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Ups

por Patrícia Reis, em 28.02.13

Uma rapariga faz por ser normal, quer dizer, por cumprir nos mínimos olímpicos. Hoje descobri que os óscares foram há uma semana e estou deprimida. Mesmo.

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Resistência activa ao aborto ortográfico (40)

por Pedro Correia, em 28.02.13

 

Chapitô

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Outros caminhos

por Teresa Ribeiro, em 28.02.13

"O que se pode fazer é reorganizar a produção. Porque é que temos que importar mobílias baratas da China? Vamos fazê-las nas regiões à volta das grandes cidades, vamos tornar a produção local - todos os países o têm. Devíamos também re-localizar os créditos, criar pequenas associações de crédito, pequenos bancos: porque é que os bancos de retalho têm que estar nas mãos dos grandes bancos? Há muito que se pode fazer, inclusivamente dentro do próprio sistema actual. Isso vai alterar o poder do mercado financeiro? Não. Mas pode ser um passo no espaço económico em que os locais têm mais controlo e haverá maior resposta às necessidades locais. Para os projectos locais é preciso bancos locais que os financiem. Os bancos locais dependem das pessoas locais, mas devolvem o dinheiro à produtividade local. Seria um pequeno passo para criar um outro espaço económico. Mas isto não é apenas uma questão económica, depende da política económica".

Saskia Sassen, uma das principais teóricas da globalização.

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«A alma está nos antípodas do corpo. Quando para ela amanhece, para ele

cai a noite.»

Juan Rulfo (1917-1986)

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Regresso à política

por Pedro Correia, em 28.02.13

 

De facto, não adianta tentarmos varrer a política para debaixo do tapete substituindo políticos por contabilistas e procurando refúgio num discurso que se esgota na magna questão das finanças públicas. O caso italiano, somando-se a tantos outros, aí está para o demonstrar.

Não farei, por agora, qualquer avaliação sobre Beppe Grillo. Interessa-me, isso sim, analisar a eficácia do seu método para conquistar um em cada quatro eleitores italianos, mobilizando-os para o conceito de democracia directa na terceira maior economia da Europa.

Os gurus do comentário não previam isto - e daí também eles terem sido derrotados neste escrutínio.

 

Há três anos, não havia nada. Ou antes: havia um blogue. E foi aí que tudo começou. No blogue de Grillo.

O actor, especializado em papéis de comédia, ficou indignado com a reiterada manutenção na Câmara dos Deputados de parlamentares imputados pela justiça italiana. E lançou uma petição para pôr termo a isso.

Foi uma espécie de rastilho. Pedindo de empréstimo o jargão revolucionário, as condições estavam maduras para algo mais.

Seguiu-se a reivindicação de listas nominais para as eleições aos mais diversos níveis, do voto electrónico para formar listas de deputados, da redução de 25 para 18 anos da idade para escolher os representantes ao Senado, do referendo à manutenção do país na zona euro, do combate sem tréguas à corrupção que mina como um cancro voraz os órgãos políticos em Itália.

Seguiram-se mobilizações impressionantes nas principais praças das maiores cidades do País. Não houve debates televisivos, nem foram necessários: a força da Rede levou Grillo a comunicar directamente com os cidadãos através das redes sociais. Entre os jovens, foi de longe o mais votado nas legislativas. O Le Monde aponta-o sem rodeios como "único verdadeiro vencedor das eleições".

 

Ninguém levava a sério este movimento, intitulado Cinco Estrelas. Hoje é o mais votado na Sicília, domina a câmara de Parma e tornou-se a força política individual com mais representantes no Parlamento - conseguiu eleger 54 senadores e 108 deputados.

"Em Itália não há democracia: há burocracia: um Estado que se exprime através de 350 mil leis, um aparelho judicial paralisado com nove milhões de processos, um Parlamento que funciona com decretos-lei do Governo no qual se senta gente que não foi eleita pelo povo." Palavras de Grillo, o ex-actor convertido em estrela mediática, em entrevista ao El Mundo.

Palavras que poderiam ter sido proferidas por milhões de italianos.

 

É preciso saber escutar os sinais emanados desta ampla mobilização cívica, de carácter pós-ideológico mas profundamente política. Porque este sinais prenunciam mudanças decisivas nas instituições europeias, que não podem permanecer indiferentes às vozes dos cidadãos. Seria demasiado fácil ridicularizar movimentos como o de Grillo, mas a este suceder-se-ão outros, em qualquer país, todos apontando na mesma direcção: há que aproximar as estruturas políticas da cidadania, sob pena de condenarmos a democracia ao insucesso, um pouco à semelhança do ocorrido nas décadas de 20 e 30 do século passado que serviram de via aberta às piores tiranias que o mundo conheceu.

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"A Bola" em Moçambique

por jpt, em 28.02.13

 

Foi o primeiro jornal do qual fui leitor e cliente, o meu pai (que nunca leu um jornal desportivo na vida, e foi apenas duas vezes ao futebol na vida, para me acompanhar em 1975 ao Sporting-Olhanense e ao Sporting-Porto) dava-me dinheiro para o ir comprar. Na época, início dos anos 1970s, a era de Joaquim Agostinho e Vítor Damas, publicava-se três vezes por semana (segunda, quinta e sábado). Nele escrevia gente como Carlos Miranda, Carlos Pinhão, Alfredo Farinha, Aurélio Márcio, Vítor Santos, Homero Serpa. Escreviam bem, olhavam o mundo também, aquilo do "Hoje jogo eu" era antologizável, e eram ecuménicos, gente com simpatias clubísticas mas que escreviam sobre desporto e disso faziam vida inteligente (e o arquétipo era o enorme Carlos Pinhão, benfiquista ferrenho com um humor finíssimo, que a todos conquistava), sem o bacoquismo faccioso que a descendência arvorou.

 

Li-o, militantemente até aos anos 1990s, quando por lá ainda escreviam amigos vizinhos como o Afonso Melo e o João Matias. Depois, cansei-me daquilo. O jornal envelheceu, não se conseguiu adaptar ao fluxo de informação vindo do novo mundo de comunicação televisiva, as parabólicas de então, e à atenção que estas permitiam não só ao futebol internacional como, acima de tudo, à diversidade de desportos internacionais (o râguebi mundial, o basquetebol americano, a própria Fórmula 1 bem analisada, etc.), algo que o "Record" (e a própria "Gazeta dos Desportos", já desaparecida) conseguiram de modo pioneiro na imprensa escrita portuguesa. Mas o pior foi o fim do ecumenismo (mesmo que mitigado) casado com a mediocratização da escrita - [e] uma opção pelo público benfiquista, algo que o benfiquismo dominante na geração anterior dos jornalistas não tinha imposto, e a prosa rasteira. Uma tralha que sempre exemplifico com uma primeira página, já bem mais tardia, que saudava o novo corte de cabelo de Simão Sabrosa, o então jovem ex-sportinguista contratado pelo Benfica.

