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Novas oportunidades: empreiteiros

por João Carvalho, em 29.10.11

 

Passa a ser obrigatório respeitar a sinalização vertical do trânsito e a iluminação pública, para que nunca mais se diga que se constrói de qualquer maneira.

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As canções do século (667)

por Pedro Correia, em 29.10.11

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De Portugal inteiro (77)

por Pedro Correia, em 28.10.11

Vedrografias (de Torres Vedras)

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Armas de fogo

por José António Abreu, em 28.10.11

Dirijo-me ao pequeno balcão junto à secção de livros da Fnac do GaiaShopping. Uma rapariga envergando o coletezinho verde e ocre pergunta-me se pode ajudar. É magra e parece cansada mas confesso não prestar muita atenção à sua aparência. Pergunto se têm um livro de Isaac Asimov, recentemente lançado, de que não recordo o título. Ela inclina-se para o computador enquanto eu acrescento que foi editado pela Ulisseia. O colete, talvez um nadinha grande para a compleição franzina dela, afasta-se-lhe ligeiramente do corpo, deixando mesmo à frente dos meus olhos duas mamas empinadas e comprimidas uma contra a outra por um soutien que mal se vê. Apesar de me encontrar naquela idade em que os homens tendem a ficar quase só olhos e sofreguidão, costumo ser um tipo discreto mas aquilo apanha-me de tal forma desprevenido que o meu olhar fica preso durante demasiado tempo e o meu cérebro baralha-se, levando-me a fazer uma pausa entre «pela» e «Ulisseia». A rapariga percebe, claro, mas finge que não e eu faço um esforço titânico para impedir que os meus olhos voltem a focar-se abaixo do nível do pescoço dela. E a vontade nem é tanto ver-lhe as mamas novamente mas tentar compreender como raio é que antes me passaram despercebidas.

 

Um pouco mais tarde, noutra zona da Fnac, remoendo o embaraço, lembro-me do início de O Animal Moribundo, de Philip Roth. Ao descrever a aluna por quem se sente atraído, o professor Kepesch refere que ela tem um corpo magnífico mas que ainda não sabe bem como usá-lo. Que o transporta como um miúdo de uma zona perigosa transporta uma arma de fogo carregada, tendo ainda de decidir se o faz para se proteger, se para iniciar uma vida de crime. E ponho-me a pensar que o modo como, ao longo dos meses de Verão, quase todas as mulheres trazem o armamento bem visível e tantas parecem ter optado, com uma convicção desafiante, pela vida de crime, mantém os homens alerta, antevendo duelos ferozes. Mas quando o tempo arrefece e a maioria das armas passa a andar escondida, um tipo relaxa e, de vez em quando, não consegue evitar ser apanhado de surpresa ao descobrir um par de Glocks numa rapariga aparentemente incapaz de matar uma mosca.

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Lisboa antiga (46)

por Pedro Correia, em 28.10.11

 

HOTEL BRAGANÇA

«Carlos pouco se demorou em Resende. E numa luminosa e macia manhã de Janeiro de 1887, os dois amigos [Carlos e Ega], enfim juntos, almoçavam no hotel Bragança, com as duas janelas abertas para o rio.»

Eça de Queiroz, Os Maias

Foto: Teresa Marques2009's Blog

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Piano Bar

por Laura Ramos, em 28.10.11

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Statements of art

por Leonor Barros, em 28.10.11

 

Bansky

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Se um dia um desconhecido pretender cortar-lhe o salário, temporariamente ou de forma definitiva (hipótese meramente académica, claro), pelo valor correspondente aos subsídios de Natal e de férias, prefere não o receber em:

 

a) 12 prestações;

b) 14 prestações;

c) é igual, porra, estou bem lixado de uma forma ou de outra.

 

Responda de forma honesta pois, ao que parece, o presente e o futuro de Portugal dependem desta importantíssima questão.

