Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012
por Pedro Correia | 31.01.12 | favorito

Fact Check #1 - Miguel Sousa Tavares. Do João Caetano Dias, no Blasfémias.

Quando os extremos se tocam, apedrejam e pontapeiam. De Carlos Guimarães Pinto, n' O Insurgente.

Denúncia à Inspecção Geral do Trabalho III (por e mail). Do Rodrigo Moita de Deus, no 31 da Armada.

Agitprop patética. De Fernando Lopes, no Diário do Purgatório.

Vacas sagradas, não tenho. De M, n' 1 Dia Atrás do Outro.

Uma Europa pisada e exangue. Do Rui Bebiano, n' A Terceira Noite.

Umberto Eco e a identidade europeia. De João Vacas, no 31 da Armada.

O problema das traduções. De ASM, no África Minha.

Lixo e Lídia. De Maria do Rosário Pedreira, no Horas Extraordinárias.

A propósito de um comentário meu não aprovado. Do Luís Naves, no Forte Apache.

Nos 90 anos de Nuno Teotónio Pereira. Da Joana Lopes, no Entre as Brumas da Memória.

Louvor às caixas de comentários. Do Ferreira Fernandes, no DN.

 

(em actualização)

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por Pedro Correia | 31.01.12 | 5 denúncia(s) | favorito

Aparecem agora estes a dar réplica a estes. Certamente para aplaudirem coisas como esta. Só não vê quem não quer: a bloga anda animada.

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por Luís M. Jorge | 31.01.12 | 6 denúncia(s) | favorito

Correndo o risco de maçar a poetisa Elisabete, o doutor Amorim e outros vultos tormentosos do liberalismo e da moral, aqui deixo o envio para um artigo recente de Paul Krugman no New York Times. Chama-se “O Fiasco da Austeridade“. E como sei que a sabedoria, principalmente a que nos chega  dos sãos princípios da escola da vida, nem sempre é acompanhada por um conhecimento profundo de línguas estrangeiras, eis um bom resumo em português.

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por Patrícia Reis | 31.01.12 | 11 denúncia(s) | favorito

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por Helena Sacadura Cabral | 31.01.12 | 5 denúncia(s) | favorito

 

"Take care of each other. It’s your only chance of survival. All the rest is vanity”.

Este é o testamento do realizador Nicholas Ray, um dos últimos românticos de Hollywood e que eu adoro.

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por Helena Sacadura Cabral | 31.01.12 | 38 denúncia(s) | favorito

Não sei o que se passa com a Judite de Sousa. Antes tinha um chic natural e uma conversa inteligente. Agora o espalhafato das toilletes e dos penteados, o botox labial, a cor das unhas e a dimensão dos aneis distrai-me de tal modo, que não oiço o que diz. Medina Carreira, esse, parece que a não vê. Estranho...

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por Pedro Correia | 31.01.12 | 18 denúncia(s) | favorito

Lisboa, Rua Quirino da Fonseca

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por Ana Vidal | 31.01.12 | 2 denúncia(s) | favorito
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por João Carvalho | 31.01.12 | 12 denúncia(s) | favorito

 

O transporte certo é o que consegue levar todos os nossos amigos e os seus respectivos pertences... 

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por João Carvalho | 31.01.12 | 9 denúncia(s) | favorito

 

Depois deste e deste posts, ficamos agora a dever estas fotografias de bibliotecas em paragens de transportes públicos à nossa comentadora Madalena. São em Israel e recomenda-se que quem levar livros das prateleiras montadas nos abrigos os devolva ou deixe ficar outros, mas ninguém é obrigado a isso.

 

 

A verdade é que os livros andam de mão em mão e a iniciativa é apreciada por muita gente. Passageiros ou não.

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por Pedro Correia | 31.01.12 | 18 denúncia(s) | favorito

Tenho mais que fazer do que andar a ver blogues.»

Judite Sousa para Medina Carreira, esta noite, no programa Olhos nos Olhos (TVI 24)

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por Pedro Correia | 31.01.12 | 4 denúncia(s) | favorito

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por Pedro Correia | 31.01.12 | 2 denúncia(s) | favorito

Ao Viseu, Senhora da Beira.

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Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012
por Rui Rocha | 30.01.12 | 3 denúncia(s) | favorito

 

Os Maias estão para a Meyer como a Livraria Portugal está para a FNAC.

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por Luís M. Jorge | 30.01.12 | 3 denúncia(s) | favorito

A Deco informa que um terço dos jovens com mais de 18 e menos de 34 anos pensou em matar-se. Está mal. Numa altura destas, não me parece recomendável que as associações para a defesa dos consumidores andem por aí a dar ideias ao Governo.

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por Pedro Correia | 30.01.12 | 62 denúncia(s) | favorito

 

Há oito anos, escrevi no Diário de Notícias que Arménio Carlos seria o sucessor de Manuel Carvalho da Silva na CGTP. Lembro-me de que na altura não foi fácil encontrar fotografia do obscuro coordenador da União dos Sindicatos de Lisboa, então totalmente desconhecido da opinião pública. Sabia-se, isso sim, que a cúpula comunista estava irritada com as contínuas fugas à ortodoxia de Carvalho da Silva e pretendia substituí-lo por um homem aparentemente mais duro mas afinal muito mais dócil no cumprimento das directivas partidárias. Por um motivo fácil de explicar: a CGTP é o mais poderoso instrumento de acção estratégica do Partido Comunista, que após ter perdido os seus bastiões operários e autárquicos recuou com a tenacidade de sempre -- um passo atrás, dois passos à frente, recomendava Lenine -- para o seu derradeiro reduto, o do sindicalismo nas áreas da administração pública e das empresas públicas, designadamente na área dos transportes. Quanto mais Estado, tanto mais a CGTP se robustece. E quem diz CGTP diz PCP. Não faz qualquer sentido a actual correlação de forças -- firmada durante os anos do "processo revolucionário" -- na cúpula da central sindical onde os comunistas estão em larga maioria, remetendo independentes, socialistas, católicos e bloquistas para posições minoritárias. Algo sem paralelo na sociedade portuguesa.