 

Mas este meu desgosto, já de décadas, com "A Bola" oscila agora, face à memória dos meus 8-9 anos, quando saía da praia às 10.30 para ir para a bicha de compradores do jornal, ali na rua dos cafés de São Martinho do Porto, que o jornal chegava (de Lisboa) às 11 horas. E logo esgotava. Tempos em que os dedos se sujavam com a tinta do jornal ... 

 

E oscila porque vejo a notícia da edição moçambicana de "A Bola", cujo primeiro número sairá hoje. Presumo que se tratará de uma mescla de conteúdo português com conteúdo moçambicano, um pouco à imagem da edição aqui do "Sol". Antevejo-me a comprar um ou outro exemplar.

 

O lançamento da iniciativa foi ontem, e as fotografias acessíveis mostram como a empresa se articulou no país político e económico. Ocorre ainda inserido na viagem a Moçambique do ministro Miguel Relvas, acompanhado de uma delegação de responsáveis federativos do desporto português, para além do "King", Eusébio da Silva Ferreira. E também empresários portugueses acompanham a iniciativa, como os empreendedores imobiliários Luís Filipe Vieira e António Salvador.

 

Também hoje, e no mesmo contexto político, Mário Coluna, o grande "Monstro Sagrado", será condecorado pela estado português, recebendo o colar de honra da ordem do Mérito Desportivo. E isso sim, sem qualquer hesitação, saúdo. Viva o "Monstro".

 

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Voltei, voltei, voltei de lá

por Rui Rocha, em 28.02.13

Ainda agora me pirei e agora já estou cá.

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As canções do século (1155)

por Pedro Correia, em 28.02.13

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Estrelas de cinema (19)

por Pedro Correia, em 27.02.13

 

OS FINS E OS MEIOS

*****

Há filmes assim. Mal acabamos de os ver, sabemos logo que estamos perante uma obra a que um dia chamarão clássico.

Acontece-me de vez em quando. Aconteceu agora, com 00.30 Hora Negra, de Kathryn Bigelow (por uma vez prefiro A Hora Mais Escura, tradução brasileira do título original, Zero Dark Thirty, inspirada no jargão militar para designar a hora a que foi morto Ossama Bin Laden, em 2 de Maio de 2011). Já me tinha sucedido o mesmo há três anos, com Estado de Guerra, uma longa-metragem da mesma realizadora centrada numa unidade de elite norte-americana na guerra do Iraque que lhe valeu o Óscar de melhor filme.

Bigelow, primeira mulher a receber uma estatueta em Hollywood como realizadora, voltou a associar-se ao argumentista Mark Boal e o resultado, uma vez mais, esteve ao nível do melhor que o cinema norte-americano já nos proporcionou este século: um excepcional filme de "ficção documental", nas palavras da própria cineasta, que recria a actividade dos serviços secretos com uma intensidade e um fôlego épico dignos de um John Ford, o realizador que "inventou" o western e conferiu um cunho de autenticidade à lenda.

Coisas que só acontecem com os grandes cineastas.

 

Há filmes que nos prendem logo ao primeiro fotograma. É o caso deste: o ecrã está escuro, apenas ouvimos sons. São as vozes das vítimas do 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque: as últimas palavras que proferiram, já encurraladas nas torres-túmulos, com as chamas a devastarem o outrora orgulhoso World Trade Center.

Aqui não há margem para relativismos morais. Sabemos bem de onde vem o Mal - vem de quem odeia este sistema democrático e esta sociedade plural em que vivemos e quer transformar o mundo num imenso califado submetido à impiedosa Lei do Alcorão. Este é o fim, os meios não importam. Pode custar um cadáver, pode custar um milhão de cadáveres - é tudo uma questão de estatística, como ensinava Estaline, que nunca viveu dilacerado com tais rebates de consciência.

Acontece que ninguém sai inocente do combate ao Mal absoluto. Churchill costumava dizer durante a II Guerra Mundial que para derrotar Hitler, se fosse preciso, iria ao próprio inferno coligar-se com Satanás. O coro de críticas a 00.30 Hora Negra na imprensa norte-americana e britânica devido à suposta apologia do uso da tortura pelos operacionais da CIA nos interrogatórios aos suspeitos de ligações à Al-Qaida ilude o essencial: essa componente do filme, dominante nos primeiros 25 minutos, é fundamental precisamente para adquirirmos a certeza sobre um dos efeitos mais nefastos do terrorismo islâmico - ao combatê-lo com um mínimo de eficácia, arriscamo-nos a ser contaminados por ele, pelo menos na convicção de que os fins justificam os meios.

Há muito que um filme não suscitava tanta celeuma. David Edelstein, na revista New York, situou Zero Dark Thirty "na fronteira do fascismo" (embora atribuindo-lhe o rótulo de obra-prima, em linha com o New York Times, que o incluiu entre os melhores filmes do ano). E a feminista norte-americana Naomi Wolf, num desvario extremista, chegou a comparar Bigelow a Leni Riefenstahl. A histeria cresceu ao ponto de levar a realizadora a justificar-se, em artigo publicado no Los Angeles Times.

Embora galardoada com o Prémio dos Críticos de Nova Iorque, a película ficou arredada do Óscar, que sem dúvida merecia, sendo ultrapassada na corrida à estatueta pelo politicamente correcto Argo, bafejado até pela simpatia da Casa Branca, ao mais alto nível.

 

Mas voltemos à questão central dos meios e dos fins, bem espelhada na metamorfose que se vai desenrolando subtilmente, aos olhos do espectador atento, na personagem principal: Maya, agente da CIA, obsessiva, perfeccionista e determinada, interpretada por uma Jessica Chastain em estado de graça num desempenho que lhe valeu o Globo de Ouro.

No contraste entre o ar etéreo de Maya e a sua férrea determinação em prosseguir a maior caça ao homem da História reside boa parte do sucesso deste filme que não faz a menor concessão ao habitual glamour hollywoodesco.

Quase sempre filmada a meia distância, como se isso constituísse parte integrante do seu disfarce, sem nunca trair um vestígio de emoção, ela faz da morte de Bin Laden a sua razão de viver, numa luta de proporções bíblicas. E ninguém o combate de forma tão tenaz, ao longo de uma década em que imita a estratégia da aranha tecendo a sua teia, entre 2001 e 2011, com muitos desaires de permeio (o atentado de 7 de Julho de 2005 em Londres, a explosão do hotel Marriott, em Setembro de 2008, em Carachi), sem convenção de Genebra, com muitos danos colaterais, obsessivamente em busca daquele cadáver para o qual ela olhará e no qual ela tocará, numa analogia simétrica e herética com São Tomé.

