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Referência sem "r"

por João Campos, em 31.12.12

Que não se pense que o Expresso apenas inova na escolha das suas fontes e dos seus comentadores de Economia. Nada disso. Também para o processo de estupidificação em curso (vulgo Acordo Ortográfico) o vetusto semanário dá o seu contributo quase diário. Hoje, às portas do final do ano, foi o duplo "r" que caiu. Deve ter ido pendurado no hífen.

 

 

Enfim, cada jornal tem a ortografia que merece. Feliz Ano Novo a todos. 

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O mundo é de quem o reinventa (103)

por Ana Vidal, em 31.12.12

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2013 vai ser um ano difícil...

por Ana Lima, em 31.12.12

... a todos os níveis. Até na forma como se pronuncia. A avaliar pela quantidade de vezes que já ouvi dizer "dois mil e treuze"...

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Paulo Portas

por Pedro Correia, em 31.12.12

 

Candidato desde já a figura nacional do ano que começará daqui a poucas horas. Será um ano muito difícil a vários níveis - e não só em Portugal. Um ano que todos lembraremos mais tarde. Um ano em que cada gesto do ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros será alvo de escrutínio máximo. Ele sabe, melhor do que ninguém, que somos escravos das nossas palavras e donos dos nossos silêncios. E procederá em conformidade, sem nunca esquecer este lema. Crucial na política, como na vida em geral.

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Crise? Qual crise? Miguel Relvas, Dias Loureiro e José Luís Arnaut em férias de luxo no Rio de Janeiro. No Verão tiveram que gramar com os algarves mas o período de carência passou entretanto. Viva 2012 que tanto jeito deu a alguns. 

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2013

por José António Abreu, em 31.12.12

2013 será o ano em que o PSD perderá as eleições autárquicas. Se os seus candidatos a Porto e Gaia forem Luís Filipe Menezes e Marco António Costa, respectivamente, há pelo menos duas autarquias em que espero que a derrota seja estrondosa.

 

Se o Banco Central Europeu ajudar, 2013 será o ano em que o Estado português voltará a endividar-se nos mercados financeiros. Se não ajudar, o endividamento será garantido por um novo pacote de auxílio. De uma forma ou de outra, será um ano em que a dívida pública subirá, para surpresa de muita comunicação social e de alguns comentadores.

 

Por várias vezes no decorrer de 2013 um membro do governo dirá uma coisa, na comunicação social e nos blogues dir-se-á que disse outra e o próprio virá depois explicar que quis dizer uma terceira.

 

Em 2013 continuará a discutir-se por cá a relação custo/benefício do euro. Na Argentina continuará a discutir-se a relação custo/benefício da inflação.

 

Em 2013 há eleições na Alemanha. A esperança de que uma derrota de Angela Merkel traga uma alteração radical de políticas devia ser directamente proporcional ao número e alcance das medidas de crescimento implementadas por François Hollande desde a sua eleição. Ainda assim, ver-se-ão muitas – e ternurentas – ilusões.

 

2012 foi o ano em que ficámos a saber que um corte de despesa no sector público sem um correspondente aumento de receita à custa do privado é inconstitucional. 2013 será o ano em que ficaremos a saber se inconstitucional é afinal o corte de despesa no sector público, tout court.

 

Em 2013, como nos anos anteriores, as previsões do governo para o crescimento (ou, mais precisamente, para a queda) da economia mostrar-se-ão optimistas. Em tempos de incerteza, é reconfortante verificar que certas coisas permanecem constantes.

 

Por fim:

Frohes Neues Jahr!
(Mais vale começarmos a habituar-nos.)

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Recomeçar

por Laura Ramos, em 31.12.12

O novo ano não é dado a votos superlativos.
A desmotivação é óbvia. O desalento é humano. A lamentação? Chata, inútil e incomodativa... Mas não deixa de ser quase imperiosa.
Ainda assim, nós, as vítimas destas grandes pequenas perdas e tormentas, enjoamos mais do que um bravo marujo português numa caravela batida no mar alto. Um daqueles que deitava a sola de molho, para o outro dia jantar.
Porque será? Porque verdadeiramente não temos norte? O Norte astrolábico que eles tinham?
Pois.
Vamos, gente! BOM ANO!
Recomeçar...
Contigo ou sem ti (... ó crise).

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Semana do Natal

por José António Abreu, em 31.12.12

Não foi mau mas, pelo menos no que respeita a livros, já fiz melhor.

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Frases de filmes (74)

por Pedro Correia, em 31.12.12

 

"Estás a pedir-me que espere uma hora para saber se serei tua mulher ou tua viúva."

Amy Kane/Grace Kelly

em O Comboio Apitou Três Vezes, de Fred Zinnemann (1952)

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a melhor frase do ano

por Patrícia Reis, em 31.12.12

"Adorávamo-nos para além de todas as diferenças. Mais: adorávamo-nos também por causa das nossas diferenças. Cada um de nós procurava no outro a sua parte de maior verdade."

Paulo Portas sobre Miguel Portas (29.4.2012)

 

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"Gorduras do Estado" (70)

por Pedro Correia, em 31.12.12

Fogo de artifício na Madeira vai custar mais de 600 mil euros

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As canções do século (1096)

por Pedro Correia, em 31.12.12

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Jardim das Estrelas

por Gui Abreu de Lima, em 30.12.12

O velho dorme no banco ao pé de mim. Fosse roto, sujo e desgrenhado, cobrava à noite não dormida a bebedeira que lhe amainou a ferida. Mas um homem bem vestido e penteado no banco do jardim deitado parece que falece.