Essa foi talvez a cacha mais fácil da minha carreira jornalística, à semelhança de outra -- que escrevi com meses de antecedência -- em que garantia, também no DN, que Jerónimo de Sousa seria o sucessor de Carlos Carvalhas como secretário-geral dos comunistas. Porque não há nada mais previsível do que o ritmo "lento" e "vertical" -- sem qualquer traço revolucionário -- em que ocorre o processo de tomada de decisão no PCP. E se a ascensão de Arménio Carlos acabou por ficar quase uma década no congelador isso deveu-se apenas à fortíssima popularidade de Carvalho da Silva na sociedade portuguesa, alcançada não por causa da sua ligação enquanto militante de base aos comunistas mas apesar dela.

 

Virada a página, reforça-se a ligação orgânica da central ao partido com a promoção a dirigente máximo de um membro (desde 1988) do Comité Central do PCP, vinculado às rígidas normas de disciplina interna impostas pelo "centralismo democrático". Esta subordinação -- que Carvalho da Silva nunca aceitou na integridade -- torna agora mais nítido o controlo comunista da CGTP, onde o direito de tendência é rigorosamente interdito e as "minorias" (largamente maioritárias na sociedade) servem apenas para conferir um vago verniz pluralista a uma organização que o PCP passa a tutelar de forma ainda mais inflexível.

Era isto que eu gostaria de ter visto dissecado e debatido nos dias que precederam a entronização de Arménio Carlos, o homem que se prepara para duplicar sem deslizes o discurso sindical de Jerónimo de Sousa em todos os telejornais, tal como o PEV duplica a retórica comunista na frente parlamentar. Mas isso seria talvez exigir demasiado de um certo jornalismo e de uma certa "opinião" que se esgotam na poeira do instantâneo sem repararem no essencial.

Publicado também aqui

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por Rui Rocha | 30.01.12 | 8 denúncia(s) | favorito

Os cavaquistas anónimos têm dificuldade em ser sóbrios.

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por Rui Rocha | 30.01.12 | 16 denúncia(s) | favorito

Não faltam vozes de escândalo perante a intenção da Alemanha de impor um comissário que passaria a decidir as questões orçamentais gregas. Vejamos então:

- Que soberania existe em precisar de dinheiro emprestado para pagar aos médicos, professores e polícias?

- Alguns dos que agora se indignam passam os dias a clamar contra as vergonhas do nosso país (nomeações de boys, desperdício de dinheiros público, regabofe na Madeira, buraco das autarquias, evasão fiscal, desigualdade na tributação em favor dos de sempre, parcerias público-privadas, privilégios do BES ou da MOTA ENGIL, etc). Estão errados? Claro que não. Tudo isso acontece. Na Grécia é pior.

- Não falta quem aponte as questões estruturais de concepção do Euro (défices de balança comercial da periferia) como única causa do descalabro grego. Talvez fosse bom recordar que a adesão à moeda única foi voluntária (soberana). Se a escolha foi errada... E, para dizer tudo, essa visão esquece todas as desgraças que ninguém nega (as situações descritas no ponto anterior são meros exemplos e existem em dobro na Grécia). Estamos então a defender a soberania do país ou a corporacia dos interesses para os quais é essencial que tudo fique na mesma, lá como cá?

- Em certos discursos parece ser que a única soberania que merece protecção é a dos países devedores. Quando se trata de usar os impostos dos cidadãos para socorrer os devedores, a ideia de soberania some-se. Os interessados não devem pronunciar-se.

Esta é uma questão que vai até ao osso. A ideia de criar um comissário orçamental é péssima. Mas, a sua recusa não se pode fundamentar numa soberania ancorada em factos folclóricos passados porque estes são igualmente péssimos. Só pode fundamentar-se num certo futuro: o de um país responsável, com cidadãos adultos e políticos exemplares. Capazes de libertar o Estado das dependências, vícios, teias e ilusões em que se deixou envolver. Se acreditarmos nisto, percebo a defesa sem concessões da soberania. Se não for assim, o discurso inflamado reduz-se a berrar que os nossos são uns bastardos, mas são os nossos bastardos. Não me importo de participar. Mas, nesse caso, apresentemo-nos todos com a bandeira, à guisa de barrete, enfiada até às orelhas.

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por Pedro Correia | 30.01.12 | 14 denúncia(s) | favorito

Lisboa, Rua de Campo de Ourique

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por Rui Rocha | 30.01.12 | 4 denúncia(s) | favorito

 

Nome de Julian Assange falado para responsável das secretas. Fonte bem informada garante que o fundador da Wikileaks tem o perfil necessário para assegurar a continuidade do trabalho que tem sido feito.

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por Helena Sacadura Cabral | 30.01.12 | 8 denúncia(s) | favorito

"A classe media está em risco de empobrecimento rápido e pode desaparecer como a conhecemos em Portugal, em consequência da crise económica que o país atravessa, disse ontem o sociólogo Elísio Estanque que lança esta semana um livro sobre o tema".

 

E quem se importa com a questão? Os governantes, decerto não. E a oposição, por norma, não gosta de classe média...  

 

PS. O nome erradamente referido na notícia era Elísio Estampa, que agora foi corrigido. O que explica o delicioso comentário de um leitor atento e cheio de humor!

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por Laura Ramos | 30.01.12 | 13 denúncia(s) | favorito

Raras vezes uma mulher assim, neste meio, detém esta força. Contra a sua obra (e a obra por fazer) contaram séculos de predomínio masculino, oportunamente somados aos mais recentes anos de desconceito dos valores humanísticos, na crista de um poder que devia ser esclarecido porque é o poder de todos os futuros: o universitário.

Não a quiseram por cá? Outros a quiseram. Habituem-se.

Conheço-a há quase tantos anos quanto a mim própria e sei que ela é a força de teimar na acção. A obra lúcida, em movimento, contra o mecanicismo económico, os oráculos da estatística, os que olham fixamente - e sem - um amanhã enganado.

La science sans conscience n'est que ruine de l'âme: foi este o seu estandarte, que diz tudo sobre quanto se perdeu.

Agora, a caminho de Rabat para dirigir o novo polo da maior associação universitária do mundo, deixa na última página do 'Jornal de Letras' o seu Diário de partida de um tempo velho; e de chegada a um tempo  com futuro.

 

Cristina Robalo Cordeiro


(...) Trago comigo um mundo imenso de rostos e de afectos. Deixo uma casa, uma cidade, uma universidade. Ou, pelo menos, uma certa ideia da minha universidade, no sentido que De Gaulle dava à celebérrima afirmação «Je me suis toujours fait une certaine idée de la France».

