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A luz ao fundo do túnel

por Pedro Correia, em 31.03.14

Défice português de 2013 ficou nos 4,9%, um ponto abaixo do previsto

 

Portugal atinge primeiro excedente externo em 18 anos

 

«Sob qualquer ponto de vista, é uma óptima notícia. Não há volta a dar. Um ponto percentual abaixo do que estava previsto é uma óptima notícia que terá repercussões neste ano orçamental.»

Miguel Sousa Tavares, hoje, no Jornal da Noite

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Sabemos que, tal como o lince ibérico, o lobo, a foca-monge ou o saramugo, a classe média corre risco de extinção. É natural, assim, que cresça o interesse pela observação dos últimos exemplares no seu habitat natural. No caso dos linces, por exemplo, não é assim tão fácil. O aspirante a biólogo ou aquele que já exerce como encartado deve estar disponível para uma expedição à Malcata. Ou lá onde é que eles andam. Já a observação da classe média parece envolver menos perigo. Em princípio, basta ir a um SPA. O SPA é o local onde uma população urbana minimamente desafogada e cada vez mais escassa troca a constância da temperatura regulada do gabinete ou do open-space pelas agruras do stresse térmico. Da sauna a 40 graus para o duche gelado? Bem-vindos à vida selvagem. E dali para o jacuzzi. E assim sucessivamente, arrostando o perigo. Sem um grito. Sem medo. Mas em algum momentos verdadeiramente a tiritar. O SPA está para os adultos como a Disneyland está para as crianças. Na Disney, os adultos divertem-se sob o pretexto de fazerem a vontade às crianças enquanto estas sofrem atrocidades na escuridão da montanha-russa. No SPA, as crianças divertem-se na piscina sob o pretexto de terem de acompanhar os adultos enquanto estes sofrem atrocidades suportando o jorro intenso que empurra a barriga contra as costas como se não tivesse nada lá dentro. Como se ontem não tivessem comido sashimi. Na Disney, o momento alto para as crianças é um abraço do Pateta. No SPA, o momento alto do pateta é meter-se num tanque de água gelada. Note-se que tudo isto é feito em nome de uma ideia de saúde e juventude. O SPA está para a vida eterna como o iogurte bífidus está para o trânsito interno. O SPA é o templo onde os que já não frequentam igrejas se consagram a certos sacramentos com evidente religiosidade e uma certa predisposição para aceitar sacrifícios. Incluindo a hipotermia. Num caso e noutro fala-se de purificar e regenerar. Pela água. Com a vantagem de no SPA, supostamente, se tratarem as necessidades da alma e os anseios do corpo. É no SPA que o Rodrigo, com calções azuis e pequenos golfinhos, comprados antes de a Throttleman se apresentar à insolvência, e a Carlota, pais do Salvador e da Benedita, se deviam reconciliar com a vida. Não por acaso as mensagens promocionais dos SPA parecem ter sido todas escritas pelo Paulo Coelho: entre numa viagem de puro prazer onde só energias positivas o esperam. Bem, bem. As energias serão positivas mas, em algum momento do circuito, as temperaturas aproximam-se de zero. E nem tudo são rosas. Até no SPA é preciso fazer escolhas que geram tensão. Será preferível começar pela piscina dinâmica ou pelo duche sensorial? São decisões estruturais que podem marcar o sentido de uma vida. E acabar com um casamento. Defendo então que o momento experiencial em que mergulhas num SPA tem em si mesmo a marca de uma certa inutilidade? Que a transição sincopada entre cascatas, jatos e duches bitérmicos é uma moda a que falta um propósito maior que um selfie no IPAD? Que, de uma forma ou de outra, as coisas podem não acabar exactamente como foi prometido? Longe disso. Aí temos a aromaterapia. Ah e tal, os seus efeitos benéficos não estão suficientemente comprovados, argumentam alguns. Tudo muito certo. Mas, ninguém duvida, traz a não despicienda vantagem de pôr o mais palerma a cheirar bem.

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Globalização (I)

por Francisca Prieto, em 31.03.14

 

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Um belo dueto

por Helena Sacadura Cabral, em 31.03.14


Neste dia de inverno rigoroso no começo da primavera, aqui ficam Ana Carolina e Paulo Gonzo num disco belíssimo, a provar que também temos óptimos cantores! 

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Desapareceu

por José Navarro de Andrade, em 31.03.14

 

A revolução coperniciana ainda só tem quatrocentos e picos anos, um tempo manifestamente insuficiente para a termos interiorizado no nosso dia-a-dia.  Depois dela, compreender a natureza passou a ser uma pura construção mental, feita de modelos matemáticos e observações que os vão reiterando. Ou seja, o senso-comum, esse bem tão precioso em certas instâncias da actividade humana, pode bem ser um obstáculo quando se quer demonstrar que ainda ninguém viu claramente visto a Terra girar à volta do Sol, e que não há nenhuma prova empírica para essa bizarra ideia, todos os dias desmentida pela nossa observação. Sucede simplesmente que o modelo continua a funcionar e por isso continuar-se-á a tomá-lo como correcto.

Repare-se que do vôo MH370 até agora não se achou nem se viu nada. Os únicos elementos que existem dele são meros sinais elétricos que foram arduamente interpretados a partir de conjecturas matemáticas. Ora aqui está um exemplo supremo do intenso combate entre a inteligência humana e a natureza; o pouco que sabemos, sabemo-lo por pura dedução e por esforçada inferência, a partir de instrumentos.

