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Vive por aqui

por António Manuel Venda, em 31.05.12

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A foto do Rui Rocha

por José António Abreu, em 31.05.12

Com o tal relógio de que falava João Pedro nos comentários à foto anterior. Ah, a propósito dos comentários: não estão à espera de que eu lhes responda, pois não?

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Os checos, Kafka e o Século XX

por José António Abreu, em 31.05.12

Há poucos anos, pouco tempo antes da sua morte, o grande germanista e estudioso de Kafka, Eduard Goldstücker, descreveu-me como ele e outros fiéis comunistas em Praga foram cercados em Dezembro de 1951 no início de uma nova onda de «processos de Moscovo» estalinistas. Quando ele pediu para saber por que razão tinha sido preso, a resposta veio com um sorriso irónico: «Isso é o que você vai ter de nos dizer.»

John Banville, Imagens de Praga. Edições Asa (2005), tradução de Teresa Casal.

 

O século XX não foi fácil para os checos e para os seus «primos» eslovacos. Antes da Primeira Guerra Mundial, o país nem sequer existia. Depois, a Checoslováquia entrou no que Kundera chamou, de modo quiçá um tudo-nada forçado, «tripla repetição do número vinte». Ganha a independência em 1918, perdeu-a em 1938, quando os líderes dos países vencedores da Guerra se assustaram com as ameaças de Hitler. Em 1948, o país aceitou o comunismo para vinte anos depois perceber que não estava autorizado a introduzir-lhe mudanças – muito menos a abandoná-lo. O poder imposto pelos tanques soviéticos instalou-se em força em 1969 e apenas caiu em 1989. Três vezes vinte. Pelo meio, ainda existem os dez anos que vão de 1938 a 1948. Os anos da ocupação nazi, da perseguição aos judeus, do Reichsprotektor Reinhard Heydrich, uma figura que me fascina tanto como o proverbial olhar do réptil e a que talvez ainda volte – mas aconselho desde já a leitura de HHhH, de Laurent Binet, que a Sextante publicou há pouco mais de um ano. As contas são fáceis de fazer: os checos passaram três quartos do século em guerra ou numa paz regida pelo medo. Medo do próprio governo, medo de governos vizinhos, medo de proferirem uma palavra imprudente ou mal interpretada. Talvez nós, portugueses, devêssemos pensar nisto quanto justificamos pechas nacionais com os quarenta e oito anos de Salazar.

 

Mas não é minha intenção comparar ditaduras nem estados de alma colectivos. Prefiro centrar-me no génio de Kafka. Permitam-me só mais algumas datas: Kafka morreu em 1924 mas O Processo, escrito cerca de dez anos antes, foi publicado pela primeira vez apenas em 1925. Kafka era judeu e falante de alemão, o que, já na época de início da Primeira Grande Guerra, não constituía combinação fácil. Mas Hitler e Estaline, os campos de concentração e o gulag, a Gestapo e o KGB (e a Státní Bezpečnost, a polícia secreta checa dos tempos comunistas), tudo ainda fazia parte do futuro. Porém, Kafka adivinhava. Ainda que se diga que ele achava os seus enredos mais divertidos do que assustadores ou proféticos, o universo de Kafka é o universo do totalitarismo e, mais especificamente, do totalitarismo moderno. Tão moderno, de facto, que, talvez ironicamente para quem abominava a nascente psicanálise (Kafka apreciava a loucura e detestava que se pretendesse curá-la), é, acima de tudo, um totalitarismo psicológico. Kundera outra vez, em Os Testamentos Traídos (Edições ASA, 1994, tradução de Miguel Serras Pereira): «Se lermos assim O Processo, ficaremos, desde o início, intrigados com a estranha reacção de K. à acusação: sem nada ter feito de mal (ou sem saber o que de mal fez), K. começa logo a comportar-se como se fosse culpado. Tornaram-no culpado. Culpabilizaram-no.» E Kundera mostra como K. segue o processo psicológico típico de alguém que sente estar a agir como culpado sem o ser. Um processo interior, por contraponto ao outro, exterior, que dá nome ao livro, e que tem cinco estádios: Luta vã pela dignidade perdida, Prova de força, Socialização do processo, Autocrítica, Identificação da vítima com o seu carrasco. Na literatura, antes de Kafka, um inocente podia ceder e confessar crimes que não cometera, podia ser formalmente culpado mas, perante si mesmo, mantinha-se inocente. Em Kafka, a culpa é imposta do exterior e é aceite. K., a personagem de O Processo, irá (no estádio 4, o da autocrítica) examinar a sua vida à procura do momento em que se tornou culpado. Já não duvida que o é. Num regime totalitário, o acusador não precisa de conhecer a culpa do acusado antecipadamente. Precisa de, em conjunto com o acusado, a descobrir (releiam, por favor, o excerto de Banville sobre a réplica do interrogador comunista em 1951) pois sabe que toda a gente é culpada de alguma coisa – quanto mais não seja, de um pensamento. E, se até a própria culpa pode vir a ser aceite como real, quão fácil é aceitar a culpa alheia? O poder num regime totalitário vive de pessoas que aceitam a culpa alheia. Se foi preso, alguma coisa terá feito. Reacção apenas humana; reacção decididamente kafkiana. O corolário, como se viu (como Kafka viu), é se fui preso, alguma coisa terei feito. (Em 1984, de Orwell – a quintessência do livro sobre totalitarismo, mas convenhamos que o inglês já assistira a muito no quarto de século que decorrera desde a morte de Kafka – há uma personagem que aceita prisão e castigo e ainda se recrimina por, alegadamente, ter criticado o Grande Irmão enquanto dormia.)

 

Em Portugal, dizemos frequentemente que, ao ler-se Eça, pode ver-se o país actual. É verdade. Os bons escritores são intemporais – e globais. Mas, ainda assim, Eça descreveu a época em que viveu. Kafka descreveu os cinquenta anos que se seguiram à sua morte. E esperemos que não outros tantos, no nosso futuro.

