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Os filmes da minha vida (39)

por Pedro Correia, em 31.03.12

 

O PADRINHO:

O CRIME ELEVADO A OBRA DE ARTE

 

Pauline Kael chamou-lhe "uma visão épica da corrupção da América": O Padrinho estreou-se há 40 anos, com aplauso simultâneo do público e da crítica, mantendo hoje o estatuto de obra-prima que adquiriu logo de início. Vincent Canby, no New York Times, foi certeiro na crítica de estreia ao definir este filme como "uma das mais brutais e tocantes crónicas do crime na vida americana desde sempre concebidas na esfera da cultura popular".

A interpretação de Marlon Brando, com os seus tiques adequados à figura de Vito Corleone, integrou-se na iconografia contemporânea, tal como a frase "vou fazer-lhe uma proposta que ele não pode recusar" - uma das mais célebres de toda a história do cinema - ou cenas como a da cabeça de cavalo, que valeu indignadas críticas ao realizador da parte de activistas dos direitos dos animais aparentemente indiferentes, por outro lado, à morte de mais de 30 personagens durante esta longa-metragem, que dura 178 minutos.

Aquela que deveria ser uma rotineira e banal fita de gangsters eleva-se ao estatuto reservado às óperas de Verdi graças a um jovem cineasta contratado em 1971 pelo patrão da Paramount, Robert Evans, que pretendia alguém que "pusesse cheiro a esparguete" no filme. Esse cineasta, Francis Ford Coppola, acabou por ser escolhido fundamentalmente pela sua condição de italo-americano depois das recusas de realizadores consagrados, como Arthur Penn e Peter Yates.

Não podia ter havido escolha mais acertada: Coppola filmou O Padrinho com o requinte de um virtuoso do espectáculo visual, contando com as colaborações modelares de profissionais como Gordon Willis, responsável pela extraordinária fotografia em que predominam deliberadamente tons escuros e frios, e Nino Rota, autor da inesquecível banda sonora que logo passou a ser trauteada no mundo inteiro. A sua determinação ficou bem evidente no vitorioso braço de ferro que manteve com Evans para a escolha de Marlon Brando no papel de Corleone numa altura em que nenhum magnata do cinema queria ouvir falar no intérprete de Há Lodo no Cais, famoso por ganhar muito e trabalhar pouco.

Mas Brando, que precisava de dinheiro, esforçou-se ao ponto de aceitar submeter-se pela primeira vez a um teste cinematográfico. A história desse teste - que levou o relutante Evans a confiar-lhe o papel principal do filme - entrou também na lenda de Hollywood: o actor (que viria a ganhar o Óscar) apareceu quase irreconhecível, com o cabelo escurecido com graxa para sapatos e as bochechas insufladas com lenços de papel.

Vários outros nomes sonantes do cinema americano chegaram a ser considerados para o papel de Corleone - de Edward G. Robinson a Ernest Borgnine, de Laurence Olivier a Orson Welles. Mas a interpretação de Brando é sem dúvida indissociável do êxito d' O Padrinho, que contou com vários outros desempenhos de grande nível - desde logo James Caan, Robert Duvall e o quase desconhecido Al Pacino, todos nomeados para o Óscar de melhor actor secundário.

Coppola filmou propositadamente à moda antiga, recorrendo à técnica em vigor nos anos 40 e 50, em que a acção decorre - um tempo em que o cinema americano praticamente não utilizava o zoom nem recorria por sistema a planos de corte sincopados nas mesas de montagem. Este virtuosismo técnico faz parte da magia intemporal d' O Padrinho, um filme sobre mafiosos onde a palavra Mafia nunca é proferida. Um filme que pertence ao imaginário de todos nós.

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O Padrinho (The Godfather, 1972). Realizador: Francis Ford Coppola. Principais intérpretes: Marlon Brando, Al Pacino, James Caan, Richard Castellano, Robert Duvall, Sterling Hayden, Diane Keaton, John Cazale, Talia Shire.

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Nossos (8)

por Helena Sacadura Cabral, em 31.03.12

 

 Beatriz Batarda, uma excelente actriz

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Nossos (7)

por Helena Sacadura Cabral, em 31.03.12

 

 Paulo Pires, modelo, actor, empresário

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O meu gato e eu

por Teresa Ribeiro, em 31.03.12

Dorme como se não houvesse amanhã. Deviam inventar pílulas de gato para as insónias.

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Fotografias tiradas por aí (35)

por José António Abreu, em 31.03.12

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Acordo burrográfico (40)

por Pedro Correia, em 31.03.12

- Deseja fatura?