A prolongada sequência da tomada do bunker de Bin Laden, reconstituindo plano a plano a operação de alto risco no complexo de Abbottabad merece figurar em qualquer antologia de thrillers no cinema. Mas é no extraordinário plano final, também digno de John Ford, que tudo culmina e tudo se decifra: Maya solitária, extenuada e desamparada, parece minúscula a bordo de um enorme avião de carga C-130. Perguntam-lhe: "Para onde quer ir?"

Ela não responde. Pois não há resposta a esta pergunta. Com a morte de Bin Laden, outros alvos virão. O filme termina, mas esta é uma guerra sem fim à vista.

 

 

00.30 Hora Negra (Zero Dark Thirty, 2012). De Kathryn Bigelow. Com Jessica Chastain, Jason Clarke, Joel Edgerton, Chris Pratt, James Gandolgini, Jennifer Ehle, Mark Strong, Kyle Chandler.

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Fotografias tiradas por aí (120)

por José António Abreu, em 27.02.13

Porto, 2004.

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Os engraçadinhos do Montepio

por Rui Rocha, em 27.02.13

O Montepio colocou na(s) rádio(s) um anúncio (parece que agora se diz spot publicitário e não posso deixar de pensar que é um estranho mundo este em que a simplicidade definidora de uma palavra tem de ser substituída pela combinação de dois vocábulos de línguas diferentes) em que promove um produto financeiro, oferecendo em complemento um seguro de saúde. Depois de não sei quantas horas de pesquisa, concepção, debate e aprovação, os criativos da agência e os responsáveis da instituição chegaram pelo visto à conclusão que, para o efeito, nada melhor do que uma narrativa (fica sempre bem esta da narrativa) em que perante um pai preocupado, uma mãe vai sucessivamente dizendo que não há problema por o Pedrinho estar a descer as escadas a correr, por a Ritinha estar a subir a uma árvore, ou por andarem ambos a brincar no meio das urtigas. Como pai, gostaria de dizer ao Montepio que jamais subscreveria um produto promovido a partir de uma mensagem com estas características. Os autores da coisa ou pretendem subliminarmente provocar-me medo, coisa que recuso, ou estão na pândega com questões de segurança relacionadas com os meus filhos (é neles que penso quando ouço o anúncio) e isso parece-me de extremo mau gosto. Ou, vai-se a ver, são só parvos (hipótese para a qual me inclino). Em qualquer caso, creio que teria muito maior probabilidade de sucesso um anúncio que brincasse, sei lá, com a segurança dos depósitos dos clientes do Montepio.

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«Um bom livro deve deixar-nos à beira da exaustão. Nós vivemos várias vidas enquanto lemos.»

William Styron (1925-2006)

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A originalidade italiana

por Rui Rocha, em 27.02.13

Não há dinheiro mas não faltam palhaços.

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Aprender com as lições da história

por Pedro Correia, em 27.02.13

 

A corrupção galopa em Espanha, atingindo níveis nunca registados - e contaminando mesmo a Casa Real.

Um novo escândalo político abala o Reino Unido - desta vez nas fileiras dos liberais democratas, parceiros dos conservadores na coligação governamental.

Décadas de corrupção política e brutais medidas de austeridade puseram a Grécia à beira do abismo.

Na Bulgária, gigantescas manifestações de protesto prosseguem mesmo após a queda do primeiro-ministro conservador, Boiko Borissov. A corrupção e o crime organizado flagelam este país, o mais pobre da União Europeia.

 

Os italianos enfrentam um impasse governativo de dimensões colossais. Depois de metade dos eleitores ter voltado costas às urnas - e cerca de 57% dos restantes ter dado prioridade ao voto de protesto, contribuindo para o sucesso eleitoral de Silvio Berlusconi, que regressa à ribalta, e do comediante Beppe Grillo, à frente do novo movimento Cinco Estrelas, já a maior força política representada na câmara baixa do Parlamento. Recusando Mario Monti, o candidato ungido pela Comissão Europeia: de nada lhe serviram gestos demagógicos, como o de ter prescindido do salário de chefe do Governo.

"A Itália ingovernável", assinala o circunspecto Le Monde, por uma vez rendido a um título cheio de carga emotiva. As bolsas emitem sinais de alarme: uma das promessas de Grillo, que começou a abalar a política italiana a partir de um blogue, é realizar um referendo sobre a manutenção do país na zona euro.

 

Há sintomas crescentes de fim de ciclo. Por cegueira dos políticos que decidem o destino da Europa.

Mas é nestes momentos que importa separar o trigo do joio. Recusando populismos irresponsáveis, à esquerda e à direita. E fixando as lições da história.

 

A solução para o problema passa sempre por mais democracia - nunca por menos democracia nem com governos de directório iluminados pelos burocratas de Bruxelas, como o de Monti, que procurou - sem sucesso - demonstrar aos italianos que havido chegado a hora de "limpar" o país desse vírus que é a política. O problema com a política é este mesmo: por mais que se tente expulsá-la porta fora, ela regressa sempre pela janela.

A solução passa ainda menos por "tomar as ruas", como proclamam alguns irresponsáveis. Como já aqui referi, num contexto político muito diferente do actual, é totalmente inaceitável que a rua se substitua ao voto: os extremistas não podem contar, em circunstância alguma, com o apoio de quem acredita nas virtualidades do sistema democrático.

 

Os que encolheram displicentemente os ombros quando viram o Reichstag a arder em 27 de Fevereiro de 1933 - faz hoje 80 anos - foram tão culpados pelo crime de lesa-democracia como os que lhe lançaram fogo.

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As canções do século (1154)

por Pedro Correia, em 27.02.13

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Tapam Michelle e deixam o Óscar nu

por Pedro Correia, em 26.02.13

 

A fanática brigada antipecado que domina com mão de ferro o Irão - e tem bons amigos em Portugal - sentiu a pulsação muito acelerada ao vislumbrar o generoso decote de Michelle Obama na noite da distribuição dos Óscares. Como se já não lhes bastasse ver Argo - uma longa-metragem que denuncia sem pudores a ditadura islâmica - conquistar o Óscar de melhor filme.

Num país onde as mulheres continuam a ser severamente reprimidas a pretexto da manutenção da pureza islâmica, os censores de serviço não tardaram a obedecer aos ditames dos aiatolás, cobrindo a primeira dama norte-americana com tecido photoshopado, em prol dos bons costumes, como se pode perceber na imagem da direita - a que passou nos televisores de Teerão e arredores.

Mas podia ser pior: escapou ao rigor da teocracia iraniana o pecaminoso cabelo de Michelle, que noutros tempos só por lá surgiria abrigado sob um véu igualmente tecido pela censura.

Fica-me uma pequena dúvida: porque será que os censores se esqueceram também de cobrir com um pudico paninho o próprio Óscar, estatueta de um homem nu?