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Ali Babá só enfrentou 40

por Rui Rocha, em 31.05.12

A auditoria ao modelo de gestão, financiamento e regulação do sector rodoviário, hoje publicada, apresenta conclusões que apontam, de forma inequívoca, para a existência de um comportamento deliberado do Governo liderado por José Sócrates (e em que era Secretário de Estado Paulo Campos) de sonegação de informação ao Tribunal de Contas e de violação de elementares interesses do Estado. Mais, e em concreto, tal Governo terá promovido a celebração, no âmbito das PPP, de contratos paralelos que importaram o agravamento das condições financeiras a suportar pelo Estado em 705 milhões de euros. A confirmar-se tal situação, todos devem assumir as suas responsabilidades. Desde logo, a Procuradoria-Geral da República, a quem se pede que, por uma vez, cumpra com diligência e competência as suas obrigações, promovendo a investigação que se impõe para determinar a viabilidade da responsabilização, em primeira linha, dos membros desse Governo envolvidos neste esquema predatório do erário público. Mas, também, das concessionárias e entidades bancárias envolvidas na assinatura dos contratos paralelos, cujas consequências e intuitos não podiam desconhecer. Por outro lado, o PS tem a estrita obrigação de tomar uma posição clara sobre este assunto, uma vez que é o partido que suportou politicamente esse Governo e  tem como militantes e deputados da sua bancada parlamentar os autores de tais actos. A gravidade da matéria não permite que António José Seguro a ignore ou a desvalorize, sob pena de comprometer irremediavelmente qualquer réstia de credibilidade. Por último, o actual Governo deve ser consequente com os factos apurados, recusando-se a efectuar qualquer pagamento previsto nos ditos contratos paralelos e promovendo a desvinculação jurídica do Estado português de quaisquer obrigações ali previstas. Se isto não for assim, teremos de concluir que Ali Babá teve muita sorte pois só teve de enfrentar 40 enquanto os portugueses se debatem, a cada dia, com muitos mais.

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O momento político actual *

por José Navarro de Andrade, em 31.05.12

* aplicar data à discrição

 

de Benita Epstein para "The New Yorker" em 18-10-1999

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"Pensemos filosoficamente".

por Luís M. Jorge, em 31.05.12

O repto vem no "Retrato de Ricardina", de Camilo Castelo Branco. Os irmãos Pimentel, na ruína, são abordados por um abade que pecara na juventude e queria casar duas filhas a troco de um dote de trinta mil cruzados por cabeça. Os irmãos recebem agastados a proposta, depois acalmam-se, depois pedem tempo para reflectir. Finalmente, escreve Camilo, "os noivos acederam, tirando a partido que a mãe das nubentes se recolheria em mosteiro, antes das núpcias das filhas". Nada feito. "Voltaram os Pimentéis a reflectir. Acharam-se subitamente filósofos". "Pensemos filosoficamente - dizia o irmão de Clementina. - As raparigas que venham com a condição de cá não pôr o pé a mãe. Comunicaram ao abade a modificação. - Não, senhor - retorquiu o padre. - Onde as filhas estiverem há-de ir a mãe. - Pensemos filosoficamente - disseram entre si os Pimentéis. - A mãe poderá vir alguma vez; mas o abade nunca.. - Não, senhor - insistiu o abade. - Eu hei-de ir ver minhas filhas, porque lhes quero muito, e decerto não dava sessenta mil cruzados com a obrigação de as não ver mais. (...) - Pois deixemos vir o abade. Pensemos filosoficamente. A desonra (...) é coisa em que ninguém já fala. Tudo esquece. Foi uma desgraça; todas as famílias têm destas nódoas. Já agora, sejamos filósofos como toda a gente." Desde que eclodiu o "caso Relvas" vejo uma parte da nossa direita a meditar com angústia na imperscrutabilidade do mundo, na inacessibilidade do real, nos mistérios da "coisa em si". É bom sinal. Tal como os irmãos Pimentel, estão a "pensar filosoficamente".

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Jornalismo: uma história exemplar

por Pedro Correia, em 31.05.12

 

Foi um dos mais célebres textos desde sempre aparecidos na imprensa espanhola: a 30 de Maio de 1968, o jornal Madrid publicava - com chamada de primeira página - um editorial intitulado «Retirarse a tiempo - No al General De Gaulle».
Na capa dessa edição, via-se uma grande foto sob a manchete «Francia: es el final». A foto mostrava manifestantes em Paris com uma máscara do velho General e um letreiro em que se lia 'Démission'. Legenda do jornal: «Um grito en la calle: Dimisión!»
Tudo apontava à superfície para De Gaulle, mas qualquer leitor mediano de entrelinhas percebia que nesta manchete do irreverente diário dirigido pelo jornalista Antonio Fontán tudo aquilo visava outro general: Franco.

 

Aliás, para que não restassem dúvidas, o editorial - assinado por Rafael Calvo Serer, presidente do conselho de administração da empresa proprietária do jornal - terminava desta forma: «España mantiene una semejanza de situaciones sociales y políticas con el vecino país. Si a Francia se le presenta el problema de la sucesión de De Gaulle y del régimen de la V República, también con especiales características está planteado en España. Mientras el general francés ha realizado una política exterior izquierdista, pero conservadora en el exterior, la política exterior española ha sido otro signo y en el interior está por hacer la reforma de las estructuras económicas y sociales.
Si el movimiento universitario y el obrero son de oposición radical al régimen personal de De Gaulle por la falta de participación de los gobernados en los niveles económico, social y político, los españoles no hemos resuelto la plena participación democrática cuando, según las leyes, se dan por terminados los períodos totalitario y autoritario del Régimen.
Esta es la cuestión clave. En la vía de su resolución se plantean estos interrogantes prácticos y urgentes: ¿cómo puede formarse un Gobierno para enfrentarse con las nuevas realidades?, ¿cuál será la organización política más adecuada para que este Gobierno pueda contar en sus decisiones con la mayor participación individual o asociativa? Y por último, en el momento de producirse la vacante previsible, ¿quién ha de ser el Jefe del Estado que reúna las mejores condiciones para la acción de aquel Gobierno radical y para contar con la máxima adhesión popular?»

 

O ditador espanhol, já nos seus anos crepusculares mas ainda com o regime "atado e bem atado" (a expressão é dele e ainda hoje se utiliza em Espanha, associada ao franquismo), enfureceu-se com esta edição do periódico madrileno e mandou aplicar-lhe uma das maiores sanções pecuniárias de que há registo na história do jornalismo espanhol. Mais tarde as pressões do regime acabariam por conduzir à demissão de Fontán, que após a morte de Franco viria a ser ministro do primeiro executivo liderado pela União do Centro Democrático, de Adolfo Suárez, e presidente da primeira legislatura do Senado após o restabelecimento da democracia (1977-79).

