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O que estou a ler (17)

por Fernando Sousa, em 30.09.13

 

Não sei quantas vezes interrompi um livro ou o pus de lado. De forma que esta nota teria mais cabimento numa rubrica como a do Pedro sobre livros deixados do que aqui. Mas foi o que acabou de acontecer com mais um da Mercè Rodoreda. A gente veste a roupa conforme o frio e talvez seja assim também com os livros e a disposição, isto para libertar desde já a autora de A Praça de Diamante, de qualquer culpa. Para ir ao ponto: deixei A Morte e a Primavera a meio, literalmente a meio, ainda sem saber como lá cheguei. O relato começou por me atrair, na Feira do Livro, pelos seus 3 euros e a meditação sobre os ciclos da vida, mas assim que me senti um freguês da sua aldeia desolada, tanto a cheirar a estrume como a glicínias, entre gente sem cara, cruel e comedora de cavalos, divertida a esmagar abelhas, dentro de uma atmosfera medievalizante e irreal, e de uma escrita obsessiva, comecei a torcer o nariz e a roer as unhas, e a sentir-me mal; e interrompi. Já me tinha acontecido isso com Quanta, quanta guerra e o seu herói, Adriá Guinart, que nunca a viu e tudo o que fez foi matar uma velha. Quem uma vez leu A Praça do Diamante quis com certeza ler mais alguma coisa de Rodoreda, cuja vida, a fugir de franquistas e nazis, justifica a densidade dramática da sua escrita, que se nos mete debaixo da pele, que inflama. Mas como disse precisamos de estar com a disposição certa, e eu não estava. [Ia fazer também um apontamentozinho sobre o Brumário, de Arménio Vieira, Prémio Camões de 2009, mas inibi-me]. Entretenho agora a alma com o Meio Sol Amarelo (ASA), da nigeriana Chimamanda Adichie. Já sei para onde me leva e ainda vou no cenário, nos sonhos revolucionários do senhor Odenigbo e nos amores das irmãs Olanna e Kainene; cheira-me a petróleo e a genocídio. Era muito miúdo quando o pivot da televisão anunciou que iam transmitir imagens susceptíveis de chocar as pessoas e mandaram-me para a cama. Terá sido aí por 1967. Ainda hoje vejo pela frincha da porta um ibo a ser fuzilado. Disse “ai, aiiii” – e caiu. Tenho-o nos ouvidos. Mas hoje já ninguém me manda para a cama.

 

E tu, Ivone? Que leituras andas a fazer?

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Mérito relativo - 24

por Teresa Ribeiro, em 30.09.13

Ganhar eleições é, seguramente, um dos méritos mais relativos.

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Aforismos políticos (63)

por Pedro Correia, em 30.09.13

 

Não maldigas as derrotas: aprende-se muito com elas.

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 30.09.13

 

Se não podes juntar-te a eles, vence-os, de Filipe Homem Fonseca

Romance

(edição Divina Comédia, 2013)

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Bernardino Soares e o resto

por jpt, em 30.09.13

 

Acerca de ontem, cá de longe:

 

Em 1985 fui professor na escola do Catujal, Sacavém (na altura um para lá do Trancão verdadeiramente dantesco). Desde então que posso dizer que tenho uma ligação biográfica a Loures. Como tal realço a vitória do PCP nessa câmara, um dos factores que torna o "Partido" o grande vencedor de ontem aí em Portugal. Saúdo, particularmente, o cabeça-de-lista, Bernardino Soares, o político português que em XXI mais defendeu a democraticidade da Coreia do Norte e justificou as posições do poder do Zimbabwé. Do resto que leio (principalmente aqui no DO e nas ligações aqui deixadas) pouco consigo concluir. Alguns comentadores de futebol ganharam as suas eleições e outros perderam-nas. O Presidente da República, a meio do segundo mandato, propõe a mudança da lei eleitoral exactamente no dia das eleições - quando recrutei em Mafra (onde agora o PS ganhou a câmara*) aprendi a expressão "estar a dormir na forma", que me parece adequada a esta situação. O presidente da Comissão Nacional de Eleições disse que no fim-de-semana eleitoral não poderíamos comentar política junto dos nossos amigos. E quando lhe perguntaram se era só no facebook ou se também nos blogs que isso nos era proibido gaguejou, sem saber bem o que dizer. Aposto que não será transferido para outras funções. O caciquismo patrimonialista, coisa típica dos recônditos recantos rurais e/ou insulares, terras de bagaços matinais ou vinho morangueiro, começou a ser esfacelado na Madeira e em alguns outros lugares. O racionalismo pós-partidocrático vingou em Oeiras. O PS ganhou imensas câmaras e em votos. O presidente do PS teve uma grande derrota. De Sintra tenho algumas mimadas memórias, passeios e até pic-nics com meus pais. E, mais tarde, alguns charros fumados ali pela Adraga. Tive e tenho alguns amigos sintrenses, até de pendor socialista, que entram em convulsões quando se lembram da "família Estrela" acampada lá na terra, antes de partir com armas e bagagens para Estrasburgo. Elegeram agora, por coisas da termodinâmica, Basílio Horta. Ao longo dos anos tenho contactado com várias pessoas que trabalharam sob Horta. Dizem-no um indivíduo tirânico, inepto, com vocação para o show-off. Assim fica entregue o património mundial da UNESCO. A campanha de sensibilização contra os piropos não colheu grande sucesso e o BE afundou-se, ainda mais, nas eleições. O seu co-líder João Semedo, que me dizem ser um tipo muito decente e capaz, nem a vereador ascendeu. Está visto, a campanha para a liberalização do consumo do cannabis, já tão perturbada por esta "careta" crise económico-financeira, será mais uma vez adiada. Mesquita Machado não se fez suceder. Alguns delegados camarários da Mota e Engil e da Teixeira Duarte não foram eleitos. Há um milhão de mortos nos cadernos eleitorais, que não são actualizados desde o milénio passado. Alguns proto-delegados camarários da Mota e Engil e da Teixeira Duarte foram eleitos. Em Maputo a final do campeonato africano de basquetebol feminino: Moçambique perdeu por um cesto, mesmo no fim, com a malvada Angola. O Real Madrid não está bem, nem o Manchester United. Villas-Boas cumprimentou Mourinho antes do jogo que os opôs. Um português ganhou um torneio de ténis no circuito ATP. Um outro português ganhou na ponta final uma corrida internacional de ciclismo. Alguém ganhou o mundial de hóquei em patins. Ah, e Bernardino Soares ganhou em Loures: prevejo geminações com urbes zimbabweanas e norte-coreanas ...