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It´s now or never

por Leonor Barros, em 28.10.11

Eu sei que é sexta-feira, o dia está bonito e o povo prepara-se para desabar no sofá ou dar passeios tranquilos no fim de semana mas este país não me dá tréguas. Enquanto esses malucos milionários que ousadamente ganham acima de 1000 euros vão ser extirpados para todo o sempre dos seus subsídios de férias e de Natal, o povo entendeu muito bem a mensagem de ontem, há gente a ganhar por mês o que daria para alguns funcionários. Atentemos nestes chorudos ordenados: Fátima Campos Ferreira, 10 mil euros mensais, Catarina Furtado, 30 mil euros, Fernando Mendes, 20 mil euros, José Carlos Malato, 20 mil euros, Maria Elisa 7 mil euros, Jorge Gabriel 18 mil euros, Sónia Araújo, 14 mil euros, João Baião, 15 mil euros, Tânia Ribas de Oliveira, 10 mil euros ou Sílvia Alberto, 15 mil euros. Acresce dizer que estes e outros senhores da estação pública não sofreram a redução do ordenado quando, em Janeiro, esse bicho que dá pelo nome de filósofo grego se lembrou de dar uma ripada nos ordenados. Era esperado que, antes de cortar desalmadamente, o Governo tivesse considerado estes casos. Diz que vai ser agora. Veremos.

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bom fim de semana

por Patrícia Reis, em 28.10.11

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Pois é.

por Luís M. Jorge, em 28.10.11

 

Há agora dois jornais diários abaixo dos 15 mil exemplares. E os de referência pouco ultrapassam os 50 mil. Não quero ser injusto para os projectos mais recentes: o triunfo do i seria sempre muito árduo, mesmo em tempo de fartura. Quanto à decadência do Público e do Diário de Notícias, a conversa é outra. Durante mais de uma década comportaram-se como jornais de nicho, ficaram reféns de uma ideologia ou dos Governos, ignoraram novos talentos e o poder multiplicador da internet. O resultado está à vista.

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"Gorduras do Estado" (3)

por Pedro Correia, em 28.10.11

Hospital vendido por 11 milhões foi comprado por 21 milhões minutos depois

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Utilidade da arte

por Ana Lima, em 28.10.11

 Imagem de O Beijo V3 de Auguste Rodin aqui

 

"O mundo já pouco tem para nos oferecer, parece muitas vezes constituir-se de pouco mais do que barulho e receio, mas o certo é que a erva e as árvores continuam a crescer. Quando um dia a terra estiver completamente coberta de caixotes de betão, as nuvens continuarão a correr no céu e adquirir sempre novas formas e aqui e ali as pessoas, por intermédio da arte, precisarão de manter uma porta aberta para o divino."

 

in Hermann Hesse, Elogio da Velhice, Algés, Difel, 2003, p. 108

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Cinquenta bordoadas na língua de Camões (35)

por Leonor Barros, em 28.10.11

Confeço

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Sabia que... (72)

por João Carvalho, em 28.10.11

... Steve Jobs continua a intrigar muita gente até por causa de pormenores ligados ao seu modo de vida? Acho que sabia, mas talvez não saiba esta: Jobs conduzia há alguns anos um Mercedes-Benz SL55 AMG prateado, carro que usava e que era visto praticamente todos os dias, só que não tinha chapas de matrícula.

Dava nas vistas o seu hábito de estacionar mais ou menos em diagonal num lugar reservado a deficientes, no parque da sede da Apple, em Cupertino (Califórnia). Ora, é normal nos EUA o proprietário (com especial poder de compra) de um automóvel requerer e ser autorizado a possuir uma matrícula personalizada, que é paga a peso de ouro às autoridades. A legislação californiana estabelece o limite de seis meses para que essa eventual situação seja regularizada. Isto é: seis meses é o tempo legal máximo entre a aquisição de um carro e a posse oficialmente documentada da matrícula personalizada requerida`e respectiva colocação das placas no veículo.

Foi a partir disto que se descobriu agora como é que o Steve circulava no seu carro sempre sem matrícula. Na verdade, ninguém sabia que ele trocava o Mercedes de seis em seis meses, iniciando de cada vez um novo processo de requisição de uma matrícula personalizada.

No nosso país, o mesmo modelo topo-de-gama desportivo da Mercedes está reservado a poucos privilegiados. É certo que estiveram para ser compradas algumas unidades do cobiçado SL55 AMG — não me lembro se destinadas à grande e luxuosa frota da Águas de Portugal ou qualquer coisa pública do género — mas o processo não foi em frente por o carro só ter duas portas e dois lugares. Não dava muito jeito.