Em 1971, o irreverente Madrid viu-se forçado ao encerramento. Mas já conquistara um lugar de relevo no combate ao franquismo, designadamente por esta desassombrada edição de Maio de 1968. E hoje um dos mais relevantes prémios jornalísticos anuais em Espanha tem precisamente este nome prestigiado: Diario Madrid.

Imagens:

1. Uma das capas do jornal desse quente mês de Maio de 1968

2. Rua do centro de Madrid na década de 60

3. A última edição do irreverente jornal que Franco mandou fechar

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Ir e vir para lá do fim do mundo em 400''

por José Navarro de Andrade, em 31.05.12

Nunca fui tão longe viajando à janela.

Tudo é real (por uma vez...), mesmo o som que é o captado pela câmara, apenas amplificado pelos sonoplastas da Skywalker Sound (a rapaziada de George Lucas) de modo a tornar-se audível.

Vida breve.

 

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Não me parece que Relvas esteja mais forte

por Rui Rocha, em 31.05.12

Na versão de Miguel Relvas sobre a sua relação com Jorge Silva Carvalho, a verdade constrói-se no sentido inverso ao dos ponteiros do relógio. A narrativa não relata o que efectivamente sucedeu. Adequa-se àquilo que se antevê que possa acontecer no futuro. E o futuro são os factos que os órgãos de comunicação social vão divulgar a seguir. A cada facto novo, a verdade de Relvas adapta-se, actualiza-se. Aproxima-se, a contragosto e na medida do estritamente necessário, da realidade. Silva Carvalho passa de alguém quase desconhecido, a contacto pontual em ocasiões sociais. E daí a interlocutor em reuniões de negócios. Neste modelo de verdade servida a conta-gotas, a transparência faz jus ao seu nome. Não se vê. Em tudo isto, Relvas cometeu, pelo menos, três erros. O primeiro consiste em não ter percebido que Silva Carvalho é, mais do que um espião, um agente. Altamente infeccioso. Qualquer contacto, na vida privada ou no exercício de funções públicas, implica uma forte probabilidade de contágio. A única forma de evitar a enfermidade é mantê-lo à distância. O segundo resulta de não ter aberto o jogo todo logo à partida. Não o tendo feito, arriscou-se a que a censura da opinião pública passasse da gravidade dos factos para a gravidade da sua ocultação. O terceiro ocorreu no episódio do Público em que não soube agir com a sobriedade de um titular de funções governativas e com a contenção própria de quem diz ter a verdade do seu lado. Relvas afirma que não mentiu, nem omitiu. Talvez seja assim. Provavelmente, omintiu. Uma conduta que fica algures entre a mentira e a omissão. Agora, tem a água pelo pescoço. É natural que se agarre a qualquer coisa para evitar afogar-se. Mas não podemos permitir que arraste para o fundo a nossa consciência. Sócrates nivelou por baixo os padrões morais do exercício de funções públicas em Portugal. Desanquei-o de forma regular e intensa. Não posso fazer menos relativamente a quem atribui à verdade uma natureza flutuante, em função das circunstâncias. Não foi para isso que, nas últimas legislativas, votei no PSD. Nem foi isso que o PSD me prometeu.

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Acordo burrográfico (93)

por Pedro Correia, em 31.05.12

- A nossa fação já foi mais numerosa.

- Tens razão. Diminuiu.

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Ai Christine, ai!

por Helena Sacadura Cabral, em 31.05.12

 

A Directora Geral do FMI, Christine Lagarde, tem um vencimento anual de 372 mil euros livres de impostos, a que se somam mais de 66 mil euros de despesas de representação.

No final de cada ano Christine arrecada 438 mil euros e não paga qualquer taxa ao Estado. A ser verdade, é natural que os gregos não a entendam. E as crianças africanas ainda menos...

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À Lagardère

por Rui Rocha, em 31.05.12

* tirada do Ekhatimerini.

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Sugestão: um livro por dia *

por Pedro Correia, em 31.05.12

 

Caligrafia dos Sonhos, de Juan Marsé

(edição D. Quixote)

 

* enquanto durar a Feira do Livro do Porto

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As canções do século (882)

por Pedro Correia, em 31.05.12

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A pedido do Rui Rocha, uma foto de Praga

por José António Abreu, em 30.05.12

Do monumento dedicado a Jan Hus.

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Well done, CMVM

por Teresa Ribeiro, em 30.05.12

A CMVM fez queixa ao MP de indícios de manipulação sobre dívida portuguesa. Quem desdenha da necessidade de regular melhor estes rapazes ou está de má fé ou sofre de miopia ideológica.

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Uma de espiões

por Rui Rocha, em 30.05.12

Dois espiões, um inglês e um português, encontram-se, ao serviço dos respectivos países, numa reunião ultra-secreta. O inglês toma a iniciativa das apresentações, para quebrar o gelo:

- O meu nome é Bond! James Bond. E o teu?

- O meu nome é Alho. Silva Carvalho.

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Acordo burrográfico (92)

por Pedro Correia, em 30.05.12

- Que deceção!

- É como dizes. De sessão em sessão isto vai perdendo interesse.

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Que venha.

por Luís M. Jorge, em 30.05.12

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http://www.presidencia.pt/?idc=10&idi=65837

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Neste país deveria ser

por Patrícia Reis, em 30.05.12

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De blogue em blogue

por Pedro Correia, em 30.05.12

O TOL Canal, novo blogue da revista Time Out Lisboa. Recomenda-se.

 

O Belenenses é um clube simpático. E tem um blogue muito bom, feito por adeptos com talento e memória: Belenenses Ilustrado.

 

Tiago Barbosa Ribeiro agora n' O Portugal Futuro.

 

A Máquina da Preguiça. A visitar.

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As canções do século (881)

por Pedro Correia, em 30.05.12

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É só para saberem; podiam ficar preocupados...

por José António Abreu, em 29.05.12

Não estou cá. Ou melhor, não estou aí. Estou, há pouco mais de três horas, aqui. E ainda não ouvi falar de Miguel Relvas uma única vez. Claro que também não percebo patavina do que eles dizem...

 

(Talvez ainda escreva qualquer coisa sobre temas de cá: escritores, músicos, físicos, fotógrafos, assassinos heróis ou qualquer coisa do género. Mas se tudo correr bem é provável que não me apeteça.)

