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Quadratura do círculo (parte 2)

por Pedro Correia, em 31.05.14

Dar aos militantes liberdade para escolher o candidato a primeiro-ministro em eleições apenas destinadas a eleger deputados.

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Inconstitucionalidades

por Rui Herbon, em 31.05.14
 

Portanto, o governo ao cortar o rendimento a funcionários públicos e pensionistas viola o princípio da confiança ao atingir as suas expectativas criadas, mas ao aumentar impostos, sejam eles quais forem, reduzindo o rendimento disponível e atingindo  as expectativas criadas por todos, não viola, é isso? Cortar o vencimento base ou aumentar a carga fiscal têm o mesmo efeito: redução do rendimento disponível; e é com base nele que as pessoas, pelo menos as com bom senso, gerem as suas expectativas e tomam as suas decisões financeiras. Portanto, para ser coerente com esta decisão, o Tribunal Constitucional deveria desde já prevenir o governo de que qualquer aumento de impostos é também inconstitucional.

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Blogue da semana

por Pedro Correia, em 31.05.14

Nos últimos meses, poderia ter sido escolhido em qualquer semana. Porque é cada vez mais útil e cada vez mais imperiosa a leitura deste blogue. Fala-nos do conflito russo-ucraniano com uma acuidade e uma substância só possíveis em quem conhece muito bem o terreno.

Aprendemos sempre mais alguma coisa cada vez que o lemos. Daqui o destaque que lhe faço: o José Milhazes, que foi meu companheiro de lides jornalísticas na grande aventura dos primeiros anos do Público - um dos melhores jornais diários desde sempre existentes em Portugal - continua a escrever com todos os ingredientes que sempre lhe conheci. Qualidade, rigor e paixão pelo jornalismo. Sem nunca esquecer que os melhores textos jornalísticos são sempre os que narram histórias de pessoas de carne e osso.

Da Rússia é a minha escolha para blogue da semana.

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Pelo visto, António José Seguro propõe primárias para decidir qual o candidato do PS a funções de primeiro-ministro mas não aceita pôr em discussão o seu cargo de secretário-geral. Coloca assim todos os socialistas que se inclinavam para apoiar António Costa perante um terrível dilema: manterem-se fiéis às suas convicções e princípios, permanecendo ao lado de Costa a bem daquilo que consideram ser os mais altos interesses do país, mas arriscando-se a não serem elegíveis para tachos que dependem do favor do aparelho, ou abdicarem das suas convicções e princípios para aumentarem as possibilidades de acederem aos tachos. Seguro, que tem fama de conhecer o aparelho como ninguém, parece não ter dúvidas sobre qual o lado para que penderão os corações e a razão dos valorosos e patriotas militantes socialistas.

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Pós-eleitoral (8)

por Pedro Correia, em 31.05.14

Na semana em que o centro-direita sofre a maior derrota eleitoral de sempre, o PS celebra tal facto entrando em processo acelerado de desagregação interna.  Apesar de ter alcançado a segunda vitória nas urnas em oito meses.

Nas eleições locais, em 30 de Setembro, conquistou 150 câmaras municipais - a maior vitória autárquica de que há registo.

Nas europeias de domingo, mesmo em contraciclo com a dura penalização de que foram alvo os dois blocos políticos tradicionais à escala europeia, sobe cinco pontos percentuais em relação ao anterior escrutínio, realizado em 2009. Obtendo o terceiro melhor resultado para a família do socialismo democrático em países da zona euro.

O PS foi mesmo a única força política do centro-esquerda a registar progresso eleitoral nos países sujeitos a resgate financeiro. Contrariando o colapso dos trabalhistas irlandeses (5,3%), o quase desaparecimento do PASOK na Grécia (8% em coligação) e a derrota histórica do PSOE em Espanha (23%).

 

 

Logo, porém, se levantou um exaltado coro de notáveis. Porque entenderam que a vitória era "curta". Entre esses notáveis, estão João Cravinho, que encabeçou a lista do PS derrotada (com apenas 28,5%) nas europeias de 1989. E Vital Moreira, o cabeça-de-lista derrotado de 2009, agora amargurado com a "frustrante vitória eleitoral" socialista. E José Sócrates, que liderava o PS humilhado há cinco anos nas europeias contra o PSD de Manuela Ferreira Leite (sem coligação com o CDS). Sem então ter sentido necessidade de "clarificação" da situação interna através de um congresso extraordinário, como hoje sustenta.

O mais notável de todos é Mário Soares. Que recusou fazer campanha pelo PS, apareceu num cartaz de propaganda do Syriza (o Bloco de Esquerda grego) e surge agora a incentivar o BE, que "não deve desanimar". Depois de no Verão passado - a dois meses das autárquicas - ter ameaçado o líder socialista de enfrentar um processo de "cisão" no partido. Algo inimaginável no tempo em que ele próprio era secretário-geral e conduziu o partido a três derrotas consecutivas, nas legislativas de 1979, nas autárquicas de 1979 e nas legislativas de 1980.

Temos portanto o maior partido da oposição novamente virado para si próprio, e não para o País. Mergulhado num conflito fratricida que seguramente deixará profundas marcas internas.

Depois de duas vitórias, repito. Não de duas derrotas.

 

Entretanto, o que se passa no país real? O Tribunal Constitucional chumbou três medidas fundamentais do Orçamento do Estado já em vigor - o sétimo chumbo em pouco mais de dois anos.

Algo que, noutro contexto, faria tremer o Governo. Mas com a guerra pelo poder no PS em primeiro plano da actualidade noticiosa, o Executivo continua a passar pelos pingos da chuva.