 

Também aqui

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Para ouvir...

por Helena Sacadura Cabral, em 26.02.13

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Perder Lisboa

por Teresa Ribeiro, em 26.02.13

 

Há anos que os cortejava com o respeito e admiração que devemos às coisas belas. Aqueles três edifícios art déco da avenida Joaquim António de Aguiar, há muito com cadeado nas portas, esperavam, tal como eu, a salvação. Quando me perdia a imaginar como teriam sido em vida, pintava-os e iluminava-os por dentro. Na varanda colocava mulheres vestidas à anos 30 e homens de casaca, colete e cabelo puxado a brilhantina. Por  instantes flutuava assim numa Lisboa desaparecida, mas que por ter sido familiar aos meus pais e avós, também era minha.

Há semanas, quando vi que lhes tinham colocado andaimes junto à fachada, exultei. Finalmente íam ser recuperados, pensei. Engano meu. Afinal três dos mais belos edifícios déco de Lisboa foram subtraídos da paisagem urbana como um friso de dentes podres.

Magnificamente situado, o novo buraco na dentição da Joaquim António de Aguiar será com certeza preenchido muito em breve. Talvez com um implante art mérdo.

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«A existência é esforço, desejo e dor.»

Giovanni Papini (1881-1956)

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30% dos eleitores italianos votaram no partido do palhaço rico, 25% escolheram o do palhaço pobre. Ou, vá, menos rico.

 

A economia europeia pode estar em queda mas o mercado das ilusões continua em alta. 30% dos italianos escolheram Berlusconi, sem dúvida na esperança de poderem voltar ao regabofe a que ele os habituou. E dos 35% que, compreensivelmente, optaram por um voto de protesto em relação aos partidos tradicionais (ou tão tradicionais quanto é possível hoje encontrar na política italiana), 7 em cada 10 preferiram um humorista que, garantindo falar a sério, se propôs criar um rendimento mínimo garantido de 1000 euros mensais e reduzir a semana de trabalho para 20 horas a um tecnocrata honesto com provas dadas. A Itália fica à beira da ingovernabilidade e, por essa Europa fora, o último a rir que pague a conta.

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Lisboa no seu pior (1)

por Pedro Correia, em 26.02.13

 

Rua da Caridade (14 de Fevereiro)

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(Um texto para o ma-schamba que aqui reproduzo, a minha contribuição para o actual momento eleitoral do Sporting Clube de Portugal)

 


 

 

Como abaixo anunciei desloquei-me a Nampula para cumprir uma já antiga promessa, a de cortar cabelo e aparar barba nesta barbearia "Alvalade XXI", sita no bairro Namutequeliwa, se o Sporting eliminasse - como veio a eliminar - o arábico Manchester City. Algo que me pareceu urgentemente necessário, ainda que sendo eu um incréu, dado o aziago percurso que o amado clube tem tido desde este meu incumprimento de ajuramentado.

 

Acontece que desconsegui vislumbrar o prestigiado estabelecimento. Percorri o bairro, acima e abaixo, primeiro de carro, depois calcorreando ruas e ruelas, sem que encontrasse quem me pudesse aconselhar, pois nem transeuntes, nem polícias, nem comerciantes, nem mesmo os inúmeros colegas barbeiros (e salões de cabeleireiros, os quais são, como se sabe, uma "indústria de serviços" florescente) me souberam ajudar, alguns dos quais até me olhando com condoído ar, nisso aparentando suspeitar da minha saúde.

 

Cabisbaixei-me. Que fazer?, como diria o russo. Ir até ao afamado clube "Sporting" de Nampula não seria opção, bem central edifício que é, assim sem exigir relevante esforço para ser frequentado, e como tal não me eximindo da condição de "pagador de promessas". Para mais um "Sporting" hoje em dia mero menos-que-sofrível restaurante -  e onde os gerentes mandam acumular o lixo no interior do recinto comensal, exactamente na porta de entrada, qual comité de boas-vindas aos clientes, uma particularidade única que nunca encontrara em quase 17 anos de frequência de restaurantes moçambicanos. "Peculiares patrícios", terei eu resmungado, enquanto mastigava os catastróficos nacos de nervos pomposamente intitulados "bife importado" ... Por estas e por outras, concluí, é que o Godinho Lopes quase atirou o clube para a segunda divisão.

 

Bem, regresso à minha via de peregrino. Cruzado e recruzado Namutequeliwa sem atingir a "Alvalade XXI" aceitei a hipótese da barbearia ter encerrado, mudado de ramo, ter o "nosso" barbeiro partido para outras paragens. Ou ter sido trespassada, e logo repintada, como é usual no ramo, com as garridas cores encarnadas da VODACOM ou canarinhas da MCEL. Ou, mesmo, naquele recente alaranjado pouco-mecânico da vietnamita MOVITEL, bem crescente a Norte.

 

 

 

Mas vozes amigas (e contento-me por ter bons amigos naquele Norte) ajudaram-me. Que peregrinasse eu a Angoche, recomendaram. Que seria um árduo caminho, algumas vias intransitáveis, outras quase assim mesmo, que as chuvas têm devastado a terra (pouco) batida. Mas que por lá encontraria um resistente e persistente "Sporting", onde poderia eu, à falta da opção inicial, ressarcir-me do meu incumprimento, libertar-me da desonra vigente.

 

Assim fiz. E meti-me ao longo caminho, em prolongada agressão à espondilose. Horas passadas alcancei a belíssima Angoche, terra mais-do-que-recomendável, e tão esquecida está ela. E logo, no seu centro, encontrei este aprazível recinto, condignamente pintado.

 

 

Este mesmo, o "bar restaurante residencial Sporting", ali herdeiro, talvez avatar, de um antigo clube Sporting de Angoche (ou de António Enes, ou de Parapato, não tenho a certeza sobre o nome do velho clube desportivo). Logo entrei, feliz, dessedentando-me. Depois de algumas "Impalas", acompanhadas de resumos de futebol europeu na pequena TV sobre o balcão, um luxo para os parcos clientes, visitei as instalações.

 

Para aqui, tão longe dos centros mediáticos, encontrar a solução para os problemas do Sporting. Não deixei de compreender que todo este longo percurso me foi imposto, talvez pelo acaso, talvez pelo desígnio, para desvendar a situação, para poder anunciar à nossa "nação sportinguista" esta solução, a simbiose perfeita para nos alegrar o futuro e sossegar o presente, o elixir que a secular sabedoria angochiana (coti?) nos apresenta:

 

 

 

(para melhor compreensão)

 

 

Bastará seguir o paradigma de Angoche. Que o milagre (a ressuscitação?) acontecerá. Inevitavelmente!

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As canções do século (1553)

por Pedro Correia, em 26.02.13

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Leituras

por Pedro Correia, em 25.02.13

 

«Negar é ainda afirmar.»

Machado de Assis, Contos

Alma Azul, Coimbra, 2005

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A desgraça de ser puta

por Patrícia Reis, em 25.02.13

Para que fique claro a palavra "puta" não tem, neste texto, qualquer género, até porque puta era o homem que se descartava às suas responsabilidades e a sua mãezinha não era tida ou achada para o assunto.

