre uma parvoeira qualquer.

Costumo dizer que o maior problema de uma mãe de família é o facto de viver numa Nova Zelândia do quotidiano. A verdadeira hora de ponta é ao fim de semana, com a miudagem a ter de ir para festas, jogos de futebol, escuteiros e afins. Nada da tranquilidade que paira de segunda a sexta, quando os abençoados estabelecimentos de ensino cumprem a sua missão.

Agora, por exemplo, é domingo à noite, o que quer dizer que venho exercitar a minha verve no estado em que estaria após uma reunião estratégica de new business para ganhar a conta do Pingo Doce. Vá lá uma pessoa arranjar criatividade para ser espectacular todos os dias.

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Fotografias tiradas por aí (228)

por José António Abreu, em 31.05.15

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Porto, 2009.

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A nortada esteve de feição

por Sérgio de Almeida Correia, em 31.05.15

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De uma equipa que esteve a ganhar por 2-0 ao intervalo, que jogou a maior parte do tempo contra dez, que sofreu um golo nos descontos, perdeu um jogador no prolongamento por burrice e apenas concretizou uma grande penalidade, lamento dizê-lo mas não merecia, não podia, ganhar a Taça.

Quanto ao opositor que esteve a perder por 2-0, ficou sem um jogador ainda a primeira parte aquecia e que apesar disso acreditou, deu a volta, e não falhou na hora decisiva dos penalties, só se pode dizer que mereceu ganhar a Taça. E por isso são também merecidos os parabéns. Ao vencedor e aos delituosos esverdeados. 

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Pérolas de sabedoria para uso quotidiano

por Rui Rocha, em 31.05.15

Os casos de corrupção em Portugal são como os disparos das torradeiras: sabemos que vão acontecer, mas deixam-nos sempre ligeiramente surpreendidos.

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Vínícius de Moraes

por Patrícia Reis, em 31.05.15

AMIZADE: PROCURA-SE

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

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Miguel Oliveira

por Sérgio de Almeida Correia, em 31.05.15

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Depois de muitas quedas, muitos azares e, em especial, muita persistência, os portugueses podem finalmente ter um piloto luso a vencer uma prova do Campeonato do Mundo de Motociclismo, categoria de Moto3. Foi hoje em Mugello, no Grande Prémio de Itália, e tratando-se de um feito extraordinário para as cores nacionais não poderia passar sem uma menção aqui no Delito de Opinião. Ao Miguel Oliveira e a quem o apoiou nesta caminhada ficam os parabéns e os votos de que esta seja a primeira de muitas vitórias para Portugal.

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Carta ao Padre Portocarrero de Almada

por Rui Rocha, em 31.05.15

Reverendo Padre Portocarrero de Almada,  

Li com atenção o texto lúcido que haveis publicado sobre o Diabo. Através dele cheguei finalmente à explicação para uma questão que me atormentava: se Deus é bom e tudo criou, como pode ele ter criado o Diabo? E desta dúvida a questionar a própria existência do Diabo era, ai de mim, apenas um passo. O vosso texto, bondoso sacerdote, derramou definitivamente luz sobre o assunto. Antes de mais, fiquei com a certeza de que o Diabo existe. Pois se vós assim o afirmais, que mais dúvidas podem subsistir? O tema é de suma importância e vós não irieis mentir sobre tão melindroso assunto, isso está claro. O Diabo existe e pronto. E devo dizer-vos que ver assim confirmada a sua existência me deixa muito aliviado. Isto é, a ver se me explico para não ser mal interpretado. Não é que eu fique contente com o facto de o Diabo existir, valha-me Deus. Mas, se tem de existir, então que se assuma que é assim. O pior de tudo é andar na dúvida. Como eu andei até esbarrar no vosso texto: existe, não existe, é isto obra do Diabo ou estará a minha sogra a agir sozinha? Agora que vejo tudo com meridiana clareza até me custa perceber como pude ser tão imbecil: era humanamente impossível que uma mulherzinha de pouco mais de metro e sessenta pudesse acumular por si só tanta ronha. A segunda revelação que me haveis trazido com as vossas palavras sabiamente escritas é a solução para a tal questão que me acompanhava: Deus é efectivamente bom. E, por isso, todos somos ontologicamente bons. Incluindo o próprio Diabo. E a minha sogra. Outra coisa são as acções. O problema, assim o haveis esclarecido sem margem para dúvidas, não é de fabrico. É de utilização. Deus pode ir à sua vida ilibado de quaisquer acusações. Fez o que tinha de fazer e fez bem feito. Agora que ninguém o chateie. Até pode estar a jogar Candy Crush que não temos nada com isso.  A terceira boa notícia é a de que as possessões têm cura. Eu já tinha lido que Padre Sousa Lara  fazia exorcismos à sexta-feira nas traseiras do Santuário de Lamego. Não fiquei muito convencido porque na entrevista também dizia que o Sousa Lara júnior gostava de Coca-Cola. Mas, agora que o haveis confirmado, já não hesito. Dá-me ideia que o caso da minha sogra não vai lá só com orações. Para a semana, meto-a na carreira e vai até Lamego. Algo me diz que a coisa está tão avançada que vai ser preciso amarrá-la à cama. Mas nestas coisas não podemos vacilar. Faça-se o que tiver de ser feito. Agora, bondoso padre, confesso-vos que tenho comigo uma outra grande inquietação que sinto dever partilhar convosco. Contra o vosso sábio conselho, fiz aquela coisa do Charlie mexicano através da internet. Eu bem sei que o Diabo tem barbas. Mas confesso que fiquei muito surpreendido quando chamei por ele e o que me apareceu foi isto:

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 31.05.15

 

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Paititi - O Último Segredo dos Incas, de Fernando Fernandes

Romance histórico

(edição Vieira da Silva, 2015)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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Blogue da Semana

por Ana Cláudia Vicente, em 31.05.15

Como sugestão de leitura para semana que agora começa deixo-vos The Vault, o blogue de curiosidades históricas e arqueológicas da Slate, revista digital norte-americana que celebrará vinte anos daqui a uns meses. É um bom sítio para ficar a par das mais recentes ou exóticas perplexidades de quem lida com tempos e lugares que não são os nossos.

