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por Pedro Correia, em 30.04.11

37 anos depois. Do Manuel António Pina, no JN.

Jejuns. Do Miguel Marujo, na Cibertúlia.

Cheira a pólvora. Do Luís Novaes Tito, n' A Barbearia do Senhor Luís.

Tiros no pé. Do Francisco José Viegas, n' A Origem das Espécies.

Palavras gastas. Do Luís Osório, no Albergue Espanhol.

Visto de fora. Do Filipe Nunes Vicente, no Mar Salgado.

PSD: ter poder ou ter razão? Da Helena Matos, no Blasfémias.

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Julgamentos e calúnias

por Rui Rocha, em 30.04.11

Antes de mais, devo dizer, eu que sou Rocha, que acho alguma piada a que um tipo chamado Capoulas e que tem ambos os apelidos no plural ache calunioso seja lá o que for. Isto dito, sou obrigado a dar-lhe alguma razão no que diz respeito às afirmações proferidas por Eduardo Catroga (quanto a apelidos estamos conversados). Não que Catroga erre o alvo quanto ao fartar vilanagem e à responsabilidade de Sócrates em tal enfartamento. Nesses pontos, acerta na mosca. Que, como sabemos, tem sido a mesma nos últimos 6 anos, estando a diferença, apenas, no acumular de matéria em decomposição. O ponto é que não vejo qualquer razão para deixar o julgamento de Sócrates (confirma-se, a história é cíclica e repete-se como farsa) para as gerações mais jovens. Creio que se trata de um afloramento dessa tendência tão presente nas sociedades actuais de valorizar excessivamente a juventude. Vejamos, os jovens já têm muitas coisas estimulantes a que podem dedicar a atenção. Lembro-me, assim de repente, e parafraseando o nosso Primeiro-Ministro, «da lei mais justa na interrupção voluntária da gravidez», «da lei da paridade, para que mais mulheres tenham acesso à vida política», da «iniciativa legislativa no campo do divórcio litigioso» ou «da lei que permite em Portugal o casamento entre pessoas do mesmo sexo». Aliás, com tanto para fazer, ainda bem que lhes sobra tempo, não é? Ora, voltando à vaca fria, acho que esta coisa de participar na responsabilização judicial de Sócrates, a avançar, não deveria ter natureza fracturante. Pelo contrário, deveria ser aberta a toda a sociedade. É um acto cívico, que diabo. Exige-se participação e inclusão. E não vejo qualquer razão para excluir o Manoel de Oliveira. Existe, todavia, outro aspecto da proposta de Catroga que me preocupa. As responsabilidades de Sócrates têm a dimensão da  sua incompetência, arrogância, teimosia e imprevidência. Não há, por isso, palavras que as contenham (com o duplo sentido de incluir e deter). Mas, temo que sujeitar Sócrates à justiça portuguesa constitua uma punição demasiado pesada. Para nós, cidadãos. Passar a próxima década em adiamentos, julgamentos anulados, repetições de diligências e outras moléstias para chegar ao fim com uma prescrição qualquer, por incúria do Ministério Público, não me parece grande cenário. Mal por mal, é melhor resolver a coisa por via de julgamento eleitoral. É certo que os menores de 18 anos não poderão participar (podem aproveitar o dia para lerem a lei da paridade, sei lá...). Mas, este é um caso em que não devemos deixar para os jovens de amanhã aquilo que podemos fazer em 5 de Junho.

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Passado presente (CCCXVIII)

por Pedro Correia, em 30.04.11

The Twilight Zone / A Quinta Dimensão

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Um partido sem emenda (6)

por Pedro Correia, em 30.04.11

«Nós não temos hoje à frente dos dois principais partidos pessoas que tenham capacidade e preparação para enfrentar a crise que temos.»

Pacheco Pereira, quinta-feira, na Quadratura do Círculo (SIC N)

 

«O PSD é um partido sem estratégia.»

Pacheco Pereira, ontem, em entrevista à Antena 1 e reproduzida na RTP

 

Faltam 36 dias para as legislativas.

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Primeiro estranha-se, não é?

por João Campos, em 30.04.11

Nunca tive especial admiração jornalística por Judite de Sousa, apesar de não a achar má jornalista, e de há muito estar habituado a vê-la na RTP, sobretudo nas grandes entrevistas a algumas das mais importantes personalidades deste país. Por isso, foi com muita estranheza que, numa destas manhãs, entre um mil folhas e uma bica, a vejo de manhã na TVI a fazer um directo absolutamente ridículo para o programa do Goucha. É certo que provavelmente é preferível isso a aturar Sócrates em estúdio durante uma hora, mas que raio: o programa do Goucha? 

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Prémio TED 2011.

por Luís M. Jorge, em 30.04.11

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Retrato da bitola estreita

por João Carvalho, em 30.04.11

A REFER, empresa pública que gere a rede ferroviária nacional, fechou o ano de 2010 com resultados líquidos negativos de 146,5 milhões de euros, os quais foram agora conhecidos e traduzem um exercício que fica marcado pelo aumento do endividamento.

Não foi a REFER uma das empresas públicas que quiseram fugir à redução dos vencimentos por se achar cheia de razões para não cumprir a legislação que o determina? Gosto do slogan da REFER: "Vias para o Futuro". Traduz o futuro dourado dos gestores que pagamos.

Já agora: que e quantos aumomóveis têm os administradores da REFER e há quanto tempo? Que tal premiá-los com um TGV para cada um com uma ajudinha da RAVE, a empresa pública da "grande família" que gere a rede nacional de alta velocidade que não temos?

A propósito: CP, REFER, RAVE e IMTT — alguma destas instituições públicas, tão necessárias para gerir a fantástica rede ferroviária que ainda nos sobra do século XIX, não dá prejuízo?

