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Recordações

por Rui Rocha, em 31.03.13

Há recordações que doem. Descubro, todavia, que não são as do passado que mais me perturbam. São as que prevejo que me encontram mais indefeso. É o que se passa quando olho para as fotografias que tiro aos meus filhos. Sei que um dia, daqui a alguns anos, vou reencontrá-las num álbum, numa gaveta ou num cartão de memória. E dói-me agora a saudade que então vou sentir destes momentos, deles ainda tão nossos. São essas lágrimas futuras que já hoje me tomam os olhos.

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Telefonemas

por José António Abreu, em 31.03.13

Ligo a familiares, amigos e colegas por razões particulares (telefonemas profissionais são outra realidade) e passo a duração da chamada em busca de assunto. Hesito. Repito-me. Balbucio trivialidades. Há pessoas capazes de ficar a conversar durante horas – sobre a saúde, o tempo, o almoço, as brincadeiras dos filhos, a idiotice ou a injustiça dos colegas de trabalho, um programa de televisão, os resultados do futebol, a temperatura e o tempo correctos para cozinhar pão-de-ló, os inacreditáveis erros de Gaspar e as inacreditáveis mentiras de Passos. Eu não. Ao vivo, cara a cara, até falo bastante. O telefone, porém, seca-me a verve. Desconfio que as pessoas a quem ligo acham que sou brusco e que só lhes telefono por obrigação. A primeira parte talvez seja verdade, a segunda decididamente não é. Regista-se uma componente de esforço mas advém da antecipação do desconforto, de saber não apenas que serei incapaz de manter a conversa durante muito tempo mas também que depressa isso ficará evidente. Nada mais. Por outro lado, como seria inevitável, não consigo deixar de me interrogar se as pessoas que me telefonam o fazem a contragosto, antecipando o seu próprio desconforto e sentindo executar um acto inútil. Não é inútil. Para ser importante, um telefonema não necessita de durar mais do que dez segundos nem de incluir mais do que algumas frases desconjuntadas. Digo eu, procurando convencer-me de que as aparências não definem a realidade. Como em tudo, regista-se um ponto positivo: estarei entre as pessoas que menos dinheiro gastam neste país em chamadas telefónicas. Mas isso também me impede de usar o argumento económico para terminar as conversas («Olha, vou desligar que isto fica caro»), uma vez que mentir, pela falta de respeito que constituiria, está fora de questão. E, assim, quedo-me totalmente sem assuntos para prosseguir nem desculpas para desligar.

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mau tempo

por Patrícia Reis, em 31.03.13

Estão 14 distritos em alerta, a chuva parece que não vai parar e as janelas da casa mínima onde estou ameaçam cair. Oiço o vento lá fora e, confesso, tenho medo. O melhor será um livro.

 

Leio:

 

---
Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia,
E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça...

Alegra-me ouvir a chuva porque ela é o templo estar aceso,
E as vidraças da igreja vistas de fora são o som da chuva ouvido por dentro...

O esplendor do altar-mor é o eu não poder quase ver os montes
Através da chuva que é ouro tão solene na toalha do altar...
Soa o canto do coro, latino e vento a sacudir-me a vidraça
E sente-se chiar a água no fato de haver coro...

A missa é um automóvel que passa
Através dos fiéis que se ajoelham em hoje ser um dia triste...
Súbito vento sacode em esplendor maior
A festa da catedral e o ruído da chuva absorve tudo
Até só se ouvir a voz do padre água perder-se ao longe
Com o som de rodas de automóvel...

E apagam-se as luzes da igreja
Na chuva que cessa...

[Fernando Pessoa, in Chuva Oblíqua]

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Duas horas no nevoeiro (31)

por José António Abreu, em 31.03.13

 09:21:16

 

(Fim.)

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Da liberdade

por Laura Ramos, em 31.03.13

«Se eu falasse todas as línguas, as dos homens e as dos anjos, mas não tivesse amor, seria como um bronze que soa ou um címbalo que retine.

Se eu tivesse o dom da profecia, se conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, se tivesse toda a fé, a ponto de remover montanhas, mas não tivesse amor, nada seria.

Se eu gastasse todos os meus bens no sustento dos pobres e até me fizesse escravo, para me gloriar, mas não tivesse amor, de nada me aproveitaria.

O amor é paciente, é benfazejo; não é invejoso, não é presunçoso nem se incha de orgulho; não faz nada de vergonhoso, não é interesseiro, não se encoleriza, não se alegra com a injustiça, mas fica alegre com a verdade. Ele desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo.

O amor jamais acabará.As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência desaparecerá.

Com efeito, o nosso conhecimento é limitado, como também é limitado nosso profetizar.

Mas quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito.

Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Quando me tornei adulto, rejeitei o que era próprio de criança.

Agora nós vemos num espelho, confusamente, mas, então veremos face a face. Agora, conheço apenas em parte, mas, então, conhecerei completamente, como sou conhecido».

 

Carta de S. Paulo aos Coríntios

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Páscoa

por Pedro Correia, em 31.03.13

 

«E era com grande poder que os Apóstolos davam testemunho da Ressurreição do Senhor Jesus, gozando todos de grande simpatia. Entre eles não havia ninguém necessitado, pois todos os que possuíam terras ou casas vendiam-nas, traziam o produto da venda e depositavam-no aos pés dos Apóstolos. Distribuía-se, então, a cada um, conforme a necessidade que tivesse.» (Actos dos Apóstolos, 4: 34-35)

 

O dia que hoje celebramos no mundo de matriz cristã tem um significado que ultrapassa a letra da liturgia, podendo ser assimilado por todos os seres humanos de boa vontade. Simboliza desde logo a supremacia absoluta da espiritualidade sobre o materialismo. Simboliza o resgate de todos os injustiçados à face da terra - aqueles que, como Jesus, também sobrevivem à traição, à calúnia, à humilhação e à tortura. Simboliza enfim o triunfo dos justos contra a iniquidade política (personificada em Pôncio Pilatos, que sabia estar a permitir a condenação de um inocente) ou religiosa (personificada em Caifás, sumo sacerdote da Judeia). Cristo, ao transcender o plano da morte física após sucumbir sob intenso sofrimento, demonstra que todos os filhos de Deus são revestidos da mesma dignidade essencial. "Nenhum poder terias sobre mim se do Alto te não fosse dado", diz a um perplexo Pilatos, segundo relata o Evangelho de João.

O cristianismo, para não trair a sua raiz nem o seu destino, jamais deve omitir a face humana de Jesus, que nasce numa gruta obscura e morre crucificado entre dois salteadores. Alheado de toda a glória mundana, despojado de todos os bens terrenos, proclama para a eternidade que nem a morte é capaz de travar a indomável essência do espírito.

Reflexão para esta Páscoa. Reflexão para qualquer Páscoa que vier.

 

Texto reeditado

 

Quadro: Ressurreição, de Marc Chagall (1937)

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As canções do século (1186)

por Pedro Correia, em 31.03.13

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Ler

por Pedro Correia, em 30.03.13

Uma sugestão. De Rui Albuquerque, no Blasfémias.