Detenho-me na resposta de Bellabes à última pergunta que lhe é colocada: «Não gosto de competições! Apenas uma forma de competição me interessa, a que me põe face a mim, em face de mim». E vêm-me à memória os meus recentes combates, tão semelhantes em natureza, tão desiguais nos seus efeitos.

Sei então porque parto. Não para reconhecer objectos e gestos, perfumes e sabores, no mistério das silhuetas desaparecidas na esquina de um souk ou das sombras projectadas sobre as paredes atravessadas pelo tempo. Mas porque é grande o apelo da vida, do pensamento e da acção. Porque há lugares onde ainda é possível construir, onde é inútil e ultrajante dizer não, não há condições… nem meios nem esperança! Parto porque há condições, meios e esperança! E vontade firme!
Boa sorte, Cristina.

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por Helena Sacadura Cabral | 30.01.12 | 1 denúncia(s) | favorito

Marcelo Rebelo de Sousa pediu neste domingo à noite “aos cavaquistas anónimos” que “desamparem a loja” de…Cavaco e deixem de falar no nome do Presidente da República.

 

Tem uma graça este Professor/Comentador!

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por Patrícia Reis | 30.01.12 | 33 denúncia(s) | favorito

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por Teresa Ribeiro | 30.01.12 | 23 denúncia(s) | favorito

Será que tudo o que o génio artístico produz é arte? A pergunta é retórica. Por maior que seja o seu talento também os génios que nos alimentam a alma têm dias maus. Se além de génios forem mentes perturbadas, uma situação que, como se sabe, anda muitas vezes a par, o risco de sermos contemplados com excrescências artísticas aumenta. Sempre que sou confrontada com obras assinadas por loucos consagrados que me são apresentadas como sendo de génio, mas que por um motivo ou outro me inspiraram uma profunda rejeição, fico a meditar nestas coisas. Aconteceu-me há dias, quando vi Melancolia, o último filme de Lars Von Trier.

Aquela angústia sufocante, que evolui em crescendo até ao final do filme, incomodou-me tanto que cheguei a ponderar abandonar a sala. Se o fizesse não seria a única naquela sessão. Convenhamos que a câmara permanentemente móvel contribuiu em partes iguais para o meu mal-estar. É uma moda, que começou por ter piada, mas que se está a tornar enjoativa. Quando vejo um filme, a menos que se justifique pela temática estar sempre consciente do meu papel de espectadora, gosto de entrar nele e de me esquecer de tudo à volta. Uma câmara aos saltos perturba-me esse entrosamento e cansa extraordinariamente o olhar.

Mas voltando a Melancolia: senti ao ver o filme que estava a participar de um delírio doentio. A linguagem que ali se falava não era a minha. Busquei nas minhas cavernas mais obscuras razões para me identificar com aquele terror primal mas não encontrei correspondência para aquilo. Porque "aquilo" deixou de ser partilhável a partir do momento em que se tornou demasiado pessoal. Dei comigo, incomodada, a espreitar para dentro da cabeça do Lars Von Trier, quando o que eu gosto, ah se gosto, é de espreitar para dentro da minha. Arte é apresentar ao mundo, com apurado sentido estético, um monólogo apavorado? Talvez, mas nesse caso pintem um quadro (adoro Van Gogh), componham (gosto de Schumann), escrevam (sou fã da Virginia Woolf), mas não façam nada que me retenha duas horas dentro de uma sala escura. É que fico mal disposta.

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por João Carvalho | 30.01.12 | 28 denúncia(s) | favorito

 

Um bom transporte é o que leva todas aquelas pequenas coisas de que podemos precisar quando nos deslocamos...

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por António Manuel Venda | 30.01.12 | favorito

«Deve ter sido a família que lhe pediu. Sempre são mais quatro dias em que não anda lá por casa.»

Bruno Nogueira, numa crónica na TSF, avançando com uma hipótese de explicação

para a decisão que alguém tomou de eliminar quatro feriados

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por João Carvalho | 30.01.12 | 6 denúncia(s) | favorito

 

No seguimento deste post, ficamos agora a dever esta fotografia da biblioteca numa árvore à gentileza da nossa comentadora Rita Maria. É em Berlim e recomenda-se que quem levar livros do tronco deixe ficar outros, mas ninguém é obrigado a fazer essa troca.

O certo é que os livros mudam facilmente de mãos, o que só pode ser bom.

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por Ana Vidal | 30.01.12 | 6 denúncia(s) | favorito

REDES

 

A carta dizia apenas: "Vem. A vida é um arame sem rede". Ela sorriu e foi, porque sabia que a rede é um arame sem vida.

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por Pedro Correia | 30.01.12 | 2 denúncia(s) | favorito
 
«Era e será a minha Livraria, ainda que, conforme muitos, não entrasse lá desde há algum tempo (ainda que, por questões particulares que não se prendem com a troca à modernidade). A Portugal, por questões familiares, está-me nos genes... e foi de lá que vieram toda a Enid Blyton; Astérix o Gaulês e todos os que se seguiram; os posters; os discos em vinil da área do jazz. Havia de ser em seguida o meu primeiro emprego, no grande e único (à época) Boletim Bibliográfico, que me permitiu manusear e sentir os milhares de livros que davam entrada. Atrás deles tive o previlégio de conhecer dois humildes mas Grandes homens; Jorge Pimenta e o Prof. José Pedro Machado. Foi a época do boom da "Rua do Carmo" nos inícios dos anos 80. Saudades sim dessa Lisboa onde ao meio-dia e meia de cada sábado saía para a rua e adquiria um LP na discoteca quase em frente. O cheiro a café que subia do Rossio; o som do violino com pai e filho junto ao elevador de St. Justa... o Arnaldo que deambulava rua acima e rua abaixo a dizer de sua justiça.
É autênticamente mais um pouco de mim que morre... da mesma forma que morreram as árvores da minha infância ou os meus primos queridos.
O Chiado de hoje continua a ter para mim o sabor bom de há 30 anos, através da Portugal. Daqui a meses já não terá... da mesma forma que para muitos de nós ele tenha sido alterado com a falta dos Grandes Armazéns.
Somos nós a passar pelo tempo e a deixarmos nele aquilo que vamos sendo. Garantidamente que não te direi para já adeus, Livraria Portugal.»
 
