Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Dois livros

por Helena Sacadura Cabral, em 31.01.14

 

 

Costumo ler dois livros em simultâneo. Há muito que o faço e por isso tornou-se um hábito.

Acabei de ler o "Doutor Glass", de Hjalmar Soderberg que é um belíssimo ensaio sobre a alma humana. Não é recente e foi considerado um livro muito bom. É-o de facto.
E já comecei outro, acabado de sair - tem dias -, intitulado "Jusqu'ici tout va mal", de Cecile Amar, uma especialista em faunos da política e que aqui se ocupa de Hollande, depois de já ter escrito sobre Ségolène Royal e Lionel Jospin.
Porquê este último? Porque, por motivos sentimentais, a França é, para mim, uma espécie de segunda pátria e o seu actual presidente constitui, aos meus olhos e parece que aos dele próprio, um verdadeiro enigma.
Se não, vejamos. A obra obra abre com a frase de Hollande "Vous me demandez qui je suis? Ça, c'est une question terrible...".
Será preciso dizer mais?!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Foi em 2 de Dezembro de 2011

por Sérgio de Almeida Correia, em 31.01.14

"A maioria parlamentar PSD/CDS-PP chumbou, esta sexta-feira, um projecto de resolução do Bloco de Esquerda que recomendava ao Governo medidas para desencorajar as "praxes violentas" e para apoiar os alunos vítimas dessas praxes.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Prognóstico antes do jogo

por Pedro Correia, em 31.01.14

 

Previsão minha: Marcelo Rebelo de Sousa será o primeiro a anunciar a candidatura à Presidência da República, condicionando todas as outras estratégias, à esquerda e à direita. Tão cedo quanto possível. Enquanto outros fazem que andam mas não andam, ele sabe o que quer. E quer que se saiba.

Mesmo que Cristo não desça à Terra.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Políticos no divã - 6

por Teresa Ribeiro, em 31.01.14

- Ele anda muito agitado, sr. doutor. Nem de noite sossega.

- Tem o sono agitado?

- Nem imagina. Ontem esteve toda a noite às voltas na cama a falar enquanto dormia.

- Conseguia perceber o que dizia?

- Dizia que a violência está à porta e mais umas coisas em francês, mas sabe como é, com aquela pronúncia que ele tem, eu não consegui perceber nada.

- Pois, estou a ver. Diga-lhe mas é para vir cá falar comigo.

- Já lhe disse, mas ele manda-me meter o Freud na gaveta e até já ameaçou defenestrar-me se insistisse na conversa.

- Defenestrá-la?!

- Sim, diz que é o que se faz aos traidores à Pátria.

- À Pátria?!

- Pois, doutor, às vezes põe-se a falar dele como se fosse a encarnação da Pátria.

- Como se fosse uma espécie de rei sol...

- Não, que esse era absolutista e o meu marido sempre foi um defensor das amplas liberdades.

- Tem razão. Em todo o caso diria que ele se vê como uma figura patriarcal?

- Sim, uma figura tutelar.

- Icónica.

- Isso.

- Por que não o convence a passar uma temporada em Nafarros, a ver se acalma?

- Não quer, diz que primeiro tem que libertar Portugal da austeridade.

- E como é que ele pretende fazer isso?

- Diz que vai agitar o povo, incendiar o país, levar o governo e o presidente à demissão.

(coça a cabeça) - Bem...

(levanta-se, abre um armário de onde retira um pacote que estende à sua interlocutora)

- Se ele piorar muito, pode usar isto.

- O que é?

- Um colete de forças.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Primeiro em busca de uma imagem cool, depois mais ou menos forçadas umas pelas outras (a concorrência é coisa boa), as operadoras móveis de telecomunicações vêm desempenhando um papel importante na divulgação da música pop/rock nacional, seja através do apoio a festivais de Verão, seja através de projectos menos óbvios, de onde se destacam estações de rádio (Vodafone e Meo Sudoeste) e o apoio directo à produção e distribuição de álbuns (Optimus Discos). O último caso será o mais interessante, tendo dado origem a quase noventa álbuns desde 2009. We Will Destroy Each Other foi lançado em Março de 2013. É o primeiro trabalho de John Almeida, um inglês de quarenta anos (convenhamos: o título ligeirissimamente pessimista deixava entender que ele já abandonara a adolescência há uns tempos) descendente de portugueses, hoje a residir no Porto. Pode ser descarregado legal e gratuitamente no site da Optimus Discos. Enquanto lá estão, aproveitem para ouvir (e fazer dowload de) outros trabalhos. Depois voltem aqui que entretanto já deve haver posts novos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Frases de 2014 (1)

por Pedro Correia, em 31.01.14

"Há gente na RTP que não faz puto."

Alberto da Ponte, presidente do Conselho de Administração da RTP

Autoria e outros dados (tags, etc)

"Gorduras do Estado" (93)

por Pedro Correia, em 31.01.14

Estado garante 53,8% das receitas da empresa Espírito Santo Saúde

Autoria e outros dados (tags, etc)

Cá Por Casa

por Francisca Prieto, em 31.01.14

Uma mãe tem de ter muito arcaboiço para ouvir de um palerma de 11 anos “ai, mãe, que com essa carteira assim pela mão pareces uma saloia” e responder com toda a prontidão “olha, Manel Prieto, fica sabendo que esta tua mãe nem vestida de minhota, de faces coradas e a dançar o vira, algum dia vai parecer uma saloia, ouviste?”. Estes miúdos têm cá uma falta de noção.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 31.01.14

 

A Bibliotecária, de Logan Belle

Romance

Tradução de Victor Antunes

(edição Planeta, 2013)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Reuniões produtivas.

por Luís Menezes Leitão, em 31.01.14

 