 

* O PSD é que ganhou a Câmara de Mafra. Fico agradecido aos que me alertam para o facto.

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Ler (especial autárquicas)

por Pedro Correia, em 30.09.13

A ver as autárquicas. Da Rita Dantas, no Boas Intenções.

Primeiras impressões. Do Mr. Brown, n' Os Comediantes.

Noite eleitoral televisiva. Do Eduardo Saraiva, n' O Andarilho.

Balancete. Do Luís M. Jorge, no Declínio e Queda.

Rescaldo das eleições autárquicas. De Ricardo Campelo de Magalhães, n' O Insurgente.

O PCP é o grande vencedor das eleições autárquicas. De Ricardo Ferreira Pinto, no 5 Dias.

Hecatombe laranja, vitória de Costa e Seguro a ver navios. Do Daniel Oliveira, no Arrastão.

Vitórias e derrotas. De Miguel Botelho Moniz, n' O Insurgente.

Os votos. Do João Gonçalves, no Portugal dos Pequeninos.

Os "escolhidos" e os escolhidos. De Suzana Toscano, na Quarta República.

Terceiras impressões. Do Mr. Brown, n' Os Comediantes.

Brancos & nulos. De Carlos Loureiro, no Blasfémias.

Autárquicas - Manual de boas práticas à borla. Do Fernando Moreira de Sá, no Aventar.

As autárquicas, de novo. Do Paulo Gorjão, na Bloguítica.

E é assim. Do Filipe Nunes Vicente, no Declínio e Queda.

 

(actualizado)

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A extinção dos dinossauros.

por Luís Menezes Leitão, em 30.09.13

 

Se as eleições autárquicas serviram para alguma coisa foi para derrotar estrondosamente a estratégia suicida de candidatar dinossauros às câmaras vizinhas numa clara fraude à lei de limitação de mandatos, escandalosamente sancionada pelo Tribunal Constitucional. De facto, com as excepções de Ribau Esteves em Aveiro e Álvaro Amaro na Guarda, as candidaturas de dinossauros autárquicos foram estrondosamente derrotadas. Seara teve um resultado humilhante em Lisboa e Luís Filipe Menezes deixou que a Câmara do Porto fosse parar às mãos de um independente sem qualquer currículo político. De Fernando Costa em Loures e Moita Flores em Oeiras nem vale a pena falar. Para a próxima é bom que os partidos aprendam a lição e saibam sobrepor ao interesse pessoal dos candidatos a concorrer eternamente às autarquias o interesse público da renovação de mandatos. Se não o fizerem nunca conseguirão ter o respeito dos eleitores.

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As canções do século (1369)

por Pedro Correia, em 30.09.13

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Filipe Menezes ganhou

por Rui Rocha, em 29.09.13

Pelo PS, em Porto Santo. Sem o apoio do JN e do Porto Canal.

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Reflexão sobre as eleições autárquicas (2)

por Pedro Correia, em 29.09.13

 

6. Chega-nos da Madeira uma das melhores notícias deste escrutínio: pela primeira vez numa noite eleitoral, Alberto João Jardim não poderá cantar vitória. Aconteceu na região autónoma, com décadas de atraso, algo que há muito se impunha: uma mobilização contra o monopólio laranja na ilha, selada sem olhar a mesquinhos interesses de geometria partidária. Está de parabéns a coligação anti-Jardim, com a inédita conquista da câmara municipal do Funchal e reflexos em pelo menos seis outros dos 11 concelhos regionais, onde o PSD disse adeus à maioria. E mais dilatada seria ainda a mudança na Madeira se os comunistas não tivessem ficado à margem, fechados -- como de costume -- à convergência com outras forças políticas.

 

7. Contrariando todas as expectativas, o mais imprevisível líder político português tem motivos para sorrir esta noite. Desde logo porque o CDS foi o único partido a recomendar o voto em Rui Moreira, recusando aplicar no Porto a lógica da aproximação aos sociais-democratas que ocorre a nível nacional. Mas sobretudo porque soma novas câmaras municipais a Ponte de Lima, a única onde tinha maioria até agora. Albergaria-a-Velha e Vale de Cambra (nos distritos de Aveiro), Velas (nos Açores) e Santana (na Madeira) são os quatro novos municípios pintados de azul. Do "irrevogável" abandono do Governo, jamais concretizado, a este pequeno brilharete nas urnas num intervalo de dois meses: o percurso de Paulo Portas prossegue em rota de montanha russa.

 

8. António José Seguro fez a mais esforçada campanha destas autárquicas. Percorreu o País, incansavelmente, promovendo candidatos. Precisava, para sair deste escrutínio com uma vitória que não soasse a empate, de descolar dos 38% obtidos pelo PS em 2009, ainda sob o comando de José Sócrates. Este objectivo ficou em parte por alcançar: baixou em votos e percentagem global. Tem a partir de agora a presidência da Associação Nacional de Municípios e o maior número de câmaras de sempre, é certo, mas a mais emblemática vitória socialista foi protagonizada pelo seu rival interno, António Costa. Viu fugir, à esquerda e à direita, importantes municípios socialistas: Braga, Évora, Beja, Guarda, Loures e Matosinhos. Balanço: um pequeno passo na direcção que ambiciona. Mas certamente mais curto do que sonhava. E o crescimento eleitoral da CDU é má notícia para o PS.

