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A propósito da seca

por José António Abreu, em 29.02.12

Nunca pensei que a falta de liquidez se tornasse tão literal.

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Espanha: tão perto e tão longe

por Pedro Correia, em 29.02.12

 

Enrique Urbizu esteve oito anos sem filmar. Voltou à actividade cinematográfica em 2011 - e ainda bem que o fez: acaba de conquistar o Goya, referente à melhor longa-metragem espanhola de ficção (o equivalente ao Óscar em Espanha), pela realização de No habrá paz para los malvados, um filme negro que seduziu o público no país vizinho com José Coronado no papel principal, desempenhando um detective que se comporta como um marginal nos bastidores mais violentos da noite madrilena.

Gostava que este filme, agora premiado, pudesse ser visto pelos espectadores portugueses. Mas tenho as maiores dúvidas de que isso acabe por suceder em tempo útil: basta lembrar que o Goya de 2010, Pa Negre, do catalão Agustí Villaronga, não chegou a encontrar distribuidor português. Prova - mais uma - de que Portugal e Espanha permanecem de costas voltadas. Sempre tão perto - e sempre tão longe. Enquanto qualquer película norte-americana de quinta categoria não deixa de fazer carreira, entre muito ruído de pipocas, nas nossas salas de cinema.

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Eros & Thanatos (como de costume)

por José Navarro de Andrade, em 29.02.12
Julie, 1994

Julie, 1994

Tecla, 1994

 forcado, Forte da Casa, 2000

 forcado, Montemor (?), 2000

 

A realidade é complicada, o retrato por exemplo. Uma pessoa vê a máquina fotográfica e põe-se logo em pose; o que fica dela acaba por ser um híbrido entre o que quis mostrar e o que dela se conseguiu ver. Como fazer com que alguém que esteja em pose deixe de posar?

Uma das maneiras mais simples de evitar o problema é fotografar o instante. Mas aí, não é o retratado que fica, mas apenas o que dele sobrou do momento em que o captámos. Outra maneira é apelar a expressões como “essência” ou “alma”, mas estas são provenientes da fantasia platónica, que em boa verdade procuram pouco e encontram menos. Talvez o próprio grego tenha percebido o embuste que criou, ao declarar com a humildade dos sobranceiros que “o belo é difícil” – é que a essência nunca está onde quer que seja.

A fotógrafa Rineke Dijsktra (n. 1959) tem um processo sagaz: fotografar os seus retratos quando as pessoas acabaram de passar por um grande esforço. Quer apanhá-las desarmadas ou frágeis? Nem tanto; quer que elas estejam demasiado fatigadas para se preocuparem com a pose.

Numa das suas séries Dijkstra fotografas mulheres que acabaram de dar à luz: Julie, uma hora antes de ser fotografada, Tecla, um dia depois do parto. Para outra série, Dijkstra veio a Portugal fotografar forcados, captados pouco depois da pega. O que se obtém é o retrato de pessoas no seu estado humano mais radical, o de quem acabou de sobreviver à natureza.

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"Ask Portuguese politicians who they are these days and you will get a sharp and predictable reply: "Not Greek!" Ask a Spaniard or an Italian and they'll say they are neither Greek nor Portuguese. A German will say he's a German, a French might answer he's a German too. And a British prime minister may repeat that he's not sure if he's a European.(Well, these days, who is?)"

 

Pedro Santos Guerreiro ontem no The Guardian

 

(Ler o artigo todo aqui)

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Acordo burrográfico (9)

por Pedro Correia, em 29.02.12

- Pratica contraceção?

- Nunca. Cumpro sempre o Código da Estrada.

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(Des)União Europeia

por Helena Sacadura Cabral, em 29.02.12

 

"Um bom divórcio é melhor do que um mau casamento" diz o ditado popular. É, de facto, verdade e aplica-se inteiramente ao caso grego. Com efeito, por muitos erros que os governantes helénicos tenham cometido - e cometeram-nos - o achincalhamento a que o seu povo está a ser submetido com as decisões do duo Merkosyl e a sugestão de Jean Claude Juncker, Presidente do Eurogrupo, para a nomeação de um Comissário Europeu para Atenas, são inadmissíveis. 

Oxalá nenhum outro país deste belo conceito de Europa Unida - porque foi só um conceito e jamais foi uma realidade - se veja em semelhante contingência.

Tudo isto acaba por exemplificar bem, o que sempre temi, ou seja, as razões do meu antigo e profundo cepticismo relativamente à ideia de uma união europeia.

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Política na parede

por Pedro Correia, em 29.02.12

 

Lisboa, Rua Helena Félix

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Pontos nos is (12)

por João Carvalho, em 29.02.12

DESACORDO

I

O secretário de Estado da Cultura disse ontem que o Governo se prepara para alterar o chamado Acordo Ortográfico (AO) até 2015 e que cada português é livre para escrever como entender.

Ontem à noite, na TVI-24, Francisco José Viegas manifestou o seu desacordo face a algumas normas do AO e lembrou que, «do ponto de vista teórico, a ortografia é uma coisa artificial» que pode ser mudada: «Até 2015, podemos corrigi-la, temos essa possibilidade e vamos usá-la. Nós temos de aperfeiçoar o que há para aperfeiçoar. Temos três anos para o fazer.»

Sobre a polémica em torno da decisão de Vasco Graça Moura, que chegou ao Centro Cultural de Belém (CCB) e cancelou a aplicação do AO que foi encontrar já em vigor, o secretário de Estado da Cultura fez notar que o actual presidente do CCB «é uma das pessoas que mais reflectiu e se empenhou no combate contra» o AO. Mais: notou também que foram aqueles que «não têm qualquer intimidade, nem com a escrita, nem com a ortografia», que correram a «criticar e pedir sanções» perante a "ousadia" de Vasco Graça Moura. «Para mim, é um não-problema. Os materiais impressos e oficiais do CCB obedecem a uma norma geral que vigora desde 1 de Janeiro em todos os organismos sob tutela do Estado. O Vasco Graça Moura, um dos grandes autores da  nossa língua, escreve como lhe apetecer.»

Francisco José Viegas contou ainda que, «às vezes, quando escrevo como escritor, tenho dúvidas e vou  fazer uso dessa possibilidade, como todos os portugueses podem fazer uso dessa  possibilidade, isto é, da competência que têm para escolher a sua ortografia». E acrescentou: «Não  há uma polícia da língua. Há um acordo que não implica sanções graves para  nenhum de nós.»

II

De uma coisa tão simples e que tão escusamente tem feito correr tanta tinta, três conclusões imediatas se tiram.

Uma delas é a de que, se a teimosia bacoca de ex-responsáveis não tivesse impedido a falta de visão que levou a que políticos se substituíssem aos linguistas, não se teria perdido o tempo que se perdeu. Curiosamente, nunca como no passado recente de tais ex-responsáveis se falou tão mal português na vida pública.