Um homem muito sobrestimado. De José Carlos Alexandre, n' A Destreza das Dúvidas.

Um problema com a narrativa. Do Paulo Gorjão, na Bloguítica.

O político regressa sempre ao lugar da política. Do Pedro Rolo Duarte.

Qual o melhor momento de um político derrotado? Da Helena Matos, no Blasfémias.

Die Euro-Gruppe. Do José Meireles Graça, no Forte Apache.

Óscar Lopes (1917-2013). Do Pedro Picoito, no Declínio e Queda.

E se Anne Frank ganhasse hoje o Nobel? Da Joana Lopes, no Entre as Brumas da Memória.

Loving Story. De António de Araújo, no Malomil.

Querer ser feliz. Do Luís de Aguiar Fernandes, na Manifestação Espontânea.

Façam lá justiça à cigana fumadora. De Diogo Leote, no Escrever é Triste.

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Da dignidade

por Helena Sacadura Cabral, em 30.03.13

Carta aberta ao ministro das Finanças alemão

"O Senhor Ministro afirmou que há países da União Europeia que têm inveja da Alemanha. A primeira observação que quero fazer, Senhor Ministro, é que as relações entre Estados não se regem por sentimentos da natureza que referiu. As relações entre Estados pautam-se por interesses.

Queria dizer-lhe também, Senhor Ministro, que comparar a atitude de alguns Estados a miúdos que na escola têm inveja dos melhores alunos é, no mínimo, ofensivo para milhões de europeus que têm feito sacrifícios brutais nos últimos anos, com redução muito significativa do seu poder de compra, que sofrem com uma recessão económica que já conduziu ao encerramento de muitas empresas, a volumes de desemprego inaceitáveis e a uma perda de esperança no futuro.

E acrescentou o Senhor Ministro: “Os outros países sabem muito bem que assumimos as nossas responsabilidades…”. Fiquei a saber que a nova forma de qualificar o conceito de poder é chamar-lhe responsabilidade!

E disse mais o Senhor Ministro: “Cada um tem de pôr o seu orçamento em ordem, cada um tem de ser economicamente competitivo”. A este respeito gostaria de o informar que já tínhamos percebido, estamos a fazê-lo com muito sacrifício, sem tergiversar e segundo as regras que foram impostas.

Quando o ministro das Finanças do mais poderoso Estado da União Europeia faz afirmações deste jaez, passa a ser um dos responsáveis para que o projeto europeu esteja cada vez mais perto do fim.

Passo a explicar. O grande objetivo do projeto europeu foi garantir a paz na Europa e como escreveu um antigo e muito prestigiado deputado europeu, Francisco Lucas Pires, “… essa paz não foi conquistada pelas armas mas sim através de uma atitude de vontade e inteligência e não como um produto de uma simples necessidade ou automatismo…”. A paz e a prosperidade na Europa só foram possíveis porque no desenvolvimento do projeto político de integração europeia teve-se em conta a grande diversidade de interesses, as diferentes culturas e tradições e os diferentes olhares sobre o mundo. Procurou-se sempre conjugar todas essas variedades, tons e diferenças dos Estados-membros numa matriz de valores comuns.

Esta declaração de Vossa Excelência põe tudo isto em causa, ao apontar o sentimento da inveja como o determinante nas relações entre Estados-membros da União Europeia. Quero dizer-lhe, Senhor Ministro, que o sentimento da inveja anda normalmente associado a uma cultura de confrontação e não tem nada a ver com uma outra cultura, a de cooperação.

Com esta declaração, Vossa Excelência quer de forma subtil remeter para outros Estados a responsabilidade pela confrontação que se anuncia. Essa atitude é revoltante, inaceitável e deve ser denunciada.

A declaração de Vossa Excelência, para além de revelar uma grande ironia, própria dos que se sentem superiores aos outros, não é de todo compatível com a cultura de compromisso que tem sido a matriz essencial da construção do sonho europeu dos últimos 60 anos.

Vossa Excelência, ao expressar-se da forma como o fez, identificando a inveja de outros Estados-membros perante o “sucesso” da Alemanha, está de forma objetiva a contribuir para desvalorizar e até aniquilar todos os progressos feitos na Europa com vista à consolidação da paz e da prosperidade, em liberdade e em solidariedade. Com esta declaração, Vossa Excelência mostra que o espírito europeu para si já não existe.

Eu sei que a unificação alemã veio alterar de forma muito profunda as relações de poder na União Europeia. Mas o que não deveria acontecer é que esse poder acrescido viesse pôr em causa o método comunitário assente na permanente busca de compromissos entre variados e diferentes interesses e que foi adotado com sucesso durante décadas. O caminho que ultimamente vem sendo seguido é o oposto, é errado e terá consequências dramáticas para toda a Europa. Basta ler a história não muito longínqua para o perceber.

Não será boa ideia que as alterações políticas e institucionais necessárias à Europa venham a ser feitas baseadas, quase exclusivamente, nos interesses da Alemanha. Isso seria a negação do espírito europeu. Da mesma forma, também não será do interesse europeu o desenvolvimento de sentimentos anti-Alemanha.

Tenho a perceção de que a distância entre estas duas visões está a aumentar de forma que parece ser cada vez mais rápida e, por isso, são necessários urgentes esforços, visíveis aos olhos da opinião pública, de que a União Europeia só poderá sobreviver se as modificações inadiáveis, especialmente na zona euro, possam garantir que nos próximos anos haverá convergência entre as economias dos diferentes Estados-membros.

As declarações de Vossa Excelência vão no sentido de cavar ainda mais aquele fosso e, por isso, como referiu recentemente Jean-Claude Juncker a uma revista do seu país, os fantasmas da guerra que pensávamos estar definitivamente enterrados, pelos vistos só estão adormecidos. Com esta declaração, Vossa Excelência parece querer despertá-los.

José da Silva Peneda

Presidente do Conselho Económico e Social"

 

São atitudes destas que se esperam de políticos responsáveis. Silva Peneda merece todo o nosso respeito!

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Resistência activa ao aborto ortográfico (46)

por Pedro Correia, em 30.03.13

 

Universidade do Minho

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Duas horas no nevoeiro (30)

por José António Abreu, em 30.03.13

 09:09:11

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As canções do século (1185)

por Pedro Correia, em 30.03.13

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Sebastianismo

por Helena Sacadura Cabral, em 29.03.13



D. SEBASTIÃO, Rei de Portugal...


Louco, sim, louco, porque quis grandeza

Qual a Sorte a não dá.

Não coube em mim minha certeza;

Por isso onde o areal está

Ficou meu ser que houve, não o que há.


Minha loucura, outros que me a tomem

Com o que nela ia.

Sem a loucura que é o homem

Mais que a besta sadia,

Cadáver adiado que procria?






Nesta sexta feira da Paixão, cinzenta, chuvosa e fria deixo-vos este poema sempre tão pré monitório. De facto, todos nós vivemos à espera de que, um dia, D. Sebastião voltará para nos salvar. De nós mesmos!

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Nem sempre Via Dolorosa

por Laura Ramos, em 29.03.13

 

Há agenda para além da política.

Boa Páscoa.