 

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As canções do século (1977)

por Pedro Correia, em 31.05.15

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 30.05.15

«Tentei, honestamente tentei, mas primeiro fui ver ao dicionário o que significa Alfafa (glup). A seguir, bem, a única imagem satisfatória que vejo para servir de ilustração a Homem Alfafa é o próprio Shrek, não sei se ele aceitaria.
Todo verdura já ele é. Dominante acho que ninguém se opõe, face à imposição do cheiro a cebola podre, o ar assustador e o resto, enfim, podemos fechar os olhos ao facto de ele comer lagartas enormes em contorcionismo. São praticamente vegetais animados.»

Da nossa leitora Susana Rodrigues. A propósito deste texto do Rui Rocha.

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The years of the grape depression

por Rui Rocha, em 30.05.15

Tabefes e casquetes.

 

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Pérolas de sabedoria para uso quotidiano

por Rui Rocha, em 30.05.15

As pessoas como os livros: com bons princípios.

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Passagem de Nível

por Francisca Prieto, em 30.05.15

Só me seduz duravelmente a inteligência do coração, providencial se ela se reveste de beleza, patética se desprovida dela.

 

(Amin Malouf, em O século primeiro depois de Beatriz)

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A quem interessar...

por Helena Sacadura Cabral, em 30.05.15

E já agora aqui ficam os dias estabelecidos em que me encontrarão sorridente na Feira do LIvro:

Dia 29 de Maio, das 17h30 às 18h45 na Penguin Random House ( antiga Objectiva) e às 19h00 no Clube do Autor

Dia 31 de Maio, às 16h30 no Clube do Autor e a partir das 18:00 na Random House
Dia 6 de Junho, às 16:30 na Random House e às 18h00 no Clube do Autor
Dia 13 de Junho, às 16h30 no Clube do Autor e às 18h00 na Random House
 
Acredito que lá aparecerei mais vezes. Mas estas são seguras!

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Uma séria concorrente...

por Helena Sacadura Cabral, em 30.05.15

Várias pessoas, muito simpaticamente, vêm perguntando se este ano não vou à Feira do Livro. Claro que vou. Havia de ter graça uma Feira destas sem a minha presença!

Como sabem, a minha família tem uma natural aptidão por estes encontros e eu não sou diferente. Vou lá estar, sim senhora. Será já amanhã. E depois, em vários dias. É a minha oportunidade de falar com os meus leitores e não perco esse contacto directo por nada.

Assim, quem quiser livros assinados e um sorriso prazenteiro é só aparecer no Clube do Autor ou na Random House - antiga Objectiva - e dar um ar da sua graça.

Não serei o Paulinho das Feiras, porque não vou à caça do voto, mas sou a Leninha das Feiras que, não lhe ficando atrás, é uma séria concorrente em simpatia... O humor é mesmo o que me salva!

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.05.15

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Viagem à Volta do Meu Quarto, de Xavier de Maistre

Introdução de Pedro Mexia

Tradução de Carlos Sousa Almeida

Pensamentos

(edição Tinta da China, 2015)

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As canções do século (1976)

por Pedro Correia, em 30.05.15

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o álcool que a lei deixa

por Patrícia Reis, em 29.05.15

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A miúda não entende a razão para não beber shots. A idade parece-lhe ser a apropriada. A lei diz que não. Tentou no primeiro bar. Depois decidiu tentar a sorte com uma amiga que parece mais velha. Nada. Sentada no lambril do passeio, as unhas dos pés pintadas de preto exibem-se com orgulho nas sandálias compensadas. Um rapaz com um sorriso torto mostra-lhe uma garrafa de litro de vinho e pergunta:

 "Queres?"

É sexta-feira à noite. É a noite. Só precisa de estar em casa às duas da manhã. Fica a olhar para o rapaz mais velho. É uma pena não gostar de vinho.

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Vozes do mundo

por Isabel Mouzinho, em 29.05.15

 

 
Conheci-a pela primeira vez num programa da RTP2 que nem sei se ainda existe, chamado "Bairro Alto". Gostei do seu modo de ser comunicativo e das coisas que então a ouvi dizer. Estávamos em 2008, julgo eu, e  María Beresarte, de origem basca, acabava de publicar o seu primeiro disco que, curiosamente, era um disco de fado.
Uma espanhola a cantar fado parece uma ideia estranha. Mas se o ouvirmos não é. Pelo contrário: achei que ele era bem a prova que o fado e o flamenco são muito mais próximos do que parecem, que há mesmo o que pode considerar-se uma sonoridade ibérica, com especificidades próprias que têm a ver com as nossas distintas maneiras de ser. E deixei-me encantar por esta voz,  poderosa, enfeitiçante e arrebatadora. Mas acabei por não guardar o disco, "Todas las horas son viejas", considerado pelo crítica como o melhor álbum de fado por uma voz estrangeira, pois ofereci-o  a uns amigos espanhóis que gostam muito da canção de Lisboa.
Anos mais tarde, em 2012, tive a oportunidade de finalmente a ouvir ao vivo num concerto do "Quinteto de Lisboa", um interessante projecto musical que inclui também João Gil, José Peixoto, Hélder Moutinho e João Monge (tudo nomes de peso, pois claro). Foi um espectáculo marcante e inesquecível, pela sua qualidade e carácter inovador. Foi também, para mim, a confirmação de María Beresarte como uma artista extraordinária, que além da excepcional voz que tem é ainda elegante e sensual; e canta com o corpo inteiro.
Desde então tenho acompanhado mais ou menos o seu percurso artístico. Sei, por exemplo, que faz muito sucesso em França, e não só, que se vai tornando "um caso sério", e provando cada vez mais que é, acima de tudo, uma voz do mundo.
María Beresarte acaba de  lançar o seu segundo disco, chamado "Súbita" que, pela amostra, parece valer a pena ouvir com atenção.

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Grécia antiga (13)

por Pedro Correia, em 29.05.15

«A vitória do Syriza é a primeira derrota significativa dos blocos de interesses ligados ao grande capital financeiro que governaram o continente. É de esperar que mais partidos ditos extremistas ganhem as eleições nos próximos anos. Espanha, França e até o Reino Unido são os próximos problemas com que a governação alemã da UE se vai debater.»

Nuno Ramos de Almeida no i (28 de Janeiro de 2015)

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Pérolas de sabedoria para uso quotidiano

por Rui Rocha, em 29.05.15

Há poucas coisas mais divertidas do que quatrocentos e noventa romanos...XD.