Este caso extraordinário deveria reconduzir-nos à consciência não só da nossa abissal ignorância, como tem tudo para nos fazer reflectir sobre a forma como habitualmente pensamos as coisas, sobretudo noutras áreas da nossa vida: porque temos sempre que ir a correr para explicações quando elas simplesmente não existem? Porque nos entregamos ao logro imenso da especulação a partir de esquivas e insonsas provas empíricas? Porque levamos tão a sério o jogo rectórico onde sempre triunfa aquele que fala mais alto ou mais persuasivamente?

Sim, é possível que um vulto gigantesco como um Boeing 777 desapareça da realidade sem deixar rasto. Contra isto não há opinião que valha.

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Não sabe se a História o absolverá.

por Luís Menezes Leitão, em 31.03.14

 

"A História me absolverá" corresponde a uma célebre alegação de defesa de Fidel Castro no julgamento de Moncada em 16 de Outubro de 1953 em que, em vez de terminar pedindo a sua absolvição pelo Tribunal como habitualmente fazem os advogados, terminou declarando irrelevante que os juízes proferissem a sua condenação, pois apenas lhe interessava a absolvição da  História: "Condenadme, no importa. La historia me absolverá". A repercussão causada por esse discurso seria o rastilho que levaria à revolução que derrubou Fulgencio Baptista.

 

Passos Coelho, pelos vistos, não se importa minimamente com a História, uma vez que perguntado se esperava a absolvição desta, respondeu com um singelo "não sei". Conclui-se assim que Fidel Castro pode ter atirado Cuba para o desastre, mas ao menos tinha convicções. Passos Coelho nem isso tem. A sua política resume-se assim a aplicar o Diktat germânico, qualquer que ele seja. Faz lembrar Groucho Marx: "Those are my principles, and if you don't like them... well, I have others."

 

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 31.03.14

 

 

Hav, de Jan Morris

Tradução de Raquel Mouta e Vasco Gato

Viagens

(edição Tinta da China, 2013)

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O refeitório do Parlamento.

por Luís Menezes Leitão, em 31.03.14

 

Consta que na Casa da Democracia se come muito bem e a preços módicos. Talvez por esse motivo, é-nos relatado aqui que se verificou um "aumento inusitado de utentes" no acesso ao refeitório do Parlamento, o que obrigou a Assembleia a estabelecer novas e severas regras de acesso. Estranho é que a Assembleia não tenha simplesmente aplicado a velha lei da oferta e da procura, segundo a qual quando um bem é muito procurado, sobe-se o respectivo preço. Aqui o preço mantém-se, mas restringe-se o acesso aos utentes. Este comportamento do Parlamento totalmente contrário à lógica do mercado é espantoso nos dias de hoje, em que os mercados são reis e senhores. Como já aqui se ensaiou, é necessário realizar rapidamente um inquérito parlamentar em ordem a esclarecer esta inusitada alteração às regras do refeitório. Afinal, como diz o povo, ou comem todos ou haja moralidade.

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As canções do século (1551)

por Pedro Correia, em 31.03.14

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Blogue da semana

por José Gomes André, em 30.03.14

N'O Diplomata, Alexandre Guerra continua a fazer um trabalho notável de análise das grandes questões na área das Relações Internacionais. Deixo como exemplo um notável texto sobre a Rússia, a partir de uma comparação entre Ivan "O Grande" e Vladimir Putin. É o blogue da semana.

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[pub.]

por Pedro Correia, em 30.03.14

 

Fotografia tirada hoje na Livraria Barata (Avenida de Roma, Lisboa)

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 30.03.14

 

«Em 2001 Adolfo Suárez perdeu a mulher, em 2004 perdeu uma filha.
Para as tratar na doença hipotecou uma casa que tinha em Ávila, sua cidade natal.
Recusou qualquer benesse e não quis receber qualquer reforma pelos anos em que exerceu o poder político.
Vivia da advocacia.
Quantos se podem orgulhar disto?
Há uma grande diferença entre os homens de corpo inteiro e a praga de pigmeus que invadiu a política.
Infelizmente, e para nosso mal, são estes últimos que dominam as instâncias do poder praticamente por todo o mundo (com as honrosas excepções que conhecemos).
E o que me desgosta mais é ver as lutas estúpidas e "pequeninas", motivadas apenas por razões ideológicas (e por falta de inteligência), que as facções da populaça mantêm acesa por todo o lado, também nos blogues: basta ver os comentários.
Como se não houvesse outra dimensão para os homens e para as coisas das nossas vidas, incluindo a política que nos governa.
Afinal, a qualidade das «elites» que nos comandam (nos mais variados níveis) resulta muito da qualidade dos comandados.
Nelsons Mandelas e Adolfos Suárez há poucos porque haverá poucos que os merecem?
Ou porque haverá poucos que os ajudam a florescer mesmo merecendo-os?»

 

Do nosso leitor António Pedro Pereira. A propósito deste meu texto.

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O casamento em anos de cão

por Patrícia Reis, em 30.03.14

O amor não é o dos romances, as senhoras não têm veias azuis e desmaiam, caem à cama com doenças do foro pulmonar.

Os homens não andam de chapéu, não frequentam uma tertúlia, não se levantam quando uma senhora entra na sala.

Alguns mantêm amantes. As mulheres também os têm.

Dito tudo isto, na verdade um pouco banal, podemos concluir que nos dias correm, um ano de casamento equivale a um ano de vida de cão.

Isto quer dizer que, apesar dos meus 43, tenho quase 70 de casada. Uma raridade? Sim.

Há dias, um miúdo dizia, no recreio, que o fulano X era bestial, "já foi meu pai". O outro miúdo pareceu aliviado.As segundas e terceiras famílias são outra banalidade.

A crise financeira implica connosco, com o tudo que existe nas suas vidas. A crise emocional é provocada por nós e por esta permanente vertigem em que vivemos: ligados ao telemóvel, ao site, ao blogue, ao facebook, ao twitter.

