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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 30.09.12

«Como Medina Carreira tem repisado, nós votamos em listas cozinhadas pelos aparelhos partidários, a nossa escolha não passa daí. Estamos à partida impossibilitados de saber quem nos representa.
E ainda há pouco veio no Jornal de Negócios um estudo sobre o que fazem os deputados, e seria de espantar se não fizéssemos já uma ideia de qual a situação (assim é apenas de confirmação) - é ver o que sobre este tema tem sido referido por Paulo Morais e a sua associação Transparência e Integridade...
Quanto à CdR [Constituição da República], é um texto longo, datado, que nos faz eleger directamente um Presidente da República que de pouco serve, e que pretende regular inumeráveis domínios, quando deveria ser apenas um apanhado de princípios fundamentais claros e aceites por todos. Não passa, assim, de um amontoado de palavras sem grande significado, e houve, do mesmo passo, o cuidado de lá meter expressões como "tendencialmente gratuito", que permitem discussões intermináveis e inconsequentes.
E depois passa-se que, nem submarinos, nem BPN, nem Freeport, nem Portucale, nem nada em que políticos e poderosos estejam metidos, se averigua e transita em julgado, condenando-se quem prevaricou e mandando em paz quem não o fez.
Resumindo, é um não acabar de vícios.»

 

Do nosso leitor Optimista. A propósito deste texto do Rui Rocha.

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Blog da semana

por José Gomes André, em 30.09.12

Em período de eleições americanas - tema que me interessa especialmente - há vários locais muito recomendáveis na blogosfera portuguesa. Um dos meus preferidos é o EUA 2012, do Filipe Ferreira e Carlos Manuel Castro.

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Politicamente correcto oblige

por José António Abreu, em 30.09.12

Na televisão, um comentador de corridas de automóveis refere-se a uma mulher como «piloto». Fico à espera de que alguém envie para lá uma mensagem de protesto e ele tenha de se retractar mas, talvez porque as mulheres não vêem corridas de automóveis, a coisa passa incólume. Não devia, porém: se um presidente do sexo perdão, do género feminino é agora uma presidenta, por maioria de razões uma rapariga que participa em corridas de automóveis tem de ser uma pilota.

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SHUT THE F@#$K UP!

por José Navarro de Andrade, em 30.09.12

“Que a medida é extremamente inteligente, acho que é. Que os empresários que se apresentaram contra a medida são completamente ignorantes, não passariam do primeiro ano do meu curso na faculdade, isso não tenham dúvidas.”

António Borges, Vilamoura, 29-09-2012

 

“He has been a person who has been perhaps not particularly careful about his message discipline.”

Jakob Funk Kiekgaard, research fellow do Peterson Institute for International Economics, Washington, 17-11-2011

 

"I was present at a Borges briefing in Washington in late-September when he portrayed the euro area crisis in much more graphic terms than his new boss Christine Lagarde would have regarded as helpful."

Alex Brummer, Daily Mail, 17-11-2011

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O mundo é de quem o reinventa (11)

por Ana Vidal, em 30.09.12

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Grandes romances (4)

por Pedro Correia, em 30.09.12

 

SOMBRAS PROFUNDAS NUM SUL SEM SOL

Santuário, de William Faulkner

 

William Faulkner quis provar a si mesmo, no final da década de 20, que era capaz de escrever um romance policial. Deitou mãos à obra e bastaram-lhe quatro vertiginosos meses para concretizar o projecto. Concebera-o como outra espécie de desafio pessoal: uma ficção que contivesse como ingredientes tudo quanto conseguisse imaginar de mais sórdido e macabro.

Quando terminou, achou-se perante algo diferente do que havia imaginado: em vez de uma história com detectives, produzira aquilo que André Malraux viria a definir como uma "tragédia grega transplantada para o policial". Uma obra dura, intensa, capaz de esquadrinhar os mais negros recônditos da natureza humana - com os seus fantasmas, as suas obsessões, os seus traumas.

É uma obra que ilude todos os rótulos, espécie de cruzamento entre o realismo e o expressionismo, onde várias personagens surgem apenas esboçadas ou são configuradas como sombras espectrais. Existe um persistente lapso temporal entre a acção e os fragmentos dela que vão sendo transmitidos ao leitor, como se assinalassem a distância intransponível entre a literatura e a vida. E o próprio título do romance é ilusório: o Santuário aqui descrito é afinal um pequeno mundo de lassidão moral mal disfarçado pelas convenções sociais e pela letra da lei, sempre distorcida ao sabor das conveniências de ocasião.

Faulkner, apostado em profissionalizar-se como escritor, escrevera pouco antes O Som e a Fúria, em ambiência rural, e quis fazer algo completamente diferente - tanto ao nível do estilo como do tema. O cenário continua a ser o chamado 'Sul profundo' dos Estados Unidos (centrado na sua região natal do Mississípi, convertida literariamente no condado de Yoknapatawpha) mas aqui estamos num ambiente urbano - ou pelo menos contaminado pela cidade, enquanto palco simbólico da erosão dos padrões éticos. Sob o filtro deste "mestre da observação genuína e do conflito interior", como lhe chamou Allen Tate.