Disse António José Seguro que a moção de censura do PCP foi um "frete ao Governo". O que não dirá ele do processo de convulsão interna em que mergulharam os socialistas?

Espero que ao menos Passos Coelho tenha a delicadeza de lhes enviar um cartãozinho a agradecer...

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 31.05.14

 

 

Um Amor ao Luar, de Emma Wildes

Tradução de Maria José Santos

Romance

(edição Planeta, 2014)

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De blogue em blogue

por Pedro Correia, em 31.05.14

O anúncio da suposta morte dos blogues, que alguns anteciparam, era francamente exagerado. Pelo contrário, estamos perante alguns regressos à blogosfera que vale a pena registar. É o caso do Luís Paixão Martins, agora de volta. Com A Teoria do Q.

 

De saudar também o regresso de Joana Amaral Dias, que em boa hora decidiu retomar o Córtex Frontal. Onde, merecidamente, continua a figurar o nome de José Medeiros Ferreira.

 

Um respeitoso beijo de agradecimento à Miss X. Pelas palavras tão simpáticas que nos dedica. 

 

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As canções do século (1612)

por Pedro Correia, em 31.05.14

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 31.05.14

Ao Infinito's.

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Profetas da nossa terra (31)

por Pedro Correia, em 30.05.14

«Prometo uma liderança clara e inequívoca e que durante o [meu] mandato seremos campeões.»

Godinho Lopes, 28 de Fevereiro de 2011

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Questões do forno interno do PS

por Rui Rocha, em 30.05.14

João Galamba, deputado do PS, acha que a ausência de António José Seguro do debate da moção de censura é uma "vergonha".

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Quadratura do círculo

por Pedro Correia, em 30.05.14

Eu sou contra mas voto a favor.

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Deve ter algum sentido

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.05.14

"O secretário-geral do PS António José Seguro decidiu não estar presente no debate da moção de censura do PCP por considerar que é um "frete ao Governo" e só estará no momento da votação, confirmou o PÚBLICO junto da assessoria deste grupo parlamentar".

 

Confesso que não atinjo, mas esta deve ser a parte menos relevante. Talvez os portugueses entendam.

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:)

por Patrícia Reis, em 30.05.14

Egoísta ganhou o Grande Prémio de Design na edição anual dos Papies. Foi ontem de madrugada na Figueira da Foz. Os prémios que a revista tem recebido ao longo dos anos são todos o reconhecimento do nosso trabalho (isto só quer dizer que nenhum envolve dinheiro) e são uma benção para nós que estamos no atelier 004. Obrigada por saberem que nos esfolamos a trabalhar para termos uma revista como esta, há 14 anos, propriedade da Estoril-Sol. Obrigada a todos os que colaboram connosco (e são muitos!) Ao fim deste tempo, não sei como faremos melhor, mas faremos:)

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Sócrates tem tido esquecimentos imperdoáveis e actos inúteis que vão custar-lhe caro.

15 de Março de 2011

 

Sócrates é um líder que ganhou uma experiência excepcional» e que «tem amigos na europa». o homem em torno do qual o PS se deve unir.

29 de Maio de 2011

 

Conheço Pedro Passos Coelho e considero-o um homem muito sensato, lúcido e com um grande sentido de Estado. E o que os políticos precisam de ter nesta altura é um grande sentido de Estado, defendendo sempre o interesse nacional, porque nesta altura é Portugal e a Europa que estão em causa.

15 de Maio de 2010

 

Atitude de Passos Coelho é reveladora de falta de sensibilidade e de vergonha.

9 de Outubro de 2012

 

PS continua fiel aos valores, Seguro é um bom líder.

19 de Abril de 2013

 

António José Seguro protagoniza um estilo de liderança que não suscita a adesão dos eleitores, que pouco tem a ver com a identidade do partido e que peca pelo excesso de fulanização.

29 de Maio de 2014

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.05.14

 

 

Conservadorismo, de João Pereira Coutinho

Ensaio político

(edição D. Quixote, 2014)

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Avivar as memórias

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.05.14

"Leaders must have the vision to take their followers to a place they have never seen (in Henry Kissinger's phrase), but they must also be sure their people will follow them there - that the parade will not continue down Broadway when the leader turns onto Main Street. Party leadership is hazardous business, and mistakes can lead to electoral defeat or the choice of new leader (or both). On rare occasions, they can produce the ruination of the party" - Charles S. Mack, When Political Parties Die, Praeger, 2010

 

Qual é a dúvida?

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 30.05.14

 

Ísis Valverde

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Frases de 2014 (15)

por Pedro Correia, em 30.05.14

«Não sou Eça de Queirós.»

Jorge Jesus

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As canções do século (1611)

por Pedro Correia, em 30.05.14

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Profetas da nossa terra (30)

por Pedro Correia, em 29.05.14

«[O Presidente da República] pode fazer um governo de salvação nacional, só com independentes, sem partidos, já que não quer eleições. Há muitos, como Silva Peneda e outros.»

Mário Soares, 18 de Julho de 2013

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Pós-eleitoral (7)

por Pedro Correia, em 29.05.14

Helena Cristina Coelho, Diário Económico: «Continua a não surgir nada de muito novo neste PS: nem um plano, uma solução, um rumo, uma ideia. Até a corrida de António Costa está mais anunciada que a morte no livro de García Márquez.»

 

Luís Rosa, i: «Quarenta e oito horas depois do início do bullying político a António José Seguro, continuamos concentrados no acessório da marcação do congresso extraordinário sem saber o essencial: António Costa quer ser primeiro-ministro para quê?»