Outra conclusão possível pode tirar-se do inexplicável paradoxo da notícia que serviu de base a este post (cujo link está no início), na qual se percebe o ridículo da divulgação desta posição acertada de Francisco José Viegas num texto noticioso escrito (repare-se) segundo o AO. Fica a lição para os apressadinhos-da-silva, aqueles que não aprenderam a reflectir e que, habitualmente, "não têm qualquer intimidade, nem com a escrita, nem com a ortografia", porque ridídulo mais ridículo não há.

A terceira conclusão é a que arrasa definitivamente os arautos da desgraça, que tanto espernearam por causa do cancelamento do Ministério da Cultura. Fica mais do que provado que um governo aberto à Cultura e ao que nos caracteriza como povo com História não se mede por ter no topo um ministro ou um secretário de Estado na pasta: parece-me bastante saber que Francisco José Viegas é um homem de Cultura (como já aqui referi).

Finalmente, a talhe de foice, o papel do DELITO DE OPINIÃO enche-nos de satisfação e continuará a contribuir para travar o famigerado AO. Por modesta que possa ser a nossa contribuição, este vosso blogue manter-se-á na senda do bom português e na luta contra o indesejável desacordo (no que, por sinal, temos contado com grande parte dos nossos comentadores). Sem embargo de qualquer dos autores do DO ser livre de fazer o uso da língua que mais lhe aprouver, o facto é que nesta casa se verifica que o DELITO representa um acordo e que o AO é que é um delito.

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Contos ínfimos (8)

por Ana Vidal, em 29.02.12

THE END

 

Casaram e foram muito felizes.
Ele, a babar-se com as empregadinhas do shopping.
Ela, a fazer plásticas até parecer-se com uma empregadinha do shopping.

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Hoje a Grécia, amanhã Portugal.

por Luís Menezes Leitão, em 29.02.12
Torna-se evidente que neste momento a União Europeia não passa de uma extensão da Alemanha, como demonstra agora o Presidente do Eurogrupo, Jean Claude Juncker, ao vir defender, como os alemães, a nomeação de um comissário europeu para a Grécia. Só uma absoluta e total falta de senso e de um mínimo de conhecimentos históricos é que pode explicar o surgimento deste tipo de propostas. Imagine-se o que será para os gregos em pleno séc. XXI ser governados por um qualquer Gauleiter germânico a pretexto do que eles próprios não se sabem governar sozinhos. Recordo-me o que Ghandi respondeu aos ingleses quando lhe disseram que os britânicos governavam melhor a Índia do que alguma vez os indianos fariam: "Não há nenhum povo que não prefira o seu próprio mau governo ao bom governo dos outros". Está-se mesmo a ver onde isto vai conduzir.

 

E infelizmente também se está a ver que Portugal vai pelo mesmo caminho. Apesar de a comunicação social ontem ter propagandeado que a troika estaria muito satisfeita com Portugal, qualquer observador minimamente atento repararia nos sinais que foram transmitidos. Hoje, como eu já esperava, veio o comissário europeu para os assuntos económicos, Oli Rehn, exigir a Portugal que redobre os esforços que está a fazer, o que obviamente significa que não estão a ser considerados suficientes.

 

Quanto a Passos Coelho, limita-se a justificar a situação com a herança do anterior Governo. É evidente que o anterior Governo tem muitas culpas no cartório, mas já era mais que altura de abandonar este discurso. Há uma velha anedota referindo que um Primeiro-Ministro, antes de tomar posse, pediu ao seu antecessor que lhe explicasse como deveria agir nos períodos de maior crise. Ele responde-lhe: "Não se preocupe. Deixei na sua secretária duas cartas em envelopes fechados que só deve abrir nas alturas de maior aflição". Num desses períodos ele abre a primeira carta que diz apenas: "Culpe o governo anterior". Ele assim faz e consegue elidir a contestação que estava a sofrer. Passado algum tempo volta a passar por um período de aflição e abre a segunda carta. Esta diz apenas: "Escreva duas cartas iguais a estas".

 

Começo a recear que em breve a União Europeia esteja a propor também um comissário europeu para Portugal.

 

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No A Douta Ignorância, Priscila Rêgo elaborou um conjunto de posts a que chamou Compreender a Alemanha. Vale a pena lê-los. E também vale a pena fazer o teste So, what would your plan for Greece be?, a que cheguei através de outro post da Priscila. Na primeira tentativa, eu, que no fundo sou um pessimista (não acredito que a Grécia possa ficar no euro) cheio de boa vontade (escolhi mantê-la no euro), acabei no ponto 19. Ou seja, sensivelmente na via em que nos encontramos. Por um lado (e quem leu os meus posts ao longo dos últimos meses percebê-lo-á), tem lógica. Por outro, rai's partam. Só que as tentativas seguintes não deram resultados muito melhores. Experimentem vocês. Mas procurem não irritar Maynard.

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As canções do século (790)

por Pedro Correia, em 29.02.12

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Ó senhor Costa,

por Ana Vidal, em 28.02.12

 

 

... não me leve a mal o conselho, mas eu se fosse a si pensava seriamente em dedicar-me antes à criação de caracóis.

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Liberalismo? Onde?

por José António Abreu, em 28.02.12
Obrigar a que os contribuintes abrangidos pelo regime do IVA tenham uma caixa de correio electrónico nos CTT é uma medida ridícula e inaceitável para um governo que clama defender a liberdade individual.

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A ortografia faz parte da estética

por Pedro Correia, em 28.02.12

Mais duas vozes se somam a tantas outras na rejeição liminar do impropriamente chamado "acordo ortográfico" que quer pôr os portugueses a escrever várias palavras do nosso idioma de modo diferente do que escrevem brasileiros (em palavras como 'recepção' e 'percepção'), angolanos e moçambicanos. Refiro-me a dois conselheiros de Estado: António Bagão Félix e Manuel Alegre. No programa Avenida da Liberdade, transmitido sábado na RTP Informação, Bagão Félix salientou justamente: «O património de uma língua não se faz da unicidade, faz-se da diversidade.» E Alegre - um dos três deputados que votaram contra o "acordo" quando foi aprovado na Assembleia da República - pronunciou-se sobre o tema com a autoridade que lhe advém de ser um dos nossos escritores mais prestigiados e premiados: «A ortografia faz parte da estética, do sentido histórico e da identidade da língua. [O acordo] desfigura e descaracteriza a língua portuguesa. Com moderação e bom senso, devia ser repensado. Neste momento a língua parece uma caricatura.»

Alegre desfez qualquer dúvida: ele continua e continuará «a escrever da mesma maneira.» Milhões de portugueses farão como ele.