 

Significativamente, as primeiras páginas de Santuário (1931) decorrem de dia, sob o intenso clarão do sol, mas à medida que a acção se adensa tudo passa a acontecer em atmosfera nocturna. Tudo o quê? Mentira, contrafacção, crueldade, corrupção, traição, impotência, prostituição, piromania, racismo, alcoolismo, enforcamento, violação, assassínio, castração, incesto, linchamento: ingredientes descritos ou apenas sugeridos neste romance que o New York Times enalteceu como um "assombroso estudo sobre o triunfo do mal" em 1981, quando surgiu finalmente no prelo a versão original do romance, que o editor rejeitara por poder chocar as almas mais sensíveis. Faulkner reescreveu-o parcialmente, limando algumas arestas e esbatendo o protagonismo da figura central, Horace Benbow, um advogado destituído de coragem física e perturbado pela ambiguidade moral. Os capítulos iniciais do primeiro rascunho tinham uma óptica subjectiva: os factos eram transmitidos ao leitor pelo olhar de Horace.  

Apesar das mudanças - e das inúmeras gralhas tipográficas que foram perdurando de impressão em impressão e só vieram a ser definitivamente expurgadas em 1993 - Santuário impôs-se como um marco fundamental da ficção literária do século XX, contribuindo - a par de outros títulos, como Luz de Agosto, Absalão, Absalão e o já mencionado O Som e a Fúria - para a atribuição em 1949 do Nobel da Literatura a este descendente de uma próspera família de proprietários rurais condenada à pobreza endémica após a Guerra da Secessão (1861-65).

A arte narrativa teve nele um dos principais cultores de sempre. "Em todo o romance é a forma - o estilo em que está escrita e a arquitectura da narração - o que decide a riqueza ou a pobreza, a profundidade ou a superficialidade da história. Mas em romancistas como Faulkner a forma é algo tão visível, tão palpável na narração que faz as vezes de protagonista e actua como mais uma personagem de carne e osso ou figura como facto", observa justamente Vargas Llosa, outro galardoado com o Nobel, em La Verdad de las Mentiras.

 

O sortilégio da escrita de Faulkner resiste inclusive ao crivo implacável e arbitrário da tradução. Repare-se, a título de exemplo, numa cena capital, a da violação de Temple Drake (no capítulo 13 do romance, onde nada surge por acaso), em duas versões portuguesas de Santuário - ambas da Editorial Minerva.

A primeira, assinada por Marília de Vasconcelos, na colecção Capa Amarela (anos 50):

"Popeye virou-se e fitou-a. Baloiçou um pouco o revólver antes de o guardar no bolso, e encaminhou-se para Temple. Andava com passos silenciosos. A porta, aberta, escancarou-se e foi bater no umbral, também sem o menor ruído: dir-se-ia que as leis do som e do silêncio estavam invertidas."

A segunda, assinada por Fernanda Pinto Rodrigues, na colecção Minerva de Bolso (anos 70):

"Virou-se, olhou-a, agitou um momento a pistola antes de a guardar na algibeira e aproximou-se. Os seus passos não produziam nenhum som. A porta liberta do fecho abriu-se e bateu contra a ombreira, mas também não produziu nenhum som. Dir-se-ia que som e silêncio se tinham invertido."

A grande literatura é assim: surpreende e fascina em todas as épocas, em todos os idiomas, em qualquer versão. E não custa intuir quando estamos perante um romance de excepção, como sucede aqui: ao chegarmos ao fim, sabemos de antemão que jamais nos livraremos dele. Havemos de regressar a qualquer momento ao condado de Yoknapatawpha, para reviver a magia do primeiro assombro. É uma ligação para a vida: estejamos onde estivermos, livros como este irão connosco.

 

Outros textos desta série:

O Velho e o Mar - Um homem destruído mas não vencido

O Poder e a Glória - Ler para crer

Mrs. Dalloway - Esplendor na relva

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«A vaidade das mulheres tem uma larga memória.»

Henry James (1843-1916)

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Sonhos e Comboios

por José António Abreu, em 30.09.12

Denis Johnson é menos conhecido do que outros escritores americanos actuais mas não devia sê-lo (tem companhia nesse clube: Norman Rush, por exemplo). Sonhos e Comboios é o segundo livro dele que leio, após o volume de contos Filho de Jesus, publicado há um par de anos pela Ahab (em Portugal está também editado Coluna de Fumo, vencedor do National Book Award em 2007, e, segundo parece, a Relógio d'Água prepara-se para lançar Anjos, o primeiro romance que publicou, em 1983). Se os contos de Filho de Jesus tinham uma demão de surrealismo, de realidade distorcida, esta pequena novela de oitenta páginas, não dispensando visões nem sonhos (aparecem logo no título, embora o sentido do original, Train Dreams, seja ligeiramente diferente do português), ancora-se acima de tudo num realismo seco, preciso, sem enfeites nem justificações excessivas, onde muitas personagens são delineadas em três ou quatro frases.