Um casal jantava, há uns dias, sozinho, num restaurante dito "da moda". Ambos de telemóvel na mão.

Pensei: bom, devem estar à espera da comida. O repasto chegou. A animação com os telemóveis continuou.

Lembrei-me então do livro de Luísa Costa Gomes, Ilusão ou o que lhe queiram chamar (D. Quixote). O protagonista tem duas famílias, sendo que uma é avatar, ou seja, vive num jogo chamado Second Life. Triste?

Não sei se a maioria das pessoas o sente com tristeza, tenho a certeza de que é um belo livro, isso tenho.

Estar casado e manter um casamento é exigente e mais difícil do que conseguir um emprego ou promoção (isto se quisermos entender por emprego qualquer tipo de emprego, claro está). Todos os dias temos de escolher amar aquela pessoa, mesmo que já não a possamos nem ver? Não, nada de tão dramático. O casamento que dura é aquele em que as duas pessoas não se abandonam. Virar costas é simples. Ficar é que é mais implicado.

Tem dias, se quiserem.

Dizia-me uma poetisa que tudo isto é uma consequência evidente da libertação das mulheres e ainda bem. Que os casamentos arranjados, que os casamentos de 50 anos com manadas de sapos por engolir já não existem. Não respondi. Os casamentos brancos, com manadas de sapos e outras espécies, ainda existem. A taxa de divórcio diiminuiu. Por causa da crise. Há mais queixas de abusos.

Há mais silêncios. Silêncios maus.

O bom silêncio? É para aqueles que não se esquecem de dizer tudo.

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Frases de 2014 (6)

por Pedro Correia, em 30.03.14

«Um dia destes não há um reformado que vote no PSD ou no CDS.»

Marques Mendes, ontem, no Jornal da Noite da SIC Notícias

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O beijo

por Rui Herbon, em 30.03.14

Está na parede, frente à cabeceira da cama de casal. Uma enorme reprodução, com moldura final e vidro anti-reflexo. O Beijo, de Gustav Klimt.

Ele sempre o quis ter à vista, na hora de deitar-se. Gosta das cores, das atitudes dos corpos, do que ele chama a submissão da mulher, ajoelhada com prazer ante as necessidades do seu amante.

Ela nunca conseguiu encontrar paixão alguma na postura da mulher, nem na expressão da sua cara, nem na maneira como tem os pés colocados, em extensão; o braço esquerdo, quase como se protegesse, tentando não receber o que ele lhe dá.

Nunca falavam do quadro. Ele dá por certo que ela o aprecia. Ela nunca revela os seus pensamentos quando o seu olhar pousa nele.

O quarto é cálido, cómodo, acolhedor. A cama imensa. Um foco suave envia o seu feixe directamente à pintura e, às vezes, é a única luz acesa naquele espaço.

Ouve-o chegar, entre sonhos. O ruído da porta, a chave ao fechar, desde dentro. Meio adormecida, reconhece a rotina dele, esvaziando os bolsos na mesinha da entrada, agarrando as cartas, abrindo os sobrescritos.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.03.14

 

Coros de A Rocha, de T. S. Eliot

Tradução de Maria Pacheco de Amorim e Sofia Costa e Silva

Poesia

(edição Tenacitas, 2014)

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Mudança de hora.

por Luís Menezes Leitão, em 30.03.14

 

Se há algo que eu detesto é esta disparatada mudança de hora, que não tem qualquer utilidade e é altamente prejudicial à saúde das pessoas, como esta notícia demonstra. Felizes os países que não alinham neste disparate de inventar uma hora de Verão no início da Primavera para depois voltar à hora de Inverno em pleno Outono. Até quando continuaremos a insistir numa coisa tão absurda?

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Cinco milhões

por Pedro Correia, em 30.03.14

Cinco anos cumpridos em Janeiro, cinco milhões de visitas assinalados agora: eis o DELITO DE OPINIÃO em números. Mas para nós, como dizia o outro, o mais importante são as pessoas. Obrigado a quem nos lê.

 

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As canções do século (1550)

por Pedro Correia, em 30.03.14

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Leituras

por Pedro Correia, em 29.03.14

 

«O simples facto de existirem milhões de livros é a prova inegável de que nenhum contém a verdade.»

Enrique Vila-Matas, Bartleby & Companhia (2000), p. 125

Ed. Teodolito, 2013 (2ª edição). Tradução de José Agostinho Baptista

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O candidato.

por Luís Menezes Leitão, em 29.03.14

 

Esta entrevista constitui a demonstração acabada para quem tivesse dúvidas de que Durão Barroso não quer outra coisa do que ser candidato a Belém, e que tem o apoio do actual Governo para lá chegar. Há muito que se viam sinais nesse sentido. Primeiro foram as contínuas peregrinações de Passos Coelho a Bruxelas ou às sucessivas homenagens que Barroso ia recebendo pela Europa. Depois foi a sucessiva ascensão de barrosistas no PSD e a sua inclusão no Governo, onde até o antigo chefe de gabinete de Barroso foi feito secretário de Estado e conservado depois do desastre comunicativo desta semana. E finalmente ocorreu a tentativa de rejeitar logo no Congresso a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, que este habilmente desmontou com uma intervenção que pode ter tocado o coração dos militantes mas manifestamente não conseguiu convencer Passos Coelho.