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 28.10.11

 

Jennifer Connelly

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Saudades do Brasil em Portugal

por Laura Ramos, em 28.10.11

 

Redescobrindo terras de Vera Cruz, nessa união de língua entre os últimos povos do mundo que escrevem uma poesia direita, como dizia Vinicius, a nossa Ana Vidal vai dando uma imensa trabalheira à imprensa brasileira.

Vais pagá-las, Ana, vais pagá-las.

Para a próxima vez, nada menos que cozinha de autor, acompanhada de um vinho de reserva colheita de poema, em pratos ilustrados por feiticeiros da imagem.

Querias, mas não escapas. Devias saber que este é um blogue guloso dos 7 sentidos da vida...

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As canções do século (666)

por Pedro Correia, em 28.10.11

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 28.10.11

Ao Tovi.

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Comissão de Serviço XVI

por Fernando Sousa, em 27.10.11

A ALTA

 

Contra o stress de guerra tínhamos as nossas receitas.

Uma madrugada desviámos um jipe do parque auto militar, passámos pela manutenção, pedimos ao sentinela para assobiar para o lado, levámos a comida que pudemos e rumámos para a Ilha de Moçambique. A ideia inicial era irmos caçar felinos, mas alguém com mais bom senso aconselhou esta.

Já no destino, depois de uns banhos de mar, uma visita à mesquita e outra ao forte, pôs-se a questão onde dormir. Um dos nossos sugeriu o hospital militar.

[Não tínhamos dinheiro ou tínhamos 20 anos, qualquer das desculpas serve.]

Entrámos, de noite e num respeitoso silêncio, escolhemos a enfermaria com mais camas disponíveis e dispersámo-nos por elas, entre camaradas operados e outros à espera. Mas o calor e a fome traíram-nos.

Estávamos nós, na cozinha, às três da manhã, a assar um belo chouriço e a abrir umas cervejas, quando um major médico entrou inesperadamente, e, depois de uma curta entrevista a cada um, deu-nos alta:

- “Todos fora do hospital, JÁ!”

 

(Notinhas de uma guerra engolida)

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Um país só comparável à Grécia

por João Carvalho, em 27.10.11

 

«Eça escreveu sobre os dias de hoje e já lá vão mais de cem anos».

«Conhecido pelo realismo da palavra, Eça de Queirós versou sobre um país só comparável à Grécia, n' As Farpas, de 1872. Mais de cem anos depois, a Renascença encontrou "queirosianos" num espaço que o próprio escritor frequentou e foi tentar perceber, com Eça como mote, o que mudou em Portugal.»

Uma leitura rápida e recomendável. Sem surpresas, mas muito recomendável. Um encontro com Pedro Rebelo de Sousa, Francisco Seixas da Costa, Miguel Sousa Tavares, Mário Vilalva e Mariana Eça de Queirós.

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Lisboa antiga (45)

por Pedro Correia, em 27.10.11

 

RUA DO FERREGIAL DE CIMA

(actual Rua Vítor Cordon)

«E o Alencar, perante esta intimação do Cohen, o respeitado director do Banco Nacional, o marido da divina Raquel, o dono dessa hospitaleira casa da Rua do Ferregial onde se jantava tão bem, recalcou o despeito – admitiu que não deixava de haver talento e saber.»

Eça de Queiros, Os Maias

Foto: Blog em português de homenagem a J. Verne

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Que é feito?

por João Carvalho, em 27.10.11

 

Há muito que não se ouve falar da secreta e das suas estranhas actividades.

 

 

Andará a desvendar algum segredo?

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"Gorduras do Estado" (2)

por Pedro Correia, em 27.10.11

Estado fica dono do Europarque com um "buraco" de 30 milhões

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Prossegue o ataque ao sector privado

por Rui Rocha, em 27.10.11

  

Leopoldo Damião, proprietário do café situado ao lado da Câmara de Mondim de Basto, queixa-se de uma quebra nas vendas superior a 80%. O empresário admite agora a hipótese de deslocalizar o negócio para Barcelos.