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Parabéns!

por Ana Vidal, em 29.03.13

 

Ao nosso destemido André, que faz hoje anos.

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Duas horas no nevoeiro (29)

por José António Abreu, em 29.03.13

 08:38:55

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As canções do século (1184)

por Pedro Correia, em 29.03.13

 

Dedicada ao André Couto

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Apesar de Bowie ter inesperadamente lançado um novo álbum há um par de semanas, não resisto a recuperar este tema de Heathen, de 2002. Trata-se de uma espécie de canção de protesto, ou talvez de reivindicação, que me parece muito adequada aos tempos que correm, especialmente por se encontrar impregnada de uma teimosia ingénua que falta a outras (sim, a essa também). O vídeo, amador mas delicioso, é composto por imagens da Dinamarca nas décadas de 50, 60 e 70.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 28.03.13

«O princípio de confiança [na União Europeia] foi agora quebrado. A partir deste momento, o euro já não é uma só moeda. Só por retórica se poderá dizer que Berlim e Nicósia têm a mesma moeda. Haverá bancos sediados em 'zonas' mais seguras do que outras. A confiança dos mercados não poderá também ser igual na zona euro.»

Pedro Lomba, no Público

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Duas horas no nevoeiro (28)

por José António Abreu, em 28.03.13

 08:38:11

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Frases de 2013 (9)

por Pedro Correia, em 28.03.13

«A atitude do Partido Socialista deixou que a narrativa feita pelos meus adversários políticos estivesse sozinha em campo.»

José Sócrates, ontem, em entrevista à RTP

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Não vi o regresso de Sócrates

por João Campos, em 28.03.13

Mas posso garantir que o penúltimo episódio da terceira temporada de The Walking Dead foi uma maravilha. 

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Regresso ao passado

por Pedro Correia, em 28.03.13

José Sócrates tem, naturalmente, todo o direito à palavra. Ninguém aliás lhe negou esse direito: o ex-primeiro-ministro quebrou só agora o silêncio porque assim o entendeu. E vai voltar a quebrá-lo em sessões contínuas no canal público de televisão, algo sem paralelo na Europa. Ninguém imagina Tony Blair a analisar a governação de David Cameron como comentador residente da BBC, ou José Luis Zapatero a fazer marcação a Mariano Rajoy com púlpito semanal na TVE, ou Nicolas Sarkozy a dissecar regularmente os actos de François Hollande como animador político nos estúdios da France 2.

O problema de Sócrates não é o silêncio. O problema não é sequer esta originalidade tão portuguesa de ter como comentadores televisivos, como se fossem figuras isentas, alguns dos maiores protagonistas da cena política doméstica, que a todo o momento teriam necessidade de fazer declarações de interesses: afinal de contas, só os escuta quem quer.

O problema de Sócrates é surgir como um insólito plágio de si próprio. Para ter verdadeira eficácia, precisaria de ser um Sócrates reinventado. Precisaria de surpreender os portugueses, recriando-se como figura pública neste seu regresso ao comentário televisivo num remake do tirocínio mediático que o guindou à liderança do PS, em 2004.

Mas, na longuíssima entrevista à RTP, surgiu afinal o Sócrates de sempre.

A entrevista esgotou-se num anacrónico regresso ao passado, transportando-nos a 2011. E serviu para confirmar como a vida política acelera de forma vertiginosa. Foi apenas há dois anos e parece ter sido há duas décadas.

Na política, como no teatro, é fundamental não falhar o tempo - por lentidão excessiva ou manifesta precipitação. Sócrates é um actor consumado, mas ficou-me a sensação de que falou no tempo errado. Algo ainda mais estranho porque foi ele mesmo que o escolheu.

Também aqui

 

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As canções do século (1183)

por Pedro Correia, em 28.03.13

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Sócrates

por Patrícia Reis, em 27.03.13

Sócrates parou o país. Literalmente. O telejornal foi um preview da entrevista e pouco mais, como se nada de interessante se passasse no mundo (Obama entregou as secretas a uma mulher? Será notícia? Sismo nas Caraíbas? Adiante...). José Rodrigues dos Santos fez uma espécie de crónica/comentário. A grande reportagem eram os contra e os a favor do ex primeiro-ministro às portas da RTP. Até no Japão, Paulo Portas foi incomodado com a entrevista - o fim do silêncio! - de Sócrates. Respondeu inteligentemente, como é seu timbre, e foi à vidinha e fez muito bem. Os dois entrevistadores, um deles sub director de informação, especialista em economia, não acertaram nos números e não tinham capacidade para... bom, para entrevistar um homem que, para todos os efeitos, anda há muitos anos a virar frangos nesta coisa da política e que, tendo repetido a palavra "narrativa" até à exaustão, arrasou o Presidente da República e nem mencionou o nome do primeiro-ministro (leia-se: não lhe deu importância, simplesmente, o que só prova a falta de carisma que o primeiro-ministro em funções exala). Citou Dante. O meu filho comentou: ena pá, o homem é cultural.

A seguir juntaram-se não sei quantos comentadores - não sei se pro bono, mas que importa isso depois do Sócrates ter dito que "tomava a palavra" a convite e sem receber um tostão? - para falar e analisar a entrevista. Portanto, mais uma vez, Sócrates parou o país. Só conheço outra situação similar: um jogo Benfica-Porto ou Benfica-Sporting.

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Como sempre foi

por José Navarro de Andrade, em 27.03.13

Karl Theodore acumulava títulos, tanto como nos seus celeiros se amontoava o trigo, oiro da terra. Kurfürst Karl Theodor von der Pfalz e Kurfürst von Bayern, o que trocado por miúdos leigos e lusos dir-se-á Duque da Baviera e Grande Eleitor do Palatinado do Reno – um dos mais notáveis Príncipes-Eleitores do Sacro Império Romano.

De tanto potencial e poder resultou uma figura por demais dada às artes – patrono das de palco, das ornamentais e das filosóficas, famoso amigo de Voltaire – e a essoutras artes da caça, tanto da grossa do bosque como da fina e feminil de salão. Descreviam-no portanto como um diletante, sem vontade política, preguiçoso e egoísta, rodeado de bastardos, tão prolíficos que deles nem tinha vagar para decorar os nomes.

Em 1763 a pintora Anna Dorothea Therbusch, píncaro do Rococó germânico, e que esplêndido de volutas e panejamentos ele foi, talvez sem igual, fixou a imortalidade de Karl Theodore a óleo, preservado hoje no museu de Mannheim.

Vem este portento a propósito de uma comparação. 13 anos antes o preciso Thomas Gainsborough havia retratato Mr. and Mrs. Andrews. O casal encosta-se a um canto da tela para que a maior área pictórica registe a extensão dos seus domínios. O Cavalheiro confirma o seu poderio com espingarda e cão, símbolos do ócio senhorial, e para que não restassem dúvidas, encosta-se sobranceiramente com displicência e de perna traçada, ao cadeirão onde posa a sua hirta Senhora.