 

O problema de Durão Barroso é que o seu abandono em 2004 e a sua desastrada actuação na comissão europeia causou tão profunda irritação nos portugueses que ele sabe que não tem a mínima hipótese de ser eleito, mesmo com o apoio do PSD e do CDS. Ensaiou por isso uma estratégia simples. As sondagens demonstram que o PS vai vencer as próximas eleições, mas não terá maioria para governar. Como não é credível que o PS se alie ao PCP ou ao BE e com o CDS não deve ter condições para formar maioria, atento o previsível castigo que os pensionistas, seu eleitorado tradicional, lhe vão aplicar, resta apenas o PSD para formar governo com o PS. Ora, como se sabe que Passos Coelho não sobreviveria a uma derrota eleitoral, o que Durão está a dizer publicamente a António José Seguro é que neste momento, com os seus homens em lugares-chave, já tem o partido na mão e que oferece o apoio do PSD a um governo PS a troco de um apoio do PS nas presidenciais. Assim já conseguiria ser eleito como os exemplos históricos têm demonstrado em relação a um candidato apoiado pelos dois maiores partidos. Eanes teve 61% dos votos em 1976 e Soares 70% dos votos em 1991. Apoiado pelos dois maiores partidos, e até eventualmente pelo CDS, Durão Barroso teria seguramente muito menos votos, mas os suficientes para ser eleito. Aliás, já começou na entrevista a inverter o discurso, proclamando a sua paixão pelo país, a sua simpatia pelas classes sacrificadas e a declarar ter avisado Passos de que havia limites para esta política, tudo a contrastar com as suas anteriores declarações de que estaria o caldo entornado se o país não aplicasse as medidas de austeridade que lhe foram exigidas.

 

Resta saber apenas duas coisas: o que pensam do negócio que hoje é proposto por Barroso os militantes do PS e do PSD. Palpita-me que a resposta não vai ser do agrado dele.

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De aquém e de além troika

por Rui Herbon, em 29.03.14

 

 

Perante um certo jornalismo, que relata ou serve de simples partnaire ou muleta nos espaços de comentário, mas que não investiga nem questiona, e uma certa política, ou politiquice, mais preocupada em procurar pentelhos (como o João de Deus, de César Monteiro) que em discutir substância, certas expressões/proposições têm-se tornado axiomáticas, isto é, parecem não carecer de demonstração, quando na realidade se tratam de falácias. Uma delas, ir para além da troika, tem circulado pela linguagem política impávida e serena, sem que ninguém se dê ao trabalho, nem mesmo nos partidos da coligação, de desmontá-la cada vez que é usada. (Assim de repente, só Rodrigues dos Santos, no seu pas de deux com Sócrates, o tentou, com mais arquivos que preparação.)

 

A ideia de quem usa essa expressão, sobretudo gente ligada ao PS e como forma de se desligarem das consequências do Memorando de Entendimento (MdE) que subscreveram, de sacudirem a água do capote, é que o governo implementou mais medidas do que aquelas que estavam previstas. É verdade. Mas o compromisso de Portugal, exposto logo no início do MdE (nos objectivos da política orçamental) e repetido no primeiro ponto do detalhe de cada ano em que o programa vigora, é com um valor de défice, para o qual contribuiriam as medidas descritas. A relação do primeiro com as segundas é um "e" e não um "ou", ou seja, o cumprimento destas não desvincula do cumprimento daquele; portanto, se as medidas não fossem suficientes para alcançar o défice pretendido, haveria que encontrar outras. E das duas uma, ou o governo as tomava por sua iniciativa, como fez (se foram as mais adequadas ou não, é outro assunto e cada qual julgará), ou teria sido a troika, em cada avaliação, a impor as suas. Prefiro um governo que age, aproveitando a pouca soberania financeira que nos resta e arriscando-se a errar, a um que apenas reage (como o de Sócrates, com os sucessivos PECs rumo ao abismo) e espera cobardemente que as medidas lhe sejam impostas de fora para não se comprometer com nada.

 

Se o governo em algum dos anos em que o MdE vigorou tivesse obtido um défice orçamental significativamente abaixo daquele com que estávamos comprometidos, aí sim, teria ido (mal) além da troika. Assim, ao implementar mais medidas não fez senão tentar cumprir as metas definidas com os parceiros externos e subscritas por PS, PSD e CDS. O governo, mal ou bem, e sem ir para além da troika, governou. É, parece-me, o que se espera dele. Critique-se as opções, mas deixemo-nos de embustes.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.03.14

 

Ideias e Percursos da Direita Portuguesa

Coordenação de Riccardo Marchi

Ensaio político

(edição Texto, 2014)

"Este livro respeita a ortografia anterior ao novo Acordo Ortográfico de 1990"

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Parabéns a André Couto, beijos nossos

por Patrícia Reis, em 29.03.14

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As canções do século (1549)

por Pedro Correia, em 29.03.14

 

Dedicada ao André Couto

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Uma questão de (falta de) fé

por Pedro Correia, em 28.03.14

 

«Sair em direcção aos outros para chegar às periferias humanas não significa correr pelo mundo sem direcção nem sentido.»

Papa Francisco, na exortação apostólica A Alegria do Evangelho

 

Barack Obama, de visita ao Vaticano, pede ao mundo para "ouvir a voz do Papa". É um apelo desnecessário: o mundo escuta a voz de Francisco. O mundo católico, o mundo agnóstico, até o mundo ateu.

"O Bispo de Roma, que os cardeais encontraram no fim do mundo, verifica que a situação dos povos que se mantiveram mais ou menos ligados ao seu ministério não lhe deixa esquecer a que enfrentou na maior parte da sua vida de sacerdote", destaca Adriano Moreira.

O socialista Pedro Silva Pereira, também católico assumido, não esconde a sua admiração pelo argentino que "já logrou uma proeza notável: fez renascer a esperança na renovação da Igreja Católica".

Mário Soares, que nunca foi católico, confessa ter como "ídolo" o chefe da Igreja Católica.

Francisco Louçã, descrente em matéria religiosa, elogia a "clareza do discurso" do Sumo Pontífice e não tem dúvidas pelo menos nisto: "É um Papa alegre e não encontramos nele outro calculismo que não seja o da sinceridade."