Do nosso leitor José Manuel. A propósito deste texto da Teresa Ribeiro.
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por António Manuel Venda | 30.01.12 | favorito

«Foi uma noite especial. Não é todos os dias que se ganha ao campeão nacional.»

Paulo Alves, treinador do Gil Vicente, após a vitória por 3-1 sobre o Porto

 

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por Pedro Correia | 30.01.12 | 4 denúncia(s) | favorito

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Domingo, 29 de Janeiro de 2012
por Adolfo Mesquita Nunes | 29.01.12 | 5 denúncia(s) | favorito

Não sei quem é, acho!, o Mr. Brown que escreve n'Os Comediantes, o blogue que escolhi para ser blogue da semana. Sei apenas que gosto das análises políticas que faz (nem sempre - e bem! - favoráveis ao governo que apoio): quer na forma, muito clara e precisa, quer no conteúdo, desconfiado do bem intencionado estatismo que nos tem governado. É, por isso, um blogue que leio com regularidade e que é surpreendentemente pouco citado ou linkado pela blogosfera que se dedica à política. Para além disso, e já basta, desconfio que partilho com ele (e, ao que parece, com a Clara Ferreira Alves) um gosto especial por Graham Greene.

  

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por Helena Sacadura Cabral | 29.01.12 | 2 denúncia(s) | favorito

 

Não resisti ao roubo. Roubei à minha querida amiga Maggie Pereira, este belo texto que ela postou no seu blogue O Destino Marca a Hora.

 

"People don't know how to love. They bite rather than kiss. They slap rather than stroke.
Maybe it's because they recognize how easy it is for love to go bad, to become suddenly impossible... unworkable, an exercise of futility.
So they avoid it and seek solace in angst, and fear, and aggression, which are always there and readily available.
Or maybe sometimes... they just don't have all the facts.
Anger and resentment can stop you in your tracks. That's what I know now. It needs nothing to burn but the air and the life that it swallows and smothers. It's real, though - the fury, even when it isn't. It can change you... turn you... mold you and shape you into something you're not.
The only upside to anger, then... is the person you become. Hopefully someone that wakes up one day and realizes they're not afraid to take the journey, someone that knows that the truth is, at best, a partially told story. That anger, like growth, comes in spurts and fits, and in its wake, leaves a new chance at acceptance, and the promise of calm.
Then again, what do I know? I'm only a child."
 
Lavender "Popeye" Wolfmeyer
The Upside of Anger
 
Sem comentários. Para quê?!
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por Helena Sacadura Cabral | 29.01.12 | 9 denúncia(s) | favorito

 

Ainda há quem se preocupe com os outros e passe a noite a resgatar, em restaurantes, refeições que sem este movimento solidário seriam deitadas para o lixo.

Esta iniciativa foi lançada há menos de um ano, em Lisboa, e tem mais de cem voluntários a recuperar comida que cafés e conexos acabariam por deitar fora. O objectivo é acabar com desperdício e mitigar a fome.

Abençoada gente!

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por Ivone Mendes da Silva | 29.01.12 | 6 denúncia(s) | favorito

Acabo de ver Os Descendentes.  Acho que não gostei. Digo acho porque não percebi muito bem. É certo que pequenos ou grandes dramas não escolhem o lugar onde ocorrem, mas contá-los exige mais do que do que uma boa articulação narrativa, pede uma rede de símbolos que suportem o plot e o façam encorpar. Eu não sou pessoa de paisagens exótico-balneares e, talvez por isso, aquele mobiliário de praia, o guarda-roupa estival e as impossíveis camisas havaianas tenham constituído um ruído que me impediu de apreciar o filme e, a meu ver, lhe retirou a credibilidade trágica.

Defeito meu, claro, que vi muito Visconti em pequenina e fiquei assim, desde então, sempre à espera de ver o pathos a escorrer do set decoration como água nos filmes de Tarkovski.

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por Pedro Correia | 29.01.12 | 10 denúncia(s) | favorito

 

Jornal Comércio do Funchal

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por João Carvalho | 29.01.12 | 14 denúncia(s) | favorito

O projecto da actual ministra da Justiça é encerrar uma série de tribunais que tenham supostamente um reduzido número de processos, processos esses que passariam para outros tribunais. A ideia parece-me que vai para lá do mero factor económico, uma vez que tende a sobrecarregar tribunais maiores e até, provavelmente, com problemas de pendências. Vejamos.

A Saúde e a Educação, como se sabe, são sectores públicos que não é suposto darem lucro, certo? O mesmo acontece com a Justiça: como aqueles, este quer-se um sector que deve apostar, tanto quanto possível, na proximidade. Assim, como poderá encarar-se pacificamente que se fechem tribunais onde se faz justiça com maior rapidez e se agravem as situações mais complexas e demoradas?

Se houver boa-fé, a ideia da ministra deve ser repensada e revista. Não é difícil encontrar soluções alternativas para melhorar o deplorável estado em que a Justiça se encontra.

Uma das soluções é terminar com a chamada "competência territorial". Ou seja: permitir que as partes em litígio não tenham de sujeitar-se à comarca a que pertencem, mas antes poderem escolher a comarca que melhor as sirva. Dir-me-ão: uma das partes (a arguida) é capaz de não estar muito interessada na celeridade dos tribunais. Pois bem: a escolha que referi pode ficar ao critério dos autores dos processos, que constituem seguramente a parte interessada na sua mais rápida conclusão.

Não me parece ser necessário lembrar que a degradação crescente do prestígio que devia enformar a Justiça está directamente relacionada com a falta de celeridade. E a celeridade constitui um dos aspectos mais sensíveis e decisivos do Estado, nas suas competências específicas a favor do desenvolvimento e do crescimento que procuramos com o dramatismo que se sabe.

Centremo-nos, pois, no prestígio exigível e em soluções exequíveis, visto que a Justiça já está de rastos o bastante para que ainda andemos a inventar.

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por João Carvalho | 29.01.12 | 14 denúncia(s) | favorito

 

Esta ilustração tem o seu quê de estranho e improvável, mas atrai-me. Imagino um sem-abrigo recente, alguém a quem a crise não quis poupar e atirou para uma situação indigente. Imagino o novo pobre, arruinado. Tudo perdido num ápice. Tudo, menos a sua biblioteca. Mesmo na rua, não é coisa que um homem dispense, enquanto for possível.