 

A história é simples: Robert Grainier, nascido provavelmente em 1886, no Utah ou talvez no Canadá, classificado como órfão apesar de ninguém saber realmente o que aconteceu aos seus pais, ganha a vida trabalhando primeiro nas obras que ajudam a levar a civilização ao interior americano e mais tarde, quando o corpo já não aguenta esforços físicos intensos, auxiliado por uma carroça e duas éguas, como transportador de pessoas e objectos. Grainier é um homem solitário e de poucas falas, que vive numa cabana isolada na floresta. Tem arrependimentos: uma vez participou na tentativa de linchamento de um chinês, de outra deixou morrer um homem ferido que encontrou nas montanhas, após este lhe contar como, anos antes, abusara de uma sobrinha de doze anos que o irmão dele acabara por matar à paulada depois de a saber grávida. Grainier pensa que estes actos talvez expliquem a dureza do acontecimento mais importante da sua vida; o acontecimento que lhe levou mulher e filha e desencadeou as tais visões. Tirando isso, a sua vida parece nada ter de extraordinário. Como, de resto, o livro. Num primeira análise, Sonhos e Comboios é apenas o relato da vida de um homem simples que, apesar de ter chegado a ver Elvis Presley de relance (à porta da sua carruagem de comboio privativa), lidou sempre com pessoas tão simples e anónimas quanto ele, ainda que ocasionalmente alvo de acontecimentos peculiares, como o fulano que foi baleado pelo próprio cão; o relato da vida de um homem que nunca chegou a ver o mar e andou de avião apenas uma vez, que não conheceu os pais e teve relações sexuais com uma única mulher. E, todavia, sem que o leitor perceba bem como, é também um livro que acaba por espelhar (ou talvez exsudar) muitas das alterações de quase um século de história norte-americana. Oitenta páginas sublimes.

 

Nota: a ortografia é pré-AO (ou não teria comprado a edição nacional).

 

Denis Johnson, Sonhos e Comboios.

Edição Relógio d'Água, tradução de José Miguel Silva.

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As ilhas que eu vejo (11)

por João Carvalho, em 30.09.12

 

São Jorge é uma ilha quase perfeita.

 

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Frases de filmes (54)

por Pedro Correia, em 30.09.12

 

"Como é que podemos dizer adeus a alguém que não conseguimos imaginar fora da nossa vida?"

Elizabeth/Norah Jones

em My Blueberry Nights, de Wong Kar Wai (2007)

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As canções do século (1004)

por Pedro Correia, em 30.09.12

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O avençado mental

por Rui Rocha, em 29.09.12

António Borges, o consultor do governo para as provocações, chamou hoje ignorantes aos empresários que se opuseram à alteração das taxas da tsu.

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O mundo é de quem o reinventa (10)

por Ana Vidal, em 29.09.12

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Fotografias tiradas por aí (77)

por José António Abreu, em 29.09.12

Vila Nova de Tázem, concelho de Gouveia, 2005.

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Frases de filmes (53)

por Pedro Correia, em 29.09.12

 

"Eu andarei por aí, durante a noite - andarei por toda a parte. Para onde quer que olhe, estarei lá. Onde houver uma luta para que as pessoas com fome possam comer, eu estarei lá. Onde houver um polícia a espancar alguém, eu estarei lá."

Tom Joad/Henry Fonda

em As Vinhas da Ira, de John Ford (1940)

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«Considera-se tanto mais civilizado um país quanto mais sábias e eficientes são as leis que impedem ao miserável ser demasiado miserável e ao poderoso ser demasiado poderoso.»

Primo Levi (1919-1987)

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Um pequeno shot de auto-estima

por Ana Vidal, em 29.09.12

 

"Geração Lusofonia: o porquê de o português ser a nova língua do poder e dos negócios."

 

Bom fim-de-semana.

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De blogue em blogue

por Pedro Correia, em 29.09.12

Chega ao fim o Cachimbo de Magritte, que chegou a ser um título imprescindível da blogosfera portuguesa.

 

Um ano a Pensar Lisboa.

 

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As canções do século (1003)

por Pedro Correia, em 29.09.12

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 29.09.12

Ao Me, My Dreams and I.

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Escolher cerejas

por José Gomes André, em 28.09.12

Cherrypicking: é como os americanos chamam ao acto de seleccionar, a partir de um conjunto muito variado, uma sondagem particular favorável ao nosso argumento ou interesse. Assim como, perante uma taça com muitas cerejas, escolhemos as mais apetitosas. O resultado daquele acto é, naturalmente, pouco científico, impedindo uma análise racional sobre a tendência de um determinado evento político. A cobertura da eleição presidencial americana tem sido marcada por actos constantes de cherrypicking. A imprensa continua a divulgar as sondagens que mais interessam à sua narrativa (e já nem falo dos blogues!), esquecendo todas as outras publicadas no mesmo período. Nas últimas semanas, ora surgem referências a vantagens claras de Obama (7 pontos) ora a um empate técnico. Uns preferem as sondagens estaduais para anunciar Obama como o mais-que-provável-vencedor. Outros agarram-se à Rasmussen para descrever uma luta titânica.