Depois de todas as consequências trágicas provocadas pelas praxes, esperar-se-ia do Ministério da Educação uma reacção enérgica a disciplinar e a punir essas práticas, semelhante à que aqui defendi. O Ministro da Educação parece achar, no entanto, que o seu papel se limita a ser o de inventar exames absurdos aos professores, deixando os alunos totalmente em roda livre, independentemente de quais sejam as consequências para outros alunos envolvidos. Precisamente por isso no final da reunião limitou-se a proclamar o direito dos alunos a resistirem às praxes. Seria o mesmo que se o Ministro da Administração Interna, em lugar de usar a polícia para reprimir as agressões, tivesse dito que os agredidos tinham o direito de resistir. Entende o Ministro que o seu Ministério e as Universidades não têm a obrigação de garantir a segurança dos seus alunos? Não por acaso, foi esta a imagem que a Imprensa Falsa deu do resultado da reunião. Eu só pergunto como é que Nuno Crato ainda continua no Governo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Belles toujours

por Pedro Correia, em 31.01.14

 

Débora Nascimento

Autoria e outros dados (tags, etc)

As canções do século (1492)

por Pedro Correia, em 31.01.14

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ligação directa

por Pedro Correia, em 31.01.14

À Conversas de Bica.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Anacronismos

por Francisca Prieto, em 30.01.14

O cúmulo de se ser de antigamente é uma pessoa mandar vir o CD do concerto do Simon & Garfunkel no Central Park e dar por si no carro a gaguejar nas partes em que tinha o LP riscado.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Modelos de negócio no futebol

por João André, em 30.01.14

Quanto mais sigo o futebol europeu mais me convenço que existem 4 modelos de sucesso. A saber:

 

1. O clube com o bilionário que paga as extravagâncias (com ou sem equilíbrio financeiro posterior): Chelsea, PSG, Mónaco, Manchester City;

2. Os clubes ricos que são mais ou menos bem administrados e que (também) por via de serem bem sucedidos equilibram as contas: Manchester United, Real Madrid, Arsenal, Barcelona, Bayern de Munique, Juventus;

3. Os clubes que se baseiam em descobrir futuras vedetas noutros países e as tentam vender com lucro: Benfica, FC Porto, Udinese, Lyon, Sevilha;

4. Os clubes que tentam essencialmente formar os seus jogadores e que quando vão ao mercado preferem jogadores ainda muito jovens e pouco conhecidos: Ajax, Sporting, Atlético Bilbau, Feyenoord.

 

Os nomes referidos acima são essencialmente indicativos e não são herméticos. Há clubes que poderiam caber em mais que uma categoria (Arsenal e Barcelona, por exemplo). No entanto, e para este post, quero comentar essencialmente o modelo 3.

 

Este modelo interessa-me por ser aquele que o meu clube - Benfica - segue actualmente. É indiscutível que tem dado alguns bons frutos. No reinado de Jorge Jesus - que é um ás a valorizar jogadores e fraquinho a vencer troféus - deu para a venda por bom dinheiro de Coentrão, Ramires, di María, Javi García, David Luiz e agora Matić. Outro exemplo de sucesso (e ainda mais pronunciado) é o do FC Porto, com a venda de Falcao, Hulk, João Moutinho, etc. São modelos que têm dado para adquirir jogadores por 5 a 15 milhões para os vender a 20-35 milhões e pelo meio os jogadores contribuem bastante para a equipa. No papel são bons negócios.

 

Claro que têm problemas. Estão dependentes de agentes (Jorge Mendes à cabeça) e um dos problemas disto é que estes poderão exigir a compra de jogadores no máximo apenas medíocres como contrapartida (o cortejo de jogadores contratados pelo Benfica para serem emprestados e depois dispensados dá a volta ao Estádio). Por outro lado, se os jogadores forem bons mas não forem vendidos, o investimento não compensa em termos financeiros. Luisão, Cardozo e Gáitan podem ser bons jogadores, mas há anos que o Benfica tenta vendê-los com lucro e não consegue.

 

Disto resulta que os clubes com o modelo 3 vivem dentro de uma bolha. Por vezes é inflaccionada (não se consegue vender o jogador), noutras alturas é reduzida (o jogador dá um bom lucro). O problema das bolhas é que, de tempos a tempos, rebentam. Para tal bastam normalmente pequenos percalços. O clube pode passar demasiado tempo à espera de vender os jogadores (e entretanto compra outros); os clubes que pagam as fortunas passam por um período de menor liquidez (como quando esperam pelos novos contratos televisivos); ou, e aqui há o risco actual, quando regras externas entram em vigor com o fim de limitar os gastos excessivos - o famoso fair play financeiro da UEFA.

 

Actualmente não se sabe muito bem o efeito que terá porque a própria UEFA ainda não esclareceu certos aspectos. Por outro lado fica por saber se a UEFA teria coragem de negar a entrada a um Chelsea ou a um Milão (dois clubes a tentar cumprir as regras). No entanto, assumindo que as regras são estabelecidas e cumpridas e que clubes que vivem à base do sugar daddy têm mesmo que limitar gastos ou ser excluídos, os clubes dom o 3º modelo arriscam-se a ficar com activos desvalorizados nas mãos.

 

Os jogadores que compram têm-se vindo a tornar cada vez mais caros porque os clubes vendedores (normalmente da América do Sul) sabem que eles são depois retransferidos a valores que aumentam constantemente. Isso significa que ao comprarem um jogador em 2014 por um valor que será substancialmente superior aos de 2012, os clubes "3" esperam também que o valor de revenda em 2016 seja também superior ao de 2013. Caso isso não suceda por razões externas, os clubes perdem dinheiro muito depressa.

 

E é nessa corda bamba que clubes como o Benfica e o FC Porto caminham. O FC Porto menos porque é indubitavelmente melhor organizado, mas também está sujeito ao risco. Nesses momentos veremos os clubes do modelo 4 a reemergir, porque a queda na valorização dos jogadores os afectará menos, já que gastaram também menos a comprar ou simplesmente nada a treinar.