- Uma fartura agora não, obrigado. O jantar estava óptimo.

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Não seria o suposto alegado?

por João Carvalho, em 31.03.12

«O alegado suspeito (...)»

Repórter sobre um duplo homicídio, no Bom Dia Portugal, RTP1

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Tema para Palin e piano

por José Navarro de Andrade, em 31.03.12

Henry Hey não é o pianista de jazz mais famoso da actualidade, nem o mais interessante, nem o mais inovador; mas como grande parte dos jazzmen dos nossos dias, tem um domínio seguro das formas musicais.

Sarah Palin é um bocado desligada, em vários sentidos da palavra, nenhum deles abonatório. As suas falas são por isso desconexas, como se estivesse a descobrir as respostas no preciso momento em que lhe fazem as perguntas. Tornou-se por isso uma especialista em calinadas abissais, que depressa se transformam em catch frases ou em T-shits

O que Henry Hey fez foi capturar as precipitadas inflexões rítmicas e harmónicas do discurso de Palin e compor com elas uma peça de piano ao correr das suas alocuções. Não saiu uma obra-prima, nem isso se esperava, mas não deixa de ser brilhante. Ou intrigante. Não é um trabalho recente, embora seja de todo inédito em Portugal.

 

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As canções do século (821)

por Pedro Correia, em 31.03.12

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Adeste Fidel

por Rui Rocha, em 30.03.12

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Florença (foto José Bandeira)

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Bom fim-de-semana!

por Ana Vidal, em 30.03.12

Um exemplo da nova (e excelente) música que se faz por cá. A letra lembrou-me aquela célebre frase do Dumas: "Há mulheres que gostam tanto dos maridos que, para não os gastarem, usam os maridos das outras."

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Branco-cru

por João Campos, em 30.03.12

Para travar a "desqualificação do espaço público" da Baixa, os vereadores definiram um conjunto de "critérios orientadores", segundo os quais as esplanadas devem ter toalhas de mesa "de cor única", chapéus de sol "em lona na cor branco-cru", menus que "não ultrapassem o formato A4" e porta-guardanapos "em aço inox".

 

Pois eu cá mandaria pintar o país todo de branco-cru. Ficava mais bonito. E uniformizado.

 

No entanto, fica a pergunta: quais foram os critérios orientadores que os iluminados vereadores da CML definiram para a indumentária dos traficantes vendedores ambulantes de droga da Rua Augusta? Também será "de cor única"? "Branco-cru", querem ver? E a droga, vai ser devidamente acondicionada em "aço-inox" ou pode continuar a ser traficada vendida enrolada em celofane de qualidade duvidosa?

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Meteorolítica

por Rui Rocha, em 30.03.12

Efeitos do congresso do PSD: nuvem de poeira com origem no deserto atinge Portugal até segunda-feira.

 

Efeitos da situação interna no PS: aguaceiros, trovoadas e possibilidade de granizo a partir desta sexta-feira.

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Aplauso e reconhecimento.

por Luís Menezes Leitão, em 30.03.12

 

Quero aqui manifestar o meu aplauso e o meu profundo reconhecimento a José Ribeiro e Castro por ter votado coerentemente na defesa de Portugal, ao rejeitar uma inenarrável proposta de abolição do feriado do 1º de Dezembro. Nasci com esse feriado a ser comemorado, aprendi na escola primária o heroísmo dos conjurados que acabaram com a submissão de Portugal a um rei estrangeiro, e desejo morrer com esse dia a continuar a ser feriado em Portugal. Se há deputados que aceitam colocar o Parlamento que integram — e que é o representante da soberania do país — a praticar tão escandalosa afronta aos valores nacionais é um problema deles. Mas para a História ficará que nestes tempos difíceis de falência e submissão ao estrangeiro houve pelo menos um deputado a declarar no parlamento que para ele a comemoração da independência de Portugal não é uma celebração vã. Neste triste dia, em que os deputados decidiram pôr a independência de Portugal entre parênteses, só a posição coerente e corajosa de Ribeiro e Castro merece aplauso. 

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Delito breaking news

por Rui Rocha, em 30.03.12

 

Ribeiro e Castro pode ser o primeiro português despedido devido à reforma das leis laborais.

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Piano Bar

por Laura Ramos, em 30.03.12

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Acordo burrográfico (39)

por Pedro Correia, em 30.03.12

- Então nunca mais escrevem essa ata?