 

Tudo isto é verdadeiro. E tudo isto é falso. Estes intervalos são naturais, pois há diversas sondagens diárias nos EUA. Com tantos dados, podemos contar a história que quisermos. A imprensa tenderá a narrar uma história emocionante, para manter vivo o interesse da opinião pública, mas uma análise séria deve procurar olhar para a média ponderada das sondagens, a única forma de decifrar a objectiva tendência da corrida. É menos emocionante, claro. Não é divertido anunciar que a disputa deste ano tem-se mantido relativamente estável, com ligeira vantagem de Obama, reforçada nas últimas semanas, por factores ainda a determinar (eu aposto em Convenção Democrata e erros tácticos de Romney). Com tantas narrativas de altos e baixos, os leitores ficarão provavelmente surpreendidos ao verificar que Obama lidera as sondagens desde Novembro de 2011 (!) (média RCP).

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Palmadinhas gostosas

por José António Abreu, em 28.09.12

Há meia dúzia de anos, um artigo na New Yorker começava logo por explicar em que ponto do livro O Código Da Vinci se consegue perceber que Dan Brown é fraco escritor. Resposta: na primeira frase. Trata-se de algo do género: "O conceituado curador Monsieur Não-Sei-Quantos caminhava no interior do Museu do Louvre" e, evidentemente, a explicação prende-se com o adjectivo: nenhum bom escritor enfia assim à bruta pela garganta dos leitores que uma personagem é isto ou aquilo, antes lhes fornece elementos para que possam chegar a uma conclusão própria, muitas vezes não totalmente coincidente com a que ele imaginou; em parte, é esta relação adulta (mas sem sexo, pelo menos na maioria dos casos) entre autor e leitor que permite que os bons livros tenham tantas interpretações. Lembrei-me hoje desse artigo ao folhear numa tabacaria o número de Setembro da revista Ler (sim, ando um bocadinho atrasado mas a minha médica diz que, sendo gajo, não é grave). Com prazer indisfarçado e meticulosidade estonteante (eu estou a usar os adjectivos de forma irónica, o que faz toda a diferença), Rogério Casanova disseca e destroça (embora, considerando o tema do livro, talvez palavras como «espanca» ou «açoita» viessem mais a propósito) o grande êxito «literário» do ano: As 50 Sombras de Grey, de E. L. James. Dirão os mais discernentes (outro adjectivo, mas admitam que pouco usado): ora, tratando-se de um livro inspirado na série Twilight, só que em pior (!), também não é difícil. Permito-me discordar: é; como Casanova o faz, é bastante difícil, para além de diabolicamente divertido (sim, mais um adjectivo; processem-me). Tão divertido que me deixou a um passo (isto não é um adjectivo mas é uma figura de estilo: até ao balcão eram uns cinco ou seis) de quebrar a promessa de não mais comprar a Ler. Resisti porque continuo a achar que cinco euros é quantia mais do que suficiente para pagar as consoantes mudas. Contudo, se tiverem princípios menos firmes do que os meus (nada de vergonhas; acontece com quase toda a gente) e não forem fãs do livro, comprem-na e divirtam-se. Aliás, pensando bem, comprem-na mesmo que sejam fãs: há uma boa hipótese de, estejam ou não dispostos a admiti-lo, gostarem de ser um bocadinho maltratados.

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Frases de filmes (52)

por Pedro Correia, em 28.09.12

"Os políticos, os prédios feios e as putas tornam-se sempre respeitáveis se viverem muito tempo."

Noah Cross/John Huston

em Chinatown, de Roman Polanski (1974)

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O mundo é de quem o reinventa (9)

por Ana Vidal, em 28.09.12

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Era uma vez um país

por José Navarro de Andrade, em 28.09.12

 

Um blog é o lugar ideal para se fazerem afirmações imprudentes, como por exemplo: Chinua Achebe é o maior escritor africano. O pedestal conquistou-o ele logo com a sua primeira novela “Things Fall Apart”, publicada em 1958 e que marca o início de uma literatura africana desprendida de referências europeias. Talvez os francófonos tenham como contestar esta afirmação, os lusófonos por certo que serão incapazes de a rebater.

Vem isto a propósito de ter acabadinho de sair o livro de memórias de Achebe, que num gesto de pura insensatez consegui que mo pusessem à porta esta tarde mesmo. Chama-se “There Was a Country” e relata as grandes desventuras do escritor como um dos militantes pela independência do Biafra. Deu isto numa das mais horrendas guerras civis africanas, nos idos de 60 (“peace one earth”, cantava-se então no hemisfério norte). Nela Portugal teve uma intervenção discreta mas empenhada, a favor do Biafra como forma de enfraquecer a Nigéria, o que foi presenciado bem de perto por Mário Soares aquando da sua vilegiatura forçada em S. Tomé, por cortesia de Marcello Caetano e a expensas da PIDE.