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Presidenciáveis (58)

por Pedro Correia, em 29.05.15

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Fernando Ruas

 

Eis a prova viva de que na política nem tudo são agruras, canseiras e desgostos, ao contrário do que alguns alegam. Basta olhar o rosto prazenteiro deste social-democrata de velha cepa para se perceber que dele emana a calma personificada. Uma impressão reforçada pela farta cabeleira que exibe, sem ali reluzir um só fio de prata.

Com este visual quase inalterado, Fernando Ruas foi galgando sucessivos patamares na vida pública: presidente da Câmara Municipal de Viseu (1989-2013), deputado, presidente da Mesa do Congresso do partido laranja, presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses. Sempre com o mesmo sorriso rasgado de quem está de boas relações com a vida.

Há dois anos, por impossibilidade legal de acumulação de novos mandatos autárquicos, deixou de figurar como líder da guarda avançada do Cavaquistão. O primeiro-ministro indicou-o em 2014 para as listas de candidatos do PSD ao Parlamento Europeu, em lugar elegível. Escassos meses antes, por mera casualidade, Ruas declarara em tom peremptório numa sessão pública: "Não conheço ninguém no PSD com o sentido de Estado de Passos Coelho."

De Viseu para Bruxelas, o salto foi enorme. Não haverá outros na carreira deste economista de 66 anos, nascido sob o signo Capricórnio e que hoje reclama ser a "voz do interior" na eurocâmara? Se fizer falta um "verdadeiro representante do País real" como candidato à Presidência da República ele chega-se à frente. Com a destreza revelada quando se integrou nos Rangers de Lamego durante o serviço militar, a disponibilidade de que deu provas no seu feudo beirão e o desassombro que não deixaria de manifestar em nova declaração pública sobre o líder do partido.

Sem perder o sorriso. Nem ganhar um cabelo branco.

 

Prós - Animaria Belém, instalando no vetusto edifício presidencial uma versão lisboeta do Palácio do Gelo, que durante o seu mandato autárquico começou a aquecer as noites viseenses. Os portugueses voltariam a ter alguém com sotaque da boa e velha Beira na Presidência, após dois alfacinhas e um algarvio, mantendo-se assim uma antiquíssima tradição do solo pátrio: Portugal não é o mesmo sem um beirão a mandar.

 

Contras - É o último resistente na política portuguesa à anacrónica moda do bigode, que até os presidentes do México e os jogadores do Benfica deixaram de usar. O apelido dele induz em erro: em vez de Ruas devia chamar-se Rotundas, Fernando Rotundas. Reza a lenda que inaugurou 127 em Viseu, a mais contornável das cidades portuguesas.

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Diário Secreto

por Francisca Prieto, em 29.05.15

Comecei o dia a fazer de mãe horrorizada na escola dos miúdos, a propósito de um deles ter sido apanhado com um papel que continha uma canção ordinária de sua autoria. Embora estivesse mortinha para ver a prova do crime, não tive lata para pedir. De qualquer maneira, a professora deixou escapar que a trova rimava muito bem e que o rapaz tinha escrito 5 (CINCO) estrofes. Fiquei super orgulhosa do meu malcriadão.

O Rodrigo confidenciou-me que quando era mais novo e chovia ele achava que eram as nuvens a chorar. Achei tão poético.

Xiquinha, a cromossómica da família,  foi às análises. Não metia lá os pés há uns dois anos mas, assim que chegou, agarrou-se ao braço e apontou para o gabinete onde tiram sangue. Pergunto-me onde andará o défice.

Levei o pai a São Francisco Xavier para medir os níveis do Varfine. No caminho a mãe cantou uma cantiga de revista do João Villarett sobre o Salazar. Podia ter sido pior.

O pai disse uma frase inteira.

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Parabéns Luís Naves!

por Patrícia Reis, em 29.05.15

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.05.15

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Os Filipes, de António Borges Coelho

História 

(edição Caminho, 2015)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 29.05.15

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Mariana Monteiro

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Sobre a relação entre as vacas e a reforma do Estado

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.05.15

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A senha tinha o número B119. Marcava "Hora 14:15". Do asiático ecrã chegou a informação de que estava a ser atendido o “Utente” com a senha 98. Os “Utentes” estavam todos estrategicamente sentados. Uns de costas para as secretárias onde se desenrolava o atendimento dos outros "Utentes", alguns posicionados lateralmente. Todos virados para o ecrã. Reparei que havia algumas secretárias vazias. Pessoal de férias ou de baixa, pensei. Os números iam passando de acordo com as séries respectivas. De quando em vez lá aparecia um B. Ao mesmo tempo, a televisão dava conta aos “Utentes” da altura do “Cristo Rei”, 75 metros, do autor do projecto do pórtico, do autor da escultura. Também da existência do “castelo de Silves”, que recentemente “beneficiou de obras de conservação e beneficiação”, e dos resultados da natação nacional. E havia estatísticas informando os “Utentes” dos tempos médios de espera e do número dos que foram atendidos no ano anterior. No distrito de Lisboa tinham sido mais de trezentos mil. Mais de três milhões em todo o país. E os tempos de espera andavam pelos 15/20 minutos. Com isto já eram 15 horas. Ou seja, a média do tempo de espera já tinha sido mais do que dobrada. Só comigo. Pelo moderníssimo ecrã, entretanto, ficámos a saber que havia uma diferença entre o atendimento preferencial e o prioritário. Não sei se os outros “Utentes” terão dado pela diferença enquanto as séries e os números iam caindo, mas toda aquela gente alternava os olhos entre o ecrã do telemóvel, o dos números das senhas e a decifração do significado da tatuagem na coxa de uma “Utente” mais encalorada. “Ó senhor João, peço-lhe imensa desculpa mas eu agora não posso sair daqui, estou nas Finanças e está quase na minha vez. Se não puder esperar combinamos outro dia, as cortinas também não me estão a fazer muita falta. Tira as medidas noutro dia. Eu sei que lhe causa transtorno, peço-lhe imensa desculpa, mas eu não tenho culpa. É por causa do IRS, ainda tenho vinte pessoas à minha frente”. Pelos toques dos telemóveis e pela conversa percebia-se que havia gente de todas as origens. Pelo cheiro idem. Todos de olhos postos no “Cristo Rei”, no “castelo de Silves”, que fica na “região do Algarve”, e nos números das senhas. Eram 15:58 quando disparou mais um toque. Senha B119. Era a minha. Às 16:05 estava despachado. Valeu pela rapidez do atendimento. E pela simpatia de quem na linha da frente aguenta o primeiro embate.