 

Celso Filipe, Jornal de Negócios: «Afinal, o que é que separa António Costa e António José Seguro? Olhando para as áreas económicas é difícil encontrar diferenças.»

 

Fausto Coutinho, Diário Económico: «A decisão de António Costa pode ser uma oportunidade para António José Seguro arrumar a casa socialista e afastar os fantasmas que assombram a sua liderança desde o início.»

 

Rui Ramos, Observador: «Costa encontra-se, neste momento, na mais perigosa de todas as situações. Basicamente, está nas mãos, quer de Seguro, quer dos inimigos de Seguro. António Costa apenas pode ser o António Costa de que o PS precisa se for como que aclamado no partido. Só se for consensual no PS pode aspirar a ser consensual no país.»

 

Ana Sá Lopes, i: «Houve um tempo em que António Costa defendia que quem perdia as eleições deveria continuar a liderar o PS. Aconteceu depois da derrota de Sampaio nas legislativas de 1991, quando Cavaco Silva conseguiu a segunda maioria absoluta.»

 

Fernando Sobral, Jornal de Negócios: «Depois desta decisão de António Costa, o PS nunca mais será o mesmo. Mesmo que Seguro conserve o poder.»

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"Gorduras do Estado" (99)

por Pedro Correia, em 29.05.14

Câmara de Almada dá 98 relógios a funcionários

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E agora, Europa?

por Rui Herbon, em 29.05.14

Em muitos países do mundo os seus cidadãos estariam muito contentes por poder participar em eleições livres, mas os europeus preferiram combater os diversos défices da União cedendo ao populismo que impulsiona a eurofobia e a abstenção; défices que incluem entre outras a falta de verdadeira democracia, a complexidade do sistema, a vergonhosa ausência de uma voz perante as crises internacionais ou a submissão ao cronómetro do mercado. A pobreza das campanhas também não ajudou: a construção europeia vende-se mal, sobretudo porque ninguém a encarna com a força de um ideal. E as sociedades atingidas pelo empobrecimento receiam a Europa: julgam-na responsável pela crise e consequentemente pelo desemprego, consideram-na fraca ou demasiado obediente ao sistema financeiro e pouco interessada nos destinos dos povos que a compõem.

 

Os resultados mostram que os movimentos radicais, xenófobos e/ou eurocépticos, assediam o projecto comum. Mas, por mais que durante os próximos cinco anos se dediquem a debilitar a UE ou a acabar com o euro, enfrentam uma tarefa de Sísifo, sem qualquer perspectiva de sucesso. É certo que o Parlamento ficará mais fragmentado, com os extremistas/populistas de esquerda e de direita a ganharem força. Mas pouco mais poderão fazer além de pronunciar os seus discursos inflamados, cuja retórica se dirigirá para contentar os eleitores dos seus países de origem, já que não terão capacidade para bloquear as funções da câmara nem desfazer a maranha tecnocrática da Europa e, em reposta, os partidos pró-europeus mover-se-ão de forma mais coesa.

 

O desafio mais iminente para evitar uma erosão da construção europeia é a maioria silenciosa: aqueles que por desconfiança e desencanto não quiseram votar. É a perigosa apatia de uma imensa maioria que parece dar por certo os muitos avanços económicos e sociais de que hoje gozam por existir uma união na Europa. Mas a paz, as viagens sem trâmites fronteiriços, trabalhar e estudar noutros estados, a moeda comum, o mercado único... a qualquer momento poderão perder-se. É preciso trabalhar por eles e defendê-los de forma permanente, sobretudo os líderes nacionais e europeus, que devem reagir reajustando as suas políticas: simplificando, democratizando e aproximando as instituições europeias dos cidadãos.

 

Apesar da crise e dos seus problemas e ineficiências, a UE é uma aposta na paz e um exemplo de construção política harmónica sem precedentes: 28 países, mais de 500 milhões de habitantes, 24 idiomas e um passado marcado por guerras terríveis. Continuamos a ter enormes privilégios à escala global graças a uma das aventuras políticas e humanas mais admiráveis do último meio século. Por isso para muitos europeus o grande ideal de um conjunto geográfico unido e em paz permanece de pé. Espero que destas eleições e da moldura institucional resultante saia uma Europa mais democrática e disposta a incluir os seus cidadãos, pois sem isso, como se viu, o projecto europeu comum poderá dar lugar a nacionalismos exacerbados e ao regresso a um passado que julgávamos definitivamente enterrado.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.05.14

 

 

Mal Nascer, de Carlos Campaniço

Romance

(edição Casa das Letras, 2014)

"Este livro segue a grafia anterior ao Novo Acordo de 1990"