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As canções do século (485)

por Pedro Correia, em 30.04.11

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Leituras

por Pedro Correia, em 29.04.11

 

«Os seres humanos são tangíveis. São dotados de corpos e, como esses corpos sentem dor e padecem de doenças e terminam na morte, a vida humana não sofreu nem a mais ínfima alteração desde os primórdios da Humanidade. Sim, a descoberta do fogo permitiu ao homem gozar o calor nos dias frios e acabou com o regime de carne crua; a construção de pontes permitiu-lhe atravessar rios e riachos sem molhar os dedos dos pés; a invenção do avião permitiu-lhe galgar continentes e oceanos ao mesmo tempo que criou novos fenómenos como o jet lag e os filmes que passam nos voos - porém, se bem que tenha transformado o mundo à sua volta, o homem em si não mudou. Os factos da vida são constantes. Uma pessoa vive e depois morre. Nasce do corpo de uma mulher e, se conseguir sobreviver ao nascimento, a mãe terá de a alimentar e cuidar dela a fim de assegurar a sua sobrevivência, e tudo o que acontece a uma pessoa desde o momento do seu nascimento até ao momento da sua morte, todas as emoções que vão crescendo dentro dela, todas as explosões de raiva, todas as vagas de desejo, todos os acessos de choro, todas as rajadas de riso, tudo o que essa pessoa - seja ela um homem das cavernas ou um astronauta, viva ele no Deserto de Gobi ou no Círculo Polar Árctico - alguma vez sentirá ao longo da sua vida já foi também sentido por todas as outras pessoas que vieram antes dela.»

Paul Auster, Sunset Park

(Edições ASA, 2010. Tradução de José Vieira de Lima)

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A governação de Sócrates em duas imagens

por Rui Rocha, em 29.04.11

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Uma pergunta muito simples

por Pedro Correia, em 29.04.11

Ainda há social-democratas no PS?

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Grande

por Pedro Correia, em 29.04.11

 

Presto aqui o meu comovido tributo ao David Lopes Ramos: grande jornalista, grande gastrónomo, grande crítico, grande cultor da língua portuguesa, grande amigo, grande cidadão.

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Tiros no pé

por Leonor Barros, em 29.04.11

Volta, avaliação, que estás perdoada.

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Convidado: JOSÉ MÁRIO TEIXEIRA

por Pedro Correia, em 29.04.11

 

Pistola, mamas e ajuda financeira

 

Em pleno sufoco mediático da vinda do FMI, veio-me à mente uma história de família envolvendo coisas tão diversas como uma pistola, um par de mamas e uma ajuda financeira, que verto nestas linhas que se seguem.

Findara a Primeira Guerra Mundial e a França estava destroçada. Urgia colocar de novo o génio e a força de trabalho do Homem ao serviço da obra, passada que era a hora da besta da destruição bélica. Excelente oportunidade para arranjar trabalho, mais bem remunerado, que possibilitasse o aforro para uma melhor vida. E assim, tal como tanta gente, lá foi o meu avô trabalhar para terras gaulesas. Mas com “carta de chamada”, pois não queria correr riscos de ir “a salto”.

Em França, o Tio Joaquim - homem cuja força de personalidade e de músculo cedo lhe valera a alcunha de “Comandante” - foi peremptório:

- Tens duas hipóteses: ou ficas aqui comigo na Pensão da Madame Blanche, que é mais cara mas onde convives até com professores da universidade, ou vais para as pensões baratas dos portugueses e voltas o mesmo ignorante que vieste!

Escusado será dizer que o meu avô ficou com o seu mentor. E a vida começou a correr bem: muito trabalho e muito dinheiro.

Algum tempo depois, Tio Joaquim e Madame Blanche, francesa formosa e de peito privilegiado, decidiram dar um passeio à Bélgica. De véspera, o meu avô pediu ao tio que lhe trouxesse uma pistola. Algo que o seu mestre reprovou mas que teve aceitação no olhar da companheira francesa. E tanto assim foi que, regressados, a proprietária da pensão chamou o meu avô e, às escondidas do “Comandante”, passou-lhe para as mãos uma FN 6,35, que retirou de um voluptuoso estojo: as suas mamas.

Finalmente, o meu avô era um homem próspero e tinha pistola. Combinação muito natural naquela época.

Regressado à pátria lusa, lançou-se decididamente como empresário, casou e, por sorte minha, teve filhos. Mas a sua França voltaria em breve a ser arrasada por novo conflito mundial. Uma vez findo, foi lançado um peditório internacional para ajuda à reconstrução.

O meu avô não faltou à chamada e, acompanhado do adolescente meu pai, dirigiu-se ao Consulado de França no Porto - que à época era numa esquina da Praça de Parada Leitão para a Praça da Cordoaria - onde entregou o seu donativo. Quando os administrativos quiseram emitir um certificado de reconhecimento, o meu avô recusou:

- Só estou a retribuir à França o que a França fez por mim.

A esta hora já perceberam que o episódio da pistola e das mamas, ainda que verídico, foi só para apimentar o título. O importante é que sempre que o meu pai me recorda esta história, o seu sorriso cúmplice ilumina o meu, e da memória acabo por concluir em plena polémica de ajuda externa que, como em tudo na vida, há ajudas e há ajudas...

 

José Mário Teixeira

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Princesinhas.

por Luís M. Jorge, em 29.04.11

 

Alguém devia escrever sobre o estofo darwinista das consortes reais. Imaginem o talento de que necessitam estas mulheres para encantarem durante décadas um palerma mimado, afastarem as hárpias, persuadirem a família de Windsors ou Saxe-Coburgs, honrarem as instituições e comoverem o povo durante noivados sem mácula até à glória de uma boda triunfal. Ser doida na cama ajuda, mas não chega.

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A avaliar pelos dois primeiros episódios - soberbos -, é bem provável que Game of Thrones venha a ser uma das séries do ano (logo escreverei qualquer coisa sobre o livro no qual se baseia).

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Um partido sem emenda (5)

por Pedro Correia, em 29.04.11

«Morais Sarmento critica PSD por chumbar avaliação de professores.»

29 de Março

 

«Nuno Morais Sarmento considera que o PSD não devia ter posto em causa o PEC IV e votado contra o documento. Numa entrevista à Rádio Renascença, o social-democrata disse que o PSD errou ao colocar em causa a palavra dada por José Sócrates em Bruxelas.»

5 de Abril

 

«Morais Sarmento critica Passos Coelho pela escolha de Fernando Nobre.»

12 de Abril

 

 

Faltam 37 dias para as legislativas.

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 29.04.11

 

 

Teresa Palmer

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Os nossos convidados

por Pedro Correia, em 29.04.11

Hoje é dia de recebermos aqui no DELITO o José Mário Teixeira, do blogue Aventar.