Até a inabalável esquerda.net adverte: "Seria um erro que as forças progressistas ignorassem as mudanças no Vaticano."

 

Perante tudo isto, surpreende-me ainda hoje que em Março de 2013, quando a Assembleia da República aprovou um voto de saudação pela eleição do primeiro Papa não-europeu em 1200 anos, três forças políticas tenham recusado associar-se a esta congratulação: BE, PCP e Verdes. Uma recusa partilhada por seis deputados do PS, o que ainda mais me surpreende.

Foram 30 parlamentares no total -- alguns deles revelando mais intolerância pelo representante máximo da religião com maior número de fiéis do globo do que pelo ditador da Coreia do Norte.

Tanto mais surpreendente quanto o inócuo texto que recusaram aprovar se limitava a isto: "A Assembleia da República, reunida em sessão plenária, saúda o Estado do Vaticano, a Igreja Católica e todos os que professam a sua fé, pela eleição do novo sumo pontífice."

 

Todo o mundo é composto de mudança. Interrogo-me quantos de entre eles não estarão hoje arrependidos de não terem votado de outra maneira. Francisco -- o líder mundial mais procurado no Google e mais presente no Twitter, a mais influente personalidade do planeta segundo a Fortune, eleito Pessoa do Ano pela Time -- ensina que "os valores tendem sempre a reaparecer sob novas formas, e na realidade o ser humano renasceu muitas vezes de situações que pareciam irreversíveis".

Interrogo-me quantos deles não diriam hoje, como disse Obama no momento em que se avistaram: "É maravilhoso conhecê-lo. É uma grande honra. Sou um grande admirador seu. Muito obrigado por receber-me."

 

Foto: Saul Loeb

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.03.14

 

 

Mary Shelley, de Cathy Bernheim

Tradução de José Alfaro

Biografia

(edição Antígona, 2014)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 28.03.14

 

Elisa Sednaoui

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A repressão avança na Crimeia

por Pedro Correia, em 28.03.14

«The warning signs are clear. In Crimea, the crackdown is coming. But the repression won’t be televised.»

Salil Shetty, secretário-geral da Amnistia Internacional

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Fugiu-lhe a boca para a verdade ... (3)

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.03.14

"Sejam profissionais. Para que servem as dezenas de assessores, adjuntos, secretárias e chefes de gabinete que estão ao serviço do Governo e pagos com os nossos impostos? Trabalhem mais e melhor. Mas ainda mais importante, é a questão substantiva. O Governo tem problemas de comunicação porque tem dificuldades em falar a verdade. Prefere as meias verdades, os jogos de sombra, as medidas apresentadas aos bocados e mal explicadas, tudo especialidades do ministro Marques Guedes." - Económico

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Fugiu-lhe a boca para a verdade ... (2)

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.03.14

Durante o encontro, foi referido que os temas abordados e discutidos poderiam ser noticiados, mas sem serem atribuídos a nenhum responsável, apenas a fonte do Ministério das Finanças”, continua o comunicado. Os directores explicam que foi feito um acordo “em colectivo e na presença de todos, com o membro do Governo que convidou os jornalistas”.

Segundo esse acordo, os temas discutidos no encontro podiam começar a ser divulgados à meia-noite, sendo apenas atribuídos a “fonte do Ministério das finanças”. E assim foi, com o assunto a acabar por fazer manchete na maioria dos jornais que tinham sido convidados para o encontro." - Rádio Renascença

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Fugiu-lhe a boca para a verdade...

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.03.14

"Foi um membro do Governo – o secretário de Estado da Administração Pública, José Leite Martins – a divulgar a informação sobre novas regras que estão em estudo para as pensões. Informação essa que, depois de avançada pela imprensa, o primeiro-ministro e o ministro da Presidência disseram que, afinal, é especulação e manipulação." - Rádio Renascença

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As canções do século (1548)

por Pedro Correia, em 28.03.14

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De Portugal inteiro (99)

por Pedro Correia, em 28.03.14

Miguel Góis: Olhares e Opiniões (de Beja)

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Norte-coreanos obrigados a ter penteado igual ao líder.

 

(foto roubada ao Provas de Contacto)

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Nuno Júdice

por Patrícia Reis, em 27.03.14

Queria ser essa noite que te envolve; e
cobrir-te com o peso obscuro dos braços
que não se vêem. Um murmúrio
desceria de uma vegetação de palavras,
enrolando-se nos teus cabelos como
secretas folhas de hera num horizonte
de pálpebras. Deixarias que te olhasse
o fundo dos olhos, onde brilha
a imagem do amor.E sinto os teus dedos
soltarem-se da sombra, pedindo
o silêncio que antecede a madrugada.

in O Estado dos Campos

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O apoio ao negócio dos colchões*

por João André, em 27.03.14

E temos agora a senhora presidente do conselho das finanças públicas a propor taxar levantamentos. Eu não sei se ria se chore, porque a ideia é tão disparatada que só posso imaginar que ela tenha bebido uns copos valentes antes de abrir a boca. É que, sejam lá quais forem os favoritismos, taxismos, carreirismos e outros ismos, Teodora Cardoso tem que ser uma pessoa minimente inteligente para chegar onde está. Por outro lado sabemos que a ideia deste governo é ir desmantelando o estado (depois de espremer o que pode para pagar aos patrões de "lá fora") e uma tal taxa ia garantir a proliferação absoluta do liberalismo económico com os bancos a desaparecerem do mapa ou a serem utilizados apenas no estrangeiro e o resto das compras a serem feitas em dinheiro ou até em géneros, quiçá com novas moedas inventadas (dará jeito para quando nos chutarem para fora do euro e o novo escudo desvalorizar zimbabuéniamente) ou mesmo com bitcoins ou lusocoins.