- Pois. Não ata nem desata.

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Strauss-Khan dixit?

por Ana Vidal, em 30.03.12

A notícia é da Lusa - imagine-se a importância - e o i, é claro, pegou-lhe de imediato. Compreende-se: vender jornais, nos tempos que correm, justifica (quase) tudo. E não é só isso. A Europa transformou-se numa fonte de dramas económicos sem graça nenhuma e há que manter, ao menos de vez em quando, a opera buffa em palco a bem da nossa sobrevivência mental. Mas enfim, já nos insultam tanto a inteligência com o dia-a-dia que escusavam de impingir-nos notícias idiotas deste calibre como se fossem sérias. Não só o "estudo" não tem pés nem cabeça, como até mete os ditos pelas mãos nas conclusões, porque afinal quem parece ficar a perder nos kamasutras são os moderados em relação aos extremistas de ambas as barricadas ideológicas, se é que elas ainda existem.

 

Ou então foi Mr. Strauss-Khan quem encomendou a sondagem, para manter em alta a sua preciosa fama de Casanova. O que também se compreende, já que as ambições políticas lhe sairam furadas por excesso de líbido.

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Os Meus Carros (5)

por João Carvalho, em 30.03.12

 

O Citroën Ami 6 Break Confort era ronceiro e de baixos consumos, em contraste com os Prinz 1000 anteriores lá de casa.

Creio que foi aí pelos finais da década de 60. Era branco-sujo, com estofos pretos. Tinha o seu quê de divertido, isso o Ami 6 tinha, e aquela versão Break era muito mais parecida com um automóvel normal do que a versão Berline, cujo estranho corte do óculo traseiro não contava com uma aceitação que pudesse considerar-se razoável: os poucos adeptos constituíam a explicação óbvia para haver muito mais Breaks do que Berlines.

 

 

 

Porém, o Ami estava longe de ser perfeito, mesmo no seu estreito segmento. Lembro-me perfeitamente, por exemplo, de não haver qualquer justificação (excepto o da gaffe de concepção) para a dureza do pedal do acelerador. A força desmedida requerida pelo acelerador contrastava escandalosamente com a velocidade vertiginosa que o carro se recusava a atingir, por muito que lhe pedissem para andar mais um bocadinho.

A abertura horizontal das janelas era outro problema, porque o arejo permitido no interior, se necessário, mostrava-se totalmente insuficiente. Este problema, associado à capota em fibra de vidro (característica de outros Citroën, como os prestigiados "Boca-de-Sapo"), tornava o habitáculo infernal, quando o carro ficava sob o sol do Verão.

Recordo-me que a minha irmã mais nova, numa dessas situações, esteve à beira de uma insolação que só por um feliz acaso não terminou em drama — mas pouco faltou — quando estávamos parados na estrada à espera da reabertura de uma cancela dos caminhos-de-ferro.

Enfim: naquela época, foi um carro bem diferente, entre todos os que passaram lá por casa.

 

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Previsões do BdP

por Helena Sacadura Cabral, em 30.03.12

 

O Boletim Económico do Banco de Portugal reviu ontem, em baixa, as previsões para a economia nacional, a qual se admite que recue 3,4% este ano e que estagne no próximo.

O factor  que mais contribuiu para esta revisão foi a crise da zona euro, que pode deixar marcas mais profundas do que as esperadas no comércio externo português

De facto, as exportações são, em simultâneo, a maior esperança e o maior risco  da economia portuguesa e o Banco de Portugal (BdP), admite uma baixa na sua previsão para as vendas ao exterior.

O nosso país tem tido nas exportações,  o seu grande suporte e é com elas que terá de contar para que, em 2012, a economia não recue mais.

Este ano, "as exportações deverão manter um contributo determinante para sustentar a actividade, ainda que se anteveja um significativo abrandamento face ao crescimento robusto observado em 2011", diz o BdP, explicando que tal se deve à "deterioração marcada das perspectivas de evolução da procura externa". 

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 30.03.12

 

Cécile Duflot

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Egoísta vencedora

por Patrícia Reis, em 30.03.12
Egoísta

Tinha uma coisa para dizer e não disse. Não faz mal.

A Egoísta ganhou o prémio Ouro para cratividade e inovação na comunicação em papel com a edição dedicada ao tema Viagem e, para terminar em beleza, ganhou um dos 4 Grandes Prémios da Noite. Foi bonito. Obrigada à Estoril Sol por acreditar há 11 anos numa revista de curtas ficções e portfolios de artistas. Esta foi mais uma edição dos prémios da Meios e Publicidade.