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As canções do século (484)

por Pedro Correia, em 29.04.11

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Fiquei elucidado

por João Carvalho, em 28.04.11

«O doutor Cavaco Silva não tem qualquer legitimidade para apelar à unidade dos portugueses, sobretudo depois dos discursos que teve oportunidade de fazer quando foi reeleito pelos portugueses.»

O representante do Bloco de Esquerda no Corredor do Poder, RTP-1

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Amoroso

por Ana Sofia Couto, em 28.04.11

 

O engenheiro é a força e a esperança deste país.

Gostava de perguntar se é para continuar o programa INOV, e dar-lhe os parabéns por este programa!

Este primeiro-ministro é o campeão da inovação.

Este foi o melhor primeiro-ministro que o país já teve. E eu sei que vai continuar a ter!

Sr. José Sócrates, o país está consigo.  

 

Hoje, o Fórum TSF foi assim.

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Aventuras políticas e tiros no escuro

por Rui Rocha, em 28.04.11

O Senhor Primeiro-Ministro está demissionário, mas mantém-se igual a si próprio. Ou, melhor dito, varia conforme a sua semelhança. Em essência, é incompetente e irresponsável e especializou-se em manipular, ocultar, omitir e negar a realidade. Sendo estas características permanentes, a intensidade com que as pratica aumenta em função da vontade que vai detectando nos que o rodeiam para lhe aparar o jogo. O facto de ter um partido submisso e aparentemente entusiástico dá-lhe forças renovadas. Sondagens que não o colocam ao nível rasteiro onde ele sabe que devia estar dão asas às suas piores qualidades. Só este contexto em que, aparentemente, tudo lhe foi e é permitido, sem qualquer responsabilização, justifica o topete de apresentar um programa eleitoral que assenta em falsidades e em mistificações. Tudo isto é tanto mais grave quanto é certo que este é o ainda líder do governo. E que, nessa qualidade, está a negociar condições da ajuda externa que, como o próprio reconhece, serão completamente diferentes daquelas que constam do programa eleitoral e que foram decalcadas do PEC IV. Ora, perante tamanha desfaçatez e a aparente indiferença e permissividade de um grupo significativo de portugueses, importa deixar claro a José Sócrates que nem todos, apesar de tudo, estamos disponíveis para dar cobertura às suas trampolinices. Aqui fica o registo de algumas vozes que ajudam a perceber onde estão as aventuras políticas e os tiros no escuro a que Sócrates se refere:

"Quando me dizem que é com o Fundo Monetário Internacional que o Estado Social vai ser posto em causa - não. Foi agora que o Estado Social foi posto em causa, pelas pessoas que resolveram fazer estádios de futebol - dez quando chegavam oito - e tantas autoestradas". (...) Os actuais defensores do Estado Social foram os maiores responsáveis pelos problemas estruturais do país. (...)Temos de perder as ilusões. Com certeza que os tempos que vêm aí vão ser violentos".

Estela Barbot (FMI)

 

"O objectivo de atingir um saldo orçamental próximo do equilíbrio foi sistematicamente reiterado nos nossos diferentes Programas de Estabilidade e Crescimento mas foi sempre adiado para o final do horizonte do programa seguinte, isto é, não nos esquecemos da regra mas nunca a respeitamos ou aplicamos".

 

Nos últimos 12 anos os Estados e os Governos à frente dos destinos do país não foram prudentes. Endividaram-se e não quiseram cumprir regras europeias, de manter o défice abaixo dos 3%, ou de simples bom senso.

 

“É crucial que os decisores de política e os gestores públicos prestem contas e sejam responsabilizados pela utilização que fazem dos recursos postos à sua disposição pelos contribuintes”.
Carlos Costa (Governador do Banco de Portugal)

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Rasgos (33)

por Ana Vidal, em 28.04.11

 

 

WASTE LAND/ LIXO EXTRAORDINÁRIO

O documentário Lixo extraordinário relata a trajetória do lixo dispensado no Jardim
Gramacho, o maior aterro sanitário da América Latina, localizado na periferia de Duque de Caxias (Rio de Janeiro), até ser transformado em arte pelas mãos do artista plástico Vik Muniz e seguir para prestigiadas casas de leilões internacionais. Consagrado pelo público como melhor documentário em festivais como Sundance, Berlim e Paulínia, entre outros, o documentário tem direção conjunta de João Jardim (Janela da Alma e Pro Dia Nascer Feliz), da cineasta Karen Harley e da documentarista inglesa Lucy Walker. Lixo Extraordinário também foi exibido fora de competição no Festival do Rio e na Mostra São Paulo, em 2010.

Segundo o dicionário, “lixo” significa qualquer material considerado inútil, supérfluo, e/ou sem valor, gerado pela atividade humana. Antes de chegar ao Jardim Gramacho, Vik Muniz e os diretores do documentário não esperavam encontrar nada muito diferente disso, mas se surpreenderam ao conhecer pessoas cativantes, cheias de dignidade, como Tião, jovem presidente da ACAMJG (Associação de Catadores do Aterro Metropolitano de Jardim
Gramacho), ou Zumbi, catador.

VIK MUNIZ www.vikmuniz.net

Vik Muniz nasceu em uma família de classe operária em 1961, no estado de São Paulo, Brasil. Quando jovem, foi baleado na perna enquanto tentava separar uma briga e, por isso, recebeu uma indenização por suas lesões. Com o dinheiro, financiou uma viagem a Nova York, onde viveu e trabalhou durante décadas. Vik começou a carreira de artista plástico como escultor, mas, ao se interessar pelas reproduções fotográficas de seu trabalho, acabou voltando sua atenção exclusivamente para fotografia. Ele incorpora uma multiplicidade de materiais improváveis a este processo fotográfico. Frequentemente Vik utiliza diamantes, açúcar, cordas, calda de chocolate e lixo em seus trabalhos, parodiando imagens clássicas do Fotojornalismo e da História da Arte. Sua obra foi recebida com aclamação do público e da crítica e tem sido exibida em todo o mundo. Sua exposição individual no MAM (Museu de Arte Moderna), no Rio de Janeiro, foi a segunda em número de visitantes – ficando atrás somente da exposição de Picasso. Foi no MAM que Vik expôs pela primeira vez a série "Pictures of Garbage” no Brasil.