 

Estou certamente a ser injusto. Teodora Cardoso viu apenas uma grande oportunidade para uma área de negócio que tem sido escandalosamente negligenciada por todos os governos. O fabrico de colchões. Venha a taxa. Seremos todos colchoneros (também têm o hábito de sofrer e ser governados por loucos).

 

*1º da série (que nem sequer sabia vir a ser uma série).

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Da falta de decência

por João André, em 27.03.14

«O problema é as pessoas estarem a consumir medicamentos a mais»

via José Simões.

 

Tempos houve quando o nosso primeiro-primeiro era o actual avisador-prefaciador e o país era mal gerido mas havia dinheiro a fundo perdido vindo dos confres europeus que acabou nos bolsos da Mercedes e BMW e afins e das construtoras europeias, tempos houve dizia eu em que um ministro (ou secretário de estado, perdoem-me a idade) disse uma piadita acerca de doentes de hemodiálise, uma piada que foi de mau gosto mas que toda a gente sabia ser uma piada e foi despedido. Nesses tempos em que já éramos mal governados (ou desgovernados) e já andávamos enganados pela propaganda europeia chegada pela agência de S. Bento da altura a gastar acima das nossas possibilidades, ainda havia uma aparência de decência que os membros do governo tinham que respeitar e ai de quem não o fizesse.

 

Hoje, com o cantador mentiroso a primeiro-segundo e o primeiro-vice-primeiro irrevogável no governo, temos os tipos vindos dos seguros de saúde com o objectivo de desmantelar tornar mais eficiente o serviço nacional de saúde a mandar bojardas para o ar e a dispararem conversas do tipo de andar a viver acima das suas possibilidades o que no caso dos medicamentos só pode querer dizer andar a viver e ponto final. Em tempos passados e nem assim há tanto tempo esta criatura teria sido despachada para de onde veio e provavelmente a seguir viria outra igualzinha nos objectivos e pensamento (heheh, piada) mas com mais decência fingir que se preocupava com as aparências. Assim sabemos de forma clara que sua excelência o ministro da saúde privada tem como úbico pbjectivo tratar-nos da saúde mas com a expressão a ser usada no seu sentido puramente figurativo e nunca literal porque para tratar da saúde no sentido liberal já existe a médis.

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Parte 1: CONTRA A REESTRUTURAÇÃO DA DÍVIDA

«Quem fala em reestruturação não sabe do que está a falar»

José Sócrates, no debate com Francisco Louçã (SIC, 10 de Maio de 2011):

«O que é que Francisco Louçã propõe para resolver o problema? Diz assim [na moção aprovada na convenção do BE]: "Vamos reestruturar a dívida." O que é que significa reestruturar a dívida? Reestruturar a dívida é um termo técnico. Isto significa não pagar parte da nossa dívida.»

(«Isso seria trágico para Portugal, engenheiro José Sócrates?», pergunta a moderadora, Clara de Sousa)

«Absolutamente trágico.»

(«Quais eram as consequências para o País?», insiste a jornalista)

«Isso significaria calote aos credores. Isso significaria, em primeiro lugar, Portugal passar imediatamente a fazer parte de um lote de países que não cumprem. Da lista negra. Isso significaria desde logo o colapso do sistema financeiro, porque nenhum dos nossos bancos, nenhuma das nossas grandes empresas, se poderia financiar. Isso teria consequências gravíssimas na nossa economia, nas empresas e nos trabalhadores. Pagaríamos isso com desemprego, com falências e com miséria. É por isso que essa proposta é absolutamente irresponsável. (...) A última vez que houve uma reestruturação da dívida foi na Argentina. E o que é que significou? Significou o seguinte: a Argentina tinha uma dívida de 100 e disse que só pagaria 70 ou 80, que não pagaria o resto. Isso significa uma falência.»

(«Em que circunstâncias admitiria a reestruturação da dívida?», pergunta Clara de Sousa)

«Em nenhuma circunstância. Reestruturar a dívida significaria um prejuízo absolutamente gigantesco e monumental para o nosso país. Reestruturar uma dívida significa pagar um preço em miséria, em desemprego e em falências. E pior que isso: significa pôr em causa o projecto europeu, pôr em causa a moeda única. É por isso que aqueles que falam em reestruturação da dívida não sabem do que estão a falar.»

 

 

Parte 2:  A FAVOR DA REESTRUTURAÇÃO DA DÍVIDA

«Manifesto pela reestruturação é correcto, eu apoio-o»

José Sócrates, entrevistado por José Rodrigues dos Santos (RTP, 23 de Março de 2014):

(«O senhor defendeu que não se fizesse a reestruturação da dívida», lembra o jornalista)

«Não. Eu falei do perdão da dívida.»

(Rodrigues dos Santos não desarma: «Perdão. Tenho aqui uma notícia de Maio de 2011: "Sócrates garante que em nenhuma circunstância pedirá a reestruturação da dívida. E afirmou que isso significaria o colapso financeiro do País, que seria pago com falências, desemprego e miséria, e significaria um calote aos credores".»)

«Eu afirmei isso num debate com o Francisco Louçã. Sabe o que o Bloco de Esquerda defendia?»