O velho desapareceu mas eu não vi. Talvez sonhando que o levavam num caixão dali, se aborrecesse com a morte. Talvez escolhesse a sorte. Regra e pão e outra regra e sempre o pão, para os patos do jardim.

 

foto JCDuarte

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Leio nos comentários a este post da Leonor que uns estão convencidos de que Sócrates deixou o país sem dinheiro para tinteiros e impressoras e que outros acreditam que, com Passos Coelho, as próprias impressoras foram já leiloadas. Uns e outros estão redondamente enganados. De acordo com o site Despesa Pública, o Agrupamento Vertical de Canelas acaba de gastar 6.625.15€ para alugar (sim, alugar) uma fotocopiadora multifunções, para apoio ao funcionamento dos Cursos Profissionais em funcionamento no corrente ano letivo, na escola-sede do Agrupamento. Se tivermos em conta que o prazo de execução previsto é de 212 dias, temos um custo de aluguer de mais de 30€ por dia. Incluindo Sábados, Domingos e feriados. Mas a coisa não fica por aqui. Pelo aluguer (sim, aluguer) de 5 (sim, cinco)  portáteis para apoio aos formandos do Curso Profissional de Turismo, em funcionamento no corrente ano letivo (isto é, 212 dias), na escola-sede, o Agrupamento gastou 5.280,03€. E para  alugar (sim, alugar) outros 10 (sim, dez) pelo mesmo período desembolsou 10.599,99. E mais 7.392,00€ por outros 7. E mais 8.448,02€ pelo aluguer de outros 8, sempre pelos mesmos 212 dias. Ou seja, o Agrupamento Vertical de Canelas gastou mais de 1.000€ pelo aluger  de cada portátil por um período de pouco mais de 6 meses. Sempre por ajuste directo. Se tivermos em conta que a compra de um computador com excelente desempenho custa (vá, sejamos mãos largas) os mesmos 1.000€, já se vê que se trata de um excelente negócio. Em conclusão: sim, temos dinheiro para tinteiros e impressoras. E até para computadores.

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O mundo é de quem o reinventa (102)

por Ana Vidal, em 30.12.12

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Resistência activa ao aborto ortográfico (30)

por Pedro Correia, em 30.12.12

 

Salazar e o Poder - A Arte de Saber Durar, de Fernando Rosas (Tinta da China, 2012)

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Bom 2013

por Patrícia Reis, em 30.12.12

O homem deve ter uns cinquenta anos.

Está na porta da igreja, ali à rua da Madalena, encostado à parede. Em cima da sua cabeça, pendurado no edifício, vê-se um telão enorme com a palavra Fé. O homem fuma um cigarro e não parece nem pobre, nem rico, nem feliz, nem infeliz.

Por momentos ponderei se não será um daqueles anjos que eu via no Saldanha. Talvez se tenha mudado comigo para a Baixa. Nunca se sabe.

O sol está frio, mas o meu marido mostra-me a cafetaria/padaria com bom ar e a loja do chinês.

Na Travessa das Pedras Negras nr.1 começa a minha vida em 2013, tudo será melhor, vivemos ciclos de sete em sete anos e há mudanças. Chegada aos 42 anos é o que me espera: um novo ciclo. Quando penso nisto só me lembro de remoinhos e pouco mais. Ou tornados. Ou espirais. Pouco importa. Dizem que o espaço não tem som. Na minha cabeça tudo se atropela e o som é fortíssimo.

O resto? O resto é a vidinha.

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«Hoje, como nunca sucedeu antes, os destinos dos homens estão tão intimamente interligados que um desastre para um é um desastre para todos.»

Natalia Ginzburg (1916-1991)

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A vida que não mudou

por José Navarro de Andrade, em 30.12.12

 

A dada altura de “Mudar de Vida” de Paulo Rocha, eis a figura compostíssima da Dra. Maria Barroso descalça, com um molho de lenha à cabeça, sofismada pela boca a fazer biquinho por via da boa dicção aprendida na escola do Teatro Nacional de Amélia Rey Colaço.

Esta imagem poderá resumir todos os equívocos do Cinema Novo português.

Também Portugal, nos anos 50, teve o seu cinéma de papa, só que em vez de ser enfatuado e burguês como o da França modelar, era enfatuado e neo-realista como a Seara Nova. A isto queriam os moços formados no IDHEC obstar com desassossego cinéfilo, e desembraçarem-se do naturalismo a favor do realismo, da pompa cultural em benefício do ar da rua, das peripécias do enredo pelo rigor subjectivo dos factos (uma frase que só é paradoxal para quem não viu “À Bout de Souffle”).

A história é de quem a vence e tão retumbante foi a vitória do Cinema Novo que ainda hoje, passado meio século, o cinema português vai-se fazendo e pensando em torno do seu eixo programático. Ficou assim para o cânone que “Belarmino” (1964) de Fernando Lopes e “Os Verdes Anos” (1963) de Paulo Rocha, constituem pedras basilares e inamovíveis da cinematografia nacional. Mas se o primeiro parece ainda hoje perfeito e consonante com o que dele se pedia, já em “Os Verdes Anos”, se o conseguirmos ver sem a gravidade sacerdotal em que o velaram, há ali qualquer coisa que não bate certo – o quê?

O que é, revela-se então em “Mudar de Vida” (1966) e mais cabalmente na cena acima referida. Não é a inverosimilhança, porque em cinema isso é um dom e não um pecado, mas é a impressão de uma realidade não experimentada, abstracta e consumada como um arquétipo, em suma: desvitalizada. Fica-lhe um mérito nada pequeno, que ter a mais bela banda sonora de sempre feita em Portugal, dedilhada por Carlos Paredes.

