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Eleições?

por José António Abreu, em 31.10.12

O Rui Rocha colocou um comentário no meu post anterior defendendo a realização de eleições. A pergunta que me surge é mesmo a que surgiu a c, outro comentador desse post: eleições para quê? O actual governo nasceu de um acto eleitoral com menos de ano e meio e tem por isso legitimidade para governar. De resto, a democracia não pode vergar-se a ciclos de poder demasiado curtos ou nunca qualquer governo terá hipótese de aplicar medidas impopulares. A duração dos mandatos, raramente inferiores a quatro anos, prende-se com esta constatação. Por outro lado, os protestos nas ruas ou nas caixas de comentários de edições online de jornais não podem considerar-se um barómetro fiável para avaliações deste género. Há muito mais gente calada do que a manifestar-se. Mas enfim: poder-se-á alegar que o governo está a implementar políticas bastante diferentes das prometidas em campanha eleitoral, o que o faz perder a legitimidade que lhe foi conferida pelos eleitores. Planando suavemente sobre a incrível e pelos vistos sempre renovada ingenuidade dos eleitores, é um bom argumento. Mas será suficiente para compensar os efeitos negativos de uma crise política neste momento? A queda do governo faria com que, durante meses, nenhuma medida significativa fosse tomada, os objectivos do memorando, já difíceis de atingir, se transformassem numa miragem, a trajectória da dívida nos mercados financeiros se invertesse e os nossos parceiros europeus fossem obrigados a decidir se continuariam a enviar-nos dinheiro sem o cumprimento das contrapartidas acordadas. Ou seja: colocar-nos-ia numa situação verdadeiramente similar à da Grécia. Mas talvez valesse a pena se as políticas do novo governo fossem melhores do que as do actual, certo? Pura ilusão: em menos tempo do que leva a dizer supercalifragilicious expialadocious (ou apenas num pouco mais), o PS mostraria que as exigências de medidas para o crescimento e de atenuação da austeridade que vem debitando (e que reforçaria durante a campanha eleitoral) possuem a consistência de uma bola de gelado de baunilha pousada durante dez minutos no umbigo de uma Charlize Theron em bikini, estendida na praia às três da tarde do dia mais quente do Verão. À frente do governo (qualquer que ele fosse), Seguro afixaria um ar compungido (que, de resto, lhe sai sem esforço) e iria de mão estendida a Bruxelas – ou talvez a Berlim. Isto é: um governo do PS encontrar-se-ia rapidamente na mesma situação de legitimidade que o governo actual – o país é que estaria ainda pior. A austeridade, imposta por financiadores chateados com a forma como agraváramos a situação, regressaria em força; a contestação social também. Mas há mais: alguém acredita que os socialistas reformariam o Estado no sentido e dimensão necessários, indo contra garantias repetidas até à exaustão e afrontando o seu eleitorado típico? Já para não mencionar os riscos ligados à provável inexistência de uma maioria absoluta e da necessidade de formar um governo de coligação. Honestamente, tudo ponderado, só compreendo o desejo de eleições se se acreditar numa das seguintes hipóteses:

- A liderança do PSD mudaria antes de elas ocorrerem, a nova liderança conseguiria ganhá-las e, depois, à frente de uma coligação, implementar as reformas que este governo não levou por diante, o que agradaria à Troika e acalmaria os mercados (hipótese para gente extremamente optimista, portanto, que encara Rui Rio como um messias);

- Um governo de bloco central liderado pelo PS garantiria consenso social e efectuaria as reformas, o que agradaria à Troika e acalmaria os mercados (duvido; a mim parece-me o concentrado ideal de interesses e demagogia – e se em 1983 esta solução resultou, o peso de Estado e, por conseguinte, a teia de interesses a ele associada era bastante menor);

- É altura de afrontar a Troika e, eventualmente, de sair do euro (caso em que, nas tais eleições, se votará Bloco de Esquerda ou Partido Comunista);

Assim sendo, resta-me repetir: eleições para quê?

 

(E, caramba, parem de pensar na Charlize Theron com a bola de gelado no umbigo.)

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 31.10.12

«Evidentemente, as pessoas têm todo o direito de se manifestar. Vivemos numa conjuntura particularmente difícil, há muitas pessoas que estão a sofrer bastante. Mas apesar disso há uma coisa que deve ser dita: no dia em que o Parlamento for desvalorizado, as manifestações cessam no nosso país. Um parlamento vivo é essencial para que haja uma verdadeira democracia e para que os direitos e as liberdades fundamentais sejam respeitados em qualquer país do mundo. Não há nenhuma democracia que subsista sem um parlamento activo, prestigiado e respeitado. Quando ouço algumas palavras de ordem fico preocupado. Há uma dissociação que me tem vindo a preocupar crescentemente entre o 'País das manifestações' e o 'País das instituições'. É grave que haja um desentendimento entre estes dois 'países'. (...) O Parlamento é a instituição central de qualquer regime democrático e atacar o Parlamento é atacar o cerne da democracia.»