Quanto ao mais, ninguém me esclareceu se os tempos médios de espera incluem as senhas sem dono, nem se esses valores contemplam nas estatísticas as senhas daqueles que, à cautela, sem saberem ao certo qual das séries lhes diz respeito, tiram logo uma de cada série. Em todo o caso, isso não é relevante.

Relevante é ver como a coisa funciona. E saber como se passam duas horas de uma tarde – de trabalho para os outros - numa repartição de finanças devido ao facto dos bancos terem sido generosamente aliviados da obrigação de remeterem aos contribuintes as declarações para efeitos de IRS de onde antes constava o valor dos juros colocados à disposição dos depositantes e os montantes retidos na fonte. Como essa obrigação deixou de existir, e agora o contribuinte tem de andar a verificar extracto a extracto, banco a banco, os valores que lhe foram lançados no ano anterior, havendo alguns bancos que se limitam a lançar valores líquidos, o desgraçado do “sistema” nunca está satisfeito. Vai daí avisa o “Utente”, lançando um "alerta". Este, se quiser resolver o problema dentro do prazo de entrega da decclaração e sem coimas, terá de ir às Finanças apurar quais as informações que foram remetidas ao Estado pelas instituições bancárias, única forma de fazer coincidir os valores de uns com os de outros e de se eliminarem os “alertas”, regularizando as situações pendentes.

Aquilo que era anteriormente fácil e se resumia à recolha da informação constante das declarações recebidas das instituições bancárias com a indicação das retenções na fonte, tornou-se em mais uma dor de cabeça e uma perda de tempo que em nada contribui para o aumento da produtividade. Estando tudo informatizado e enviando os bancos tanto lixo para as caixas de correio electrónicas dos contribuintes, também poderiam remeter-lhes a informação que a seu respeito enviam para o Estado, como antes faziam, facilitando-lhes a vida em matéria de preenchimento das declarações de IRS, evitando-lhes “alertas” e longas esperas nas repartições.

Durante a manhã desse mesmo dia, no Fórum da TSF, depois de múltiplas críticas e de declarações desencontradas, tudo, diziam, por causa de uma omissão do dever de informação por parte do Instituto da Segurança Social, um vice-presidente deste, em resposta à pergunta do jornalista sobre a razão para a entrega de uma declaração que não servia para nada, esclarecia o entrevistador e os ouvintes, sem responder à questão, brandindo com o número do artigo que previa a sua entrega. Porque se tratava de uma “exigência legal” que se não fosse cumprida daria lugar à aplicação de uma coima. Duzentos e cinquenta euros era o valor da dita. Mas para que servia tal declaração, se em 2014 milhares de contribuintes não a entregaram e não lhes foram instaurados quaisquer processos pela sua falta?, insistia o jornalista, ao que o tal “responsável” retorquia que era uma “exigência legal”. O artigo, a culpa era do artigo, da “exigência legal”. A declaração podia não servir para nada mas era uma “exigência legal”. E as exigências legais, por mais absurdas que sejam, cumprem-se. Sem questionar. Como as ordens dadas na caserna pelo troglodita de serviço. Ponto final.

 

A reforma do Estado tem tanto de surreal quanto de banha da cobra. Basta ouvir as queixas, escutar o que dizem os responsáveis, a funcionária das Finanças, o contabilista da Saúde ou o distribuidor dos vales da Segurança Social, e depois fazer uma visita aos serviços para se avaliar da seriedade do que dizem. Ou melhor, da falta dela. Em Portugal, em rigor, ninguém quer reformar o Estado. Porque o Estado são eles, os reformadores. Os reformadores são uma espécie de leiteiros certificados. O contribuinte não passa de uma vaca à qual se espremem as tetas enquanto derem leite. O Estado só é reformável em gráficos pagos a peso de ouro e em folhas de Excel. O fisco orgulha-se do número de “Utentes” que diariamente despacha. Isto é, do número de vacas que ordenha nas suas repartições. Em todo o país, pelo processo da senha, foram mais de três milhões só num ano. Todas com um número, todas devidamente marcadas, aguardando que as senhas passem, faça sol ou faça chuva, até que chegue a sua vez de serem espremidas. Ou encaminhadas para outra secção. Às vezes, quando secam, mandam-nas para o matadouro. Executam-nas. Abatem-nas.

Se o sistema funcionasse o número de “Utentes” nas repartições tenderia a diminuir. E não a aumentar. A ineficiência do sistema, ao contrário do que eles pensam, vê-se no número dos que os demandam. No número de vacas que não podendo pastar fica a ruminar nas repartições diante de um ecrã, durante horas a fio. Estas não sorriem. E o que se vê é que o número aumenta à medida que escasseia o leite que sai do gado para alimentar os leiteiros e respectivas famílias. Há leiteiros tão incompetentes que até disto se orgulham, não vendo que se o leite falta para eles também faltará para os bezerros. É por isso que já há quem os tome por bois. Aos leiteiros. Um dia aperceber-se-ão disso.

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As canções do século (1975)

por Pedro Correia, em 29.05.15

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Casa

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.05.15

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Não se sai de onde nunca se partiu. Mas a casa volta-se sempre.

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Fraternidades Perdidas

por Francisca Prieto, em 28.05.15

O tio Pedro vivia a sépia numa moldura de arabescos por cima da cómoda da avó Dorotheia.

Tinha ficado eternizado aos vinte anos a descer uma escadaria, generosamente untado em brilhantina, de casaco assertoado e cigarro na mão esquerda.

 

O tio Pedro era um número de telefone que a minha avó me pedia para rodar no mostrador quando deixou de ser capaz de ler letra miudinha. Eu era pequena e só ouvia uma metade da conversa que circulava pelo auscultador, mas era fácil adivinhar as deixas devolvidas às frases ladaínhadas mais ou menos uma vez por mês. “Então filho, como estás?”, “E a Lurdes?”, “Os dias estão a ficar mais compridos” (ou mais curtos, consoante a época do ano). E depois, o fatal “Então e quando é que me vens visitar?”.