 

(Nota: Explicação que acompanhava o convite que recebi para este documentário extraordinário, com a presença e participação do próprio Vik Muniz. Espero que venha para o circuito comercial português, porque vale mesmo a pena vê-lo. )

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TMN: resta virar-lhe as costas

por João Carvalho, em 28.04.11

Já houve uma espécie de provedor do cliente para os clientes da TMN. Na verdade, não era um provedor, mas algo a que o servidor chamava serviço de provedoria, o que não é a mesma coisa e dilui na prática o conceito, visto tratar-se de um serviço interno sem qualquer independência ou capacidade de análise com a devida equidistância.

Para lá chegar, ligava-se o 800204420. Actualmente, ligar para este número significa ouvir uma gravação que indica um fax e um e-mail para se chegar à tal provedoria. Ou seja: a provedoria do servidor de telemóvel não atende telemóveis. Se aquele mesmo número for tentado por um telefone fixo, mesmo que seja da PT Telecom, então a indicação é a de que tal número nem sequer se encontra atribuído.

Se acrescentar a isto as vezes que recebo chamadas da (ou em nome da) TMN com número "confidencial", as mensagens que a TMN me envia a tratar-me por "tu" para promover as mais variadas porcarias e toda a sorte de atropelos ao respeito que me é devido, só tenho uma saída: a próxima vez que o servidor me contactar não lhe darei tempo de me dizer até já. Digo-lhe adeus. Se não reconhece e não respeita um cliente de dez anos, está na hora de lhe virar as costas.

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O penoso crepúsculo cubano

por Pedro Correia, em 28.04.11

 

Num mundo em que a História acelera, em Cuba parece ter parado. A sensação de irrealidade que nos chega da ilha comunista, aprisionada há mais de meio século por uma "revolução" que a pôs à margem dos sonhos e aspirações da generalidade dos povos, atingiu por estes dias o cume:

- O congresso do Partido Comunista Cubano reuniu enfim, com nove anos de atraso, em clara violação dos seus próprios estatutos.

- Soube-se agora que o primeiro secretário do partido, Fidel Castro, havia secretamente transferido estas funções em 2006 para o irmão, o general Raúl Castro, também em flagrante violação das normas estatutárias.

- Procedeu-se à "renovação" do partido nomeando para braço direito de Raúl, com 80 anos incompletos, um dos cabecilhas da revolução, José Machado Ventura, com 80 anos já feitos.

- A Comissão Política do PCC, que integra 15 dirigentes, conta com três novos membros - todos com mais de 50 anos, idade em que ainda se é jovem para os padrões cubanos.

- Numa suprema demonstração de cinismo, Raúl, figura cimeira do regime desde 1959, vem agora estabelecer um limite de dez anos para o exercício de cargos políticos. Seguida à letra, no caso dele, a norma permitir-lhe-á governar até aos 90 anos. Mas na Cuba comunista, onde a biologia manda mais do que a ideologia, nunca se sabe: os governantes são os primeiros a violar as próprias normas que impõem ao povo.

 

 

O que este congresso que devia ter ocorrido em 2002 confirma é a manutenção de um regime de partido único, profundamente hierarquizado, em que as hostes partidárias se confundem com as forças armadas (que embolsam 60% das receitas turísticas) e o aparelho de Estado. Um regime em que a cúpula do poder permanece nas mãos de membros da mesma família há 52 anos. Um regime que destruiu o tecido produtivo do país e hoje se vê forçado a importar 80% do que ali se come. Um regime mergulhado num irreversível e penoso crepúsculo, confundindo o seu destino com o do país.

Há meio século, a palavra de ordem era "socialismo" - a toda a velocidade. Agora a palavra que está nas mentes de todos é "capitalismo" - o mais devagar possível. Com mais de dois milhões de cubanos forçados a viver fora da ilha e milhão e meio à beira do desemprego porque o Estado-patrão deixou de ter verba para pagar os magros salários - os segundos mais baixos do hemisfério ocidental - e as esquálidas pensões de reforma de oito euros mensais.

Cuba é hoje uma nação envelhecida, sem esperança, com a segunda mais larga população de idosos da América Latina: 46% da população tem mais de 40 anos. Os jovens tudo fazem para abandonar um país onde o partido-Estado persiste em oprimir a sociedade. Em nome da "liberdade", o que torna tudo ainda mais trágico.

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Convidado: FERNANDO TORRES

por Pedro Correia, em 28.04.11

 

Entrevista imaginária

 

SUA MAJESTADE el-Rei Dom João IV, vigésimo primeiro Rei de Portugal e dos Algarves, d'Aquém e d'Além-Mar, primeiro soberano da quarta dinastia, a de Bragança, falecido em 1656, isto é, há 355 anos, depois de alguns convites que lhe fiz, acabou por aceder materializar-se, concedendo-me esta falsa entrevista.

Chegou para o encontro com o porte exigido a um monarca, cumprimentou com um ligeiro movimento da cabeça, e sentou-se. No semblante, um bigode tremelique e aquela sobrancelha arrebitada eram sinais de uma incontida expectativa. E começámos:

 

 

P - Dizem os cronistas que Vossa Majestade, nos idos de 1640, aquando da restauração da independência, teve alguma relutância em assumir-se como mentor do movimento dos conspiradores. Qual a razão daquela prudência, quiçá hesitação?

R – Na altura, ainda jovem e bem instalado, não era muito voluntarioso, e se não fosse a insistência de dona Luíza, minha esposa, não me teria aventurado. As mulheres acabam sempre por marcar a vida dos homens, para o melhor e para o pior. Mas numa situação daquelas caímos sempre naquela angústia que assalta quem não possui o dom de predizer o futuro, isto é, se aquilo em que nos vamos empenhar irá ser melhor ou pior para o país. Olhe, parafraseando o que há dias disse o vosso contemporâneo Otelo, se soubesse o que sei hoje, provavelmente, também não teria dado aquele passo.

P - Concorda então com a posição do coronel Otelo?

R – Não, não concordo. Esse homem quer excluir-se de ter sido protagonista e ter tido responsabilidades num projecto que, entre muitos achaques e solavancos, foi corrompido e está a correr mal. Em resumo, quer reescrever a História. Não podendo fugir, quer ver-se desligado do acontecimento. Essa é a pior cobardia que conheço. Eu, enquanto por cá andei, arrisquei, fiz o que pude, nunca enjeitei a causa da restauração, muito embora agora, tanto tempo decorrido, conclua que os seus objectivos a longo prazo não tenham sido atingidos. 

