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Aparições

por Rui Rocha, em 31.10.13

Maduro garante ter visto a cara de Chávez numa parede em Caracas. Já eu estava capaz de jurar que vi a cara de Paulo Portas no doodle de Halloween do Google:

 

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Happy Halloween

por Rui Rocha, em 31.10.13

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Aforismos políticos (86)

por Pedro Correia, em 31.10.13

 

Quanto mais depressa se caminha, menos longe se chega.

 

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Isto não vai lá com falinhas mansas e estamos no fio da navalha.

Manuel Maria Carrilho, hoje, no Diário de Notícias.

 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (100)

por Pedro Correia, em 31.10.13

 Mensário Jornal das Cortes, de Cortes (Leiria)

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Sim, o Estado que se reforme!

por Fernando Sousa, em 31.10.13

Boa notícia, boa notícia, seria, não a reforma do Estado, mas a sua aposentação; já fez o que tinha a fazer, podia vestir o roupão, calçar os chinelos de quarto e passar o resto dos seus dias a ver telenovelas. Esta também é só para reflectir. 

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Livros de Cabeceira (12)

por João André, em 31.10.13

 

Não tenho mesa de cabeceira, o que estraga um pouco o sentido da ideia, mas gosto de ler na cama. Na fotografia acima falta o telemóvel (foi usado para a fotografia) onde costumo também fazer algumas leituras (jornais e alguns e-books), mas está o essencial domonte ao lado da cama. Está também o candeeiro e a ficha onde o candeeiro e o carregador do telemóvel vão buscar a energia. Vamos aos livros:

 

Está obviamente o livro de que falei há pouco tempo e que vou lendo, bem como Europe's Tragedy, de Peter H. Wilson, que também referi. Tenho também A Máquina de Fazer Espanhóis, de Valter Hugo Mãe, que decidi contrariar usando maiúsculas. Por acaso tenho lá um livro para o trabalho: Porous Ceramic and Metallic Microreactors, de Halil Can Aran. Trata-se da tese de doutoramento de um antigo colega e que estou a ler para ir refrescando conhecimentos de outras áreas. Espaço ainda para o futebol com The Blizzard, uma fanzine (que recomendo a qualquer pessoa que pense que Luís Freitas Lobo sabe escrever bem) com contribuições de alguns dos melhores escritores sobre futebol em língua inglesa (e não só) e cujas versões em e-book podem ser obtidas aqui com a contribuição que se entender. Confesso que nunca paguei menos de 5 libras. Tenho por fim a edição de Julho da National Geographic com um artigo dedicado à formação do sistema solar. A NG tem-se tornado um pouco sensacionalista nos últimos anos (especialmente o canal de televisão) mas ainda vai valendo a pena.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 31.10.13

 

O Sobrepeso do Estado em Portugal, de Miguel Cadilhe

Análise económica

(edição Arkheion, 2ª edição, 2013)

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O brainstorming da reforma do estado

por João André, em 31.10.13

Na empresa onde trabalho (indústria química) há de tempos a tempos um brainstorming (tem outro nome interno) subordinado a um tema escolhido antecipadamente. Durante o período definido para tal, os membros dessa jam podem lançar as suas ideias, com os motivos para a apresentarem, e uma indicação dos benefícios para a empresa, bem como porque razão faz sentido a empresa avançar com ela (experiência prévia, novos mercados, etc). No final, os temas mais votados pelos participantes e seleccionados por dois ou três painéis internos de especialistas e gestores acabam por receber uma dotação orçamental para serem desenvolvidos.

 

O Guião para a Reforma do Estado parece ter saído de uma sessão de brainstorming. O governo chegou ao pé dos seus funcionários, dos (sub)secretários de estado, dos especialistas, colaboradores, motoristas e quiçá empregadas de limpeza, e perguntou-lhes se teriam ideias para a reforma. O governo pegou nelas, decidiu-se por retirar aquelas que não fariam muito sentido (baixar o preço do Ajax limpa-vidros não fará muito sentido, suponho) e agora apresentou ao público em geral o apanhado.