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por Luís Menezes Leitão | 29.01.12 | 5 denúncia(s) | favorito

Há dias escrevi aqui sobre o disparate que representa a União Europeia lançar um embargo petrolífero ao Irão quando os seus membros em situação mais complicada, como a Grécia, França e Itália, estão absolutamente dependentes do petróleo iraniano. Parece, no entanto, que a Baronesa Catherine Ashton que, por escolha não se sabe de quem, dirige brilhantemente a política externa europeia, achava que depois de anunciar o embargo o conseguia realizar a prazo ou às pinguinhas, sem que o Irão reagisse. Mas o Irão acaba de demonstrar que está disposto a subir a parada neste jogo de poker que lhe propõem e ameaça cortar o petróleo à Europa já na próxima semana. A União Europeia vai por isso confrontar-se de imediato com um choque petrolífero a somar aos inúmeros sarilhos em que está envolvida. Eu só me pergunto como é que é possível termos tanta

 incompetência e falta de sentido da realidade à frente dos destinos da União Europeia. Porque o que os líderes europeus andam presentemente a fazer chama-se brincar com o fogo.

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por Pedro Correia | 29.01.12 | 10 denúncia(s) | favorito

 

Durante quase três meses, fomos aqui revelando as leituras que íamos fazendo, partilhando-as com os leitores. Chegou o momento do balanço desta série, desenrolada em 24 etapas.

 

A Ivone Costa, a 3 de Novembro, relia A Mecânica da Ficção, de James Wood.

 

O JAA, a 7 de Novembro, falou-nos de um dos três livros que então lia: Uma Mentira Mil Vezes Repetida, de Manuel Jorge Marmelo.

 

O José Maria Pimentel, a 14 de Novembro, deixou-nos nota da obra que ia lendo: China: its History and Culture, de W. Scott Morton e Charlton Lewis.

 

O João Campos, a 15 de Novembro, fazia uma incursão pela banda desenhada: As Extraordinárias Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy II - Apocalipse. De Filipe Melo (argumento) e Juan Cavia (ilustrações).

 

O João Carvalho, a 18 de Novembro, optava por "alcoviteirices": Amantes dos Reis de Portugal, de Paula Lourenço, Ana Cristina Pereira e Joana Troni.

 

A Laura Ramos, a 22 de Novembro, citava Leo Ferré à laia de introdução do seu texto sobre o livro A Confraria do Vinho, de John Fante.

 

A Leonor Barros, a 28 de Novembro, trouxe-nos literatura em alemão: Meine Russischen Nachbarn, de Wladimir Kaminer.

 

Luís M. Jorge, a 30 de Novembro, lamentava a perda do livro que estava a ler: The Sense of an Ending, de Julian Barnes.

 

O Luís Menezes Leitão, a 2 de Dezembro, assumia-se como apreciador de biografias ao escrever sobre Estaline, de Jean-Jacques Marie.

 

A Patrícia Reis, a 2 de Dezembro, escreveu sobre Dois Rios, de Salem Tatiana Levy, e a biografia de Lúcio Feteira, de Miguel Carvalho.

 

A 6 de Dezembro, foi a minha vez: deixei a minha opinião sobre uma obra muito interessante: A Liderança Segundo John Kennedy, de John Barnes.

 

O Rui Rocha, a 7 de Dezembro, desvendava-nos o livro que andava a reler: A Criação do Mundo, de Miguel Torga.

 

A Teresa Ribeiro, a 12 de Dezembro, trazia-nos aqui a sua perspectiva sobre Os Nus e os Mortos, de Norman Mailer.

 

O Adolfo Mesquita Nunes, a 19 de Dezembro, confessou-nos a sua nada surpreendente predilecção por The Iron Lady, biografia de Margaret Thatcher escrita por John Campbell.

 

A Ana Cláudia Vicente, a 23 de Dezembro, interrompia Vitorino Nemésio para ler Luiz Pacheco.

 

A Ana Lima, a 26 de Dezembro, narrava-nos a sua opinião sobre O Retorno, de Dulce Maria Cardoso.

 

A Ana Margarida Craveiro, a 27 de Dezembro, andava a braços com "um tijolo de 800 páginas": The Better Angels of our Nature, de Steven Pinker.

 

A Ana Sofia Couto, a 30 de Dezembro, falou-nos de Mais Platão, Menos Prozac!, de Lou Marinoff.

 

A Ana Vidal, a 2 de Janeiro, trouxe-nos notícias d' O Túnel, de Ernesto Sabato.

 

O António Manuel Venda, a 3 de Janeiro, relia o Breviário das Más Inclinações, de José Riço Direitinho.

 

A Cláudia Köver, a 13 de Janeiro, transmitiu-nos as suas impressões sobre Comboio Nocturno para Lisboa, de Pascal Mercier.

 

O Fernando Sousa, a 20 de Janeiro, apresentou-nos os Contos Reunidos, de Felisberto Hernández.

 

A Helena Sacadura Cabral, a 21 de Janeiro, lia Longe é um Bom Lugar, de Mário Zambujal.

 

E a série terminou a 26 de Janeiro com o José Navarro de Andrade. Leitor d' Os Espiões, de Luís Fernando Veríssimo.

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por Pedro Correia | 29.01.12 | 7 denúncia(s) | favorito

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Sábado, 28 de Janeiro de 2012
por Rui Rocha | 28.01.12 | 6 denúncia(s) | favorito

 

A propósito do episódio da alteração do apelido do líder cessante da CGTP no ticker das notícias da SIC, os comentadores mais entendidos nestas matérias salientaram exclusivamente a importância do "v". Defenderam todos eles que a ausência da dita consoante seria decisiva na deturpação do sentido da palavra. Por acaso, não concordo. Procurarei concretizar o que pretendo afirmar através de um exemplo. Tomemos o apelido Silva. Façamos cair o "v". Fica Sila, certo? Pois é. Não fica nada de especial. Ora exactamente o mesmo se passa em Carvalho. A corrupção do apelido e a sua transformação naquilo que vocês sabem está relacionada com a queda do "v", claro. Mas, tal facto, só por si, seria absolutamente irrelevante se antes e depois dessa consoante não existisse no apelido o que existe. Isto é, o car (antes) e o alho (depois). É pois de elementar justiça que se reconheça a importância do car_alho. Permita-se então que aumente em relevância e que ocupe o seu devido lugar.