 

Não sou - longe disso - um oráculo de futebol. Espero até que esteja enganado, para bem do Benfica - e, vá lá, do FC Porto, a bem do desporto português. No entanto não posso deixar de pensar que se o Sporting mantiver o caminho que trilha actualmente, será a breve prazo o dominador do futebol português por uns anos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Apesar de Laura Mvula ser praticamente desconhecida, o álbum era aguardado com alguma expectativa, circunstância que, no mundo actual de consumo rápido e opiniões ainda mais rápidas e definitivas, constituía tanto uma vantagem como uma ameaça. Sing to the Moon não desilude. Arrasta-se ligeiramente num par de ocasiões, como se, ao primeiro trabalho de longa duração, Mvula ainda não tivesse conseguido separar totalmente o acessório do essencial, os pontos em que já é forte (quando transmite ritmo e energia positiva) daqueles em que deve melhorar (quando aponta a canções intimistas, mais afastadas dos hinos gospel executados pelos coros em que participou), mas nem por isso deixa de merecer destaque entre os lançamentos de 2013. Este tema, Green Garden, é talvez o mais infecciosamente optimista que ouvi no ano passado.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um doutor entre senhores

por Pedro Correia, em 30.01.14

 

Ouço uma personalidade com presença assídua nos ecrãs televisivos referir-se a várias figuras europeias. É curioso: são todas "senhoras" ou "senhores": os graus académicos -- correctos ou incorrectos -- tão em vigor entre nós desaparecem mal aludimos a gente de além-fronteiras. Mas subitamente a referida personalidade alude ao presidente da Comissão Europeia em termos diferentes dos utilizados para Angela Merkel, Van Rompuy, Mario Draghi, Martin Schultz ou François Hollande -- chamando-lhe "doutor Durão Barroso". Imporia a mais elementar uniformidade de critérios que, no caso de Barroso, o "doutor" desse lugar ao "senhor" reservado para todos os outros. Mas não: mesmo residente em Bruxelas, o presidente da Comissão Europeia continua a ter direito ao respeitinho lusitano.

Doutor é só ele. Senhores são todos os outros.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Para os lados de Massamá os panchões são de estalo

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.01.14

"Tal como na China, o Novo Ano Lunar é celebrado em Portugal, ilustrando claramente os importantes laços que nos unem e a riqueza da nossa diversidade" - Passos Coelho, mensagem alusiva ao Novo Ano Lunar do Cavalo enviada ao Consulado-Geral de Portugal em Macau

 

E onde é que estão os "lai see" (利市/利是) para os portugueses? Ou estes são só para o dr. Catroga e os seus amigos da EDP e da REN? E a tolerância de ponto do dia 30? E o feriado do último dia do Ano Lunar da Cobra? E os feriados do segundo e terceiro dia do Novo Ano Lunar do Cavalo? E as férias judiciais do último dia do Ano Lunar até ao sexto do Novo Ano Lunar? A EDP já dá esses dias aos seus trabalhadores? Em Portugal as escolas também encerram? É o líder da JSD quem anda a aconselhá-lo? O dr. Portas sabe que o senhor anda a escrever estas pérolas? É em Massamá que os portugueses costumam celebrar? O senhor estará a pensar tirar um mestrado em Pequim? O senhor sabe o que é a seriedade na política?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Postais do Meu País Improvável

por Francisca Prieto, em 30.01.14

Um dia, num hotel do meu pais improvável, chegou um rapaz que, pela incompreensibilidade do discurso, se supôs ou provir de um reino distante, ou ser louco. À cautela, informaram-no da diária. Dormida por uns tantos euros, incluíndo a pernoita do cão.

O rapaz levou a mão ao bolso das calças andrajosas e retirou um maço de notas. O suficiente para acautelar a despesa. Mais do que suficiente para intrigar quem o recebeu.

Durante várias jornadas, à hora da refeição, dirigiu-se ao restaurante e apontou para a ementa. O pedido repetiu-se dia após dia: um prato de frango, com guarnição à parte. O cão comia a carne, ele alimentava-se da guarnição.

Ao fim de uma temporada, numa viatura de gabarito incontestável, chegou ao hotel um senhor de fato escuro. Acertaram-se as últimas contas e, rapaz e cão, entraram para o carro com um aceno de despedida. Pelo que se percebeu, o senhor era motorista, chauffeur à antiga. De resto, não se percebeu mais nada.

Autoria e outros dados (tags, etc)

realidade versus ficção

por Patrícia Reis, em 30.01.14

De uma forma perigosa, a relidade confunde-se e supera a ficção.

Recolho histórias que são bizarras, absurdas, medonhas, de partir e congelar o coração.

Tudo isto para um livro que talvez venha a ser, ou nem por isso. Nunca se sabe.

A maioria das histórias não as posso escrever, a realidade tem um peso suplementar que não co-existirá bem no preto e branco. Há ideias que deveriam ser deixadas de lado, já sei. Mas sou tão teimosa que insisto.

Já nem digo:

 

Irra!

 

ou

 

Cruzes!

 

ou

 

Meu Deus!

 

Neste mundo onde agora me movo, como jornalista de investigação que, afinal, acho que não deixarei de ser, qualquer expressão de pasmo é inútil. Absolutamente inútil. Perguntam-me:

 

Mas andas a fazer o quê?

 

Posso garantir que ando pelos degraus do inferno. Se, um dia, o livro sair, contarei tudo, contarei mais. Agora não posso, não consigo. Estou de tal forma espantada e zangada que me sinto incapaz de discutir o Governo, as praxes, o Hollande, a bola, o fisco, os cortes, a troika, a imprensa, seja o que for. Há momentos na vida em que o prioritário é mesmo prioritário e resume-se a isto: sobreviver.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.01.14

 

A Cura, de Pedro Eiras

Romance

(edição Quidnovi, 2013)

"Por vontade expressa do autor, o texto respeita a grafia estabelecida pelo Acordo Ortográfico de 1945"

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Ler

por Pedro Correia, em 30.01.14

A realidade que era impossível. Do Luís Naves, no Fragmentário.

Do que não existe mas existiu sempre. Do Filipe Nunes Vicente, no Declínio e Queda.

Da vida. Do Luís Novaes Tito, n' A Barbearia do Sr. Luís.

A amnésia da praxe. De João Taborda da Gama, no Malomil.

Praxes positivas. Do João Ferreira Dias, n' A Morada dos Dias.