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Ma Man Kei

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.05.14

Nasceu em Nanhai, nas proximidades de Foshan, provincía de Guangdong, em 1919. Nessa altura viviam-se tempos conturbados na China. Dois anos antes tinha Sun Yat-Sen instalado o governo militar de Cantão. Seu pai fora mercador, um dos muitos que se revoltara contra o governo corrupto dos Qing. Após a morte do pai, em 1934, ficou a tomar conta dos seus negócios, mas quando em 1938 as tropas imperiais japonesas tomaram Cantão, fugiu para Hong Kong. Três anos depois instalou-se em Macau, aproveitando o estatuto de neutralidade deste antigo território português. A partir de então desenvolveu múltiplas actividades empresariais e políticas, tendo enriquecido e granjeado prestígio e influência. Em Macau, mas também na China, da qual, após a revolução, se tornaria no representante local dos seus interesses. Esteve  envolvido durante mais de meio século em todos os acontecimentos importantes de Macau, tornando-se, juntamente com Ho Yin, num dos líderes da comunidade chinesa. Em 1950 foi escolhido para presidente da Associação Comercial de Macau, em cuja sede, ainda antes do 25 de Abril de 1974, se vendiam abertamente e sem que a PIDE pudesse fazer alguma coisa os exemplares do Livro Vermelho do Presidente Mao. Na crise de 1952 integrou a delegação enviada pelo governador Almirante Marques Esparteiro para negociar com os representantes do Exército Popular de Libertação o restabelecimento do fornecimento de víveres à então colónia portuguesa. Teve  papel crucial na crise do "Um, Dois, Três" e após 1974 viria a tornar-se deputado da Assembleia Legislativa de Macau, órgão para o qual foi eleito em sucessivas legislaturas por sufrágio indirecto, em representação dos interesses económicos. Abandonou a Assembleia Legislativa na última legislatura. Nesse percurso foi ainda vice-presidente da Comissão de Redacção da Lei Básica da RAEM, vice-presidente da 8ª, 9ª, 10ª e 11ª Conferência Política Consultiva do Povo Chinês, da qual fez parte até agora, e foi nessa qualidade que integrou o Presidium do Congresso Nacional Popular do Partido Comunista Chinês. Amigo de Portugal e dos portugueses, reconhecido pela China como um "capitalista patriota", já depois de doente e internado no Hospital Militar de Pequim viu a sua influência uma vez mais confirmada com a visita que recebeu, em 2007, de Hu Jintao. Faleceu na madrugada de segunda-feira, com 95 anos, e as suas exéquias terão lugar no próximo domingo em Macau. Deixou sete filhos, um dos quais é o actual presidente da Associação Comercial de Macau, duas filhas e um império comercial. Um dos seus netos é actualmente deputado na Assembleia Legislativa de Macau.

 

(notas coligidas com o auxílio do Hoje Macau, do Ponto Final e do Macau Daily Times)

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Gente

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.05.14

Um título de jornal: "Itália: 40 mil imigrantes dão à costa em 2014". Fiquei a pensar.

Até nestas pequenas coisas, nos títulos dos jornais, são mal tratados. "Dão à costa", como o petróleo depois dos desastres marítimos, a nafta ou as baleias. Bem sei que alguns chegam já sem vida, vogando à deriva pelo mar, até que alguém os recolha. Mas não serão eles, também, gente como nós?

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Pós-eleitoral (6)

por Pedro Correia, em 29.05.14

 

Olhar para os 31,5% do PS contra a direita unida (PSD+CDS) no escrutínio para o Parlamento Europeu e ver neles um sinal imperioso para fazer rolar cabeças no partido vencedor é passar ao lado do essencial. Além de injusto para António José Seguro: ele foi um dos dirigentes socialistas que mais se aguentaram em toda a Europa, obtendo o terceiro melhor resultado para a sua família política nos Estados da eurozona.

Encaremos os factos: a esquerda socialista venceu eleições em apenas sete dos 28 países que integram a União Europeia: Eslováquia, Itália, Lituânia, Malta, Portugal, Roménia e Suécia.

Só em Malta, Itália e Roménia a votação nos socialistas foi superior à do PS.

 

Vejamos os resultados:

Alemanha - Partido Social Democrata: 27,3%

Áustria - Partido Socialista Austríaco: 24%

Bélgica - Dois partidos socialistas (francófono e flamengo): 19%

Bulgária - Partido socialista KB: 18,5%

Chipre - Partido Democrático: 10,8%

Croácia - Partido Social Democrata: 30%

Dinamarca - Partido Social Democrata: 19,1%

Eslováquia - Partido social-democrata SMER: 24%

Eslovénia - Partido Social Democrata: 8%

Espanha - Partido Socialista Operário Espanhol: 23%

Estónia - Partido Social-Democrata: 13,6%

Finlândia - Partido Social Democrata: 12,5%

França - Partido Socialista: 14%

Grécia - Oliveira (coligação de PASOK e aliados): 8%

Holanda - Partido Trabalhista: 9,4%

Hungria - Partido Socialista Húngaro (MSZP): 10,9%

Irlanda - Partido Trabalhista: 5,3%

Itália - Partido Democrático: 40,8%

Letónia - Partido Social Democrata: 13%

Lituânia - Partido Social Democrático da Lituânia: 17,3%

Luxemburgo - Partido Operário Socialista Luxemburguês: 21,6%

Malta - Partido Trabalhista: 53%

Polónia - Aliança Democrática de Esquerda: 9,4%

Portugal - Partido Socialista: 31,5%

Reino Unido - Partido Trabalhista: 25,4%

República Checa - Partido Social Democrata Checo: 14,2%

Roménia - Partido Social Democrata: 37,6%

Suécia - Partido Social Democrata: 24,5%

 

 

Em pano de fundo, bem expresso nestes números, está um modelo político em profunda crise: a social-democracia europeia. O PS de François Hollande fica reduzido a quase metade da percentagem da Frente Nacional. Milleband, o wonder boy do trabalhismo pós-Blair, queda-se pelos 25% no Reino Unido. O outrora poderoso PSOE afunda-se no pior resultado de sempre em Espanha, sem nada capitalizar de dois anos de feroz oposição ao Governo conservador de Rajoy. Até o SPD alemão não ultrapassa uns exíguos 27%.