Recorda Achebe: “I am not interested in what motives Portugal may have. If the devil himself offered his air facilities we would have taken it, and I would have supported it.” Haverá decerto mais referências mas esta foi a que me veio ter à mão assim à primeira. E já dá para tirar as medidas a certa prosápia nacional que continua piedosamente a acreditar na nossa vocação africana - como se eles tivessem gostado e se tivessem esquecido.

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 28.09.12

«O euro vive da Europa, não o contrário. Mas estamos tão consumidos nos problemas orçamentais que não vemos o retrato largo de um continente a desfazer-se. Os radicais temeram a guerra entre povos, mas não previram a ruptura dentro dos povos. Mas o que se está a passar em Espanha é muito mais que um aproveitamento político de líderes regionais em manobras de diversão.
Até os tecnocratas estão aterrorizados com o protesto violento em Espanha, com o descontrolo na Grécia, com as manifestações tomba-políticas em Portugal. Num editorial há dois dias, o Financial Times dizia que Portugal atravessa um caminho estreito entre democracia e reformas. É uma perigosa dualidade: ou democracia ou reformas. É disto que estamos a falar.

(...) Democracia não pode ser o oposto de reformas e, se o for, que prevaleça a democracia. Essa é apenas uma das perfídias deste tempo. Não há erros de comunicação, há falta de política. As nações são mais que devedores. A sociedade é mais que a economia. A paz nunca é troca de uma moeda. Mas quem não perceber que a Europa está a viver um tempo histórico de desagregação, impiedosa e incontrolável, só acordará quando ouvir a sua vidraça estalar.»

Pedro Santos Guerreiro, no Jornal de Negócios

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Pensar duas vezes

por Laura Ramos, em 28.09.12

Absolutamente de acordo.

Eu diria que essa é a grande necessidade nacional, sem prejuízo da rua.

Parar para pensar. Ler as fontes. E não as notícias das notícias das notícias.

Exigir qualidade à nossa indignação.

Avaliar com a própria cabeça.

Lembrar Pavlov.

Recusar a facilidade do logro que é usar o nosso descontentamento como catalisador de outras ordens de valores. Ou então perder as peneiras. É consoante os casos.

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Mas que cambalhota!!

por Fernando Sousa, em 28.09.12

“A palavra racionamento, no jargão da política da Saúde, Economia da Saúde e Bioética é um termo absolutamente benigno, e significa otimizar os recursos racionalmente, não desperdiçar e não haver ineficiência”, ou seja, não significa cortar no essencial. Extraordinário! Mas que cambalhota! Miguel Oliveira da Silva é bem um artista português! Palmas! Quando sair do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida tem emprego assegurado.

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«A pornografia é o erotismo dos outros.»

André Breton (1896-1966)

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O grande olho

por Fernando Sousa, em 28.09.12

O Ministério da Administração Interna quer instalar uma torre de 45 metros no Cabo da Roca, em Sintra, para apoiar a deteção e o combate a ameaças no âmbito das missões da sua Unidade de Controlo Costeiro. Um teste? Há qualquer coisa de orwelliano nisto. Ou não? Apetece-me fazer como a Patrícia: voltar para a cama. 

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Do enorme cansaço de ser

por Patrícia Reis, em 28.09.12

Ando há dias a pensar que deveria aceitar, de forma pacífica e sem temor, a sugestão da minha mãe - que tem anos - de viver sem expectativas. Se conseguir atingir tão grande proeza tudo será mais fácil, diz ela, dizem outros. Pode ser que sim. A verdade é que o tempo passa e o cansaço de ser o que se é neste país vai moendo. Não sou pessimista por natureza. Nunca fui. Hoje já não consigo ser optimista. Vejo as notícias pela manhã e tenho vontade de voltar para a cama.

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 28.09.12

 

Dafne Fernández

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As canções do século (1002)

por Pedro Correia, em 28.09.12

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 27.09.12

«Diante das gigantescas manifestações, que merecem o nosso respeito, é essencial que não cedamos à tentação da anulação do pensamento crítico. A rua, em democracia, deve ser respeitada e ouvida, mas estão profundamente equivocados aqueles que, por cegueira ou oportunismo, entendem que ela deve ser linearmente seguida. Talvez não seja muito popular afirmar isto nas presentes circunstâncias, mas há alturas em que é preciso saber correr o risco da incompreensão.»

Francisco Assis, no Público

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O mundo é de quem o reinventa (8)

por Ana Vidal, em 27.09.12

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Alguém me explica...

por Leonor Barros, em 27.09.12

isto?