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As palavas em título foam pofeidas pelo Pesidente Cavaco Silva na ecente visita a Nãoseionde. O Pesidente tem azão, clao. Poquê? Oa, poque não há bom vinho sem uma boa olha de cotiça. Na vedade, não devemos subestimá a impotância da olha na qualidade do vinho. Inicialmente eam utilizados outos mateiais como estopa, pano, quina de cavalo ou pegaminho. A ideia de empegar a cotiça como olha é atibuída a Dom Peignon. A cotiça possui qualidades que a tonam paticamente insubstituível: poosidade, leveza, elasticidade, impemeabilidade e isolamento. Todavia, uma olha de má qualidade pode compometê a qualidade do vinho, tansmitindo o desagadável "sabô a olha". Esta situação pode sê conseqüência de pequenos paasitas nas fendas da olha ou  de mofo, ou ainda do cloo utilizado no tatamento da olha. Po vezes,  o odô  a olha é fugaz, bastando descatá os pimeios centilitos da bebida. Daí o costume de os somelies veificaem pelo olfato a qualidade da olha antes de colocá o vinho à prova. A cotiça paa as olhas é poduzida a pati da casca do sobeiro, uma capa que a ávoe enova a cada nove anos. Nomalmente, a olha tem impesso o nome do fabicante, possivelmente as amas da família, e alguns códigos. Um poblema das olhas de cotiça é que elas essecam, pedem a adeência ao gagalo e, como esultado, o á peneta na gaafa, oxidando e inutilizando o vinho. Po esse motivo as gaafas não podem sê guadadas em posição vetical nas adegas. Poém as olhas também eagem com o vinho e podem passá o gosto da cotiça paa o líquido quando a gaafa é guadada po muito tempo em posição inclinada. Ao compá uma gaafa de vinho é conveniente fazê pessão com o polegá sobe a olha, paa vê se ela está fimemente pesa, ou se esvala alguns milímetos para dento da gaafa, sinal de que a oxidação do vinho com ceteza já aconteceu. Em todo o caso, e tal como refee o Pesidente, to have  good wine, we need good cock. Potuguese cock, of couse, aquescentaia eu. E, sobetudo, não nos devemos deixá enganá po aqueles que defendem a utilização da olha scew cap.

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Estímulos à portuguesa

por Leonor Barros, em 29.05.12

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Ajudando o José Navarro de Andrade.

por Luís M. Jorge, em 29.05.12

Parece que ser mentiroso é, além de um pecadilho inocente, uma questão de opinião que deve ser demonstrada. Pois bem, eis um bom resumo que respeita apenas às declarações do ministro na AR : "O jornal Expresso salienta quatro contradições de Miguel Relvas nas declarações que fez na Assembleia da República: 1. O ministro afirmou então: “Nunca recebi nenhum relatório de reestruturação de serviços, não tenho nenhuma relação estreita com Jorge Silva Carvalho, nunca foi meu conselheiro nesta área, nem tinha de ser porque esta não é matéria que eu acompanhe”. Porém, isso não bate certo com as reuniões havidas e com as sugestões do espião. 2. Disse que só conhecia Jorge Silva Carvalho desde abril de 2010 e, desvalorizando as informações que recebia do espião, citou o primeiro clipping que recebeu: uma notícia da Reuters sobre a visita de George Bush ao México. A notícia é de 2007 e não existe nenhuma outra posterior a essa data. 3. O ministro afirmou que nem ele, nem membros do seu gabinete tinham contactos com o espião, mas nesta sexta feira o seu adjunto Adelino Cunha demitiu-se por ter sido conhecido que manteve vários contactos com Silva Carvalho já depois de ter rebentado o escândalo. Na comissão parlamentar, a deputada Cecília Honório do Bloco de Esquerda perguntou por duas vezes se o ministro ou alguém do seu gabinete recebia informações ou tinha ligações à questão das secretas. “Era importante que fosse muito claro e dissesse que nem o senhor nem alguém próximo de si, nomeadamente no seu gabinete, não tem de facto contacto com o ex-diretor do SIED, nem tem de facto recebido informação que não seria da vossa competência, e não tem qualquer responsabilidade em matéria de serviços de informações”, questionou a deputada. Perante a falta de resposta, Cecília Honório insistiu: “Volto a perguntar: o senhor, desde que é ministro não tem contactos, nem informações particulares, nem qualquer espécie de responsabilidade sobre serviços de informações? Nem o senhor ministro nem ninguém do seu gabinete mexe naquilo que diz respeito aos serviços de informações?”. Miguel Relvas respondeu: “Não, não, não, não e mais um não”. 4. O ministro afirmou que as sugestões que recebeu de Jorge Silva Carvalho não envolviam nomes de funcionários das secretas, o que é mentira. O jornal salienta que o ministro foi questionado se eram pessoas dos serviços e alertado pela deputada do PS Isabel Oneto de que se fossem pessoas dos serviços se tratava de violação de segredo de Estado, uma vez que a identidade dos funcionários desses serviços é segredo de Estado, afirmou. “Não eram agentes, eram pessoas para responsabilidades, para lugares de topo, que não eram agentes (…) Aqui não há segredos de Estado”. Ora, dois dos nomes sugeridos por sms eram de dois funcionários das secretas: Filomena Teixeira e João Bicho. O ministro mentiu. (...)." Não encontrei o artigo original do Expresso, o resumo vem daqui: http://www.esquerda.net/artigo/“ministro-faltou-à-verdade-ao-parlamento”/23307