P – Voltemos então a 1640. Ao passo que uma parte da aristocracia se sentia confortada com o domínio dos Filipes, havia outra que queria evitar a definitiva integração de Portugal no reino de Espanha. Quanto ao povo, também esgotado e cheio de exaltação patriótica, não se eximiu a corresponder aos sacrifícios que lhe foram exigidos. Tomou o partido dos segundos porquê?

R – Fui mais empurrado que convencido por esse lote de aristocratas a quem interessava voltar e gozar da independência, pois não é muito rentável partilhar teres e haveres com o vizinho do lado, além de que não há nada como cada um ter o seu quintalzinho para governar. E nessas alturas apelar ao patriotismo dá muito jeito, pois o povo não percebe que tanto é explorado de uma forma como de outra, mas gosta que lhe digam, em certos momentos, que é protagonista, e que está nas suas mãos a salvação e os destinos do país.

P – Então, dessa sua anuência em ostentar a coroa e iniciar uma nova dinastia, e à distância de 355 anos, que saldo podemos concluir?

R – Apenas que voltámos a adiar a nossa decadência, e pouco mais. Em 1640 eu não era um Mestre de Avis, como o de 1383, que se pôs à cabeça de um povo que era a força motriz da revolução, a tal arraia-miúda de que falava o Fernão Lopes. Eu era apenas a cabeça para receber a coroa, caso os quarenta insurrectos fossem bem sucedidos.

P – E foram! Não há dúvidas que tiveram sucesso, mas quanto ao propósito, será que era bom?

R – Só quando se materializa em progresso. Se, pelo contrário, cairmos numa espiral de malogros, o mais certo é que estejamos a falar de um estado falhado. A responsabilidade disso cabe sempre aos governantes, muito embora em democracia, como é agora o caso, o povo eleitor também tenha que partilhar essa responsabilidade, sobretudo quando acredita em falsas promessas, e mesmo assim não se emenda nas escolhas, e até reincida.

P – Então a restauração não passou de uma ilusão…

R – Ganhámos a independência em termos militares, porque o nosso vizinho não reagiu de imediato, pois estava no meio de uma guerra com os franceses, e a nossa conspiração foi tão artesanal que passou despercebida. Ganhámos a independência política, mas de lá para cá a verdadeira soberania portuguesa foi-se enfraquecendo e desbaratando por outros caminhos.  

P – Como assim?

R – Fomos descobridores, colonizadores, mas também nos deixámos colonizar.

P – Dê-me exemplos…

R – Tornámo-nos um protectorado dos ingleses com o tratado de Meetwen, desenhámos o mapa cor-de-rosa e responderam-nos com o ultimato inglês, acabámos por ceder as Lages, sob a ameaça de ocupação por parte dos EUA e Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial, e aceitámos a brutal redução da agricultura e das pescas, após a adesão à União Europeia, quase transformando o país num mero mercado consumidor de produtos importados. Agora ostentamos a segunda maior fuga de cérebros de toda a OCDE, a segunda maior vaga de emigração e a pior dívida pública dos últimos 160 anos. Temos a maior dívida externa dos últimos 120 anos, coisa que em termos brutos é quase oito vezes maior do que as nossas exportações, com a austeridade e a recessão sempre a rondar-nos a porta. E já vamos na terceira intervenção do FMI. O resultado final é que o povo vai empobrecendo cada dia que passa, ao passo que o Estado exibe uma ostentação faraónica…

P – Vossa Majestade está bem informado!

R – Pudera! Ser observador não paga imposto. Por isso sou tão pessimista e descrente do que se ganhou com a restauração da independência, dado estarmos hoje no ponto em que estamos, que nem com os amigos se pode contar…

P – Quais amigos?

R - Falar de países amigos é pura hipocrisia. Ao longo da História, nunca se disse maior bravata. Os povos e os países sempre escolheram os seus “amigos”, em função dos seus interesses. A amizade genuína, mesmo entre indivíduos, é quase um produto residual, senão mesmo raro. Assim sendo, os portugueses não se devem escandalizar quando agora aparecem alguns países da União Europeia a recusarem-se contribuir para o resgate da dívida soberana, apontando-nos a porta de saída do euro, ao mesmo tempo que nos apaparicam, para que continuemos a consumir o que eles para cá exportam. Portanto, não se admirem que já haja 39% de espanhóis que concordam com a unidade ibérica, ao passo que 46% de portugueses vão pelo mesmo caminho, pois ambos os países partilham a mesma jangada e a união faz a força…

P – Vossa Majestade já está a fazer futurologia, a qual não elimina a continuada política de traição, perda de energia e definhamento, que levou Portugal a perder a pulsação…

R - Miguéis de Vasconcelos há muitos e para todos os gostos, eles andam por aí. Mas o pior são os traficantes da política, isto é, aqueles cuja acção não coincide com o que dizem, nem com o que pensam, mais o facto de os portugueses continuarem a ter memória curta, serem cada vez mais ingénuos e campeões dos brandos costumes…

P – Que solução sugere?

R – Tal como eu não posso ressuscitar, também vocês não podem recuar até 1974 ou 1640, e de lá ensaiarem outras soluções, reescrevendo a História. Mas podem, a partir de amanhã, mudar de rumo e fazer escolhas acertadas. Se Portugal, com engenho e arte, foi tantas vezes pioneiro e inovador, porque não há-de voltar a sê-lo?

 

Fernando Torres

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Um livro também se vê

por Ana Margarida Craveiro, em 28.04.11

E este tem uma capa particularmente bela (sim, eu gosto de olhar para as capas).

 

 

A Divina Comédia, traduzida por Vasco Graça Moura.

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Esta banca não aprende

por Teresa Ribeiro, em 28.04.11

O Barclays anda há mais de um ano atrás de mim. Alheio à curva ascendente do crédito mal parado quer por força dar-me um cartão de crédito, apesar de não saber grande coisa a meu respeito, pois não sou cliente.

Já perdi a conta às vezes que o recusei pelo telefone. Como se não bastasse, passou também a assediar-me com emails. Quando leio o nome do banco no remetente, já sei qual é o assunto, portanto nem abro. Ontem, antes de mandar mais um para o lixo reparei que desta vez a mensagem vinha com teaser. Agora oferecem-me uma máquina Nespresso. Ando, como toda a gente, a restringir o meu consumo a crédito, por isso lamento, mas vou resistir, apesar de não ter Nespresso em casa. Quando me oferecerem o Clooney, talvez ceda. 