(«Defendia a reestruturação da dívida», diz o jornalista)

«Não! Não. Está muito enganado. E é daí que vem o equívoco. E é aí que você é levado ao engano. O Bloco de Esquerda defendia o perdão da dívida. Mais: defendia até que parte da dívida devia ser considerada ilegítima. Isto é: "parte da dívida, não a pagamos nem a reconhecemos". E é aí que eu digo: "Desculpe, isso não pode ser. Isso vai afundar o País e desacreditar o País." Não tem nada a ver com este manifesto [assinado, entre outros, por Francisco Louçã em defesa da reestruturação da dívida]. Essa é uma forma de enganar as pessoas! E pelos vistos também o enganaram a si... (...) Eu sempre fui contra o perdão da dívida. Sempre. Nessa altura como agora. (...) Sempre defendi que ao nível europeu devíamos ter uma política de mutualização da dívida, de baixa de juros e de aumento das amortizações. É isso que o manifesto defende. Vê que o próprio José Rodrigues dos Santos foi enganado? A isso chama-se desonestidade. Desonestidade na forma de discutir. Porque nós estamos a discutir o manifesto. Eu pronunciei-me sobre o manifesto. Disse: "o manifesto é correcto, eu apoio-o". Mas não está lá nenhum perdão da dívida, nos termos em que o Francisco Louçã defendia.»

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O final esperado

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.03.14

"China's Three Gorges Corp, which built the world's biggest hydropower scheme, has replaced its chairman and general manager, the company said, in the latest major reshuffle of a state-owned firm as the government steps up a fight on graft.

Some officials of Three Gorges, set up in 1993 to run the hydropower scheme, were guilty of nepotism, shady property deals and dodgy bidding procedures, the ruling Communist Party's anti-graft watchdog found in February.

The scandal has reignited public anger over the $59-billion dam, which was funded by a special levy paid by all citizens.

Chairman Cao Guangjing has been removed from his position and would be assigned another job, the company said in a statement on Tuesday. It named Cao's replacement as Lu Chun, but gave no further details." - NBCnews

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.03.14

 

 

Autobiografia, de Thomas Bernhard

Tradução de José A. Palma Caetano 

(edição Sistema Solar, 2014)

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Ucrânia: a irresponsabilidade europeia.

por Luís Menezes Leitão, em 27.03.14

 

Ao contrário do que sustenta o Pedro Correia, parece-me evidente, como aqui escrevi, que o comportamento da União Europeia na crise ucraniana foi de uma gigantesca irresponsabilidade, especialmente devido à excessiva influência alemã na Europa. Como é óbvio, tal não implica considerar que a Rússia não tenha sido agressora neste âmbito, mas quem conhecesse um mínimo de lógica geopolítica sabia que isso iria acontecer e poderia e deveria tê-lo evitado. É isso o que se faz todos os dias na arena internacional onde, por muito que gostássemos, as coisas não são a preto e branco, e todos sabem que não se pode alterar o status quo sem haver consequências, podendo as coisas ficar muito piores.

 

Kissinger referiu que, durante a presidência de Nixon, os EUA foram avisados pela URSS de que poderia haver um litígio com a China. Em linguagem diplomática, isso significa que preparavam uma guerra, tendo tido a imediata resposta de que os EUA não ficariam indiferentes perante um ataque à China, o que levou a que a guerra não tivesse ocorrido. Em 1990 Saddam Hussein perguntou à embaixadora dos EUA o que pensava de um litígio entre o Iraque e o Kuwait tendo tido como resposta de que os EUA não tinham opinião sobre litígios entre países árabes. Naturalmente que o Kuwait foi invadido e os EUA viram-se obrigados a travar uma guerra com muitos mais custos neste âmbito.

 

Hoje sabe-se que os EUA, depois da crise e com a presidência Obama, deixaram de estar disponíveis para ser o polícia do mundo. Sabe-se também que a dissolução da URSS criou um seriíssimo problema de populações russas espalhadas pelas antigas repúblicas soviéticas, cuja protecção foi assumida por Moscovo, e que têm vivido de forma mais ou menos autónoma em relação ao país onde estão. Quando em 2008 a Geórgia decidiu ocupar pela força as suas regiões da Ossétia do Sul e da Abkházia, de maioria russa, teve imediatamente uma invasão da Rússia, tendo ficado bem claro para todos que a Rússia não deixaria de agir em defesa das suas populações, estivessem elas onde estivessem. E argumentar que a maioria era outra antes das deportações da época soviética, como sucedia com os tártaros na Crimeia, é anunciar que pode haver novas deportações, agora de russos. Só que não é possível fazê-lo sem entrar em guerra com a Rússia, como esta já deixou bem claro.

 

Todos sabiam isto quando começou a crise ucraniana. Ora, Ianukovich podia ser um bandido, mas fora eleito democraticamente, com os votos das populações russas, podendo ter sido substituído nas eleições subsequentes. Apenas porque ele tomou a decisão de não assinar o acordo com a União Europeia, foi deposto num putsch à antiga, e substituído por um governo de extremistas, formado na Praça Maidan, que declarou ilegal o uso da língua russa no país. Como é óbvio, esta atitude poderia atirar a Ucrânia para a guerra civil, pois é claramente uma declaração de guerra aos russófonos, dizendo-lhe que os seus votos já não contam pois o governo passa a ser eleito na praça. Alguém imagina que as populações russas não reagiriam e que a Rússia ficaria quieta? Imagine-se o que teria sido se em Portugal em 1975 dissessem ao resto do país que os governos iam passar a ser formados por uma manifestação de extremistas no Terreiro do Paço. O norte do país não aceitaria e o leste da Ucrânia também hoje não o admite, como se vê por esta manifestação em Donetsk.

 

O bom senso implicaria que a União Europeia tivesse imediatamente dito que o novo governo não era reconhecido e que só assinaria o acordo de associação com um governo democraticamente eleito por todo o país. Foram a correr reconhecer o novo Governo, prometeram mundos e fundos aos novos governantes, e já assinaram o acordo, só que já não sabem com que Ucrânia. É por isso evidente que a actuação europeia foi de uma enorme irresponsabilidade. Se isso não desculpa a invasão russa, também não deve levar a que não se apurem as responsabilidades europeias por este desastre. Desastre de que ainda só vimos o princípio, pois parece-me que a procissão ainda vai no adro. 