Como escreveu Ana Sá Lopes no jornal i, numa excelente análise às europeias, "a social-democracia não serviu para nada durante a grande recessão, não se constituiu como alternativa a nada e o falhanço de Hollande é só o mais espectacular de todos".

 

Poderia a lista encabeçada por Francisco Assis ter feito melhor num cenário de dispersão de votos, potenciador das candidaturas que se esgotam no protesto?

Dificilmente.
É certo que Ferro Rodrigues alcançou 44% nas europeias de 2004. Mas os tempos eram outros, à esquerda e à direita. Alguém imagina um Marinho Pinto emergir então com a força que agora obteve? Alguém supunha que um grupo inorgânico como o Podemos, fenómeno emanado das redes sociais, surgisse como quarta força mais votada em Espanha e terceira em Madrid, como agora aconteceu? E em qualquer outro contexto Beppe Grillo chegaria a obter um quarto dos votos em Itália?


Somos sebastianistas: pensamos sempre que um indivíduo faz a diferença. Mas neste caso não faz. O problema é mais grave e mais fundo: as duas principais famílias políticas europeias estão gravemente feridas, talvez de forma irremediável, enquanto os egoísmos nacionais regressam em força com a sua oratória guerreira.

As forças extremistas e eurófobas ganham passo à medida que as áreas políticas centrais vêem o seu espaço diminuir drasticamente. Em Espanha, pela primeira vez, os dois principais partidos somados já totalizam menos de 50% dos votos expressos.

A cura, se existir, não virá de nenhum homem providencial e "carismático", de toga messiânica, dançando um De Profundis em valsa lenta.

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As canções do século (1610)

por Pedro Correia, em 29.05.14

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Agitar antes de abrir.

por André Couto, em 28.05.14

Estranhei, sem questionar publicamente, como se anuncia o voto favorável a uma Moção de Censura ao Governo, de iniciativa do PCP, sem antes se ler o texto. Depois do anúncio feito, quero ver como é que os deputados do PS vão subscrever o parágrafo que versa sobre "o retrocesso económico e social a que conduziu a política de direita executada nos últimos 37 anos por sucessivos governos".

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Maria José Nogueira Pinto

por Pedro Correia, em 28.05.14

Uma bela, merecida e comovente homenagem a Maria José Nogueira Pinto, que nos deixou quase há três anos. Feita por quem a conheceu melhor que ninguém. Uma homenagem que é também uma tocante declaração de amor.

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Dois erros de Seguro

por Helena Sacadura Cabral, em 28.05.14


Seguro cometeu, a meu ver, dois erros lapidares. O mais recente foi prometer que iria repor pensões e não aumentar os impostos.  O segundo, há pouco menos de um ano, foi o de não aceitar a proposta de Cavaco Silva para subscrever um acordo com o PSD, que tinha como contrapartida a antecipação das legislativas para 2014. Se assim  não tivesse acontecido, António José Seguro podia estar neste momento em São Bento como primeiro-ministro. E não no Largo do Rato a viver uma dificílima crise interna.                                       

A hostilização de Cavaco só se explica pela vontade de agradar aos seus detractores no partido. Ora é precisamente esta ala interna - que teve de tolerar Seguro mas nunca, de facto, o aceitou - que, agora, julga ter chegado o momento do PS e do seu líder cumprirem o seu destino.  O primeiro, sob outra batuta, de alcançar uma maioria absoluta nas próximas legislativas. O segundo, de ir viver a sua vida!

 

Em tempo: um comentador referiu, com muita razão, o terceiro erro, mais recente ainda, que foi o discurso de Domingo, empolando a magra vitória alcançada.

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Profetas da nossa terra (29)

por Pedro Correia, em 28.05.14

«Não é possível acumular a liderança do PS e a presidência da câmara de Lisboa.»

António Costa, 8 de Junho de 2011

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Os cálculos de António Costa.

por Luís Menezes Leitão, em 28.05.14

 

Conheço António Costa há mais de trinta anos, desde os tempos da Faculdade de Direito, e sempre verifiquei nele a existência de uma grande ambição política, que alia a um enorme calculismo, gerindo o seu percurso ao milímetro. No PS Costa soube sempre estar do lado do vencedor das eleições internas, fosse ele Soares, Constâncio, Sampaio, Guterres, Ferro Rodrigues ou José Sócrates. Precisamente por isso a sua ascensão no PS foi sempre imparável, tendo estado sempre muito próximo dos sucessivos secretários-gerais e atingido quase sempre elevados lugares no Governo. Foi Secretário de Estado e depois Ministro dos Assuntos Parlamentares no primeiro governo de Guterres, tendo depois passado para Ministro da Justiça no segundo. Se nos Assuntos Parlamentares demonstrou capacidade política e facilidade de relacionamento com o Parlamento, factores essenciais num governo minoritário, já na Justiça não deixou saudades. Ainda hoje o sector se ressente das reformas disparatadas que António Costa então lançou. Precisamente por isso nesse Governo o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Ricardo Sá Fernandes, resolveu intervir na área de Costa a propósito do caso Camarate, o que levou Costa a demitir-se com estrondo. A demissão só foi revogada depois de Guterres ter demitido Ricardo Sá Fernandes, o que demonstrou o peso político que Costa tinha.

