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A peculiar geopolítica comunista

por Pedro Correia, em 30.11.12

 

Jerónimo de Sousa quer "devolver a palavra ao povo", com o recurso a eleições antecipadas. Num discurso em que defendeu o "pleno direito do povo português a decidir do próprio destino" no quadro de uma União Europeia que no seu entender é "irreformável".

 

Declarações do secretário-geral do PCP na abertura do XIX Congresso do partido, em Almada. Lendo no entanto a proposta de resolução política que será votada nesta reunião magna dos comunistas, que países merecem elogios rasgados do partido que Jerónimo de Sousa lidera? Os do costume. Por exemplo, a República Popular da China do partido único, com todo o "pujante desenvolvimento das suas forças produtivas" - em contraste com o "marasmo japonês". Com um ano de atraso, chora-se a "agressão à Líbia" que permitiu derrubar a velha ditadura de Kadhafi, vigente durante 42 anos. Os comunistas saem em defesa da criminosa dinastia de Assad, que oprime há quatro décadas o seu povo, denunciando a "gigantesca campanha de desinformação, desestabilização e agressão à Síria". E do odioso regime teocrático implantado em 1979 em Teerão, vociferando contra "as provocações e a escalada belicista contra o Irão". Vergastam a "contra-ofensiva do imperialismo" em Cuba, país dominado há 54 anos pela família Castro, sempre pronta a asfixiar as mais tímidas manifestações de reformismo interno. Não esquecem entretanto uma palavra solidária à tirania norte-coreana, lamentando aquilo a que chamam "provocações à República Popular Democrática da Coreia".

 

E, para que não restem dúvidas, entoam hossanas em louvor muito especial dos cinco países ainda governados por comunistas que restam no globo, concedendo-lhes o nobre título de nações "resistentes": "No quadro da resistência ao domínio hegemónico do imperialismo, assumem particular relevo no plano internacional vários países (China, RPD da Coreia, Cuba, Laos e Vietname) que, não se integrando no sistema capitalista, constituem objectivamente um factor de contenção dos seus propósitos de domínio planetário."

Países que não respeitam os mais elementares direitos democráticos e cujos regimes ditatoriais, somados, totalizam 258 anos.

 

Já os EUA e a França, países democráticos onde a palavra foi recentemente "devolvida ao povo", são brindados com severas críticas do PCP. "A realidade desmente as campanhas de branqueamento do imperialismo em torno de fabricadas «mudanças» como as da eleição de Barack Obama ou François Hollande. A natureza e objectivos da política dos EUA e da União Europeia – em que a NATO desempenha um papel de primeiro plano – mantêm-se inalteráveis", lê-se na proposta de resolução política. Nada de novo: é mais do mesmo.

 

Passam as décadas, mas o PCP permanece igual a si próprio: tolerante e solidário com ditaduras, implacavelmente crítico com as democracias. Imaginam por instantes um partido da oposição - assumindo que ele existisse - reclamar hoje, como reclama Jerónimo de Sousa, que a palavra seja "devolvida ao povo", senhor do seu "próprio destino", através de eleições democráticas e livres, em Havana, Pequim ou Pionguiangue?

Pois, ninguém imagina. Nem sequer os dirigentes do PCP, que têm um discurso para consumo interno e outro, muito diferente, em matéria de política internacional. Reivindicando mais democracia aqui enquanto aplaudem ditaduras noutros quadrantes.

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Símiles que nunca uma mulher entenderá

por José António Abreu, em 30.11.12

Os olhos dela eram faróis bi-xénon iluminando a escuridão.

Tinha mamas empinadas como um chapéu do Totti.

A sua voz conseguia ser tão suave como um Aventador ao ralenti e tão agressiva como um tema do Trent Reznor. 

Respondia melhor ao toque dos dedos que um oled capacitivo.

De mini-saia e sapatos de salto alto parecia um carro desportivo com jantes de vinte polegadas.

Tinha contornos com mais polígonos do que Mona Sax ou Lara Croft e também era muito mais perigosa.

Ao fazer amor, mudava de ritmo como uma caixa de dupla embraiagem.

Amá-la era um call of duty, que ela o amasse uma medal of honor.

Domá-la era tão impensável como controlar sem mãos uma Panigale a alta velocidade.