 

O próximo passo será então a votação (eleições, claro) e a avaliação final pelo painel de especialistas e gestores (a troika tem mais gestores que especialistas, mas enfim). A diferença entre o Guião e o brainstorming aqui da casa é apenas e só uma: a segunda procura apenas uma ou duas ideias, as quais têm que estar subordinadas à estratégia da empresa; já o Guião para a Reforma do Estado acaba por ir pedir ideias que justifiquem a sua existência. O guiãozinho é portanto uma inutilidade absoluta, independentemente dos números de circo que sirvam para o apresentar.

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Nem bom vento nem bom casamento

por Pedro Correia, em 31.10.13

A "lufada de ar fresco" e o "novo ciclo de esperança para a Europa" que prometiam vir de Paris não passaram afinal de miragem para iludir incautos: com 73% de opiniões negativas, François Hollande é o chefe do Estado francês mais impopular desde que há registos. E até já vê a Frente Nacional, de Marine Le Pen, ultrapassar o seu Partido Socialista nas intenções de voto.

Nos dias que correm, o inquilino do Eliseu só pode transmitir más vibrações à son ami Tó Zé no Largo do Rato. Seguro vai ter de encontrar outra fonte de inspiração. Antes que se constipe com tanto ar fresco.

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As canções do século (1400)

por Pedro Correia, em 31.10.13

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Um biorritmo peculiar

por José Maria Gui Pimentel, em 30.10.13

Lembro-me de ter lido um artigo na Sábado – um raro bom artigo, hoje em dia – sobre as especificidades do sistema político português. Havia várias muito curiosas. Ficaram-me três na retina. A primeira o surgimento – e o rápido crescimento nos últimos anos – de ex-políticos (sendo que o prefixo “ex” é, naturalmente, questionável) como comentadores políticos, retirando protagonismo a jornalistas, politólogos, etc… A segunda dizia respeito à predisposição dos governantes portugueses para prestarem declarações sempre que fazem uma aparição pública, algo que não é normal no resto da Europa.

A terceira, e talvez mais curiosa, dessas particularidades portuguesas prendia-se com o peculiar biorritmo da nossa atividade política. Enquanto nos restantes países europeus – mesmo incluindo os chamados “países mediterrânicos” – os grandes anúncios políticos são feitos normalmente da parte da manhã, ficando o resto do dia para a análise dos comentadores, as reações dos vários intervenientes e até a reflexão dos cidadãos, em Portugal o prime time político ocorre já após o dia normal de trabalho, perto ou sobre a abertura dos telejornais. Lembro-me sempre desta peculiaridade do sistema quando surgem já ao fim do dia intervenções importantes do Primeiro-Ministro, da Ministra das Finanças, dos juízes do Tribunal Constitucional (da última vez que me lembro já passava das 20h30m), do Presidente da República ou, como foi o caso de hoje, do Vice-Primeiro-Ministro. Como se fosse às 20h que, qual coruja, o país tivesse o seu pico de actividade. É um sistema curioso, algo perverso, e que merecia um estudo sociológico Curiosamente, as únicas excepções a esta norma de que me recordo no passado recente são as avaliações da troikaet pour cause...

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Fotografias tiradas por aí (172)

por José António Abreu, em 30.10.13

Porto, 2006.

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Aforismos políticos (85)

por Pedro Correia, em 30.10.13

 

Em política, a tentação de tudo somar pode subtrair em vez de adicionar.

 

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Allah-o-Akbar!

por Fernando Sousa, em 30.10.13

O xeque Ali al Hemki, membro do Conselho dos Estudiosos da Arábia Saudita, emitiu uma fatwa, um decreto islâmico, proibindo as viagens a Marte, noticiou o jornal Ah Hayat, citado pela EFE - e o DN. Allah-o-Akbar! Quem comprou bilhetes, aconselho que os devolva. 

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Qual futuro?

por Teresa Ribeiro, em 30.10.13

Uns saem, outros ficam, mas não se multiplicam para que o mal de viver não cresça. O país começa a parecer-se com uma doença infecto-contagiosa.

Os demógrafos dizem que assim não há futuro.

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Ai, liberdade!

por Fernando Sousa, em 30.10.13

Sobre os riscos de pertencer a um clube - ou as vantagens de não pertencer a nenhum. Só para reflectir. 