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As canções do século (1547)

por Pedro Correia, em 27.03.14

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A lei alemã é que é boa

por Sérgio de Almeida Correia, em 26.03.14

"As greves em Portugal são só no sector público e particularmente no sector dos transportes"; "A nossa lei da greve é uma lei antiquada, imposta pelo Conselho da Revolução. A greve é fundamental, as pessoas devem ter direito à greve, mas não é por dá cá aquela palha."- Soares dos Santos, Rádio Renascença, 18 de Março de 2014

 

"Lufthansa em Portugal cancela quatro voos devido a greve na Alemanha" - Sic Notícias, 26 de Março de 2014

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Outra revolução...

por Helena Sacadura Cabral, em 26.03.14
Aos 77 anos, o capitão de Abril Otelo Saraiva de Carvalho confessou à agência Lusa que já fora desafiado a concorrer à Presidência da República, mas que só aceitaria o cargo se algo de espantoso acontecesse, com "uma mudança de regime que valha a pena".
O agora coronel na reforma gostava de "participar numa qualquer mudança efectiva do país" e até já propôs a reconstituição do MFA.
O PS procurou alicia-lo várias vezes, disse. Recebeu convites de altos dirigentes para ser cabeça de lista às eleições parlamentares, mas nunca aceitou, porque nunca quis hipotecar-se a nenhum partido, recordou.

Para Otelo, "os partidos sempre constituíram grupos de poder que lutam pelo poder, não em benefício de todo o povo, salvo medidas esporádicas, mas em benefício do próprio partido".

Ora aqui está a "notícia" que estava mesmo a faltar-nos no dealbar do mês de Abril e dos quarenta anos da Revolução dos cravos. Ele há com cada marau!

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Confundir agredido com agressor

por Pedro Correia, em 26.03.14

 

Leio hoje, num jornal diário português, um artigo que aponta o dedo acusador à União Europeia pelo actual conflito entre russos e ucranianos. Tudo se deveria, segundo o articulista, à "irresponsabilidade" dos dirigentes europeus, que pretendem alargar o limite das suas fronteiras orientais ao território ucraniano, despertando a compreensível ira de Moscovo. Como se a vontade de Vladimir Putin devesse sobrepor-se à decisão soberana do povo ucraniano, que deve ser o único a pronunciar-se nesta matéria.

Este texto, à semelhança de vários outros que tenho lido nas últimas semanas, pretende ser um eco do senso comum em questões internacionais, transformando a geopolítica em bússola orientadora. Que a Crimeia seja ocupada pela tropa russa como se fosse um tabuleiro de xadrez é um pormenor irrelevante em raciocínios deste tipo. Pensamento semelhante levou muitos a apoiar a invasão das Malvinas, em 1982, em sintonia com a repugnante ditadura militar argentina.

 

A Crimeia, no primeiro censo realizado no século XX, tinha ainda maioria de população tártara. Esta população foi alvo das maiores atrocidades -- incluindo deportações em massa -- tanto no período czarista como no estalinismo, abrindo caminho aos colonos eslavos que se apropriaram das suas terras e das suas casas.

Hoje há apenas 12% de tártaros na península. Os russos são 58%.
Ou seja: primeiro expulsam-se os habitantes autóctones; depois proclama-se o princípio da soberania com base num critério demográfico, etno-racial, que nos faz retroceder alguns séculos. Um pouco como aquele indivíduo que matou os pais e procurou depois invocar a sua condição de órfão como atenuante em tribunal.
É uma mistificação histórica, e uma inaceitável manipulação, fazer o que Putin faz: justificar a anexação da Crimeia para fazer coincidir poder estatal com nacionalidade, à semelhança do que sucedia no século XIX.

 

Se começamos a invocar tudo em nome dos sacrossantos "interesses estratégicos" -- que são sempre interpretados à luz da conveniência de quem agride -- acabaremos por justificar e até aplaudir a anexação de Gibraltar pelas força militar espanhola, por exemplo. Ou de Cuba pelos Estados Unidos, cujos "interesses estratégicos" não toleram um regime hostil a escassos 150km de distância da sua costa.
O paralelo não é descabido pois os EUA até têm uma base militar em território cubano (Guantánamo), tal como a Rússia tem uma base em território ucraniano (Sebastopol).

 

Não poupemos nas palavras: estamos perante um claro retrocesso civilizacional.
Neste caso há um agressor e um agredido.

O agredido é o estado ucraniano.

O agressor é Putin, que procura legitimar-se perante a opinião pública interna com este anacrónico exercício de musculatura, totalmente inaceitável.
Confundir agressor com agredido é abrir todas as portas à pura arbitrariedade, condenando o direito internacional a tornar-se letra morta.
É por este "novo mundo" que pugnamos? A minha resposta é clara e simples: não.

 

Foto: Serguei Ilnitsky/AFP

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Hasta siempre

por Pedro Correia, em 26.03.14

 

Espanha, comovida, despediu-se de Adolfo Suárez. Imagens da agência EFE, aqui.

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"Gorduras do Estado" (98)

por Pedro Correia, em 26.03.14

Presidente do Banco de Fomento vai ganhar mais de 13 mil euros

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Coincidências

por Teresa Ribeiro, em 26.03.14

Há algo de podre no reino da Dinamarca de baixo.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.03.14

 

 

Triunfo do Amor Português, de Mário Cláudio

Prefácio de Agustina Bessa-Luís

Ensaio

(reedição D. Quixote, 3ª edição, 2014)

"O autor escreve de acordo com a antiga ortografia"

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