Cinco mitos em torno das praxes. Do Rui Bebiano, n' A Terceira Noite.

A praxe está morta. De Jorge Lopes de Carvalho, no Manual de Maus Costumes.

O medo do isolamento. De José Carlos Alexandre, n' A Destreza das Dúvidas.

A neve, esse fenómeno. De José Mário Ferreira de Almeida, na Quarta República.

A saudade. Do Luís de Aguiar Fernandes, n' A Mentira.

Balada da Emigração: para o meu pai. Da Helena Ferro de Gouveia, na Domadora de Camaleões.

Eu hoje acordei assim... Da Carla Hilário Quevedo, na Bomba Inteligente.

Ditadura etária. Do Pedro Rolo Duarte.

Erros de palmatória. De Maria do Rosário Pedreira, no Horas Extraordinárias.

A França num capacete. Do João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.

Luís Gaspar da Silva. De Francisco Seixas da Costa, no Duas ou Três Coisas.

Teófilo Braga, outro bluff. De Bruno Oliveira Santos, na Biblioteca.

O efeito perverso no culto a Eusébio. Do João Tunes, na Água Lisa.

À "tia" Argentina Santos. De Mafalda Arnauth, n' Onde Mora a Vida.

Autoria e outros dados (tags, etc)

As canções do século (1491)

por Pedro Correia, em 30.01.14

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (186)

por José António Abreu, em 29.01.14

Porto, 2010. O que está no chão merecia figurar neste site.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Uma questão de carácter

por Helena Sacadura Cabral, em 29.01.14
Julgo que sobre o caso Hollande  - sentimental, claro, porque o outro ainda está longe do fim - já tudo se disse. Mas com o assentar da poeira e com alguma frieza, julgo importante que sem personalizarmos muito, façamos algumas considerações sobre o que certas posições revelam do carácter de uma pessoa. 
O divórcio seja ele de um casamento ou de uma união de facto é sempre uma ruptura e esta é, por norma, fonte de dor. Por isso se espera que os seus intervenientes se comportem com a maior dignidade, quer haja ou não filhos. É um problema de respeito mútuo e um tributo aos anos passados em conjunto.
Apesar de Valerie Trierweiller não me ser pessoalmente simpática - confesso que me pareceram sempre de algum exibicionismo os beijos glamourosos dados publicamente a Hollande, em várias ocasiões -, a verdade é que esta mulher foi sujeita a uma humilhação pública tremenda. E um homem que sujeita uma mulher com quem vive há oito anos a esta humilhação terá tudo menos respeito por ela.
Ao que consta em França, deixou-a voltar ao apartamento que ambos haviam alugado em Paris, mas deu-lhe prazo de saída para arranjar casa própria. E parece que terá dado instruções para que, na vinda da Índia, Valerie já não gozasse das prerrogativas de segurança com que para lá foi. A ser verdade, mostra que, ao contrário do que diz, Hollande não é um homem normal. A maioria dos homens normais não se comportam assim, felizmente.
O Presidente francês arrogou-se ser o rei Sol e fazer o que muito bem entendeu. Saíram-lhe algumas contas furadas. Nem ele é rei, nem os franceses são parvos. Esta história, num tempo em que a sua popularidade é baixíssima, vai custar-lhe caro no eleitorado feminino. E eu compreendo, porque se fosse francesa consideraria, depois disto, que o carácter deste homem deixa muito a desejar...

Autoria e outros dados (tags, etc)

Para onde foram todas as flores?

por Pedro Correia, em 29.01.14

 

Leio os obituários -- em regra demasiado sucintos ou previsíveis -- na imprensa portuguesa de hoje sobre Pete Seeger, talvez o nome mais emblemático daquilo a que se convencionou chamar canção de protesto. Há homens cuja vida dava um filme: Seeger, agora falecido com quase 95 anos, é um desses homens. Mário Lopes presta-lhe justiça numa extensa peça que escapa aos lugares-comuns da circunstância, honrando por sua vez as melhores tradições do jornalismo cultural do Público. Um texto complementado por uma saborosa crónica de Nuno Pacheco, lembrando a actuação única do bardo da folk norte-americana em Lisboa, a 2 de Dezembro de 1983.

 

Há quem torça o nariz mal se escutam os primeiros acordes daquilo a que se convencionou chamar música de intervenção. Esquecendo que o nosso próprio Hino Nacional, tão vibrantemente entoado nos estádios de futebol, começou por ser um tema de protesto contra o Ultimato britânico de 1890. A Marselhesa tem origem semelhante. Exemplo de outro hino de protesto que resiste a todos os ventos e a todas as modas: Le Chant des Partisans, imortalizado por Yves Montand -- o mesmo que depois filmou em Hollywood uma fita fútil com Marilyn Monroe.

Grande parte da música popular dos nossos dias tem a sua raiz na "canção de protesto" -- de We Shall Overcome, popularizado precisamente por Pete Seeger, a The Times They Are A-Changing, de Bob Dylan, de Léo Ferré a Jacques Brel, sem esquecer os Beatles e os Pink Floyd.

Conheço poucas canções tão belas como Construção, de Chico Buarque -- sem dúvida um tema de protesto. Ou Cálice, da dupla Chico-Gilberto Gil. José Afonso, Sérgio Godinho, Fausto e Jorge Palma -- todos se celebrizaram por "músicas de intervenção". Mas nenhum parou aí. Cada um deles compôs também alguns dos temas de maior lirismo, maior sensibilidade e maior elevação artística que desde sempre se produziram na nossa língua. Para além de todos os rótulos, sempre redutores.

Como classificar, por exemplo, Endechas a Bárbara Escrava (José Afonso cantando Camões) ou Mesa (Sérgio Godinho cantando O'Neill)?
E haverá mais vibrante tema "de protesto", sem deixar de ser superlativo em lirismo, do que o sublime Fado de Peniche (Abandono, na versão oficial) gravado por Amália, com letra de David Mourão-Ferreira? A mesma Amália que também gravou Grândola, Vila Morena e a Trova do Vento que Passa...