Tinha um riso tão cristalino como o tweeter das melhores Sonus Faber.

Sabia usar o corpo de tal modo que o remetia para os clássicos da Private.

Carícias dela faziam-no vibrar mais do que o Dualshock.

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Um quebra-cabeças absolutamente gratuito

por Rui Rocha, em 30.11.12

Muito bem. Gaspar é o número dois e Portas é o número três. Sendo assim, quando Crato desautoriza Passos, em que lugar está? E em que posição fica Passos?

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O mundo é de quem o reinventa (72)

por Ana Vidal, em 30.11.12

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As pessoas são a árvore

por Rui Rocha, em 30.11.12

A autarquia de Lisboa contratou bens e serviços, sem concurso público e através de uma empresa municipal, no valor de 229.637 euros para a execução da árvore de Natal que é inaugurada sábado no Terreiro do Paço, o que faz disparar os gastos totais com a quadra festiva para cerca de 479 mil euros.


De acordo com o seu autor, o artista plástico Leonel Moura, o conceito do projecto baseia-se na ideia de que "as pessoas são a árvore". O artista plástico acrescenta que "neste período de crise em que há uma certa desvalorização das pessoas, achei interessante valorizá-las".


O Público informa ainda que à Robotarium de Leonel Moura, já em 2009 a Câmara de Lisboa  tinha entregue 74 mil euros igualmente por ajuste directo, para pagar 45 oliveiras plantadas em estruturas de fibra e com rodas. Pelo visto, o "jardim portátil", como lhe chamaram, começou por estar no Terreiro do Paço e foi transferido mais tarde para o Cais do Sodré. Ainda de acordo com o Público, "há muito que as rodas encravaram, tornando a mobilidade das oliveiras praticamente impossível".


As pessoas são a árvore, dizem. E afirmam que a árvore é interactiva. Continuem com a brincadeira e admirem-se quando chegar o dia em que a àrvore começa a responder.

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Refundar o Estado Social.

por Luís Menezes Leitão, em 30.11.12

Se já nos estamos a ver gregos com o Orçamento para 2013, imagine-se o que será em 2014, em que vai ser preciso cortar 4.000 milhões para pôr o défice nos miraculosos 2,5% do PIB, que aliás ainda estão longe dos 0,5% exigidos pelo Tratado Orçamental. Conhecendo o actual Governo, imagino as propostas que aí vêm:

1) Limitar a escolaridade obrigatória à 4ª classe. No tempo dos nossos avós era assim. A seguir fecham-se todas as escolas secundárias e  universidades públicas. Quem quiser ter educação complementar que vá para uma escola privada. Mas em bom rigor nem isso será necessário, pois o que se pretende é que os alunos deixem de ser piegas e comecem a trabalhar muito cedo. Daqui a vinte anos terão sempre possibilidade de pedir equivalência à licenciatura ou até ao doutoramento com base no currículo profissional.

2) Extinguir todo o sistema de saúde público. Quando mais depressa morrermos, mais depressa deixamos de ser um encargo para a segurança social. Aliás, para acelerar a coisa, até se deve passar a tributar mais reduzidamente o tabaco e as bebidas. Os portugueses vivem demasiado tempo para o Estado social que temos.

3) Se o despedimento dos funcionários públicos resultante de 1) e 2) não chegar, despedir até 100.000 funcionários públicos. Para evitar iniquidades nesse despedimento, o Governo proporá uma roleta onde serão sorteados os números de funcionários a abater (em sentido figurado, claro) aos quadros.

4) Como o previsto em 3) atirará o desemprego para os 20%, o Governo proporá extinguir imediatamente o subsídio de desemprego. Para o Governo não faria sentido nenhum andar a sortear o despedimento de funcionários e depois ainda ter que lhes pagar subsídios. Aliás subsídios é palavra abolida para todo o sempre no Estado Social refundado. E o mesmo sucede com o rendimento mínimo garantido. Com é que se quer ter alguma coisa garantida neste novo Estado Social?

5) Elevar a idade de reforma para os 100 anos. Se o Manuel de Oliveira conseguiu trabalhar com esta idade, porque não o hão-de fazer todos os outros?