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Bundestag billigt neue Griechenland-Hilfen

por Rui Rocha, em 28.02.12

Que é, para quem não sabe, como se diz em alemão que Schauble foi apanhado a fazer sudokus enquanto o parlamento discutia a ajuda à Grécia:

 

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AMN Memória (4)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 28.02.12

 

 
A minha memória é caprichosa, não se deixa enganar ou seduzir pelas minhas instruções. Guarda o que lhe apetece, algumas vezes em segredo, muitas vezes contra a minha vontade. É ela, não eu, que escolhe o que me faz regressar ao ouvir o primeiro acorde ou ao ver primeira imagem. Esta é uma série que lhe é dedicada. Não à minha memória, que não merece, mas ao sítio para onde regresso quando lhe obedeço.

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Carnaval

por Helena Sacadura Cabral, em 28.02.12
Sem comentários!

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Publicidade 2.

por Patrícia Reis, em 28.02.12

 

A Scotex teve um registo diferente para o nosso país, mas gosto de ver este homenzinho na sanita a levar um baile de um cão mínimo. Como todas as coisas pequenas, o cão é adorável. O homem nem por isso. Este anúncio parte de uma base tão simples que é realmente eficz: o que começa por ser divertido pode terminar num sarilho. Coisas que a vida - ou a publicidade - tecem.

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O Tratado Orçamental.

por Luís Menezes Leitão, em 28.02.12

 

Não era possível haver nada mais espantoso neste quadro de subjugação total dos países da União Europeia aos ditames do eixo franco-alemão que a apresentação por estes de um tratado orçamental que todos os outros Estados deveriam assinar. O tratado orçamental, ao reforçar a componente intergovernamental, viola claramente os tratados da União Europeia, tirando completamente o tapete à comissão, enquanto guardiã desses mesmos tratados, assumindo o cariz de um Diktat alemão. Não espanta, por isso, que o Reino Unido tenha decidido desde o início ficar de fora, por muitas críticas que a atitude de Cameron tivesse merecido. Depois a República Checa, talvez recordando a submissão de Bénes aos acordos de Munique, também veio dizer que não aceitava esse tratado. Agora é a Irlanda, país submetido à "ajuda externa" mas que muito valoriza a sua independência, conquistada à custa de muitos sacrifícios, que vem sujeitar o tratado a referendo, onde obviamente não passará. Já a atitude de Portugal é elucidativa. Primeiro aboliu os feriados nacionais que comemoravam a independência do país e o regime republicano, para que ninguém continuasse a pensar que ainda vivia num país soberano. E agora vai dar o seu acordo de cruz a este tratado orçamental. A questão é que, como refere aqui Wolfgang Münchau, esse tratado na melhor das hipóteses é desnecessário e na pior é altamente perigoso e até pode levar a uma explosão da dívida na zona euro. A meu ver, o tratado ameaça mesmo destruir toda a estrutura laboriosamente construída que tem servido de base à União Europeia. Durante quanto tempo continurão os líderes europeus a brincar com o fogo?

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Modo de Vida (31)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 28.02.12

Uma grande decisão é sempre precedida, e detesto rimas mas tem de ser, de uma enorme solidão. Podemos partilhá-la, pedir ajuda para sobreviver-lhe ou até esconder-nos em quem mais nos protege. Mas a solidão está lá, naqueles instantes em que nos decidimos, a lembrar que somos quem, não o quê.  

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Haja paciência!

por Helena Sacadura Cabral, em 28.02.12

 

"Ainda há indefinição" na extinção dos feriados religiosos, disse ontem o secretário da Conferência Episcopal, admitindo falta de tempo para decisão antes de Junho.

 

Que Deus ilumine o Padre Manuel Morujão nesta difícil tarefa de que depende parte da produtividade do país. E que Deus nos dê paciencia!

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Acordo burrográfico (8)

por Pedro Correia, em 28.02.12

- Quando atuas?

- Quando a tua for minha.

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«She had a role to play»

por José António Abreu, em 28.02.12

A imagem de Meryl Streep com a cara pintada de branco foi realizada durante uma sessão que não começou bem. Apenas recentemente Meryl se tornara uma estrela de cinema. Eu já tinha feito um trabalho com ela para a Vogue e, meses antes, a Life usara um retrato dessa sessão na capa. Francesco Scavullo acabara de a fotografar para a capa da Time. Esta ronda de publicidade devia-se à estreia de A Amante do Tenente Francês. Meryl sentia-se desconfortável com toda a atenção de que era alvo e cancelou a primeira marcação mas acabou por ser convencida a vir uma manhã ao meu estúdio, durante duas horas e meia. Entrou e explicou que não desejava ser alguém; não era importante, apenas uma actriz. Havia uma data de livros de palhaços espalhados pelo estúdio e maquilhagem branca que restara de uma ideia que eu tivera para uma sessão com James Taylor ou Jim Belushi. Eu disse a Meryl que ela não precisava de ser alguém em particular, e sugeri que talvez gostasse de pintar a cara de branco. Ser um mimo. Isso deixou-a à vontade. Tinha um papel a desempenhar. Foi dela a ideia de puxar a cara.

Annie Leibovitz, Annie Leibovitz At Work.

Edição Jonathan Cape, 2008. Tradução minha.

 

Post dedicado à Teresa, à Ana, à Leonor, à Blondewithaphd, a cr e a todas as restantes pessoas que Meryl Streep deixa estupefactas com a sua capacidade para assumir diferentes identidades (ou seja, a mim também).

 

(Foto de Annie Leibovitz, evidentemente, recolhida aqui.)

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Política na parede

por Pedro Correia, em 28.02.12

 

Lisboa, Rua Correia Teles

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Os tempos de gestação mais longos

por Rui Rocha, em 28.02.12

Preguiça - 180 dias;

Beluga - 330 dias;

Golfinho nariz-de-garrafa - 365 dias;

Jumento - 365 dias;

Anta - 399 dias;

Camelo 440 dias;

Girafa - 450 dias;

Rinoceronte - 560 dias;

Elefante africano - 720 dias;

Ideias do Tozé Seguro - 1095 dias.

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Cadáver Esquisito (2)

por Ana Cláudia Vicente, em 28.02.12

1. UM LIVRO

2

CA...... SARKIS G........N

 

Bastou a João Cosme um esfregar de olhos mais acordadiço para perceber que o livro havia de ser obra de bifes. Vamos e convenhamos: depois de uma mão cheia de filmes de estio na praça da vila, as garatujas da capa não exigiam um Detective Varatojo.