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Um facto

por José António Abreu, em 30.12.12

«Quero confessar-me, senhor padre… Não tenho a certeza de ser capaz… Poderá, senhor padre…? Tenho um marido…»

…?

«Peço desculpa? Oh, não, de forma nenhuma. Claro que somos casados. O órgão tocava e eu usava um véu branco, comprido. Havia incenso e lírios. E eu disse ‘sim’, e toda a gente estava feliz, e a mamã chorava e…»

…?

«Só um momento. Já lá chego. Eu era pobre. Tinha olhos grandes e tranças compridas. Ele chegou num carro. Era grande e tão forte. Foi comigo até ao cimo de uma colina e, na sua voz clara, forte, falou acerca do futuro. Tinha tantos planos. Eu brincava com os botões reluzentes do seu uniforme. Eu gostava de lhes tocar com a minha face e de me ver reflectida neles como num espelho.»

…?

«Sim, sim, senhor padre. Claro que sabia que era vaidade. Peço perdão. E então casámos.»

…?

«Não, de maneira nenhuma. Ele não mudou depois do casamento. Ele sempre foi firme mas também muito atencioso. Claro, tivemos os nossos desentendimentos mas nada de grave. Estávamos quase sempre juntos, ele praticamente nunca me deixava.»

…?

«Mas, senhor padre, como pode dizer isso? Francamente… Sim, ouvi falar disso mas ele não é assim. Nunca. De maneira nenhuma.»

…?

«Talvez. Não sei. Mas quem se veio confessar sou eu, não é ele. Eu é que estou aqui a precisar de ajuda… Preciso do seu conselho… Preciso de con… solo… Não, não estou a chorar. Agarre-me na mão, senhor padre.»

…?

«Sim. Claro que me casei com ele por estar apaixonada. Onde é que errei? Pergunte a qualquer pessoa sobre ele. Todos lhe dirão como é respeitado, capaz, digno.»

…?

«Perdão?»

…?

«Não, nunca. A sério, nunca. Nunca lhe fui infiel, nem sequer nos meus pensamentos. Tenho sido uma mulher fiel. Acredita-me, senhor padre?»

…?

«Não.»

…?

«Não.»

…?

«Mais uma vez, não.»

…?

«Então a que propósito vem isto? Padre, estou aqui… Não, é impossível acreditar. Depois de sete anos a viver com ele…No Verão passado fomos de férias. Eu convenci-o a descansar um pouco. Ele tem um emprego importante, muito trabalho, enorme responsabilidade, o país inteiro… Uma manhã, ao pequeno-almoço, estávamos sentados um em frente do outro. Atrás dele havia uma janela aberta. Através dela eu conseguia ver o jardim, árvores… O papel de parede da sala tinha um padrão de florzinhas, dezenas de milhar de florzinhas cor-de-rosa. Quando ele levantou o copo eu olhei para ele. Não havia nenhuma intenção especial no meu olhar. E então apercebi-me…»

…?

«O que vi? Como foi possível que, durante sete anos, tenha partilhado a mesa e a cama com ele e só agora… Aconselhe-me, senhor padre, porque se é um pecado…»

…?

«Foi só nessa altura que percebi que ele era feito de plasticina.»

…?

«Sim. Todo ele. É todo artificial. Inclinei-me para ver. Os meus olhos deviam estar muito abertos de espanto porque ele pousou o copo e perguntou calmamente: ‘O que se passa?’ Não, desta vez não estou enganada. Ele sempre foi feito de plasticina. Todo ele! Como, oh, como é que nunca reparara antes? E agora o que vai acontecer?»

…?

«Uma anulação do casamento? Mas, senhor padre, isso é impossível – temos filhos!»

 

Sławomir Mrożek, conto Um Facto, inserido na colectânea O Elefante.
Traduzido por mim, com base na versão inglesa da Penguin (tradução a partir do polaco por Konrad Syrop).

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As canções do século (1095)

por Pedro Correia, em 30.12.12

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Os melhores filmes de 2012 - parte 3

por José Navarro de Andrade, em 29.12.12

O povo português revelou-se o melhor activo de Portugal

Qualquer médico que vá à televisão predispõe-se a dizer coisas como “foi diagnosticada no paciente uma patologia de índole cutânea” só para complicar a frase “o doente tinha comichão”. Quando ele assim fala não é a nós leigos e abstractos que se dirige mas aos seus colegas de serviço que não o levariam a sério se se exprimisse doutro modo. Um dia numa viagem com um emérito gestor ele propôs que “consolidássemos as malas num dos quartos” antes de fazer check out no hotel. Pobre prisioneiro do seu linguajar, que já dele não se libertava mesmo em situações profanas.

A máxima em epígrafe, proferida com o crispado e possível enlevo, como o maior elogio ao seu alcance, é toda uma autópsia da mentalidade reduzidíssima do sr. Vítor Gaspar. Adeus ó personalismo cristão, sus ao humanismo existencialista, arreda-te ó cidadania iluminista; pela voz do Ministro passámos a existir meramente na coluna dos activos na folha de excel, como mais uma variável no cálculo.