Devem ser estas as medidas que aí vêm para 2014 e que permitirão um glorioso sucesso ao programa de ajustamento. Se a constituição o impedir, ela vai ter que mudar por força da realidade. Aliás, nem isso será necessário pois nem o Presidente nem o Tribunal Constitucional impedirão a aplicação das geniais medidas do Professor Gaspar. Mas a fazer-se uma revisão constitucional, provavelmente o artigo 1º passará a ser "Portugal é um protectorado,  baseado na indignidade da pessoa humana e na vontade dos credores, e empenhado na sua transformação numa sociedade obediente, injusta e austera".

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«Sem mulher, a vida é pura prosa.»

Ruben Darío (1867-1916)

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Sucessos do programa de ajustamento (2)

por Leonor Barros, em 30.11.12

Crianças chegam ao hospital doentes por terem fome.

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Sucessos do programa de ajustamento (1)

por Leonor Barros, em 30.11.12

Desemprego em Portugal sobe para 16, 3%.

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 30.11.12

 

Maitê Proença

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As canções do século (1065)

por Pedro Correia, em 30.11.12

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Choque

por José António Abreu, em 29.11.12

Parece que chegámos finalmente ao ponto em que a realidade está prestes a embater na Constituição. Mas talvez a realidade se desvie. Aliás, esperemos que sim porque já se percebeu que a Constituição não o fará; a Constituição é um obstáculo imóvel.

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O mundo é de quem o reinventa (71)

por Ana Vidal, em 29.11.12

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A Constituição da República dispõe o seguinte:

Artigo 74.º
Ensino

1. Todos têm direito ao ensino com garantia do direito à igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolar.

2. Na realização da política de ensino incumbe ao Estado:

a) Assegurar o ensino básico universal, obrigatório e gratuito; 
b) Criar um sistema público e desenvolver o sistema geral de educação pré-escolar; 
c) Garantir a educação permanente e eliminar o analfabetismo; 
d) Garantir a todos os cidadãos, segundo as suas capacidades, o acesso aos graus mais elevados do ensino, da investigação científica e da criação artística; 
e) Estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino; 
f) Inserir as escolas nas comunidades que servem e estabelecer a interligação do ensino e das actividades económicas, sociais e culturais; 
g) Promover e apoiar o acesso dos cidadãos portadores de deficiência ao ensino e apoiar o ensino especial, quando necessário; 
h) Proteger e valorizar a língua gestual portuguesa, enquanto expressão cultural e instrumento de acesso à educação e da igualdade de oportunidades; 
i) Assegurar aos filhos dos emigrantes o ensino da língua portuguesa e o acesso à cultura portuguesa;
j) Assegurar aos filhos dos imigrantes apoio adequado para efectivação do direito ao ensino

Face a esta redacção, e tendo em conta sobretudo a alínea e) do nº 2 que refere a obrigação de estabelecer progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino, não vejo grandes razões para o optimismo de Passos Coelho relativamente à abertura constitucional a uma partilha de custos na educação. A introdução de qualquer nova forma de pagamento contraria expressamente tal preceito. Não tenho grandes dúvidas de que uma medida desse género, ainda que circunscrita ao ensino secundário, é inconstitucional não pela ideia de que o que é obrigatório deve ser gratuito, mas por implicar a introdução de um novo custo ali onde a Constituição prevê um caminho no sentido inverso.

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A palavra pervertida

por Pedro Correia, em 29.11.12

 

O progresso. Se há palavra malbaratada, desvirtuada, pervertida, vilipendiada é a palavra progresso - sempre pronta a ser usada e abusada por todos os vendedores de ilusões. Alguns dos maiores torcionários de que há memória usaram-na em discursos e até em livros. Em nome do progresso, matou-se e torturou-se. Sob a bandeira do progresso, o homem é constantemente empurrado com excessiva frequência de regresso às cavernas. Invoca-se o progresso como se fosse um dogma, pratica-se o retrocesso como se fosse inevitável.

Nada há de tão perverso na política como esta novilíngua destinada a iludir as mais legítimas aspirações dos povos. Danton, um dos próceres da Revolução Francesa, chegou a enaltecer a guilhotina como conquista civilizacional e símbolo de um futuro radioso. «O verbo 'guilhotinar', notai, não se pode conjugar no passado. Não se diz: 'Fui guilhotinado'.»