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Sophia em acordês? Não, muito obrigado

por Pedro Correia, em 30.10.13

 

I

Entro na Livraria Barata, espreito os títulos nos escaparates. Atrai-me a atenção um livro de contos de Sophia de Mello Breyner Andresen, da Porto Editora, intitulado Quatro Contos Dispersos. Contos que não conheço. Tratando-se ainda por cima de um género literário que tanto aprecio, pego num exemplar. Já disposto a levá-lo.

Mas eis que uma campainha de alarme soa dentro de mim: consulto a ficha técnica desta obra, editada em 2012. Lá surge o aviso aos incautos: "Este livro respeita as regras do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa." Por outras palavras, muito menos eufemísticas: o livro vem redigido não como a autora o escreveu mas segundo as absurdas normas do pseudo-acordo ortográfico de 1990 que apenas a administração pública portuguesa aplica, felizmente ainda sem carácter obrigatório, e o resto do mundo lusófono ignora.

Esclarece a ficha técnica que os herdeiros de Sophia deram o necessário consentimento a esta edição, apesar das consoantes mutiladas. Algo que me deixa admirado, pois Miguel Sousa Tavares, um dos herdeiros da autora do Livro Sexto, é um dos mais notórios adversários do AOLP.

Poiso o livro, devolvendo-o ao seu lugar. Gosto muito da obra desta grande escritora, mas nem de borla levaria um volume que lhe desfigura a escrita. Ainda por cima com a chancela de uma editora cujo administrador e director editorial, Vasco Teixeira, se assume como crítico do convénio que se propôs "unificar" a grafia portuguesa sem ter atingido este objectivo, aliás indesejável.

 

II

Dirijo-me à secção de livros usados, na mesma livraria -- uma secção em expansão crescente pois há cada vez mais bibliotecas domésticas a desfazer-se na sequência de óbitos e divórcios e desentendimentos familiares de diversa ordem e dos efeitos da crise económica -- e descubro um exemplar da primeira edição d' O Secreto Adeus, o romance de estreia de Baptista-Bastos, faz agora precisamente meio século.

É uma das raras obras portuguesas de ficção centradas no jornalismo e numa redacção de jornal. Li-a há quase 30 anos, numa edição muito posterior a esta, que tem a nobre chancela da velha Portugália Editora e capa desenhada por João da Câmara Leme (1930-84), um dos nossos melhores ilustradores do século XX, também responsável pelo grafismo das edições originais de Felizmente Há Luar, de Luís Sttau Monteiro, Barranco de Cegos, de Alves Redol, e Apelo da Noite, de Vergílio Ferreira, entre tantas outras.

É uma edição em muito bom estado, integrada numa colecção então intitulada "novos romancistas", o que demonstra a velocidade de esgotamento deste género de rótulos. E traz, como atracção suplementar, um autógrafo do autor, datado de Junho de 1968 e dirigido a uma "confrade das letras", cujo nome menciona.

Nem hesito: trago comigo O Secreto Adeus (título de que sempre gostei). Custou-me 25 euros, preço módico atendendo à data da edição e ao autógrafo personalizado.

E com a vantagem suplementar de ter impressas todas as vogais e consoantes. Sem mutilações.

 

III

Lamento, caríssimos herdeiros de Sophia, mas tenho demasiada consideração pela autora dos Contos Exemplares para lê-la numa grafia que ela não escolheu nem certamente defenderia. Como nem o próprio editor defende.

Felizmente restam as edições antigas, cada vez mais disponíveis por aí. Felizmente também há ainda muitas editoras que resistem em render-se ao acordês, recusando perpetuar delitos de lesa-cultura em páginas impressas. Felizmente, neste ano de 2013, podemos ver Sophia bem reeditada. Abro a décima edição de Coral, por exemplo, lançada há poucos meses pela Assírio & Alvim (por ironia, pertencente ao grupo Porto Editora), escolho um poema ao acaso: "Nardo / Pesado e denso, / Opaco e branco, / Feito / De obscura respiração / E de nocturno embalo."

Assim mesmo. Sem a supressão de supostas consoantes mudas.

À memória de Sophia e daqueles que sabem respeitar o seu legado literário, aqui fica a calorosa homenagem deste leitor atento.