 

9. Muito deram que falar, ao longo do ano, as candidaturas em algumas câmaras de autarcas que já tinham cumprido três mandatos noutros municípios. O Tribunal Constitucional decidiu, e bem, que não lhes poderia ser sonegado esse direito político. Alegavam os defensores da tese oposta que isso colocaria tais candidatos em concorrência desleal perante os eleitores. Essa vantagem aconteceu? Em Lisboa não: Fernando Seara sofreu uma derrota humilhante, aliás mais que previsível, e a Luís Filipe Menezes sucedeu algo semelhante no Porto. Mas quatro capitais de distrito passam a ser encabeçadas por autarcas visados nessa polémica: Aveiro (Ribau Esteves), Beja (João Rocha), Évora (Carlos Pinto de Sá) e Guarda (Álvaro Amaro). O mesmo acontece com a CDU em Alcácer do Sal e o PSD em Castro Marim.

 

10. Vencedores da noite, além dos já referidos? Muitos e variados. Destaco apenas alguns. O líder parlamentar comunista, Bernardino Soares, que marca pontos decisivos para a futura sucessão de Jerónimo de Sousa nas fileiras comunistas ao arrebatar Loures ao PS, recuperando 25 pontos percentuais nesta vitória. O social-democrata Ricardo Rio, que põe fim a 37 anos de absoluta hegemonia rosa em Braga. O socialista Paulo Cafôfo, agora eleito presidente da câmara do Funchal e nome já incontornável para o pós-jardinismo. E Rui Rio, que não concorreu a lugar algum mas pode cantar vitória ao saber que o seu sucessor no Porto também se chama Rui. Passos Coelho deve estar mais preocupado com Rio do que com Seguro. Eu, no lugar dele, estaria.

 

(actualizado)

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Prision with a view

por Rui Rocha, em 29.09.13

Vistas ganha em Oeiras.

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Coerência

por Rui Rocha, em 29.09.13

Paulo Queimado eleito na Chamusca.

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Reflexão sobre as eleições autárquicas (1)

por Pedro Correia, em 29.09.13

 

 

1. António Costa obtém a maior vitória de sempre em Lisboa, conseguindo um inédito terceiro mandato consecutivo do PS no executivo municipal. Vence em dois planos: derrota a direita que o enfrentou em coligação e o sectarismo à sua esquerda. Governará o maior município do País como entender, até porque se sagrou vencedor em quase todas as 24 freguesias da capital e dispõe finalmente de maioria na Assembleia Municipal. Torna-se, a partir de agora, o maior triunfo eleitoral da sua área política: ninguém à esquerda soma tanto como ele. Num futuro próximo será candidato ao que entender, à revelia dos estados de alma do actual secretário-geral do partido.

 

2. O maior triunfador da noite, em termos individuais, foi Rui Moreira. Um verdadeiro independente, ao contrário de vários outros que concorreram às autárquicas. A sua vitória resulta da genuína cidadania dos portuenses, que insistem em pensar pela sua própria cabeça, sem obediência a diktaks partidários. Mesmo sem dispor de maioria absoluta, o sucessor de Rui Rio não terá a menor dificuldade em gerir o município. E ganha projecção nacional. A sua vitória fará mais do que mil editoriais na imprensa pela alteração dos mecanismos de decisão no interior dos partidos, algo que constitui um imperativo para o aperfeiçoamento e regeneração da democracia portuguesa.

 

3. A coordenação autárquica do PSD foi catastrófica, designadamente com as escolhas de candidatos gerados pela mais pura lógica aparelhística, sem interligação com o eleitorado nem a menor hipótese de sucesso nas urnas, nomeadamente em municípios como Gaia, Sintra, Covilhã, Portalegre ou Almodôvar. E, nessa medida, não adianta apontar culpas a mais ninguém: Pedro Passos Coelho é o grande responsável pela derrocada eleitoral dos sociais-democratas. Pelas escolhas directas que fez e pelas opções que validou olhando mais a critérios de estrita confiança pessoal do que de competência política.

 

4. Os comunistas triplicam o número de capitais distritais sob a sua gestão, recuperando Évora e Beja além de manterem o seu bastião de Setúbal. E na área metropolitana de Lisboa ganham Loures, onde o PS predominava. É o melhor resultado eleitoral da CDU desde 1982. Uma boa notícia para todos quantos recusam ver a democracia afunilada na lógica do rotativismo bipartidário, confirmando a forte vocação autárquica do partido liderado por Jerónimo de Sousa e a sua fortíssima implantação um pouco por todo o Alentejo. Somando este sucesso à sua sólida base sindical, não custa vaticinar que o PCP sairá destas autárquicas robustecido como voz de protesto contra o Governo a nível nacional.

 

5. O Bloco de Esquerda chegou a este dia eleitoral com apenas uma presidência de câmara. Sai dele sem nenhuma: perdeu o solitário município de Salvaterra de Magos para os socialistas e não conseguiu ver João Semedo eleito vereador em Lisboa. Sem bases sindicais, com uma presença residual no mapa autárquico, os bloquistas permanecem em crise de identidade, aliás acentuada desde que entrou em funções a actual liderança bicéfala: ou se limitam a secundar as grandes opções estratégicas do PCP enquanto partido de protesto ou descolam desta linha para se tornarem o parceiro preferencial de coligações com o PS. Quanto mais tarde se resolver este dilema pior será para o mais jovem partido português com representação parlamentar.

 

 (actualizado)

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Braga forte

por Rui Rocha, em 29.09.13

A vitória de Ricardo Rio parece já inquestionável e com um resultado expressivo. A participação terá sido extremamente elevada, com números de abstenção muito abaixo da média nacional. Acabou um tempo de vergonha para a cidade e para o Partido Socialista que insistiu, ao longo de demasiados anos, em candidaturas cuja marca distintiva foi o nepotismo, a panelinha e o desastre urbanístico. Que Ricardo Rio saiba estar à altura da confiança que mereceu. E que o PS possa regenerar-se. A bem da cidade.