 

 Robert Andrews era parte da gentry rural inglesa, o que não coibiu seu pai de ter ampliado a fortuna com generosos juros de empréstimos financeiros e no comércio com as colónias, para o qual dispunha de uma frota naval. Em 1748 Robert desposou Frances Mary Carter que trouxe no dote as propriedades de Aubrey, à frente das quais ambos posam. O pai de Frances, também ele era um industrial têxtil que prudentemente converteria o capital em terras.

Duas Europas em contraste tão exposto que o podemos ver explicado em dois quadros. Uma Europa até hoje pouco alterada desde esta segunda metade do séc. XVIII, no dealbar do Iluminismo e das Revoluções .

E Portugal?

Portugal na mesma, como se pode atestar no pobríssimo retrato de D. Lourenço de Lencastre, Marquês de Minas e Conde do Prado pelo casamento, muita grandeza porém muito paroquial, oiros brasileiros mas benzeduras de vilão. Obra do sofrível Vieira Lusitano, a mão direita de Lourenço será igual à de Karl, a fazer um gesto que sublinha o óbvio poderio, mas na esquerda, em vez da arma de fogo em descanso blasée de Andrews, olhem-na toda pimpona de canos para o ar. Ao peito, nem os arminhos teutónicos ou a casaca mercantil do inglês; ao baú dos avoengos há-de ter ido vasculhar a armadura negra de pretéritos heroísmos, reclamados como seus por mera infusão sanguínea.

Já éramos tão poucochinhos naqueles dias.  

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Coisas privadas

por José António Abreu, em 27.03.13

Why not leave their private sorrows to people? Is sorrow not, one asks, the only thing in the world people really possess?

Vladimir Nabokov, através do professor Timofey Pnin, resmungando contra a psicanálise (um dos seus ódios de estimação) em Pnin, meio século antes da criação das redes sociais. 

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Cresci no bairro dos Olivais, em Lisboa. Uma urbanização dos anos 1960s, uma mescla sociológica ("melting pot" a la Portugal de então) a acolher a alvorada da macrocefalia urbana no país, o crescimento da cidade "capital do Império" de então - estatuto bem marcado na toponímia do bairro, os Olivais-Sul com as ruas nomeadas segundo as localidades ultramarinas (eu sou "da Bolama") e as dos Olivais-Norte dedicadas a evocar os mortos na guerra colonial (a minha irmã viveu na "Alferes Barrilaro Ruas").

  

 [O Presidente da República, Almirante Américo Thomaz, descerrando a lápide onde se perpetua o nascimento da nova urbanização (imagem encontrada aqui)]

 

Obra de regime, do Estado Novo tardio. Na ideologia, no simbólico, na visão sociológica. E no urbanismo projectado. Um ideal "civilizador" baseado num irenismo sociológico, "vizinhando" diversos estratos sociais, crente nas "boas influências", nos mecanismos de integração cultural e, até, na possibilidade de assim induzir alguma mobilidade social e cultural. Desde uma classe média mais abonada, o pessoal "das vivendas", ali à "rotunda do relógio", passando pelo funcionalismo público de alto estatuto (os tempos eram diferentes ...) agregado nos "prédios dos juízes" ou dos "militares" (oficiais superiores) ou às vivendas para quadros com prole avantajada (que ainda os havia). E, no outro extremo da pirâmide, mas contíguos nas residências, outro tipo de habitação social para reinstalados de zonas pobres, até refugiados das cheias que avassalaram Lisboa em finais dos 1960s, alguns conjugados em zonas que adquiriram nomes pitorescos como "Aldeia dos Macacos" ou "Vietname", que o célebre "Cambodja" era além-fronteiras, apesar destas porosas, já no início de Chelas.

Locais esses, e outros, temidos em criança, de onde vinham as vagas de perigosos "ciganos" (que não o eram), primeiro para nos roubar as bolas e outros "gadgets" (que não se chamavam assim e eram bem poucos), depois para nos entre-aliarmos, aprendendo a viver no mundo como ele é, e, finalmente já como criança-mor, os invadirmos para comprar as diversas drogas com que esfuziámos a chegada da idade. Caldeirões destas mezinhas eram as "escolas" de então, o célebre D. Dinis (também lá em Chelas mas frequentado por gente do "nosso" lado), a "Piscina", os "Viveiros" que fundei e onde andei durante anos, em cima daquela areia vermelha que afinal era tóxica. Escolas de peculiar funcionamento, cuja memória sempre me faz sorrir diante dos tontos queixumes d'agora, esses de que "a escola dantes é que era boa".

Enfim, nisso resultou uma enorme freguesia, então com uma população jovem e descabelada (um dia deu-me a saudade e escrevi este "Olivais", memórias quase em regime etnográfico). Com uma cultura "regional", "tribalista" se se quiser. Calão, percursos, ícones, referências próprias. E mecanismos de solidariedade, que foram ficando, mesmo que algo esgarçados pelas décadas passadas - ainda hoje em Maputo descubro, de quando em vez, um tipo dos Olivais. "Do norte ou do sul?" logo é a questão, "do Modesto, do Tó ou Tosta, do Brisa?", logo segue o inquérito, a ver das raízes e percursos traduzidos pelos cafés, fortins de então, exactamente como outros perguntam colégios ou duplas consoantes ou falsos tios. E fico de olho no "tipo dos olivais", a ver se precisa de algo (e, confesso, se justifica a atenção). Tudo isso porque a gente gostou de lá crescer. Há alguns anos os projectistas, alguns arquitectos que vieram ser célebres, fizeram rescaldo e lamentaram o rumo do bairro e até deixaram entender que reconheciam erros. Talvez. Mas os utilizadores gostaram.

Bem, vem esta memória a propósito do que vai acontecendo no velho bairro. E também para justificar esta minha atenção. Pois um tipo dos Olivais, mesmo que vivendo do outro lado do mundo, fica atento ao que lá se passa.

 

No centro dos Olivais um baldio ficou "esquecido" durante décadas. Originalmente pensado para "centro social", comercial e cultural, mas as convulsões da sociedade nos 70s e 80s estancaram o processo. 

 

 

O baldio foi mato até à democracia. Então aconteceu a reforma agrária. No Alentejo e não só. Pois também ali o terreno foi tomado pela população, as franjas mais "populares" circundantes foram-se a ele e retalharam-no em courelas, dedicadas ao auto-consumo, lembro que em particular de viçosas couves. Cresci nestes prédios, literalmente com machambas diante do nariz.

Anos passados, na euforia da europa e da "economia de serviços", finalmente se avançou com a urbanização. Prédios de habitação, escritórios e um centro comercial (entretanto, após o Acordo Ortográfico, chamado shopping centre). E mais haveria, hotel para o Euro-2004, se calhar mesmo pensado para a EXPO-98, para apoiar o aeroporto, enfim. Claro que ainda não está pronto. A obra começou há 20 anos, em 1993, como mostra esta retrospectiva apresentada no Olivesaria, um blog colectivo dedicado ao bairro que partilhei com alguns velhos amigos-vizinhos.

 

 

 

 

 (Abril de 1993)

A primeira parte do projecto ficou assim, uma "grande muralha", completamente esquecida do tom original do bairro, sempre residencial. Esquecida qualquer ideia de zona verde (certo que há uns canteiros dentro do shópingue). Muitos logo protestaram, até porque o estabelecimento de serviços cívicos, culturais se se quiser, foi apagado. Pois nestes tempos "sem ideologias" o cívico é o centro comercial, que a gente ou vai às compras ou vai ver as montras. E os calhamaços.