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Uma revolução para o sistema fiscal

por Rui Rocha, em 29.05.12

Boa parte da crise que atravessamos tem origem no sistema fiscal. Insiste-se em tributar a riqueza. Ora, em Portugal, produz-se pouca e esta tem quase sempre origem duvidosa. É claro que riqueza com pecado original não se declara. Assim, sobra quase nada para tributar e redistribuir. Para além disso, a riqueza tem outras características que colocam graves dificuldades técnicas. Até determinado nível de carga fiscal, a riqueza esconde-se. A partir daí, foge. Isto é, a famosa curva de Laffer, mais do que uma curva, é uma estrada sinuosa que passa pela economia paralela doméstica, mas acaba, mais tarde ou mais cedo, no cofre gelado de um banco em Genebra (daí a expressão pôr-se ao fresco). Num esforço inglório, alguns entusiasmadinhos da tributação inventaram há uns anos esta coisa dos sinais exteriores de riqueza. Mais um erro. Rico que é rico tem. Não ostenta. Ou melhor, quando quer ostentar pega no dinheiro que tem na Suíça e compra um chalé numa estância exclusiva da Áustria. É por isso que passamos a vida a tentar tributar casas de praia em Vale da Coelha, coisa que, como se sabe, dá pouca receita. O problema está pois nesta obsessão absurda por tributar o que praticamente não existe. Lá fora, há riqueza a sério. Faz todo o sentido tributá-la. Aqui não. Por isso, devíamos adaptar o sistema fiscal à nossa realidade. E tributar o que temos em abundância. Ora, abundante, para além do cabelo do Jorge Jesus, só vejo a pobreza de espírito. A sua presença, recorrente e transversal, é o único facto incontestável em Portugal. É necessário elevá-la, agora, a facto tributário. Se virmos bem, um sistema fiscal assente na tributação da pobreza de espírito assegura enormes vantagens. Desde logo, a base tributária seria alargada. Depois, em rigor, nenhum de nós estaria isento. Todos temos momentos para esquecer. E para, em consequência, tributar. Para além disso, porque o é, a pobreza de espírito revela-se a cada passo e dificilmente se esconde. Um só funcionário, sentado um dia inteiro em frente à televisão, arrecadaria mais imposto do que todas as repartições de finanças da Dinamarca. Sim, isto implica um novo imposto directo. Mas, nada impede que tributemos também a pobreza de espírito transmitida em diferido. Por outro lado, nada como introduzir uma nota de progressividade no sistema. Uma colecta mais do que proporcional em relação à matéria colectável deixaria cheios os cofres do Estado e os nossos corações insuflados de sentido de justiça. Por último, mas não menos importante, a evasão fiscal tornar-se-ia algo muito desejável. É certo que a exportação da pobreza de espírito implicaria, no curto prazo, uma diminuição de receita. Mas, em contrapartida, no médio prazo, uma fuga maciça à tributação tornaria Portugal um país infinitamente melhor.

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Acordo burrográfico (91)

por Pedro Correia, em 29.05.12

- Ainda te dedicas às causas fracturantes?

- Claro. Agora defendo a co-adoção. Temos de estar na vanguarda.

- E tens mesmo a certeza que isso é vanguarda?

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E...?

por José Navarro de Andrade, em 29.05.12

O caso-Relvas deve estar na recta final porque o Professor Marcelo já opinou. E quando ele opina a sua mágica opinião é terminal e decisiva, seja quanto ao plantio da batata, seja relativamente à fusão do átomo. Mesmo que não passe de uma opinião libérrima do estorvo dos factos apurados e discriminados, como ele próprio Professor o afirma para melhor certificar a sua opinião.

Peço por isso muita desculpa que mal pergunte:

Haverá por aí alguém que me elucide, só com factos demonstrados, o que afinal se passou?

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Mártires da opinião.

por Luís M. Jorge, em 29.05.12

Eles apelam à produtividade comentando blogs durante o expediente. Eles querem mais empreendedores mas nunca criaram uma empresa. Eles invectivam o facilitismo em parágrafos de mau português. Eles exigem mais trabalho e menos conversa enquanto conversam e não trabalham. Eles são os mártires da opinião, último refúgio da pátria contra a obsolescência.

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sem café não há pensamento

por Patrícia Reis, em 29.05.12

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Sulfúricas

por Laura Ramos, em 29.05.12

Por qualquer misteriosa razão o jornalista é um ser incólume e intocável, que nunca pode ser nem negado, nem desmentido, nem contrariado mesmo quando diz uma inverdade ou age por transparente má-fé. Enquanto de uma forma geral a classe política é para condenar liminarmente.
Maria João Avillez em entrevista ao DN, AQUI

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As canções do século (880)

por Pedro Correia, em 29.05.12

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 29.05.12

Ao Perspectivas.

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Maravilhoso (fotografia do nosso Eduardo Serra)

por Patrícia Reis, em 28.05.12

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Fair play

por José Navarro de Andrade, em 28.05.12


Temos bastas razões de queixa deste Inocêncio X. Posto no trono de S. Pedro pelos espanhóis ao cabo de riquíssima compra de votos, troca de favores e torpes intrigas, assim derrotando o candidato que os franceses patrocinavam de modo igualmente abjecto, Inocêncio X não se coibiu de vazar a sua acrimónia contra os sediciosos portugueses de 1640, nunca reconhecendo a legitimidade da secessão e do reino restaurado. Um homem de virtude, portanto, sendo a fidelidade canina aos seus senhores uma das mais cardinais que exibiu.

É seguro afirmar que Velasquez não teve em mente estes rescaldos políticos de Vestefália quando se lhe propôs retratá-lo. Diego Velasquez fora mandado a Roma pelo Filipe, para que comprasse arte e antiguidades com o fito de refazer a decoração do palácio do Bom Retiro. Nesses tempos o arranjo de interiores estava a cargo dos artistas a soldo da corte e nem se pensava que pudessem comer noutra mesa que não a dos funcionários, só um nada superior à dos criados.

Para convencer Giovanni Pamphilj, bispo de Roma, dos seus méritos pictóricos, numa Roma pejada de estetas, Velasquez mostrou-lhe o retrato de Juan de Pareja, seu servo, no qual fizera a mão e agora apresentava como cartão-de-visita.

Inocêncio gostou e acedeu, e Velasquez pintou. Chegou então a hora de revelar a obra ao mecenas. Velasquez retira a serapilheira que cobre a tela e lá está a figura de um homem implacável, gélido, a um instante da cólera.

“Troppo vero!” – exclamou o Santo Padre, as quais foram as únicas palavras suas a residirem na posteridade.

Inocêncio, no entanto, teve fair play: pagou a Velasquez e em vez de destruir uma obra tão pouco lisonjeira, enviou-a para o seu Palazzo privado, o Doria Pamphilj onde ainda hoje está exposto.

Terá sido talvez este o primeiro momento histórico em que um artista preferiu a verdade em detrimento das convenções do gosto e sobretudo das intenções do mecenas. Se tal gesto se tornou “natural” a partir do romantismo, no séc. XVII ele encerrava o risco do ultraje.