Só conheci o tio Pedro no ano passado. O que quer dizer que a fatídica pergunta provavelmente ficava no ar na maior parte das vezes. Era sabido que o tio Pedro cumpria o calendário exactamente um par de horas por ano, quando sabia que tínhamos ido de férias e que não havia risco de se cruzar com o meu pai.

Parece que nunca tiveram nenhuma briga feia, nunca se insultaram, nunca pregaram uma bofetada um ao outro. Eram simplesmente tão diferentes que não tinham vontade de se dar.

A tia Lurdes não ajudava à festa. Consta que era obssessivamente possessiva, de tal maneira que nunca quis ter filhos para não ter de partilhar o marido.

 

Quando a minha avó morreu, os dois irmãos não se viam há vinte anos. Na altura eu estava a viver nos Estados Unidos, pelo que perdi esta única oportunidade de pôr a vista no tio Pedro (confesso que me pelava por saber como era, em carne e osso, o mítico rapaz garboso da foto). Contam os meus irmãos que o encontro no velório foi digno de uma cena do “Padrinho”.

Era uma noite de Janeiro, humedecida pela tristeza. Da capela mortuária começaram-se a ouvir, em crescendo, passos firmes a percorrer as lajes de pedra. O tio Pedro entra pela porta, avança para o meu pai, e os dois irmãos, de cabelo grisalho, sobretudo escuro de fazenda e comoção contida, abrem os braços em simultâneo e cumprimentam-se com um sentido beijo na face.

Ficou assim imortalizado o reencontro fraterno num simbólico abraço convicto, ao lado do leito de morte da mãe.

 

Só se voltaram a ver passados outros vinte anos. Em Outubro passado. Depois da tia Lurdes morrer, o tio Pedro pediu que chamassem o meu pai para o ir visitar ao lar onde morava.

Mais uma vez, não foram trocadas acusações. Limitaram-se a conversar como se não tivesse existido um gap temporal de quarenta anos, tendo o tio Pedro pedido ao meu pai que cuidasse das coisas dele.

Morreu passado um mês. Tratavam-se por “mano”.

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Profetas da nossa terra (67)

por Pedro Correia, em 28.05.15

«Não acredito que o Syriza possa ganhar. (...) Penso que, não sei se para o bem ou para o mal, a Nova Democracia ainda vai conseguir ganhar [as eleições gregas de 25 de Janeiro].»

António Capucho, 2 de Janeiro de 2015

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livros insuportáveis

por Patrícia Reis, em 28.05.15

A insónia tinha várias origens e a mulher contabilizava as ralações enquanto passava os olhos por um livro. Fazia questão de trazer um livro consigo, para matar o tempo, para não ter de falar com ninguém. É conveniente. As pessoas respeitam e, ao mesmo tempo, acha ela, confere um certo estatuto. Pelas noites, os livros são apenas objectos nervosos que não a acalmam, as letras a pularem umas nas outras, como quem joga num trampolim, a mulher incapaz de se concentrar numa única frase. Insiste. Não quer pensar no futuro, na decisão que terá de anunciar aos filhos no fim de semana. É melhor voltar ao princípio do livro. Ir para um lar não é nada de extraordinário. Talvez extraordinário seja o facto de ser ela, aos oitenta e dois anos, a decidir que vai sem pedir opinião. Terão biblioteca no lar? Ou será que lhe chamam casa de repouso? A insónia permanecerá. Não consegue dizer o nome do personagem principal do livro que tem nas mãos, mas sabe de cor o horário das visitas do lar.

 

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Grécia antiga (12)

por Pedro Correia, em 28.05.15

«O ministro das Finanças grego é sexy, porra!»

Isabel Moreira no Facebook (2 de Fevereiro de 2015)

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Pérolas de sabedoria para uso quotidiano

por Rui Rocha, em 28.05.15

Há poucas palavras menos espontâneas do que espontaneidade.

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O preço das coisas

por José António Abreu, em 28.05.15

Na semana passada, por entre uma miríade de outras promessas, António Costa garantiu ir colocar os interesses dos inquilinos à frente dos dos senhorios. Nesse sentido, aliciou os primeiros com limitações à subida das rendas e ameaçou os segundos com obras coercivas em caso de degradação dos imóveis. Do ponto de vista eleitoral (diga-se o que se disser, ainda e sempre sinónimo de «os fins justificam os meios»), tem lógica: existem mais inquilinos do que senhorios e parecer defender os pobres contra quem os explora (sim, já vamos aqui: para o PS, os senhorios são oficialmente exploradores capitalistas) é uma atitude que recolhe sempre alguma simpatia instintiva. Na prática, as ideias de Costa são não apenas contraditórias mas contraproducentes: impedido de obter um rendimento adequado, nenhum senhorio se predisporá a manter os imóveis em boas condições. No limite, preferirá mantê-los devolutos. Cai-se desta forma no problema que foi levando à degradação das cidades portuguesas e que apenas este governo atacou, com uma lei das rendas passível de críticas mas ainda assim melhor do que praticamente tudo o que a antecedeu (expressão que define quase toda a acção do actual governo).

Mas pior é o PS não se ficar pelas rendas. Seguindo uma velha tradição socialista (frequentemente reforçada por partidos que se afirmam outras coisas  - entre os quais PSD e CDS), aplica esta lógica e impõe estas consequências a muitas outras áreas. Costa e os socialistas acham mesmo que forçar preços irrealistas, umas vezes pelo lado da limitação administrativa dos mesmos, outras pelo lado da imposição de custos acrescidos (energéticos, salariais, contributivos), outras ainda por ambas as vias em simultâneo (como no caso das rendas), não gera consequências negativas. Obviamente, estão enganados.