Francisco Assis, no Frente-a-Frente da SIC Notícias

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Recordar o Halloween das nossas infâncias

por Rui Rocha, em 31.10.12

 

Ah, que saudade. Lembram-se... quando éramos meninos e íamos de casa em casa, disfarçados de monstros ou de zombies, e gritávamos doçura ou travessura? Lembram-se da ansiedade? Do silêncio que fazíamos à espera de um ruído que indiciasse a abertura iminente da porta. Dos olhos a brilhar de excitação? Dos corações que palpitavam, das mãos que se entendiam na ânsia de agarrar o tesouro que nos ofereciam? Pois. Eu também não.

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Perguntas de Algibeira, #2

por Ana Cláudia Vicente, em 31.10.12

 

 [Foto: Túnel de Carey, Nova Iorque (Andrew Burton, Getty Images)]

 

Está vista a força da Técnica contra a técnica da Força*, neste caso, claro, a da Natureza: a Técnica quebra ou verga, a Natureza não. E manda, mesmo naquele que ainda é um centro do mundo. A Gawker, como tantos outros grupos, ficou apeada um dia inteiro, e regressou há pouco em modo de gerador-ligado-na-garagem, para dar conta das novidades do costume, mas também informar os que lá estão sobre como e quanto tempo vão ficar sem as coisas de primeiro mundo. Passam amanhã 257 anos sobre o dia em que nos calhou coisa assim. Daí que me esteja a roer a seguinte questão: assim de repente, quantos de vocês têm um plano mais ou menos desenhado no caso de se dar uma situação destas? Vá, dedos no ar: quem tem em casa um rádio a pilhas, uma lanterna a funcionar e pelo menos um garrafão de água potavel?  

 

* copyright Gabriel Alves.

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O mundo é de quem o reinventa (42)

por Ana Vidal, em 31.10.12

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Ars Mortis

por José Navarro de Andrade, em 31.10.12

Excluímos a morte dos nossos cálculos existenciais como se ela fosse um acidente. Tratando-se de uma inconveniência e um imponderável, incómoda aos negócios correntes que todos os dias temos que levar adiante, ganhámos-lhe nojo e passámos a considerar como obscena a sua exposição. Isto é uma atitude eminentemente europeia, quase sem equivalente noutras culturas. Uma explicação apressada e duvidosa para isto, como o são todas de índole psico-socio-históricas, poderia recordar o facto de o Velho Continente ter promovido durante o séc.XX, um par de guerras e de regimes que dizimaram cerca de 100 milhões de seres humanos e que esses fantasmas ainda hoje nos estigmatizam.

Mas nem sempre foi assim.

O nascimento da fotografia, entre as várias maravilhas que proporcionou, contou-se a de ter tornado acessível a toda a gente algo que até então estava reservado aos aristocratas – o retrato. Quando só preocupava a linhagem, o retrato era uma necessidade exclusiva de quem tinha uma genealogia a defender, mais os direitos e os haveres que ela entregava. Mas quando começou a surgir a ideia de família – essa invenção burguesa – todos os entes se tornavam queridos aos descendentes e constituíam a sua memória particular. Mas o retrato mantinha a sua aura, como um acto cerimonioso, dispendioso, logo parcimonioso. Por isso, muitas vezes recorreu-se a ele literalmente in extremis. Foram então voga os retratos fotográfico post-mortem em que os cadáveres do familiares acabados de falecer, quase sempre inopinadamente, eram postos em pose com os restantes membros da família para um derradeiro memento.

Abaixo, fica uma colecção destes instantâneos, que às almas afligidas de hoje poderão parecer um pouco tétricos, mas que um espírito aberto verá neles ternura, apego e uma ponta de antecipadas saudades.

 

 

 
 

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Feliz Halloween!

por Rui Rocha, em 31.10.12

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Fotografias tiradas por aí (86)

por José António Abreu, em 31.10.12

Porto, 2011.

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Aponta aí, Rui Rocha

por Rui Rocha, em 31.10.12

a) Juntar ao caderninho das notas que deves consultar se mais alguma vez te passar pela cabeça votar no PSD:

  - Relvas nos Dragões de Ouro;

  - Candidatura de Luís Filipe Menezes aprovada por unanimidade pelo PSD/Porto;

  - Carlos Abreu Amorim faz intervenção de encerramento do debate sobre a proposta de Orçamento para 2013.

 

b) Comprar praí mais duzentos caderninhos. 