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Corte na despesa (ou talvez não)

por Pedro Correia, em 27.09.12

Das 38 fundações sobre as quais há uma proposta de extinção, o Governo só tem poder, na prática, para decidir o destino de quatro: Cidade de Guimarães, Museu do Douro, Côa Parque e a das Salinas do Samouco. Ao nível da administração central, o número previsto é de 17, mas em 13 a última palavra caberá às instituições do ensino superior que as criaram. Ao nível das autarquias, o Governo propôs a extinção de 21 mas também aqui a decisão final caberá aos órgãos municipais e os responsáveis de algumas câmaras já avisaram que não vão acatar a proposta governamental.

Público

 

Em relação às regiões autónomas, Carlos César já decidiu que não irá mexer nas três fundações do arquipélago.

Público

 

Alberto João Jardim garantiu que não vai extinguir a [Fundação] Madeira Classic.

Público

 

«Decisão de extinguir a Fundação Madeira Classic é um acto nulo e tudo continua na mesma.»

Alberto João Jardim, Lusa

 

Vítor Ramalho, presidente do INATEL, protesta contra o corte de 30% do financiamento público na fundação que dirige.

i

 

«O corte só pode estar sustentado num grande equívoco ou mal-entendido. Não me passa sequer pela cabeça, não quero acreditar e muito menos aceitar, que pudesse acontecer.»

Fernando Nobre, fundação AMI, i

 

«Tenho pena se tivermos de acabar com essas acções de solidariedade social que são a razão de existência da nossa fundação, mas tenho fé que ainda possam reflectir sobre este problema e o possam emendar, procurando não prejudicar as fundações.»

Maria Barroso, presidente da Fundação Pro Dignitate, Lusa

 

Mais de um terço das câmaras não acata a proposta de extinguir fundações.

Público

 

O presidente da Fundação Frei Pedro (Guarda) considerou hoje que o cancelamento do estatuto de utilidade pública da instituição é uma «injustiça».

Virgílio Mendes Ardérius, Lusa

 

Artus Santos Silva, presidente da Fundação Gulbenkian e do Centro Português de Fundações, diz que a resolução do Governo é «infeliz» e afecta a reputação das fundações na sociedade portuguesa.

Público

 

«Governo está a fazer uma crucificação às fundações, nunca antes feita, e que é completamemente errada.»

Carlos Monjardino, presidente da Fundação Oriente, Diário Económico

 

«Decisão de extinguir Fundação Paula Rego [em Cascais] é um lapso monumental.»

António Capucho, ex-presidente da câmara de Cascais, Público

 

Corte de 30% na Fundação Eça de Queiroz, com sede em Baião, pode levar a despedimentos. «Se esse corte for concretizado, ficaremos numa situação muito difícil», alertou a directora executiva, Anabela Campos.

Lusa

 

«A sensação com que ficamos perante este anúncio é de profunda injustiça. Esta decisão não premeia quem faz melhor.»

Luís Braga da Cruz, presidente da Fundação Serralves, JN

 

«Esta fundação [Serrão Martins] faz muita falta.»

Jorge Colaço, presidente da câmara de Mértola, Lusa

 

O director-delegado da Fundação Abel e João de Lacerda, do Caramulo, lamentou que o Governo queira «penalizar bons alunos» com o fim dos apoios financeiros públicos, que poderá colocar em risco projectos desenvolvidos nos últimos anos.

Lusa

 

A presidente do município de Portalegre quer manter a Fundação Robinson e a câmara de Vila Nova de Cerveira não só não aceita a proposta de fechar a Fundação Bienal de Cerveira como deixa aberta a porta a um eventual recurso aos tribunais.

Público

 

O presidente da Câmara de Loulé, Seruca Emídio, disse que vai contestar a decisão de extinção da Fundação António Aleixo.

Lusa

 

O presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, estranhou a proposta do Governo de extinção da Fundação Marquês de Pombal, detida em 89% por mecenas privados.

Lusa

 

«Com a extinção da Fundação Odemira estão em causa cerca de cem postos de trabalho e 200 alunos.»

Presidente da câmara de Odemira, José Alberto Guerreiro, Lusa

 

«Não se podem meter as fundações todas no mesmo saco. O Salazar não primava por ser de esquerda e acarinhava o Inatel.»

Vítor Ramalho, i

 

«Mais do que uma ingerência do Estado, é uma anormalidade.»

António Capucho, Diário Económico

 

Graça Nunes, vice-presidente da câmara de Grândola, classifica a decisão de "absurda" e manifesta oposição à intenção do Governo de reduzir para 30% os apoios públicos à Fundação Frédéric Velge.

Público

 

«Temos um projecto de hortas solidárias, onde damos apoio a 60 hortelões, alguns deles que pertencem a famílias carenciadas. Temos também a única marinha a produzir sal no estuário, algo que aconteceu este ano pela primeira vez, apoio aos burros mirandeses, uma bióloga em formação e organizamos várias visitas ao local. Se não houver uma entidade que faça o mesmo trabalho que a fundação, perde-se um importante habitat e vai caminhar-se para uma degradação das salinas.»