E pior ainda é o problema ultrapassar em muito os devaneios populistas de António Costa e as dificuldades de Portugal. A política de juros negativos e de aumento de balanço dos Bancos Centrais (que, no que respeita ao BCE, a esquerda tende a considerar insuficiente) segue a mesma lógica implícita: evitar aquilo que os anglo-saxónicos chamam price discovery, ou seja, a aplicação do preço adequado para cada bem e serviço. O que os Bancos Centrais vêm fazendo, pressionados por governos e partidos variados, é estimular o aumento da dívida numa economia que já está afogada nela e em que, por efeito dos juros absurdamente reduzidos, quase tudo tem um valor altamente «alavancado» (para usar um termo na moda). Torna-se, aliás, curioso seguir a evolução da cotação das principais moedas em relação ao dólar. As variações ocorrem não tanto por existirem dados concretos provindos da economia «real» (se é que o conceito ainda tem razão de ser) mas consoante os comentários de responsáveis da Reserva Federal norte-americana ou do BCE são mais optimistas ou mais cautelosos, num jogo que parece ter feito nascer uma nova categoria de exegetas, permanentemente ocupados a tentar detectar indícios em palavras muitas vezes banais. Mas o modo como a Reserva Federal vem adiando o início do processo de normalização das taxas de juro mostra bem quão armadilhado se encontra o terreno (de vez em quando, alguém até fala na necessidade de um quarto programa de Quantitative Easing nos EUA). De tal modo que alguns bancos comerciais, assustados, já vieram pedir mais regulação, no fundo admitindo que não conseguem travar a bola de neve. E Draghi, por entre profissões de fé na melhoria da situação europeia, vai alertando que nenhum estímulo resultará se não for acompanhado por reformas estruturais da economia.

Nada disso importa. Para Costa e Galamba, para Tsipras, Varoufakis e Iglesias, para Nicolau Santos e Paul Krugman, para, no fundo, todos os que defendem que se continue a subir a parada, inventando ainda mais dinheiro que alguém algum dia terá de pagar, interessam acima de tudo a retórica, a ligeira folga proporcionada pelas taxas de juro negativas e a ilusão de um futuro em que, por magia e contra as evidências (demográficas, por exemplo), tudo se compõe (*). E isto torna ainda mais extraordinário que, em plena pré-campanha eleitoral, Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque não se coíbam de continuar a falar em medidas pouco agradáveis, como o corte de 600 milhões de euros nas despesas da Segurança Social. No Reino Unido, os eleitores preferiram a honestidade. Em Portugal, por muito que clamem contra as mentiras dos políticos, veremos se continuam afinal a preferir acreditar em promessas que só podem ter um de dois destinos: ser renegadas (como Passos Coelho foi forçado a fazer em 2011) ou contribuir para piorar a situação do país.

 

(*) Aquilo que vale para o Syriza vale, sob forma mais suave, para vários outros discursos políticos. Sempre que o apelo ao sonho e à utopia se tornam recorrentes, é sinal que os mecanismos regressivos estão a funcionar. A realidade tende a eclipsar-se ou a dissolver-se no próprio discurso, deixando, em termos práticos, de existir. O discurso basta-se a si mesmo e, por um passe de mágica, pretende ser a prova da sua própria justeza. É regressão mesmo. E é também deprimente.

Paulo Tunhas, no Observador.

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Presidenciáveis (57)

por Pedro Correia, em 28.05.15

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Paulo Rangel

 

Os políticos não se medem aos palmos. Se assim fosse, jamais Napoleão teria conquistado as pirâmides do Egipto e nunca Nicolas Sarkozy teria conquistado o coração de Carla Bruni. Paulo Rangel não parece sentir o menor incómodo em olhar os repórteres da televisão de baixo para cima: pelo contrário, a palavra sai-lhe fluente e escorreita, como se desse uma aula de Direito Administrativo ou falasse no plenário do Parlamento Europeu - só para mencionar duas funções que tem praticado com manifesto gosto.

Deste aquariano de 47 anos pode dizer-se - com e sem ironia, em simultâneo - que a política o seduz desde pequenino. Do Porto para Bruxelas, com passagem por Lisboa, onde foi deputado do PSD e presidente do grupo parlamentar no tempo em que Manuela Ferreira Leite - efémera líder do partido laranja - ainda não trocara Cavaco Silva por Alexis Tsipras como figura de referência.

Rangel não a acompanhou neste giro à esquerda, mantendo o seu liberalismo à moda antiga temperado com a atracção que nunca deixou de sentir pela modernidade: foi um dos primeiros políticos a abraçar a blogosfera, onde chegou a reunir um clube de fãs, e não se importa de trocar uma sonata de Chopin por heavy metal. Nisto difere de Sarkozy: provavelmente as baladas sussurrantes da Bruni só lhe produzem tédio.

Fez uma dieta radical que lhe deu ar de trinca-espinhas e até motivou críticas de Manuel Alegre: «Desde que emagreceu, perdeu o ar de intelectual bonacheirão e tornou-se agressivo.» Palavras que talvez tenham soado a elogio ao eurodeputado. Como dizia outro Paulo, que foi santo e pregou aos coríntios, «quando me sinto fraco então é que sou forte».

 

Prós - Seria o primeiro inquilino de Belém natural do Grande Porto (nasceu em Vila Nova de Gaia), rompendo um centralismo que dura há mais de um século: sete dos 18 Presidentes da República Portuguesa (Canto e Castro, Gomes da Costa, Óscar Carmona, Craveiro Lopes, Américo Thomaz, Mário Soares e Jorge Sampaio) eram ou são alfacinhas de gema. É um firme opositor do aborto ortográfico: entende que todas as consoantes, incluindo as mudas, têm direito a nascer. Talvez nenhum político nacional seja tão poliglota como este jurista, fluente em vários idiomas: com ou sem passagem por Belém, a ONU espera por ele.

 

Contras - Padece de dificuldades respiratórias: chegou a queixar-se diversas vezes de "asfixia democrática". É afectado por ocasionais lapsos de memória: antes de militar no PSD filiou-se no CDS mas esqueceu-se de que tinha assinado a ficha de inscrição. Perdeu contra Passos Coelho a eleição interna dos sociais-democratas em 2010: esta derrota privou-o do irrepetível desafio de governar o País na maior situação de crise financeira de que há registo em Portugal.

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Diário Secreto

por Francisca Prieto, em 28.05.15

Amanhã vou falar com a directora de turma de um dos meus filhos. Parece que o rapaz foi apanhado a passar um papel com uma canção ordinária de sua autoria. Rala-me a ordinarice, mas o que verdadeiramente me preocupa é saber se a canção tem génio criativo, se a rima e a métrica estão com nível. Se não se limitou a rimar palavarão com melão, ou assim.

O problema das escolas é que não dão valor à veia criativa das crianças. São uns básicos.