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[Pub.]

por José Gomes André, em 31.10.12

Desde há alguns dias, e até às eleições, a SIC Notícias tem apresentado um "Especial Eleições EUA", em jeito de diário, com comentários, sondagens e análise do estado da corrida. Sempre à uma da manhã, em emissões de 15 minutos. Esta noite vou ter o prazer de estar no programa, a convite de Martim Cabral.

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Putativas inconstitucionalidades

por Pedro Correia, em 31.10.12

Ter uma dívida pública correspondente a 119% do Produto Interno Bruto será inconstitucional?

 

Duplicar a dívida pública em menos de dez anos será inconstitucional?

 

Acumular défices orçamentais alicerçados em dívida será inconstitucional?

 

Contrair empréstimos internacionais com juros pesadíssimos que constituem encargos incomportáveis para as gerações futuras será inconstitucional?

 

Ser o país mais endividado da zona euro será inconstitucional?

 

Conduzir Portugal à bancarrota será inconstitucional?

 

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 Tese de doutoramento aponta para favorecimento da PT pela ANACOM no processo TDT.

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Michel detido por suspeita de fraude fiscal e branqueamento de capitais.

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«A incompreensão do presente nasce da ignorância do passado.»

Marc Bloch (1886-1944)

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Os meus amigos liberais

por Teresa Ribeiro, em 31.10.12

"A saúde é um estado transitório que não augura nada de bom." Esta frase, que ouvi uma vez a um médico, lembra-nos que por mais saudáveis que sejamos um dia fatalmente o nosso sistema baixará a guarda e precisaremos de ser assistidos. O aumento da esperança de vida só contribui ainda mais para essa certeza, por isso é normal que a atrofia progressiva do SNS provoque a maior preocupação nas pessoas que como eu consideram que um sistema de saúde universal tendencialmente gratuito e de qualidade é o modelo por que todos devíamos lutar. O princípio que lhe subjaz não poderia ser mais justo: financiamo-lo com os nossos impostos para que possamos em devido tempo obter retorno sob a forma de cuidados de saúde.

Quando refiro este princípio, os meus amigos liberais desdenham. Invariavelmente argumentam que não temos, nem nunca tivemos, um retorno justo dos nossos impostos, que esse dinheiro que nos é tirado só serviu para alimentar, no que respeita à saúde, o monstro corrrupto e ineficiente que é o SNS. Para a Saúde defendem a redução do papel do Estado através do estabelecimento de parcerias com unidades de saúde privadas e o investimento em seguros. Quando respondo a estes meus amigos, gente de classe média, sem fortuna pessoal que, por exemplo, nos casos de doença prolongada que impliquem tratamentos caros os seguros descartam responsabilidades com a maior facilidade e que por isso mesmo, se num dia se encontrarem nessa situação estarão lixados, viram a agulha e começam a falar da crise e de demografia: que não temos dinheiro para esses luxos e além disso estamos a envelhecer e a população activa a diminuir e portanto o SNS é insustentável. Não procuro iludir essas questões e parece-me óbvio que por dificuldades de financiamento terá que haver um retrocesso na quantidade e qualidade de prestação desses serviços, mas não deixa de me arrepiar a ligeireza com que os meus amigos liberais celebram o fim do sistema que mais os defende. Quando um dia sentirem as tendências demográficas materializarem-se nas suas artríticas articulações, talvez o fim do Estado Social que agora preconizam não lhes pareça tão higiénico.

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O banqueiro anarquista.

por Luís Menezes Leitão, em 31.10.12

  

Fernando Ulrich transformou-se num verdadeiro exemplo do banqueiro anarquista de que falava Fernando Pessoa. Defende a liberdade, mas apenas para si próprio. Os banqueiros conseguiram que o seu negócio privado, a banca, esteja completamente excluído da austeridade, e que até a troika tenha cá metido 12.000 milhões de euros para salvar os bancos. Para esse efeito, pode ser necessário cortar salários e pensões, mesmo ao arrepio da Constituição vigente. Isso, no entanto, não impressiona Fernando Ulrich. O Tribunal Constitucional pronuncia-se contra o corte de subsídios? Temos uma ditadura do Tribunal Constitucional, que qualquer banqueiro anarquista tem o dever de combater. Há dúvidas sobre se o país aguenta tanta austeridade? Claro que aguenta. Os bancos é que não podem ficar sem os seus lucros habituais.

 

Se há algo que não faz qualquer sentido é que os bancos sejam o único negócio que nunca pode falir, tendo que ser ajudado pelo Estado. Os bancos conseguiram assim a suprema liberdade. Já os cidadãos tornaram-se escravos do Estado, tendo que pagar em impostos e cortes de salários e pensões a irresponsabilidade dos outros.