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por Helena Sacadura Cabral | 28.01.12 | 2 denúncia(s) | favorito

 

"A agência de notação financeira Fitch cortou a classificação da dívida da Bélgica, Chipre, Itália, Eslovénia e Espanha.

A Fitch refere que, além destes seis países, atribui também um ‘outlook' negativo para Portugal e França "por força a reflectir o risco de a crise vir a intensificar-se no futuro". 

 

Aguardam-se os novos capítulos...

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por Helena Sacadura Cabral | 28.01.12 | 8 denúncia(s) | favorito

 

De acordo com o noticiado pelo Financial Times, a Alemanha quer que a Grécia abdique da soberania sobre as decisões orçamentais, transferindo-a para um “comissário do Orçamento” da Zona Euro, para que Atenas receba um segundo resgate de 130 mil milhões de euros.

 

Alguém tem dúvidas de que esta posição é a antecâmara da saída da Grécia da zona do euro?

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por Leonor Barros | 28.01.12 | 11 denúncia(s) | favorito

Hoje. Não pela muito fresca mas depois de o corpo ter descansado o suficiente e a alma estar mais enxuta para aproveitar o fim-de-semana enquanto não nos tiram também esse prazer, já que de direitos estamos conversados, encetei a tarefa hercúlea de fada do lar empedernida e providenciar para o lar e suprir as faltas. Rumo ao supermercado, encontro-me com um povo façanhudo e mal disposto, nem um sorriso, as almas vazias e os passos automatizados. Os supermercados podem ser locais muito deprimentes, tanto mais deprimentes quanto mais casais às compras. Há alturas em que a solidão pesa menos e a solidão a dois pesa sempre mais. Infinitamente mais. Na fruta ouço alguém chamar João, anda cá. Vejo aproximar-se uma criança sozinha, entre os três e quatro anos. Põe-se à minha frente com uma alface dentro do saco. A mãe repreende-o e fala-lhe como se tivesse vinte anos, de tom seco e indiferente. Essa senhora estava à tua frente. Tens de esperar. Sorrio-lhe e digo Deixe estar. Não faz mal, enquanto o João do alto dos seus quatro anos mal medidos se estica num esforço sobre-humano para conseguir que a ponta do saco chegue ao balcão. A mãe assiste, longe, impávida. Que se desenvencilhe. Nem um sorriso, nem uma ajuda à criança. Um iceberg falante. Volto a encontrá-los no peixe. A criança aparece depois de ser chamada mais uma vez, procura conforto na mãe de braços cruzados, hirta e impassível, e tenta enrolar-se-lhe nas pernas. Choraminga Mãe, tou cansado. A mãe continua de braços cruzados. A criança intensifica a súplica de atenção Mãe, colo! A mãe continua de braços firmemente cruzados. A criança não lhes chegará assim. Um alívio portanto. Menos uma preocupação. A criança não desiste Mãe, colo, tou cansado! Começa a chorar. Suplica-lhe Mãe, dói-me as costas. Quando dá uma volta vejo-lhe os olhos marejados de lágrimas e soltam-se em cascata dos olhos escuros, tão escuros agora. A mãe retorque-lhe algo e mantém os braços cruzados como se se defendesse de um fardo de quatro anos que reivindica atenção e que tem a veleidade de se cansar num supermercado num Sábado de manhã. Uma mulher com uma criança ao colo lança-lhe um olhar deprimido, não suficientemente forte para que seja de reprovação, suficientemente maternal para que se lhe subentenda a incompreensão. Tanta indiferença. Quanta frieza. A criança chora sozinha. Ninguém diz nada. A mãe recolhe o peixe. Espeto-lhe um olhar e sei que o sente porque me olha de volta. O João choraminga. O João poderá chorar e suplicar a atenção a que qualquer criança deve ter direito. A mãe, essa, permanece de braços cruzados e olhar glacial. Hirta e gélida. A indiferença mata. Morro de pena do João. Chega de supermercado.

 

Também aqui.

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por jaa | 28.01.12 | 1 denúncia(s) | favorito

Porto.
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por Leonor Barros | 28.01.12 | 9 denúncia(s) | favorito

Acho uma certa piada à indignação que anda por aí porque Alberto João Jardim não se demitiu. Sócrates mentiu e não se demitiu, Pedro Passos Coelho mentiu e fez exactamente o que outros fizeram antes dele, não se demitiu. Não sei qual é a admiração. Neste país ninguém se demite por faltar à sua palavra e mentir vilmente aos portugueses. Deve ser o fado. Admitamos a nossa condição de enganados ou façamos como na Islândia e metamo-los dentro. Diz que o país prospera agora.

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por Laura Ramos | 28.01.12 | 2 denúncia(s) | favorito

 

« É possível amar um projecto político? Podemos apaixonar-nos por uma moeda? A União Europeia alguma vez será, aos olhos e no espírito dos seus habitantes, mais do que uma mera construção burorática, pouco livre e, no fundo, irrelevante?
Como responder com eficácia ao vigor das críticas crescentes sobre esta singular organização política, dos que simplesmente a põem entre aspas aos que a fustigam constantemente, em blogs, artigos de jornal ou ocasiões públicas, acusando-a de tudo e do seu contrário?
É crucial apontar a dimensão do sonho, complexo mas realizável, que o projecto comporta; sublinhar a ousadia da construção, a necessidade dos objectivos; e contar, sem medo de errar nem vergonha dos termos, como surgiu e se fez força esta revolução em processo, de uma Europa sem fronteiras feita paradigma da liberdade futura, de um generoso modelo kantiano oferecido a um Mundo pouco dado às liberalidades do consenso e da paz.»
Paulo Sande

in "A Revolução Europeia", de Francisco Lucas Pires

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por Pedro Correia | 28.01.12 | 2 denúncia(s) | favorito

 

Para Graham Greene (1904-91), a vida humana dividia-se em duas etapas essenciais: a "idade da confiança" e a "idade do cinismo". O grande escritor britânico havia entrado já nesta última fase quando decidiu entregar-se à arte do conto, que sempre desdenhara até então, praticando-a com sofisticada ironia, como exímio herdeiro de um Oscar Wilde. Daí nasceu uma das suas mais singulares obras de ficção: May we borrow your husband? (1967), que tem como subtítulo "and other comedies of the sexual life". Para trás ficara a etapa dos excelentes romances em que o Greene da "idade da confiança" nos legou títulos inesquecíveis como O Poder e a Glória, O Fim da Aventura e O Nó do Problema.