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Porto Forte

por Rui Rocha, em 29.09.13

Projecções das televisões dão vitória a Rui Moreira no Porto

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Ang Lee poderá realizar um filme no Porto

por Rui Rocha, em 29.09.13

Confrontado com a possibilidade de Woody Allen não filmar no Porto - recorde-se que num sprint dramático António Costa tentará convencer o aclamado cineasta nova-iorquino a realizar Meia-Noite na Praça da Figueira - o candidato à  presidência da Câmara Municipal do Porto não se dará por vencido e, se ganhar as eleições, irá anunciar brevemente uma notícia verdadeiramente bombástica. Na verdade, fontes bem informadas revelaram ao Delito de Opinião que Menezes conseguiu convencer Ang Lee a realizar um filme na cidade invicta. A película, intitulada A Vida de Pi-nto da Costa, relatará as peripécias de um presidente de um clube de futebol que, durante um passeio de barco rabelo na Ribeira, é surpreendido por uma violenta tempestade e acaba por encontrar um corpulento Carlos Abreu Amorim escondido, no convés, debaixo de uma lona.

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Blogue da semana

por João André, em 29.09.13

Em dia de eleições, nada como referir um blogue que enfrenta as suas opiniões de frente, nunca se esconde e, coisa rara, demonstra excelente memória. Para além disso deixa sempre umas pérolas ao fim de semana. O meu blogue da semana é por isso o Der Terrorist, do José Simões.

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Uma hora depois

por Patrícia Reis, em 29.09.13

A escola estava cheia, muita gente nova, famílias com crianças a desatinar, chuva e depois a tristeza de ver a má informação e organização numa freguesia que se quer diferente, dinâmica.

Ao fim de uma hora e pouco, uma senhora respondeu à funcionária da junta: "Ah, não é aqui? Pois, da última vez foi aqui. E eu não sei onde é a escola Manuel Damásio, já se faz tarde, os miúdos precisam de almoçar. Voto na próxima."

Como esta senhora, muitos outros foram de abalada, indiferentes ao apelo ao voto, indiferentes à ideia de cidadania, de democracia, do que foi conquistado há quase 40 anos.

Eu estive, alegremente, em duas secções de voto e depois, fiquei numa secção diferente daquela que julguei certa, mas votei.

Nos três papéis. Três cruzes, nada de bonecadas ou asneiras. Senti-me quase crescida.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 29.09.13

«Uma coisa é aprender a mexer cada peça, outra diferente é saber jogar xadrez, mesmo que se decorem umas aberturas empiricamente.

Essencialmente tratou-se de um assunto político mundial, onde há um senso comum óbvio - devemos ter cuidado com o excesso de poluição, e não apenas atmosférica.
Algo completamente diferente, e isso fez/faz parte de uma agenda política que mascarou factos científicos, será pensar que o aquecimento se deve apenas à poluição.
Falta aí na lista, o próprio ciclo terrestre, que tem a ver com oscilações de órbita, por exemplo do eixo de rotação. São conhecidos ciclos de centenas de anos (aprox. 500 anos), que nos atiraram para uma pequena "idade do gelo" desde o Séc. XVII, saindo de um "pequeno verão" do fim da Idade Média.

O século XIX, início da poluição industrial massiva, foi dos séculos mais frios de que há registo, os gelos chegaram a ligar o estreito de Bering, havendo até notícias de exploradores que se propuseram a passar a cavalo.
As Passagens Noroeste e Nordeste foram classificadas como impossíveis de travessia por causa do gelo compacto. Amundsen apenas passou no Séc. XX com quebra-gelos.
No entanto, desde Melgueiro, a muitos outros exploradores portugueses anteriores, essas passagens foram feitas no período quente em que havia maior degelo. O gelo depois impediu a passagem e os registos foram ignorados, também por outras razões de encobrimento estratégico.
Tirando o caso de Veneza, que se está a afundar no pântano veneziano, a maioria das cidades históricas afastou-se significativamente da costa.
Em Portugal, basta ver o caso de Alfeizerão ou Atouguia da Baleia, que chegaram a ser grandes portos. Do lado oposto, não há nenhuma cidade histórica que tenha sido ameaçada por avanço águas, os centros são interiores, e a zona portuária foi-se afastando na maioria dos casos (ex: Roma, Atenas).

Houve um recuo de águas, não apenas por mão humana, e o caso holandês, de ganhar terrenos, não teria sido possível sem esse arrefecimento.
É claro que agora, seria natural o aquecimento... e toda a falta de planeamento que levou à construção no limite costeiro corre risco. Há assim uma certa vontade de manter a Terra nessa pequena idade do gelo, de que deveria sair agora naturalmente, mesmo sem poluição...

Portanto, houve conveniência de muitos actores em misturar ciência com política, para prejuízo da clareza do problema. Esse tipo de ilusões informativas pode fazer ganhar algum tempo, mas fica aprazado.»

 

Do nosso leitor da Maia. A propósito deste texto do João André.

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Como turistas japoneses

por Teresa Ribeiro, em 29.09.13

Houve um tempo em que se gozava muito com os turistas japoneses por dispararem com as suas Minoltas e Nikons sobre tudo o que mexia. Agora esse frenesim passou a ser global. Com os telemóveis fotografa-se tudo, até a roupa nas montras (fiquei a saber através de uma reportagem de rua que vi na televisão).

Este frenesim nipónico corrompe o que deveria ser sempre a nossa relação com a fotografia: uma selecção criteriosa das imagens ou momentos que queremos resgatar do fluxo temporal contínuo, desafiando as leis do espaço e do tempo.

A banalização da fotografia está a roubar a alma aos retratos.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 29.09.13

 

À Noite Logo se Vê, de Mário Zambujal

Romance

(edição Clube do Autor, 2013)

"Por vontade expressa do autor, a presente edição não segue as regras do Acordo Ortográfico de 1990"

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De blogue em blogue

por Pedro Correia, em 29.09.13

 

Pedro Magalhães agora em blogue com nome próprio.

 

À boleia com Catarina Serra Lopes Pelo Mundo...

 

Rui Ângelo Araújo estreia-se como romancista

 

Desceu o pano na União de Facto.

 

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As canções do século (1368)

por Pedro Correia, em 29.09.13

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Ou me engano muito...

por Rui Rocha, em 28.09.13

 ou este tipo ainda vai ter vontade de ir buscar o comando ao fundo do lago.