Portanto, a puta, no sentido masculino, se quisermos, olhou para os potenciais comensais com algum desdém.

Partilhavam o mesmo espaço, era preciso trabalhar e comer e a puta sabia, há meses, que tudo se transformaria em pouco tempo.

Ele era, digamos, o mestre, o autor dessa mudança drástica que, além de puta, lhe daria outros nomes menos apropriados. Estava decidido a avançar. Era um homem que demorava tempo, mas decidia. A seu tempo. Tinha até uma ideia vaga que podia acumular informações que lhe dessem, no futuro, qualquer poder.

Era uma ilusão. Qualquer um dos comensais lhe podia dizer que os emails podem ser alterados e que os sms também não são fiáveis. Ele não se ralava com esses pormenores, tinha levado o seu tempo de puta, decidira e, convicto da sua inteligência, preparava o fim do mundo.

Fez tudo conforme planeado, desenhando no palco uma cena de malabarismo digna de qualquer prémio de representação. O mundo não caiu como previsto e, dois meses depois, já ninguém proferia o seu nome. Ou das duas açafatas que com ele congeminaram o plano, o golpe, com base em informações que, sabe Deus, só o Diabo podia ter tecido.

A mulher que tinha estado ao lado da puta durante muito tempo não se sentiu atropelada ou magoada. Sentiu-se aliviada e depois triste. Afinal, as açafatas eram piores que a puta e este, sendo homem, até podia ser descartado, mas mulheres capazes de traição e bradando aos céus a sua potencial amizade com palavras e gestos? Não, tudo isso era demasiado triste. Com a puta no seu carril, as açafatas correram atrás e o cenário transformou-se para melhor.

De repente, a mulher começou a ver o azul do céu e, longe de muitas coisas estranhas que lhe acontecem por norma em dias que outros tendem a compreender como vulgares, ela soube que o destino estava traçado há muito.

Lembrou-se de casamentos, exposições de pintura, brincadeiras, gravidez, crianças, seguros e férias, consolos e terapia, consultas pagas e, feita a lista do deve e haver, mandou a puta para o raio. E ele, que já tinha ido, sentiu o raio mesmo no centro da cabeça, o corpo dividiu-se e tudo terminou em beleza. Era uma puta, podia dar a volta às coisas.

As outras duas? Pouco importam, já ninguém se lembra dos nomes, dos gestos, das brincadeiras, do potencial talento, apenas do roubo, da deslealdade, da cobardia de não darem a cara.

A mulher pensou em tudo isto, meses depois do terramoto emocional, da descarga de dinamite que seria suposto tê-la atingido de forma mortal.

Encolheu os ombros e enviou um email aceitando mais um trabalho.

Sim, a vida é tramada. E não é para as putas. Porque a sorte dá muito trabalho.

Tão simples, afinal.

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«A vida é como uma peça teatral, mas com diálogos muito piores.»

Jean Anouilh (1910-1987)

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A caminho de outro parque jurássico.

por Luís Menezes Leitão, em 25.02.13

 

A Constituição da República Portuguesa consagra no seu art. 118º o princípio da renovação sucessiva dos titulares de cargos políticos executivos. Precisamente por esse motivo a Lei 46/2005, de 29 de Agosto, limitou a permanência do cargo de Presidente de Câmara a três mandatos consecutivos, obrigando os titulares desse cargo a um período de quatro anos durante o qual "não podem assumir aquelas funções". É por isso manifesto, em termos legais, que a limitação é para a função de Presidente de Câmara, uma vez que, como foi referido na altura, o que a lei visava era precisamente terminar com os dinossauros nas autarquias e não fazê-los transitar para outro parque jurássico. Deve dizer-se, aliás, que a lei até foi muito generosa para os autarcas em funções, já que lhes permitiu ainda um último mandato em 2009, tendo assim inúmeros candidatos ultrapassado já em muito o limite legal.

 

Nada impede legalmente os autarcas, após os quatro anos de interrupção, de voltar a candidatar-se a qualquer município. O que não parece minimanente aceitável é que durante esse período transitem para um município vizinho. No limite, os autarcas até poderiam trocar de município entre si por quatro anos, reeditando em Portugal a solução Putin/Medvedev. Estou por isso convencido que os tribunais não vão permitir este tipo de operação, a meu ver claramente ilegal. E basta uma decisão judicial a declarar a ilegalidade de uma candidatura para que estas candidaturas fiquem feridas de morte aos olhos do eleitorado, mesmo que o Tribunal Constitucional viesse no fim a admiti-las.

 

Não percebo por isso qual o sentido político de o PSD, numa espúria aliança com o PCP, insistir em candidaturas nestas condições, dando uma imagem ao eleitorado de incapacidade de renovação. Fernando Costa está há 28 anos nas Caldas da Rainha, pretendendo agora passar para Loures. Luís Filipe Menezes anda há 16 anos em Gaia, pretendendo agora passar para o Porto. Só Fernando Seara é que tem apenas 12 anos de exercício do cargo. Mas, se a lei fosse respeitada, nenhum deles se deveria candidatar. 

 

Insistir numa solução legalmente inviável só contribui para o descrédito das instituições, a que infelizmente se prestou o Presidente da República, ao vir a público dizer que tinha sido alterado o projecto inicial na Imprensa Nacional, como se uma mera alteração gramatical mudasse o que quer que fosse na lei. Mas a solução, antes de ser jurídica, é política. Não serão com certeza dinossauros autárquicos que conseguirão trazer o sangue novo de que o país precisa nesta fase crítica. E deixar enredar as eleições autárquicas numa polémica jurídica sobre a elegibilidade dos candidatos é uma garantia de derrota antecipada.

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Cabelos curtos na noite mais longa

por Pedro Correia, em 25.02.13

 

Não é todas as vezes que surge uma figura quase lendária do cinema ao vivo no televisor. Aconteceu-me esta noite, ao ver Emmanuelle Riva na longa festa dos Óscares: estava nomeada pelo principal papel feminino em Amor, de Michael Haneke - um dos melhores filmes que vi nos últimos anos. Gostaria que a inesquecível intérprete de Hiroxima, Meu Amor levasse o prémio na viagem de regresso a Paris, sobretudo no dia em que fez 86 anos, mas a estatueta acabou por ficar bem entregue: a melhor actriz do ano, na opinião dos jurados da Academia de Hollywood, é Jennifer Lawrence - pura explosão de talento num filme que me cativou, Guia para um Final Feliz, de David O. Russell.

O melhor actor, sem surpresa, foi Daniel Day-Lewis, com um inexcedível desempenho em Lincoln que o torna campeão no seu género: nenhum outro intérprete havia conquistado até hoje três estatuetas (proeza que ele conseguiu com O Meu Pé Esquerdo, de Jim Sheridan, e Haverá Sangue, de Paul Thomas Anderson, além deste, sob a competente direcção de Steven Spielberg).