Já a aparição daquele volume ali, no seu quarto, o quarto do seu falecido padrinho, na exacta madrugada do regresso da "expedição"? Preocupante o suficiente para entender o quanto antes. Talvez começar por aquele resto de assinatura na folha de rosto: Ca...... Sarkis G........n?
Cosme ouviu os passos curtos e ainda ligeiros de Vivelinda em direcção à sala de refeições. O cheiro a pão fez parágrafo no seu ritual matinal de higiene, mais longo que o costume, dada a quantidade de lama terrosa que havia ficado por limpar.
Vivelinda! - chamou, com poucas maneiras.
Diz lá, João... - respondeu a sexagenária, em tom simétrico.
Qu'é lá?! - impôs ele.
Faz favor, menino Cosme... - fingiu a serviçal.
A madrinha e o professor José Augusto, já estão na casa de jantar? - inquiriu, por fim.
Não, menino, ainda só estás só tu e o Eduardo - despachou, empurrando o carrinho dos beberes.
Já não estamos nos Freixos, Vivelinda - resmoneou, deixando escapar o sotaque.
Pois não, João Cosme! - suspirou.
Bom dia, D. Linda - acenou, respeitoso, o outro inquilino.
Bom dia, sr. Eduardo - correspondeu, plácida.
 
(Este é o segundo capítulo do nosso 'cadáver esquisito', explicado aqui. A próxima mão a embalar o cadáver é a da Ana Vidal.)

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As canções do século (789)

por Pedro Correia, em 28.02.12

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 28.02.12

Ao West Side.

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A maldição do caminho único

por José Maria Gui Pimentel, em 27.02.12

 

Tenho a tentação de simpatizar com a corrente de opinião que defende que Passos Coelho deveria procurar contrariar a postura pró-austeridade defendida pelo governo alemão, no fundo deixando a posição irritante de cachorrinho mor de Angela Merkel. No mínimo, como pede Daniel Oliveira, que se junte ao manifesto pró-crescimento económico encabeçado por David Cameron. Pessoalmente, não concordando com a visão de Daniel Oliveira, nem com as propostas vagas de Seguro (“austeridade inteligente”), tenho todo o apreço por aquilo que o referido documento defende. Todavia, não creio que o Primeiro-Ministro tenha, neste momento, verdadeiramente alternativas. A iniciativa para um abrandamento das medidas de austeridade terá sempre que vir alternativamente da parte destes países ou da própria Alemanha (e França). Portugal deve limitar-se a uma diplomacia cautelosa, à espera de uma brecha (que aparentemente, embora se desconheça a sua dimensão, poderá ocorrer). Foi a este caminho único de curto-prazo que, bem ou mal, nos condenámos quando pedimos ajuda externa. Numa altura em que a Grécia sepulta cada vez mais a cabeça no chapéu do aluno mal comportado, Portugal não tem outra solução senão tentar a todo custo ser o totó bem comportado da turma. Sim, reconheço que é uma postura irritante, sobretudo num país que se tem colocado nessa posição muitas vezes nos últimos anos. Porém, a alternativa é o país afundar-se agarrado à Grécia. E isso, parece-me, é algo que ninguém deseja. É pois apenas prosseguindo o caminho actual que se poderá chegar a um plano estável em que, aí sim, as diferentes perspectivas para o país podem e devem (a bem da democracia) ser equacionadas. 

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a amizade

por Patrícia Reis, em 27.02.12

A vencedora dos óscares, Meryl Streep, disse que a amizade é o mais importante.

Eduardo Lourenço, nas correntes d'escrita, disse que a amizade é o mais importante.

Rubem Fonseca, hoje homenageado pela Câmara de Lisboa, disse que o mais importante é a amizade.

Quando era pequena, o meu tio-avô disse-me: se tiveres amigos tens uma casa e, assim, nunca estarás sozinha e desprotegida.

Bom conselho.

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O jornalismo que não se surpreende

por Pedro Correia, em 27.02.12

 

Já escutei hoje mais de dez vezes a frase "sem surpresas" referente à distribuição dos Óscares. Se não há surpresa, não há notícia. Mas houve notícia. O cineasta galardoado com a estatueta de melhor realizador é francês (quantas vezes isso já sucedeu na história da Academia de Hollywood, ó jornalistas nada surpreendidos?). A película vencedora, O Artista, é uma produção franco-belga (lembram-se da última vez em que isto sucedeu ou se alguma vez ocorreu nestas oito décadas de distribuição dos Óscares, caros amigos?). O actor que recebeu o prémio para o melhor desempenho masculino, Jean Dujardin, é também francês (digam-me, por favor, qual foi o actor fancês que antes dele levou um Óscar para casa). E Christopher Plummer, veterano de longas-metragens que há muito fazem parte do imaginário universal, como Música no Coração, foi o mais velho actor de sempre a conquistar uma estatueta, neste caso destinada a premiar o melhor desempenho secundário: triunfou aos 82 anos numa indústria rendida ao culto da juventude.

Limitei-me a anotar algumas novidades em poucos minutos, ao correr da pena. Outras houve que poderia igualmente sublinhar aqui -- do Óscar de melhor argumento original para Woody Allen por um filme de produção europeia até ao cineasta iraniano distinguido com o prémio para melhor filme de fala não-inglesa.

Mas reconheço que é muito mais fácil iniciar notícias com o chavão "não houve novidades". Marca de um certo jornalismo preguiçoso que permanece instalado entre nós.

Imagem: Jean Dujardin e Bérénice Bejo numa cena d' O Artista

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Frases de 2012 (13)

por João Carvalho, em 27.02.12

«Er... Senhor Presidente... er... desculpe... er... estou um pouco... er... drogada...»

Isabel Moreira, deputada do PS e constitucionalista, ao presidente da AR, na sessão plenária de 24 de Fevereiro

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Saudade e nostalgia

por Rui Rocha, em 27.02.12

Percebo na saudade e na nostalgia contornos diferentes. Sinto que não se sobrepõem. Tocar-se-ão, talvez. Faltam-me, admito, certezas. Dessas que os linguistas nos propõem em troca dos nossos sentimentos. Sem que percebam que os sentimentos transbordam exactamente ali onde nos são escassas as palavras. Tenho apenas conclusões provisórias. Toscas e imperfeitas. Como são sempre as palavras e as conclusões. Umas eternamente aquém dos sentimentos, outras incompletas de pressupostos. Saudade e nostalgia estão escritas, isso parece-me certo, no capítulo das ausências. Mas, há ausências que desaguam na saudade e outras  que se refugiam na nostalgia. A saudade vai bem, parece-me, com as ruínas e os alicerces. Se não me engano, é do signo do ter. Para se ter saudade tem de se ter. Ou de se ter tido. Se ainda temos algo ou alguém que momentaneamente está ausente temos saudade. Há algo em construção, alicerces de uma obra maior que queremos continuar a erigir. Se tivemos e já não temos, temos saudade construída sobre as ruínas que ficaram. Se for assim, descubro na saudade uma esperança que deve ter andado sempre por ali, mas de que nunca me tinha apercebido. Há tanta esperança como angústia quando se tem algo ou alguém que não temos connosco. Esperança no reencontro. Hoje, amanhã. Numa manhã. E a angústia de perder. De não reencontrar. E, quando se teve e já não se tem, há ainda aí uma outra forma de esperança. A esperança do passado. A que também chamamos memória quando esta nos aquece e reconforta. E a angústia do passado que, sendo também memória,  melhor dizemos dor. Não há saudade sem ter ou sem se ter tido. Mas, pode haver nostalgia. Porque esta é do signo do ser. A nostalgia é, antes de mais, a ressaca das grandes ausências. Do que nunca foi ou do que, tendo sido, se ausentou de forma irreversível, não deixando sequer ruínas, uma fachada se não for pedir muito, onde possamos ancorar uma possibilidade, ainda que remota, de reconstrução. A saudade que sinto vive da memória do abraço do meu pai. A nostalgia, essa pressinto-a nos grandes espaços desertos dos momentos que nunca fomos e que, como pai e filho, devíamos ter sido. 