 

Pessoa põe estas palavras na boca do banqueiro anarquista: "Eu libertei-me a mim; fiz o meu dever simultaneamente para comigo e para com a liberdade. Por que é que os outros, os meus camaradas, não fizeram o mesmo? Eu não os impedi. Esse é que teria sido o crime, se os tivesse impedido. Mas eu nem sequer os impedi ocultando-lhes o verdadeiro processo anarquista; logo que descobri o processo, disse-o claramente a todos. O próprio processo me impedia de fazer mais. Que mais podia fazer? Compeli-los a seguir o caminho? Mesmo que o pudesse fazer, não o faria, porque seria tirar-lhes a liberdade, e isso era contra os meus princípios anarquistas. Auxiliá-los? Também não podia ser, pela mesma razão. Eu nunca ajudei, nem ajudo, ninguém, porque isso, sendo diminuir a liberdade alheia, é também contra os meus princípios. V. o que me está censurando é eu não ser mais gente que uma pessoa só. Por que me censura o cumprimento do meu dever de libertar, até onde eu o podia cumprir? Por que não os censura antes a eles por não terem cumprido o deles?".

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Nota-se que Vítor Gaspar não é um internauta assíduo, ou um homem habituado a conversas de café ou a caixas de comentários online - caso contrário, a analogia salazarenta do deputado João Galamba não o chocaria ou ofenderia, pois ela não mais é do que a versão portuguesa, pequenina e esquerdista da Lei de Godwin. Quanto ao deputado achar que o discurso do ministro das Finanças não tem lugar em democracia, enfim, é uma opinião que não deixa de ter a sua ironia, ainda que decerto involuntária. 

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As canções do século (1035)

por Pedro Correia, em 31.10.12

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 30.10.12

«As PPP são indestrutíveis. Nos pensamentos mais loucos, às vezes até apetece que a Procuradoria-Geral da República conclua mesmo se houve ou não trapaça naqueles contratos. Ao menos saberíamos que haveria uma razão, outra que não fosse a criminosa estupidez.»

Pedro Santos Guerreiro, Jornal de Negócios

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Sandy, Sandy e mais Sandy. Sandy nos Estados Unidos, entenda-se. Em Nova Iorque, em Manhattan ou em Wall Street. Temos os directos, os testemunhos, as vítimas e os prejuízos materiais. Pergunta-se se o Sandy é de esquerda ou de direita, se ajuda Obama ou se ajuda Mitt. Como se não tivesse havido Sandy antes de chegar ali. Como se não tivessem morrido 52 só no Haiti. Como se a juntar à doença, à fome e à desgraça que os haitianos já carregavam o Sandy, esse mesmo Sandy, não tivesse trazido mais 200.000 casas afectadas, mais estradas interrompidas e pontes caídas. E mais doença, mais fome e mais desgraça. Entendamo-nos. A notícia não está onde os factos acontecem. A notícia está apenas onde os nossos olhos e ouvidos chegam, ali onde os jornalistas fazem e acontecem. Antes de ser de esquerda ou de direita, o Sandy foi dos de baixo e só depois dos de cima. Os Nadies de Galeano, os Ninguém que jamais figurarão na história universal das primeiras páginas e das crónicas assinadas de última página, moram por estes dias no Haiti.

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o verbo perder

por Patrícia Reis, em 30.10.12

eu perco, tu perdes, nós perdemos?

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O mundo é de quem o reinventa (41)

por Ana Vidal, em 30.10.12

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A tal refundação

por José António Abreu, em 30.10.12
Com um ano de atraso, Passos Coelho parece ter compreendido que tem mesmo de mexer a sério no Estado. Mais vale tarde do que nunca, dir-se-á. Receio que, neste caso, tarde possa equivaler a nunca. Há um ano, Passos detinha algum capital de boa vontade e talvez até conseguisse um módico de compreensão por parte da direcção do PS (dificilmente o apoio ou a colaboração). Hoje, o governo encontra-se sob fogo cerrado e o PS, por muitas garantias que receba de que talvez nem seja preciso mexer na Constituição (claro que é), nunca aceitará alterações que ultrapassem a pura cosmética. A sétima avaliação da Troika, perto do final do Inverno, promete. E o caminho até lá anuncia-se divertido. Pelo menos para os apreciadores de humor negro.

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Estrelas de cinema (13)

por Pedro Correia, em 30.10.12

 

FUCK YOU, MR. BOND

*

Vou directo ao assunto: detestei este filme do James Bond. Já tinha achado péssimo o anterior - uma espécie de Indiana Jones de série Z, sem nada que o distinguisse de um rasteiro filme de "acção" - mas este supera-o pela negativa, algo ainda mais de lamentar pois o realizador é um nome de prestígio, aliás já galardoado com o Óscar: Sam Mendes.