Mas o momento da noite foi a surpreendente aparição da primeira dama norte-americana para anunciar o Óscar de melhor filme entre as nove longas-metragens nomeadas. Em directo da Casa Branca, com pompa e circunstância, Michelle Obama abriu o envelope para pronunciar a palavra de quatro letras que fez vibrar Ben Affleck de satisfação: Argo, realizado com mão segura, foi proclamado grande vencedor nesta despudorada intromissão da propaganda governamental na festa dos Óscares. Se algo semelhante tivesse sucedido por bandas cá da velha Europa, não faltariam almas indignadas bradando justamente contra a ligação promíscua do espectáculo ao poder político.

Ang Lee, que dirigiu A Vida de Pi, foi considerado o melhor realizador de 2012, como já fora em 2005, com O Segredo de Brokeback Mountain. O cineasta de Taiwan dirigiu uma palavra de carinho à mulher com quem está casado há 30 anos, gesto repetido pouco depois com Daniel Day-Lewis em relação à mulher, Rebecca Miller, com quem deu o nó em 1996. Hollywood, em matéria de separações, já não é o que era...

 

E que mais?

Barbra Streisand pisou pela primeira vez o palco em cerimónias do género desde 1977, para homenagear o falecido Melvin Hamlisch, cantando The Way We Were, uma das canções da minha vida. Jack Nicholson, o mestre-de-cerimónias final, está consideravelmente mais velho e mais gordo. Catherine Zeta-Jones e Jane Fonda, pelo contrário, estão bastante mais esbeltas e muito mais novas. Quase tão jovens como Anne Hathaway, que levou para casa a estatueta destinada a premiar o desempenho de melhor actriz secundária pela sua interpretação cantada em Os Miseráveis. Nada esbelta está Adele, vencedora do Óscar da melhor canção (em parceria com Paul Epworth), mas parece que ela não se rala nada com isso.

E eu também não, desde que ela continue a cantar desta maneira.

 

O meu filme favorito, 00.30 Hora Negra, levou apenas o Óscar de melhor montagem de som - a meias com Skyfall, num dos raríssimos empates até hoje registados em noites de distribuição de estatuetas. Amor, realizado pelo austríaco Michael Haneke, recebeu justamente o prémio para melhor filme de língua não-inglesa. Christoph Waltz é melhor actor secundário por Django Libertado, película que também valeu ao seu realizador, Quentin Tarantino, o Óscar de melhor argumento original - repetindo assim a proeza alcançada em 1994 com Pulp Fiction.

Seth MacFarlane, como anfitrião estreante, esteve em grande nível, sobretudo ao cantar We Saw Your Boobs - uma das melhores surpresas da noite. E Charlize Theron, coadjuvada por Anne Hathaway, relançou a moda do cabelo curto, que não tardará a pegar como fogo na pradaria.

E agora, se me dão licença, vou dormir.

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As canções do século (1152)

por Pedro Correia, em 25.02.13

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A noite não vem sem sinais

por Pedro Correia, em 24.02.13

Protestar contra o Governo cantando a Grândola é uma originalíssima forma de manifestação política que tem merecido até admiração internacional. Como admitiu o primeiro-ministro na Assembleia da República, "de todas as formas que uma sessão possa ser interrompida, esta parece-me a de mais bom gosto". Passos Coelho, que é barítono, reagia com fair play à versão mais afinada da senha da Revolução dos Cravos que temos escutado ao longo destes dias - mérito de Carlos Mendes e do cantigueiro Samuel, entre outros cantores que compareceram naquele dia na galeria do Parlamento.

Sei de cor a letra da Grândola e de muitas outras canções de José Afonso - e garanto que sou capaz de cantá-las sem desafinar. Até por isso, tenho-me espantado de ver tanta gente eleger como forma de protesto este tema enquanto ignora os versos e desfigura a música até ao limiar da caricatura, como os telediários têm registado.

Mais surpreendido ainda fiquei ao tomar conhecimento, pela reportagem do Público, da fraca adesão que teve ontem - dia do 26º aniversário da morte do autor de Menino do Bairro Negro - a romagem ao cemitério de Setúbal, onde o cantor está sepultado numa campa humilde. Sem pedra tumular, como era seu desejo.

A obra de José Afonso, cujo talento ultrapassava fronteiras partidárias, trincheiras ideológicas e barreiras geracionais, merece ser assinalada como inestimável património musical português. Aqui fica a minha singela homenagem ao talento de um músico prematuramente desaparecido, com um dos seus temas de que mais gosto.

"No lago do Breu, / Sem luzes no céu nem bom Deus / Que venha abrasar os ateus, / No lago do Breu. // No lago do Breu, / A noite não vem sem sinais / Que fazem tremer os mortais, / No lago do Breu."

 

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Usura

por Teresa Ribeiro, em 24.02.13

Antes, quando ficava feliz na expectativa de algo que depois não acontecia, recriminava-se pela sua precipitada euforia. Agora já não lamenta esse género de equívocos. Prefere pensar que apesar dos enganos ninguém lhe tira a alegria que sentiu, mesmo sem motivos.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 24.02.13

«Quando S. Jerónimo introduz a designação "Lucifer", transforma a expressão "portador da luz", que antes se aplicara a Cristo, no pior inimigo dos homens e de uma concepção de Deus.
O povo irá aprender a temer o "Demo", que é afinal o próprio povo, e ainda "Lucifer" que era designação de Cristo - ou seja iria ter como principal inimigo aquele que traria a luz, que libertaria o povo das trevas.

(... quem quiser, pode continuar a ler aqui:
http://alvor-silves.blogspot.pt/2012/05/mayday.html)

É claro que etimologicamente se dirá que "demónio" vem de "daimon", e nesse caso será de procurar aí a raiz "democrática", que iludindo dar voto a todos, coloca todos os votos empilhados numa pirâmide zarolha.

Também etimologicamente não se dirá que "diabo" significaria "rico"... mas já se disse em tempos idos.
Por isso, o povo teme a ira dos diabos (ricos, mafarricos), e para isso confia que os "ricos" o protejam do "demónio", ou seja, de si próprio. Algo em que estão implicitamente de acordo, porque os "ricos" também não querem ser vítimas do "demónio"-povo.

A ideia é que para que o povo seja ordeiro, cordeiro, há um sacrifício "cabrão", que Abraão fez, e que veneramos em nome da Paz-coa (coar é filtrar, digamos, uma paz filtrada).
Acrescenta-se que "venerar" virá de Vénus que, enquanto estrela da manhã, é Lucifer, pois anuncia a alvorada.

Uns são ovelhas, e os pastores temem ser bodes expiatórios, porque se os pés-de-cabra abrem portas, também os denunciam na figura de "cabrões". Isso e os chifres, cifras que se traduzem em cifrões.