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Passagem de Nível

por Francisca Prieto, em 28.05.15

"Mas na metrópole há cerejas. Cerejas grandes e luzidias que as raparigas põem nas orelhas a fazer de brincos. Raparigas bonitas como só as da metrópole podem ser. As raparigas daqui não sabem como são as cerejas, dizem que são como as pitangas. Ainda que sejam, nunca as vi com brincos de pitangas a rirem-se umas com as outras como as raparigas da metrópole fazem nas fotografias".

 

(Dulce Maria Cardoso, em O Retorno)

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O genial plano de Varoufakis

por José António Abreu, em 28.05.15

1. Fazer sair a notícia de que está iminente um acordo com as «Instituições»;

2. Assistir à valorização do euro;

3. Trocar os euros disponíveis por dólares (ou recolher os benefícios de apostas no mercado de futuros);

4. Aguardar enquanto os desmentidos e a passagem do tempo mostram a falsidade da notícia;

5. Assistir à desvalorização do euro;

6. Trocar os dólares por euros (ou recolher os benefícios de apostas no mercado de futuros);

7. Voltar a 1.

Depois de meses a lançar rumores falsos, vai-se a ver e o governo grego está a nadar em dinheiro.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.05.15

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As Mulheres que Fizeram Roma, de Carla Hilário Quevedo

14 histórias de poder e violência

(edição A Esfera dos Livros, 2015)

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As canções do século (1974)

por Pedro Correia, em 28.05.15

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Delícias Conventuais

por Francisca Prieto, em 27.05.15

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A tia Elisa era, na família da minha mãe, uma espécie de Fernando Pessa: nunca ninguém a conheceu com menos de 80 anos. Leve e delicada, cresceu num convento e foi aí que aprendeu a importância do ponto certo do rebuçado.

Vivia no alto alentejo, lá para as bandas de Portalegre, de onde todas as costelas da minha mãe são oriundas.

Um dia a tia Catarina (mulher do seu sobrinho Manel) pediu-lhe ajuda para dar conta de uma remessa de marmelos. Descascaram-se oito quilos, cortaram-se em pedaços uniformes e deixaram-se a cozer no grande caldeirão de cobre da velha cozinha alentejana.

Antecipava-se, para o dia seguinte, a laboriosa operação de os desfazer em marmelada.

Só que, por uma imprevisibilidade do destino, quis Nosso Senhor que o tio Manel exalasse o último suspiro nessa noite, no conforto do seu leito.

De manhã a tia Catarina deu conta da tragédia e mandou chamar a tia Elisa. Enquanto preparava as cerimónias fúnebres, que seriam realizadas em casa, deu-lhe instruções precisas para não deixar que os marmelos se arruinassem.

A Tia Elisa ainda a tentou dissuadir, mas deixar estragar oito quilos de marmelos era coisa que estava fora de cogitação naquela família. De maneira que, vendo a sobrinha irredutível, toca de lançar para o caldeirão os oito quilos de açúcar que a receita exigia.

Só que era preciso ficar ali a dar à colher de pau e convenhamos que a tia Elisa, que devia andar pelos oitenta e cinco, já não tinha propriamente o vigor dos verdes anos.

Às tantas, a viúva resolve deixar por breves momentos a câmara ardente e dar um salto à cozinha para ver em que ponto andava a marmelada. Deu com a pobre da tia Elisa à beira das lágrimas, queixando-se de dores no braço: “Ai filha, tem paciência, que eu não consigo dar conta disto”. A tia Catarina ia tendo um treco. Que se deitassem fora os marmelos ainda ia, agora os oito quilos de açúcar, é que nem pensar.

Arregaçou as mangas, agarrou na colher de pau e, com as suas próprias mãos lançou-se à empreitada.

De quando em quando aparecia uma sobrinha na cozinha a tentar chamá-la à razão “ó tia, venha descansar um bocadinho, deixe lá a marmelada”. E a tia Catarina, sem tirar os olhos do caldeirão, resmungava “deixem-me sossegada, já aconteceu hoje uma desgraça nesta casa, era só o que faltava acontecer outra”.

Reza a história que a marmelada ficou pronta e que o enterro do tio Manel lá decorreu sem mais incidentes.

 

Passados dez anos casou-se a tia Lacas, a irmã mais nova da minha mãe. Os meus pais sabiam que a tia Elisa, na altura com uns 95 anos, fazia gosto em vir a Lisboa ao casamento e resolveram ir buscá-la a Portalegre. 

Apresentou-se no seu modo discreto, carregando um grande saco. A minha mãe simpaticamente perguntou-lhe: “então tia, esteve a fazer doces para o casamento?”. A tia, com o ar envergonhado de quem já não consegue dar conta do recado, respondeu-lhe baixinho: “não filha, só levo uns rebuçadinhos de ovos. Fiz quatrocentos.”

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vende-se vinho

por Patrícia Reis, em 27.05.15

O Senhor Adriano tem poucas coisas. Diz ele. Vende o vinho que faz lá atrás, num anexo que não tem nome, não é adega, nem lagar, nem casa de arrumos, serve para o que for. Depende da altura do ano. O Senhor Adriano gosta de conversar, em especial com o Pirolas, o cão minúsculo e nervoso que anda sempre a rondar. Diz-me

 "Sabe, o Pirolas também gosta de uma pinga de vinho. Quer experimentar?"

O homem, vizinho por circunstâncias especiais, estadia que se prevê de curta duração, sorri e encolhe os ombros. É o mesmo que dizer

 "Vamos lá a isso."

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Grécia antiga (11)

por Pedro Correia, em 27.05.15

«A vitória do Syriza é a vitória da democracia. Hoje vira-se uma página na Europa. Hoje começa-se a colocar a austeridade no caixote do lixo.»

Catarina Martins (25 de Janeiro de 2015)

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Outra vez a agonia grega

por Luís Naves, em 27.05.15

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Continuamos a assistir a um teatro elaborado, com final previsível. As negociações arrastam-se sem resultados palpáveis e os negociadores gregos fazem afirmações contraditórias ou francamente deselegantes. O facto é que a Grécia está cada vez mais próxima do incumprimento. Este artigo de Vital Moreira é um texto de rara lucidez, para mais publicado num contexto onde é difícil manifestar este tipo de opinião. “O Governo grego ameaça que se entrar em bancarrota será uma catástrofe para a Grécia mas também o princípio do fim da união monetária”, escreve o autor, para concluir desta forma lapidar: “É tempo de pôr termo a esta chantagem. O que ameaça a estabilidade, a credibilidade e a integridade da união monetária é manter a todo o custo países que se recusam a cumprir as regras”.