 

  

What you see, is what you get: Lucien Freud era conhecido pelo seu temperamento cru e por não se coibir de trasladar essa rispidez para as suas telas. Isabel sabia portanto ao que ia quando encomendou um retrato a Freud, já então capacitado como o maior figurativo do séc. XX.

Sem amolecer o coração, Lucien Freud transigiu e dispôs-se a um gesto inédito nele: sair do estúdio e encontrar-se com a Rainha entre Maio de 2000 e Dezembro de 2001, no Palácio de St. James. Só exigiu à monarca que envergasse a coroa que ostenta nas libras e na abertura do parlamento.

Quando o quadro foi dado a ver ao público aconteceu o inesperado: a arte do retrato, supostamente convencional e estabilizada, deu azo a polémica das antigas. Um coro de protestos se levantou e houve quem aventasse a hipótese de falta de respeito para com a real figura; Freud pintara Isabel de um modo implacável, sem cerimónia nem atenuantes, afinal, tal como se auto-retratava.

Do que estavam à espera? A idade endurece, o poder não é doce e as sombras estão onde menos as esperamos. Freud recusou o estipêndio e Isabel, como sempre, não comentou a obra. Mas com o seu silencioso fair play quem quiser poderá vê-la na pública Royal Collection de Buckingham.

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No reino dos eufemismos

por Pedro Correia, em 28.05.12

 

Acabo de ouvir num canal televisivo que uma determinada empresa construtora "rescindiu com 300 colaboradores". Está tudo errado nesta frase. No espírito e na letra. O mundo laboral parece ter sido liofilizado no discurso jornalístico corrente. Como se a palavra trabalho queimasse. Como se trabalhar fosse algo indigno. Como se um trabalhador devesse ocultar esta sua condição numa sociedade - e num continente inteiro, como bem revelam as estatísticas europeias - onde um posto de trabalho é um bem cada vez mais escasso.

Trabalho, palavra bíblica. "Bem basta a cada dia o seu trabalho", diz Jesus no Sermão da Montanha. Reescrita à luz da novilíngua dominante, quem trabalha deixou de ser trabalhador: é "funcionário" ou, de modo ainda mais eufemístico, "colaborador". Pela mesma lógica, não pode ser despedido mas "dispensado". Ou, de modo ainda mais eufemístico, alguma Alta Entidade da corporação empresarial "prescinde" dos seus serviços. Ou da sua colaboração.

Sempre me ensinaram que o discurso jornalístico, para ser eficaz e competente, devia descodificar todo o jargão encriptado, que obscurece a mensagem em vez de a tornar transparente. Nos dias que correm, sucede precisamente ao contrário: o jornalismo abdica demasiadas vezes de clarificar a mensagem, obscurecendo-a por cumplicidade activa com as "fontes" ou por mera preguiça intelectual.

No reino dos eufemismos, não se trabalha: "colabora-se". E ninguém é despedido: há apenas quem "cesse funções" ou veja os seus préstimos "prescindidos" por alguma entidade empregadora em fase de "reestruturação" ou "reavaliação" das potencialidades do mercado. Mas as coisas são o que são, mesmo que as palavras ardilosas procurem camuflar uma realidade nua e crua.

A empresa construtora despediu 300 trabalhadores. Assim mesmo, ponto final. A realidade, só por si, já é suficientemente dura. Não juntemos ao drama do despedimento a injúria de ver esta palavra banida do dicionário jornalístico quando está mais presente que nunca na vida real.

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Acordo burrográfico (90)

por Pedro Correia, em 28.05.12

- Esta deve ser uma exceção à regra. Estás de acordo?

- Não.

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Press clipping.

por Luís M. Jorge, em 28.05.12
O relatório sobre Francisco Pinto Balsemão não foi a única encomenda de Jorge Silva Carvalho enquanto já estava ao serviço da Ongoing. Em Setembro de 2011, o ex-director do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), mandou fazer um relatório sobre a Finertec, a empresa de capitais luso-angolanos que opera no sector da energia e ao qual estão ligados dois dos homens com quem se se relacionava: Miguel Relvas, que foi administrador da Finertec até ser eleito dirigente do PSD, e José Braz da Silva, que hoje dirige a empresa.

Parece que há aqui um padrão, não é verdade? Isto, claro, presumindo inocências a eito desta gente toda, porque não estamos no tempo do Sócas e agora há estado de direito, liberdade e muitos caldos de galinha.

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Cadáver Esquisito (15)

por Laura Ramos, em 28.05.12

1. UM LIVRO, 2. CA...... SARKIS G........N, 3. OLHOS, 4. ESCAVAR, 5. IN VINO VERITAS, 6. TO THE LEFT, AS PERNAS DE STELLA, 7. O MEDALHÃO, 8. O SEGREDO, 9. LABIRINTOS, 10. FRAGMENTOS DE HISTÓRIA, 11. UMA VIAGEM, 12. REVELAÇÕES E MAIS DÚVIDAS13. NÃO PODES APAGAR UM FOGO COM CUSPO, 14. A INSPECTORA SONHA COM UM ESQUELETO

15

ST. MARY MEAD E A BASE NACIONAL DE ADN

 

Hoje, dia 28 de Maio, José Augusto levantou-se cedo e preparou-se com esmero para a sua romagem anual. Dormira mais uma vez nos Candais, mas já viera munido da competente farpela e atavios de circunstância. Não deu grande conversa a ninguém. Entre todos, só Vivelinda e a dona da casa conheciam esta sua escapadela misteriosa, mas não lhe sabiam o destino. Em frente ao espelho do quarto de vestir do falecido, ajeitou o nó da gravata de riscas azuis, verificou os vincos das calças, meteu o relógio ao colete e por fim, com indizível gozo, cravou com cuidado o emblema na lapela de lealíssima alpaca, respirando fundo. Queria sair muito cedo, era o dia da memória. Os outros legionários aguardavam-no, ainda tinha muitas horas de viagem até Santa Comba e mais: queria ir buscar o Bentley sem dar nas vistas. O Bentley que a sua Stella lhe vendera.