Mas, como diria o outro, são tudo trocadilhos... e por isso, se não há pressão, qual é a pressa?
Não se passa nada!»

 

Do nosso leitor Da Maia. A propósito deste texto da Ana Vidal.

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O blogue da semana

por Helena Sacadura Cabral, em 24.02.13

A minha escolha do "blogue da semana" vai, hoje, para HOMO VIATOR. A razão desta preferência tem a ver com os temas tratados e a forma como são abordados. Religião, fé, espiritualidade, não são, por norma, matérias atractivas na Blogosfera. Aqui eles são encarados de uma forma que merece atenção a quem se interesse por estes assuntos.

 

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Notícia de última hora

por Rui Rocha, em 24.02.13

Os últimos acontecimentos demonstram que o legislador teve clara intenção de estabelecer uma restrição ao território e não à função na lei de limitação de mandatos autárquicos. E que, para isso, teve a genial precaução de utilizar um "da" em lugar de um "de". Há, todavia, indicações seguras de que pretendeu ir mais longe, incorporando no artigo 1º uma orientação concreta sobre a intenção legislativa através da utilização de um código secreto. Se não acreditam, tenham em conta as letras coloriadas. Leiam da direita para a esquerda e de baixo para cima. E tenham presente  que a alteração de cor das letras indica mudança de palavra. Depois digam-me se não estava lá tudo.

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a mala

por Patrícia Reis, em 24.02.13

A mulher desfez a mala com gestos de cansaço que, à partida, por serem de cansaço, a irritam ainda mais. O corpo mantém o nível de doer, mas ela insiste: é apanhar a roupa, dobrar o corpo, voltar ao cesto da roupa suja. Na memória tem ainda as palavras trocadas antes, a inutilidade das palavras quando se quer fazer o melhor e se faz o pior. Um ser humano deveria ser um jogo de computador e passar apenas de nível de acordo com as suas competências. As dela não servem sequer para fazer roupas de máquina. Acresce que odeia a mala. Tudo o que a mala pode significar, passado ou futuro e, lembrando Yeats, diz o poema para dentro como uma oração, the years to come, the years behind..., qualquer coisa assim e tenta sorrir quando se sabe incapaz de um sorriso. Não é momento. O momento chegará. A mala vazia, a máquina a rodar, o detergente a limpar e tudo arrumado. Depois será a vez do cão. Da água do cão. A seguir o despotismo esclarecido do filho mais novo, a história da música do afilhado e ainda o piano do mais velho. Tudo junto podia ser um filme. É apenas a vidinha.

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«Não há dinheiro na poesia nem poesia no dinheiro.»

Robert Graves (1895-1985)

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As canções do século (1151)

por Pedro Correia, em 24.02.13

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Coup de foudre

por Helena Sacadura Cabral, em 23.02.13
 
 
Por uma estranha contradição, gosto de ler biografias, pese embora a vida dos outros, enquanto rendilhado de factos, me interesse muito pouco. O que, sim, me estimula, é perceber quem é que se esconde por detrás do personagem, já que todos somos um pouco actores.
Já aqui falei, por mais de uma vez, de DSK, ou seja de Dominique Strauss-Kahn, o ex Presidente do Fundo Monetário Internacional, que tem estado no centro de um furacão de escândalos sexuais. Embora o tema atinja hoje até as instituições religiosas, a verdade é que, neste caso, houve um lado quase rocambolesco - não encontro outra expressão - a envolver todos os acontecimentos. Os quais, ainda não esclarecidos nem julgados, acabaram não só por dar origem à dissolução de um dos casais mais mediáticos da França, como serviram de tema de literatura.
Com efeito, acaba de sair em França, na editora Stock, um livro explosivo, intitulado "Belle et Bête", de autoria de Marcela Iacub, que conta o seu relacionamento com DSK, durante sete meses, de Janeiro a Agosto de 2012.

 

A autora não é uma qualquer arrivista, mas é uma figura controversa. Nascida na Argentina em 1964, chegou a França em 1989, estudou filosofia e direito, entrou para o CNRS - Centre National de la Recherche Scientifique – do qual se veio a tornar directora de investigação, em 2010. É também cronista do jornal Liberation.
Convenhamos, pois, que decerto terá medido bem as consequências da publicação da obra, dado que o envolvimento de ambos data de um período em que já eram públicas as potenciais acusações.
No último Nouvel Observateur são dados a conhecer excertos do livro em questão. O que li deixou-me algo surpreendida. Não pelas revelações, mas pela interpretação que Marcela – uma bela mulher – dá aos seus sentimentos e, sobretudo, à forma como “vê” o homem a quem se entregou. Parece-me uma história de paixão fulminante, mas em que um dos intervenientes foi capaz de, em simultâneo, actuar e se analisar, quase como se de um desdobramento de personalidade se tratasse.
Confesso que fiquei curiosa, porque ainda hoje continuo a pensar que a história da França e, muito possivelmente a da Europa, seria outra se DSK tivesse chegado, como queria, a Presidente da República.

 

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Fotografias tiradas por aí (119)

por José António Abreu, em 23.02.13

Burano, 2008.

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O dadeísmo

por Rui Rocha, em 23.02.13

Eis que nasce em Portugal um movimento de contornos e consequências ainda não inteiramente determináveis, mas que se caracteriza por promover a infantilização da discussão, enfatizar  o absurdo, recorrer a temas e conteúdos sem lógica e corroer a credibilidade das instituições. Ao contrário do que alguns possam estar a pensar, não se trata do dadaísmo, mas do dadeísmo. Aquele é uma forma de expressão artística. Este é uma forma de expressão artolas. Em concreto, o movimento dadeísta tem como momento fundador aquele em que certos intérpretes defendem que a utilização de um "da" ou de um "de" num texto legislativo tem a consequência de impor um determinado sentido à norma em análise. Não se apercebem, naturalmente, do ridículo em que incorrem. Na verdade, a propósito de uma lei em que é manifesta a inépcia e a imprecisão do legislador e em que, por isso mesmo, se abre uma discussão interminável sobre a sua intenção, é absolutamente espantoso, à primeira vista, que se venha defender a intencionalidade inquestionável e cheia de significado da utilização de um "de" em lugar de um "da". Todavia, nada tem de surpreendente se tivermos em conta que o dadeísmo é também uma forma de irmanêutica. Isto é, de interpretação da vida de acordo com os interesses dos irmãos políticos. É por isso que, no fundo, o que está em causa aqui não é um "de", nem um "da". É um duh! Acompanhado de um sonoro "tenham vergonha, rapazes".

