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No fundo, há duas grandes correntes de pensamento: a crítica aos excessos do materialismo e a crítica às insuficiências da ideologia.

Para muitos autores, o mundo contemporâneo está em declínio, por ter perdido os seus valores e por se basear no insaciável apetite das classes dominantes. O culto do eu leva ao caos social e condena a sociedade à decadência. Há quem defenda a necessidade do regresso à tradição e, quanto maior o choque com a realidade exterior, mais estes movimentos se encolhem na concha dos respectivos fundamentos ideológicos. As críticas à modernidade podem vir de religiões ou de movimentos anti-capitalistas, mas convergem na ideia de que o mundo está à beira de uma transformação inevitável e que essa transformação nos conduz a algo de fundamental. Existe sempre ali a ideia do regresso a um passado idealizado.

Do outro lado do espelho estão os que se afirmam do mundo pragmático. Para eles, as utopias não passam de ilusões, modas ou resistência ao progresso. Segundo afirmam, o mundo material permite fornecer à maioria dos consumidores as bases essenciais do bem-estar, sendo pouco compreensível o descontentamento que alastra nas sociedades contemporâneas. E perguntam esses materialistas: não será a proposta utópica equivalente a trocar uma vida segura por um estado permanente de incerteza?

Os dois lados estão cada vez mais entrincheirados e o debate alastra à generalidade dos temas, conduzindo ao seguinte problema: nunca fomos tão ricos, tão livres e tão cultos como agora, mas também nunca terá havido vidas tão conscientes do seu vazio; por outro lado, se fôssemos mais felizes, viveríamos com o mesmo acesso à riqueza, liberdade e cultura?

 

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Na urgência de Santa Maria

por Teresa Ribeiro, em 31.08.14

- Pois, no raio x não se vê nada de especial, mas a verdade é que este não é o exame mais indicado para avaliar o seu problema. Idealmente deveria fazer uma endoscopia, mas não lha posso prescrever aqui. Só se fosse um caso de vida ou de morte. Lamento...

 

Dito isto a simpática interna, à falta de melhor, baseou-se no instinto e receitou-me umas coisas. Depois de ter esperado quatro horas pela consulta e de ter pago 20 euros de taxas moderadoras.

Só que não correu bem e tive que voltar à urgência no dia seguinte. Apanhei mudança de turno, de modo que comecei a consulta com uma médica e acabei-a, já depois de feitos os exames, com outra. A primeira mandou-me fazer um novo raio x. Apeteceu-me objectar, mas a minha experiência diz-me que não adianta contestar os actos clínicos, porque nunca levamos a melhor, de modo que não levantei ondas. A segunda, comentou: a minha colega pediu um raio x, só que um raio x é inútil nestes casos.

Perante a falta de exames conclusivos, optou pela solução mais prática. Receitou-me medicamentos para tratar cada um dos meus sintomas. Este tipo de medicina também eu sei praticar em casa, com a minha farmácia doméstica, pensei. 

Mas estas coisas acontecem sempre ao fim-de-semana, nada a fazer. Amanhã lá terei que marcar uma consulta a sério. Entretanto gastei mais vinte euros em taxas moderadoras e 14 horas, distribuídas pelos dois dias que passei pelo banco do hospital.

 

Assim vai o SNS.

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Leituras

por Pedro Correia, em 31.08.14

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«Tuvo largos y cordiales encuentros con um Mário Soares descreído o desencantado. En uno de ellos, el jefe de Gobierno portugués le dijo una frase que después el español repetia con alguna frecuencia, sobre todo en los momentos de desolación o incomprensión por parte de la oposición. Sonaba así, en un español aportuguesado: "Desengáñese, Suárez, a política é merda, e os políticos son as moscas".»

Fernando Ónega, Puedo Prometer y Prometo - Mis años con Adolfo Suárez, p. 228

Ed. Plaza & Janés, Barcelona, 2013

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Agosto: estação pateta?

por Pedro Correia, em 31.08.14

Estação pateta? Que estação pateta? Há quem goste de apresentar Agosto como o mês supremo da silly season.

Nada mais falso, como em 2014 voltou a comprovar-se.

 

Recapitulemos: decorre um conflito armado entre a Ucrânia e a Rússia por interpostos rebeldes separatistas, um autoproclamado Estado Islâmico promove massacres étnicos e religiosos no Iraque, África sobressalta-se com a epidemia do ébola e Eduardo Campos, candidato à presidência do Brasil, morre num acidente aéreo em plena campanha eleitoral. A imprensa, à escala mundial, deu destaque a tudo isto.

Nada a ver com silly season. Nada mesmo.

 

Mas este Agosto de 2014, repito, não constitui excepção. O oitavo mês do ano é, por tradição, uma época fértil em acontecimentos de máxima relevância. Foi em Agosto (de 1914) que começou a I Guerra Mundial. Foi também em Agosto (de 1939) que Moscovo e Berlim assinaram o pacto que esteve na origem directa da II Guerra Mundial.

Agosto, mês de luto e de lutas. As bombas atómicas destruiram Hiroxima e Nagasáqui neste mês (em 1945). A Revolução Cultural chinesa teve o arranque decisivo em Agosto (de 1966). Os tanques do Pacto de Varsóvia invadiram a Checoslováquia em Agosto (de 1968). E o início da violência no Ulster, em Belfast e Londonerry, ocorreu igualmente em Agosto (de 1969).

O primeiro governo pós-comunista na Polónia tomou posse neste mês, em 1989, exactamente quando o futuro Nobel da Paz Frederik de Klerk iniciava funções como presidente de uma África do Sul em acelerada transição para a era pós-apartheid. No ano seguinte, também em Agosto, Saddam Hussein invadia o Koweit. E Agosto de 1991 foi marcado por um súbito sobressalto em Moscovo: a tentativa frustrada de golpe para derrubar Gorbatchov.

Em 2008 houve uma guerra no Cáucaso entre a Rússia e a Geórgia, atentados terroristas no Xinjiang, os mais concorridos jogos olímpicos de sempre e um brutal acidente aéreo em Madrid com 154 mortos.

 

Houve mais – muito mais. Roosevelt e Churchill assinaram a Carta do Atlântico em Agosto de 1941. Um ano depois, no mesmo mês, o exército alemão chegava a Estalinegrado. Em Agosto de 1944, iniciou-se o heróico levantamento de Varsóvia. Agosto de 1961 ficou tristemente célebre pela edificação do Muro de Berlim. Também em Agosto, Richard Nixon abandonou a presidência dos Estados Unidos (1974), foi assinada a Acta de Helsínquia (1975), deu-se a rebelião negra no Soweto (1976), ocorreu a grande greve dos estaleiros de Gdansk que acelerou o fim do comunismo na Polónia (1980), foi assinado o acordo sino-britânico sobre o futuro de Hong Kong (1984).