 

A voz de Pete Seeger calou-se, mas continuará a haver sempre quem questione, a cantar, para onde foram todas as flores. Mesmo na mais triste de todas as noites, mesmo em tempo de servidão.

Isto anda sempre tudo muito mais ligado do que parece.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Políticos no divã - 5

por Teresa Ribeiro, em 29.01.14

- Bem sei, eu era um colérico, mas isso foi no passado. Agora estou muito zen.

- Paris fez-lhe bem.

- Ah, foi porreiro, pá. Paris, como disse Audrey Hepburn, "é sempre uma boa ideia" ou, como escreveu Hemingway, "é uma festa". Se os portugueses fizessem uma temporada lá, passava-lhes logo a depressão.

- Os portugueses infelizmente não têm dinheiro para esses luxos.

- Não têm dinheiro, não têm dinheiro. Acha que essa narrativa põe alguém para cima? Se não têm dinheiro não pagam. Toda a gente sabe que há dívidas que não é preciso pagar.

(tosse seca) - Por falar nisso, não me leve a mal mas já me deve umas quantas sessões.

- Ah, mas já nos estamos a desviar do assunto. Falava-lhe de Paris, não era?

- Pois e eu do dinheiro que me está a dever.

- Ahahah! Diga-me lá isso em inglês técnico que é para eu treinar.

- Para quem tirou o curso a um domingo quer-me parecer que está muito fluente é a engenharia financeira.

- (a irritar-se) O que é que quer dizer com isso? Não é lá muito ético estar a recordar-me algumas das campanhas negras que me levaram a ter que fazer psicanálise! Veja lá se não quer também mandar-me uma piadinha sobre o Freeport.

- Pelos vistos ainda temos que nos ocupar dessa sua mania da perseguição.

- (a crescer para ele) Mania da perseguição o caraças!

- Não cresça para mim. Lembre-se que eu conheço todos os seus pontos fracos.

- Eu sou um animal feroz, não tenho pontos fracos!!

- Ai não? (aproxima-se do ouvido e sussurra-lhe) És o comentador político com menor audiência na televisão!

- Nãaoooooooo!!!! 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Nós o povo

por João André, em 29.01.14

Eis um exemplo que deveríamos importar. Assim de repente consigo pensar logo numa série de nomes que adicionaria a uma petição semelhante, arriscava-me era que depois se tornassem juízes em causa própria.

 

Por outro lado, num mundo dos avatares inventados também é possível imaginar o governo a criar a petição para a expulsão de todos os reformados e desempregados do país.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Impacto do aborto na economia?

por Teresa Ribeiro, em 29.01.14

E eis como em duas penadas se reduz as mulheres à categoria de parideiras. Além de tolo, pois quando uma mulher quer abortar, aborta mesmo, este argumento não podia ser mais insultuoso.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ainda 2013 nuns quantos discos. 22: Woman, de Rhye.

por José António Abreu, em 29.01.14

Portanto o álbum chama-se Woman. Escutem um pouco, antes de prosseguirem a leitura. Já está? Não façam batota, cliquem no triangulozinho e aguardem – com o som ligado – cerca de um minuto antes de continuarem a ler. 1, 2, 3, ..., 30, ...,59, 60. OK, vamos lá. Não, não é a Sade. É – aqui vai – um gajo. Pois, já estavam à espera, depois de tanto suspense de má qualidade. Ah, já conheciam. Cambada de... pessoas bem informadas. Então para os três distraídos que passam pelo Delito nos dias em que não se esquecem de o fazer: os Rhye são um duo baseado em Los Angeles composto por um canadiano (o vocalista) e um dinamarquês. (Quem disse que a globalização não é uma coisa bonita?) Woman é o álbum de estreia e inclui algumas canções que soam um bocadinho menos a Sade do que esta. Numa ou noutra até se nota que o vocalista é um homem. Especialmente depois de já se saber.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Livros Que Deixei a Meio

por Francisca Prieto, em 29.01.14

 

 

Pelo-me por uma história em que não sei quem resolveu abrir uma livraria numa pequena aldeia de não sei onde.

Ora, tendo lido que esta "é uma obra-prima acerca do mundo dos livros, dos sonhos e das vicissitudes da vida, sob a forma de uma história envolvente e original", me atirei ao touro com toda a confiança. Aguentei-me à bronca até meio, mas quando a história, para além de mortalmente enfadonha, foi ensombrada por um fantasma, achei que era demais.

Dizem que autora ganhou o Booker. Deve ter sido no ano em que disputou a shortlist com a Danielle Steel.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.01.14

 

 

Pretérito Perfeito, de Raquel Serejo Martins

Romance

(edição Estampa, 2013)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Berlindes, mortos e diplomas

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.01.14

Confirma-se, pelo que se vê e ouve nesta curta entrevista, que o grau de exigência, rigor e responsabilidade do cavalheiro em matéria de "praxes" é idêntico à "liberdade" com que a universidade que dirige passou alguns diplomas. Ele só lá está mesmo por acaso. Foi um "acidente".

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Não me comprometam

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.01.14

 

Das decisões possíveis sobre a borrada que o PSD aprovou relativamente à co-adopção e à adopção por casais homossexuais, o Presidente da República optou pela mais cómoda: enviar o assunto para o Tribunal Constitucional. Ao fazê-lo, em vez de pura e simplesmente rejeitar o que lhe foi enviado, Cavaco Silva dá o sinal de que admite contemporizar com tal borrada, matando de vez o instituto do referendo. Não podendo despachar para "consideração superior" a apreciação política do que lhe foi proposto, atirou para os senhores juízes o ónus da apreciação jurídica, como se esta se pudesse sobrepor àquela e aliviar as suas dores. Ainda que lhe desse jeito confundir o seu papel com o do órgão de fiscalização da constitucionalidade, isso jamais acontecerá. A opinião pública não é tão estúpida quanto normalmente a pintam. No fim, o espírito de funcionário voltou a impor-se. E, com este, o Presidente da República assumiu definitivamente o estatuto de Américo Thomaz da democracia.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Incentivos

por José Maria Gui Pimentel, em 29.01.14

Costumo comentar que a economia, mais do que a ciência que estuda a "alocação eficiente dos recursos escassos", é a ciência que estuda os impacto dos incentivos. É esse o seu maior contributo para o conhecimento. E o texto abaixo ilustra não só um belo exemplo disso mesmo, como um que vemos aplicado inúmeras vezes no dia-a-dia:

 

Adam Smith's celebrated theory of the invisible hand is the idea that individual pursuit of self-interest promotes the greatest good for all. When reward depends primarily on absolute performance - the standard presumption in economics - individual choice does indeed turn out to be remarkably efficient. But when reward depends primarily on relative performance, as in hockey, the invisible hand breaks down.