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Os nossos convidados

por Pedro Correia, em 28.04.11

Vem hoje escrever connosco o Fernando Torres, do blogue O Escrevinhador. E posso desde já antecipar que nos traz um texto muito original.

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As canções do século (483)

por Pedro Correia, em 28.04.11

 

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A virgindade política

por João Campos, em 27.04.11

Isto já foi dito e escrito por imensa gente e com várias palavras, mas dadas as circunstâncias - e a insistência da personagem - creio não ser excessivo repetir: se o ex-Presidente da República Jorge Sampaio tivesse um pingo de vergonha na cara, estava caladinho, com esperança de que ninguém se lembrasse dele. Como não tem, anda por aí a arrotar postas de pescada do alto da sua imaginada virgindade política. Por acaso, Sampaio não foi PR durante dez anos, não proferiu em tempos a frase assassina "há vida para além do défice" (do orçamento, seja) e não dissolveu uma Assembleia com maioria por um qualquer motivo obscuro que, estou em crer, nunca ninguém percebeu. É verdade que a situação actual não é apenas culpa de José "Calimero" Sócrates (apesar de nenhum outro ter escavado o buraco com tanta determinação), mas ao contrário do que o cândido Sampaio provavelmente julgará, numa "lista" de responsáveis do atoleiro em que estamos enfiados a sua iluminada figura ocuparia um lugar bastante alto. 

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Acreditem

por João Carvalho, em 27.04.11

Para aqueles que ainda não acreditam que é com trabalho que isto lá vai, o recente período de cinco feriados permitiu comprová-lo amplamente. Vejam só. Enquanto a maioria dos portugueses folgou dias a fio como a cigarra, um pequeno grupo de estrangeiros do FMI ocupou o Ministério das Finanças a trabalhar como a formiga e, num abrir-e-fechar-de-olhos, aumentou rapidamente o nosso défice. Acreditam agora?

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Ó, como é lento!

por João Carvalho, em 27.04.11

Estou em pulgas. Já vi O Noivado Real e preparo-me agora para gravar nos próximos dias O Regresso do Noivado e O Noivado Volta a Atacar. Dá gosto ver como uma velha monarquia cheia de tradições, mesmo com fraquezas visíveis, se faz respeitar.

Nada disso nos dá uma república centenária em que, sempre que conseguimos abanar as orelhas, logo aparece quem nos enterre outra vez o toutiço na lama. Nada disso nos dá um regime que nem consegue dar-se ao respeito. A menos que a culpa seja do William. Ou será da Kate? Sócrates ainda não lhes apontou o dedo acusador de quem sabe que a culpa é sempre dos outros? Ó, como ele é lento!

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Agora vou ali e já volto

por Sérgio de Almeida Correia, em 27.04.11

De vez em quando tenho de partir. Para manter a sanidade. E poder esquecer-me dos problemas que o Cardozo e o Roberto criam ao Jesus, do sofrimento das quatro cadelas de Pedro Passos Coelho -  enfiadas num apartamento em Massamá -, dos dislates que transitam para o "sector público" do camarada Lello - mais um "infoexcluído" por falta de domínio de uma ferramenta tão simples e imprescindível como um "Blackberry" -, da chatice que é não terem convidado D. Duarte de Bragança para a boda do "Wills" e da "Kate" ou das dificuldades com que o prof. Leite Campos se teria de confrontar para pagar a conta do supermercado se prescindisse, numa altura de tantos sacríficios, da reformazita que recebe pelos seis anos no Banco de Portugal e que todos os meses vai parar à conta dele a partir do bolso de todos nós. 

 

De vez em quando é preciso pensar longe. Ver a partir de uma outra perspectiva. Para que possamos sentir que ainda somos parte do que está perto.

 

Nos próximos dias vou percorrer a Anatólia Central. E ler Gonçalo M. Tavares num ambiente adequado. Pode ser que quando regressar tenha a sorte de encontrar um país mais sensato. 

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Cacofonias

por Teresa Ribeiro, em 27.04.11

Fala-se da necessidade de reduzir as despesas sociais como se não houvesse amanhã. Não percebo esta crispação. Já se sabe que haverá cortes nesta área, faz parte da receita do FMI, que é sempre igual. Sabe-se também que o despedimento de funcionários do Estado, a descida de salários e o aumento de impostos são, juntamente com os cortes nas despesas sociais, as restrições que permitem reduzir o défice com a rapidez necessária. Podemos, pois, encará-las como um facto consumado. O tom retórico, algo castigador, em que alguns enumeram estas medidas correctivas como se ainda estivessem em discussão é, portanto, dispensável.

Por outro lado admite-se, da esquerda à direita, que este é o recurso mais fácil, aquele que permite obter receitas não só rapidamente, como dispensando políticas de maior fôlego, ambiciosas, que corrijam os nossos problemas estruturais - falo da reorganização da administração pública, da reforma da justiça, do combate à corrupção e até da alteração do actual sistema eleitoral para o sistema uninominal, uma questão que é ciclicamente debatida e que talvez fosse a solução para o tão necessário arejamento da nossa cultura politico-partidária.

Mas enquanto se martela nas subsidiodependências e se fala de desempregados como se fossem um bando de preguiçosos, faz-se o jogo dos políticos que apesar da crise ainda avaliam se poderão, mais uma vez, passar pelos intervalos da chuva sem cumprir o verdadeiro caderno de encargos, o inominável, aquele que alteraria o status quo e faria de Portugal um país de futuro.

A quem se descabela a malhar neste povo relaxado e dependente, os políticos relaxados e dependentes que saíram deste povo - mas que ao contrário dele foram eleitos para fazer a diferença - deviam agradecer. Para eles e só para eles isto é serviço público.