Agosto foi o mês em que se tornaram independentes vários países. Alguns exemplos: Índia (1947), Chipre (1960), Jamaica (1962), Lituânia e Azerbaijão (1991). A concessão do direito de voto às mulheres nos Estados Unidos também aconteceu em Agosto (de 1920), tal como a elevação do Havai a estado norte-americano (em 1959).

Em Agosto foram assassinados Lorca (1936), Trostky (1940) e o democrata filipino Benigno Aquino (1983). Em Agosto (de 1954) o presidente brasileiro Getúlio Vargas suicidou-se, com um tiro no coração, no seu gabinete do Palácio do Catete - o que inspirou um excelente romance de Rubem Fonseca. E este mês viu também desaparecer figuras tão díspares como Marilyn Monroe (1962), Ian Fleming (1964), Lindbergh (1974), Fritz Lang (1976), Elvis Presley e Groucho Marx (ambos em 1977), Ingrid Bergman e Henry Fonda (ambos em 1982), Rudolf Hess (1987) e a princesa Diana (1997).

 

Portugal não é excepção à regra. A primeira Constituição republicana, de 1911, foi aprovada em Agosto, mês em que tomaram posse os presidentes Bernardino Machado (1915) e António José de Almeida (1919). Salazar cai da cadeira em Agosto (de 1968). O inconfundível V Governo Provisório, de Vasco Gonçalves, e a sangrenta guerra civil de Timor dominaram a actualidade em Agosto de 1975.

Foi em Agosto que Maria de Lurdes Pintasilgo, primeira mulher à frente de um governo português, tomou posse (1979), que PS e PSD assinaram a primeira revisão constitucional (1982), que o Chiado ardeu (1988) e o general Spínola, primeiro Chefe do Estado pós-25 de Abril, faleceu (1996).

E quem se esquece do escaldante mês de Agosto de 2004, com o arranque do frágil executivo de Santana Lopes, enquanto o PS mergulhava na crise que conduziu à troca de Ferro Rodrigues por José Sócrates?

Neste mesmo Agosto de 2014 assistimos à derrocada definitiva do Banco Espírito Santo e a uma inédita campanha interna socialista para designar o candidato do partido às próximas legislativas.

Por favor, não voltem a falar na Estação Pateta. Agosto é tudo menos isso.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 31.08.14

 

 

Rei, Dama, Valete, de Vladimir Nabokov

Tradução de Miguel Serras Pereira

Romance

(edição Relógio d' Água, 2012)

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As canções do século (1704)

por Pedro Correia, em 31.08.14

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Grandes romances (19)

por Pedro Correia, em 30.08.14

 

 

O PASSADO É UM PAÍS DISTANTE

A Marcha de Radetzky, de Joseph Roth

 

«Nasci em 1881 num grande e poderoso império, na monarquia dos Habsburgos, mas não a procurem no mapa: foi erradicada sem deixar rasto. (...) Entre o nosso hoje, o nosso ontem e o anteontem, todas as pontes foram cortadas.»

Stefan Zweig, O Mundo de Ontem

 

Faz agora cem anos, a Europa entrava numa das maiores convulsões da sua história. Ruía um mundo, outro havia de emergir das cinzas provocadas pela guerra, com o seu estendal de ideologias em confronto, radical reconfiguração de fronteiras e explosões de nacionalismos identitários.

Uma das vítimas dessa Grande Guerra que tornou irreconhecível a face milenar do Velho Continente foi o Império Austro-Húngaro, pedra angular do majestoso edifício oitocentista prestes a entrar em colapso. A coroa imperial de Francisco José estendia-se do Palácio de Schönbrunn, na Viena da dinastia Habsburgo, sobre um vasto mosaico de súbditos que integrava húngaros, alemães, eslovenos, croatas, boémios, italianos, polacos, ucranianos e rutenos russos.

Era um império demasiado vasto para permanecer incólume aos ventos de mudança que sopraram com a chegada do século XX. A sua derrocada marcou a despedida de uma época de ouro em que Viena era capital internacional das artes, das letras e das ciências. Ali se concentravam filósofos, escritores, pintores, músicos e cientistas como Sigmund Freud, Gustav Mahler, Ludwig Wittgenstein, Egon Shiele, Arnold Schönberg, Georg Lukacs, Hermann Broch, Arthur Schnitzler e Gustav Klimt.

 

Estas décadas de esplendor e decadência do Império Austro-Húngaro tiveram dois cronistas de excepção: Stefan Zweig, que nos legou em testamento O Mundo de Ontem, o mais fascinante livro de memórias sobre este período, e Joseph Roth, que celebrou as luzes e sombras do reinado de Francisco José num romance inesquecível: A Marcha de Radetzky.

Significativamente, é um romance que começa e termina sob o signo da derrota. Da batalha de Solferino (1859), em que as tropas sardo-piemontesas derrotaram o exército austríaco na segunda guerra pela independência italiana, à morte do imperador (1916), prenunciando o desfecho da I Guerra Mundial.

A acção do livro decorre entre estes dois marcos, percorrendo quase todo o reinado de Francisco José num suave declínio rumo ao desfecho inexorável. Como se, no fundo, os indivíduos nada pudessem contra a irreprimível pressão do devir histórico -- dando corpo a uma tese que teve em Tolstoi um dos principais cultores.

Guiados pelo talento narrativo de Roth, acompanhamos este percurso crucial da história do centro da Europa através de uma família de leais servidores da coroa, oriunda dos confins do império. Por mero acaso, o tenente Trotta salva a vida a Francisco José em Solferino. Ascende a capitão, é nomeado barão pelo monarca reconhecido e passa a chamar-se Joseph von Trotta von Sipolje, em alusão à aldeia eslovena onde nascera.

Nunca mais os destinos de ambos, o imperador e os Trotta, ficarão dissociados.

 

O avô do barão fora um pequeno agricultor eslavo. O pai, sargento da Guarda Nacional junto à fronteira sul do reino, perdera um olho ao defrontar contrabandistas na Bósnia, o que lhe valera a aposentação como inválido militar. Joseph Trotta, barão de Sipolje, desligava-se enfim da «longa cadeia dos seus antepassados» agrilhoados à terra: instruiu o filho Franz no alemão, língua veicular do império, e viu-se imortalizado como Herói de Solferino nos manuais escolares, que romanceavam a proeza com pormenores inventados. «O destino transformou em austríacos a nossa família de lavradores de fronteira. Assim queremos continuar a ser», escreverá por sua vez Franz ao filho, Carl Joseph. Palavras com a força de um lema. Ou de uma fatalidade.

 

 

Este é um livro com banda sonora: a célebre Marcha de Radetzky foi composta em 1848 por Johann Strauss (pai) para celebrar o fausto do Império Austro-Húngaro, simbolizando-o em Joseph Radetzsky (1766-1858), nobre e militar austríaco que se destacou em tempo de guerra e também na paz, como participante no Congresso de Viena (1814-15).