Bond sempre foi uma figura próxima do universo dos comics transposta para o cinema. Ou seja, algo que não deveríamos levar a sério. Mas no início havia ironia nas situações em que se encontrava o agente 007 e ele superava todos os embaraços muito mais pela astúcia do que pela força. Com Daniel Craig, passou a beber cervejola em vez de champanhe e martinis. Deixou de integrar a aristocracia da espionagem e transformou-se numa mera máquina de matar.

Adeus astúcia, olá força bruta. Quem aprecia arraiais de porrada para acompanhar baldes de pipocas e confunde o cinema com isto, deve gostar das descargas de "adrenalina" proporcionadas por tantos cadáveres trepassados a tiro, por tanto osso partido, por tanta labareda, tanta bomba, tanta pirotecnica visual.

Alguns de nós, os que crescemos a ver filmes do 007 e mantivemos através dos anos uma ligação afectiva a este imaginário por constituir um elo insuperável à nossa adolescência cinéfila, consideramos quase um sacrilégio ver o agente ao serviço de Sua Majestade convertido num clone de Steven Seagal ou do Van Damme. Sucede até o impensável neste Skyfall: Bond parece sempre mais interessado em jogar à pancada com homens do que em seduzir mulheres (as Bond girls estão aqui reduzidas à quota mínima). Ian Fleming, o criador do célebre agente secreto, deve ter dado saltos na tumba perante tamanha heresia.

 

E tudo isto, no fundo, serve para quê? Serve de veículo de propaganda da China.

Bond inicia as suas corridas alucinantes numa Istambul decrépita e termina-as numa Escócia que parece congelada no tempo - de passagem por Londres, mais cinzenta que nunca, sem sombra de glamour. Só Xangai brilha por contraste. Os breves minutos de imagens da capital económica chinesa com os seus arranha-céus ultramodernos exibidos neste filme como bilhetes postais funcionam como cartaz propagandístico ao nível planetário.

Mensagem subliminar: o sistema chinês funciona. Mesmo com capitalismo selvagem - ou por causa disso mesmo. Mesmo sem democracia nem direitos humanos - ou por causa disso mesmo. O Partido Comunista está no poder desde 1949 (há sessenta e três anos!) e nem é preciso mais nenhum, pois ele garante a aplicação do capitalismo melhor do que qualquer outro. Ali ninguém fala em "reformas estruturais" nem em "concertação social" nem em "estado-providência", de resto inexistente. O novo nome do "estado social", pelo menos na versão chinesa, é "crescimento económico" - e ei-lo ali, à vista de centenas de milhares de espectadores, naqueles postais nocturnos de Xangai a pretexto de uma longa-metragem com vasta audiência garantida.

Noutros tempos as películas de Bond costumavam publicitar carros ou relógios. Agora publicitam um sistema execrável. Vão de mal a pior.

 

 

Nota suplementar: Macau também figura neste Skyfall. É uma das cidades mais "cinematográficas" do mundo: posso garantir-vos pois vivi lá dez anos. Não admira, por isso, que já tenha sido alvo das atenções de tantos cineastas - incluindo Josef von Sternberg, Henry King e Orson Welles. Mas neste filme Macau resume-se a um imenso casino pós-moderno, com putas, assassinos a soldo e dragões-de-Komodo criados como rottweilers. E o vilão é um suposto português residente no Oriente que o espanhol Javier Bardem encarna numa boçal caricatura.

Motivos acrescidos para eu ter detestado este filme. Fuck you, Mr. Bond.

 

Skyfall. (2012). De Sam Mendes. Com Daniel Craig, Javier Bardem, Ralph Fiennes, Naomie Harris, Bérénice Marlohe, Albert Finney, Judi Dench

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Uma tempestade perfeita era assim

por Rui Rocha, em 30.10.12

Domingo - Clara Ferreira Alves estica o pescoço em diferido. Marcelo Rebelo de Sousa pede a remodelação do governo pela 4ª (quarta) vez em 10 (dez) minutos. O Sporting faz uma exibição miserável em Fornos de Algodres. 

2ª feira - Mário Soares diz do governo o que João Miranda não disse dos impostos de Sócrates. Vítor Gaspar inicia, a meio da tarde, a 3ª (terceira) explicação da progressividade reforçada do imposto sobre o rendimento. Medina Carreira anuncia o fim dos tempos pela 140ª (centésima quadragésima) vez.

3ª feira - João Miranda descobre as vantagens redentoras do aumento da carga fiscal. João Galamba apresenta o perfil da dívida pública na segunda metade da primeira década do século XXI (expurgada dos efeitos do incentivo ao abate de veículos). Manuel Alegre declama um poema sobre o estado de conservação dos dentes dos credores. 

4ª feira - Tó Zé Seguro proclama intransigência na defesa do Estado Social. Vítor Gaspar conclui a explicação da progressividade reforçada do imposto sobre o rendimento. Jorge Sampaio pigarreia. Pedro Santos Guerreiro publica um artigo notável no Jornal de Negócios em que usa a adversativa pelo menos 13 (treze) vezes.