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As canções do século (820)

por Pedro Correia, em 30.03.12

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Retratos(3): Le donne della signoria

por Ivone Mendes da Silva, em 29.03.12

(Pronto, é o último post da série.)

 

Ao abrir a pasta, na qual vou guardando imagens nos dias em que tomo a séria resolução de ser uma pessoa arrumada, vi alinhadas algumas das Médicis pintadas por Bronzino. Uma galeria de mulheres mortas pela doença, pelo poder, pelo turbilhão das muitas razões para morrer na Florença medicea.

Quando Bronzino se torna o pintor favorito de Cosme, os retratos oficiais, os retratos com vestidos de corte, as poses hieráticas começam a encher as paredes do pallazzo. Ei-los, sem ordem cronológica, retirados deste meu sótão virtual. Sacudi-lhes um pouco o pó, apenas.

 

 

 

Bia dos Médicis, filha bastarda de Cosme. A mãe, ninguém sabia quem era a não ser Cosme e, ao que se dizia na época, a mãe dele, a poderosa Maria Salviati. Quando Cosme se casa com Eleonora de Toledo, a jovem esposa desagrada-se da presença da criança no palácio e o marido envia-a para junto da avó, para a Villa di Castello. Morre aos seis anos e Cosme encomenda a Bronzino este retrato póstumo, feito a partir de outros retratos ou da máscara mortuária. Não é um retrato oficial, é um retrato para os aposentos íntimos, para o olhar do pai. O pintor imaginou-a séria, gravezinha nas suas pérolas, de seda branca, ela que, provavelmente se chamaria Branca ( Bianca), daí o Bia afectuoso.
 
De Eleonora de Toledo, o retrato mas conhecido é este que já mostrei lá mais para baixo. Há, todavia, um outro que me agrada bastante.
 

 

É Eleonora recém-chegada e tudo nela prenuncia o outro retrato em que a segurança da senhora de Florença atingiu a sua plenitude. O vestido é de um encarnado belíssimo, bordado a bouclé de ouro, e no encaixe dos ombros dispõem-se geometricamente pérolas que Eleonora também usava nos brincos, na rede que prendia o cabelo. Bronzino gostava de pintar as mãos à altura do peito: as mãos esguias com anéis pesados, até parecem ali estar casualmente, quando nada é casual nestes retratos.

 

Quero, também mostrar estoutro de Isabel, a do post anterior a este.

 

 

É, ainda, uma Isabel muito nova, com encaixe de renda no vestido e olhar firme. Parece-se com a mãe, mas o ruivo florentino dos cabelos e o sorriso contido mostram os genes de Cosme e da avó, Maria Salviati, com quem diziam que se parecia no carácter e no gesto.

 

Lucrécia tinha tanto de fragilidade quanto a irmã de força.

 

 

A outra das filhas de Eleonora e Cosme, estudou, como os irmãos, grego, latim, música, literatura. Estudou, mas não deve ter aprendido grande coisa porque os autores referem que os seus talentos não iam mais além do que escrever uma carta. É uma menina muito bonita e muito triste. Aos 13 anos, casam-na com Afonso II de Este. Dois ou três dias depois do casamento, o marido parte para a corte de França, onde tinha relações familiares, pois era filho de Renata da França, e de onde só regressa após a morte do pai, para receber o título de duque de Ferrara. Alguns meses depois manda chamar a duquesa sua mulher. Lucrécia chega a Ferrara mergulhada numa profunda melancolia. Nem os acordes do Te Deum celebrado em sua honra na catedral a animam. Alta, muito magra, muito triste, a duquesa de Ferrara definha nos seus 16 anos. Cosme manda, de Florença, Andrea Pasquali, o médico de confiança, mas a morte de Lucrécia é inevitável. De tuberculose, muito provavelmente.

Foi sobre este retrato, sobre a triste beleza de Lucrécia de Cosme dos Médicis, duquesa de Ferrara, que Robert Browning escreveu o seu poema My last duchess, aquele poema que começa "That's my last Duchess painted on the wall / Looking as if she was alive." É uma fala de Afonso, frio e calculista, que se dirige ao embaixador Nikolaus Mardruz, após a morte de Lucrécia, para negociar o casamento com  Bárbara da Áustria.

 

Outro retrato, ainda. Outro de Eleonora, ainda de Bronzino.