 

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STFU

por Leonor Barros, em 29.12.12

Um dos problemas do Sócrates, e eram alguns, era a sua arrogância. Ficou bem claro quando se aventurou numa língua que não era a sua e expôs ao mundo a incapacidade em comunicar em inglês e posteriormente em castelhano. Tendo tradutores/intérpretes ao seu dispor ter-nos-ia poupado a todos o vexame de ver o seu inqualificável discurso escarrapachado na página oficial da Casa Branca e, uma vez público este episódio de má memória, poderia ter-se calado. Poderia ter admitido que era um incapaz no que se refere a línguas estrangeiras e não reincidir. Como se sabe, era rapaz de convicções fortes também na asneira e humildade era uma entrada vazia no seu dicionário privado, como tal brindou-nos com aquele belo telefonema  ao seu querido e charmosíssimo Zapatero num portunhol manhoso mas sempre com ar convicto de galo fanfarrão. Nunca perder a face. Sócrates fazia-o muito bem. Ido o Sócrates o mundo respirou até uma coisa que foi eleita pelos portugueses para defender o povo da austeridade porque"o último pacote de austeridade não iria potenciar o crescimento mas impor sacrifícios inaceitáveis aos membros mais vulneráveis da sociedade. Eram demasiados impostos e uma redução de despesa insuficiente" ter-se dado ar de moderno e ter começado a usar o Facebook  para comunicar com os seus súbditos. Passou a assinar Pedro, Pedro e Laura, e diz que "muitas famílias não tiveram na Consoada os pratos que se habituaram e que "já nos sentámos em mesas em que a comida esticava para chegar a todos". Tamanha indigência linguística devia ser punida. Ao Sócrates ainda podiam valer os tradutores e intérpretes. A quem escreve assim na sua própria língua e que concomitantemente tem nas mãos os desígnios do país nada poderá valer. É tão hábil a dirigir o país como a escrever português. Que nos acudam os deuses e nos salvam destas coisas que ocupam as cadeiras do poder. Estamos fartos.

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A escrita passoana

por Rui Rocha, em 29.12.12

Há muito tempo (diria, sem qualquer receio de errar, desde Fernando Pessoa) que não surgia em Portugal uma escrita que abrisse caminhos tão potencialmente fecundos ao nível da evolução linguística e, sobretudo, da riqueza psicológica. É certo que a erradicação do artigo definido (veja-se, a título de exemplo, a passagem Muitas famílias não tiveram na Consoada os pratos que se habituaram) constitui, só por si, uma proposta de ruptura com a norma que remete para um estado de desconstrução criativa que só admitimos aos que beberam as exclusivas águas da excepcionalidade e do génio. Não constitui, por isso, qualquer surpresa que logo nos ocorra que esta insurreição só encontra paralelo na rebeldia de Saramago contra os estreitos caminhos das regras de pontuação. Sublinhe-se, todavia, que ali onde Saramago rompia o cânone, era sobretudo uma questão de estilo, e como tal inconsequente do ponto de vista da língua portuguesa futura,  que se afirmava. Agora, estamos perante um abalo de outra ordem que poderá, logo veremos, rebentar definitivamente com o próprio edifício gramatical, abrindo uma infinidade de caminhos e possibilidades.  Todavia, devemos admitir que o traço fundamental de originalidade está sobretudo ali onde se revela uma superestrutura psíquica absolutamente inesperada. De facto, a literatura portuguesa, depois de ter proporcionado ao mundo a problemática nunca suficientemente estudada da unicidade e diversidade em Fernando Pessoa, colocando a multiplicidade dos heterónimos no centro de  um debate sempre inacabado, acaba de revelar o novo enigma da duplicidade de ortónimos em Pedro Passos Coelho. É este o desafio que o próprio primeiro-ministro nos lança quando afirma que nós não somos duas pessoas. Trata-de indubitavelmente de uma afirmação singular. Sobretudo porque é feita na primeira pessoa do plural.

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Na morte de Paulo Rocha

por Pedro Correia, em 29.12.12

 

Era o amor

que chegava e partia

Estamos os dois

Era um calor

que arrefecia

sem antes nem depois.

Era um
segredo

sem ninguém para ouvir

eram enganos

e era o medo

a morte a rir

dos nossos verdes anos

 

Verdes Anos, de Pedro Tamen (para a música de Carlos Paredes)

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O mundo é de quem o reinventa (101)

por Ana Vidal, em 29.12.12

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As leituras do Pedro

por João Campos, em 29.12.12

Há alguns anos, gozou-se com o primeiro-ministro - muito justamente, aliás - a propósito de um livro da sua preferência, a misteriosa "Fenomenologia do Ser", atribuida de forma apócrifa, passe o sarcasmo, a Jean-Paul Sartre. Há dias, um fotojornalista tirou o retrato a Passos Coelho quando este saía do carro - e no interior da viatura podia ver-se com clareza a lombada de um livro na qual se podia ler "Salazar". A coisa apareceu em destaque nas páginas do Público, jornal dedicado a ultrapassar o Correio da Manhã pela esquerda, e logo se propagou pelas redes sociais como um incêndio: ai! que o homem é fascista, ai! que o homem anda a ler o mestre, ai! que o homem nos oprime a todos!

 

Da parte que me toca, fico algo satisfeito com a notícia: desconfio de quem despreza a leitura, pelo que saber que o primeiro-ministro anda com um livro no carro dá-me alguma esperança de que pelo menos esse defeito ele não tenha. É um fraco consolo, bem sei, mas os tempos são de crise e temos de nos contentar com o que houver. Claro que ter livros por perto não faz leitores de forma instantânea, mas sem ovos é que não se fazem omeletes.

 

E dou por mim a pensar: independentemente da escolha de leitura de Passos Coelho, ele ver-se-ia sempre aflito nesta situação. Se lê algo sobre Salazar, é fascista; se lesse algo sobre Cunhal, seria comunista (o que seria igualmente mau, ainda que o barulho na Internet fosse sem dúvida menor). Por outro lado, se lesse Margarida Rebelo Pinto, seria acusado de ler coisas idiotas; e se tivesse o "Guerra e Paz" no carro, estaria naturalmente a dar ares de intelectual, pois jamais lhe iria pegar. Tolkien ou Asimov fariam do nosso primeiro-ministro um nerd; já um Goethe, seria sem dúvida para agradar à amiga Ângela. Por fim, a ausência de livros daria a ideia que, depois da "Fenomenologia do Ser", Passos Coelho não voltara a pegar num livro, o que seria pior que todas as alternativas anteriores. 