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Austeridade (1).

por Luís M. Jorge, em 27.10.11

Foi o pior dos tempos, foram tempos do pior. Numa rua calma, o engenheiro Armando erguia uma beata da borda de um canteiro quando se deixou sobressaltar pela voz do Albertino, velho camarada do Técnico.

 

- Ainda fumas, pá?
- Não, Albertinho — é esta canalha que enche as ruas de lixo…

 

Com certo pesar deitou fora o cigarro e anuiu ao convite do amigo para tomar uma bica. Na esplanada da Mexicana maldisseram o Governo, o estado social, as elites muito reles e o populacho acabrunhado.

 

- E o que podíamos ser com este sol e este mar, Armando: Londres, Berlim, Nova Iorque!

 

Ficaram em silêncio, a pensar em Nova Iorque.

 

- Nunca vi gajas tão boas, Albertinho…

 

Quando chegou a conta — dois euros e quarenta—  puseram as mãos nos bolsos com gestos imperiosos.

 

- Deixa estar.
- Não, eu é que convidei.

 

Mas um conjunto de circunstâncias explicava que, tendo um deles saído à pressa, sem carteira, e o outro posto roupa de Outono por causa da manhã enevoada, não reunissem entre ambos mais de setenta e cinco cêntimos.

 

Armando foi ao multibanco. Pouco depois, Albertino desertou.

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O povo é quem mais espeta

por João Carvalho, em 27.10.11

 

O «Theatro Circo assinala hoje cinco anos da reabertura e um balanço de 300 mil espetadores». A notícia é da Lusa, que escreve o seguinte em lead: «O diretor do Theatro Circo [em Braga] considera "positivo" o balanço dos cinco anos após a reabertura, hoje assinalados, e revela que a "sala" que se tornou "espaço da memória coletiva da cidade" recebeu mais de 300 mil espetadores neste período.»

Portanto, a Lusa não só dá voz ao diretor do teatro que é memória coletiva, como garante que ele recebeu centenas de espetadores. É por estas e por outras que o povo quer espetar uma lança na comunicação social do Estado que anda a pagar a peso de ouro.

 

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Check-out: acto de fazer o check-in ao ar livre, desejavelmente num parque de estacionamento, sob condições atmosféricas adversas.

 

 Turistas admiram a famosa skyline de Faro (foto gentilmente cedida pelo Correio da Manhã)

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Não havia nexexidade

por Teresa Ribeiro, em 27.10.11

Ó sr. Presidente, então e a contenção de despesas?

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Cidade judiciária terá tribunais!

por João Carvalho, em 27.10.11

É a insuspeita agência Lusa que divulga que «Moita Flores afirma que futura "Cidade Judiciária" vai receber "forte concentração de tribunais"». Eis a confirmação mais detalhada: «O presidente da câmara de Santarém disse à agência Lusa que a "cidade judiciária" que está a ser criada na antiga Escola Prática de Cavalaria (EPC) deverá receber uma "forte concentração de tribunais"».

Traduzindo a ideia, pode dizer-se que o presidente da câmara de Santarém, Monsieur de La Palisse, e que o responsável pela agência nacional de notícias, Conselheiro Acácio, estão ambos de acordo: a futura cidade judiciária vai ter instituições judiciárias.

Num país em que há novos estádios de futebol abandonados, autoestradas às moscas, pavilhões multiusos sem uso, piscinas que só são depósitos de água, centros culturais para receber as rutes-marlenes no Verão, etc., é um alívio saber que a cidade judiciária há-de ter tribunais. Quero lembrar-vos que La Palisse e o Conselheiro Acácio nunca se enganaram.

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* foto publicada no Jornal de Negócios.

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Madeira: privilégios que persistem

por João Carvalho, em 27.10.11

Ainda há quatro políticos portugueses no activo que acumulam pensões de reforma com o vencimento dos cargos que ocupam. São todos da Madeira e a exercer na Madeira. Trata-se do presidente da Assembleia Regional, do chefe do Executivo Alberto João Jardim e de mais dois membros do Governo. Por sinal, já aqui me referi à continuidade dessas acumulações.