É com indisfarçável nostalgia que Joseph Roth a invoca, ao ponto de lhe atribuir o título do romance. Não custa perceber porquê: judeu de expressão alemã, jornalista conceituado, observador atento da sociedade do seu tempo, Roth escreveu A Marcha de Radetzky no início da década de 30, com a Europa novamente em turbulência. Em 1932, quando o livro é publicado em Viena, já os tambores nazis ameaçavam agrilhoar a Alemanha e, a partir dela, todo o continente. A evocação da época imperial tornara-se um doce anacronismo.

 

O fascínio de Radestzkymarsch -- incluída no cânone de literatura alemã -- deriva precisamente da pulsão nostálgica que se desprende das suas páginas, sem ignorarmos desde muito cedo que os protagonistas serão tocados pela tragédia em doses crescentes, à medida que se aproxima o crepúsculo do império.

É um mundo rígido, protocolar, organizado, de gestos contidos e poucas palavras, dominado por códigos masculinos e onde as mulheres perpassam apenas como sombras efémeras.

É um mundo que desfila ao som de Strauss. Um mundo em que se criam o comissário distrital Franz von Trotta, governador civil numa cidade da Boémia, e o seu filho, aluno da escola de cavalaria, fadado para a vida militar, como o avô, e já com o destino traçado. «Sentia-se em parte família dos Habsburgos, cujo poder o pai aqui representava, e pelo qual ele próprio um dia marcharia para a guerra e para a morte. (...) A melhor das mortes seria morrer por ele [imperador] ao som da Marcha de Radetzsky(p. 29 da edição portuguesa, com chancela da Difel e tradução de Maria Adélia Silva Melo)

O  fim dos Van Trotta simboliza mais do que a irreversível decadência da coroa imperial: simboliza a extinção de uma certa ideia de Europa, mais integradora, mais cosmopolita, mais plural, mais tolerante, mais fervilhante de ideias. A Europa que vigorou durante cem anos exactos -- de 1814, ano em que Napoleão ruma ao desterro em Elba após a derrota em Leipzig, até 1914, quando começaram a soar os canhões da Grande Guerra.

«Este reino tem de acabar. Logo que o nosso imperador fechar os olhos, desmanchamo-nos em cem bocados. Os Balcãs vão ser mais poderosos do que nós. Todos os povos vão fundar os seus estadozinhos miseráveis, e até os judeus vão aclamar um rei na Palestina», vaticina uma personagem do romance, sem ilusões sobre os ventos da História. (p. 132)

 

Filho de pai austríaco e mãe russa, Moses Joseph Roth nasceu em 1894 em Brody, na actual Ucrânia Ocidental -- noutra das extremidades do império, onde a cultura judaica era preservada e socialmente aceite. Estudou Filosofia e Literatura Alemã na Universidade de Viena, quando «toda a cidade não era mais do que um gigantesco pátio do palácio» de Francisco José.

Ainda muito jovem, testemunhou dois acontecimentos históricos que o marcaram para sempre: a I Guerra Mundial, onde serviu como voluntário na frente oriental, e o colapso do império, que o deixaria órfão de pátria.

Em 1920, era jornalista em Berlim: ao serviço do Frankfurter Zeitung percorreu grande parte da Eurpopa. Com a ascensão de Hitler ao poder, em 1933, abandona de vez a Alemanha, acabando por instalar-se em Paris, onde morreu prematuramente em Maio de 1939, consumido pelo álcool e pela saudade do seu mundo que ruíra.

Stefan Zweig, que lhe sobreviveu menos de três anos, descreveu esse tempo desta forma bem expressiva: «Não havia país para onde se pudesse fugir, silêncio que se pudesse comprar. Sempre e em todo o lado a mão do destino nos apanhava e puxava de volta ao seu jogo insaciável.»

 

O êxito literário alcançado por Roth na última década de vida não lhe atenuou a mágoa provocada por uma dupla deserção: primeiro o pai, que abandonou a mãe ainda grávida e nunca o conheceu; depois a História, que lhe roubou a identidade e até grande parte da memória de infância (Brody tornou-se território da Polónia e em 1940 foi um dos palcos mais sangrentos da guerra sovieto-polaca).

Os filhos n' A Marcha de Radetzky nunca recebem manifestações de verdadeiro afecto dos pais: a comunicação entre eles processa-se através de carta ou de monossílabos. O grande progenitor da nação austríaca acaba por ser aquele monarca que parecia eterno -- figura tutelar dos povos do império e presença viva neste romance de que acaba por ser protagonista e suscita algumas das suas páginas mais brilhantes. «Não gostava de guerras -- porque sabia que as perdia -- mas gostava das coisas militares, dos jogos de guerra, dos uniformes, das paradas, dos desfiles e dos exercícios de campanha.» (p. 208) «Durante toda a sua vida tinha-se levantado quase sempre antes de o sol nascer, como o soldado se levanta sempre antes do seu superior.» (p. 211)

Também ele enviuvou cedo, como sucedeu aos Van Trotta. Também ele perdeu o filho, como virá suceder a Franz.

 

 Francisco José e a imperatriz Sissi

 

Era um tempo de fronteira: nada do que veio depois seria igual.

«Naquela altura, antes da Grande Guerra (...), ainda não era indiferente o facto de um ser humano viver ou morrer. Quando alguém se apagava no bando dos terrestres, não entrava logo outro para o seu lugar, para fazer esquecer o falecido, mas ficava um vazio no lugar onde ele faltava, e as testemunhas próximas ou longínquas do morto calavam-se sempre que viam esse vazio. Quando um incêndio destruía uma casa de um bloco de uma rua, o lugar do incêndio ficava ainda durante muito tempo vazio. Porque os pedreiros trabalhavam devagar e pensativos, e os vizinhos mais próximos, assim como os transeuntes de acaso, lembravam-se, quando olhavam para o local, da forma e das paredes da casa desaparecida. Era assim naquela altura! Tudo o que crescia precisava de muito tempo para crescer; e tudo o que desaparecia precisava de muito tempo para cair no esquecimento. Mas tudo o que alguma vez tivesse existido deixava vestígios e vivia-se antigamente de recordações, como hoje em dia se vive da capacidade de esquecer rápida e forçosamente.» (p. 109)

Destinos individuais entrelaçados com o destino colectivo naqueles anos de ilusória paz que dariam lugar à mais mortífera das guerras.