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Pinto da Costa sobre o Guimarães - Benfica: «Foi o dia do invisual».

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O que estou a ler (16)

por Bandeira, em 28.09.13

«The girl wrote a story. "But how much better it would be if you wrote a novel," said her mother. The girl built a dollhouse. "But how much better if it were a real house," her mother said. The girl made a small pillow for her father. "But wouldn't a quilt be more practical," said her mother. The girl dug a small hole in the garden. "But how much better if you dug a large hole," said her mother. The girl dug a large hole and went to sleep in it. "But how much better if you slept forever," said her mother.»


 

 

 

Manuel António Pina dizia que qualquer texto pode, no limite, ser reduzido a uma palavra apenas. A nova-iorquina Lydia Davis ainda não chegou a tanto (ou tão pouco), mas não por falta de tentar:


“It has been so long since she used a metaphor!”


Percebe-se melhor a opção de Lydia Davis pelo conto curto quando se conhece dois factos: 1) é preguiçosa, e 2) traduziu Proust. Mas nem todos os contos de Lydia Davis são tão curtos quanto o supracitado. Os maiores estendem-se por uma dúzia de páginas. Outros, sendo de facto curtos, apenas porque conhecem o porteiro entram na categoria de contos. Não há propriamente respeito pelas regras do género. 
Os personagens só excepcionalmente têm nome, ou por nome têm todo um programa (“Old Mother”, “the Grouch”). Os locais são de geografia incerta. O narrador, quase sempre uma mulher, pode ou não ser a autora (que sei eu), mas em muitos casos é impossível ignorar uma voz autobiográfica. E por sobre todos os textos, não importa o quão desconcertantes ou desesperados, adeja um sentido de humor apurado. Certo é que cada conto - ou o que se lhes chame – é como que um monobloco, uma entidade tão acabada e expurgada de elementos supérfluos que qualquer adição ou subtracção, parece-me, a tornaria uma coisa completamente outra.

 

“My mother's dream is that someday she will save enough money to leave me and live in the country.”

 

Eu queria ser mais crítico, escrever uma recensão digna do nome, falar em como o estilo cirúrgico de Lydia Davis contém e transforma, mas de todo anula, as emoções; fico com a sensação de que já escrevi palavras a mais quando o que queria dizer era tão-só "Leia Lydia". Ponto. E desculpe as citações em inglês, mas tenho apenas a versão na língua original.

 

“I have decided to take a certain book with me when I go. I am tired and can’t think how I will carry it, though it is a small book. I am reading it before I go, and I read: 'The antique bracelet she gave me with dozens of flowers etched into the tarnished brass.' Now I think that when I go out I will be able to wear the book around my wrist."


E tu, caríssimo Fernando, diz cá – por que páginas vens tu passeando os olhos nestes dias?

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Linguagem gestual

por Rui Rocha, em 28.09.13

"Ex-braço direito de Penedos fala ao tribunal em Novembro".

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"Não se pode conhecer Jesus sem ter problemas".

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Livros que deixei a meio (10)

por Pedro Correia, em 28.09.13

 

A MORTE É UM ACTO SOLITÁRIO

de Ray Bradbury

 

Sou um leitor antigo e fervoroso de romances policiais. Tudo começou ao descobrir na biblioteca dos meus pais uns títulos que nada tinham a ver com os restantes: falavam de cadáveres desaparecidos, de vinganças implacáveis, do intolerável prazer de matar. Eram livros da Colecção Vampiro, como cedo vim a saber. Não tardei a frequentá-los com regularidade.

Ainda me lembro do primeiro que li, teria talvez uns dez anos: chamava-se O Detective Imperfeito, de Rex Stout. Não com o célebre Nero Wolfe, o mais sedentário investigador de crimes de que há memória, mas com um tal Tecumseh Fox, que nunca mais voltei a encontrar em nenhuma outra obra mas cujo peculiar nome nunca mais esqueci.

 

Devorei toda a literatura do género que me veio parar às mãos. Começando por Maurice Leblanc e o seu inapagável herói Arsène Lupin, por influência da série francesa então exibida na RTP: cheguei a ter a colecção quase completa destes livros lançados pela Editorial Notícias. Com títulos tão arrepiantes como O Mistério da Agulha Oca, Os Dentes do Tigre e A Ilha dos Trinta Ataúdes. (Onde estará hoje essa colecção? Não faço a menor ideia.)

Seguiram-se muitos outros autores, muitos outros títulos. Desde logo Agatha Christie, a Rainha do Crime. Todo o Conan Doyle, com e sem Sherlock Holmes. Quase todo o Simenon. Muito Erle Stanley Gardner -- com a infalível dupla Perry Mason-Della Street --, incluindo as obras escritas com o seu pseudónimo A. A. Fair.

Depois recuei aos primórdios, a Edgar Allan Poe, considerado o fundador do género. Li outros patriarcas do policial: G. K. Chesterton, Edgar Wallace, E. Phillips Oppenheim, S. S. Van Dine, John Dickson Carr. Actualizei-me com as novelas de Lionel White, Fredric Brown, Mickey Spillane, James Hadley Chase, Elmore Leonard e James Ellroy -- expoentes daquela escola de detectives a que os norte-americanos se habituaram a chamar hard-boiled, usando em regra a primeira pessoa do singular na boca do protagonista-narrador e adoptando uma atitude de generalizado cinismo perante a sociedade e os homens.

 

De vez em quando descobria uma obra-prima do género, como Disparem sobre o Pianista, de David Goodis, que esteve na origem da película homónima de François Truffaut, um excelente film noir que foi a segunda longa-metragem rodada pelo realizador francês, com um surpreendente Charles Aznavour no principal papel.

Li o britânico Nicolas Freeling. E o canadiano Ross Macdonald. E o suíço Friedrich Dürrenmatt. E o catalão Manuel Vásquez Montalbán, genial criador do detective Carvalho. E Ruth Rendell, legítima herdeira de Agatha Christie. Derivei para os romances de espionagem, deslumbrando-me com John Le Carré e decepcionando-me com Ian Fleming. Também fiquei decepcionado com Leslie Charteris, o criador do Santo. Nunca me converti a certos autores. Ellery Queen, por exemplo. Ou Peter Cheyney. E Dashiell Hammett sempre me deixou indiferente.