A Assembleia Regional da Madeira afectou este ano 1,6 milhões de euros, um-décimo do seu orçamento, para o pagamento de subvenções vitalícias a 52 ex-deputados, um privilégio que os políticos do continente e dos Açores perderam em 2005, na sequência da alteração do regime relativo a pensões e subvenções dos titulares de cargos políticos, os quais perderam as acumulações por inteiro e passaram a ter de fazer opções.

Agora, com a previsão de que tais privilégios, regalias e mordomias vão levar uma machadada radical, os políticos madeirenses vão entrar nos eixos e ficar finalmente equiparados a todos os outros políticos portugueses. É um efeito que tarda, mas que já se desenha no horizonte.

Até lá — e retendo a situação de privilégio da Madeira desde 2005, quando recusou a afinação pelo diapasão nacional — bem podem os políticos madeirenses favorecidos dar corda às lamúrias sobre moral, solidariedade, partilha de dívida, etc., e aproveitar para limpar as mãos à parede. Especialmente esses madeirenses exemplares que são o presidente do Parlamento e o presidente do Governo (e subordinados mais próximos), homens seguramente vacinados contra o rubor nas faces.

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Inevitável

por Luís Menezes Leitão, em 27.10.11

O Chanceler alemão Otto von Bismarck dizia que a política é a arte do possível (Politik ist die Kunst des Möglichen). Os nossos governantes resolveram, porém, adoptar uma nova  versão: a de que a política é a arte do inevitável. Efectivamente, a única coisa que o Primeiro-Ministro diz é que as medidas são inevitáveis e que não se pode tomar outras. Isto independentemente da injustiça brutal que as caracteriza e que toda a gente reconhece e até mesmo da sua total inconstitucionalidade. Por outro lado os outros órgãos de soberania aceitam a inevitabilidade e deixam o Governo prosseguir alegremente neste caminho, parecendo às vezes que vive noutro mundo, como sucedeu quando Vítor Gaspar afirmou que os sacrifícios do orçamento vão atingir toda a sociedade portuguesa por forma igual. O triste espectáculo que tem sido dado pelos nossos políticos aos cidadãos atingiu o absurdo na reunião do Conselho de Estado, que conseguiu estar reunido seis horas para emitir um comunicado que não diz absolutamente nada.

 

Portugal vai continuar assim tristemente por este caminho, que o Primeiro-Ministro já assumiu que visava o empobrecimento colectivo, e que o mesmo era necessário. Enquanto Deng Xiao-Ping sustentava que enriquecer é glorioso, Passos Coelho entende que a verdadeira glória está no empobrecimento. Assim sendo, já vejo que o resultado inevitável destas medidas não é que Portugal se transforme na Grécia. É que se transforme na Coreia do Norte.

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As canções do século (665)

por Pedro Correia, em 27.10.11

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 27.10.11

Ao Penso Visual.

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Nuvens negras

por Rui Rocha, em 26.10.11

Vou pôr o lixo no contentor que fica ao fundo da rua. Desvio-me do vira-lata do costume. Parou de chover por um momento. Acelero o passo porque o céu escuro promete mais um aguaceiro. Perdido nos meus pensamentos, tropeço na conversa. Terá uns cinquenta anos. Está ao telemóvel e começa a elevar a voz:

 

Sabes, vou-te dizer uma coisa... viste aquele queijo? Foi praticamente isso e pão que comi toda a semana. Tu não fazes ideia do que é ter uma vida confortável e perder tudo de repente. Hoje pedi ajuda à minha mãe. Vamos ver até quando...

 

Regresso a casa com as pernas muito pesadas. Não sei se há quem nos possa proteger do que aí vem.

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Lisboa antiga (44)

por Pedro Correia, em 26.10.11

 

RUA DAS JANELAS VERDES

(O Ramalhete)

 «Um momento caminharam em silêncio. Depois, na Rua das Janelas Verdes, o Alencar "quis refrescar". Entraram numa pequena venda, onde a mancha amarela de um candeeiro de petróleo destacava numa penumbra de subterrâneo, alumiando o zinco húmido do balcão, garrafas nas prateleiras, e o vulto triste da patroa com um lenço amarrado nos queixos.»

Eça de Queiroz Os Maias

Foto: blogue Os Maias

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Teremos sempre Lisboa

por Ivone Mendes da Silva, em 26.10.11

Casablanca, Michael Curtiz.1942 (fotograma)

 

- Não íamos para Faro?