 

Na pior das hipóteses, um livro sobre Salazar pode ser educativo. O que, nos dias que correm, já não é nada mau. 

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Resistência activa ao aborto ortográfico (29)

por Pedro Correia, em 29.12.12

 

Biblioteca Nacional de Portugal

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Fotografias tiradas por aí (103)

por José António Abreu, em 29.12.12

Porto, 2012. (Ontem, mais precisamente.)

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Leio que anda por aí muita indignação com a deslocalização do Praça da Alegria e o corte de financiamento das actividades da Casa da Música. Pelo visto, há até quem proponha a realização de uma manifestação nos Aliados, uma espécie de 15 de Setembro com pronúncia do Norte. Tenho dificuladade em avaliar os fundamentos que levam a tais posições. Mas, de uma coisa estou certo. Se existe situação que justifica um levantamento popular, essa é a indicação pelo PSD de Menezes e de Marco António Costa como candidatos às Câmaras Municipais do Porto e de Gaia. Sejamos sinceros. Isto não se faz a ninguém, carago! 

 

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«Os homens, por muito que se estimem, permanecem sempre distantes. Se alguém sofre, o sofrimento é unicamente seu, ninguém pode chamar a si uma pequena parte dele. Se alguém sofre, lá por isso os outros não sentem nenhuma dor, mesmo que o amor que os une seja grande, e isso é a causa da solidão da vida.»

Dino Buzzati (1906-1972)

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Um conto municipal

por António Manuel Venda, em 29.12.12

As grandes opções do plano

Tudo começou quando uma empregada de limpeza, mulher já de uma certa idade, deu com um vereador e a assessora mais próxima, os dois em cima da mesa de uma das salas de reuniões, muito concentrados a tratarem das grandes opções do plano. Soube-se do que é que tratavam e também de onde é que estavam porque a empregada, ao acordar depois de recolhida pelos bombeiros após um desmaio em cujo tombo abriu a cabeça, só falava das grandes opções do plano e de que o vereador e a assessora estavam em cima da mesa. Não conseguia dizer mais nada, apenas isto:

– Estavam os dois em cima da mesa a tratar das grandes opções do plano!

Além, é claro, de que tinha uma grande dor de cabeça por baixo das ligaduras. Neste caso já falava baixinho, até com um certo ar de lamentação, quanto ao resto – aquilo das grandes opções do plano –, aí era aos gritos, uma vez, duas, três, parecendo não se cansar. Até que foi possível acalmá-la, ainda no hospital, quando arranjaram um psicólogo que teve com ela uma conversa recatada, durante a qual conseguiu perceber duas coisas: primeira, a empregada de limpeza tinha entrado na sala e dado com o vereador e a assessora em cima da mesa; segunda, a assessora tinha-lhe gritado que estavam a tratar das grandes opções do plano e que, portanto, ela devia sair – limparia a sala noutra altura. Mais nada a empregada de limpeza disse ao psicólogo, tirando aquilo das dores de cabeça por baixo das ligaduras. E depois de o homem a deixar, depois disso voltou ao mesmo, à gritaria de que tinha visto os tais dois em cima da mesa da sala de reuniões a tratarem das grandes opções do plano.

Nos dias seguintes continuou a dizer o mesmo, mas já pelas ruas da vila, sendo que nem ia trabalhar. Não porque não quisesse, mas porque logo na primeira vez em que voltou à câmara fartou-se de gritar que o vereador e a assessora tinham estado em cima da mesa da sala de reuniões a tratarem das grandes opções do plano. À conta disso, levou com um processo disciplinar e foi suspensa de funções, mas depois, porque alguém falou em ter de se abrir um inquérito de averiguações por causa desse mesmo processo, o vereador resolveu voltar atrás: anulou o processo e propôs à empregada uma baixa, devidamente apoiado na assinatura de um médico seu conhecido. Ela aceitou e passou então a andar pelas ruas da vila, porque a verdade é que não tinha mais nada para fazer. E de vez em quando lá se saía com aquilo de que praticamente toda a gente já estava informada, que tinha encontrado o vereador e a assessora em cima da mesa da sala de reuniões; os dois a tratarem das grandes opções do plano.

Passaram quinze dias e a mulher da limpeza continuava de baixa. Pelas ruas da vila, sempre a gritar a mesma coisa. Ou antes, algo parecido; por vezes, dizia apenas assim:

– Eles, em cima da mesa, os dois, os dois a tratarem das grandes opções do plano!

E aí as pessoas perguntavam-lhe:

– Eles quem?

E ela respondia:

– Então, o senhor vereador e a menina que é assessora dele e de mais alguns.

De resto não respondia a mais nada, queixava-se era das dores de cabeça, que continuavam a incomodá-la mesmo depois de tiradas as ligaduras. Isto apesar de as perguntas serem muitas, como facilmente se imagina, e bem diversificadas. Só para se ter uma ideia podiam ir desde «E a senhora sabe por acaso o que são as grandes opções do plano?» até outra, aliás feita com bastante frequência, que era a seguinte: «Estavam os dois nus ou ainda de roupa vestida?»