Entretanto, a recuperar de uma curta noite de sonhos agitados, a inspectora espumava de frustração: pior do que um quarto espeluncoso era acordar sem poder dispor do sagrado direito a um café. O mundo era uma desordem sem cafeína... Enquanto tirava do seu fiel estojo de emergência o milagroso concealer da Bobbi Brown (um, dois, três pequenos toques e adeus olheiras) ouviu o ruído ronceiro de um aspirador e de um salto já estava à espreita, a meio do corredor da pensão. Viu-a logo, à escrava do lar, vestindo uma farda de duvidoso asseio. Chamou-a, e nada. Decidida, aproximou-se, desligou o indolente Hoover do tempo da guerra de 14 e disse-lhe, sem rodeios:

Bom dia! Preciso urgentemente de um café duplo. Pode ir buscar-mo? – desferiu, enquanto lhe metia no bolso uma nota de 5. Atarantada, a rapariga retorquiu: – É p’ra já! M… m… mas vai chegar morno! – Não faz mal, é mesmo assim que eu gosto! Enquanto a empregada galgava as escadas, ainda lhe disse: E que venha bem servido, ouviu?

Entrou no quarto poeirento e ouviu o telemóvel. Enfim, o mundo parecia estar a compor-se! O visor piscava: “Paulo a chamar, Paulo a chamar”. Pronto, está bem… nem que fosse o mundo a normalizar-se pela mão dos chefes (jamais perceberia como chegara ele a coordenador de equipas especiais.... só mesmo à força da lei das calças. Ou seria a lei do avental…?) Tinham-se despedido zangados.
Paulo… então? – Helena, minha inspectora de eleição! Como estás tu?Péssima! Vou regressar ao Ministério Público, estou farta disto…

– Calma, minha cara! Porquê tanto azedume?O meu sentido de missão não suporta tanto, e tu não me dês sermões, sabes? Estás onde? No jogging da marginal, com a tua querida? – Helena… eu vinha justamente dizer-te que bem perto daí tenho uns amigos que te vão receber nos próximos dias, podes largar isso. Vais até Alvito e é logo na povoação a seguir: Vila Nova da Baronia. Ah, e não te esqueças de jantar no 'Camões', ouviste? Uma tasca imperdível!

– Hum...

– Mas o mais importante é que tenho dados novos: as amostras do cadáver seguiram para a 'Base Nacional de ADN'. Em breve teremos respostas sobre a identidade da vítima.

Boa, Paulo! Uma luz de civilização, enfim!

Desligou, procurou na lista “INML” (Instituto Nacional de Medicina Legal, 239854230) e perguntou: Posso falar com o Prof. Tiago da Veiga? – Não está, minha senhora – E sabe a que horas posso ligar para o encontrar? – Ele está no Kosovo, só deverá regressar a Coimbra dentro de três dias, mas se quiser…
Não queria e desligou, indelicadamente. Preferiu telefonar-lhe:Tiago? Olá… Helena Portas! Bem, Helena Cunha, tu sabes. Vou ser rápida:

Podes dar prioridade aos resultados dos testes de ADN de um suspeito meu? Por favor!, senão dou em doida! Não é só uma questão de celeridade processual, é que nem imaginas: estou em plena vila das Mónicas, no meio de um deserto na planície, tenho uma família de cromos para interrogar que não encaixa em nenhum perfil psicológico e... pura e simplesmente não sou Miss Marple, percebes? Este St. Mary Mead português vai dar comigo em doida!

– Vou tratar disso, Helena. descansa. Quando nos vemos?

E eu sei lá, Tiago...  Estás mais por Lisboa do que eu, marca.

Fechou a pequena mala, prescindiu de puxar a asa telescópica para quê? e desceu:

Quanto devo? – Quarenta euros.

Abafou um riso.Olhe, pegue 41 e mande arranjar a máquina do café, faça uma quotização entre os seus hóspedes…

– Oh, também não temos cá mais ninguém: só o Sr. Sebastião Cosme (mas é segredo...) e o Senhor Fernando Justo Cusca, das Finanças…
E antes que me esqueça: deixaram uma carta para si, Inspectora. Aí tem.

Helena saiu, enfrentou o sol impenitente e o cheiro provocador dos jasmins a cobrir a sacada da pensão, toda em barras azuis. Estivesse ela em férias e...

Abriu a carta e leu, numa caligrafia encadeada e elegante, bem pouco ao gosto português, o seguinte:

– Não se deixe levar. Os medalhões não são iguais. Atente na palavra “memoriam” no verso da foto, e, se pegar numa lupa, na letra “O” do medalhão verdadeiro verá em pontilhado uma outra palavra: Cosmus.

 

(Este é o décimo quinto capítulo do nosso 'cadavre exquis', desenvolvido aqui. O próximo criador é o Luís M. Jorge.)

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As canções do século (879)

por Pedro Correia, em 28.05.12

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 28.05.12

Ao Traço de Luz.

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O tempo e as casas

por Helena Sacadura Cabral, em 27.05.12

 

Há casas que nos marcam. Outras, nem tanto. Vá-se lá saber porquê, a casa do meu Pai marcou-me muito. Tal como a dos meus avôs.

Há dias fui à Baixa que, para mim, está irreconhecível. Desapareceram lojas que eu conhecia, apareceram outras que nem suspeitava que existissem naquelas bandas e mantiveram-se umas quantas que perderam muito do atractivo, do cheiro, da magia que antes possuíam.

As velhinhas retrosarias, algumas leitarias, umas poucas sapatarias ainda lá estão. Mas o que há trinta anos era chic apresenta, agora, um ar deslocado de loja de província.

Parei na Rua de S. Julião, onde vivi dos doze anos até à maioridade. O prédio e a placa evocativa de Chaby Pinheiro ainda lá estavam. Algum comércio também. Mas tudo parecia diferente. Não porque tivesse mudado  a arquitectura. Mas porque o aspecto exterior envelhecera e, sobretudo, o meu olhar já não era o mesmo.

É verdade que o passado muda muito, quando visto com os olhos do presente...

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Sabedoria popular.

por Luís M. Jorge, em 27.05.12

À espera dos comentários do professor Marcelo, lá papo uma reportagem da TVI sobre a educação d'antanho. Vinte ou trinta carquejas com o diploma da quarta classe recitam títulos das obras de el rey Duarte e feitos da dona Barbuda de Guimarães. O subtexto da coisa é cristalino: os meninos antigamente sabiam mais que os doutores agora, e tal.