Firmino Sá, presidente da Fundação para a Protecção e Gestão Ambiental das Salinas do Samouco, Lusa 

 

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N de nada

por Teresa Ribeiro, em 27.09.12

É preciso manter o foco. N sabe-o, mas os dedinhos dos neurónios estão sempre a puxá-la para baixo. Tempos houve em que se via como uma mulher de sucesso, eficiente no trabalho e despachada na cama. Agora envergonha-se das baixas sucessivas e para escapar a indagações isola-se. Já correu metade dos psiquiatras da praça, mas para aquela tristeza funda não há cura.

A escassez de serotonina no sistema nervoso central está para o seu humor, como uma fractura num pé para uma bailarina. Ambas as situações são incapacitantes, mas ao contrário da bailarina que contará com a simpatia e compreensão dos outros, no seu caso o padecimento será fonte de desconfiança até para si própria. 

Às vezes N repete os sintomas da depressão como um mantra em que se embala para combater a insónia, noutras ocasiões parte-se em duas e cita-os de si para si para apaziguar a sua permanente sensação de culpa. Esta actual cultura do faça-se você mesmo dificulta-lhe ainda mais as possibilidades de recuperação.O paleio dos gurus da psicologia positiva, as entrevistas das figuras públicas nas revistas, fotografadas em shorts proactivos e decotes desafiantes a dizer em Ariel "A felicidade constrói-se", confirmam-na como uma inútil, incapaz de reagir.

Quando se pode atribuir à depressão uma causa concreta é mais fácil combatê-la, mas a tristeza dela é endógena. Aprendeu-a em pequena ou até antes. Provavelmente já lhe vem no sangue, um orh tristíssimo que um dia expurgou a N colorida e bem sucedida.

Na vida ficcional de todos os dias N não tem lugar. No emprego hostilizam-na. A família e até alguns médicos olham-na de esguelha, os amigos desmobilizaram. Só nas estatísticas e nas notícias de jornal N faz sentido.

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Cama 306

por Fernando Sousa, em 27.09.12

… não estou aqui, imagino que não estou aqui, estou numa cama de um hospital, a cama 306, já não tenho a inteligência ligada à saúde, tenho só o corpo ligado a tubos e a esperança ligada à vida, imagino que os médicos se enganaram, ou que não previram tudo, que tenho mais do que dois meses de vida, imagino um milagre, eu, finalmente entre a morte e a fé, imagino o meu neto que nascerá dentro de três meses, aquele abraço que devo, o muro que não acabei de mandar abaixo, a novela a que só me falta um capítulo e mais umas coisas que o meu sentimento de eternidade foi adiando; imagino que me vieram perguntar, um senhor muito gentil, muito, muito compreensivo, do economato, se não me importava de morrer no prazo certo, ou se possível mais cedo, pois gastam comigo fortunas devidas à dívida soberana. Não estou aqui, estou numa cama de um hospital, público, português, corre Setembro de 2012, já não tenho a inteligência ligada à saúde, apenas rezo, eu, que sempre achei a oração como um desperdício da razão, para que os médicos se tenham enganado, o que às vezes acontece, ou haja um milagre, o que também não é raro, ou então para que me apague como uma pessoa e não uma rubrica do Orçamento de Estado. 

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A montanha pariu um rato

por Rui Rocha, em 27.09.12

 

E mais alguns teclados e um ou outro monitor, . Tirando o corte com a afundação do Magalhães, o resto são 45.600.000€ (quarenta e cinco vírgula seis milhões de euros, assim por extenso que é para não haver dúvidas) e o mais é treta. Uma farturinha. Carrega, Passos. Que o Zé está cá para aguentar mais impostos e taxas e cortes na saúde e 30 crianças dentro de uma sala de aula só para termos o gosto de ver parte do pessoal a ir de férias para a Foz do Arelho através do INATEL e para o Mário Soares poder continuar a promover umas exposições de fotografia lá na baiuca dele.

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«A velhice é o que sobra da vida.»

Louis-Ferdinand Céline (1894-1961)

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Eugenia

por André Couto, em 27.09.12

"Eugenia é um termo cunhado em 1883 por Francis Galton (1822-1911), significando "bem nascido". Galton definiu eugenia como o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente. (...) Desde seu surgimento até os dias atuais, diversos filósofos e sociólogos declaram que existem diversos problemas éticos sérios na eugenia, como a discriminação de pessoas por categorias, pois ela acaba por rotular as pessoas como aptas ou não-aptas para a reprodução. Do ponto de vista do debate científico, a eugenia foi derrotada pelo argumento da genética mendeliana.", in Wikipédia.

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As ilhas que eu vejo (10)

por João Carvalho, em 27.09.12

 

Lembram-se quando havia um pote de ouro na ponta do arco-íris? Bons tempos...Ver a ponta do arco-íris à frente dos olhos já é invulgar.

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Isto é que é cortar na despesa?

por Ana Margarida Craveiro, em 27.09.12

O José Gomes André chamou-me a atenção para um despacho todo catita do Ministério das Finanças: as universidades e seus institutos estão impedidos de fazer pagamentos contra recibo dentro das rubricas "Estudos, pareceres, consultadoria", "Outros trabalhos especializados", "Outros serviços" e "Investimentos".