 

Leitura complementar:

Há males que vêm por bem

Como desperdiçar clientes em tempo de crise

Como desperdiçar clientes em tempo de crise (2)

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Saber ouvir...

por Helena Sacadura Cabral, em 30.10.13

A economista e professora Manuela Silva, que coordena o grupo Economia e Sociedade da Comissão Nacional Justiça e Paz, da Igreja Católica, concedeu ao jornal Público uma curiosa entrevista que pode ser lida aqui.


Muitas das suas sugestões deveriam ser pensadas pelo actual governo cuja navegação à vista tem trazido os resultados que se conhecem. Mas em Portugal dialogar, ouvir quem pensa diferente, questionar as próprias decisões, não são apanágio da "partidarite bacoca" que se apossou do que entendemos ser a democracia. E isto, infelizmente, aplica-se tanto ao governo como à oposição.

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Livros de cabeceira (11)

por Bandeira, em 30.10.13

Livros de cabeceira - Bandeira

 

Preferia não ter que me decidir.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.10.13

 

À Espera de Moby Dick, de Nuno Amado

Romance

(edição Oficina do Livro, 2012)

"Por vontade expressa do autor, o livro respeita a ortografia anterior ao actual acordo ortográfico"

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As canções do século (1399)

por Pedro Correia, em 30.10.13

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No país das maravilhas

por Pedro Correia, em 29.10.13

Bernardino Soares coliga-se em Loures com o PSD

 

Assunção Cristas não quer portugueses com mais de dois cães por apartamento

 

Chefe de gabinete de Rui Rio manteve carteira profissional de jornalista durante 12 anos

 

Mulher processa Santa Casa da Misericórdia de Lisboa por estar viciada em "raspadinha"

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Aforismos políticos (84)

por Pedro Correia, em 29.10.13

 

Liderar é saber adaptar o estilo de comando a cada situação.

 

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Da faca e do alguidar

por José Navarro de Andrade, em 29.10.13

2007

 

Sinopse:

Manuel Maria Carrilho testemunha sobre os meandros de uma campanha eleitoral que, com as suas inverdades, configuram um verdadeiro "arrastão político" exemplar no Portugal democrático.

2013

 

 

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A ver vamos

por jpt, em 29.10.13

(fotografia de Luís Abelard)

 

Blogar tem sido para mim, nesta última década, uma espécie de catarse, uma navegação de cabotagem, enfrentando os males meus e fruindo os bens alheios. Nos últimos tempos tenho procurado fazer do bloguismo, um pouco aqui no DO, mais ainda no ma-schamba, um refúgio, de coisas melhores face a horizontes difíceis. Algo que tentei aventar em 13 "futuro" que lá fui metendo. Mas esse "futuro" chegou entretanto, não tão inesperado assim. A situação é muito complicada. Não é tempo, não é espírito para bloguismos. Eu suspendo, voltarei quando desanuviar o país e se me aligeirar aquela alma na qual não creio. Um abraço aos opinadores aqui, que continuem nos seus delitos.

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Resistência activa ao aborto ortográfico (99)

por Pedro Correia, em 29.10.13

 

 

Quinzenário O Riachense, de Riachos (Ribatejo) 

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Até a escravatura tinha vantagens

por André Couto, em 29.10.13

 

O Expresso publicou um artigo sobre as vantagens de um estágio não remunerado. Narra a jornalista Maria Martins, num discurso positivo e entusiasmante, tipo televendas, que, entre outros aspectos, um estágio destes torna o estagiários "mais responsável", dá-lhe "melhor imagem" e proporciona-lhe uma experiência que "não tem preço". Quanto à perversão que isto representa, nem uma palavra. É este o discurso que vai grassando por aí, como cogumelos venenosos no bosque. Por trás de um estágio não remunerado está alguém que, pior do que não ser remunerado, paga para trabalhar e (sobre)vive privado de sustento. Está também um patrão que beneficia de mão de obra pela qual não paga, o que pode, em última análise, dispensar que contrate alguém. O vangloriar de soluções destas é um retrocesso civilizacional. Uma jornalista, parte de uma das classes mais exploradas nos dias que correm, devia pensar meia dúzia de vezes antes de fazer um texto daquele género.