 

Because a "good" school is an inescapably relative concept, each family's quest to provide a better education for its children has much in common with the athlete's quest for advantage. Families try to buy houses in the best school districts they can afford, yet when all families spend more, the result is merely to bid up the prices of those houses. Half of all children will still attend bottom-half schools.

 

(...) individuals can often increase the odds of promotion by working longer hours, but when others follow suit, everyone's promotion prospects remain roughly as before. The result is often a rat race in which all must work until 8 o'clock each evening merely to avoid falling behind.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

As canções do século (1490)

por Pedro Correia, em 29.01.14

Autoria e outros dados (tags, etc)

Eleições presidenciais.

por Luís Menezes Leitão, em 28.01.14

 

O falecimento hoje de Soares Carneiro, que os jornais apenas recordaram como o candidato presidencial de Sá Carneiro, constitui motivo para recordar os erros políticos que se pode ter na escolha dos candidatos às eleições presidenciais. Sá Carneiro era um político talentoso, mas cometeu um erro monumental quando escolheu Soares Carneiro como candidato, que nunca teria a mínima possibilidade de ser eleito. Consta que, depois de escolhido, o mesmo decidiu ir visitar Ramalho Eanes ao palácio de Belém para o avisar de que se iria candidatar contra ele. À saída cruza-se com Sousa e Castro, que também ia visitar Eanes. Eanes pergunta então a Sousa e Castro se já sabia quem era o candidato presidencial da AD. Sousa e Castro responde: "Não faço a mínima ideia, meu General". Eanes diz-lhe então: "Pois olhe que acabou de sair daqui agora". Sousa e Castro, perplexo, responde: "Então o meu General já está reeleito, como é por de mais evidente!". Era de facto evidente para todos excepto para Sá Carneiro, que respondia a quem o criticava pela sua escolha que de um mau candidato iria fazer um bom Presidente. O problema é que numa eleição presidencial por sufrágio universal não se vota por recomendação partidária. E só pode ser um bom Presidente aquele que conseguir ser eleito para o cargo.

 

Passos Coelho ignorou esta verdade elementar e resolveu fazer aprovar uma moção no PSD contra a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, num claro intuito de lançar Durão Barroso. A razão era a de temer a imprevisibilidade dos jogos políticos de Marcelo em Belém enquanto que Durão Barroso lhe daria a mesma tranquilidade que hoje lhe dá Cavaco Silva, que até foi capaz de dar seguimento ao mais disparatado referendo alguma vez proposto. A estratégia só peca por um pequeno pormenor não despiciendo: É que depois da sua saída precipitada para Bruxelas e dos desastrosos mandatos à frente da Comissão Europeia, Durão Barroso não tem qualquer hipótese de ganhar uma eleição presidencial nos tempos mais próximos.

 

Perante o ataque de Passos Coelho, Marcelo decidiu imediatamente pôr as cartas na mesa, anunciando a sua retirada da corrida e denunciando o óbvio: que Passos Coelho queria apoiar Durão Barroso. Lançado para o olho do furacão antes da altura que esperava, Durão percebeu que ia ser transformado no Soares Carneiro de Passos Coelho, pelo que fugiu a sete pés desse destino. Pelo contrário, Santana Lopes multiplicou ataques a Marcelo demonstrando que ainda não desistiu do seu velho sonho de ser candidato presidencial. Só que, depois do seu desastrado governo, as hipóteses de Santana ganhar ainda são menores do que as de Durão Barroso, para além de em Belém Santana Lopes ainda ser provavelmente mais imprevisível do que Marcelo Rebelo de Sousa.

 

Passos Coelho ficou assim de um momento para o outro sem candidato presidencial para o PSD, e com uma ridícula moção que no Congresso vai cair no vazio. Não admira por isso que tenha vindo a correr dar o dito por não dito, dizendo para quem quiser acreditar que nunca pensou em Marcelo Rebelo de Sousa quando falou num candidato "catavento de opiniões erráticas em função da mera mediatização gerada em torno do fenómeno político". Já Marcelo assumiu a divergência, anunciando que nem sequer vai ao Congresso, deixando Passos lá a falar sozinho. Marcelo colocou-se assim claramente ao lado da oposição interna a Passos Coelho, e tudo fará para o derrubar, contando que uma nova liderança do PSD lhe dê o apoio que exigiu para as presidenciais.

 

Temos então o seguinte resultado prático desta brilhante manobra de Passos Coelho: enquanto o PSD tritura sucessivos candidatos, António Costa iniciou já a campanha. Ou não foi isso o Prós & Contras de ontem?

Autoria e outros dados (tags, etc)

"Manchetes" sem notícias

por Pedro Correia, em 28.01.14

    

 

    

 

Um dos maiores grupos empresariais portugueses desencadeou hoje uma mega-operação publicitária na imprensa. Não com anúncios nas páginas interiores nem num destacável, mas ocupando grande parte de todas as primeiras páginas dos jornais -- incluindo os desportivos e os gratuitos. Esta campanha ocupa cerca de metade da mancha gráfica de todas as capas, tornando praticamente irrelevantes as manchetes noticiosas: a verdadeira "manchete" acaba por ser o anúncio de uma operadora de telefones móveis.