 

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Últimos textos desta série:

 

Martin Eden - Não há sucesso como o fracasso

O Leopardo - O sono em vez do sonho

Agosto - Um mar de lama

O Homem que Via Passar os Comboios - Fora dos carris

O Adeus às Armas - Frágil como o mundo

A Oeste Nada de Novo - Geração perdida

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Pequeno conto experimental

por Luís Naves, em 30.08.14

Se quiser sorrir um pouco e tiver paciência para 20 minutos de leitura, siga este link.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 30.08.14

«A norma, bem ou mal, fez-se em 1911. A questão deveria ter ficado terminada aí; não ficou porque o Brasil, com o seu habitual chauvinismo, não gostou de ser excluído de tal questão por um país soberano que estava a legislar sobre assuntos internos. Desde então se tenta fazer o impossível, isto é, unificar a ortografia de dois países que continuarão a mudar a ritmos diferentes e que têm díspares níveis de alfabetismo, com todas as consequências que isso causa na estabilidade da norma - no caso do Brasil, com um vertiginoso nível de analfabetismo funcional, onde se escreve como se ouve, isso significa que a ortografia será sempre mais instável do que num país razoavelmente alfabetizado como Portugal, pelo que nenhuma norma pode servir ambos países ao mesmo tempo.
Todos os acordos desde o de 1911 têm sido inúteis e nocivos; apenas resultam na obsolescência de manuais escolares e livros e em gastos de actualização de milhares de palavras em montras, repartições, estabelecimentos, ministérios, etc., pelo país fora. Quanto se gastará, por exemplo, a converter cada Direcção-Geral numa Direção-Geral? Quem fez estudos sobre isso? Qual será a factura? Alguém quer saber, alguém se interessa por isso?
Melhor teria sido se cada país tivesse aceitado que, estando separados geográfica, política, cultural e economicamente, as suas normas seguirão por sendas diferentes, a ritmos diferentes e ao sabor dos condicionalismos que cada um tem de enfrentar, e que não havia nada a fazer senão respeitar a diferença de cada. Nada mais justo, nada mais tolerante. Mas justiça e tolerância não são virtudes estimadas pelas elites políticas luso-brasileiras.»

 

Do nosso leitor Miguel. A propósito deste meu texto.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.08.14

 

 

A Última História de Amor, de Conceição Queiroz

Prefácio de José Eduardo Agualusa

Romance

(edição A Esfera dos Livros, 2014)

"A autora escreve segundo o antigo Acordo Ortográfico"

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Está a fazer um mês

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.08.14

"O que é que segue a seguir? Um reconhecimento de que o banco é inviável, e que tem que ir para a falência? Não, de todo não. Esse cenário está afastado. (...) Atenção que este banco já foi sujeito a quatro rondas sucessivas de testes."

 

"Falência, no teu entender, está fora de causa? Nem pensar, nem pensar. O que vai acontecer é uma recapitalização do banco. (...) Essa situação só se poria em caso de falência, o que não vai acontecer."

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Excerto (9)

por Patrícia Reis, em 30.08.14

 "Os porcos são um autêntico mistério, é o que é, disse. O que é que uma pessoa consegue saber sobre um porco? Não muito. Ando a guardar porcos desde os meus tempos de catraio e nunca consegui chegar a percebê-los muito bem. E não tenho dúvidas que outros como eu tiveram a mesma experiência. Um porco é um porco. Pura e simplesmente. E é mais ou menos tudo que se pode o se pode dizer sobre ele. E são espertos, não penses que não. Espertos comó diabo. E não te deixes enganar por um que não tenha a pata fendida, porque esse é tão endiabrado comós outros.
Acho que os porcos são porcos e pronto, comentou Holme."

 

Nas Trevas Exteriores, Cormac McCarthy.

Excerto de um diálogo inesquecível entre um porqueiro e o Culla Holme.

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Dentro de semanas, a Escócia votará em referendo se pretende manter-se ligada ao Reino Unido ou se prefere a independência. O resultado da consulta é incerto. A união com a Inglaterra teve momentos em que quase ocorreu a ruptura, tendo a última rebelião armada, dos clãs das Terras Altas, Highlander, terminado apenas em 1746, 39 anos após o acto da união.

Na realidade, Inglaterra e Escócia tiveram relações conflituosas durante séculos, mas a formação de cada um dos reinos não se explica sem a interacção com o vizinho. Nas décadas anteriores à união, consumada em 1707, a economia escocesa sofrera com a concorrência do comércio inglês e com uma sucessão de más colheitas. Os conflitos entre clãs eram endémicos.

Os motivos que conduziram à união das duas coroas são numerosos e complexos, mas um deles destaca-se pelo insólito: em 1698, a Escócia tentou estabelecer uma colónia no actual Panamá, na baía de Darien, mas o fracasso da iniciativa consumiu grandes quantidades de capital e levou muita gente à falência. Darien ajuda a explicar o apoio da aristocracia feudal escocesa à união com os ingleses e o fracasso do império escocês foi, sem dúvida, uma das bases para três séculos de Reino Unido.

 

 

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Nós por cá

por Pedro Correia, em 30.08.14

Este foi um dos textos mais lidos e comentados da semana em todos os blogues do Sapo.

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As canções do século (1703)

por Pedro Correia, em 30.08.14

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Os sonâmbulos.

por Luís Menezes Leitão, em 29.08.14
Aproveitei este período de férias para ler o livro Os sonâmbulos (The Sleepwalkers), de Christopher Clark, que explica perfeitamente como a Europa se deixou de disparate em disparate arrastar para a guerra em 1914, que levou à destruição dos países envolvidos e à reformulação geopolítica do continente. O autor demonstra claramente como a causa próxima do conflito, o tiro disparado pelo sérvio bósnio Gravilo Princip, foi afinal o simples rastilho de uma guerra que foi desencadeada pela inconsciência dos governantes europeus, que se deixaram arrastar de escalada em escalada até à guerra total.  

 

É precisamente o que hoje se está a passar na Ucrânia. Sempre achei que a questão ucraniana tem que ser tratada com pinças, uma vez que é um estado dividido ao meio entre um ocidente pró-europeu e um leste pró-russo e cuja importância estratégica para a Rússia é absolutamente decisiva. Lenine dizia que os soviéticos podiam perder a cabeça mas não podiam perder a Ucrânia e Putin tem exactamente o mesmo posicionamento. Precisamente por isso desde a queda de Ianukovitch que me parece que tudo se encaminha para um confronto directo do Ocidente com a Rússia. A situação poderia ter sido evitada com a eleição de Poroshenko, mas este optou por esmagar a rebelião de Donetsk e Lugansk pela força das armas, lançando o exército ucraniano contra os rebeldes. Ora, era evidente que Putin não iria permitir o esmagamento dos rebeldes russos na Ucrânia, pelo que quanto mais vitórias Poroshenko tivesse no terreno, mais se tornaria inevitável a intervenção da Rússia. No fundo, a situação não é diferente da guerra da Coreia, em que a tomada de Pyongyang por McArthur arrastou imediatamente a China para o conflito, obrigando os EUA a voltar a recuar para sul do paralelo 38, uma vez que a única alternativa — e que foi proposta por McArthur — era uma guerra nuclear dos EUA com a China.