Li também os portugueses, quase todos com pseudónimo. Dennis McShade (Dinis Machado), Dick Haskins (António de Andrade Albuquerque), Artur Cortez (Modesto Navarro). Mais tarde, Francisco José Viegas -- em nome próprio -- com o seu inspector Jaime Ramos, homónimo do maior caceteiro do PSD Madeira, braço direito de Alberto João Jardim.

Regressei ciclicamente às origens. A Rex Stout, Agatha Christie, Simenon. Apaixonei-me pelas obras de Raymond Chandler -- e só lamentei que não tivesse sido um escritor mais prolífico: Philip Marlowe é uma das maiores criações literárias norte-americanas da primeira metade do século XX. Tendo apenas equivalente em Lew Archer, o detective saído da inspiração de Ross Macdonald (e que viria a ser interpretado no cinema por Paul Newman, réplica dos anos 60 e 70 ao Marlowe interpretado por Humphrey Bogart na década de 40). 

 

Andava eu no auge da minha paixão pelos policiais, em meados dos anos 80, quando se tornou notícia com impacto mundial a conversão ao género de um dos autores mais emblemáticos da ficção científica: Ray Bradbury (1920-2012) A notícia justificava-se por serem dois géneros praticamente estanques, representados durante décadas em Portugal pelas colecções Vampiro e Argonauta, ambas com público muito fiel. Geralmente quem lia uma não lia a outra. Nem vale a pena dizer qual era a minha facção.

Mas eis que Bradbury, autor das Crónicas Marcianas, cometia a heresia de trocar a ficção científica, que lhe dera fama e proveito, pelo policial após vários anos de aparente inactividade. E com um título de estreia que me pareceu excelente: A Morte é um Acto Solitário (Death is a Lonely Business), lançado entre nós em 1987.

Não tardei a comprar o livrinho de capa preta, da Biblioteca de Bolso Dom Quixote. E lancei-me à leitura.

Primeira decepção: um corpo de letra demasiado reduzido. Sempre achei uma falta de consideração pelos leitores editarem-se livros nada recomendáveis a quem possua o mais leve indício de miopia ou tenha já a vista irremediavelmente fatigada.

Mas insisti, ainda embalado pela beleza do título. Recordo-me bem das páginas iniciais, que nos transportavam à praia de Venice, na Califórnia. Numa noite carregada de maus presságios.

Prometia, mas tardou em cumprir. Virava as páginas, o enredo adensava-se de tal forma que se tornava um quebra-cabeças para o leitor. Voltei atrás, recomecei, insisti. Em vão. Para cúmulo, a letra parecia-me cada vez mais pequena -- à dimensão do fio da história.

Parei a meio. Ou antes disso.

Não foi preciso contratar nenhum detective para chegar a esta conclusão: a estreia de Bradbury no policial não passava afinal de um pastiche mal sucedido de Chandler. E eu sempre preferi os originais às cópias, seja em que género for.

 

Hoje, já há muito extintos os ecos entusiásticos da imprensa sobre Death is a Lonely Business, Bradbury é recordado por ter sido um grande autor de ficção científica. Voltou tudo ao seu lugar: uma espécie de tardia vingança da colecção Argonauta contra a Vampiro.

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No Correio de Minho (o órgão de comunicação social oficial de Mesquita Machado e do partido socialista mais isento e pluralista de Braga) na edição online (notícia de 27 de Setembro):


Abre hoje ao usufruto da população a primeira fase do Parque do Monte do Picoto, ontem inaugurada pelo presidente da câmara. O investimento de 3,2 milhões de euros foi financiado por fundos comunitários (QREN).


Mesquita Machado desafiou os bracarenses a desfrutarem deste novo espaço, realçando que é um local “excelente para passear e fazer exercício físico”. Na inauguração, o arquitecto Mário Louro, autor do projecto, deu nota de que o parque vai ser enriquecido com o que está previsto para a segunda fase.


Esta foi uma das últimas inaugurações presididas por Mesquita. Hoje o edil inaugura o último troço da ciclovia do rio Este.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 28.09.13

 

Má Despesa Pública nas Autarquias, de Bárbara Rosa e Rui Oliveira Marques

Investigação

(edição Alêtheia, 2013)

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Revisionismo histórico

por Pedro Correia, em 28.09.13

Ficámos agora a saber, pelo próprio, que Mário Soares nunca ganhou uma eleição legislativa em Portugal.

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As canções do século (1367)

por Pedro Correia, em 28.09.13

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Os meus votos para as eleições

por Rui Rocha, em 27.09.13

Aqui deixo os meus desejos para as eleições autárquicas de Domingo (senhores da CNE, antes que se ponham com ideias, saliento que são 23.50 do dia 27):

 

- Braga: vitória de Ricardo Rio

- Porto: vitória de Rui Moreira (ou até de Pizarro, se tivesse de ser)

- Gaia: derrota de Abreu Amorim

- Lisboa: já que Costa não pode perder, que Seara leve uma abada.

 

No Domingo à noite volto ao tema.

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Reflexão muito pessoal para o dia da dita

por Pedro Correia, em 27.09.13

1. Repara bem nos rostos dos cartazes e deixa-te conduzir pelo teu sentido estético.

 

2. Antes de te decidires, informa-te bem sobre quem figura em número dois nas listas. Nunca se sabe: podes votar num e sair-te outro.

 

3. Se puderes, dá uma oportunidade a quem ainda não a teve.

 

4. Na dúvida, opta por uma mulher. Elas costumam ser melhores gestoras.

 

5. Mantém à distância um candidato que te trata por tu sem te conhecer de parte alguma.

 

6. O voto mais inútil é aquele a que muitos chamam útil.

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Mérito relativo - 23

por Teresa Ribeiro, em 27.09.13

A honestidade em política não é uma qualidade, é uma disfunção.