As malvadas das universidades andavam a gastar dinheiro, não era? Ora, isto não é bem assim. Vamos a um caso prático. Eu, Ana Margarida, sou doutoranda de um Instituto de uma universidade pública. Com a minha orientadora, professora desse mesmo instituto, e um outro professor, também de um instituto de uma universidade pública, elaboro a cada dois anos um relatório sobre a transparência orçamental para uma ONG americana. Eles pagam ao nosso instituto, que é a nossa instituição, e o instituto paga-nos a nós, contra recibo verde (e muitos impostos, mas isso é outra história). Com este despacho, fico a ver navios. Aliás, acabei de ser roubada, porque o relatório já foi feito e entregue, mas pelos vistos não posso ter acesso ao meu pagamento, porque o Ministério das Finanças não deixa.

 

Não estamos a falar de cortes, mas de roubo puro e duro. As Finanças não cortaram nenhuma gordura, limitaram-se a apropriar-se do pouco dinheiro que recebo por trabalhar. 

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Ventos favoráveis.

por Luís Menezes Leitão, em 27.09.12

 

Leio aqui que Passos Coelho resolveu citar Os Lusíadas numa sessão de homenagem a Adriano Moreira, dando razão à velha afirmação de que Portugal é um país de poetas. A estrofe 66 do canto V justifica no seu entender que, apesar da corrente que nos empurra para trás, há ventos favoráveis na economia. A estrofe é assim:


<Daqui fomos cortando muitos dias,
Entre tormentas tristes e bonanças,
No largo mar fazendo novas vias,
Só conduzidos de árduas esperanças.
Co mar um tempo andámos em porfias,
Que, como tudo nele são mudanças,
Corrente nele achámos tão possante,
Que passar não deixava por diante>.

 

Curiosamente vejo esta citação, pelo contrário, como um reconhecimento subliminar das dificuldades que Passos Coelho presentemente atravessa. Ele já tinha tido "entre tormentas tristes e bonanças" as "árduas esperanças" de transferir o pagamento da TSU dos empresários para os trabalhadores. Mas como encontrou na manifestação de 15 de Setembro uma "corrente", "tão possante que passar não deixava para diante", lá foi obrigado a arrepiar caminho e substituir essa medida por mais um aumento de impostos.

 

Vale a pena citar a estrofe seguinte que é assim:

 

<Era maior a força em demasia,
Segundo pera trás nos obrigava,
Do mar, que contra nós ali corria,
Que por nós a do vento que assoprava.
Injuriado Noto da porfia
Em que co mar (parece) tanto estava,
Os assopros esforça iradamente,
Com que nos fez vencer a grão corrente>.

 

Ou seja, Passos Coelho acha que, apesar da força da corrente que contra ele está, e apesar de "injuriado" continuamente, como se viu na própria sessão de homenagem, esforçando-se como o vento, através de "assopros", há-de conseguir "iradamente" fazer "vencer a grão corrente". O problema é a falta de fôlego, que há muito parece atingir o seu governo.

 

É talvez por isso que João Salgueiro veio agora dizer que Passos Coelho não estava preparado para tomar conta do poder. Eu confesso que percebi isso antes da eleições. E o que me fez perceber foi o mais inacreditável acordo alguma vez feito na política portuguesa: o acordo com Fernando Nobre, a quem foi prometida a presidência do Parlamento se concorresse nas listas do PSD. Passos Coelho não conseguiu cumprir a promessa, o que o levou Fernando Nobre a renunciar ao mandato. E agora, quando o governo decide fazer um corte de 30% nos subsídios pagos à Fundação a que preside, Fernando Nobre diz que só pode tratar-se de um mal-entendido. O actual estado do país só me faz lembrar a canção de Amália Rodrigues: "Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado".

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Parabéns...

por João Carvalho, em 27.09.12

 

... à nossa Ana Cláudia!

(Nos Açores ainda é dia 26.)

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As canções do século (1001)

por Pedro Correia, em 27.09.12

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A Espanha aqui tão perto

por Pedro Correia, em 26.09.12

«Estas manifestações [em Espanha], no seu carácter inorgânico, têm riscos para a democracia. Esta manifestação em Madrid, a pretexto de que a democracia espanhola está sequestrada pela troika, está de facto a sequestrar a democracia espanhola. Porque quando se cerca o Parlamento está-se a cercar a democracia. Isso, para qualquer democrata, deve ser claro. Quando se faz uma manifestação cujo alvo é a austeridade, sim, mas as instituições políticas também, há um risco de deriva não democrática. Não tenho uma visão segundo a qual sempre que as pessoas ocupam a rua estão a redimir a democracia. Não tenho essa concepção.»

Augusto Santos Silva, ontem, na TVI24

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O mundo é de quem o reinventa (7)

por Ana Vidal, em 26.09.12

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Queixamo-nos, e com razão, da baixa qualidade do nosso jornalismo actual. Mas há pior. Oh, se há.

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