Mas a mulher da limpeza a isso não respondia. E lá continuava de baixa, com dores de cabeça e com a saída do costume: tinha encontrado os dois, o vereador e a assessora mais próxima, em cima da mesa da sala de reuniões a tratarem das grandes opções do plano. Dizia isto a toda a gente, até aos representantes da oposição, e também aos jornalistas, que começaram a chegar à vila. Mas estes não progrediam nada naquilo que queriam, nem os representantes da oposição nem os jornalistas. Porque da boca da mulher da limpeza não saía mais nenhuma informação (tirando algumas explicações sobre os incómodos que lhe provocavam as dores de cabeça). Um dos jornalistas, de uma televisão, propôs-lhe mesmo uma ida à sede da estação, a Lisboa, para uma intervenção em directo, e deu-lhe a escolher entre o principal noticiário da noite e um programa da tarde que nem ele próprio sabia bem como classificar. Ela que escolhesse.

– Então, o que é que prefere? – insistiu o jornalista.

E a mulher da limpeza lá disse o que sempre dizia, que tinha encontrado os dois em cima da mesa da sala de reuniões a tratarem das grandes opções do plano.

O jornalista voltou a fazer a pergunta, mas teve a mesma sorte: os dois em cima da mesa da sala de reuniões a tratarem das grandes opções do plano, e depois as dores de cabeça, que – vá lá – dava a sensação de que agora eram um bocadinho menos fortes.

Desistiu, o jornalista. Como os outros. Como as pessoas da vila, como os representantes da oposição.

E o tempo foi passando. A mulher acabou por regressar à câmara, por ordem do vereador que lhe tinha proposto a baixa. Isto depois de melhorias significativas. Ou seja, passado um mês já quase não tinha dores de cabeça e, muito importante, raramente dizia que tinha encontrado os dois, o vereador e a assessora mais próxima, em cima da mesa da sala de reuniões, os dois a tratarem das grandes opções do plano. Também já não lhe perguntavam muito pelas ruas da vila. As pessoas foram-se convencendo de que dali não haveria de sair mais nada. Até o vereador e a assessora se convenceram disso. E também a oposição, que acalmou no interesse pelo caso, e os jornalistas, que acabaram por desaparecer. Contudo, a mulher não foi para as limpezas na câmara, foi para uma escola, para auxiliar de acção educativa, segundo ordens directas do vereador.

– A senhora agora passa a ser auxiliar de acção educativa!

Ela gostou do que ouviu, auxiliar de acção educativa. E com a ginástica que tinha ganho com o que dizia de ter encontrado o vereador e a assessora, os dois em cima da mesa da sala de reuniões a tratarem das grandes opções do plano, passou a dizer a toda a gente:

– Sou auxiliar de acção educativa!

Até na escola às vezes se dava ao respeito aos alunos dizendo que ali ela é que era a auxiliar de acção educativa, não eles, e por isso tinham de obedecer-lhe.

– Minhas meninas e meus meninos, aqui eu é que sou a auxiliar de acção educativa, ouviram?!

O vereador, quando soube da nova mania, fez um ligeiro sorriso, disfarçadamente, tanto que a pessoa que o informou nem percebeu. Essa pessoa contou-lhe também que a mulher estava a dar-se bem com a nova função e que a sua presença até era uma coisa boa para a escola, porque ela, além de olhar pelos alunos no recreio, de organizar os almoços e os lanches, de ajudar em tudo o que os professores pediam, também limpava. Tanto que as empregadas da câmara que iam à escola tratar da limpeza quase não tinham nada para fazer. Até lhes sobrava tempo para conversarem com a antiga colega.

Um dia houve uma que lhe voltou a falar, como fez questão de dizer, «da tal coisa».

– Qual coisa? – admirou-se a nova auxiliar de acção educativa.

– Bom, aquilo das grandes opções plano em cima da mesa.

Ela foi rápida na resposta. Disso já quase nem se lembrava, do que antes dizia, nem um bocadinho da memória lhe ocupava.

– Eu agora sou auxiliar de acção educativa!

– Mas não te lembras mesmo de nada?

– Lembro-me vagamente do que dizia aí pelas ruas. É quase como as dores que tinha na cabeça, desapareceram e delas só tenho uma vaga ideia. Foi tudo na altura em que estive de baixa, com aquele problema de saúde que veio a seguir ao desmaio e a ter partido a cabeça. Mas já recuperei e agora sou auxiliar de acção educativa.

– Não te lembras então do que viste?

A auxiliar de acção educativa ficou um bocado a pensar. E a antiga colega pareceu ganhar uma súbita alegria na expressão. Um sorriso que não se preocupou em esconder com uma das mãos. Não tinha por que escondê-lo. Ao fim de uns segundos, a auxiliar de acção educativa voltou a falar, um bocadinho metida a filósofa, agarrando com mais força um pano do pó que teimava em ter sempre consigo:

– Isto na vida uma pessoa vê tanta coisa…

A outra arriscou uma insistência:

– Nem te lembras ao menos se eles estavam nus?

– Quem?

– Ora quem?! O senhor vereador e a menina, o casalinho das grandes opções do plano.

A auxiliar de acção educativa pareceu procurar no recanto mais profundo da sua memória. Mas não, nada dos dois nus, nem sequer dos dois vestidos.

– Não – disse, com um ar que à outra pareceu de desolação.

E depois, antes de se despedir e de ir para junto dos alunos, que começavam nessa altura o recreio, acrescentou:

– Tenho é ideia de que a menina estava por cima.

 

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As canções do século (1094)

por Pedro Correia, em 29.12.12

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Os melhores filmes de 2012 - parte 2

por José Navarro de Andrade, em 28.12.12

Com a notória excepção das comédias românticas, e por vezes nem essas escapam, impressiona o facto de todos os filmes americanos serem sempre tão marcadamente políticos. Nem é preciso referir os casos evidentes dos dramas jurídicos, ou militares, ou detectivescos, ou policiais – o comentário institucional faz parte do DNA do cinema americano.