 

O abandono de Guterres do Governo não perturbou a ascensão de Costa, que avançou logo para deputado europeu como nº2 da lista de Sousa Franco. A vitória de Sócrates em 2005 dá-lhe o lugar de nº2 do partido e do Governo, ainda que com uma pasta relativamente irrelevante, como a da Administração Interna. Com a defenestração de Carmona Rodrigues em Lisboa, António Costa vê a hipótese de encontrar um lugar que lhe permitiria posicionar-se para a sucessão de Sócrates, distanciando-se do seu governo, ou até para as presidenciais, à semelhança do percurso de Jorge Sampaio. A sua gestão de Lisboa tem sido um desastre, mas Costa tem um capital de simpatia e sempre teve boa imprensa, e os adversários que lhe apresentaram sempre foram muito piores que ele, o que tem levado os lisboetas a escolher o mal menor.

 

A vitória de António José Seguro no PS correspondeu, porém, à primeira vez em que Costa passou a ter como líder do seu partido um inimigo político. Por outro lado, os apoiantes de Sócrates desesperavam com o distanciamento de Seguro em relação ao seu antigo líder, pelo que naturalmente empurraram Costa para a liderança, no que pareceu um drama de Shakespeare. Mas o calculismo de Costa prevaleceu e não avançou contra Seguro. Não tinha a vitória assegurada e se avançasse corria o risco de perder o comboio das presidenciais, onde as sondagens o davam como a única alternativa da esquerda a Marcelo.

 

Esse comboio foi, porém, perdido há dias com o inesperado avanço de Guterres. Com o seu mandato na Câmara esgotado, Costa percebeu por isso que tinha que apear Seguro, para o que contribuiu o resultado decepcionante das eleições europeias. Se esses resultados fossem de legislativas Seguro seria amanhã Primeiro-Ministro num governo de bloco central com o PSD, projecto que anda a ensaiar há bastante tempo, que corresponde aos desejos de Cavaco, e parece ter pelo menos a complacência de Passos Coelho. Para a grande maioria dos militantes do PS isso seria, porém, um cenário de terror, só admitindo um governo à esquerda com o PCP, à semelhança de Sampaio em Lisboa, ou pelo menos com Marinho Pinto. Costa percebeu assim que tinha uma alternativa política a Seguro e decidiu apresentá-la aos militantes.

 

Se houver congresso, os militantes do PS vão votar assim entre duas alternativas: um governo PS+PSD liderado por Seguro ou um governo PS+PCP (ou Marinho Pinto) liderado por Costa. Quanto à actual maioria, os seus 27% representam em primeiro lugar o descalabro do CDS, a quem as sondagens dão pouco mais de 2% e corre o risco de desaparecer do mapa político. O PSD vai sair disto com cerca de 24% dos votos, destinado apenas a servir de muleta a Seguro, já que não o será seguramente de Costa. No fundo, estar-se-á a repetir agora do lado do PSD a sina do PS que depois de uma austeridade extrema ficou reduzido em 1985 a 20% dos votos, só vindo a recuperar 10 anos depois. Não sei é porque é que se insiste nesta deriva.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.05.14

 

 

Intempérie, de Jesús Carrasco

Tradução de Raquel Ochoa

Romance

(edição Marcador, 2014)

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Não ter a noção do ridículo

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.05.14

Não temos condições para andar todos os dias a brincar aos congressos quando em dois anos tivemos duas vitórias que infligiram duas derrotas históricas à direita

 

Não sei o que diria se tivesse obtido uns módicos 44,53 % nas europeias, mas tenho pena que tenha sido necessário haver uma recondução em 2013 e fosse preciso esperar por "duas derrotas históricas à direita" para se ver o óbvio. A ver se desta vez não acaba tudo em águas de bacalhau, com abraços e palmadinhas nas costas. Como da última vez.

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Pós-eleitoral (5)

por Pedro Correia, em 28.05.14

1. Domingo, falaram as urnas: Passos derrotado. Segunda, falaram os "analistas": houve empate. Terça, falaram as pulsões autofágicas no PS: Passos venceu. Razão tinha o outro: o mundo muda muito em 48 horas.

 

2. 32% será resultado "frouxo". Mas o que diremos dos escassos 14% obtidos pelo Partido Socialista francês, de François Hollande, outrora proclamado por Soares e tutti quanti como um dos faróis da esquerda europeia?

 

3. A um ano das legislativas, e após ter andado a carregar o piano desde 2011, ninguém imagina Seguro a ceder um milímetro a solistas de violino. Mesmo que venham ungidos do Vau e aspergidos de Nafarros. Óbvio ululante, como dizia Nelson Rodrigues.

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As canções do século (1609)

por Pedro Correia, em 28.05.14

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Não se nota nada

por Pedro Correia, em 27.05.14

Ontem, dia de rescaldo eleitoral, o DELITO DE OPINIÃO registou 6.691 visitas e 10.574 visualizações. Os portugueses podem andar desinteressados da política, mas por cá não se nota nada.

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Aprenderam pouco...

por Helena Sacadura Cabral, em 27.05.14



No meu tempo de aluna de Economia passeavam-se pela Universidade uns filhos família cujo nome, pronunciado em voz alta, dizia tudo da sua origem. Vestiam e falavam de maneira especial e de um modo geral conviviam em grupo fechado, olhando os restantes colegas como representantes de uma classe social que pouco ou nada lhes dizia. Tinham-me algum respeito porque era eu que fazia as "sebentas" de algumas cadeiras, porque era a melhor aluna e porque, sem bem saberem porquê, usava um nome conhecido da História. E, de nomes, parece que percebiam. Mas não pertencíamos ao mesmo mundo. Isso era tão claro para mim quanto para eles...

Há dias quando fui tomar a bica ao local habitual, vejo parar um Maserati - lindo, confesso - e sair de lá um homem dos seus 35 anos, bastante alto, indumentária casual, cabelo claro e passada confiante. Dir-se-ia um ilustre representante da fidalguia do dinheiro.