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Ainda os Oscars

por José Maria Gui Pimentel, em 27.02.12

 

Nesta “época festiva” reemerge sempre quem se revele completamente alheio ao frenesim dos Oscars e restantes prémios do cinema americano. Os argumentos são variados, mas desembocam quase invariavelmente no facto de a Academia ter como fim último o lucro e a promoção dos seus filmes, tornando, assim, as escolhas previsíveis e redutoras. Outra razão mais mundana é o facto de a Academia ter uma composição muito enviesada, com preponderância de elementos do sexo masculino (77%), brancos (94%), idade superior a 60 anos (54%) e sem qualquer nomeação para um Oscar (64%). Ainda outro motivo invocado prende-se com a obrigação de os filmes nomeados serem americanos, o que restringe substancialmente o mercado disponível. Quanto a isso, nada a fazer. Quanto às restantes duas críticas, embora pertinentes, a verdade é que o seu efeito (particularmente o da primeira) não é tão grande quanto poderia ser. Com efeito, se é verdade que as escolhas da Academia são perfeitamente discutíveis (caso qualquer um de nós fizesse um top dos filmes de um ano, dificilmente este se intersectaria com as escolhas dos jurados), também é verdade que não se pode afirmar que sejam completamente previsíveis, muito menos mono-temáticas. Os filmes deste ano eram muito diversos entre si, e mais diferentes ainda de outros nomeados em anos anteriores (e.g. Slumdog Millionaire, O Cisne Negro, Este país não é para velhos, Juno, Babel, só para citar exemplos recentes). Sim, os dramas do tipo As Serviçais e Milk costumam ser beneficiados, e os filmes biográficos também. Mas, fora disso não há tanta previsibilidade assim. É isso que mantém as pessoas interessadas no evento. Só com a red carpet não iam lá.

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Acordo burrográfico (7)

por Pedro Correia, em 27.02.12

- Aderi à Optimus.

- Ótimo.

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Romance na parede

por Pedro Correia, em 27.02.12

Lisboa, Rua Pereira e Sousa

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Assim se escreve...

por João Carvalho, em 27.02.12

 

... em bom portuense.

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O post da Teresa Ribeiro sobre a greve dos trabalhadores das empresas públicas de transportes (em que ela realçava a situação de comparativo desafogo de que eles gozam) suscitou uma catadupa de comentários. Permitam-me algumas observações sobre quatro pontos recorrentes (houve outros, mas estavam mais relacionados com saber se a Teresa usa os transportes públicos ou é uma privilegiada que apenas se desloca de limusina, com motorista fardado, uma garrafa de Dom Pérignon no mini-bar e uma caixa de Ferrero Rocher no apoio de braços).

 

1. Em comparação com os trabalhadores do mesmo sector de outros países europeus, os trabalhadores das empresas públicas de transportes portuguesas não ganham assim tanto. Houve mesmo quem indicasse este link para demonstrar que os trabalhadores das empresas portuguesas de transportes ganham ligeiramente menos do que os seus congéneres franceses, cerca de três quartos do que auferem os espanhóis e sessenta por cento do que recebem os finlandeses. Ora obrigadinho pela informação. Mesmo planando sobre o facto de quase certamente a média estar afectada pelos rendimentos dos trabalhadores das empresas privadas e não incluir benesses complementares ao salário (viagens de borla, por exemplo), seria mesmo lógico que, num país onde os mecânicos de automóvel ganham um quarto do que ganham os mecânicos de automóvel franceses e os padeiros ganham menos de um quarto do que ganham os padeiros finlandeses, o salário dos trabalhadores do sector dos transportes se encontrasse ao nível do dos trabalhadores desses países. No fundo, é como estranhar que os trabalhadores dos transportes públicos do Burundi ganhem menos do que os seus congéneres em Portugal. E, convenhamos, ganhar quase o mesmo que em França não será façanha ao alcance de muito sectores por cá (também é interessante que os espanhóis ganhem ao nível dos austríacos mas vamos deixar isso para segundas núpcias ou alguém ainda poderá pensar que, nos países do Sul da Europa, os sindicatos são especialmente poderosos neste tipo de empresas – e o poder político muito fraco).

 

2. Não se deve atacar quem ganha razoavelmente mas procurar que todos o consigam. Bonito, sim senhor. E verdade. Mas é pena que ninguém no sector dos transportes tenha pensado nisso enquanto usou o poder que detinha para desviar recursos do resto da economia (dos padeiros e dos mecânicos de automóvel) para os seus próprios salários e benefícios. É que, de forma sustentável, não se consegue aumentar o nível de vida por decreto (se conseguisse, Portugal seria o país mais rico do Universo e arredores) nem fazendo crescer os gastos sem garantir que a economia gera receitas suficientes para os cobrir. Vamos supor que alguém nos emprestava cem mil milhões de euros a juro zero (sim: zero, nada, nothing, rien, nichts, niente, Τίποτα δεν, nicles) e que os distribuíamos equitativamente pelos portugueses. Se não me enganei nos zeros, dá dez mil a cada um, contando com os bebés (e gostaria de salientar que estou a prescindir da comissão pela autoria da ideia). Seguia-se uma festa, a reposição da tolerância de ponto no Carnaval e, mais importante, um aumento no consumo. O qual faria com que parte desse dinheiro voltasse imediatamente a sair do país, uma vez que importamos a maioria dos bens que consumimos. O que por sua vez não seria grave se a economia portuguesa tivesse capacidade para compensar essas saídas com exportações. Infelizmente, não tem. Estamos todos a ver o problema ou preciso de fazer um gráfico de barras? Apostar no crescimento através do consumo interno foi exactamente o que andámos a fazer. Devia ser classificado como sinónimo de «apostar no endividamento». É chato para as boas intenções mas olhem – culpem a matemática. E façam pressão para que o governo aposte naquilo que pode efectivamente melhorar a competitividade do país (fiscalidade estável, menos burocracia, justiça mais célere, etc., etc. – vocês sabem).