 

 

Ela continua  a gostar de pérolas, mas envelheceu. Envelheceu como se envelhecia naquela época. Eleonora morreu com 40 anos e este quadro foi pintado um ano ou dois antes de  a malária chegar. O colo cobre-se de rendas, não há anéis pesados nos dedos, apenas um lenço na mão enluvada. Uma senhora idosa.  

 

(mini-série republicada com supressões e alterações)

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Imagem que marca (1)

por André Couto, em 29.03.12


29M - Huelga General

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E no entanto temos 1230 km de costa

por Teresa Ribeiro, em 29.03.12

A frota pesqueira portuguesa só captura cerca de 1/4 do peixe que consumimos, o resto tem de ser importado para não se exceder a quota que a UE nos impingiu, lembra um relatório hoje divulgado nos jornais. Os donos da UE, sempre tão lestos a apontar os nossos vícios de governação, esquecem, como é óbvio, as responsabilidades que também tiveram no desconcerto da nossa economia, obrigando-nos a desmantelar boa parte da nossa frota e a abrir mão do nosso pescado, um dos melhores do mundo e uma das nossas grandes riquezas. Na agricultura os efeitos das políticas comunitárias também foram devastadores, condenando algumas espécies autóctones, hortícolas e frutíferas, à extinção. 

Como eu gostava que os nossos queridos mentores da Europa civilizada fossem confrontados com isto, quando se discutisse mais uma vez a ajuda a Portugal. Era mesmo fish!

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Acordo burrográfico (38)

por Pedro Correia, em 29.03.12

- Qual o setor mais dinâmico?

- É o setor de inglês. Sem qualquer dúvida.

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O Sr. Marques no Centro Comercial

por José António Abreu, em 29.03.12

O Sr. Marques aprecia centros comerciais. Raramente lá compra alguma coisa mas gosta de deambular pelos corredores e de sentar-se nas zonas de restauração, observando as pessoas. Na verdade, é mais as mulheres mas ele considera que está a observar «as pessoas». Às vezes pensa que o interior dos centros comerciais é o local onde melhor se analisa a vida moderna. Um local onde toda a gente se encontra no mesmo plano e pode cobiçar e tocar em milhares de coisas. A vida actual é feita de cobiça, pensa o Sr. Marques enquanto suspira perante a visão de uma mulher de traseiro empinado parada em frente à montra de uma sapataria, e os centros comerciais são o local onde ela pode ser expressa de forma mais subtil e democrática. São também um local onde exemplares díspares do ser humano podem ser vistos sem parecerem assim tão diferentes entre si. Hoje, por exemplo, o Sr. Marques ficou igualmente encantado ao ver uma quarentona de fato justo, saltos altos e colar de pérolas movendo-se em passo saracoteado e uma rapariga mal saída da adolescência com um vestido leve, umas botas pesadas e três piercings no nariz esparramada num dos sofás. Há ambientes em que tanto uma como outra pareceriam deslocadas. Num centro comercial, ambas se podem sentir à vontade.

O Sr. Marques encontra-se agora sentado na zona dos restaurantes, cansado de tanto raciocínio – mas não de observar as pessoas. Numa mesa próxima, uma pessoa do sexo feminino com cerca de vinte e cinco anos de idade troca mensagens no telemóvel. Veste uma blusa fina e decotada e um soutien que deve ser de um número abaixo do adequado porque lhe deixa um mamilo quase inteiramente à vista. O Sr. Marques olha e pondera se deve tentar não olhar. Procura também imaginar a reacção dela se, simpaticamente, a avisar do descuido. Está absorto a elaborar uma lista mental de prós e contras quando uma segunda mulher chega junto da primeira, se inclina para a beijar e, enquanto se senta, diz: «Tens a mama à mostra.» A outra encolhe os ombros. «Ora, sempre alegra a vida a alguns coitados.» Primeiro o Sr. Marques sente-se ofendido. Chega mesmo a pensar: «Cabra!» Mas depois percebe que a rapariga acaba de lhe dar autorização para continuar a olhar. E assim, já sem disfarces, o Sr. Marques deixa-se ficar entretido a olhar para o mamilo, que é largo e pouco saliente e está rodeado por uma auréola rosada e ligeiramente granulosa. A certa altura, o olhar dele cruza-se com o da rapariga e o Sr. Marques permite-se mesmo sorrir com descontracção. Só então ela parece incomodada. Empurra a mama para dentro do soutien, pega na mala com a mão que o telemóvel deixa livre e diz para a outra: «Olha, vamos mas é andando.» O Sr. Marques observa-lhe o movimento das ancas enquanto ela se afasta e depois fica lá, sorrindo de vez em quando ao relembrar o acontecimento.