Os escravos e as escravas, noutros séculos, também tinham vantagens: eram mais vigorosos fisicamente, mais atraentes e, para além disso, tinham uma vantagem relativamente aos escravos e às escravas modernos: davam-lhe casa e comida. Hoje nem isso.

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Reforma do Estado

por André Couto, em 29.10.13

Começou a sair o guião.

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Livros de cabeceira (10)

por Ivone Mendes da Silva, em 29.10.13

Sei ler mas não sei fotografar. Nem de máquina sou possuidora, daí que fui pedir emprestada. Para quê? Não sabes tirar fotografias. Lá expliquei da mesa-de-cabeceira e do blogue. Só te dás com gente estranha. Eu sei mas e a máquina, posso levá-la? Que sim e aqui está o resultado. Esclareço primeiro: eu que leio em todo o lado, o local onde menos leio é na cama. Deito-me madrugada alta e é mesmo para dormir, que já sei como me acordam as olheiras. O mais habitual é ler no canto do sofá e esse é infotografável pela desordem bibliófila que o ocupa. Mas tenho dias, melhor, tenho noites em que digo de mim para mim, majestática como convém nos solilóquios que se prezam: vou retirar-me. Agarro então num outro livro, que não o que esteja a ler, por uma qualquer razão que me salte ao caminho no momento. E esses volumes ocasionais empilham-se por lá, nas mesas, no chão, não era para fotografar o chão, pois não? Faço-lhes uma leitura entrecortada de algumas páginas benevolentes, demoro-os temporadas inteiras, esqueço-os, retorno-lhes. Começando a legenda: atrás, junto à parede e com um marcador timorense, está D. João III de Ana Isabel Buescu. O reinado de D. João III, sobretudo os últimos anos, de 55 a 57, ocupa muito espaço nas minhas leituras. Por cima, está Contemplação carinhosa da angústia, uma compilação de ensaios da Agustina, prefaciados por Pedro Mexia. É-se da Agustina como de uma religião, no chão estão outros, lidos e relidos. Em primeiro plano à direita está, por baixo, a Rayuela do Cortázar, que é como quem diz a tradução de Alberto Simões para a Cavalo de Ferro, O jogo do mundo. Nunca tinha lido Cortázar traduzido, fi-lo este Verão. Por cima, está um livro fininho, Amadeo de Mário Cláudio. Sobre Amadeo de Souza-Cardoso, uma beleza de texto. No topo, Rolando Teixo, o primeiro romance de Pedro Bidarra, que recomendo. À esquerda, por baixo há um caderno, também há uma caneta mas não se vê, vão ter de acreditar em mim que não sei tirar fotografias. Por cima do caderno, L’ imparfait du Présent – Pièces bréves, ensaios de Alain Finkielkraut para a colecção branca da Gallimard. A haste metálica que sai de dentro dos Tales of Mistery and Imagination pertence a uns óculos que estão praticamente partidos mas que ainda servem para ler. Levei o Poe para a mesa-de-cabeceira na semana passada mas já não sei precisar porquê. Ao lado há uma base onde pouso a chávena de chá que levo para comigo nas noites em que me retiro e, por detrás, há uma garrafa com água. Podia continuar na outra mesa-de-cabeceira mas achei que exagerava se a fotografasse também. Sou comedida, não quero exagerar.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.10.13

 

 

E Tudo Era Possível, de José Jorge Letria

Memórias

(edição Clube do Autor, 2013)

"Por vontade expressa do autor, a presente edição não segue as regras do Acordo Ortográfico de 1990"

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As canções do século (1398)

por Pedro Correia, em 29.10.13

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 29.10.13

AO Pravda Ilhéu.

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Pensões milionárias de sobrevivência

por Helena Sacadura Cabral, em 28.10.13

O Correio da Manhã noticia que dez pensionistas recebem prestações de sobrevivência que custam aos cofres da Segurança Social 893 mil euros por ano.
A ser verdade, e feita uma pequena conta de dividir, tal significaria que o/a sobrevivente casara e enviuvara de um verdadeiro “tubarão” salarial. Com efeito a viuvez permite que cada um destes pensionistas receba em média 89.300 euros anuais!

Há casos em que a viuvez parece compensar...