  

3. A culpa da situação nas empresas públicas de transportes é da má gestão. Mesmo descontando o factor «sacudir água do capote», não me custa a acreditar que, em grandíssima medida, seja. Os gestores têm culpas por não terem definido estratégias claras, por terem desperdiçado dinheiro em projectos idiotas, por terem andado a fazer favores aos governos, por terem oferecido balúrdios a empresas de consultoria «amigas», por se terem abotoado com regalias escandalosas para um país com o nível de rendimentos (e respectiva distribuição) de Portugal – e por terem aceitado conceder os aumentos salariais que aceitaram conceder.

 

4. Ah, e a RTP e o BPN e as Empresas Municipais e o Instituto Disto e Daquilo? Certíssimo: erros atrás de erros que também é preciso corrigir. Mas pelo menos o pessoal de lá não anda em greves sucessivas. De qualquer modo, não sei se estão familiarizados com um ditado popular que inclui uma referência a telhados de vidro... 

 

Por último, sinto que devo ressalvar que nada do que ficou atrás pretende mostrar verdadeiro desagrado com as greves frequentes dos trabalhadores das empresas públicas de transportes. Pelo contrário: estando o cidadão comum, por força da necessidade, cada vez mais habituado a desenrascar-se sem transportes públicos, qualquer dia de greve representa hoje uma poupança para os contribuintes. Assim sendo, continuem e bem hajam.

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As canções do século (788)

por Pedro Correia, em 27.02.12

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AMN Memória (3)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 26.02.12
 
A minha memória é caprichosa, não se deixa enganar ou seduzir pelas minhas instruções. Guarda o que lhe apetece, algumas vezes em segredo, muitas vezes contra a minha vontade. É ela, não eu, que escolhe o que me faz regressar ao ouvir o primeiro acorde ou ao ver primeira imagem. Esta é uma série que lhe é dedicada. Não à minha memória, que não merece, mas ao sítio para onde regresso quando lhe obedeço.

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Não há coincidências (15) - 2ª série

por Ana Vidal, em 26.02.12

A partir de hoje, aos Domingos volto a armar-me em detective musical, de lupa no ouvido, para dar-lhe conta de plágios, batotas, "inspirações" e estranhas coincidências musicais. E começo com uma descoberta recente, um tanto decepcionante por envolver dois músicos de quem gosto muito e respeito: Eric Clapton e Mark Knopfler. Mais do que decepcionante, foi uma descoberta que me deixou boquiaberta. É que não acredito que tenha sido eu a única pessoa no mundo a ver o gato escondido, tão de fora deixou ele o rabo, mas a verdade é que não encontrei nada sobre o assunto nas pesquisas que fiz. Enfim, pensando bem, também eu já ouvi estas duas melodias tantas e tantas vezes e só agora se fez luz...

 

Em 1986, Eric Clapton apresentava pela primeira vez no Festival de Jazz de Montreux a canção Holy Mother, que viria a incluir nesse mesmo ano no álbum August, um estrondoso êxito de vendas cuja produção esteve a cargo de Tom Dowd e Phil Collins. Este último participou também como vocalista e percussionista, a sua maior especialidade. No booklet do álbum, os créditos da canção estão bem explícitos: Stephen Bishop/Clapton. É um tema tocante, uma prece sofrida de alguém que se sente perdido e pede a protecção divina. Tendo em conta a própria história de vida de Eric Clapton, a letra da canção impressiona e comove ainda mais. Como quase todas as canções de August, Holy Mother foi um sucesso e ficou na discografia de Eric Clapton como um tema-chave repetido em inúmeros concertos, inclusive com Luciano Pavarotti nos celebérrimos "Pavarotti and Friends". Aqui, ao vivo em Londres, 1996:

 

 

Em 1987, Mark Knopfler foi convidado a compor uma banda sonora original para o filme The Princess Bride, um conto de fadas romântico/cómico com argumento de William Goldman. Segundo o realizador do filme, Rob Reiner, entregou a tarefa a Mark Knopfler porque só ele seria capaz de entender profundamente o espírito da história e criar uma banda sonora que lhe fizesse inteira justiça. E tinha razão, porque o filme foi um sucesso e ficou a devê-lo, em boa parte, ao fundo musical. De tal forma que o tema principal, Storybook Love, esteve nomeado nesse ano para o óscar da Academia na categoria de "melhor canção original". No filme, a canção é interpretada por Willy DeVille, que aparece creditado como co-autor, juntamente com Knopfler. Pode ouvi-la aqui em baixo (em versão instrumental), a partir do 1.05'. Vai perceber, espero, porque fiquei tão espantada ao ouvi-la um destes dias como se fosse a primeira vez. Quando reconheci nela a bela melodia de Holy Mother, que Eric Clapton compôs apenas um ano antes da ultra-mediática banda sonora do seu amigo Mark Knopfler. Porque será ele que nunca se queixou da colagem flagrante, impossível de ter escapado ao apuradíssimo ouvido de músico? Por outro lado, será que Mark Knopfler alguma vez se apercebeu do que tinha feito? Se a resposta for "não", o plágio foi involuntário. Mas custa muito a crer... e não deixa de sê-lo.

 

Entende agora porque me perturbou a descoberta? Pois bem, como golpe de misericórdia deixo-lhe outra ainda, que agrava a pena de Mark Knopfler ao acrescentar um segundo plágio à mesmíssima banda sonora. Ouça com atenção o início do video. Logo nos primeiros acordes de Once Upon a Time, não reconhece outra música, bem mais antiga? Ouça outra vez. A mim não escapou a semelhança, talvez porque Peer Gynt é uma das minhas peças musicais favoritas. Neste caso, só Edvard Grieg poderia ter-se queixado, mas já cá não estava para fazê-lo. Ouça aqui em baixo a maravilha que é Morning (Suite no 1, Op. 46: no 1, Prelude) e diga lá se não tenho razão.

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Notas à margem (1)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 26.02.12


 

Ganhei o dia a ler o 'Trabalhos e paixões de Fernando Assis Pacheco', do Nuno Costa Santos. Sobre o livro, desde ele valer a pena até ao rigor da escrita, falarei outro dia. Agora, que o fechei, apetece-me ficar a pensar num conselho dado pelo Assis a uma das filhas: uma pessoa tem de parecer-se com aquilo que ela é. São tantos anos a ouvir aquela coisa da mulher de César que quase nos esquecemos de que o parecer, ou vem do ser, ou então não interessa para muito. E isto é só o começo. Cheira-me que vou andar com esta frase por uns tempos.