 

(Também aqui. Este é o terceiro episódio das, hmmmm, «aventuras» do Sr. Marques. Os outros dois podem ser lidos aqui.)

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Pára com isso, Millôr, vai

por Bandeira, em 29.03.12

A Cioran, o homem que elevou o pessimismo à categoria de arte, perguntaram certa vez por que razão, se a vida lhe era assim tão insuportável, não acabava com ela de uma vez por todas; ele respondeu, com o habitual pessimismo, que “do outro lado” era capaz de ser ainda pior.

 

Se pode ser ainda pior, sei lá eu se não é pelo menos um pouco melhor. Daí não ser dado a homenagens póstumas. O falecido passaria a eternidade a gozar-me, repetindo o meu discurso enternecido para depois rir muito por nunca me ter devolvido aquele dinheirinho que me devia e tal. Desta forma poderei olhá-lo nos olhos – ou em lá o que é que sobra nessas circunstâncias, Santo Agostinho e São Tomás de Aquino não são completamente coincidentes no assunto – e dizer “Eu sabia que você estava a brincar” e rir-nos-emos muito e faremos libações, porque nesse outro mundo os comuns dar-se-iam com os génios e vice-versa.

 

A excepção é, naturalmente, Millôr: imagino que ele odiaria sentir-se homenageado por mim. E depois, tenho em incomum com ele (em Millôr nada havia de comum) o facto de termos trabalhado para o mesmo vespertino português, o Diário Popular, com a distância temporal de mais de uma vintena de anos. Claro, ao passo que ele fazia aumentar as vendas, eu estive presente no enterro do diário – mas qualquer responsabilidade que eu pudesse ter nisso já caducou, vire para lá esse seu olhar de vampiro.

 

Para terminar (antes que me torne mesmo, mesmo sentimental): o meu exemplar de “Millôr Definitivo – A Bíblia do Caos” foi comprado na Poesia Incompleta, que como todos sabem acaba de fechar.

 

Como Millôr: sem dívidas.

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Da minha língua

por Ana Vidal, em 29.03.12

Da minha língua vê-se as consoantes mudas, os hífenes e os acentos. Porque da minha língua se vê o mar.

 

 

(a partir de Vergílio Ferreira, autor da mais bela definição da língua portuguesa)

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A Lusa "afetada"

por João Carvalho, em 29.03.12

Sobre os voos de hoje que a TAP teve de cancelar por causa da greve em Espanha, a Lusa noticiou não estar previsto «que haja passageiros afetados, uma vez que foram contactados para alterarem os seus horários de viagem». Não será que a Lusa queria escrever "afectados"? Ou seria "contatados"?

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Transportes públicos? (62)

por João Carvalho, em 29.03.12

 

É raro um transporte levar gente mais à frente do que o motorista...

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Eduardo Prado Coelho

por Patrícia Reis, em 29.03.12

Eduardo Prado Coelho faz anos hoje. Já cá não está e faz falta. A homenagem faz-se hoje, a partir das 14h30, na Casa Fernando Pessoa, numa maratona de leitura de vários textos da sua autoria. Para matar saudades.

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Happy birthday...

por João Carvalho, em 29.03.12

 

... André Couto!

Grande dia, grande ano, grande abraço!

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As canções do século (819)

por Pedro Correia, em 29.03.12

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A brincar ou a sério?

por José Navarro de Andrade, em 28.03.12

Portugal sempre foi um país extraordinariamente violento.

Para não ir mais atrás, em 1807 participámos com brio na Guerra Peninsular, sendo que não houve por cá um pintor à altura de Goya para desenhar a carvão o que fazíamos aos franceses que se atrasavam da coluna. Seguiu-se uma assanhadíssima guerra civil que demorou a extinguir. Mesmo depois de assinado Évora-Monte, continuava o país a ser uma charneca fora de portas das cidades, com Brandões, Remexidos e outos bandoleiros que tais a ditar a lei do punhal onde lhes aprouvesse.

A coisa pareceu acalmar no último quartel do séc. XIX, mas foi só para tomar balanço. No curto período de 13 anos, entre 1908 e 1921 foram assassinados um Rei, um Presidente, um Primeiro-Ministro (António Granjo), um herói nacional (Machado Santos) e 2 Ministros, os 4 últimos na Noite Sangrenta. Fora alguns ajustes de contas avulsos, como o caso do Senador José João de Freitas que em Maio de 1915 tentou matar a tiro num comboio o Primeiro-Ministro indigitado João Chagas, mas acabou linchado pelos populares no Entroncamento. Um palmarés destes, nem nos famigerados Balcãs.