A última frase vai ao âmago da questão. A Grécia entra em bancarrota se continuar a recusar as medidas exigidas pelos credores, sem as quais Atenas continuará eternamente a pedir mais dinheiro emprestado. Todas as ajudas dentro da união monetária estão agora ligadas a reformas no país endividado e ao cumprimento do Tratado Orçamental. No entanto, não havendo união política, os membros da zona euro não têm incentivo para cumprir o Tratado, pois podem entrar em processos negociais semelhantes ao que o Syriza tenta fazer, após enganar o seu eleitorado e usando chantagem para evitar cedências, na expectativa arriscada de conseguir no final o dinheiro de que necessita.

Estando tudo ligado, a irresponsabilidade de um país arrasta todos os outros, mas a bancarrota da Grécia pode acabar com esta deficiência da zona euro, pois passa a existir punição concreta para quem não cumprir as regras: a saída pura e simples. Este Grexit parece ser do interesse do partido que comanda o governo grego, pois o programa radical que o elegeu só pode ser cumprido verdadeiramente se a Grécia desvalorizar a moeda e introduzir controlo de capitais. Os europeus parecem igualmente dispostos a fazer a experiência, pois a punição dos mercados será no futuro mais do que suficiente para impedir o endividamento excessivo de países membros. Se tudo isto se confirmar, Portugal não terá qualquer margem de tolerância para aventuras orçamentais.

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Presidenciáveis (56)

por Pedro Correia, em 27.05.15

Congresso PS: João Soares chegou de táxi e ouviu hesitações do motorista

 

João Soares

 

Transporta a política nos genes: teve um avô ministro, a mãe foi deputada constituinte, o pai chegou duas vezes a primeiro-ministro e ocupou durante uma década o Palácio de Belém. Privilégio por um lado, mas também um pesado fardo: por mais que faça, será sempre comparado desfavoravelmente com Mário Soares, protagonista de circunstâncias históricas excepcionais e, portanto, irrepetíveis.

Mas João Barroso Soares - 65 anos, signo Virgem - foi um dos melhores presidentes da câmara de Lisboa: bastou-lhe ter posto fim ao decrépito Casal Ventoso, miserável chaga a céu aberto na capital de outrora, para lhe valer um lugar de relevo na galeria dos alcaides alfacinhas.

Opositor muito jovem à ditadura, sem transitar pela extrema-esquerda, é um social-democrata da velha guarda, admirador de Clement Attlee, Willy Brandt e Olof Palme - todos ideologicamente apedrejados noutras eras pelo pecado de serem "reformistas" à luz do esquerdismo dominante nos circuitos intelectuais. Hoje nenhum deles seria bem visto na Comissão Europeia presidida por Jean-Claude Juncker, mesmo respeitando o rigoroso dress code da agremiação, que não tolera políticos sem gravata.

Durante décadas foi considerado júnior. Agora que é sénior, João Soares continua demasiado novo para escrever memórias após ter sido autarca, eurodeputado e um dos mais viajados parlamentares da Assembleia da República - sem o menor receio de andar de avião, apesar de quase ter perdido a vida num grave acidente aéreo no sul de Angola.

Poderá ser ele o candidato presidencial que tantos socialistas reclamam? O seu amigo Manuel Alegre é capaz de incentivá-lo com versos de um poema intitulado "Bairro Ocidental", inserido no novíssimo livro com o mesmo nome: "Na Eurolândia tudo é permitido / bruxela-se um país berlina-se outro / um dia ao acordares estás eurodido / e o teu país efemizado é só um couto."

 

Prós - Nunca foi apoiante de José Sócrates e até concorreu contra ele, com manifesto insucesso, numa eleição interna do PS. Os monárquicos veriam com bons olhos esta sucessão dinástica: depois dos Bragança, os Soares. Alegre dedicar-lhe-ia em rigoroso exclusivo outra quadra, talvez assim: "Quem já foi feliz em princípio / na Praça do Município / poderá sê-lo também / no Palácio de Belém."

 

Contras - Perdeu contendas autárquicas contra Santana Lopes (em Lisboa) e Fernando Seara (em Sintra): é uma péssima carta de recomendação. Nas cimeiras lusófonas, José Eduardo dos Santos evitaria cumprimentar este "tuga" que tomou partido contra o MPLA no conflito angolano e até tem um filho chamado Jonas, em homenagem ao desaparecido líder da Unita. O pai Mário torceria o nariz a esta candidatura: acha o filho excessivamente moderado.

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G3 portuguesas matam no Sudão do Sul

por Fernando Sousa, em 27.05.15

Quem é que anda por aí a despachar velhas G3 - velhas mas operacionais - para o Sudão do Sul? Bom, não estou à espera que alguém ponha o dedo no ar, mas que elas apareceram lá, apareceram. Foram descobertas no fim do ano passado pela UNMISS, a missão da ONU no país, mas escaparam aos média aqui. A denúncia está no Jirenna, blogue do jornalista e missionário José Vieira, com oito anos passados na jovem república, há 18 em guerra civil. Foi postada ontem, com o título G3 portuguesas matam no Sudão do Sul,  e remete para factos com datas frescas. Cálculos por alto apontam para pelo menos 50 mil mortos no conflito. O papel de Portugal no comércio mundial de armamento é notícia antiga. Sabemos é pouco sobre ele. Talvez as provas encontradas agora, relatadas pela Small Arms Survey, sirvam para alguma coisa. Na segunda foto são nítidas as letras FMP - Fábrica Militar Portuguesa. Que tal se a Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias se debruçasse um pouco sobre o caso?

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Passagem de Nível

por Francisca Prieto, em 27.05.15

O meu filho e eu chamávamos-lhe professor. E o professor chamava ao meu filho Root. Porque tinha o alto do crânio tão direito como o símbolo da raíz quadrada".

 

(Yoko Ogawa, em A Magia dos Números)

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Pérolas de sabedoria para uso quotidiano

por Rui Rocha, em 27.05.15

Com o passar do tempo, os góticos tornam-se barrocos.

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