 

Esta entronização da parolice é a moda da saison desde que o ministro Crato decidiu apresentar às criancinhas as virtudes da lavoura. Pouco importa que os jovens de 2012 saibam programar em PHP e JavaScript, que conheçam países sem entrarem neles a salto e dominem razoavelmente o inglês: para milhões de pategos lusitanos, muitos deles atarantados com os comandos da TV, a única educação que presta é a de Oliveira Salazar.

 

E isto seria apenas grave, se alguns não estivessem no Governo.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 27.05.12

 

«A Califórnia há muito que está falida, tal como o estado da Nova Gales do Sul, na Austrália, e ninguém fala do iminente colapso do dólar americano ou australiano. Ambos são estados numa federação, têm governo e capacidade de endividamento próprio mas não têm moeda própria. Penso que será o mesmo caso dos estados no Brasil e na Alemanha na altura do marco.
Diria mesmo que a falácia do "ai Jesus, se a Grécia vai à falência, o euro vai à vida" é uma das grandes razões para a actual fragilidade do euro. Infelizmente o que resultou da opinião pública e políticos europeus engolirem a propaganda de que o resgate do governo grego era fundamental para a protecção do euro foi o aumento da exposição dos bancos europeus à dívida grega. Agora sim, se a Grécia não paga, vemo-nos todos gregos. O peso da Califórnia para a economia americana é muito maior que a Grécia e Portugal, maior do que a Espanha e só ligeiramente menor do que a Itália em relação à Zona Euro e, como disse antes, ninguém anda para aí a dizer que o dólar vai desaparecer. Até à altura em que a Srª Merkel obrigou os bancos alemães a resgatar o governo grego, não havia razão para ir nessa conversa.
Quanto à ideia de que a moeda única é incompatível com uma Europa a duas (ou mais) velocidades, ou pelo menos com o desenvolvimento dos países menos desenvolvidos, duas palavras devem chegar: "reunificação alemã". Nem a absorção da Alemanha Oriental afundou o marco, nem o problema do leste da Alemanha pré-euro era ter a mesma moeda que Munique/Frankfurt/Dusseldorf.
Em resumo, nem a dívida de alguns estados-membros é condição suficiente para a morte do euro, nem a existência de uma moeda única partilhada por economias a velocidades é uma aberração (quase todos os países tem economias a velocidades diferentes).»

 

Do nosso leitor Vasco Baptista Mendes. A propósito deste texto do Luís Menezes Leitão.

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Um perfil de estadista

por José Navarro de Andrade, em 27.05.12

Piero della Francesca, retrato dos Duques de Urbino, 1472

 

Vê-se logo pela quebradura do nariz que é uma rica bisca este Federico de Montefeltro. Ou então aquele olho de globo saliente mas ao mesmo tempo semi-cerrado a tirar as medidas ao mundo, sabe-se lá se quezilento ou apenas desafiante.

Mas a pergunta é outra: que decisão foi esta de Piero Della Francesca de retratar Federico e sua mulher de perfeito perfil sem o favor de um três-quartos por mais ligeiro que fosse?

Piero Della Francesca era matemático, conhecia sem hesitação a geometria dos rostos e à época já a pintura dominava a perspectiva. Até parecia mal retratar os patrocinadores com tão pouca graça e garbo.

Sucede que Federico de Montefeltro se fez nada menos que Duque de Urbino por via do seu casamento com Battista Sforza, donzela que lhe foi concedida pela casa do seu apelido, a maior de Milão, onde punha e dispunha, e sem haver quem a superasse em toda a itálica, talvez só igualada no poderio pelos Medici de Florença.

Que terá então feito Federico para merecer tão distinto matrimónio? Ele era um indomável estadista à moda do seu tempo, ou seja, um cabo de guerra muito impaciente e vitorioso, passando a fio de espada quem se lhe atravessasse ao caminho. Donde a limitação de Piero della Francesca no seu retrato: é que por via do ofício, Frederico tinha o olho direito vazado e a metade dextra da cara amarfanhada numa continua cicatriz. Pelos visto não era assim, de chagas à mostra, para mais agora investido da sua nova dignidade ducal, que Federico gostaria de ser recordado. E se o condottiere ficava de perfil, também a sua esposa teve que caber no retrato em pose equivalente, aqui com 28 anos e a semanas de morrer no parto do seu 9º rebento.

Qual será a moral desta história? Provavelmente que as razões próprias da arte só vêm a seguir a outras mais fortes razões, um preceito ainda por invalidar mesmo já tendo passado o romantismo por cima de nós.

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A importância dos detalhes - 2

por Teresa Ribeiro, em 27.05.12

"Se há palavras que os jornalistas devem ter cuidado em usar, "pressões" é uma delas. Faz parte do jornalismo sofrer pressões. Sofrer e resistir. Denunciar só se for caso disso. Porque o que mais irrita quem pressiona é ser educadamente ignorado e ver a notícia seguir o seu caminho. Admito que se consiga fazer jornalismo sem sofrer pressões, mas não sei o que isso é. Sofremos pressões com frequência e não vale a pena armarmo-nos em heróis. A maior parte não tem valor para ser pregada ao peito. São pequenos arrufos ao pé do que se passa em tantos locais do globo, onde a liberdade da Imprensa é disputada no dia a dia" - Ricardo Costa, na edição de ontem do Expresso, demarca-se do coro de indignados, começando por afirmar o óbvio, sobre o caso das "pressões do Miguel Relvas" que diga-se, a cada dia que passa fica mais interessante.

Ontem chamei-lhe novela, mas depois de ler isto, acho que se começa a parecer mais com uma ópera bufa.

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Ai que se me falha a memória...

por Leonor Barros, em 27.05.12
Quando foi a última vez em Portugal que um Ministro se demitiu por:

• ter traído o seu elitorado?

• ter mentido ao eleitorado?

• ter quebrado a relação de confiança com o povo que o elegeu?

• ter visto o seu nome envolvido em situações obscuras?

• ter-se envolvido em situações constrangedoras?

• ter a hombridade de assumir a sua incompetência?

• considerar que um ministro deve estar acima de qualquer suspeita e ter um nome limpo?

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Leituras

por Pedro Correia, em 27.05.12

«Nada se sabe verdadeiramente antes de se ter amado.»

Julio Cortázar, Blow-Up e Outras Histórias

Edição Publicações Europa-América, colecção Livros de Bolso Europa-América, nº 394. Tradução: Maria Manuela Fernandes Ferreira.

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