Não me enganei. Com efeito, ao fazer a encomenda - dado o tom de voz, todos ficámos a conhece-la -, lá veio o nome. Nesse momento, ao ouvi-lo, reconheci o pai, na voz, no rosto e, claro, no apelido.

Saíu com a mesma ligeireza com que entrou. O Maserati arrancou em beleza e, por instantes, na sala reinou um silêncio incómodo, que apenas foi interrompido por um pedido meu de mais um rissol, emblemática escolha de classe social, que fazia toda a diferença com o rol que ouvíramos antes.

Enquanto comia o pastel, pensei como depois de 40 anos passados sobre o 25 de Abril, as classes dominantes usam sempre o mesmo apelido e pouco ou nada aprenderam. Ou, dito de outro modo, como pouco ou nada, os obreiros da revolução lhes ensinaram!

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Profetas da nossa terra (28)

por Pedro Correia, em 27.05.14

«Ser primeiro-ministro é ter uma vida na dependência mais absoluta de tudo, sem ter tempo para mais nada. É uma vida horrível e que eu não desejo. Ministro é o meu limite. Aceitei pagar este preço. Mas nada mais do que isso.»

José Sócrates, 16 de Setembro de 2000

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A noite em que todos perderam

por José Gomes André, em 27.05.14

Com excepção da CDU e de Marinho Pinto, todos perderam. O PS obtém uma vitória curta, face às expectativas de congregar o voto de protesto contra a coligação PSD/CDS. A Direita sofre uma derrota histórica, que poderá abalar os alicerces do Governo (vem a caminho uma remodelação ministerial?). O Bloco continua a via da implosão. Perdeu as causas fracturantes para o PS e ao rejeitar ser hipotético parceiro dos socialistas tornou-se politicamente irrelevante. A abstenção atingiu valores elevadíssimos, resultado de um crescente (e preocupante) desânimo popular com a política (e com a Europa!) e do desgaste dos partidos tradicionais. O Governo sai fragilizado, mas a oposição não recolheu combustível suficiente para apelar de forma convincente a eleições antecipadas. A “força da rua” mostra-se nos “media” e nas redes sociais, mas o país real parece sobretudo amorfo e indiferente.

A CDU obtém um resultado notável, mas o seu discurso ideológico continua demasiado radicalizado para poder figurar como eventual parceiro de governação para o PS (e o facto de os comunistas terem feito campanha agressivamente contra os socialistas só adensou o abismo entre ambos). Marinho Pinto consegue a proeza de ser eleito para o Parlamento Europeu sem que se lhe conheça uma ideia sobre a Europa. Os eurocépticos ainda são irrelevantes em Portugal, mas o poder mediático do populismo já se faz sentir. 

[publicado ontem no Diário Económico].

 

P.S. A euforia de Seguro e Assis não passou de uma encenação para tentar vender a imagem de uma Direcção ganhadora. Correspondeu na verdade a um autêntico "canto do cisne". A vitória foi curta (como qualquer pessoa notou desde logo). Segue-se pois uma guerra civil no PS...

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Pós-eleitoral (4)

por Pedro Correia, em 27.05.14

Dois dias depois da maior derrota da direita em democracia, a notícia é -- uma vez mais -- a turbulência no maior partido de esquerda, que se sagrou vencedor da noite eleitoral. Invertem-se os termos, ao sabor das conveniências mediáticas, ignorando a maré que arrasou grande parte dos partidos socialistas no tsunami europeu de domingo.

Quem venceu, perde. Quem perdeu, ganha.

Vem aí mais uma refrega "fracturante" e fratricida na trincheira vencedora. Passos Coelho passa incólume pelos pingos da chuva. Fiel à máxima de Napoleão: "Nunca interrompas o teu inimigo quando o vires a cometer um erro."

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"Queremos eleições antecipadas."

por André Couto, em 27.05.14

Aí estão elas.

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O primeiro a avançar.

por Luís Menezes Leitão, em 27.05.14

 

Já tinha hoje escrito aqui que, em virtude do resultado das eleições europeias, tanto os partidos da maioria como o PS deveriam alterar imediatamente as suas lideranças, sob pena de caminharem para o suicídio político. Isto porque os seus actuais líderes não seriam capazes de arrepiar caminho, pelo que só os militantes poderiam salvar os partidos do chamado arco da governação de serem varridos em próximas eleições.

 

No PSD e no CDS já se verificou que isso não vai acontecer. Na verdade, os partidos estão de tal forma disciplinados, que são capazes de proclamar 27% um resultado aceitável e achar normal que o PSD fique com seis deputados europeus e o CDS apenas um, menos do que o MPT. Lá irão por isso os seus deputados na sexta-feira rejeitar a moção de censura do PCP e aproveitar para aplaudir estrondosamente o governo, reforçando o seu mandato para continuar neste caminho. O ridículo disto só a eles parece escapar.

 

Já aos militantes do PS não escapou o ridículo da figura que António José Seguro fez na noite eleitoral, manifestando uma falsa euforia com uma vitória pífia, que os seus apoiantes aplaudiram estrondosamente. António Costa percebeu, porém, o que estava em causa e viu aí logo na noite de domingo uma oportunidade de ouro para se candidatar à liderança. É manifesto que vai ganhar o PS. Aliás, se Seguro tivesse um pingo de responsabilidade tinha-se demitido logo na noite eleitoral, como fez o líder do PSOE espanhol.