 

 

Neste momento, já é a própria diplomacia alemã a reconhecer que a situação na Ucrânia ameaça ficar fora de controlo. O que me espanta é que a diplomacia alemã não se tenha apercebido disso desde o início. Mais uma vez, o que isto lembra é 1914. O Kaiser e o Czar trocavam telegramas em que se tratavam carinhosamente por Willy e Nicky, enquanto arrastavam os seus países para o apocalipse.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 29.08.14

«A palermice em que anda a discussão em torno do Acordo Ortográfico exige que se tomem decisões rápidas. A mais recente proposta veio do congresso dos deputados, no Brasil, onde umas luminárias decidiram propor o fim de toda e qualquer filiação etimológica, retirando 'h' não pronunciados e transformando a ortografia numa dependência aleatória e analfabeta da fonética - resultados da "linguística estrutural oral" dos anos setenta e do populismo "antielitista" que afoga o sistema escolar brasileiro. Esta procissão de doidos, libertados para a arena sem qualquer atestado de sanidade, ameaça tornar irrelevante todo e qualquer respeito pelos dicionários, pela gramática, pela lógica, pelo bom senso - e, finalmente, por uma língua milenar.»

Francisco José Viegas, no Correio da Manhã

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Quando li pela primeira vez este texto, nem quis acreditar. Li de novo e, de facto, trata-se de uma crítica ao “jornalismo concreto” que, segundo a autora, tem excesso de agressividade, sendo uma “nova forma de jornalismo”, em oposição a métodos mais honestos, como será o caso de um jornalismo de fantasia. O texto é uma crítica e o “jornalismo concreto” não deve ser praticado.

O pior é que este texto não foi escrito pelo tontinho da aldeia. A autora de Vai e Vem, Estrela Serrano, é uma especialista em comunicação social, ensina ou ensinou essa matéria e devia saber que só existe “jornalismo concreto”, tudo o resto sendo conversa da treta, limonada pseudo-informativa, com perguntas para embalar bebés. Os políticos têm obrigação de responder a questões autênticas e os jornalistas têm a obrigação de saber se eles disseram alguma coisa, se as suas propostas são viáveis ou se estão a omitir posições relevantes.

No entanto, na sua crítica, a especialista Estrela Serrano escreve que este mau exemplo “é um jornalismo que só se interessa pelo concreto e pelo imediato”, embora a frase seja uma excelente definição de bom jornalismo, que deve questionar exactamente esses dois elementos, o concreto e o imediato, expondo a retórica balofa e o empurrar com a barriga. 

Agora percebo muito melhor a crise da imprensa, a razão da fuga dos leitores. O jornalismo que questiona o concreto e o imediato tornou-se uma raridade que merece a crítica severa dos mandarins da comunicação social. Assim, os jornalistas que exercem a sua profissão devem acalmar-se e fazer apenas as perguntas mais dóceis.

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O retorno

por Helena Sacadura Cabral, em 29.08.14

Judite de Sousa voltou ontem ao ecrã da TVI, com uma entrevista a Cristiano Ronaldo. As marcas da dor pela qual passou - e passa - estão bem visíveis. Não no rosto, ou no vestuário, impecáveis. Mas no olhar e na voz porque, esses, não há tecnologia que disfarce. Pelo contrário, intensifica-os.

Nunca escondi a minha admiração por Cristiano Ronaldo. Pelo homem que veio menino sozinho para Lisboa traçar o seu futuro, pelo desportista que fez mais pelo nome de Portugal do que muitos "emproados" que a tal se outorgam e pelo chefe de família em que se transformou. Mas, sobretudo, por esse orgulho de ser quem é, de ser português e de nunca renegar as suas origens. Não é pouco, no mundo actual. O resto são floreados.

A primeira parte da longa entrevista referiu-se, sobretudo, à vida profissional. Não sendo especialista na matéria, julgo que Cristiano respondeu sabiamente às perguntas que lhe foram feitas. Já não é, mais, o jovem que cometeu alguns erros. É um homem que soube tirar deles as devidas lições e que os não nega. 

Tocou, aliás, numa matéria muito importante: a ideia que cada um tem de si próprio. Para dizer que precisa de se considerar o melhor para fazer o que faz, mas que isso não implica que ele seja o melhor. Só esta resposta merecia, por si só, uma entrevista. A ele Cristiano e a muitos de nós.

Judite esteve bem. Triste, mas boa profissional. Hoje veremos, ao que sei, a parte afectiva e familiar do nosso craque. Da qual falarei amanhã, se a matéria o justificar.

Mas dei por bem empregue o tempo que passei junto ao televisor. É que a conversa valeu muito mais do que os medíocres debates televisivos a que, por norma, estamos sujeitos.

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Verão no fim

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.08.14

"Os políticos são maus porque os portugueses não exigem melhor" - João Pereira Coutinho, Jornal de Negócios

 

"Re[c]tificativo: só um terço da derrapagem com despesa de pessoal se deve ao Constitucional" - Jornal de Negócios

 

"Taxas no aeroporto de Lisboa sobem sete vezes desde a privatização" - Diário Económico

 

"Costa abafa negócio de meio milhão"; "Gestor do banco de Portugal compra e vende no BES"; "Silveira Godinho protegido por Carlos Costa"; "Ex-ministro do PSD não assume preço das obrigações"; "Quando comprou já estava na supervisão do BdP"- Correio da Manhã

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.08.14

 

 

Massa e Poder, de Elias Canetti

Tradução de Paulo Osório de Castro e Jorge Telles de Menezes

Ensaio

(edição Cavalo de Ferro, 2014)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 29.08.14

 

Nastassja Kinski

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É capaz de ser pior

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.08.14

 

"Perder aos 93 minutos é como perder a mulher" - Jan Mian, treinador do Elfsborg, após ser eliminado pela rapaziada de Vila do Conde.

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É pena que a Laura não perceba nada de suspensórios...

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.08.14

... Pois que, quanto ao resto, a rapariga até não esteve mal. E a ti, Adolfo, havendo muita coisa discutível, bastou-te uma frase para estares bem melhor: Freedom is the most important political value for me. It comes before anything else"

Esta é a frase que muita gente, à direita e à esquerda, no teu e no meu partido, e pelo que se lê nas caixas de comentários de muitos blogues, continua a não entender. É ela que marca as diferenças; mas é também por causa dela, apesar dessas diferenças, que aqui continuamos.

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As canções do século (1702)

por Pedro Correia, em 29.08.14

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Nem como se lê nem como se diz

por Pedro Correia, em 28.08.14

Certos defensores do "acordo ortográfico", inimigos confessos da etimologia, afirmam que uma língua deve ser escrita «como se lê». Isto é puro disparate: se a escrita antecede a leitura, como é que a norma ortográfica pode estar condicionada por algo que lhe sucede em vez de a preceder?
Outros afirmam que uma língua deve ser escrita «como se diz», pretendendo subordinar a ortografia à fonética. «A língua tem factores de carácter histórico que não podem ser desconsiderados», objectou o historiador brasileiro Jaime Pinsky, pronunciando-se sobre o tema num debate ontem realizado em São Paulo, no âmbito da 23ª Bienal Internacional do Livro.