(a imagem é retirada daqui)

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 26.02.12

«Como dizia José Régio, os que falam da religião como alienação suprema não podem compreender de quantas alienações ela nos liberta. A esperança de que a própria morte é trânsito misterioso para o grau mais evoluído da existência é profundamente humanista.»

Frei Bento Domingues, no Público

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Despojos dos Óscares

por José António Abreu, em 26.02.12

A cerimónia de entrega dos Óscares de 2012 é esta noite. Ainda não vi qualquer dos nomeados para melhor filme. No ano passado, o Óscar foi para O Discurso do Rei – um filme simpático, que podia perfeitamente ser uma mini-série da BBC (só em parte isto pretende ser um insulto). Entre os grandes derrotados estiveram A Origem, um bom filme (ou não tivesse sido realizado por Christopher Nolan), com todos os efeitos especiais necessários para maravilhar o público actual de cinema, A Rede Social, outro bom filme (ou não tivesse sido realizado por David Fincher – mas porquê refazer a trilogia Millennium, David?), sobre a ânsia, tão intensa nos dias que correm, de constituir o centro das atenções sem o esforço de produzir algo que o justifique, e Indomável, mais um bom filme (ou não tivesse sido realizado pelos manos Coen), sobre uma rapariga em busca de justiça num mundo violento – e masculino. Na minha opinião, qualquer dos três era mais merecedor do Óscar do que O Discurso do Rei – mas talvez não tanto como o nomeado que vi apenas ontem, em DVD.

 

Despojos de Inverno tem um ponto de contacto com Indomável: é acerca da luta de uma rapariga num mundo violento. Porém, em comparação com o filme dos Coen ou qualquer dos outros mencionados acima, é um filme simples, realizado com pouco dinheiro, sem efeitos especiais ou recurso a grandes estrelas – mas com imenso cinema. A história é simples: nas montanhas Ozark (centro do Estados Unidos), nuns USA muito longe do glamour e da riqueza que esta noite veremos na televisão, Ree Dolly (fabulosa Jennifer Lawrence, a seguir com atenção), uma rapariga de dezassete anos, toma conta do irmão e da irmã, ambos mais novos, e da mãe, mentalmente ausente. O dinheiro escasseia e muitas vezes a família depende da ajuda dos vizinhos mais próximos. O pai de Ree dedicava-se ao fabrico de metanfetaminas antes de ser preso, solto sob fiança e desaparecer em parte incerta. Ree é informada de que a propriedade da família foi dada como garantia da fiança e que, se o pai não aparecer no tribunal dentro de dez dias, ela, os irmãos e a mãe serão despejados. Ree decide tentar encontrar o pai e fazê-lo apresentar-se perante o tribunal. Mas – e sabe-o à partida – vai enfrentar muitas desconfianças, muitas resistências, muita gente que pode ter motivos tão ou mais fortes para manter o pai de Ree desaparecido como ela tem para o fazer aparecer.

 

A estrutura do filme dificilmente podia ser mais perfeita. Começa por mostrar-nos o ambiente em que Ree se insere, apresenta-nos o problema, faz-nos acompanhar Ree nos contactos com pessoas que parecem todas estranhamente hostis (até as que se presumiria estarem do lado dela, como os familiares mais próximos, parecem opor-se-lhe) e, lentamente, vai-nos deixando perceber o que realmente se passa, as razões para tanta hostilidade e por que se encontra afinal a tarefa de Ree praticamente votada ao fracasso. De um modo ou de outro, quase todas os personagens em Despojos de Inverno são violentas (os irmãos e a mãe de Ree constituem as excepções mais óbvias, eles por ainda não entenderem o que se passa – são as únicas personagens capazes de brincar –, ela por ter desistido de entender) mas a violência parece manifestar-se de modo diferente nos homens e nas mulheres. Eles são duros, agressivos, inacessíveis, preocupados com não mostrar fragilidades. Elas são tão ou mais duras mas a sua dureza – e violência – é uma espécie de resistência, de subjugação raivosa aos desígnios masculinos, nascida da necessidade de terem sido forçadas a adaptar-se ao mundo em que estão inseridas: à maneira de ser dos homens e aos seus problemas frequentes com a lei, aos casamentos precoces e aos filhos que deles resultam, à falta de dinheiro e de perspectivas. Se a sombra dos homens e da sua inflexibilidade é permanente ao longo do filme, são as mulheres quem mais tempo passa no ecrã e quem – desconfia o espectador – acaba por ter mais influência no modo como tudo acaba. Despojos de Inverno é um filme com uma fortíssima componente feminina e não será coincidência ter sido realizado por uma mulher, Debra Granik.

 

Gostaria de realçar dois últimos pontos, provavelmente também relacionados com esse eventual carácter feminino. O primeiro é que, tratando-se de um filme violento (muito violento), quase não mostra violência física. Antecipa-a, mostra-lhe os efeitos – mas não se detém sobre ela. Num tempo em que os filmes fazem questão de mostrar muito mais do que sugerir, é sempre agradável constatar como a sugestão consegue ser eficaz. Finalmente, encontrando-nos submersos por filmes em que os heróis se riem do perigo e avançam com uma frase cáustica para as mais inverosímeis lutas, é também bom relembrar que são afinal os heróis relutantes, os heróis que fazem o que tem de ser feito porque não há mais ninguém para o fazer, quem mais empatia consegue gerar num ecrã de cinema. Esta constitui, aliás, uma diferença importante entre Indomável e Despojos de Inverno: Mattie Ross é uma rapariga voluntariosa em busca de uma vingança de que pode prescindir, Ree Dolly uma rapariga encurralada que só pode escolher entre dois males – enfrentar quem nunca poderá vencer ou perder casa e família. O verdadeiro heroísmo é não desistir.

 

Quanto aos Óscares, who cares?

 

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Planear o quê?!

por Helena Sacadura Cabral, em 26.02.12

 

Ângelo Correia considerou hoje que Portugal não planeia" sendo por isso um país "sem futuro" e que serve de "alavancagem" para que países como a China "entrem no mundo".

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A Dama de Ferro

por Teresa Ribeiro, em 26.02.12

Fui ver a Meryl no filme sobre a Thatcher e afinal quem eu vi foi a Thatcher e não a Meryl. Nem os olhos lhe descortinei. Eclipsou-se atrás da personagem e deixou-me boquiaberta a pensar que depois de Mamma Mia eu achava que ela já não tinha como me surpreender. The oscar goes to her (I hope).

Fiquei, pois, com a Thatcher, a mulher de quem sempre tive uma visão unidimensional por força das circunstâncias. A sua imagem pública era muito forte, logo redutora e a minha trincheira política já nesse tempo era outra, o que naturalmente me condicionava o olhar.