Palavras proferidas na véspera da sua morte, a 5 de Abril de 1794: foi vítima da guilhotina, na sequência de uma conspiração liderada por Saint-Just, que costumava proclamar: «Ninguém pode governar inocentemente.» Provavelmente tinha razão: o próprio Saint-Just - apelidado de Anjo da Morte - viria a ser executado a 28 de Julho (10 do Thermidor do ano II, segundo o calendário revolucionário), com apenas 26 anos, acusado de "inimigo do povo". Com ele morria Robespierre - outro protagonista dos alvores da Revolução Francesa, outra vítima crepuscular da guilhotina.

De nada valera a Saint-Just o brilhantismo das suas intervenções enquanto mais jovem deputado eleito para a Convenção Nacional, em 1792, com a ardente apologia da revolução permanente. "Àqueles que o povo (não o voto, porque o voto é um acto de Estado, de subserviência) derruba, não devem ser conferidos quaisquer direitos", proclamou, entre apelos à execução sumária do monarca derrubado três anos antes, Luís XVI. Sem imaginar que viria ele próprio a ser vítima da sua própria oratória, tão implacável, tão intransigente, tão inflamada.

Foi a primeira revolução de grande envergadura a devorar vários dos seus filhos - e esteve muito longe de ser a última. Nenhum discurso inflamado por cartilhas partidárias é capaz de atingir os abismos que moldam e condicionam a natureza humana.

 

Imagem. Execução de Saint-Just e Robespierre, em 28 de Julho de 1794 (10 do Thermidor): a Revolução Francesa devorando os seus filhos

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A carta dos 70

por Rui Rocha, em 29.11.12

Coloquemos as coisas nos seus devidos lugares. A carta dos 70 não pede que Passos Coelho seja demitido. Pede a Passos Coelho que altere a sua política e que, caso não o faça, tire as devidas consequências, isto é, que se demita. Este pormenor faz toda a diferença. Sendo assim, como é, a discussão sobre o valor do acto deve deslocar-se da esfera da apreciação objectiva das condições para o exercício da governação para uma análise subjectiva que tenha em conta o próprio valor dos mensageiros. Ali, se fosse o caso, o que estaria em causa seria uma questão de legitimidade democrática. A avaliar independentemente de quem escreve o quê. Na carta, pelo contrário, apela-se à a um acto de vontade do destinatário. É por isso que é absolutamente relevante olhar para quem a subscreve. Nesta história, os remetentes da carta querem assumir também a função de narradores. O papel que destinam a Passos Coelho é o de Pinóquio. Para si, reservam o de conscenciosos grilos falantes. Ora, se Passos Coelho se presta à metáfora, não é verosímil uma intriga em que Mário Soares, Ferro Rodrigues, João Galamba, Pedro Nuno Santos, Inês de Medeiros e Vítor Ramalho se apresentam como vozes da consciência. Falantes serão. Mas falta-lhes, deve reconhecer-se, muita estatura para poderem chegar aos calcanhares do grilo. 

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«Todo o acto é um disparo de revólver cerebral.»

Tristan Tzara (1896-1963)

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Então não se está mesmo a ver?

por José Navarro de Andrade, em 29.11.12

Jackson Pollock, "Number 8", 1949

 

A arte contemporânea é difícil.

Talvez esta dificuldade tenha começado a sério com Jackson Pollock cujo trabalho consistia resumidamente em atirar com pinceladas de tinta contra a tela e deixar que ela escorresse. Para complicar vieram críticos dizer que se tratava de gestualismo, elaborando teses sobre as maravilhas dos resultados. E mais bizarro ainda, os seus quadros começaram a valer milhões e são disputados por todos os museus.

Perante isto uma pessoa tende a pensar três coisas: 1) que também eu sou capaz de fazer isto; 2) o que quer isto dizer? (porque as coisas nunca são o que são e só somos espertos se percebermos o que está por detrás delas); 3) que é evidente haver um sistema, mais ou menos perverso, feito de galeristas, colecionadores, críticos, museus e leiloeiros, que promove e consagra uns artistas e ignora outros, quando parece não haver qualquer distinção entre os “bons” e os “maus”.