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Aforismos políticos (83)

por Pedro Correia, em 28.10.13

 

Quem tem força não precisa usá-la: basta exibi-la.

 

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Certamente que a teoria já foi explicada e assinada por alguém de renome, mas há muito digo que o problema das nossas frustrações em adultos reside nas histórias com que nos embalam em crianças. Aquela lengalenga do "e viveram felizes para sempre"/"fim", com base na parte encantadora da história e deixando por explicar como é que fizeram quando começaram a acordar gordos, sem base e com os olhos por limpar, quando passaram a ter de defecar com uma porta de madeira de permeio para a pessoa amada, como fizeram quando ficou evidente que ambos eram desprovidos de talento para a cozinha e as mães já não estão presentes, é algo assassino que não estamos preparados para gerir. "E agora?! Raios! A Cinderela limpava a casa e cozinhava como ninguém, e o Príncipe era cortês e sempre lindo de morrer..."
"E viveram felizes para sempre...?", "Au bout du conte", no título original, problematiza tudo isto, com um argumento inteligente e um leque de actores desprovido de estrelas, mas profundamente envolvidos na vivência das suas personagens, que encarnam como nenhum outro. No balanço isto é mais importante que ter visto Pitt ou Johansson.

Agnès Jaoui, a realizadora, é uma das intervenientes no filme, algo que adoro pois mantenho a ideia de que quando um realizador sai da cadeira, e vive o enredo, contagia os restantes.

Mas o que interessa é a forma feliz, ao bom estilo de Woody Allen, para quem gosta, como a narrativa se desenrola. Como a felicidade está ali ao lado e todos os guias de acção são úteis, menos os das histórias que nos ensinam em crianças, as quais marcam abundante presença simbólica no filme. A não perder!

PS. Infelizmente o livro não chega ao ponto de educar gentalha como o Manel, ou de ensinar como se lida com uma Senhora num casamento, ou mesmo depois dele.

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Reabertura da discussão sobre o AO?

por Helena Sacadura Cabral, em 28.10.13
A senadora Ana Amélia Lemos defende a reabertura das discussões, entre todas as nações lusófonas para a criação de um acordo que seja "fruto de um entendimento geral" e consensual em que nenhum dos países se sinta prejudicado.
Dois conceituados professores de língua portuguesa do Brasil reunir-se-ão, em novembro, em Lisboa, com representantes de Portugal, para avaliar a possibilidade de reabrir as discussões sobre o Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa, disse à Lusa fonte oficial brasileira.
De acordo com a parlamentar, o próximo passo será a reunião dos professores brasileiros Ernani Pimentel e Pasquale Cipro Neto com os representantes portugueses para avaliar se há disposição em reabrir o debate sobre o acordo.
Em Portugal, por sua vez, existe uma petição na Assembleia da República, pedindo que o país se retire do Acordo.
Os representantes brasileiros pretendem também manter contactos directos com representantes dos demais países lusófonos atraves de um site na internet e de um sistema de videoconferência para divulgar e receber sugestões "simplificadoras"..
"O nosso objetivo é simplificar e facilitar o acordo", observou a senadora, acrescentando que a comissão do Senado brasileiro se preocupa com o facto de o acordo não ter sido de todo consensual e ter gerado insatisfação nos restantes países lusófonos, o que ficou demonstrado com o facto de Angola ter assinado, mas não ratificado o documento.
A senadora defende assim a reabertura das discussões, entre todas as nações lusófonas, para a criação de um acordo que seja "fruto de um entendimento geral" e consensual para que nenhum dos países se sinta prejudicado.

Haja, enfim, esperança para todos aqueles que, como eu, entendem este acordo como uma forma espúria de unificar a língua portuguesa.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.10.13

 

Mildred Pierce, de James M. Cain

Romance

Tradução de Manuel Santos Marques

(reedição Objectiva, 2013)

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Livros de cabeceira (9)

por Fernando Sousa, em 28.10.13

 

Corto [Maltese]: “... tem de ser na primeira sexta-feira da lua. Compras uma fita azul de comprimento médio em nome da rapariga que amas... Dás um nó dizendo versículo 5 da surata 30, dita Dos Venezianos ou, se preferires, Dos Bizantinos... Mas não o apertes antes de recitares todo o versículo... Depois, amarras a fita no teu braço esquerdo, e, com esse braço, acaricias a rapariga que amas e... tudo correrá bem.” Cush [da tribo dos Beni Amer]: “E se ela não quiser que eu a acaricie?” Corto: “Então, arranja outra...” (O golpe de misericórdia, in As Etiópicas). Precisava de Corto Maltese depois de terminar "Meio Sol Amarelo" (Chimamanda Adichie) e antes de pegar na piada infinita de David Foster. Não levem a mal: Corto é culto. Voltamos sempre a ele. 