 

[grandemuralha.jpg]

 

 (Primeira parte do projecto concluída)

 

Depois, logo depois, avançou-se para a segunda parte do projecto. Mais prédios, nada mais do que prédios. Tudo tão apertadinho, tão utilizado, que um deles está mesmo, literalmente, em cima do passeio. Apesar do grande espaço daquela rotunda. O espantoso é que vinte anos depois do início do projecto as obras não estão concluídas. Claro, há anos que os últimos prédios terminados estão vazios e que vários outros estão ainda em estrutura. A demência, a cupidez, a irracionalidade económica na república da "economia de serviços", da "indústria da construção civil" e do sacrossanto "poder local".

Repito: há vinte anos que começou a construção na rotunda central dos Olivais, entretanto passado de bairro arrabalde a zona central da cidade, pelo crescimento a leste, pela Expo-98. E ainda não está terminada. Nem há actividade construtora.

Neste festim de betão surgiu o óbvio, já anunciado há décadas atrás. Tanto foi o espaço ocupado, inutilizado, e a falta de planificação, que o estacionamento no centro daquele bairro residencial se tornou um quebra-cabeças. A solução camarária demorou. Mas depois foi simples. (Quase literalmente) Lapidar.

 

 

 

Foi-se à rotunda (esta, onde está um tal de "Spacio Shopping") e instalou o sentido único para os automóveis. Para facilitar o estacionamento em espinha, claro. Mas assim constituindo um autódromo.

Dada a dimensão da área é uma total violência naquela área urbana. Sob o ponto de vista urbanístico. E também securitário, tornando uma aventura pedonal uma mera ida às compras. Ainda para mais num universo tão envelhecido ("pai, porque há tantos velhos em Portugal?" pergunta-me a minha filha, espantada, aquando nos Olivais).

A desmesurada e irreflectida medida está em "experiência" durante este semestre. Alguns olivalenses, de rija têmpera, lançaram agora uma petição. Para refutar esta insensatez. Urbanística. E também securitária. A petição está aqui: contra as alterações no trânsito e na mobilidade nos Olivais Sul.

Não será apenas um assunto para "olivalenses". Será, com toda a certeza, assunto para qualquer habitante do país com sensibilidade . Para qualquer peão. Para qualquer cidadão. Nem que seja apenas para ensinar algo aos autarcas. Educá-los, civilizá-los. Exactamente, o tal propósito que alimentou o projecto "Olivais" ...

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Filipa Leal

por Patrícia Reis, em 27.03.13

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Goste-se ou não, o regresso de Sócrates à RTP constitui um facto político da máxima relevância. Em todo o caso, é justo recordar que  o DELITO DE OPINIÃO obteve em exclusividade, já em Setembro de 2011, a primeira entrevista do anterior primeiro-ministro. Face à relevância histórica desse acontecimento, aqui se recordam as respostas de José Sócrates:

 

DELITO DE OPINIÃO - Religião:

JOSÉ SÓCRATES- Em certas circunstâncias, admito que possa ser um bom investimento. Um dia, talvez possa ter uma. A minha.

DELITO DE OPINIÃO - Felicidade:

JOSÉ SÓCRATES - Sempre. Enquadrada por uma política de Estado destinada a promovê-la e a incentivá-la. No futuro, também a medi-la.

DELITO DE OPINIÃO - Auto-estima:

JOSÉ SÓCRATES - Completamente. Quem inventou o conceito não devia esconder-se na sua modéstia. Mas, não esqueço que a opinião dos outros é a fonte do meu sucesso. É fundamental influenciá-la. Tal e qual como faço com o meu espelho.

DELITO DE OPINIÃO -Arte:

JOSÉ SÓCRATES - Fundamental. Interessam-me todos os artistas ainda vivos. Não existe nenhuma vantagem em dedicar tempo aos clássicos, a todos os que já desapareceram. Nenhum deles pode falar bem de mim. Prescindir dos clássicos deixa-me à vontade para promover todos os que estão vivos e esperar o retorno.

DELITO DE OPINIÃO - Polémica:

JOSÉ SÓCRATES - Indispensável. Encaro-a como instrumento de notoriedade. Tudo o que nos rodeia é tão relativo como o gosto literário. Tornarmo-nos objecto de polémica ou polemizar sobre os mais diversos temas, daí retirando todo o benefício inerente, deveria ser o nosso objectivo prioritário.

DELITO DE OPINIÃO - Convicções políticas:

JOSÉ SÓCRATES - Tenho. Mas, não me revejo nas causas da militância tradicional. A esquerda e a direita são divisões redutoras. A esquerda de quem desce é a direita de quem sobe.

DELITO DE OPINIÃO - Ética:

JOSÉ SÓCRATES - Sou um crítico da ética da responsabilidade. A ética deve ser mediada pelo resultado. Prefiro a ética do cálculo e do benefício. Não há justiça, só êxito. O enriquecimento rápido, que muitos criticam, é para mim prova de competência. É claro que existe sempre uma corrente conservadora que se alimenta de inveja e de escândalos. Os escândalos são para mim, todavia, um sintoma do sucesso.

DELITO DE OPINIÃO - Causas:

JOSÉ SÓCRATES - Todas. Exerço em permanência a minha liberdade de escolha. Escolho as minhas marcas, a moda, as minhas referências. O socialismo de mercado que defendo é isso mesmo. O espaço onde o romantismo das causas e a bolsa de valores se encontram, em síntese, mas com clara prevalência para esta última. É o mercado que nos proporciona o momento da afirmação da nossa identidade.

DELITO DE OPINIÃO - Pobreza:

JOSÉ SÓCRATES - Não gosto. Os intelectuais é que gostam de pobreza. Eu sou um pragmático. É preciso que os pobres tenham tudo o que for necessário para que a minha aspiração de sucesso material tenha legitimidade. Não suportaria um país em que a minha ambição pessoal, as minhas férias, os meus gadgets, os meus jantares, pudessem ser considerados ofensivos por quem não tem nada. É para isso que serve, entre outras coisas, o Estado Social.

DELITO DE OPINIÃO - Filosofia e Pensamento:

JOSÉ SÓCRATES - Senti a vertigem da descoberta ao ler Nietzsche na sua vertente niilista. Para além disso, aprecio muito Des Cartes. E Des Epistoles também.

DELITO DE OPINIÃO -Amizade:

JOSÉ SÓCRATES - Os meus cães. Tenho com eles o entendimento perfeito. Não há competição entre nós, nem conflito de vontades. Eu mando e eles obedecem.

DELITO DE OPINIÃO - Relação consigo próprio:

JOSÉ SÓCRATES - Não podia viver sem mim.

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Duas horas no nevoeiro (27)

por José António Abreu, em 27.03.13

 08:37:16

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As canções do século (1182)

por Pedro Correia, em 27.03.13

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Lidar com o comentador

por João André, em 26.03.13

Não posso dizer que tenha simpatias por José Sócrates. Não votei nele nem teria intenções de o fazer. Para mim, a única coisa que fazia dele um socialista era a sua palavra e sabemos qual o valor que tem (quase nenhum, mas superior ao de qualquer actual ministro).