A arte contemporânea é difícil porque só de olhar para ela não conseguimos discriminar o génio da impostura. E quando chegamos ao capítulo das “instalações” ou das “performances” a confusão aumenta desmesuradamente. Por exemplo, a não ser pelo nome dos envolvidos (artistas e patrocinadores) ou pelo volume dos recursos disponíveis, como haveremos de diferenciar qualitativamente isto (aplausos) disto (vaias)?

Por isso a maior dificuldade da arte contemporânea foi posta do lado do espectador não do artista. Até porque, como se sabe, o bom-gosto foi a coisa mais bem repartida pela humanidade, pois cada um está muito satisfeito com a parte que lhe coube. Como evitar a tentação da chacota? Como pode alguém não se indignar pela maneira como “eles” gastam o nosso dinheiro nestas coisas? Como não ver que tudo não passa de um bando de parasitas e oportunistas? Como não ter a certeza que estes gajos andam a gozar connosco?

Há uma forma de tentar resolver o problema só que é talvez tão difícil como a arte contemporânea:

Deixar-se intrigar, o que implica não ficar muito agarradinho às certezas adquiridas; procurar cultivar-se, o que obriga a ver, ler, discutir, ouvir, interrogar – uma trabalheira; suspender o juízo, duvidar dele, até que saiba um pouco mais.

E ainda assim a arte contemporânea continua a ser muito difícil.

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O trending topic é Hashtag

por Rui Rocha, em 29.11.12

 

Depois da egípcia Facebook, parece ter vindo ao mundo uma menina a quem os pais decidiram dar graça não menos curiosa. Pelo visto, o seu nome é Jameson. Hashtag Jameson. Trata-se de um exercício do poder paternal susceptível de levantar várias questões interessantes. De momento fico-me por esta: o diminutivo da criança será Hash (clique sobre o Hash da direita para traduções mais radicais), Tag ou simplesmente #?

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Resistência activa ao aborto ortográfico (21)

por Pedro Correia, em 29.11.12

 

Semanário Avante!

 

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Lisboa antiga (65)

por Pedro Correia, em 29.11.12

 

RUA DE BUENOS AIRES

«Vieram viver para perto dos Alves que, agora, tinham mudado para um palacete a Buenos Aires.»

Eça de Queiroz, Alves & Cª.

Foto: blogue Ruas de Lisboa com Alguma História 

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As canções do século (1064)

por Pedro Correia, em 29.11.12

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Fotografias tiradas por aí (94)

por José António Abreu, em 28.11.12

Montalegre, 2005.

(Só ao olhar para a fotografia me apercebi do nome do talho. Como ainda não voltei lá para perguntar, haverá por aí quem possa explicar-me o que levou o proprietário a chamar-lhe "Falta D'Ar"?)

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O mundo é de quem o reinventa (70)

por Ana Vidal, em 28.11.12

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Assim dizia Virgílio

por Rui Rocha, em 28.11.12

Durante o debate do Orçamento de Estado para 2013, o deputado do PSD Virgílio Macedo afirmou, para justificar a taxa de 23% aplicável à restauração, que Portugal tem restaurantes a mais. Mais tarde, esclareceu que não tem conhecimento directo da situação: dizia apenas o que ouviu às associações do sector, como a AHRESP. Ora, já se sabe que a parcela da felicidade terrena a que cada população pode aspirar depende muito da qualidade dos Virgílios que lhe cabem em sorte. Os romanos, por exemplo, tiveram o Virgílio deles. A nós, calhou-nos o Macedo. E vá, o Virgílio dos Leitões. Ora, voltando ao prato principal, é verdade que Portugal tem mais restaurantes do que a média europeia (um para cento e tal habitantes em Portugal contra um para trezentos e tal na Europa, creio). Mas, o ponto essencial não é esse. O que está em causa nas afirmações do Virgílio doméstico é a utilização de um imposto para promover a eliminação do excesso. O entendimento da política fiscal como forma de eugenia económica: só os restaurantes mais fortes sobrevivem porque são capazes de resisitir ao ataque tributário. Pela mesma ordem de ideias, seremos levados a pensar que o aumento de IRS estará também relacionado com o facto óbvio de existirem, hoje por hoje, demasiados portugueses. Como se vê, pode encontrar-se em tudo isto um fio condutor, uma lógica virgilio-macediana. Todavia, noto que há aspectos da realidade que lhe escapam. Veja-se o caso dos idiotas. Há, em Portugal, um claro excesso de idiotas (para que não fiquem dúvidas, devo esclarecer que não tenho conhecimento directo da situação: digo apenas o que ouvi à AIESP - Associação dos Idiotas e Estúpidos de Portugal). Ora, não se viu até à data que alguém propusesse a idiotice, por si mesma, como facto sujeito a tributação. Nem lei que tipificasse certos Virgílios como sujeitos passivos de imposto agravado. É por isso que dificilmente nos veremos livres de tal flagelo. Tal como dizia Virgílio, o da Eneida, não o Macedo, eles podem porque pensam que podem. O que é, desde logo, uma estranha maneira de pronunciar os efes.