Está cheio de razão: o primado da fonética anula o espírito normativo que deve conformar toda a convenção ortográfica, instituindo uma escrita à la carte. Se em Lisboa, por exemplo, não falta quem diga mêmo em vez de mesmo, tar em vez de estar ou joálho em vez de joelho, escreva-se assim. Se em Braga se diz barrer em vez de varrer, escreva-se assim. Se em Beja se diz pinhêro em vez de pinheiro, escreva-se assim.
É uma lógica que não aguenta dois segundos de análise. Nem dois segundos de discussão.

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Profetas da nossa terra (53)

por Pedro Correia, em 28.08.14

«Nenhuma razão política séria impede que o referendo sobre o Tratado Constitucional Europeu seja realizado em conjunto com as eleições autárquicas, favorecendo a participação cívica e confiando na capacidade política dos portugueses.»

José Sócrates, 12 de Março de 2005

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.08.14

 

 

Cavalo Pálido, Pálido Cavaleiro, de Katherine Anne Porter

Tradução de Paulo Faria

Contos

(edição Antígona, 2014)

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Em Angola não há só petróleo

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.08.14

"O reconhecimento da fragilidade do texto do AO90 é praticamente consensual e há cidadãos dos países da CPLP, que, por falta de um prontuário ortográfico que lhes sirva de referência, misturam as duas ortografias, incluindo os próprios professores. O que se pressupunha que iria unir a grafia em português, nunca se irá concretizar, tal como a maior difusão internacional da Língua Portuguesa e uma maior facilidade da aprendizagem para o próprio idioma. Para que serviu afinal o Acordo Ortográfico?" - Wa Zani, Jornal de Angola, 27/08/2014

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Controlar o passado

por Luís Naves, em 28.08.14

As interpretações mais comuns sobre o livro de George Orwell, 1984, centram-se nos perigos da tecnologia e na omnipresença da vigilância. Segundo essa visão, a maior originalidade do romance está na personagem do Grande Irmão (Big Brother) que vê e controla tudo aquilo que as pessoas fazem.

Há outra forma de olhar para este livro, como crítica arrasadora do estalinismo e da dupla linguagem que define o combate político, fenómeno que existiu nas ditaduras comunistas. O romance tenta reflectir sobre o totalitarismo e o esmagamento do indivíduo pelo colectivo, mas a maior originalidade estará porventura na novilíngua que o regime tenta criar, sobretudo na ideia de que a simplificação da linguagem é um mecanismo de limitação da liberdade.

O romance gira também em torno da alteração do passado, que assegura a longevidade da ditadura. A personagem principal, Winston Smith, tem essa função, actualizar os documentos, ou seja, a rescrita das fontes históricas, mas a vigilância continua a ser o elemento mais citado do livro, sempre como exemplo, quando surgem inovações tecnológicas que sugerem acumulação de poder (acções policiais, a espionagem que intercepta chamadas, as teorias de conspiração sobre grupos de influência). E, no entanto, as tecnologias têm funcionado contra a ideia de Big Brother, muito mais no sentido da fragmentação, dificultando o controlo da informação por um único utilizador. A questão do controlo da privacidade é fundamental no livro, mas não representa a lição central para o nosso tempo.

Onde o livro se torna mais inquietante e até presciente é no tema da novilíngua ao serviço do poder e do duplopensar, ou seja, na capacidade da política de dizer uma coisa e o seu contrário. A actualidade tem excesso de dados, mas as tecnologias digitais facilitaram a alteração do passado. No tempo em que o livro foi escrito, 1948, mudar uma fotografia exigia uma técnica elaborada, mas agora trata-se de uma banalidade. Por outro lado, a realidade é incerta, pois determinada informação pode ou não ter sido manipulada, sendo difícil detectar as fraudes. Esse é o autêntico Grande Irmão que sobrevive do romance de Orwell: quem controla o passado, controla o futuro.

Há outros elementos de génio em 1984, por exemplo o uso da guerra para reforçar o controlo das elites sobre as massas, a destruição do amor e a eliminação de palavras, sem as quais deixa de ser possível formular certas ideias.

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Leituras

por Pedro Correia, em 28.08.14

 

«É tão possível embriagarmo-nos de egoísmo ou solidão como de vinho.»

Ricardo Cano GaviriaO Passageiro Walter Benjamin (2000), pp. 103/104

Ed. Antígona, 2002. Tradução de Jorge Fallorca

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As canções do século (1701)

por Pedro Correia, em 28.08.14

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 28.08.14

Ao Conversamos?!...

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Penso rápido (45)

por Pedro Correia, em 27.08.14

Devemos ter sempre a noção muito clara que a democracia é um bem precioso mas extremamente frágil. E há quem se aproveite dela, a todo o momento, para a exterminar. O populismo, a demagogia, os nacionalismos, a xenofobia, o radicalismo identitário são instrumentos políticos de que se usa e abusa - à esquerda e à direita - para estrangular a democracia. Não devemos perder de vista as lições da história. Em 1900, na chegada ao século XX, muitos pensadores e um número incontável de políticos embriagados de "optimismo" e "modernidade" vaticinaram um mundo de imparável progresso. Ninguém imaginava então que esse seria o século dos maiores morticínios registados desde sempre e das mais tenebrosas ditaduras. Ninguém supunha que nesse mesmo século então emergente seria inventada a mais terrível das palavras: totalitarismo.
Nada mais ilusório do que o optimismo histórico, nada mais enganador do que a noção de que existe necessariamente um "final feliz" e redentor na sucessão dos ciclos históricos.

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A língua em constante evolução

por Pedro Correia, em 27.08.14

Ouço a todo o momento à minha volta o verbo "desamigar". Sinto-me marginalizado: até hoje ainda ninguém me "desamigou".

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"Gorduras do Estado" (102)

por Pedro Correia, em 27.08.14

Aveiro, Portimão, Nazaré e Vila Nova de Poiares sem dinheiro para salários

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Já andava desconfiado

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.08.14

De repente, confirmam-se as piores expectativas: a Terra não é redonda. Estou destroçado. Um destes dias ainda vêm dizer que o Jack Daniel's é uma variante do leite materno.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.08.14

 

 

Sou Autista, de Josef Schovanec

Tradução de Magda Bigotte de Figueiredo

Testemunho

(edição Oficina do Livro, 2014)

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No mundo em que vivemos (não aquele em que imaginamos viver), a discriminação é um dado presente, como se vê neste texto de Paulo Pinto ou neste outro de Filipe Nunes Vicente.

Nos países industrializados existe uma prática de discriminação silenciosa, que ajuda a explicar os fanáticos, os radicais e o descontentamento larvar.

Estas sociedades criaram uma extensa classe média que tem o terror do empobrecimento súbito, seja ele real ou imaginário, terreno fértil para os populistas que tentam explorar a ideia da insegurança. As pessoas vivem no medo profundo de cair ao longo da escada social.