Resumir a sua vida em duas horas de filme exige que se façam escolhas, mas Phyllida Lloyd (também a realizadora de Mamma Mia) não nos apresenta um biopic parcelar, desses que privilegiam claramente uma das facetas do biografado. A solução que ela nos apresenta é a menos radical, mas a mais arriscada, pelas óbvias dificuldades que coloca, na gestão do tempo e do volume de informação, fazer uma síntese com pés e cabeça.

O resultado é um esboço, tanto da figura pública como da persona que a explica. Inevitável. Quem espera ver neste filme a Maggie que se escondia por detrás da máscara de ferro, fica à espera de mais. Quem quer uma biografia política, desilude-se. Ainda assim não considero A Dama de Ferro um filme falhado, porque apesar de tudo dá-nos muito: uma narrativa com um ponto de partida inesperado, que é o da decadência do fim da vida, e um perfil psicológico que embora limitado, nos ajuda a perceber melhor a mulher que governou, durante onze anos, o Reino Unido.

Ainda que incipiente, o retrato humanizou a meus olhos a senhora que em tempos inspirou a minha ira enquanto trauteava, solidária com os mineiros em greve de fome, o Don't Give Up, de Peter Gabriel. A dama a quem dedicaram covers de Maggie's Farm, transformando o original de Bob Dylan num hino de ódio à sua política, era dura como todos os que sobem a pulso. E tal como a generalidade dos self made (wo)men, insensível aos queixumes dos mais desfavorecidos, porque não lhes reconhecia mais dificuldades do que as que teve para vencer na vida. Thatcher acreditava também no que fazia: "o medicamento é forte, mas o doente precisa dele", argumentava, no auge da contestação às duras medidas que tomou para reabilitar a economia britânica. Afirmava também que estava na política "para fazer e não para ser", uma atitude muito ética mas pouco sexy, que lhe valeu o afastamento dos seus pares.

Phyllida Lloyd deixa-nos também entrever o universo familiar de Maggie: as relações privilegiadas com o pai, que lhe incutiu a ambição e o orgulho, a distância em relação à mãe, a preferência pelo filho e a ligação ao seu Dennis. Sabemos isto tudo apoiados em cenas fugazes, curtas pinceladas de um quadro que ficará por completar, mas que ainda assim revela o carácter e a coragem de um ícone que passei, graças a este filme, a ver com cara de gente.

É, porém, a política que sai mais sacrificada neste biopic. Quem estiver mal informado perde-se no carrossel de imagens que ilustram os momentos mais marcantes do thatcherismo e jamais terá possibilidade de fazer uma avaliação. Esta é a maior fragilidade de A Dama de Ferro.

 

 A Dama de Ferro (The Iron Lady), 2011. Realz: Phyllida Lloyd. Int.: Meryl Streep, Jim Broadbent, Richard E. Grant, Susan Brown

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Palpites para uma longa noite

por Pedro Correia, em 26.02.12

 

Só vi quatro dos nove filmes que concorrem ao Óscar da Academia destinado a premiar a melhor longa-metragem de ficção de 2011. Não posso, por isso, tecer considerações fundamentadas sobre aquele que merece levar a estatueta. Mas como gosto de apostas adianto o meu palpite sobre o vencedor: O Artista, de Michel Hazanavicius - fascinante revisitação dos anos pioneiros de Hollywood num filme que recupera a estética do cinema mudo que parecia sepultada a oito décadas de distância. Já alguém lhe chamou, e com razão, "a quintessência da nostalgia".

Estas (filme e realizador) são as vitórias que me parecem mais prováveis. Mas, entre os concorrentes nomeados pela academia, o filme que eu gostaria de ver contemplado com o supremo galardão do ano foi talvez aquele que mais fascinou de quantos vi em 2011: A Árvore da Vida, de Terrence Malick. Há filmes que nos tocam de uma forma tão radical, tão surpreendente, tão prolongada que a partir desse momento se tornam parte integrante do nosso património afectivo. Este é um deles.

Quanto aos prémios restantes, estimáveis mas de segunda linha, deixo apenas dois palpites: Meryl Streep conquista o seu terceiro Óscar (após Kramer contra Kramer em 1979 e A Escolha de Sofia em 1982) pelo seu imbatível desempenho como Margaret Thatcher em A Dama de FerroMax von Sydow ganha enfim uma estatueta como actor secundário em Extremamente Alto, Incrivelmente Perto, de Stephen Daldry. O equivalente a prémio de carreira para compensar omissões anteriores - algo muito frequente em Hollywood. Uma lógica que pode aplicar-se também a outro veterano destes lides: Christopher Plummer, nomeado pela actuação em Assim é o Amor, de Mike Mills.

E mais não digo. A festa é mais logo, na TVI. Uma das noites mais compridas do ano.

 

Imagem: fotograma d' A Árvore da Vida, de Terrence Malick

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 26.02.12

«Esta questão do «acordo ortográfico» serve, acima de tudo, para aquilatar do estado da literacia em Portugal, incluída a democrática, e de como uma campanha de propaganda gizada por especialistas e executada por uma organização discreta com membros proprietários de órgãos de comunicação, na banca e no estado, permite impor concepções de ortografia caducas desde há muito (a da aproximação da escrita à fala, é, hoje em dia grotesca: fala e escrita são, desde há mais de 70 anos concebidas como media autónomos de um mesmo sistema, como nota A. Emiliano - o que as neurociências apenas têm confirmado), que envolvem uma violentação de uma intensidade inaudita dos hábitos de escrita e de um factor maior da identidade de uma comunidade.
Serve, também, para ver o conservadorismo anquilosante dos meios intelectuais portugueses (e brasileiros) que se permitem atitudes de um incrível paternalismo colonialista para com países como Angola e Moçambique.
Por último, e o mais doloroso, para verificarmos como a democracia é ainda, em Portugal, uma formalidade, que, no que deveria ter de substancial, não encontra expressão nas instâncias do poder. De facto, o pensamento político português é, na prática, o despotismo esclarecido: o "acordo", visto por políticos (a maioria deles gente de poucas letras) como um avanço da razão é imposto ao povo - que não sabe bem o que quer, e que, se o soubesse, havia forçosamente de aquiescer...).
Tudo isto por causa das ambições políticas de um país estrangeiro com 75% de analfabetos...
É demasiado mau para ser verdade, mas é assim mesmo.»

 

Do nosso leitor VSC. A propósito deste texto do Luís Menezes Leitão

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Uma garantia de 24 quilates

por Rui Rocha, em 26.02.12

Sim, sim. No dia em que eu tiver de vender os brincos da Tia Marquinhas quero muito que estes amigalhaços andem por aí a fazer uma descrição circunstanciada da situação:

 

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