5ª feira -  O Jornal de Negócios publica uma entrevista de Fernando Ulrich. O Sporting faz uma exibição miserável, agora na Liga Europa. Pacheco Pereira põe as mãos sobre a barriga, António Costa sorri e faz boquinha e Lobo Xavier tenta encontrar posição mais confortável na cadeira. O Jornal de Negócios abre o acesso à entrevista de Fernando Ulrich na edição online.

6ª feira - Paulo Campos dá entrevista exclusiva a canal de televisão. D. Januário recupera em directo da sinusite minutos antes de Vítor Ramalho desfiar, na cara de Mário Crespo, as virtudes da ética republicana. Enquanto assistes de olhos esbugalhados, lembras-te que perdeste a única emissão radiofónica do Governo Sombra que passa a horas cristãs.

Sábado - um membro do governo diz uma patacoada qualquer sobre as fábulas de Esopo ou sobre a indumentária dos comentadores. A CGTP promove uma manifestação multitudinária. Na RTP 1 (um) o Chefe Cordeiro resmunga contra a consistência do bacalhau confitado em cama de alface frisada e espuma de rabanete no preciso momento em que uma das crianças muda para o Gosto Disto.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 30.10.12

«De tal forma se tem banalizado o termo "crise" que nem nos conseguimos aperceber, na maior parte das vezes, que a nossa tem tanto de multiplicidade como de distinto das outras. É crise social, é crise económica, é crise política e, a tantas mais crises, junta-se a crise de identidade.
Não só se aplica de forma micro e individual à população, como igualmente se faz à sua totalidade; dá ainda para compreender questões como a nossa nula Economia. Afinal, olha-se para outros países procurando justificações e discordâncias sem se compreender as bases passadas que actualmente ajudam a erguer economias soberanas. Se em alguns identificamos uma coluna vertebral que suporta toda a Economia - seja através de sectores como a Indústria, a Agricultura, a Banca, etc. -, no nosso caso questiono-me... qual tem sido a nossa?»

Do nosso leitor CeC. A propósito deste texto do JAA.

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«Nunca peças nada a ninguém. Sobretudo a quem for mais poderoso que tu.»

Mikhail Bulgakov (1891-1940)

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Andamos nós a pagar aos políticos para isto

por António Manuel Venda, em 30.10.12

«Senhor primeiro-ministro, fiquei ontem a saber que me iria enviar uma carta…»

António José Seguro para Pedro Passos Coelho, há pouco, no Parlamento

 

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"Gorduras do Estado" (67)

por Pedro Correia, em 30.10.12

Governo gasta 86 milhões em estudos e pareceres

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As canções do século (1034)

por Pedro Correia, em 30.10.12

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O mundo é de quem o reinventa (40)

por Ana Vidal, em 29.10.12

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Refundação

por Rui Rocha, em 29.10.12
































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Soares: abecedário contra a crise

por Pedro Correia, em 29.10.12

 

Assisti, com a atenção devida e o proveito de sempre, a mais uma intervenção pública de Mário Soares. Desta vez no programa Hora de Fecho, da RTP informação, sexta-feira à noite.

Coligi os principais ensinamentos para sair da crise que o antigo Presidente da República deixou aos portugueses nesta sua mais recente aparição televisiva. Aqui ficam vários deles reproduzidos, com a devida vénia, em forma de abecedário. Enquanto aguardo ansiosamente pela próxima entrevista, que não deve tardar.

 

AUSTERIDADE. "A austeridade não serve para nada."

BANCOS. "Como é que nós vivemos se não pagarmos? Vivemos! Não vamos morrer. Não é o caso de um país morrer assim de repente só porque não tem dinheiro... Vamos aos bancos, vamos a outras coisas... Há muita gente que tem muito dinheiro."

DEMOCRACIA. "A democracia está em risco."

ELEIÇÕES. "As eleições não interessam neste momento a ninguém num caso destes, de crise absoluta."

GOVERNO. "Este Governo está a destruir o nosso País e por isso devia demitir-se."

GRITAR. "É preciso gritar - não é só falar e escrever. E é preciso que o Governo mude."

MANUELA. "Os mais ilustres sociais-democratas, a começar por Manuela Ferreira Leite, detestam o Governo. (...) Ainda há dias disse à Drª Manuela Ferreira Leite, vi-a a sorrir para mim (já a critiquei muito no passado...): 'Ó minha senhora, eu estou a segui-la do coração porque está a dizer coisas que são absolutamente certeiras'."

NOTAS. "Basta dar à manivela das notas e pôr o Banco Central Europeu a fabricar euros para tudo se resolver de um dia para o outro."