 

A ironia disto tudo é que os partidos da maioria ambicionavam que o PS ganhasse precisamente com esta diferença, para segurar a liderança de Seguro, após o que marchariam calmamente para as legislativas. Só que os militantes do PS não são parvos e já perceberam a estratégia, pelo que vai ser com António Costa que o PS se vai apresentar às eleições. Resta saber se o PSD vai opor a António Costa um desgastado Passos Coelho ou, ainda pior, uma Maria Luís Albuquerque a defender o legado da troika. Continuem assim, mas depois não se queixem.

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Pós-eleitoral (3)

por Pedro Correia, em 27.05.14

1. Primeira decisão pós-eleitoral do PCP: o anúncio da sexta moção de censura a este governo. Uma decisão que Passos Coelho agradece: fragilizado nas urnas domingo à noite, robustecido no Parlamento daqui a uns dias, graças à boleia comunista. Destinada sobretudo a obscurecer ainda mais o frágil triunfo do PS. Há coisas que nunca mudam na esquerda portuguesa.

 

2. Espantam-se alguns com a débil expressão eleitoral do Partido Socialista. Falta acrescentar que seria ainda mais estreita sem o oportuno empurrãozinho que lhe deu António Capucho. Nem quero imaginar o que seria de António José Seguro sem este apoio.

 

3. Ou muito me engano ou virão aí alterações à anacrónica lei eleitoral que concede todo o poder de composição e ordenamento das listas aos directórios partidários e nenhum aos cidadãos. Acossado, o chamado "arco da governação" vai tentar enfim aproximar eleitos de eleitores - embora o tiro, já tardio, possa sair-lhe pela culatra.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.05.14

 

 

Em Nome do Povo - O massacre que Angola silenciou, de Lara Pawson

Tradução de Susana Sousa e Silva

Investigação

(edição Tinta da China, 2014)

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Ler os outros

por Pedro Correia, em 27.05.14

Pedro Magalhães: «PSD e CDS têm, em conjunto, menos 12,4% que nas anteriores europeias (quando estavam na oposição).»

 

Paulo Gorjão: «O PS ganhou mas é um partido cada vez mais intranquilo e que pressente um desaire em 2015.»

 

Rodrigo Adão da Fonseca: «A vitória de António José Seguro foi tão colossal que hoje ligamos a televisão e só dá António Costa, regressado de Alcácer-Quibir.»

 

Vital Moreira: «A decepcionante escassez  da vitória numas eleições em que tudo lhe era favorável deixa pouca margem ao PS para uma vitória robusta nas legislativas.»

 

Sofia Loureiro dos Santos: «Temos que acabar de vez com esta pseudo política pseudo humana e pseudo simpática de pseudo corações em pseudo líderes.»

 

Paulo Pedroso: «É patético que o PS pense que pode, a partir desta base e neste contexto, fazer uma campanha assente na reivindicação de uma maioria absoluta.»

 

Luís Novaes Tito: «António José Seguro teve a coragem de avançar quando todos se esconderam e preferiram calcular as suas vidinhas futuras, fugindo às responsabilidades de suceder na oposição a um desaire eleitoral.»

 

João Pedro Pimenta: «As consequências imediatas parecem estar a atingir, antes de mais, o PS. Quando é que um partido vencedor registou tal convulsão interna?»

 

Luís Naves: «Os partidos profissionais de poder tiveram resultados miseráveis.»

 

Maria João Marques: «Apetece perguntar ao PSD e ao CDS: de que vos (e nos) valem os fracos resultados do PS, se perderem o juízo?»

 

Mr. Brown: «Esta luta taco a taco entre PSD+CDS e PS só é possível por um motivo: não há quem apareça a colocar no mapa um novo partido de direita.»

 

Rui Albuquerque: «Os 7% de votos na lista de Marinho Pinto são um protesto contra o sistema político e aquilo que os eleitores entendem ser a corrupção da classe política.»

 

Porfírio Silva: «Não vale a pena querer substituir a luta política pela tentação de mudar de povo.»

 

Joana Lopes: «O Bloco bem pode arrumar as ideias e a casa, rapidamente e em força.»

 

Filipe Nunes Vicente: «Rui Tavares perdeu o lugar de eurodeputado, o Bloco perdeu dois. Mais uma ou duas uniões de esquerda e o PCP fica com bar aberto.»

 

João Rodrigues: «As acusações de populismo, a palavra preferida de certas elites, e de eurocepticismo valem bem a tarefa para uma esquerda que não anda a dormir e que sabe que não há mais tempo a comprar.»

 

João Gonçalves: «Tudo somado, entrámos no pântano que Guterres, em Dezembro de 2001, pretendeu evitar com a sua lúcida demissão.»

 

José Gabriel: «A abstenção como total demissão de intervir – e não ignoro que muitos dos que se abstêm têm plena consciência disto e não procuram desculpas, pois que a sua decisão é pensada – é uma ilusão.»

 

António Pais: «Quem não avançar agora, exigindo uma clarificação e submetendo aos militantes dos respectivos partidos (e por arrasto aos restantes cidadãos) o seu projecto, é tão cobarde como os actuais chefes.»

 

(actualizado)

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As canções do século (1608)

por Pedro Correia, em 27.05.14

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Profetas da nossa terra (27)

por Pedro Correia, em 26.05.14

«Prevejo uma vitória esmagadora do Partido Socialista. Prevejo uma hecatombe da coligação, que ficará abaixo dos 30%. O PS vai ficar acima dos 40%, com certeza... 42%. Prevejo uma diferença entre 10% e 14%.»

José António Saraiva, RTP, 21 de Maio de 2014

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