Ainda assim, atrevo-me a votar em “Being there” (“Benvindo mr. Chance” em português) como o melhor, e de certeza o mais premonitório, filme político de sempre. Peter Sellers interpreta supinamente o jardineiro de mente simples como uma criança, que nas voltas do enredo acaba consagrado como um formidável comentador político. Ao dizer na televisão coisas tão profundas como “First comes spring and summer, but then we have fall and winter.”, levanta um vendaval de análises, porque ninguém deixa de ver profundas alegorias no que ele profere literalmente.

Até este Dezembro de 2012 nunca entendi por que razão o realizador Hal Ashby arruína o filme com o plano final em que Chance caminha sobre as águas. Mas ao ver a prodigiosa esparrela do sr. Artur Baptista da Silva fez-se-me luz: o cineasta queria salvaguardar com aquele plano o carácter ficcional da sua obra, não fosse a realidade superar o resto.

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O mundo é de quem o reinventa (100)

por Ana Vidal, em 28.12.12

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Ora vamos lá descansar

por Patrícia Reis, em 28.12.12

A ironia do descanso: tu vais descansar, ok? levas o miúdo, ele ajuda e faz companhia, vai às compras contigo, faz-te companhia, diz-te que o Pinto da Costa faz 75 anos, e eu: quem?, liga e desliga máquinas, faz de aspirador e varre, anda à cata de trevos de quatro folhas (temos imensos de três, mas de quatro parece que não) e não te rales com nada, por isso quando o frigorífico estoirar na tua cara e ficares inundada de alho picado e de um monte de água podre é apenas o Universo a dizer que tens de descansar, quando a água quente não correr nem na cozinha, nem na casa de banho, pensa mais é em comer fora e em perfumar-te mesmo que sejas alérgica à maioria dos perfumes, quando o telemóvel continuar a tocar como um maluco tu atira-o para a lareira que não está acesa porque a dona Helena - jóia de senhora - mandou os homens entregar 50 quilos na porta ao lado, na porta ao lado estão uns vizinhos novos, eu até gostava muito, mesmo muito dos antigos, mas fazer o quê? é a vida, os vizinhos novos querem uma canalização para a máquina de lavar a roupa e eu penso - a ver o canalizador no pátio - que era uma boa ideia, mas esqueço-me logo do assunto, para quê mais problemas, deixem lá, preciso de ir ao Rio Sul, parece que é um shopping no Seixal à loja da cabovisão para trocar o equipamento mas para isso preciso de uma factura que o meu marido, muito diligente, levou para casa e, portanto, estou sem net, acho eu, até que volto a acender tudo e, milagre, o universo sorri: descubro um trevo de quatro flores, tenho acesso aos emails, chamo cabrão a um tipo que merece, telefone ao meu filho mais velho, vejo a lenha a ser carregada para dentro de casa sem mexer uma palha e, cereja no topo do bolo, dois homens levam o frigorífico mal cheiroso, embora imaculadamente limpo por mim durante uma hora. Ah, descansar deve ser isto (e não vou rever o texto, ok? é que estou a descansar e catar gralhas dá muito trabalho, ainda se fosse para o cabrão do velho, podia ser, mas como o texto é meu, estou-me a borrifar, expressão muito grata ao coordenador do meu filho mais novo, homem que eu admiro imenso)

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«O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença.»

Érico Veríssimo (1905-1975)

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Três anos comparados

por José António Abreu, em 28.12.12

Se em 2013 o PIB português cair menos de, vá lá, 3% e em 2014 já crescer qualquer coisinha poderemos dar-nos por muito satisfeitos.

 

Fonte: FMI (verificam-se discrepâncias de uma ou duas décimas em relação a outras fontes mas, para o caso, são irrelevantes).

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 28.12.12

 

Claire Danes

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As canções do século (1093)

por Pedro Correia, em 28.12.12

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Roma não perdoa a traidores

por Patrícia Reis, em 27.12.12

Então hoje não posso, mas amanhã serei um gladiador e irei colocar todos os apetrechos e fazer-me ao circo que são estes últimos dias do ano.

Depois, em 2013, serei apenas eu e mais nada do que eu sem uma cambada de idiotas às costas e entro no ano com neon na cabeça que diz que tenho vontade de fazer, construir, ir e partir, escrever e fazer. Já disse fazer. Por estes dias repito-me muito.

Tenham um 2013 como eu vou ter.

Porque Roma não perdoa a traidores e eu tão-pouco.

Depois da porrada, a malta levanta-se e volta a entrar no circo.

Lição aprendida. Pela milésima vez.

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Os melhores filmes de 2012 - parte 1

por José Navarro de Andrade, em 27.12.12

 

A cerviz dobrada, o olhar abaixado, a pose mendicante, foi deste modo que o crespo meridional se dirigiu ao seu equivalente alemão a pedir-lhe pela mercê de deus. O germano tem rugas na testa como se tivesse sido abordado por um pedinte famélico à entrada de um restaurante de luxo. Nem se levanta nem olha de frente – enfadado.

O nosso murmura “that’s much appreciated” querendo dizer “obrigado” em idioma técnico.

Isto é o que se vê, mas na verdade trata-se de uma emboscada.

O manhoso do tuga foi lá pedir batatinhas, na crença de que o otário se descairia. Este, habituado ao escrúpulo dos media alemães, e julgando, como é próprio deles, que todo o mundo se pauta pelas suas regras, murmurou umas vacuidades para despachar o inconveniente, ignorando que estava uma câmara a compromete-lo.