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As canções do século (1397)

por Pedro Correia, em 28.10.13

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Hannah Arendt

por Helena Sacadura Cabral, em 27.10.13

Confesso que estava receosa do filme ser muito violento, porque Eichmann foi alguém que atravessou a minha infância e simbolizou os delírios hegemónicos da Alemanha. Mas venceu a pressão familiar, a troco do meio bife no Café Império da minha juventude. Cedência contra cedência portanto, ou como dizem os meus colegas de profissão, um caso de win/win.

Gostei imenso da película. Talvez porque me relembrou a importância de "pensar" - tantas vezes esquecida ou mal entendida -, a intransigência, a dureza, enfim, o lado claro escuro da vida.

Hannah Arendt foi uma filósofa que obrigou a rever muito do pensamento da época em que viveu - só muito mais tarde seria devidamente apreciada - e que prova bem como julgar as pessoas fora do contexto em que cresceram e viveram pode ser injusto.

Não se trata apenas do julgamento de Eichmann, nem sequer da incompreensão de que esta mulher foi, durante muito tempo, vitima. Trata-se de algo muito mais profundo, e que pode resumir-se dizendo que se pretendeu, de facto, fazer um julgamento da História.

Um filme a não perder, sobretudo por todos aqueles que, como eu, são fiéis leitores de Arendt. Iria dizer seguidores. Mas seria exagero, porque tenho algumas divergências com o seu pensamento filosófico. Mas isso será matéria de que, um dia, quem sabe, talvez me venha aqui a ocupar.

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Lou Reed

por jpt, em 27.10.13

 

O meu álbum (palavra que hoje já não tem o sentido sensual, até heróico, que teve no tempo do vinil) é "Berlin". O meu poema é "Caroline Says" e tenho uma filha Carolina e só espero, ateu rezando, que não venha a ter nenhum alaska dela,

 

 

ao meu país e às pessoas que lá vegetam percebi-o, percebi-as, tontas e vagas, como o continuam, foda-se, bêbedo e ganzado (high, na iconologia de então), algures entre os Olivais, o Cais do Sodré e as Escadinhas do Duque, com moles de heterossexuais cantando em coros gritados , guitarra imaginária na mão, o "wild side" que nem

 

 

adivinhavam o que era, o que eram, sempre quase todos na mania de classificar tudo e todos (algo que depois vim a chamar topologia), no caso quem beijava quem, iletrados do que era o verdadeiro lado louco da vida. Cresci com alguns dólares na mão

 

 

sempre a gingar, em busca do "meu homem", consumindo o que chegava mas escapulindo-me aos xutos mas de forma a que ele não o soubesse. Veio, o Vicious, tocar a Cascais nos meus 14 anos, três horas e tal, atrasado por jogar flippers nos bastidores, acabando a épica sessão, Aquiles on the road,  sentado no palco

 

Voltou vezes outras, e já trintão tardio vi-o no Atlântico, eu em versão respeitável, sóbria, mana e sobrinhos a tiracolo. Chegaram os amigos, velhos como eu, e de súbito, ainda que o olhar maternal da mana culpabilizasse, regressei a puto naquilo dos psicotrópicos, talvez, talvez a última vez. Logo dei comigo na primeira fila, em pulos

 

 

ganzado como um puto. Hit me with a flower ... gritei.

 

Tinha 24 anos, homem feito, até doutor, nos tempos da tropa. Entrei no quarto, o ainda da minha adolescência. E retirei o último poster da parede, que ainda lá estava o do "Música e Som" do Lou Reed. Oh, you're right and I'm wrong, não o devia ter feito

 

 

I'm gonna miss you now that you're gone.