OBAMA. "O Obama é um sinal de esperança. (...) Se há alguém que sabe de política internacional, é o Obama."

PARALISIA. "O Governo está completamente paralisado em todos os domínios."

PSD. "Os dirigentes máximos do PSD estão contra o Governo."

QUERER. "Eu para já quero que o Governo se demita."

RUA. "Os próprios ministros devem ter a sensibilidade de dizer: 'Nós temos que ir para a rua'!"

SONDAGENS. "Agora já nem é [um Governo] de maioria absoluta porque os partidos do Governo baixaram muito [nas sondagens]."

TROIKA. "Esses tipos da troika não servem para nada."

 

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«Ilumino-me / do imenso.»

Giuseppe Ungaretti (1888-1970)

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Contra os comentadores, marchar, marchar.

por Luís Menezes Leitão, em 29.10.12

 

 

Segundo se lê aqui, Aguiar-Branco acha os comentadores de fato cinzento e gravata azul tão perigosos para o país como qualquer ameaça externa. Para ser coerente, Aguiar-Branco deveria então mandar a tropa apanhar e prender esses perigosos comentadores. A tarefa pelos vistos não será difícil, já que os mesmos comentadores nem sequer hesitam em vestir um uniforme bélico, o tal fato e gravata. Depois da Ministra Cristas ter declarado guerra às gravatas no Ministério do Ambiente, é agora a vez de Aguiar-Branco perseguir os comentadores engravatados. Quanto tempo mais é que vai durar este tipo de folclore no Governo?

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As canções do século (1033)

por Pedro Correia, em 29.10.12

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Outono

por Helena Sacadura Cabral, em 28.10.12

Esta imagem traduz o meu Outono, um tempo que é só meu e me apazigua com o mundo que me cerca.

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O mundo é de quem o reinventa (39)

por Ana Vidal, em 28.10.12

Atenção: mudem a hora hoje, nada de distracções a olhar para o relógio.

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You talkin' to me?

por Rui Rocha, em 28.10.12

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Durante uma guerra, a economia sofre, naturalmente, alterações profundas. As importações ficam condicionadas, os recursos são realocados para a indústria bélica e a prioridade passa a ser a disponibilidade de bens e serviços para as forças militares. Em Inglaterra, por exemplo, durante a 2ª Guerra Mundial foi activado um esquema de racionamento de bens essenciais (alimentos, combustíveis, roupas, etc.). O racionamento, na verdade, para além de corresponder a uma necessidade inerente ao esforço de guerra, tinha também como consequência um certo sentimento de igualdade perante os sacrifícios que, se não fosse observada, tornaria a situação insuportável.

Já por aqui se vê que a história contém vários ensinamentos sobre a gestão em tempos de crise e que, apesar disso, não aprendemos nada. O certo é que determinados comportamentos passaram a ser incentivados por campanhas públicas de propaganda: a partilha de veículos, a reutilização de materiais ou a frugalidade dos hábitos eram não só uma necessidade, como o novo normal (creio que a expressão não se utilizava por esses tempos), sendo qualquer comportamento desvidado desse padrão entendido como uma espécie de traição. A utilização individual de um automóvel fazia automaticamente crescer um incómodo bigodinho à Hitler no solitário e nada solidário condutor. Da mesma forma,  meios alternativos de propulsão eram valorizados. Na falta de um Sócrates que promovesse a utilização de carros eléctricos, tornaram-se populares, em determinadas zonas, os veículos a gás obtido, normalmente, a partir da combustão de lenha ou carvão. Já então, o objectivo era favorecer os amigos, sendo que estes eram entendidos por essa altura como abrangendo toda a população.

Já se sabe, entretanto, que a necessidade aguça o engenho. E que as crianças são as primeiras a dar a volta às circunstâncias. Nada de essencial lhes faltava, até porque tinham um cartão de racionamento próprio. Não tinham acesso, todavia, a certas guloseimas (o açúcar também estava racionado). Na falta destas, o seu lugar era ocupado por saudáveis cenouras.

 

E, se é certo que em tempo de guerra não se limpam armas, não é menos verdade que há certas características femininas que nunca mudam. Assim, se a escassez de nylon e outros materiais impedia o normal abastecimento de meias e collants, um novo negócio floresceu: o da pintura dos femininos tornozelos e pernas.

 

 

* com agradecimento e pedido de desculpas antecipados à Ana Vidal pela usurpação do título.

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Frases de filmes (62)

por Pedro Correia, em 28.10.12

 

"Nasci quando ela me beijou. Morri quando ela me deixou. Vivi umas semanas, enquanto ela me amou."

Dixon Steele/Humphrey Bogart

em Matar ou Não Matar, de Nicholas Ray (1950)

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A angústia do bloguista perante o teclado

por Rui Rocha, em 28.10.12

Afinal de contas, escreve-se Tó Zé ou Tozé?