Dir-se-á que é uma boa notícia para as empresas jornalísticas, que andam carentes de receitas publicitárias. Sem dúvida. Mas é também mais um passo, subtil mas preocupante, nos constrangimentos à liberdade de imprensa -- na linha de outro que já aqui assinalei, em data muito recente.

Porque, no limite, basta um poderoso conglomerado empresarial reservar espaço publicitário em todas as primeiras páginas para suavizar ou anular o impacto das notícias, por mais acutilante que seja o seu conteúdo. O que acabará por constituir uma grave ameaça à liberdade editorial.

Eis um tema que justifica uma reflexão séria em todos os órgãos de informação. E também no conjunto da sociedade portuguesa. Antes que "arrastões" como o de hoje se banalizem e nos habituemos a ver anúncios de telemóveis, gasolineiras, bancos ou marcas de veículos onde só deviam vir notícias. Incomodem quem incomodarem, doam a quem doerem.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Punição e prevenção

por João André, em 28.01.14

Li estes textos do Paulo Pinto e concordo especialmente com um aspecto fundamental: aumentar as coimas de pouco serve. Como ele escreve, torna-se tudo um jogo de roleta: se as probabilidades de não se ser apanhado forem baixas, o aumento das coimas é pouco útil. Se forem elevadas, então até um valor baixo já serve.

 

Perante isto olho para o exemplo holandês. Os holandeses são dos condutores mais enervantes que conheço. Fazer sinal com o "pisca" é contra a religião de metade deles. Nas autoestradas têm como noção de distância de segurança em relação ao condutor da frente, o espaço onde caiba, no máximo, uma bicicleta (qualquer distância de segurança normal é apenas um espaço para se meterem). Em cruzamentos gostam de cortar curvas; etc, etc, etc.

 

Há um aspecto curioso, no entanto: há relativamente poucos acidentes. As razões para isso (a meu ver) prendem-se com 4 aspectos:

 

1. Velocidade. Os holandeses não ultrapassam os limites de velocidade. Quando vão na autoestrada e compressa talvez sigam a 10 km/h mais que o limite. São raros os aceleras.

2. Álcool. Não conduzem embriagados. Se estiverem sozinhos, não bebem. Se em grupo, seleccionam o BoB (aquele que não bebe) e esse fica abstémio.

3. Estradas. Os impostos de circulação são pesados (um Opel Corsa 1.3 a diesel custa cerca de 220 €/trimestre em imposto) e são usados para ter estradas impecáveis.

4. Automóveis. A inspecção é implacável e quando chega o período dela começam a chegar os e-mails e as cartas da garagem onde a fazemos e da DGV cá do sítio. Carros em mau estado são despachados.

 

E, voltando ao início, a probabilidade de se ser apanhado é relativamente elevada. Os radares são conhecidos, mas há tantos que se torna difícil escapar. Além disso, quando toda a gente conduz dentro dos limites e com a densidade automobilística do país, torna-se muito difícil ultrapassar os limites. Assim sendo, bastam coimas que começam nos 10 € (sim, dez euros) para excessos de velocidade relativamente baixos (até 10 km/h a mais, creio).

 

Claro que nada disto é simples. Exige investimento (não só em equipamento) e exige educação (as crianças são bombardeadas desde cedo). Portugal, apesar de tudo, tem vindo a melhorar dramaticamente desde há décadas. O caminho que falta fazer, no ntanto, não deveria ser pela via da punição. Antes pela da prevenção.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Desaforismo

por Francisca Prieto, em 28.01.14

O problema de se estar gorda é que tem de se ser muito mais porreira.

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

O que Nouriel Roubini disse sobre a crise em geral e Portugal em particular:

 

Julho de 2009

O pior da crise já está para trás: recessão acaba este ano.

 

Junho de 2011

Uma "tempestade perfeita" pode afectar a economia mundial a partir de 2013. (...) Dívidas da Grécia, da Irlanda e de Portugal precisam de ser reestruturadas o mais rápido possível. Adiar essa decisão pode resultar num processo de default mais desordenado.

 

Junho de 2011

A zona euro encaminha-se para uma ruptura, com a saída dos membros mais fracos, incluindo Portugal, com a actual abordagem à crise.

 

Setembro de 2011

Portugal e Grécia são os países da zona euro com maior probabilidade de abandonar a moeda única, podendo fazê-lo num horizonte de três a cinco anos.

 

Setembro de 2011

A zona euro é uma fonte de risco sistémico. Se existir uma situação de desordem na zona euro, será pior que o Lehman Brothers.

 

Março de 2012

A Grécia sairá da zona euro, talvez no início de 2013. Portugal também pode abandonar a moeda única.

 

Julho de 2012

Hipóteses de Portugal e Grécia saírem do euro é de 85%

 

Julho de 2012

Zona euro vai desmoronar-se dentro de seis meses

 

Setembro de 2013

Se o Tribunal Constitucional chumbar mais medidas no corte da despesa em Portugal, um segundo resgate pode ser inevitável.

 

Novembro de 2013

A dívida de Portugal precisará de uma reestruturação. A situação de Espanha é insustentável.

 

 

O que o mesmo especialista diz agora (teme-se o pior):

 

Janeiro de 2014

A zona euro já está no ponto de viragem no que toca à superação da crise das dívidas soberanas na região e os riscos de um país abandonar o euro são hoje menores. O pior da crise já passou.

 

Gravura: "quadradinho" do álbum Le Devin, de Astérix (Uderzo/Goscinny)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Como se diz que não há duas sem três e, pelo menos um par de vezes por ano, gosto de dar uso às velhas pérolas de sabedoria popular, vou começar este texto da mesma forma que comecei os dois anteriores: com um desabafo. Detesto o nome artístico desta rapariga. Tentar fazer carreira com base no nome próprio é de cantor pimba – ou da Beyoncé mas essa é um caso à parte e, de resto, toda a gente lhe conhece o apelido enquanto eu tive que pesquisar imenso para descobrir o de Márcia (Santos). Tem isto importância? Não. Sim. Não. Depende. Não devia ter. Se calhar não tem. Mas pronto. Rant over.