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Ler

por Pedro Correia, em 27.09.13

Dos grandes líderes. Do Mr. Brown, n' Os Comediantes.

Mudar de vida ou mudar de parceiros. Do Luís Naves, no Fragmentário.

Língua dominante. De Maria do Rosário Pedreira, no Horas Extraordinárias.

Indigências & cidadania. Do Pedro Rolo Duarte.

Crónica do Farol. Da Ana Cristina Leonardo, na Meditação na Pastelaria.

Dodge City (1939). De Henrique Fialho, na Antologia do Esquecimento.

Uma noite no sótão: um hálito de Laura Dern. Do Manuel S. Fonseca, no Escrever é Triste.

Hipóteses de vingança. Do Pedro Mexia, no Malparado.

 

(em actualização)

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Outdoors Autárquicas 2013

por Helena Sacadura Cabral, em 27.09.13

Não resisto a publicar antes da meia noite de hoje, agradecida ao comentador que me enviou esta pérola!

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Abulia

por Teresa Ribeiro, em 27.09.13

Os independentes verdadeiros e os verdadeiros dependentes vão a votos. Se o PSD perder por pouco, tirolilo, se o PS ganhar por pouco, tiroliloló. Juntaram-se os dois à esquina. Seguro disse, ai, ai, ai. Passos assegurou que etc.

A redução da despesa, a redução da desp. Não haverá mais rotundas. O memorando murmurando talvez um segundo resgate, quer mais cortes. Cortes é nas pensões. Inevitável. Inevitável emigrar. O desemprego e os emigras, à pocura de migralhas.

Os mercados ameaçam, iô. João Semedo exige. Portas jura. Mas os juros da dívida sobem. Pires de Lima garante que a Economia lai,lai,lai. Sócrates sorri, o professor Marcelo adverte e a Grécia em fundo, a Alemanha em cima, uma Almegrécia desalmada. Nem rotundas, nem piscinas, nem pavilhões, nem sequer propaganda na televisão. A Comissão Nacional de Eleições proibiu. Apesar de tolo, foi um descanso. Zzzzzzzzzzzzzzzzz

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Aforismos políticos (62)

por Pedro Correia, em 27.09.13

 

Se tens o poder, exerce-o. Ninguém espera menos que isso de ti.

 

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Eco: o amor é selectivo, o ódio nem por isso

por Patrícia Reis, em 27.09.13

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Com idas e vindas, saídas e chegadas, lazer e obrigações, é provável que passe por este cartaz no Sábado (dia de reflexão) e no Domingo (dia de eleições) para cima de dez vezes. Por isso, temo. Temo que este apelo, aliás bem insinuante, ao voto do movimento independente Construir a União (CU), acabe por influenciar a minha decisão eleitoral. É que o Augusto tem cara de ser um tipo com quem se podem discutir, com igual desenvoltura, as incidências do último jogo do Braguinha e a adequação dos avisos meteorológicos do IPMA (ex- Instituto de Meteorologia). E o João, bem, o João não engana ninguém. É ou não é o protótipo do gajo porreiro com quem se podem entreter uns fins de tarde de Domingo a beber uns finos e a aviar uns rojões? É. E porque um e outro, o Augusto e o João, são assim, é que sinto esta angústia crescente. Eu preciso de um dia inteirinho de reflexão para decidir em quem vou votar para a minha Junta de Freguesia. E se não chegar, quero dipor de quase todo o Domingo para pensar e chegar a conclusões. Sem pressões nem apelos irresistíveis. Ora, com o cartaz destes dois maduros ao pé da porta, sempre a lembrarem-me o entusiasmante que será votar num projecto político que reúne o melhor dos várioas mundos (bola, meteorologia e tainadas) admito que a minha isenção eleitoral possa ficar gravemente abalada. Por isso, peço encarecidamente à Comissão Nacional de Eleições que me proteja desta minha fraqueza. No fundo, que estabeleça uma relação entre o CU e as calças. E que, assim como proibiu os apelos ao voto nas redes sociais, mande retirar ou tapar o cartaz do Augusto e do João das imediações da minha residência hoje ao final do dia, um bocadinho antes da meia-noite. Caso contrário, temo o pior e declaro desde já que não me sinto responsável pelo sentido que vier a dar ao meu voto.

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Arrumar a biblioteca (XVII)

por Pedro Correia, em 27.09.13

 

Millôr, Castrim e Vasco Pulido Valente

 

Há pessoas que jamais escrevem num livro: são capazes de o ler de fio a pavio sem lhe fazerem um risco. Comigo é ao contrário: nenhum livro fica por riscar. Sublinho passagens que me parecem importantes, assinalo incongruências, marco sempre gralhas tipográficas ou erros factuais (vício que me ficou de 25 anos a editar e reescrever textos alheios) e até insiro notas de rodapé que caberiam a autores ou tradutores.

Não há livros imaculados. Recentemente, relendo pela terceira vez O Delfim, de José Cardoso Pires, descobri algumas falhas que escaparam ao olhar de vários editores certamente muito atentos.

Eu escrevo nas margens, sempre a lápis. "Dialogo" com o autor -- fazendo perguntas, aplaudindo, indignando-me ou mostrando a minha perplexidade por determinados trechos. É uma das minhas manias enquanto leitor. Julgo que terei começado com O País das Maravilhas, de Vasco Pulido Valente, quando tinha 18 anos. E nunca mais parei.

As anotações são fundamentais para nos permitirem escrever um dia sobre as obras que vamos lendo e sobretudo para conservarmos a memória do que lemos. Nos livros de contos, por exemplo, comecei a atribuir estrelas -- de uma a cinco -- por cada história que ia lendo. A partir de certa altura passei a atribuir essa classificação a todos os livros: não acabo nenhum sem lhe pôr, além da data, as estrelas que a meu ver merecem.

 

Estou para aqui com esta conversa e ainda não vos disse que arrumei hoje os livros de autores portugueses pertencentes a géneros que não se circunscrevem às artes literárias. Livros de ensaio, história, memórias, biografias, colectâneas de artigos publicados nos jornais, textos de blogues transpostos para livros (Pedro Mexia, João Caetano Dias, Paulo Pinto Mascarenhas, João Gonçalves e alguns outros).