 

Seja como for, as reacções à sua ida para comentador são geralmente ridículas. Variadíssimos comentadores sem qualquer qualidade ou credibilidade populam os nossos media e nós não pedimos a sua exoneração, iniciamos petições para boicotar o media em questão ou de uma forma geral fazemos muito barulho. Sei que muita desta indignação é fabricada para poder desviar atenções daquilo que o governo vai fazendo. É estratégia tão velha que Carbono-14 não serve para a datar. E funciona.

 

Há, no entanto, uma forma muito mais simples de evitar ouvir as opiniões de José Sócrates: desliguem a televisão. Também se evita assim muito outro lixo televisivo bem pior que as declarações de um ex-governante.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 26.03.13

«Chipre pode ter evitado a bancarrota e Berlim pode ter obtido exactamente o acordo que queria. O problema é que esta crise está a destruir a reputação europeia e as suas instituições.»

Teresa de Sousa, no Público

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A subserviência à troika

por Luís Menezes Leitão, em 26.03.13

 

A subserviência e a falta de sentido de Estado dos nossos políticos perante a troika é algo que brada aos céus. António José Seguro anuncia uma moção de censura no Parlamento, mas antes mesmo de a apresentar escreve uma carta à troika, justificando que a moção é apenas dirigida ao Governo e explicando que nunca porá em causa o memorando. O Parlamento só debaterá assim a moção de censura depois de a troika sobre a mesma se pronunciar, o que leva a uma total menorização do Parlamento português perante instituições estrangeiras. Há efectivamente muitas razões para censurar o Governo mas, depois desta carta que escreveu, António José Seguro deveria era começar por censurar-se a si próprio. 

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Balada breve

por Ana Vidal, em 26.03.13

Batem forte, fortemente,
Nesta invernia sem fim.
É mais chuva, certamente,

E mais vento, e frio silente,

Que gente não bate assim.


Quem bate assim, cegamente,
Com tão estranha malvadeza,
Que bem se ouve, bem se sente?
Além do tempo inclemente,
É o Gaspar, com certeza.


Que quem é mais gastador
Sofra tormentos, enfim.
Mas aos portugueses, Senhor,
Porque lhes dais tanta dor?
Porque padecem assim?



(Augusto Gil revisitado, versão 2013)

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Duas acusações recorrentes

por José António Abreu, em 26.03.13

Passos Coelho e Vítor Gaspar não conhecem o país.

Com uma parte desta acusação é fácil simpatizar: eu também preferiria que a carreira profissional dos actuais líderes políticos fosse mais rica. Mas convém não ter ilusões: em Portugal como noutros países (afinal, que carreira fora da política teve François Hollande, essa momentaneamente imprescindível referência da esquerda?), os líderes políticos emergem dos partidos, pouco mais tendo feito na vida que não política. Nem sequer é difícil perceber a razão: muitos empresários e gestores preferem quedar-se na sombra, beneficiando de um regime de interesse mútuo, e os restantes, aqueles verdadeiramente dinâmicos e competentes, não têm tempo nem apetência para os meandros insalubres do jogo político (excepção feita a esse expoente da qualidade governativa e do conhecimento das necessidades dos cidadãos chamado Silvio Berlusconi, evidentemente). Esta última razão aplica-se também a médicos, académicos, juristas, economistas, cientistas, contabilistas, funcionários de escritório, comentadores televisivos e surfistas. Sendo que conviria reconhecer um ponto importante: quando muito, a diferença no conhecimento do «mundo real» – ou, noutra expressão adorável, do «país real» – entre políticos como Passos Coelho ou Vítor Gaspar (ou António José Seguro) e a maioria dos médicos, académicos, juristas, economistas, cientistas, contabilistas, funcionários de escritório, comentadores televisivos e surfistas não ultrapassa dois ou três pontos numa longuíssima escala – e estou a ser simpático para os médicos, académicos, juristas, economistas, cientistas, contabilistas, funcionários de escritório, comentadores televisivos e surfistas. Na verdade, quem se pode reclamar da capacidade de conhecer o «país»? Mais: o que é «o país»? Um pescador de caxinas, um maquinista da CP, um doutorado pela Católica, um reformado sentado num banco de jardim, um broquista da indústria da cortiça, o Fernando Ulrich, o sem-abrigo que dorme junto à porta do balcão da Praça da Galiza do BPI (no kidding), o proprietário de um café em Olhão, um investigador bolseiro, o emplastro que aparecia na televisão atrás de políticos e desportistas, um elemento dos No Name Boys, o António Lobo Antunes, o pensionista que, em conluio com o patrão, passou anos a declarar apenas três dias de trabalho por semana e agora se queixa do montante da pensão de reforma, uma dona de casa de Castelo de Vide, um cirurgião da unidade cardiotorácica dos Hospitais de Coimbra, um pastor da Serra da Estrela, a presidente da Assembleia da República e a sua reforma aos 42 anos, o vimaranense que gritou «Messi, Messi, Messi» porque o Ronaldo não lhe ligou às miúdas? Ou será o próprio Ronaldo e o seu Lamborghini Aventador? O país é demasiadas coisas para que alguém possa reclamar conhecê-lo bem e não são três, dez ou vinte anos numa empresa (ou em duas ou em três), ou numa universidade, ou num escritório de advocacia que permitem conhecê-lo. Não da forma como parecemos exigi-lo aos líderes políticos. Mas talvez consigamos chegar a uma resposta satisfatória acerca do que significa «o país» e, muito especialmente, «conhecer o país» notando que Sócrates, com o seu currículo de ligações a câmaras municipais e a projectos manhosos, com as suas políticas beneficiando invariavelmente os empresários amigos e as classes habituadas a serem prioritárias em qualquer decisão governamental, raramente ouviu a acusação. Deve ser isto, então, «conhecer o país»: estar mergulhado nos seus vícios e disponível para os perpetuar. De resto, só assim se entende que alguns comentadores incluam nos pontos negativos a circunstância de Passos, Gaspar e Seguro, para além de nunca terem tido um emprego «normal», nunca terem sequer desempenhado cargos em governos anteriores ou autarquias – o que, equivalendo a acusá-los de fazerem parte do sistema por não terem desempenhado um papel oficial no sistema, tem lógica porque, na realidade, o que toda a gente continua a desejar é continuidade: as políticas e a retórica do costume. Só que Portugal não precisa de continuidade. Precisa de mudança. E, infelizmente, para a implementar, talvez Passos – como muitas pessoas em torno dele; como Seguro – ainda conheça o país demasiado bem. Só assim se explicam a força inabalável com que avançou para os aumentos de impostos e todas as dúvidas que parecem restar-lhe quanto ao corte da despesa.

 

Eles só olham para os números; as pessoas não são números.