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O segundo partido comunista

por Pedro Correia, em 27.04.11

 

PCP e Bloco de Esquerda recusaram qualquer encontro com a delegação europeia composta por membros do Fundo Monetário Internacional, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu que se encontra em Lisboa a avaliar as condições do resgate financeiro a Portugal. Ao contrário do que fizeram os restantes partidos parlamentares, as associações patronais, as confederações sindicais (incluindo a CGTP-Intersindical) e diversas personalidades, como Boaventura Sousa Santos, coordenador do Observatório da Justiça. Os dois partidos da esquerda radical portuguesa perderam uma oportunidade irrepetível de dizer olhos nos olhos, cara a cara, tudo quanto pensam destes técnicos financeiros e quais as soluções que preconizam para retirar Portugal da situação de quase bancarrota em que vivemos, com o colapso iminente das finanças públicas. Agiram ambos sem qualquer sentido de responsabilidade, preocupados apenas em garantir a habitual vozearia de rua e de telejornal.

Que o PCP assim proceda, é normal. Os comunistas portugueses sempre foram profundamente eurocépticos, combateram desde o início a integração de Portugal na CEE, contestaram Maastricht, a diluição das fronteiras, a transferência de competências para a Comissão Europeia e a adopção da moeda única. São internacionalistas de cartilha mas profundamente nacionalistas na prática, utilizando uma retórica semelhante à dos partidos da direita populista e xenófoba que também não quer "os estrangeiros" a perturbar a sacrossanta "soberania nacional": ainda há dias um dirigente comunista comparava, no Avante!, qualquer político português que dialogue com o FMI a uma "espécie de Miguel de Vasconcelos dos dias de hoje".

Quando o BE procede exactamente como o PCP, pelo contrário, está a trair o espírito de cidadania europeia que parecia animá-lo desde a fundação, no final da década de 90: uma das principais diferenças programáticas entre comunistas e bloquistas residia na relação com a Europa. Mas também aqui o Bloco tem vindo a tropeçar no próprio pé - na sequência da fracassada tentativa de apropriação da candidatura presidencial de Manuel Alegre e do monumental tiro de pólvora seca que foi a moção de censura apresentada em Fevereiro contra o Governo socialista. O Bloco, que devia assumir-se como o parceiro de coligação natural com o PS para possibilitar maiorias parlamentares de esquerda, segue afinal uma estratégia de bunker, decalcada do PCP, que se esgota na gritaria contra todos os governos sem ter jamais a pretensão de influenciar qualquer solução governativa: ser um partido de protesto é quanto lhe basta.

A última coisa de que o sistema português precisa é de um segundo partido comunista, apenas um pouco mais citadino e com vestuário de marca. Se for por essa via, o Bloco torna-se um partido inútil - e não admira que as sondagens estejam a castigá-lo. Convém recordar que o PCP já tem um apêndice - o dito partido Os Verdes, que merece figurar no Guinness Book por existir há quase 30 anos sem nunca ter concorrido isoladamente a uma eleição. Por mim, confesso, custar-me-ia ver um dia Francisco Louçã e Luís Fazenda no lugar de Heloísa Apolónia a trautear o hino da CDU.

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Dogmas para o próximo líder do PSD.

por Luís M. Jorge, em 27.04.11
  1. Toda a força vem de uma boa estratégia. Se não tiver uma, você já sabe o que acontece.
  2. Seja liberal, mas seja um liberal de esquerda. O Pedro Magalhães explica.
  3. Quando chegar a líder, corte cabeças. Ignore os compromissos. Não lance pontes aos barões. Não procure independentes. Não dialogue. O povo vai gostar.
  4. Torne-se hierático: não fale à imprensa, não se mostre com a mulher e com os filhos (muito menos com caniches) e não tente ser popular. O povo detesta líderes populares.
  5. O desprezo será a sua arma. O desprezo pelo boys. O desprezo pelo PS. O desprezo por quem nos trouxe aqui. Exiba abundantemente o seu desprezo. Se o condenarem por isso, exiba desprezo por quem o condenou.
  6. O sonho será a sua arma. Diga-nos onde vamos estar daqui a cinco anos. Faça o povo olhar para as estrelas. Termine as suas intervenções assim.
  7. A espada será a sua arma. Prometa-nos a espada e venha depressa.

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Convidado: JOSÉ AGUIAR

por Pedro Correia, em 27.04.11

 

Partidos que deviam ser ONG’s, clubes recreativos, tertúlias ou outra coisa qualquer

 

Para que serve um partido político que, eleição após eleição, não consegue eleger representante algum? Qual a utilidade, para o nosso sistema político, para a qualidade da nossa democracia, para o funcionamento das instituições e, em limite, para a vida das pessoas, de partidos políticos incapazes de traduzir votos em mandatos? Por que razão deve o Estado (e todos nós) atribuir vantagens financeiras, patrimoniais e fiscais a partidos políticos que não interagem com a sociedade, que estão desligados do eleitorado, que hibernam durante meses (anos até!) e apenas acordam da sua letargia quando se vislumbram eleições no horizonte? O que justifica a existência de partidos políticos que não possuem no seu ADN qualquer vocação para conquistar o poder, quanto mais exercê-lo ou mantê-lo? Sendo um defensor do pluralismo político-partidário – e do direito de livre associação de pessoas que se juntam para disputar eleições com base num programa apresentado ao eleitorado – defendo que os partidos políticos que, reiteradamente, são incapazes de eleger um representante que seja (para qualquer órgão), não devem poder continuar, indefinidamente, a beneficiar de financiamento estatal e de isenções de impostos (ver art.º 10.º desta lei).

Se o MEP, o MMS, o PNR, o PH ou o POUS, para nomear alguns, fossem ONG’s, clubes recreativos, tertúlias ou outra coisa qualquer, em vez de partidos políticos, fariam exactamente o mesmo que fazem hoje pelo nosso sistema político, pela nossa democracia, pelos nossos cidadãos, ou seja, zero, nada, niente, nicles batatóides. Um partido deve poder ser constituído livremente e até, porventura, de forma menos complexa do que acontece hoje, mas depois de ir a eleições uma vez, duas vezes, três vezes, sem eleger representantes, deveria perder o estatuto de partido político e ser automaticamente dissolvido (isto é, impossibilitado de, com aquela designação e pessoas, voltar a disputar a eleição seguinte). Se há razão nos argumentos que convocam para um desinteresse dos cidadãos em relação à política e da desconfiança em relação aos partidos, esse argumento também vence em relação aos partidos que nunca elegem ninguém: se em relação aos outros o desinteresse e a desconfiança existem, em relação a estes essa condição é total.