Seguiu-se o Estado Novo, que até foi levezinho em crimes de Estado, se o medirmos com os seus congéneres ditatoriais: Espanha e Grécia, por exemplo, para não falar dos pequenos fascismos que medraram à sombra de Hitler e Mussolini, como a Hungria, a Roménia, a Bulgária, Vichy, a Croácia dos Ustase ou a Sérvia de Nedic.

Manhoso como só ele, Salazar trocou os fusilamentos políticos e o derrame de sangue nas ruas, à maneira do Chile, da Argentina ou do Uruguai, por safanões num vão de escada. E fez pior, muito pior: destilou a ideia de sermos um povo de brandos costumes. Uma falácia que foi ganhando raízes ao mesmo tempo que durante mais de 10 anos, os mancebos de Portugal passavam os primeiros anos de adultos em África, a praticar brandas e discretas sevícias nos autóctones.

Desculpem o meu francês, mas brandos costumes my ass. Por isso não deixo de ficar estupefacto quando vejo umas correrias no Chiado, com uma polícia aparvalhada, uns rapazolas a menearem-se diante dela em danças tribais, um par de esplanadas de pernas para o ar a dar cabo do turismo e – agora é que não percebo mesmo – uns esganiçados a berrar “fascistas” – a sério?

Querem fazer isto como deve ser, à antiga portuguesa? Ponham então os olhos nos coreanos ilustrados abaixo. Senão será melhor ficarem em casa. Agora assim, com esta mariquices, só demonstram a póstuma e perene vitória do espírito salazarista.

 

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O humor de Millôr

por Ana Vidal, em 28.03.12

 

Millôr Fernandes

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Quando a realidade entra no domínio da ficção

por João Campos, em 28.03.12

Isto de não querer ferir susceptibilidades - quaisquer que sejam - começa a tornar-se tão ridículo que já nem dá vontade de rir:

 

The word “dinosaur” made the hit list because dinosaurs suggest evolution which creationists might not like, WCBS 880′s Marla Diamond reported. “Halloween” is targeted because it suggests paganism; a “birthday” might not be happy to all because it isn’t celebrated by Jehovah’s Witnesses.

 

(via Blasfémias).

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Cadáver esquisito (6)

por Patrícia Reis, em 28.03.12

1. UM LIVRO, 2. CA...... SARKIS G........N, 3. OLHOS4. ESCAVAR, 5. IN VINO VERITAS

6

TO THE LEFT, AS PERNAS DE STELLA

 

João Cosme, por princípio, não gostava de fazer nada sozinho. A ideia aterrorizava-o desde miúdo, é certo. Coisas da cegueira, sim, um psiquiatra tinha explicado e dado o aval à sensação. Ter esse temor – a solidão – certificado por um médico, dava-lhe um certo conforto. Lembrou-se, de repente, de Vivelinda. Ela saberia o que fazer, mesmo sendo analfabeta. Era ela ou a imagem dela que lhe surgia quando o chão parecia estar incerto.

 

Cosme suspeitava de muito, sabia, porventura, pouco, mas acreditava que Vivelinda tinha um poder qualquer. Encarou Eduardo com uma certa frieza. Uma frieza de cabeça. Sim, podia ir sozinho, não fazia mal.

 

Mas primeiro haveria de tratar dos desejos de Stella, aquelas pernas à sua espera, ele a tactear, cego de outra natureza.

 

- Ó Lord! João, João, não me vejas, mas toca-me, sim, aí mesmo, um pouco mais à esquerda. To the left, to the left. 

 

Não olhando para a enorme cicatriz de Stella, ignorando essa pele enrugada, fruto de maus tratos ou má vida, Cosme não saberia dizer, aguardaria pelo momento do orgasmo – um ou dois, no caso dela. Sexo, puro e duro, no sossego da aldeia, sempre na esperança de que alguém possa ouvir e relatar, admitia interiormente, com um certo prazer. Isso, isso teria a sua graça. Sobretudo se o rumor chegasse aos ouvidos de Eduardo. Ele, um homossexual disfarçado. Lamentável, diria Vivelinda. O raio da mulher sempre presente, até nos pensamentos eróticos de João Cosme.

 

(Este é o sexto capítulo do nosso 'cadáver esquisito', explicado aqui. A próxima mão a embalar o cadáver é do Fernando Sousa.)