Ancorado em Antibes, no sul de França, este Greene que se intitula cínico deixou aparentemente de se envolver e de se comover com as grandes causas que fazem girar o mundo, fixando-se apenas nas minudências de um quotidiano banal. Com sarcasmo autodepreciativo, apresenta-nos o seu alter ego, William Harris, como"um homem já de certa idade que só deseja bom vinho, bom queijo e pouco trabalho".

 

Harris é a figura central do longo conto em oito capítulos que dá título a Empresta-nos o Seu Marido? (edição portuguesa da Bertrand, com tradução de Bertha Mendes). Escritor notoriamente entediado com a vida após dois casamentos fracassados, tenta redigir num hotel de Antibes a biografia do Conde de Rochester, poeta do século XVII. É Outono, a vila balnear encontra-se quase deserta, mas nem assim Harris mergulha com facilidade no seu manuscrito: o século XX teima em distraí-lo da tarefa. Numa saborosa cumplicidade com o leitor, vai-nos guiando numa comédia de enganos protagonizada por quatro inesperados hóspedes do hotel: três homens e uma mulher em lances voluntários ou involuntários de sedução. Algumas aparências iludem, outras nem tanto. No desfecho, como era de esperar, ficarão múltiplas cicatrizes -- quatro é número que equivale a multidão nos labirintos do amor. Mas talvez quem saia mais ferido seja afinal a quinta personagem: precisamente o narrador supostamente distanciado que acaba por envolver-se mais do que devia. O espectador passa por sua vez a ser espiado -- por cada um de nós.

A progressiva manipulação do leitor, que acaba enredado num jogo de caixas chinesas por esse hábil prestidigitador de emoções que é sempre um grande escritor, constitui o maior fascínio deste conto. Greene garante ter-se tornado um cínico, mas não consegue despojar-se do romantismo nesta trama de obsessão e desejo. Também aqui as aparências iludem.

 

"No termo do que se chama 'vida sexual' o único amor que dura é o que tudo aceitou, todos os desapontamentos, até o triste facto de no fim não existir desejo tão profundo como o simples desejo de não nos sentirmos sós", reflecte Harris. Que é Greene. Melancólico leitor dos poemas anacrónicos de Rochester. Um deles significativamente intitulado "O Prazer Imperfeito", que poderia servir também de título deste conto se o autor tivesse querido dar mais ênfase à tragédia que se insinua nas entrelinhas do que à farsa que voga na superfície.

Não quis -- e fez bem. Nada mais adequado para melhor compor esta teia de ilusões.

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por João Carvalho | 28.01.12 | 2 denúncia(s) | favorito

... tente conduzir.

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por João Carvalho | 28.01.12 | 6 denúncia(s) | favorito

 

Para ultrapassar as chatices das restrições salariais impostas pela austeridade que nos afecta, a Caixa Geral de Depósitos já resolveu o problema: vai promover o pessoal que trabalha lá dentro. Tudo legal, portanto.

Só precisamos agora que a famigerada Troika nos faça o mesmo. Portugal está de rastos? Muito bem, mas que tal promover os portugueses a alemães, por exemplo, até ver se a coisa passa?

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por Luís Menezes Leitão | 28.01.12 | 5 denúncia(s) | favorito

 

Segundo se refere aqui, a Alemanha pretende que os gregos percam a sua soberania orçamental como contrapartida de receberem um novo resgate, passando as decisões orçamentais a ser tomadas por uma espécie de comissário europeu para os países "resgatados". Isto nada mais representa que o fim total da soberania da Grécia. Há uma regra sagrada de que só os representantes de um povo podem autorizar o lançamento de impostos a esse povo: "no taxation withou representation", pelo que quando essa regra é sacrificada, estamos perante um povo subjugado. Com isto, a Grécia vai transformar-se num protectorado alemão e provavelmente Portugal terá  já a seguir o mesmo destino. Nem de propósito o Governo anuncia de imediato a supressão dos feriados que festejam a restauração da independência do país e o regime republicano. De facto neste momento Portugal já não é um país independente e nem sequer merece o nome de república. Mas não deixa de ser estranho que o Governo do nosso país o assuma tão claramente.

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por Pedro Correia | 28.01.12 | 6 denúncia(s) | favorito
O género epistolar, que os computadores condenaram à extinção, devia ser um maná para as editoras. Tem sido esta a regra noutros países, nomeadamente os de cultura anglo-saxónica, mas não é assim em Portugal, onde são raras as cartas de gente famosa que chegam à forma de livro. Isto deve-se, em boa parte, ao temor de herdeiros que receiam ferir susceptibilidades alheias às vezes muitos anos depois da morte dos visados. Neste país de brandos costumes (Salazar dixit), o respeitinho e a necessidade de “parecer bem” sobrepõem-se a outros critérios – desde logo o de divulgar documentos com inegável interesse histórico. Felizmente há excepções. E quando existem logo se transformam em acontecimentos culturais. Foi assim em 2005, com a publicação das cartas entre António José Saraiva e Óscar Lopes, e também com as cartas escritas por António Lobo Antunes à mulher, quando cumpria o serviço militar em Angola. No ano seguinte Manuel Fonseca, da Guerra & Paz, trouxe-nos outra obra similar: a correspondência trocada entre Jorge de Sena e Sophia de Mello Breyner durante quase duas décadas (1959-78). Um acontecimento editorial, sem dúvida, embora com um conteúdo aquém das expectativas geradas. Não só por o número de cartas ser reduzido, mas também por não haver nelas qualquer menção a factos fundamentais da História portuguesa desse tempo, como o fim do longo consulado de Salazar e o 25 de Abril. Neste aspecto, a correspondência entre António José Saraiva e Óscar Lopes resultou num livro muito superior.
 