O melhor termo para descrever o segundo álbum de Márcia Santos – a partir de agora vou tratá-la assim – é «depurado». Tanto que, por vezes, tão habituados estamos a música pop demasiado produzida, parece faltar algo. Não falta. É «apenas» delicado (título de uma das canções), preciso, quase nada – passe o trocadilho básico – marcial. O tema deste vídeo conta com a participação de Samuel Úria, cujo álbum do ano passado não surgirá nesta série apenas porque recuso voltar a aumentar o número de entradas (tem o sublime título O Grande Medo do Pequeno Mundo e – amor com amor se paga e, eureka, ainda estamos em Janeiro e já despachei a quota de pérolas de sabedoria popular – inclui um dueto com Márcia Santos que, em primeira audição descuidada, cheguei a pensar basear-se na vida de António José Seguro). Informação acessória: Márcia Santos estará no Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, no dia 7 de Fevereiro, e na Casa da Música, no Porto, no dia 14 do mesmo mês.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 28.01.14

«Os putativos estadistas de esquerda, dentro e fora do PS, terão de responder ao enigma da tragédia nacional, que a esfinge da austeridade nos coloca: "dentro da zona euro, como está, sucumbiremos de agonia; fora da zona euro, implodiremos com estertor. Como sair daqui?" São as respostas concretas que alimentam uma liderança. A pose não chega. Seguro ainda não convence. E os outros? Alguém conhece as respostas de Costa, Louçã, Carvalho da Silva, entre outros, ao enigma de que depende o futuro de Portugal? O País pede à esquerda rigor, e não telegenia. Realismo, e não propaganda. O melhor será que os velhos e novos campeões da esquerda se concentrem na decifração do enigma, em vez de aumentarem ainda mais a autofagia nas suas hostes.»

Viriato Soromenho-Marques, no Diário de Notícias

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.01.14

 

 

A Invenção do Amor, de José Ovejero

Romance

Tradução de Fátima Alice Rocha

(edição Alfaguara, 2013)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

As canções do século (1489)

por Pedro Correia, em 28.01.14

Autoria e outros dados (tags, etc)

Modo de Vida (35)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 27.01.14

Filme de uma família, rodado em 1 de Dezembro de 1947, durante uma viagem à Serra da Estrela, e que me fez regressar às fotografias lá de casa, nas gavetas que só a minha avó abria, e que quase sempre tinham a Serra por cenário.  

Autoria e outros dados (tags, etc)

Podia Ser Literatura

por Francisca Prieto, em 27.01.14

Ela chama-se Paulina. Ele chama-se Leonardo. Amam-se.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Políticos no divã - 4

por Teresa Ribeiro, em 27.01.14

- Mas essas tendências revelaram-se a partir de quando?

- Assim que eu me recorde foi antes de partir para Bruxelas.

- Sabe-se que foi nessa altura que começou a usar a expressão, mas provavelmente o seu fetiche tem uma origem mais remota.

- Refere-se ao meu período maoísta? Não creio. Apesar de esquerdista não era nada espartano, de modo que a tanga como metáfora do meu ideário socio-político de então não era nada que me entusiasmasse.

- Resta-nos nesse caso uma leitura estritamente freudiana dessa sua fixação. Além da Merkel mais alguém o surpreendeu de tanga?

- Que eu saiba só a Manuela Ferreira Leite, no dia em que anunciei que tinha aceite o convite da Comissão Europeia.

- (entredentes) Hum... Merkel e Ferreira Leite, não por acaso duas figuras femininas, maternais...

- Nessa ocasião fiquei tão eufórico que comecei a rasgar a roupa à saída de uma reunião que tivemos os dois, mas a Ferreira Leite, muito aflita, começou logo a tapar-me com a pasta das Finanças e nais ninguém me viu. Mais tarde, por ocasião da Cimeira das Lajes, tive uma recaída e fui surpreendido em trajes menores por dois assessores, junto a um farol. 

(cogitando de si para si) - Farol, um símbolo fálico... Hum... isto anda mesmo tudo ligado. 

- Acha que consigo superar isto antes que se defina o meu futuro, doutor?

- Bom, a ver vamos. Até lá, procure ser discreto, não faça ondas com a Merkel.

- Esteja descansado, doutor, eu com a Merkel nunca faço ondas. Estou decidido a continuar a minha carreira lá fora, mas... (ruboriza-se) confesso que por um lado tenho pena de desistir da corrida para a presidência da República. (remexe-se, nervoso) A ideia de chefiar um país de tanga... EXCITA-ME!!

- Vá, vá, por hoje terminámos. Não se esqueça é de tomar os comprimidos!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Política na parede

por Pedro Correia, em 27.01.14

 

Lisboa, Avenida Duque de Loulé

Autoria e outros dados (tags, etc)

Actores que decidem começar a cantar profissionalmente são uma das coisas mais irritantes que há. Sendo que o inverso é igualmente mau. (For the record, a lista de coisas que me irritam é apenas um tudo-nada mais curta que a lista de promessas quebradas pelos políticos portugueses desde a época em que Dom Afonso Henriques ainda levava palmadas da mãe.) A minha convicção a este respeito é tão forte que não vale a pena mencionarem exemplos que imaginam provar o contrário: obrigar-me-iam a escarnecer da maioria e a ignorar os restantes. Excepções são excepções e fiquemos por aí.

Clarificado este ponto, devo dizer que gosto de Hugh Laurie, até mesmo quando canta. Já gostava quando ele se limitava a temas de candente humor cínico vindos da época do programa Fry & Laurie e gosto agora, que decidiu dedicar-se aos blues. Gosto porque se nota que é um fã genuíno e porque mantém uma faceta de auto-derisão (repare-se no início do vídeo – e atenção à ortografia) que torna difícil acusá-lo de inconsciência ou pretensiosismo, mesmo sabendo-se que nasceu em Oxford, Reino Unido, um sítio tão ligado à comunidade negra do Sul dos Estados Unidos como eu estou ligado à Charlize Theron. Que é como quem diz: fisicamente nenhuma relação, espiritualmente tudo é possível.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pág. 1/7





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D