- Faro, neste momento, é suspeito.

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Enfiar a carapuça

por José Maria Gui Pimentel, em 26.10.11

Maria Flor Pedroso: "Foi preciso passar para a oposição para o ver da quinta fila da bancada do Partido Socialista a aplaudir Francisco Louçã?"

Pedro Silva Pereira: "...não...vamos lá ver...bom...sim, numa situação pontual"

(...)

MFP: "Mas há uns meses seria inimaginável ver PSP a aplaudir Francisco Louçã."

PSP: "Não, desculpe, eu aplaudi nesse debate, como faço sempre, o Secretário-Geral do Partido Socialista..."

MFP: "Claro que sim, não estou a dizer que não aplaudiu..."

 

in Maria Flor Pedroso, edição de 7 de Outubro, Antena 1

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Prisão preventiva

por João Carvalho, em 26.10.11

 

Dizem os noticiários que os seis meliantes que andaram a assaltar não-sei-quantas caixas Multibanco, para os lados de Setúbal, não só foram apanhados e levados a tribunal como o juiz até decidiu deixá-los em prisão preventiva. Por uma vez, vá lá.

Estranha-se, por ser invulgar. Eu cá não sou de intrigas, como sabem, mas comenta-se por aí que o apartamento daquele juiz deve ter por baixo uma caixa Multibanco. Má-língua, é o que é. Se calhar nem sabem se o juiz mora num apartamento.

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"Gorduras do Estado" (1)

por Pedro Correia, em 26.10.11

Administração Regional de Saúde paga rendas de edifícios que já não usa há anos

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Bunga bunga parlamentar

por Rui Rocha, em 26.10.11
 
A fotografia imortaliza o momento em que, na sessão que hoje decorreu no Paralmento italiano, Claudio Barbato, com calções azuis, e Fabio Ranieri, com calções vermelhos, trocaram argumentos democráticos com a ponderação que o momento exige. O diálogo desencadeou-se na sequência de afirmações feitas ontem, na televisão, por Gianfranco Fini. Este acusou a mulher de Umberto Bossi de se ter reformado aos 39 anos.

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A semente totalitária

por Pedro Correia, em 26.10.11

 

Várias vezes, nos mais diversos locais, somos submetidos a detectores de metais. As câmaras da chamada "videovigilância" estão por todo o lado. Os meios electrónicos que nos facilitam a vida funcionam também como registo permanente do nosso paradeiro -- as vias verdes nas auto-estradas, o multibanco que permite escrutinar onde levantamos dinheiro e a que horas e qual a quantia em causa, o telemóvel sofisticado que traz incorporado um GPS que constitui uma espécie de segunda impressão digital nossa: é impossível viver sem ele, é impossível apagar o traço da nossa passagem com ele, seja por onde for.

A sociedade aterradora delineada por George Orwell, em que a tecnologia constitui já não só um instrumento de um sistema totalitário mas o seu próprio fundamento, ultrapassou as páginas da literatura de ficção, incorporando-se no nosso quotidiano. Quando o próprio Procurador-Geral da República admite estar a ser alvo de escutas telefónicas ilegais, todo o cidadão tem não só o direito mas também o dever de exprimir preocupação. Em nome do combate ao terrorismo ou até à delinquência comum, estamos a fazer recuar drasticamente as fronteiras da privacidade. O mesmo é dizer: as fronteiras da liberdade individual, um valor inestimável.

A semente totalitária começa a germinar assim.

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Dois jovens dentro de um gorro?

por João Carvalho, em 26.10.11

«(...) Ninguém quer falar apesar de nos dizerem em off aos muitos jornalistas que aqui estão que souberam deste assalto que aconteceu como já disse pouco passava depois das 11 horas, souberam então aqui já na rua, mas garantem que presenciaram e que não perceberam então o sucedido, este assalto a esta loja de onde terão tirado então dois indivíduos, dois jovens, a empregada da loja disse-nos que apesar de estarem com gorro deu para perceber que eram dois jovens, este assalto aqui em Paivas-Xeixal, na Avenida 1.º de Maio, a avenida principal aqui no Seixal.»