Graças ao trabalho meticuloso de Mécia de Sena (viúva do poeta de Metamorfoses), que guardou e coligiu as cartas recebidas de Sophia e as cópias das cartas endereçadas por Jorge de Sena à autora do Livro Sexto, ficámos a conhecer melhor os mecanismos de cumplicidade que irmanaram dois dos maiores nomes das nossas letras. Sena e Sophia não escondiam uma genuína admiração mútua, rara nos nossos meios culturais. Admiração reforçada no combate à ditadura salazarista, que ambos detestavam, mas também à hegemonia comunista no panorama literário português entre as décadas de 40 e 70 – hegemonia que excomungava todos quantos, sendo de oposição ao Estado Novo, não toleravam também eventuais ditaduras de sinal contrário. “Acho que não se pode criar em nome do antifascismo um novo fascismo”, escrevia Sophia a Sena em Março de 1962 – uma das mais notáveis missivas incluídas neste volume.
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por Pedro Correia | 28.01.12 | 2 denúncia(s) | favorito
Um dos méritos maiores desta Correspondência é iluminar alguns dos melhores ciclos existenciais de Sophia – inclundo a descoberta do mar algarvio, tão marcante na sua obra, e sobretudo as suas primeiras viagens à Grécia, que a conduziram a novos trilhos poéticos. O seu entusiasmo pelas viagens é, de resto, uma constante nas espaçadas confidências que ia trocando com Sena, confessando-se maravilhada com Delfos, Corinto, Roma e o Rio de Janeiro. E com As Meninas, de Velásquez, no Museu do Prado. Existe no ser humano – e no poeta em particular – o “dever de ver”, como ela sublinhava noutra carta reveladora, escrita no México em Novembro de 1971.
 
Sophia preferia falar ao telefone em vez de manter uma correspondência activa, chegando a escrever cartas a Sena que este jamais leria. O incómodo de “ir à Baixa”, para despachá-las por correio, desencorajava-a com frequência. Sena, pelo contrário, era de escrita mais copiosa e regular. Mas as marcas do exílio – primeiro no Brasil e depois nos Estados Unidos – tornaram-no num ser amargurado, que ressumava azedume em relação às letras portuguesas, à “comunistada honorária” que ditava regras à esquerda e ao próprio país onde não conseguiu garantir o sustento da sua família numerosa antes e depois da Revolução dos Cravos. “Como essa pátria, tirando o povo e uns raros, é vil, canalha e mesquinha”, desabafava numa carta de Janeiro de 1968.
 
Sena e Sophia nasceram no mesmo ano (1919), na mesma cidade (o Porto) e partilharam traços identitários, com destaque para a formação católica. A pulsão para o activismo político, por imperativo ético, também uniu estes dois escritores que só aos 50 anos, na sequência de uma breve deslocação de Sena a Portugal (já Marcelo Caetano substituíra Salazar) começam a tratar-se por “tu”. Este é, aliás, um dos aspectos documentalmente mais interessantes da Correspondência. De lamentar, além da perda de algumas cartas de Sena apreeendidas pela PIDE na casa de Sophia e jamais recuperadas, é a omissão total de correspondência no biénio 1974-75, tão decisivo para Portugal. Sena faleceu em 1978, sem se reconciliar com a pátria-mãe. Sophia viveu mais um quarto de século, fiel a um lema que tão bem expressou num dos seus poemas: “Meu signo é o da morte porém trago / uma balança interior, uma aliança / da solidão com as coisas exteriores.”

Correspondência. Sophia de Mello Breyner e Jorge de Sena. Edição Guerra & Paz, Lisboa, 2006. 158 páginas.
Classificação ***



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por Ana Lima | 28.01.12 | 4 denúncia(s) | favorito

Têm razão muitos dos que dizem que os feriados servem apenas como dias de descanso e não constituem, de uma forma geral, dias especiais em que recordamos e comemoramos um determinado acontecimento, seja ele historicamente ou religiosamente relevante. Quantos de nós não ouvimos dizer, nesses dias: "mas afinal o que é isso do Corpo de Deus?". Ou então: "o que é que aconteceu a 1 de Dezembro"? É verdade que na festa do Corpo de Deus muitos católicos aproveitam o dia para ir à praia e que a restauração da independência é um acontecimento a que já poucos atribuem importância, servindo o dia apenas para antecipar as compras de Natal. Para os que querem continuar a comemorar estas e outras datas não é o facto de terem que trabalhar que os impedirá. O dia do nosso aniversário é um dia normalmente especial para nós e, a menos que tenhamos a sorte de termos nascido num dia feriado, ou seja fim de semana, temos que fazer férias ou comemorar fora do horário de trabalho. Isto faz sentido, sim.

No entanto, sabendo nós a fraca consciência histórica que temos, não posso deixar de pensar que, deixando de assinalar determinadas datas, torna-se muito mais difícil manter, na consciência colectiva, referências fundamentais para a nossa identidade enquanto país. Poderão argumentar que isso já está fora de moda. Ou que, se há valor que temos em abundância, é a identidade enquanto país com tão antigas fronteiras e História; pelo que não é acabando com os feriados que ela será posta em causa. Mas a verdade é que, nas escolas, é, muitas vezes, o facto de haver um feriado que constitui um pretexto para se aprofundarem episódios importantes da nossa História. E é em cima do acontecimento que as perguntas das crianças sobre este ou aquele dia em particular surgem e que as respectivas explicações são melhor ouvidas e incorporadas, de facto, no seu processo de socialização.

Desta forma, as crianças deixarão de ter esse pretexto para questionarem os adultos e, daqui a algum tempo, a restauração da independência ou a implantação da república serão esquecidas para serem apenas mais umas datas nos manuais. E a culpa será de uma conjuntura económica particular, de três organizações exteriores e de um governo que certamente, à semelhança de outros, não ficará para a História.

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por Pedro Correia | 28.01.12 | 2 denúncia(s) | favorito

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Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2012
por António Manuel Venda | 27.01.12 | 4 denúncia(s) | favorito

A última crónica de Pedro Rosa Mendes na RDP pode ser ouvida aqui. Enquanto caminhamos a pouco e pouco para o fascismo.

 

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por Leonor Barros | 27.01.12 | 17 denúncia(s) | favorito
E agora párem de comer consoantes.
fotografia minha
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por Patrícia Reis | 27.01.12 | favorito

The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore iPad App Trailer from Moonbot Studios on Vimeo.

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