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Pluralismo zero

por Pedro Correia, em 28.11.12

Os programas de "debate" onde não há contraditório - todos dizem o mesmo, com uma ou outra variação de pormenor - são a prova evidente de que existe uma enorme distância entre a "democracia" televisiva e a democracia real.

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Em comentário ao meu post de ontem à noite, o Rui Rocha indicou-me este vídeo. Como o Rui, sendo de Braga, não pode dizer mal de Guimarães aqui no blogue (seria demasiado óbvio), transformo-o eu em post. E vivam o dinheiro dos contribuintes e a macrobiótica parabólica polaroid.

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Absolutamente ridículo

por Rui Rocha, em 28.11.12

Décio Antônio Colla, prefeito da cidade de São Francisco de Paula, no Rio Grande do Sul, aconselhou a população a preparar-se para o fim do mundo, contrariedade que, de acordo com o autarca (que se baseia no calendário Maya), terá lugar no próximo dia 21 de Dezembro. Preocupado com a população, aconselhou o armazenamento de lenha, fósforos, lanternas, alimentos e água. Em declarações a órgãos de comunicação social, afirmou que fez o alerta porque pretende que os habitantes não sofram ou sofram o menos possível. Ora, tudo isto é absolutamente ridículo. E, embora seja de saudar que um eleito demonstre preocupação pelo destino dos que o elegeram, é preciso denunciar este tipo de comportamentos alarmistas que podem, ainda que involuntariamente, dar origem a situações de pânico sem jutificação. Afinal de contas, toda a gente sabe que o fim do mundo ocorrerá, apenas, no dia 23 de Dezembro.

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«Orgias e deboches culminam sempre numa ressaca moral.»

Jaroslav Hasek (1883-1923)

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Bocejo

por Rui Rocha, em 28.11.12

O El País lançou um concurso em que pede aos leitores para fazerem uma descrição breve sobre a canção dos Coldplay que mais os marcou. Deve tratar-se de um tremendo equívoco. A música dos Coldplay pode servir para muita coisa. Entreter, trautear, adormecer crianças irrequietas, tudo o que quiserem. Agora... marcar? Ainda se fosse aborrecer...

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Resistência activa ao aborto ortográfico (20)

por Pedro Correia, em 28.11.12

 

 Nova Teoria do Mal, de Miguel Real (edição D. Quixote, 2012)

 

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As canções do século (1063)

por Pedro Correia, em 28.11.12

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O glamour da cultura ou talvez a cultura do glamour

por José António Abreu, em 27.11.12

Panfleto distribuído à entrada de espectáculos incluídos no programa de Guimarães 2012. Desconheço se o conteúdo tem razão de ser mas não me custa a acreditar que sim. Este tipo de projectos é propenso a megalomanias em que as considerações económicas são detalhes mundanos e irritantes, afastados com garantias de ganhos significativos mas nunca directamente contabilizáveis. Os benefícios de «imagem», a criação de «hábitos», o desenvolvimento de uma «indústria cultural» e mais uma catrefada de chavões vencem sempre o cepticismo. No fundo, tudo não passa de um afinal provinciano desejo de parecer culto e inteligente; tão provinciano que acaba invariavelmente misturado com a satisfação de interesses particulares – pois se artistas «menores» e colaboradores diversos correm o risco de não serem pagos, as «mentes» organizadoras, os seus amigos e os artistas consagrados nunca têm razões de queixa. Claro que muitas vezes também é bem feito para os tais artistas menores, que vêem nestas feiras de vaidades uma oportunidade para se «afirmarem» e ganharem muito dinheiro de repente, à custa do erário público. Mas talvez o mais curioso seja que, depois, valeu sempre a pena, foi sempre um sucesso retumbante. Com o lixo empurrado para debaixo do tapete, as críticas desvanecidas pelo tempo e pelo cansaço, e as contas pagas pelo contribuinte. Cultura? Provincianismo puro.