Depois de tantas previsões falhadas por parte de Vítor Gaspar, esta parece hoje uma acusação incongruente mas, há três ou quatro meses, o Bloco de Esquerda, benza-lhe Deus o voluntarismo, até colocou a segunda parte da frase num cartaz. É verdade que, nas últimas décadas, à medida que as pessoas iam conseguindo melhores níveis de vida do que em alguma outra época da História, o calor humano parecia descer. A posse – nisto os marxistas tinham razão – implica egoísmo. É também verdade que muita gente em cargos de responsabilidade possui mais bagagem teórica do que experiência prática. Mas o nosso problema não advém de os nossos governantes olharem demasiado para os números. Pelo contrário: o problema nasceu ou, pelo menos, agravou-se muito para além do necessário por, ao longo de anos, não terem olhado o suficiente. Tivessem-no feito, e tivessem agido em função do que viam, e as pessoas estariam hoje melhor. As mesmas pessoas que, não sendo números, deviam aprender que eles querem dizer algo, que têm consequências práticas nas suas vidas – e deviam aprender a exigir aos políticos que olhassem bem para eles e não apenas numa perspectiva de curto prazo. Mas ignorar os avisos (enquanto o pau vai e vem, folgam as costas, certo?) ou até, como no caso do Bloco de Esquerda, do PC, da CGTP, exigir continuamente medidas que agravam as hipóteses de «os números» virem a ter consequências nefastas e depois regurgitar clichés é tão mais fácil, não é?

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Março, marçagão e tal

por Rui Rocha, em 26.03.13

Pois, pois. Tudo muito certo. Mas onde anda a parte do de tarde Verão?

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Duas horas no nevoeiro (26)

por José António Abreu, em 26.03.13

 08:36:03

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Torquato da Luz

por jpt, em 26.03.13

 (Imagem encontrada aqui)

 

Leio a nota que sua filha colocou ontem no seu tão cuidado blog Ofício Diário, anunciando-nos, aos fiéis leitores, a morte de Torquato da Luz. Sabia-lhe o nome, o papel na imprensa portuguesa, em particular em tempos épicos da instauração da democracia. Mas foi nesse "Ofício Diário" que o conheci, acompanhando-o ali, onde durante anos, desde 2004, de um modo paciente, apaixonado e tão sóbrio, partilhou a sua poesia.

 

Sou um mau leitor de poesia, impaciente, quantas vezes buscando-lhe o rumo e mesmo desenlaces que ela não quer ter. Ou que eu não consigo descortinar. E nisso lembro agora que, há um mês, ao chegar ao "Sem drama", último poema que ali deixou, me senti retratado naquele, nada acusatório mas tão descansadamente irónico, transpirando a bonomia do homem vivido e sábio, "Poucas pessoas gostam de poesia, / embora a maioria, / como é sabido, diga que sim. / (...) / Vicejando em qualquer lado, / há quem a ponha na lapela / para o encontro aprazado. / Outros mostam-na à janela / no lugar do cortinado. / Mas, sem que nisso haja drama, / raros são decerto aqueles / que a fazem dormir com eles / noite após noite na cama". Pensei até enviar-lhe nota dessa minha sensação de retratado, "sem drama" claro. Falhei nisso, perdendo-me em demoras.

 

Com gentileza, que me foi até surpreendente, e que inicialmente atribuí à solidariedade no seio desta confraria bloguística, foi-me enviando os livros que ia publicando. Agradeci-lhos, com sinceridade, mas nunca me atrevi a perguntar-lhe da razão de ofertar este leitor sempre silencioso. Fiquei-me com a ideia, fico-me com ela, pois me é agradável, que fosse forma dele remeter o seu trabalho para este Maputo, o ex-Lourenço Marques, onde um dia, longínquo das quatro décadas já decorridas desde 1971-2, entrou com os seus poemas nessa espantosa, até lendária, aventura do "Caliban", revista como-se-fundacional capitaneada por António Quadros (então J.P. Grabato Dias) e Rui Knopfli. Sendo assim meio de refutar, pelo menos em parte, aquilo do "Tudo o que outrora soube e já esqueci: / os nomes, coisas, datas e lugares. / (...) / Tudo o que tive e nunca mais terei." (em "Tudo"), neste caso um seu lugar de ombrear poético.

 

Assim sendo, deixando-me crer nesta versão, nesta sua morte regresso ao Torquato da Luz de "Caliban", neste meu volume que um dia, abençoado seja, José Soares Martins e Nelson Saúte, abençoados sejam, decidiram reeditar e reavivar. A um Torquato da Luz invejável, capaz de deixar isto (será que o viveu?, e se sim ainda mais invejável ..., invejo-o eu, sempre estancado diante da aflição):

 

Apenas aflição

 

Apenas aflição e nada mais.

Um arrepio correndo o corpo todo.

Estar aflito é um modo

de estar com os demais.

 

Aflito. Como se um rio

de súbito saído do seu leito

afogasse o navio

do corpo a que estou sujeito.

 

Não temas. É aflito que escrevo.

Aflito realizo

ser de tudo o que vejo o dono e o servo.

 

Tudo o mais que preciso

é saber que me devo

um permanente aviso.

 

(Caliban, nº 3-4)

 

Ana Vidal deixa nos comentários ao postal um poema auto-retrato de Torquato da Luz. Mais do que se justifica trazê-lo para aqui:

 

O QUE DER E VIER

Tributário apenas da verdade,
avesso a peias e grilhetas,
feito da massa dos poetas
e dos que amam a liberdade,
sensível à dor própria e à dor alheia,
lutando até ao fim por uma ideia
de peito aberto e sem ter medo
de nada nem de ninguém,
capaz de guardar segredo
mas de o revelar também,
eis como sempre hei-de ser
para o que der e vier.

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As canções do século (1181)

por Pedro Correia, em 26.03.13

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Smash

por Patrícia Reis, em 25.03.13

 

Produção de Steven Spielberg. Excelente série de televisão.

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A cópia

por João Campos, em 25.03.13

 

Há alguns dias, enquanto fazia zapping, detive-me por alguns minutos num dos canais de notícias (TVI? É difícil dizer; para quem não os segue com regularidade são todos iguais). Passava um daqueles programas de comentário político muito na moda para ex-governantes; no caso, era Marques Mendes quem botava faladura. E fiquei surpreendido pelos gestos, pelo tom, pela postura. Pergunto: é só de mim, que não tenho por hábito acompanhar este tipo de programas, ou o homem tornou-se numa cópia (necessariamente inferior) de Marcelo Rebelo de Sousa?

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Hasta siempre, Bebo Valdés

por Pedro Correia, em 25.03.13

 

"La libertad cuesta muy cara, y es necesario, o resignarse a vivir sin ella, o decidirse a comprarla por su precio."

José Martí

"Dentro de la Revolución todo; contra la Revolución, nada."

Fidel Castro

 

Fala-se muito da privação dos direitos políticos em Cuba, submetida desde 1959 à férrea oligarquia dos irmãos Castro. Fala-se muito menos da repressão cultural na ilha-prisão, onde escritores, poetas e artistas tão diversos como Cabrera Infante, Virgilio Piñera, Nestor Almendros, Carlos Franqui, Jesús Díaz, Reinaldo Arenas e Heberto Padilla se viram condenados consecutivamente ao silêncio, à prisão ou ao exílio por ousarem desafiar os dogmas do regime. Houve já quem chamasse "genocídio cultural" ao meio século de tirania comunista que impõe a lei da mordaça a um povo que é, como poucos, vocacionado para a liberdade.