Sandra Claudino em reportagem sobre o assalto a uma loja de compra e venda de ouro em Paivas (Seixal), Jornal da Tarde, RTP1

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Subsidiarite e outras coisas mais

por José António Abreu, em 26.10.11

1. A lógica dos subsídios complementares ao ordenado é quase sempre absurda mas condiz connosco – adoramos arranjar soluções para problemas que não deviam existir. Os subsídios tendem a ser formas de contornar, ou disfarçar, aumentos salariais. Devia acabar-se com eles, integrando-os no salário. No mínimo, ganhar-se-ia em transparência, simplicidade de processos e receita fiscal. Mas acabe-se com todos. Incluindo o de almoço.*

 

2. Sem subsídios, a remuneração dos membros do governo é demasiado baixa. Um secretário de Estado não pode ganhar o mesmo que um gerente bancário. É também por isto que, mesmo com a profusão de subsídios, o exercício de cargos políticos se tornou num investimento para medíocres e não num objectivo para gente com valor. Ser ministro ou secretário de Estado tem significado abrir portas para o futuro, à custa do interesse público.

 

3. Em Portugal, o sistema de pesos e contrapesos não funciona. Nunca funcionou, provavelmente nunca funcionará. Não se trata de uma questão de leis mas do emaranhado de interesses e relações de poder em que o sistema judicial se tornou e da mentalidade geral (protestamos muito mas reelegemos corruptos e incompetentes a cada nova oportunidade; juramos pelas leis num momento, consideramo-las estúpidas e contornáveis no seguinte). Enquanto isto suceder, nada mudará. Subsídios e pensões permanecerão o topo visível do icebergue. Os verdadeiros corruptos agradecem.

 

4. A revisão constitucional é indispensável, não para impor soluções (essa é a receita da Constituição actual) mas para abrir possibilidades de escolha. Desde logo no modelo do sistema judicial.

  

5. Uma opinião pública forte é desejável, constituindo provavelmente o único modo de vencer inércias e quebrar interesses. Uma opinião pública incapaz de distinguir o essencial do acessório é perigosa. Foi uma opinião pública deste tipo (mas, ademais, fraca), doutrinada por políticos como os referidos no ponto 2, que nos trouxe à situação actual. Uma opinião pública forte apenas porque encolerizada e incapaz de distinguir o essencial do acessório é uma receita para o populismo.

 


* Afinal, por que há-de o almoço junto ao local de trabalho ser pago mas o transporte entre a residência e esse mesmo local ou a roupa que se é obrigado a usar para ir trabalhar (em casa até podemos andar nus) já não? No mínimo, dentro da lógica prevalecente nos últimos dias (correcta, não me interpretem mal, absolutamente correcta), não seria de exigir a quem almoça em casa que prescinda do subsídio?

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Moral da história

por Rui Rocha, em 26.10.11

 

Quando alguém lhe opuser direitos adquiridos, peça-lhe o recibo. É preciso esclarecer quem lhos vendeu, a que preço e se, de facto, foram pagos. Anda por aí muito gato por lebre.

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Vistas curtas

por João Carvalho, em 26.10.11

Sobre a queda parcial do aeroporto de Faro com uma rajada de vento, acabo de ver na televisão um passageiro a dizer em inglês ao repórter, com ar incrédulo e um sorrisinho dúbio, que o arquitecto da aerogare tem boas razões para estar preocupado. Estava na cara que o homem só pode ser estrangeiro e, seguramente, de algum país civilizado. Um responsável português preocupado com uma obra em Portugal? Estes estrangeiros civilizados têm sempre uma visão estreita da vida. É o que eu digo: viajam muito, mas nunca conseguem ver para lá da rua deles...

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Estes Conselheiros de Estado riem de quê?

por Rui Rocha, em 26.10.11
 
* foto publicada no Jornal de Negócios

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Delitos do Pau

por João Carvalho, em 26.10.11

O «DELITO DE OPINIÃO é o melhor blogue político», conforme se lê no Pau Para Toda a Obra, onde o João Severino escreve que o DO «é o blogue que encerra os mais diversos e diferenciados temas políticos com melhor classificação no blogómetro Webblog» (v. aqui).

Estás sempre atento, João. Obrigado em nome de todos nós e um abraço com amizade.

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