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Qual Par?

por Gui Abreu de Lima, em 27.11.12

 

Não chore menina, não chore. Seus olhos se enxugarão, assim que ele torne a vir. Torna a vir menina, tudo torna a vir. Desde que não chame por nada, enquanto se distrai das coisas, nos dias em que é seu ser. Deixe menina, deixe assim. A vida tem seu sentido. Ainda que se interrogue, ainda que se pergunte. Há-de vir sua resposta.
Ri agora, quem a viu. Quanto não valeu o pranto. Acendeu a sua luz. Há sempre além menina. Porque havia de acabar, se este mundo não tem fim? Dizem que é só abrir as asas. Que cada um tem o seu par. Cada um tem o seu par! Dizem isso menina. Dizem.

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O mundo é de quem o reinventa (69)

por Ana Vidal, em 27.11.12

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Até ao fim.

por Luís Menezes Leitão, em 27.11.12

 

Durante uma viagem a Hamburgo, li o mais recente livro de Ian Kershaw, Até ao fim, que retrata primorosamente a obstinação cega de um regime, apostado em prosseguir uma política que se sabia não poder ter qualquer êxito, mas que os governantes asseguravam ir prosseguir, contra todas as evidências, por mais sofrimento que causassem ao povo. Mesmo depois da queda de Viena, Hitler limitou-se a dizer: "Berlim continua alemã. Viena voltará a ser alemã. E a Europa nunca será russa". No fim, isolado de tudo e de todos, atirou as culpas para o mesmo povo alemão que antes glorificara: "Se o povo alemão não consegue passar por esta prova, não merece o que preparei para ele".

 

Ao ler o livro não pude deixar de dar razão aos que têm estabelecido um paralelismo com a presente realidade na Europa, e especialmente em Portugal. O discurso constante de que não há outra alternativa que não seja prosseguir neste caminho, por muito sofrimento que venha a causar. A simultânea culpabilização e elogio do povo sofredor que num dia é piegas, noutro dia é o melhor povo do mundo. E finalmente o constante anúncio de um final feliz para algo que já toda a gente percebeu ser uma tragédia. Hitler dirigia exércitos imaginários no seu bunker de Berlim, assegurando ir alcançar a vitória. Vítor Gaspar, apesar de reconhecer que há  "riscos e incertezas," anuncia a recuperação económica para daqui a um ano.

 

O orçamento para 2013 foi aprovado pelo Parlamento. O Presidente utilizou a ironia para anunciar não querer saber das "pressões de vinte corporações e mais de cem individualidades" para que o enviasse ao Tribunal Constitucional. O país está irremediavelmente condenado a cair no abismo. Até ao fim.

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Separados à nascença?

por Rui Rocha, em 27.11.12

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«No tempo em que as mulheres não votavam, fazíamos guerras por elas. Agora que elas votam, fazemos guerras pelo petróleo. Será isto um progresso?»

Boris Vian (1920-1959)

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Lisboa antiga (64)

por Pedro Correia, em 27.11.12

 

RUA DO CARMO

«Nunca, como nos últimos tempos, ela fora tão terna, tão alegre, enchendo-o de tanta felicidade... E tudo isto lhe bailava alegremente em volta do coração enquanto subia, na calmaria ardente, sob o seu guarda-sol, a Rua Nova do Carmo. Ao alto da rua, no restaurante do Mata, parou a encomendar uma empada de peixe para as seis horas. Comprou ainda um fiambre, um queijo da serra, e olhava em redor para ver o que poderia levar mais, com a alegria e a sofreguidão dum pássaro que provê o seu ninho

Eça de Queiroz, Alves & Cª.

Foto: blogue Ruas de Lisboa com Alguma História

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As canções do século (1062)

por Pedro Correia, em 27.11.12

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Diz o limão à cerejeira:

por Gui Abreu de Lima, em 26.11.12


- Era só esta luz bonita e hoje parece-me o mundo. O sol a ficar para trás, o horizonte de chumbo, prenúncio da tempestade. Em nós até os homens eu sinto. Os que bebem ilusão, aqueles que preferem não ver, e os que são o chá do mundo.