São muitos e variados. Desde as obras do grande Oliveira Martins (Portugal Contemporâneo, História de Portugal, História da Civilização Ibérica, Os Filhos de D. João I, A Vida de Nun'Álvares, O Príncipe Perfeito) às de Mário Domingues. Passando por António Sérgio, Vitorino Magalhães Godinho, Orlando Ribeiro, Óscar Lopes, António José Saraiva, José Gil (Portugal, Hoje -- O Medo de Existir), António Barreto e Maria Filomena Mónica. Ou os Textos Filosóficos de Fernando Pessoa.

E muitos mais. A excelente biografia de Salazar escrita por Filipe Ribeiro de Meneses, por exemplo. Outras biografias: Álvaro Cunhal (por Pacheco Pereira), Mário Soares (por Joaquim Vieira), Sá Carneiro (por Miguel Pinheiro), Marcelo Rebelo de Sousa (por Vítor Matos), Aníbal Cavaco Silva (por ele próprio). Os três volumes da imprescindível entrevista-biografia de Soares assinada por Maria João Avillez, também autora de Outras Palavras, Francisco Sá Carneiro: Solidão e Poder e Conversas com Álvaro Cunhal. O ex-líder comunista está igualmente em destaque na obra Álvaro Cunhal e as mulheres que tomaram partido, do meu amigo João Céu e Silva.

 

E ainda as crónicas jornalísticas de gente tão diversa como Cardoso Pires, Alexandre O'Neill, Fernando Assis Pacheco, José Rodrigues Miguéis, Natália Correia, Ruy Belo, Victor Cunha Rego, João Pereira Coutinho e Mário Castrim (do antigo crítico de televisão do Diário de Lisboa tenho vários, com autógrafos que guardarei sempre como grata recordação das conversas que mantive com ele).

Sem esquecer os brasileiros, excepcionais praticantes deste género jornalístico que é também um género literário: Nelson Rodrigues, Rubem Braga, Millôr Fernandes.

E também os diários: sou desde sempre leitor atento e entusiasta de diários. Assinados por Miguel Torga, Vergílio Ferreira, José Saramago, João Palma-Ferreira e Marcello Duarte Mathias, só para me manter nos autores portugueses. Ou Josué Montello, entre os brasileiros: "A vida seria uma vulgaridade, com a rotina dos dias e das estações, se não soubéssemos apreciá-la, buscando admirar os seus mistérios e subtilezas", escreve ele no seu Diário da Tarde.

E memórias, também muitas e variadas. De Marcello Caetano, Humberto Delgado, Mário Soares, Freitas do Amaral, Edmundo Pedro, Pires Veloso, Hall Themido, Rui Mateus, Pedro Feytor Pinto, Miguel Urbano Rodrigues. Sem esquecer a magnífica trilogia O Mundo à Minha Procura, de Ruben A, que recomendo a todos quantos gostem de ler.

Cada um já está no seu lugar.

 

Hoje, talvez por estar de chuva, apetece-me ouvir em sessões contínuas a bela partitura de Bernardo Sassetti para Alice, filme de Marco Martins.

 

Até para a semana.

 

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 27.09.13

 

Monica Bellucci

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Eles andam aí

por Patrícia Reis, em 27.09.13

O país tem mais escritores por metro quadrado do que soluções para a crise. Disso todos sabemos. Há sempre um amigo, um tio, um primo, um antigo colega que tem "um livrinho". Eu sou a pessoa mais burra do mundo, incapaz de rejeitar seja lá que livrinho, vou lendo, vou dizendo da minha justiça, sempre de forma correcta (acho!) e depois levo nas trombas. Ou seja, se ler um capítulo de um livro e apontar algumas questões pertinentes, recebo um email ofensivo e de um calibre que me desarma. Porquê? Por ser burra, claro. Pois, fiquei a saber que não sei ler, que acho muita coisa sem achar nada e que não sou digna de grandes alturas (seja isso o que for). Assim, sem mais demoras, aviso a navegação que a minha casa de edição, gratuita, com horas a ler alto manuscritos alheios, muitas vezes em situações pouco simpáticas, fechou as suas portas. Os meus amigos que são escritores são escritores, irão compreender isto muito bem. Os outros, por favor, não se ofendam, limitem-se a bater a outra porta. Parece-me que o escritor é aquele que não precisa de comer ou ter famíia. Está disponível, importa que esteja sempre disponível, caramba, há o bem maior do povo, por isso, o escritor que se faça à vida, mesmo que esteja muito doente, ou muito velho, ou muito qualquer coisa, que importância tem? Não, não, o escritor escreve, revê, opina, fala gratuitamente em escolas e bibliotecas, paga do bolso portagens e outras ninharias e, no fim, leva nas trombas. Como diria a minha avó: irra!

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.09.13

 

 

Paraíso e Inferno, de Jón Kalman Stefánsson

Tradução de João Reis

Romance

(edição Cavalo de Ferro, 2013)

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As canções do século (1366)

por Pedro Correia, em 27.09.13

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Mérito relativo - 22

por Teresa Ribeiro, em 26.09.13

A frontalidade não é uma qualidade, é um estilo.

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Aforismos políticos (61)

por Pedro Correia, em 26.09.13

 

Não basta estar certo: há que saber persuadir os outros dessa certeza.

 

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Estou farta das pinças lexicais com que os políticos falam dos velhos (pobres) deste país, e tudo se torna ainda mais revoltante em época de campanha eleitoral. Pura hipocrisia: são tratados abaixo de cão, sem qualquer consideração ou respeito na prática, puxam-lhes o tapete no fim da vida com condições de sobrevivência desumanas e humilhantes. Mas dizer "velhos" é completamente proibido, isso é que nunca, como se fosse esse o grande insulto. Têm o maior cuidado em chamar-lhes "idosos" (ou outro preciosismo qualquer inventado por esta esta intragável e oportunista novilíngua) mas tratam-nos como pesos descartáveis. E aposto que dormem que nem justos.

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