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Domingo à tarde

por António Manuel Venda, em 28.10.12

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Pode explicar, por favor?

por Luís Menezes Leitão, em 28.10.12

António José Seguro quer saber o que o Primeiro-Ministro entende por refundação do Memorando da Troika. Eu também. E acho que a troika idem. Aguardamos explicações do Primeiro-Ministro. Receio é que as mesmas só sejam compreensíveis quando se souber do resultado da avaliação de Novembro.

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«O escritor nunca deve ter vergonha de observar. Nada existe que não exija a nossa atenção.»

Flannery O'Connor (1925-1964)

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A hora mudou

por Rui Rocha, em 28.10.12

As moscas são as mesmas.

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Pequenos prazeres

por Pedro Correia, em 28.10.12

A mudança da hora no Outono: sessenta minutos suplementares de sono, gratuitos e livres de impostos, numa altura em que ninguém dá nada a ninguém.

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Pequenas irritações

por Pedro Correia, em 28.10.12

Os relógios digitais por toda a parte, em casa e fora dela: somos incapazes de escapar à ditadura do cronómetro.

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As canções do século (1032)

por Pedro Correia, em 28.10.12

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Perder a empatia

por José António Abreu, em 27.10.12

Afirma que as redes sociais e a Internet estão a mudar o cérebro dos adolescentes. Porquê?

É uma questão muito complexa. É como perguntar se um carro é bom ou mau. Tudo depende da forma como se conduz.

Mas é muito crítica em relação ao uso das novas tecnologias informáticas.

Nunca disse que os computadores são maus para o cérebro. O que disse foi que o cérebro humano se adapta ao ambiente que o rodeia, por isso somos uma espécie tão bem sucedida. E nos últimos anos houve mudanças enormes no ambiente e nos estímulos que rodeiam a mente humana, sobretudo devido ao aparecimento da Internet e de outras tecnologias informáticas. A situação actual é semelhante às alterações climáticas. Eu chamo-lhes alterações mentais. Há quem diga que estamos condenados, outros defendem que a ciência pode ajudar a resolver o problema.

Como?

Essa mudança mental tem a ver com a forma como o cérebro processa a informação. Alguns pais dizem que os filhos terão acesso às novas ferramentas informáticas quer queiram quer não. Mas eu defendo que devemos controlar esta área.

De que forma?

O acesso a alguns sites e às redes sociais influencia muito a forma como as crianças e os adolescentes se relacionam uns com os outros, assistimos a uma perda de empatia nas novas gerações. Muitos jovens têm problemas de identidade e de relacionamento com os colegas. Os videojogos são altamente viciantes, podem gerar distúrbios de atenção e agressividade. Os motores de busca estão a alterar a forma como processamos a memória e armazenamos os conhecimentos.

Os estudos mais recentes mostram que há mesmo alterações físicas no cérebro, por causa do uso frequente da Internet, dos videojogos e das redes sociais...

Exacto. Os dados mostram que há zonas do cérebro com anormalidades devido ao uso excessivo de videojogos e tecnologias informáticas. Uma das alterações é a forma como se liberta dopamina [a molécula produzida no cérebro responsável pelas sensações de prazer]. Verificou-se que as crianças que jogam videojogos começam a ter padrões cerebrais idênticos aos jogadores viciados em casinos.

[...]

No seu estudo encontrou casos dramáticos de dependência da Internet?

Sim, há casos de crianças que passam o tempo fechadas no quarto a brincar com o computador.

E que consequências tem isso?

Desligam-se dos amigos e têm muita dificuldade em interpretar os sentimentos de outras pessoas, não conseguem descodificar a linguagem corporal e o tom de voz em situações normais. Não conseguem distinguir se uma pessoa está triste ou alegre porque estão desligadas da realidade. As relações sociais precisam de muito treino, cara a cara, e há uma nova geração que só comunica por computador.

Isso pode explicar a falta de compreensão, os incidentes violentos, os tiroteios, por exemplo?

Se eu disser "O meu pai morreu" e a resposta for "Isso não me interessa nada", seria algo que me perturbaria muito. Ora este tipo de respostas está a aumentar. Este Verão, um atleta olímpico britânico, Tom Daley, cujo pai tinha morrido pouco tempo antes das provas, recebeu mensagens horríveis quando ganhou a medalha de bronze e não a de ouro, como se esperava. Eram coisas do género: "O seu pai teria vergonha da sua prestação." Esse tipo de atitude era impensável há alguns anos. As pessoas estão a perder a empatia.

 

(Da entrevista de Luís Silvestre a Susan Greenfield, cientista britânica, especialista em fisiologia do cérebro, professora de farmacologia sináptica na Universidade de Oxford, na revista Sábado desta semana.)

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