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Os Speares

por Rui Rocha, em 26.11.12

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Perspiquidade, a receita do sucesso

por Ana Vidal, em 26.11.12

 

Na SIC, uma reportagem denominada "Momentos de Mudança" revela-me o universo dos jovens empreendedores portugueses. Grande destaque para um deles (escapou-me o nome, mas, a avaliar pelo sotaque, é um verdadeiro homem do norte), que conta a sua história de sucesso e dá conselhos aos outros com a absoluta segurança dos vitoriosos. Entre mil chavões - decalcados dos discursos dos gurus Jobbs, Krugman ou Gates e devidamente explicados no esterilizado economês de Silicon Valley - o rapaz pára um momento e aventura-se numa ideia própria, ou, pelo menos, expressa na sua própria língua, para responder a uma pergunta da plateia: "Pá, além de proactivo, polifacetado, hands-on, tás a ver?, tens de ser perspicaz. E a tua perspiquidade tem de se ver logo na universidade".

 

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O mundo é de quem o reinventa (68)

por Ana Vidal, em 26.11.12

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É esguichar, minha gente!

por André Couto, em 26.11.12

 

Atirar calhaus aos Polícias não está com nada.
Os projecteis batem nos escudos e não no lombo dos decisores políticos eventualmente merecedores da "mensagem". Por outro lado dão lugar a que os decisores políticos, os tais destinatários da "mensagem" frustrada, mandem distribuir bordoadas pela malta e apagar da memória colectiva os dados que o Banco de Portugal divulgou naquele dia. (Desculpem mas sentia-me mal por ser o único português que não tinha mandado o seu bitaite.)

Só se ganha a um Chico Esperto, seja este o Ministro da Administração interna por si, ou o Primeiro Ministro que o desautoriza, se se for mais esperto que ele.
Parecendo que não, o leite entranha-se na roupa e o cheiro não é agradável, para além do desconforto que causa dado o frio.
Queria ver um Chico Esperto a justificar uma carga policial porque os "gandins" estavam a esguichar leite da vaca para cima da Autoridade. Até a CGTP se sentiria orgulhosa e ajudaria no transporte dos animais. Isto não esquecendo a satisfação das "vaquinhas ordenhadas todas umas atrás das outras", como o nosso Presidente da República tão superiormente retratou há uns anos...

(PS. Para este último ponto googlar "cavaco silva vaquinhas" e abrir o primeiro resultado.)

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As declarações de voto dos deputados.

por Luís Menezes Leitão, em 26.11.12

 

Ao que parece, há deputados do PSD que vão apresentar declarações de voto a contestar o aumento de impostos que lá irão disciplinadamente votar. Não há espectáculo que ache mais deprimente do que ver deputados a apresentar declarações de voto em sentido contrário ao que votam, o que até pode, a meu ver, levantar questões de invalidade do voto. Se não estão de acordo com a proposta, então que votem contra. Se têm medo de votar contra, então que renunciem ao cargo. Se não são capazes de fazer nem uma coisa nem outra, então mais vale que votem em silêncio. Como disse Cavaco Silva, em certos casos o silêncio é de ouro. Neste caso, tem pelo menos o grande valor de evitar o ridículo.

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Nem tudo está perdido

por Rui Rocha, em 26.11.12

Os últimos dias trouxeram várias notícias que abalaram profundamente uma certa organização do mundo em que nos habituámos a viver. Vejamos alguns exemplos, sem qualquer pretensão de fazer uma enumeração exaustiva: o MacGyver está gordo como um texugo, o JR do Dallas morreu, Portugal não participará no Festival da Canção de 2013, escasseiam as informações sobre os Jogos Sem Fronteiras, Alberto João Jardim anunciou a intenção de abandonar a política activa e o burro e a vaca (ou o boi ou lá o que é) foram expulsos do presépio. Será isto um sinal de aproximação do fim do noso tempo? Devemos então admitir que estamos a ficar velhos e ultrapassados pelos acontecimentos? Tenderia a responder que sim, não fosse dar-se o caso de, contrariando todo o pessimismo, o Tony e o Manuel José terem sido considerados aptos para voltar aos relvados

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