 

Foda-se, fiquei hoje, estupidamente, sozinho.

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Lou Reed, adeus aos 71 anos

por Patrícia Reis, em 27.10.13

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 27.10.13

«Os europeus vivem uma viragem de época: por outras palavras, já não podem viver como dantes. A Europa tem no estado social um dos pilares da sua identidade e do consenso social. "O Estado social não tem preço", diz-se. Mas o contrato intergeracional está ameaçado de ruptura. A resistência à reforma é a mais rápida via para o colapso. E, mesmo reduzido e racionalizado, o sistema não será sustentável sem crescimento. E não haverá crescimento sem outras reformas, cmo a do mercado de trabalho -- já efectiva nos países do Norte, mas ainda tabu nos países do Sul. O mito do "trabalho fixo para toda a vida" é uma fábrica de desemprego e um meio de segregar os jovens.»

Jorge Almeida Fernandes, Público

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Blogue da semana

por Laura Ramos, em 27.10.13

 
Já me calha outra vez o blogue da semana?! Como o tempo passa, veloz, e como eu gostaria, ao contrário do que é costume, que ele fosse ronceiro e vagaroso... assim, como a economia nacional. Pois bem: desta vez levo-vos ao le102blog, de Belladouce, Chris Noune e Joan, três livres recensoras de livros, filmes e conteúdos culturais em geral. E marquei-o (confesso) por causa deste post, que alude ao fim do Pariscope.  Talvez esta publicação já fosse quase inútil, eu sei, na era dos iphones e dos ipads. Mas sinto-me despojada, como se ainda o comprasse no quiosque da rue St.Antoine, todas as quartas feiras, religiosamente. Sempre enrolado na carteira, a jeito para os eternos dilemas do "O que fazer hoje à noite?" "Quando fecha a exposição da rue Soufflot?" "Que estação de metro tomar para aquele concerto?" Sim, o Pariscope fez parte da minha bagagem durante tanto tempo que me sinto assaltada, esbulhada, expropriada de um bem essencial. Talvez hoje seja difícil perceber o seu conceito revolucionário, agregando numa revistinha de formato A5, a preço muito módico, toda a informação cultural de Paris e arredores. Qualquer Agenda municipal, dirão, o faz também. Pois: décadas passadas, chegou cá a ideia e anda ainda tão mal copiada, hèlas, em tantos casos.
Agora, um tal Lagardère (nome de herói de filmes de capa e espada da minha infância cujos descendentes, pelos vistos, perderam pergaminhos na vida) vai acabar com esta e umas tantas outras edições do seu grupo.
Morreu um pequeno ícone. The economy, stupid.

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Traseiras

por jpt, em 27.10.13

Os tanques de lavar a roupa estão nas traseiras.

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Heróis de um mundo que já não há

por Pedro Correia, em 27.10.13

 

 

Não sei porquê, este diálogo vem-me com frequência à memória. É do filme A Última Fronteira (The Westerner, 1940), de William Wyler, e parece espantosamente simples e destituído de qualquer artificio. Mas tem vários níveis de leitura, além de revelar, só por si, um dos grandes atributos dos heróis do western – indivíduos de carácter, que preferiam ser donos do silêncio em vez de escravos das palavras. É, além disso, uma espécie de homenagem a Gary Cooper, uma das figuras míticas do cinema, que interpreta na perfeição o forasteiro deste filme – homem que alia o amor à terra a um indomável espírito de aventura, alguém de poucas falas e vistas largas, sempre em demanda de novos horizontes. Precisamente ao inverso dos políticos dos nossos dias.

A cena passa-se entre um juiz e Gary Cooper:

Juiz – De onde vens, forasteiro?

Gary Cooper – De nenhum sítio em particular.

Juiz – E para onde vais?

Gary Cooper – A nenhum sítio em particular.

Eram assim os heróis do Oeste. Sem raízes que os prendessem e prontos a lançar raízes em qualquer lugar. Aventureiros, na melhor expressão que podemos dar a esta palavra. Protagonistas de um tempo de pioneiros de que cada vez somos mais nostálgicos por termos a certeza de pertencerem a um mundo que já não há.

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Ah, e não se esqueçam que devem engolir as mensagens depois de as lerem.

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