A ordem liberal que triunfou nos últimos 30 anos criou uma sensação de crescente desigualdade e alienou os fracassados do ensino de massas que, sem lugar na economia, sem trabalho e sem qualificações, parecem só possuir o recurso à proletarização extrema.

As minorias não têm lugar nesta situação de desemprego elevado e de redução do Estado social. O sentido de injustiça alastra um pouco por todo o lado, entre os ciganos da Europa Central, nos subúrbios das grandes cidades europeias, nos negros americanos sem voz política, em todos os grupos cujo acesso aos meios de comunicação é feito em doses cuidadosas e filtradas.

Dominadas pela correcção política, pelos partidos burgueses tradicionais e pela defesa da ordem liberal que provocou a crise financeira, as democracias não parecem ter uma resposta viável para os problemas colocados por minorias presas no fundo da pirâmide.

 

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As canções do século (1700)

por Pedro Correia, em 27.08.14

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 27.08.14

Ao Não sei se escrevo...

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Penso rápido (44)

por Pedro Correia, em 26.08.14

O progresso. Se há palavra malbaratada, desvirtuada, pervertida, vilipendiada é a palavra progresso - sempre pronta a ser usada e abusada por todos os vendedores de ilusões. Alguns dos maiores torcionários de que há memória usaram-na em discursos e até em livros. Em nome do progresso, matou-se e torturou-se. Sob a bandeira do progresso, o homem é constantemente empurrado com excessiva frequência de regresso às cavernas. Invoca-se o progresso como se fosse um dogma, pratica-se o retrocesso como se fosse inevitável.

Nada há de tão perverso na política como esta novilíngua destinada a iludir as mais legítimas aspirações dos povos. Danton, um dos próceres da Revolução Francesa, chegou a enaltecer a guilhotina como conquista civilizacional e símbolo de um futuro radioso. «O verbo 'guilhotinar', notai, não se pode conjugar no passado. Não se diz: 'Fui guilhotinado'.»

Palavras proferidas na véspera da sua morte, a 5 de Abril de 1794: foi vítima da guilhotina, na sequência de uma conspiração liderada por Saint-Just, que costumava proclamar: «Ninguém pode governar inocentemente.» Provavelmente tinha razão: o próprio Saint-Just viria a ser executado a 28 de Julho, com apenas 26 anos, acusado de ser "inimigo do povo". De nada lhe valera o brilhantismo das suas intervenções enquanto mais jovem deputado eleito para a Convenção Nacional.

Foi a primeira revolução de grande envergadura a devorar os seus filhos - e esteve muito longe de ser a última. Porque nenhum discurso inflamado por cartilhas partidárias é capaz de alterar a natureza humana.

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Tal como Pedro Correia escreveu mais abaixo, o mundo contemporâneo parece autocentrado, repleto de frivolidade e niilismo. E, no entanto, nunca houve tanta abundância, nem tal sensação de infelicidade. Nas sociedades industrializadas, toda a gente vive na angústia de cair para a base da pirâmide social, onde existe a minoria do gueto e a discriminação silenciosa.

Os ciclos políticos são cada vez mais efémeros, os casamentos mais curtos, há também a ideia de que a vida passa depressa, comprimida de forma frenética em dias que deixam poucas recordações.

Depois, há tantos objectos nas lojas, que nenhum deles se torna especial. As interrupções sistemáticas de aparelhos de comunicação não deixam tempo para pensar. De certa forma, estes aparelhos dificultam a comunicação humana: vivemos em rede, como as abelhas; e, paradoxalmente, o espaço em que nos movemos é cada vez menos público. Nas cidades, cada pessoa habita a sua solidão, o seu carro, a sua música, a sua minúscula casa. Não há tempo e não se conversa (aliás, ninguém o deseja).

Temos uma ideia mítica sobre o passado, que parece ter sido mais glorioso do que foi na verdade, e já não existe o povo de antigamente, pois também temos uma ideia falsa sobre o que somos. Agora, a vida é superficial e veloz, pessimista e obcecada com a beleza do corpo (que devia ser mera questão estatística).

O mundo tornou-se ruidoso, impaciente, e acima de tudo insatisfatório: obsceno nos seus desperdícios, decadente na sua arte, capaz de oferecer a abundância mais sufocante e o inverso, o sufoco da escassez para todos os que tombarem da horrível mediania.

 

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Profetas da nossa terra (52)

por Pedro Correia, em 26.08.14

«Obama leva vantagem e é favorito. Mas pode perder – e cada vez há mais sinais de que isso pode acontecer.»

Santana Lopes, 15 de Agosto de 2008

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.08.14

 

Eu Vivi a Queda do Império, de Fernando Amaro Monteiro

Memória

(edição Letras Itinerantes, 2014)

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Taxar Pandora (2)

por João André, em 26.08.14

A Jonasnuts deixou um comentário que, muito resumidamente, demonstra a falácia da minha proposta de acção (parágrafo final). Como ela anda empenhada neste assunto há já muito tempo (eu ando apenas indignado há já muito tempo), aconselho a que se leiam os seus posts sobre a lei da cópia privada e semelhantes (e são muitos). Vão ler que é um verdadeiro serviço público (em conjunto com outros bloggers).

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E Portugal não diz nada?

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.08.14

A RAE de Macau atravessa um período de instabilidade política e social, a qual tem tido eco quer na imprensa local e regional, quer na internacional. Em Portugal também não têm faltado algumas notícias, ainda que esporádicas, ao que por aqui se passa. 

Depois das manifestações de Maio e Junho, que trouxeram para as ruas largos milhares de pessoas, até então silenciosas e submissas, por causa da preparação de um diploma que visava atribuir aos actuais governantes, à beira de cessarem funções, e aos que já há muito terminaram, um conjunto de escandalosas benesses de natureza pecuniária e jurídica visando o seu injustificado enriquecimento e protecção, e do despedimento de académicos, pelo menos num dos casos com expressa invocação de razões políticas, a Região volta a ser confrontada com momentos de tensão.

Decorrendo neste momento a "campanha eleitoral" do candidato único à chefia do Executivo da RAEM, traduzida em contactos informais com associações profissionais, culturais, sociais, empresariais, comerciais e industriais, incluindo algumas de matriz portuguesa e genuinamente macaense, onde normalmente sem perguntas o candidato discursa, distribui cumprimentos e faz brindes, pede desculpa pelo que correu mal, promete um mundo maravilhoso e faz pungentes declarações de amor à Pátria e a Macau, o que certamente ninguém esperaria era que, a uma semana do acto eleitoral que entronizará Fernando Chui Sai On para um segundo mandato, as ruas fossem de novo invadidas por manifestantes - trabalhadores dos casinos agrupados na denominada Forefront of Macau Gaming - que reclamam melhores salários e condições de vida dignas, e que Macau voltasse às páginas dos jornais pela repressão ao exercício de direitos de manifestação e de liberdade de expressão política, a ponto de suscitar a apreensão da Amnistia Internacional.