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Do ginásio. Regresso ao Futuro

por Marta Spínola, em 23.02.13

Fui aos 10 anos para a ginástica rítmica. Nada de competições, era tarde para isso. Eu queria era saltitar com fitas e arcos, e fi-lo em grupo pelo pais. As Besuguinhas, chamavamo-nos. Depois a minha professora foi para o Benfica e a classe desfez-se. Comecei a andar pelas aeróbicas, steps e localizadas até à faculdade. Depois disso só voltei a um ginásio por 2003, mas não durou muito. Retomei uns anos mais tarde e voltei a parar até agora que, quero crer, é para manter.

Isto é um post a mim, se pudesse falar com a eu de 15 anos.

 

"Querida tu (eu)

 

Agora os ginásios são diferentes. Mais que isso, chamam-lhes health clubs e trata-se um pouco disso mesmo. 

Usam-se os balneários e não é só para trocar os ténis por sapatilhas ou pontas tomam-se banhos, secam-se cabelos, aplicam-se cremes. Os ginásios são melhores, mas também há gente a circular de todas (e quaisquer) maneiras no balneário, abstrai.

Sabes quando vês quem agarre o calcanhar em vez do peito do pé nos alongamentos? Vais estar assim, lamento. Há esperança, podes voltar ao antes, mas uma ou outra aula ainda o farás assim. Tem coragem e enfrenta o mundo de mão no calcanhar temporariamente.

Pasma: ainda tens bastante flexibilidade, mas esquece definitivamente a perna esquerda à frente numa espargata, mantém-a direita e corre bem. Tudo ok com as mãos ao chão e a cabeça nos joelhos com as costas direitas, já não é mau. A postura continua a ser importante, a expressão podes deixar cair, já não estás em Torres Vedras de fita rosa a esvoaçar. Por outro lado, vais preferir aulas de grupo e coreografias, podes sempre usar um sorriso. 

Há pessoas de todas as idades, gostos e géneros. Há aulas para todos. Ao molho e fé em Deus. Vais quase enlouquecer quando as pessoas não sabem colocar-se em xadrez para optimizar o espaço na aula. Vais ficar azul com as pessoas que guardam lugar para outra que nunca mais chega numa aula. Vais rir das tricas e intrigas de aulas trocadas (os horários são rotativos, não é bestial? vais achar que sim, contra quase toda a gente). Inspira e vai rindo. Escreve posts em blogs (vais gostar disso). 

Vais nunca perceber a descoordenação das pessoas, como é que na rua andam movendo o braço contrário à perna, e no step sobem com o do mesmo lado? Nisso e acertar passos com braços não terás problemas. Vais querer fazer tudo o que são aulas de danças e saltos. Não serás tough a dançar como imaginas que podes ser. Mas não desistas! Trabalha o fôlego. Respira. Vai correr mais vezes. Eu sei que não vais, mas fica dito.

Há mais instrutores como o Rui, descansa. E mais bem dispostos até. Há opções para quem inicia as aulas e vais achar que para ti são só mesmo para quando estiveres prestes a cair para o lado. Há músicas que não terás no mp4 (depois vês o que é) mas delirarás dançar em sala. E há (os mesmos) instrutores que dizem "estamos no Brasil, mostrem os cocos", vai-te mentalizando que não podes ser transparente por mais que treines o "sou um vaso ming sou um vaso ming sou um vaso ming". Cora se tiver de ser, mas não pares, mexe-te.

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As canções do século (1150)

por Pedro Correia, em 23.02.13

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Redução da taxa de alcoolemia em Conselho de Ministros.

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O acordo ortográfico tem mesmo muita piada

por Rui Rocha, em 22.02.13

Cavaco deteta erro.

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Só contas de diminuir

por Helena Sacadura Cabral, em 22.02.13

 
Eu gostava de ser inteligente. Até agora, agradecia ao Altíssimo os dons que Ele me havia concedido. E aos meus queridos Pais e a mim própria o esforço que havíamos feito nesse sentido.
Pois bem, estava errada. Acredito que não seja estúpida - seria desastroso chegar a essa conclusão nesta idade -, mas não sou tão inteligente como pensava. Pus o patamar muito elevado e agora, catrapus, caí na realidade.
Qual realidade perguntarão os que me lêem? A do Dr. Vitor Gaspar, pois então. Quem mais havia de ser? Explico-me.
Quando recebi o documento relativo à pensão do Banco de Portugal, de Janeiro, não quis olhar para ele. Pareceu-me ter mais rúbricas do lado do débito, mas morreram-me nesse mês vários amigos e eu "dei-me" um tempo de serenidade. Mas Gasparito não mo deu, essa é que é essa.
De facto, quando hoje recebi uma carta da Segurança Social, dei um pulo. O choque foi tal que reuni, num ápice, os papeis todos - são poucos, infelizmente -, com a estranha sensação de que fora tributada duas vezes, uma em sede do Banco e outra em sede da chamada Solidariedade Nacional.
Passei a tarde inteira de uma sexta feira chuvosa a refazer cálculos. Nenhum batia certo com o que me haviam tirado. Como não fui aluna do Ministro das Finanças, cuja capacidade previsiva é muito pior do que a minha, tive que chegar à trágica conclusão de que, só sendo mesmo muito inteligente, é que os nossos cálculos coincidiriam. Ora como tal não aconteceu, não só fiquei sem o dinheiro, como vi substancialmente reduzida a minha massa cinzenta, ou, pelo menos, aquela que eu julgava ter.
Conclusão, nestes tempos perigosos, nunca mais me vou "dar" um tempo, porque, se o fizer, já sei o que acontece: vão-me ao bolso! 

 

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Mais um sinal do altíssimo?

por Teresa Ribeiro, em 22.02.13

Os escândalos sexuais parecem não querer abandonar a Santa Madre Igreja. Se o que o jornal italiano La Repubblica publicou ontem é verdade, Bento XVI fez bem em resignar. Este escândalo não é para octogenários com insuficiência cardíaca, mas pode e deve ser matéria de reflexão para o senhor que se segue. Quem sabe não será esta série de casos um sinal do altíssimo para se acabar de vez com o celibato obrigatório dos padres.

Recalcamentos sexuais estão na origem de muitos comportamentos desviantes e, ao contrário do que a Igreja sustenta, dificultam a concentração e diminuem o rendimento no trabalho.

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«Para nós, a terra é nua e plana. / Não há sombras. A poesia / Mais do que a música há de ocupar / O vazio de um céu sem hinos.»

Wallace Stevens (1879-1955)

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Foi você que pediu uma factura?

por Ana Vidal, em 22.02.13

É isto que nos redime como povo. Somos trapalhões, desorganizados e pouco aguerridos? Talvez, mas também somos criativos e capazes de uma resistência pacífica, inteligente e com um requintado sentido de humor, mesmo nas épocas mais difíceis. Temos recursos preciosos, digam lá o que disserem. Sempre quero ver como o governo vai descalçar esta bota.



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Resistência activa ao aborto ortográfico (39)

por Pedro Correia, em 22.02.13

 

 

Portal do Governo de Moçambique

 

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