Pensei nisto há dois dias, ao tomar conhecimento de que um dos mais geniais pianistas do nosso tempo nos disse adeus. Era Bebo Valdés, falecido aos 94 anos após mais quatro décadas de exílio voluntário. Foi um dos reis da noite de Havana nos anos 40 e 50, tendo chegado a actuar com Nat King Cole. Quando os barbudos de Castro desceram a Sierra Maestra, substituindo uma ditadura por outra de sinal contrário, ele fez uma declaração que viria a condená-lo ao ostracismo: "Sou neutral em matéria política." Uma frase destas bastava para que lhe pusessem o rótulo de contra-revolucionário.

Quando Fidel mandou expropriar os 955 bares e cabarés existentes na capital cubana, em Março de 1968, Bebo percebeu que era tempo de partir. A mãe fê-lo prometer que não regressaria enquanto vigorasse a ditadura e ele cumpriu a promessa: disse adeus à ilha, tornou-se cidadão do mundo. A Havana que transportava consigo era uma Havana mítica, há muito sepultada na poeira da memória.

 

Bebo imprimiu à sua música a inconfundível nostalgia do exílio, latente em cada acorde que colhia do piano. Como ele, muitos outros acabaram a espalhar o som cubano pelas rotas do desterro.

Castro, implacável, proclamou que a arte teria de ser posta ao serviço da revolução, começando por proibir os cubanos de escutar os Beatles. De proibição em proibição, todo o som dos exilados acabou por ser alvo da censura oficial na rádio e na TV. Três gerações da ilha foram assim impedidas de ouvir o intérprete de La Comparsa. E também Celia Cruz, a rainha da salsa - que a Billboard Magazine chegou a considerar "a mais influente figura feminina da história da música cubana": exilada em 1959, nunca mais regressou à sua Havana natal. E Olga Guillot, a rainha do bolero, que partilhou palcos com Frank Sinatra: partiu em 1961 sem olhar para trás.

 

É enorme a legião de músicos ou futuros músicos cubanos que a revolução castrista expurgou. Inclui o trompetista Arturo Sandoval, exilado em 1990 durante uma digressão em Espanha com Dizzy Gillespie. Cachao López, um dos mestres do mambo, que rumou em 1962 para os Estados Unidos numa viagem sem regresso. Willy Chirino, que partiu em 1960, ainda adolescente, e hoje é um dos mentores do movimento pacifista cubano Eu não coopero com a ditadura. Gloria Estefan, que já vendeu mais de cem milhões de discos, permanece longe do país natal, onde nasceu há 55 anos. Paquito d'Rivera - provavelmente o melhor saxofonista contemporâneo - pediu asilo político aos EUA, em 1981, quando se encontrava em solo espanhol: o jazz, sua especialidade, era considerado "música imperialista" naqueles anos de chumbo do regime.

Votaram com os pés, abandonando um regime que os oprimia. Cada qual a seu modo, todos sabiam que a criação artística é inseparável da liberdade.

 

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Take the money and run!

por Luís Menezes Leitão, em 25.03.13

 

Foi mais ou menos o que acabou de dizer aos depositantes dos bancos europeus Jeroen Dijsselbloem, este rapaz com ar simpático, que ostenta o título, atribuído sabe-se lá por quem, de Presidente do Eurogrupo. Se o euro sobreviver a este Eurogrupo será um milagre, a agradecer a Deus e a todos os anjinhos.

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Chipre, take 2

por José António Abreu, em 25.03.13

A proposta actual:

The country’s second-biggest bank, Laiki, would be wound down. Viable assets and insured deposits would be put into a “good bank”. Another €4.2 billion worth of uninsured deposits would be placed into a “bad bank”, to be disposed of, with no certainty that big depositors will get any money back.

The treatment of the biggest bank, Bank of Cyprus, was a bit less harsh. It is to be restructured severely by wiping out shareholders and bailing in bondholders, both junior and senior. Uninsured depositors would probably incur haircuts of the order of 35%, said senior sources involved in the negotiation. The “good bank” emerging from Laiki would be merged with Bank of Cyprus.

 

Dos erros da semana passada:

After the upheavals of the past week, and months of earlier negotiations, the euro zone has ended up with a deal that is similar to the solution first proposed by the IMF, which was backed by Germany but rejected by Cyprus (and to some extent by the European Commission). The IMF had suggested winding down both Laiki and Bank of Cyprus and splitting them into good and bad banks. Now Mr Anastasiades has salvaged the shell of the Bank of Cyprus, but at the cost of encumbering it with bad assets. The scale of the bail-in that will be required to bring it to the target capital-ratio of 9% remains unclear.

It took a popular protest, and a threat by the European Central Bank to cut off liquidity to Cyprus by March 25th if a deal were not reached, to change Mr Anastasiades’s mind about trying to protect those big foreign depositors at the expense of small domestic savers.

[…]

Even France, usually the champion of “solidarity”, could not summon the will to bail out Cyprus’s “casino” banking, as Pierre Moscovici, the French finance minister, put it.

 

E para que não restem ilusões:

Nobody doubts that, after such a severe blow to its lucrative banking sector, Cyprus will be pushed into a harsh recession. Some sources in the troika tentatively estimate that GDP will shrink by about 10% before any hope of recovery.

 

Do Economist.

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Duas horas no nevoeiro (25)

por José António Abreu, em 25.03.13

 08:34:50

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As canções do século (1180)

por Pedro Correia, em 25.03.13

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Rei morto, rei posto

por José Navarro de Andrade, em 24.03.13

Morreu Bebo, que viva Chucho - a dinastia Valdés não definha.

 

 

 

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Asneira em dose dupla

por Pedro Correia, em 24.03.13

   

  

É uma questão de conflito de interesses mal resolvida. Ser administrador de uma empresa que elabora sondagens eleitorais e ao mesmo tempo apoiante declarado de uma candidatura a esse mesmo escrutínio são condimentos certos para dar asneira. Cumprindo os preceitos da Lei de Murphy, neste caso a asneira aconteceu mesmo. E em dose dupla. José Couceiro, derrotado nas eleições do Sporting, só conseguiu sagrar-se "vencedor" nas sondagens da empresa desse seu apoiante, numa afirmação viva do antigo preceito "não basta querer - é preciso poder".

As sondagens falharam redondamente. Nada que não tivesse ocorrido noutras eleições, nada que não se adivinhasse nestas também. Admira-me é haver quem persista em encomendar estudos de opinião a quem é recorrente no erro, talvez confundindo desejos com realidades. Se não é, parece. E no futebol, como na política, o que parece é.

Na altura, entre as hostes de Couceiro, houve quem tivesse embandeirado em arco. Sem motivo, como agora se vê. As referidas sondagens só iludiram quem gosta de ser tomado por parvo. Vistas à distância, têm apenas a vantagem de nos fazer rir. Num clube onde o riso escasseia, valha-nos ao menos isso.

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