O problema reside agora no facto de três organizações da sociedade civil (Macau Consciência, Juventude Dinâmica e Sociedade Aberta de Macau), politicamente bastante activas e organizadas, terem desencadeado um processo de auscultação da opinião pública para saber se as pessoas têm confiança no Chefe do Executivo e se querem que a próxima escolha seja por sufrágio universal. Deram-lhe, erradamente, o nome de "referendo civil", com o que quiseram imitar um processo idêntico verificado em Hong Kong, no qual participaram quase oitocentas mil pessoas.

Depois de terem visto negada a autorização para o uso de espaços públicos e do Tribunal de Última Instância, prudentemente, se ter colocado à margem da controvérsia, dessa forma evitando comprometer-se e dando uma no cravo e outra na ferradura, iniciaram o processo de recolha de opiniões em diversos locais da via pública, usando "Ipad's", e através de um site na Internet. Os organizadores contam recolher opiniões até às 12h de 31 de Agosto, dia em que ocorrerá a escolha do novo Chefe do Executivo, mas tiveram o cuidado de, desde logo, avisar que o resultado da sua consulta só seria divulgado depois de conhecidos os resultados oficiais.  

A posição das autoridades da RAEM, aliás fazendo eco da opinião que desde a primeira hora foi veiculada pelo porta-voz do Governo, foi no sentido de considerar ilegal o "referendo", dizendo que o mesmo não estava previsto na lei. A partir daí, e a despeito da pouca sensatez política e jurídica dos argumentos, que quanto à sua substância jurídica foram inteligentemente desmontados, entre outros, por António Katchi, nas páginas do Ponto Final, o Governo persistiu na sua posição e no Domingo, 24 de Agosto, primeiro dia do "referendo", procedeu à detenção dos organizadores invocando a recolha "ilegal" de dados pessoais e a prática de crimes de desobediência qualificada, argumentos a que também já foi dada resposta.

Se neste processo os organizadores da consulta não estiveram bem na estratégia utilizada - politicamente criticável pela sua ingenuidade, discurso utilizado e persistência num discurso que servia os interesses das autoridades locais -, cuja primeira atitude deveria ter sido a alteração do nome da consulta de referendo para sondagem logo que as críticas dos sectores pró-governamentais e do próprio Governo surgiram, certo é que o Governo da RAEM tem reagido mal e de forma desproporcionada ao que está acontecer. Ao dar ao assunto a importância que aquele não tem, o Governo da RAEM conferiu-lhe escusada projecção e dimensão internacional, transmitindo uma imagem de grande insegurança na sua actuação, de falta de estratégia política e de confiança na acção do sistema judicial, deixando escapar de forma expressa - porque implícita sempre esteve presente - a ideia de manipulação da Administração Pública e das forças policiais, bem como de incapacidade para lidar com a crítica e a liberdade de expressão.

É evidente que a recolha de dados pessoais para um fim específico e autorizada pelos próprios, cidadãos maiores, politicamente responsáveis e conscientes, como seja a identificação ou o número do respectivo documento de identificação, como é normal em qualquer país democrático para subscrição de petições públicas ou até para participação em sorteios ou recebimento de ofertas promocionais de empresas comerciais, não se confunde com a recolha não autorizada, escondida e à revelia dos visados dos seus dados pessoais para criação de bases de dados para utilização duvidosa, que aqueles desconhecem e ninguém controla. E a prova de que as pessoas não se sentiram lesadas nem desconfiaram do procedimento foi que logo a seguir à detenção dos organizadores aumentou o afluxo de participantes via Internet para participarem na sondagem. A desproporção de meios entre as autoridades e os organizadores da consulta é óbvia, tornando-se ridículo que a detenção de Jason Chao, conhecido activista que lidera o movimento, tenha ocorrido num momento em que este se dirigia para uma casa de banho e as autoridades de Macau tenham passado pelo vexame dele se recusar a falar, garantindo o seu direito ao silêncio, recusando-se a fornecer quaisquer dados inerentes à consulta aos elementos das forças policiais, incluindo, e bem, a rejeição de lhes facultar a identidade dos participantes com o argumento simples e eficaz de que só o faria com uma ordem judicial.  

Escusadamente, Macau volta a estar nas páginas da imprensa internacional. Pelas piores razões e justificando a atenção dos media, da opinião pública mundial e das organizações de protecção dos direitos humanos. Em causa, de novo, questões que se prendem com a participação política e o direito ao sufrágio universal. Mas tal como noutras questões que não foram suficientemente acauteladas pelos negociadores portugueses, também nesta matéria Portugal esteve mal ao não ter conseguido que na Declaração Conjunta Luso-Chinesa tivesse ficado, ao contrário do que aconteceu com a Basic Law de Hong Kong, através do artigo 45.º, o direito ao sufrágio universal, pelo menos como meta a atingir num futuro próximo: "The method for selecting the Chief Executive shall be specified in the light of the actual situation in the Hong Kong Special Administrative Region and in accordance with the principle of gradual and orderly progress. The ultimate aim is the selection of the Chief Executive by universal suffrage upon nomination by a broadly representative nominating committee in accordance with democratic procedures". Esta última é uma frase que faz toda a diferença entre um lado e o outro do estuário do rio das Pérolas, e que diz bem da diferente postura de portugueses e ingleses.

Enfim, nada que não fosse previsível vir a acontecer e que os portugueses ficaram a dever, entre muitas mais, ao povo de Macau. Mas quanto a isto, o melhor mesmo é os portugueses perguntarem ao Presidente da República, Cavaco Silva, por que razão tal não ficou consagrado. É que foi este senhor quem, em última instância, em 13 de Abril de 1987, foi a Pequim assinar em nome do Governo Português o documento que formalizou os termos para a transferência de Administração de Macau para a RPC, fixando a agenda para os 50 anos pós-1999.

Como se vê, volvidos apenas meia dúzia de anos, a História não perdoa erros de tão grande miopia política. Jason Chao tinha menos de seis meses quando a Declaração Conjunta foi assinada. Trocar princípios ou vistos de residência por patacas e euros nunca poderia dar bom resultado. A não ser para os bolsos dos que à custa disso se tornaram empresários, fizeram fundações, promoveram o BPP ou puderam mudar-se para a Quinta Patiño.

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Excerto (8)

por Patrícia Reis, em 26.08.14

"Todos nascemos filhos de mil pais e de mais mil mães, e a solidão é sobretudo a incapacidade de ver qualquer pessoa como nos pertencendo, para que nos pertença de verdade e se gere um cuidado mútuo.
Como se os nossos mil pais e mais as nossas mil mães coincidissem em parte, como se fôssemos por aí irmãos, irmãos uns dos outros. Somos o resultado de tanta gente, de tanta história, tão grandes sonhos que vão passando de pessoa a pessoa, que nunca estaremos sós."

O filho de mil homens, de Valter Hugo Mãe

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As canções do século (1699)

por Pedro Correia, em 26.08.14

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 26.08.14

Ao Tenho um quarto cheio de espelhos.

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