Ficaremos sempre por saber o grau de ressentimento e de má vontade que desta cena em diante terá havido da parte de Wolfgang Shauble nos assuntos referentes a Portugal.

Há lá melhor exemplo de como nos dispomos a sermos vistos no mundo.

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Nobre povo ou A culpa é da Troika

por Laura Ramos, em 27.12.12

- Boa tarde. Candidatou-se a uma oportunidade de trabalho neste serviço público. Lemos o seu CV e concluímos que possui as habilitações necessárias ao desempenho do cargo que temos necessidade absoluta de preencher. Está interessada?

- Sim, porque estou desempregada. Tenho trabalhado como operadora de lojas de vestuário e acessórios; angariadora de contratos de adesão ao Dreamcard em centros comerciais; e ultimamente como operadora de caixa no hipermercado Universal.

(muitas queixas)

- Está, portanto, habituada às funções de atendimento ao público. Não terá dificuldade em lidar com várias centenas de pessoas que se dirigirão a este espaço para consultar bibliografia especializada. Trata-se da sala de leitura da nossa biblioteca.

- Sim, seria uma experiência óptima. Gosto muito de livros e trabalharia sentada, a sala é muito acolhedora, tem muita luz, computadores… E o horário?

- Normal, das 9 às 5 e meia, salvo alguma necessidade especial.

- O contrato é o modelo habitual do Instituto de Emprego? Um ano, prorrogável por mais 6 meses?

- Exactamente. Terá é de começar a trabalhar já amanhã, uma vez que é o último dia útil do ano civil e a prestação tem obrigatoriamente de iniciar-se em 2012. Depois só voltará ao serviço no dia 2 de Janeiro.

- Ai, isso é que não pode ser. Tenho uma viagem marcada.

(o júri entreolha-se, aturdido)

- Pois, entendo. Por nós não haveria problema algum, mas a questão é que a sua não integração até ao dia 31 de Dezembro invalidará todo o processo. Teremos de voltar à estaca zero. Novo cabimento prévio, nova candidatura a esta Medida, nova abertura de vaga, novas audições. Provavelmente nem voltará a ser seleccionada, como compreende.

- Pois. Mas eu tenho esta viagem.

- Para o estrangeiro?

- Não, mas já está paga.

- Claro, compreendemos o prejuízo. Mas perceba que estas regras são impositivas e compreensíveis. A sua aceitação só nos chegou há 3 dias. E nós temos absoluta necessidade de admitir uma pessoa. Tem consciência de qua sua não disponibilidade a fará perder uma oportunidade de trabalho durante, provavelmente, os próximos meses? E de que nós próprios corremos o risco de deixar de garantir o modelo de funcionamento deste espaço público, que deve estar aberto durante 9 horas diárias?

- Tenho. Mas não dá mesmo.

- Pense bem, Maria das Dores.

- Não posso. Tenho esta viagem.

(segue-se uma acta peculiar. Ou o que nos calha em sorte).

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Os Homens sem terra

por Cláudia Köver, em 27.12.12

O homem que nasce, torna-se inesperadamente rei do seu Ser mas incapaz de reinar sobre a vida que lhe foi dada. Descobre, caminhando, que o mundo é uma ilha e que não há gruta que o esconda da sua própria pessoa. Mascara então o rosto, fugindo da responsabilidade, pois como pode um rei sem terra viver dependente do pão que lhe é dado?

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O português que eles pelos vistos entendem

por António Manuel Venda, em 27.12.12

«Muitas famílias não tiveram na Consoada os pratos que se habituaram.» A frase é de Pedro Passos Coelho, numa mensagem deixada no «Facebook» e que já mereceu perto de dez mil comentários, que vão do «palhaço» até outros elogios que me dispenso de repetir aqui. Foi a frase, de todas as da mensagem, que vi citada mais vezes, também no «Facebook», e inclusive perguntaram-me se eu conseguia descobrir o que nela havia de errado. Eu disse que sim e depois mostrei qual era o erro. Mas, segundo me explicaram, o erro era outro. Não era a falta de reticências no final, em vez do ponto. Admiti que as explicações estavam correctas (a falta de «a» a seguir a pratos), mas a minha ideia era mesmo diferente: trata-se de uma frase enigmática, saída de uma mente estranha, uma frase que refere «pratos que se habituaram» mas não diz a quê, daí que o erro esteja na falta de reticências em vez do ponto.

Independentemente de qual seja o erro da frase, a verdade é que toda a mensagem está escrita num português que, com favor, poderíamos classificar como pouco conseguido. Embora não chegue, por exemplo, a uma célebre mensagem de Pedro Mota Soares, também no «Facebook», onde o português, sem favor, chegava a assustar; era a mensagem com explicações sobre o carro encomendado por Carlos Zorrinho e que o ministro tinha passado a usar. Nessa altura deixei uma pergunta, para saber se não havia um assessor qualquer que pusesse a mensagem em português correcto. Eu pensava que não ia ter resposta, mas a verdade é que tive. Uma resposta surpreendente, a informar-me de que o que interessava era o conteúdo, não a forma. Nem me atrevi a argumentar.

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«Todo o néscio /confunde valor e preço.»

Antonio Machado (1875-1939)

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Conto ínfimo de Natal (19)

por Ana Vidal, em 27.12.12

 

Era uma ovelha de presépio insuportável, achava-se a maior do rebanho. Descobriram que ia beber água ao lago dos patos. O espelho era de aumentar.

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O mundo é de quem o reinventa (99)

por Ana Vidal, em 27.12.12

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As canções do século (1092)

por Pedro Correia, em 27.12.12

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O mundo é de quem o reinventa (98)

por Ana Vidal, em 26.12.12

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