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Millôr Fernandes

por João Carvalho, em 28.03.12

 

27 de Maio de 1924 – 27 de Março de 2012

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Os meus heróis não fumam ganza

por Rui Rocha, em 28.03.12

Não nos enganemos. A crítica a uma acção policial pode ter diversos pontos de partida. Aquele em que me coloco é o da defesa do estado de direito democrático. Sob este prisma, uma actuação policial será criticável sempre que se situar à margem da legalidade ou violar os princípios da proporcionalidade e da adequação à ameaça que pretende prevenir ou mitigar. Se tal acontecer, a crítica deve ser radical e o apuramento de responsabilidades, com as respectivas consequências, é um imperativo. Neste contexto, a crítica e a responsabilidade são a melhor defesa, em rigor a única, dos fundamentos do estado de direito e da própria polícia. Posição bem diferente é, todavia, a daqueles que, por princípio, atacam a actuação policial em qualquer circunstância. E que aproveitam os erros das forças da ordem para minar a sua credibilidade e limitar (ou esvaziar) a sua capacidade de intervenção. Pretendem uma sociedade sem regra e sem lei. Ou melhor dito, querem substituir a ordem vigente por uma outra, a sua, muito mais tenebrosa. Com estes, naturalmente não alinho. Nem com aqueles outros que encontram modo de vida em fumar umas ganzas, beber umas cervejolas e mandar umas bocas e umas cadeiras à bofia. Os meus heróis não fumam ganza. Ou, se fumam, não são meus heróis por fumarem ganza, mas por fazerem outras coisas que valorizo. E os meus heróis também não são papagaios que, debaixo da penugem da falsificação intelectual, escondem a vontade de nos encurralar em sistemas totalitários ou na anarquia. Esta parece-me ser a matriz de leitura correcta para os acontecimentos do Chiado, para as novas imagens que vão sendo divulgadas e para as múltiplas reacções a que temos assistido nos últimos dias.

 

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Acordo burrográfico (37)

por Pedro Correia, em 28.03.12

- Sentes-te afetada?

- Sim, tenho aftas.

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Transportes públicos? (61)

por João Carvalho, em 28.03.12

 

Ao contrário do que consta, uma limousine pode ser um transporte adequado. Especialmente se for o último...

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Pronto, o fracasso subiu-lhe à cabeça

por Rui Rocha, em 28.03.12



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A Lusa encarregada

por João Carvalho, em 28.03.12

«A deputada encarregue de dar o parecer sobre a revisão do Código do Trabalho, a 'bloquista' Mariana Aiveca, considera que a proposta do Governo "não reúne os requesitos (...)" » A notícia da Lusa também não reúne os requisitos: é "encarregada" que se diz, não é "encarregue".

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As canções do século (818)

por Pedro Correia, em 28.03.12

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Pensamento de final de dia

por José António Abreu, em 27.03.12

Manter o desinteresse cansa mais do que manter o entusiasmo mas a fiabilidade dos resultados é muito superior.

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O Senhor D. Manuel II e o Mendonça

por João Carvalho, em 27.03.12

 

Foi a 4-12-1909, conforme se lê. O Rei de Portugal acaba de regressar de uma viagem a Inglaterra.

Esta entrada em Lisboa de comboio pode indicar que um grupo em torno de Sua Majestade tinha arranjado tempo (naqueles primeiros dias de Dezembro que nunca foram os melhores para ir dar uma volta ou preparar alguma caçada) para um encontro recatado, talvez para pôr o monarca a par das maquinações republicanas durante a ausência — uma ausência que serviu para um encontro (premonitório?) entre D. Manuel II e Eduardo VII.

No momento da foto, estão à vista o conde de Mafra Thomaz de Mello Breyner, o visconde de Asseca, el-Rei D. Manuel II e o conde de Sabugosa.

Nesse preciso instante, o ministro Mendonça e o secretário Campos tinham entrado numa das carruagens para contactar o pessoal de serviço, a fim de saber se a composição não seria capaz de se mover a alta velocidade para que pudessem ir jantar a Madrid a horas decentes — nem que isso custasse mais alguns milhões ao pobre Orçamento, que os republicanos mais cedo ou mais tarde haveriam de pagar.

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Publicidade 6.

por Patrícia Reis, em 27.03.12

A poesia serve para... tudo, até para uma abadia. A versão portuguesa, que não encontro, levava-nos à Idade Média. Era igualmente bom, mas este anúncio tem o seu quê..

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