 

 

Tomemos como exemplo essa referência história que é o PCTP/MRPP onde pontificam figuras gratíssimas da melhor sociedade burguesa – Garcia Pereira e Arnaldo de Matos –, partido que anda por cá há anos e anos e nunca elegeu ninguém para lado nenhum. Para que serve, realisticamente, o PCTP/MRPP? O que faz de diferente enquanto partido, que não pudesse fazer como ONG ou clube recreativo? Nas últimas quatro eleições legislativas e três europeias, o PCTP/MRPP beneficiou de 1,4M€ só para a transmissão das suas mensagens televisivas de propaganda eleitoral. Se adicionarmos os tempos de antena em rádio, para as mesmas eleições, e somarmos o valor despendido para os tempos em rádio nas autárquicas decorridas no mesmo período de tempo, i.e., de 1999 a 2009, o valor ultrapassa aos 2M€.

O POUS, esse feudo neolítico por onde paira a figura omnipresente de Carmelinda Pereira – que ao que se sabe tem contribuído tanto para o nosso sistema político e para a nossa democracia quanto eu para esgotar a mais recente colheita de Margaux – feita também essa soma, chega aos 2M€. E que dizer dos 850M€ do PNR (que com a devida correcção chegam a 1,2M€), esse partido com propostas e ideias tão boas e edificantes, mas que teimosamente, as pessoas não elegem para lugar algum?

Recentemente, o partido MEP lançou uma petição, que já aqui denunciei como sendo demagógica. Recentemente, no Expresso, Rui Marques, o Presidente do partido MEP, volta a defender a ideia de que os tempos de antena eleitorais são gratuitos e que não custam dinheiro ao Estado. Isso não é verdade. O Estado paga às televisões e às rádios a transmissão dos tempos de antena eleitorais. No caso do partido MEP, o Estado já pagou transmissões televisivas no montante de 338 mil euros. Se somarmos o tempo pago às rádios, para as mesmas eleições (europeias e legislativas 2009), e acrescentarmos as autárquicas 2009, o valor ultrapassa os 500 mil euros. Do meu dinheiro. Para o partido MEP não eleger representante algum.

O quadro que acompanha este post diz apenas respeito à transmissão de tempos de antena televisivos em eleições europeias e legislativas. Faltam os montantes dos tempos de antenas nas rádios. Faltam as eleições autárquicas. Faltam as eleições regionais. Faltam o referendo do aborto. Com essa correcção, o montante aproxima-se dos 15M€, gastos em 10 anos, com partidos que, sozinhos, nunca elegeram ninguém, para lado nenhum. Partidos, afinal, que deveriam ser ONG’s, clubes recreativos, tertúlias ou outra coisa qualquer…

 

José Aguiar

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Passado presente (CCCXVII)

por Pedro Correia, em 27.04.11

 

Basílio Horta, candidato do CDS à Presidência da República (1991)

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Os nossos convidados

por Pedro Correia, em 27.04.11

José Aguiar, do Albergue Espanhol, deve gostar da cor da passadeira com que o vamos receber neste dia em que ele vem escrever connosco.

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As canções do século (482)

por Pedro Correia, em 27.04.11

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Um partido sem emenda (4)

por Pedro Correia, em 26.04.11

«O PS e o PSD não estão a portar-se à altura das dificuldades do tempo presente. (...) Não têm lideranças que correspondam aos interesses nacionais.»

José Pacheco Pereira, esta noite, na SIC Notícias. Faltam 40 dias para as legislativas.

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Frases de 2011 (34)

por Rui Rocha, em 26.04.11

“Teixeira dos Santos é meu amigo e do PS e conto com ele para a vida."
José Sócrates, hoje, em entrevista à TVI.

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Llellillismo

por Rui Rocha, em 26.04.11

 

O Lello tem um gosto requintado. O Lello nunca anda despenteado. O Lello ama o bello. O teatro, a pintura e a esculltura, tudo isso o Lello aprecia. O Lello já comprou uma serigrafia. O Lello é um artista mas, por modesto, recusa ser sullista. O Lello ouve música erudita. O Lello faz parte da cllientella restrita. Nas inaugurações é o Lello que corta a fita. Na lliteratura, o Lello seria um cllássico. O Lello tem de Pessoa o tripllo do perímetro torácico. O Lello compra livros que nunca saíram do prello. Se fosse um instrumento, o Lello seria um violloncello. E o arco um martello. Quando pragueja, o Lello verseja. A palavra é folleira? O Lello adorna. A situação está feia? O Lello contorna.  E um trambolhão transforma-se em anomallia. O Lello converte acidentes em tecnollogia. Uma só frase do Lello é um tratado de fillosofia. A casa do Lello devia ser um castello. O Lello não respira, opõe-se à apneia. O Lello não come, saboreia. O Lello não grita, canta. O Lello não escorropicha, decanta. O Lello não emborca, desfruta. Se fosse uma fruta, o Lello seria um marmello. Muito amarello, o Lello. Dita por Lello, uma acusação fica mais fina e chama-se llibello. O Lello vê para llá do que a vista allcança. Quando era Secretário de Estado das Comunidades o Lello até foi a França. O Lello nunca descansa, repousa. O Lello apoia o Engenheiro Pinto de Sousa. O pé do Lello nunca sai do chinello. O Llello come pão com gelleia. Ao allmoço, ao jantar e à ceia. O Lello não desafina, trauteia. O Lello não duvida, titubeia. Quando anuncia, o Lello proclama. O Lello veste robe de chambre quando anda em pijama. O  Lello descansa numa chaise llongue quando se llevanta da cama. É assim o Lello e, como se vê, não tem parallello.

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Sócrates: sim ou não?

por Pedro Correia, em 26.04.11

 

A eleição legislativa de 5 de Junho vai ser uma espécie de referendo à figura de José Sócrates, à sua capacidade governativa e ao legado dos seis anos em que esteve à frente do Executivo, quatro anos dos quais dispondo de uma confortável maioria absoluta. Haverá, obviamente, outros factores a motivar o voto, mas nenhum tão importante como a resposta a estas perguntas muito claras, muito simples e muito directas: Estamos hoje melhor ou pior do que estávamos em 2005? Quem é o principal responsável pela situação actual? Confia em José Sócrates para comandar os destinos do País?

São perguntas que transformam esta eleição num plebiscito ao ciclo político iniciado em Fevereiro de 2005. Quase como se estivessem impressas no boletim de voto.

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Convidado: TOMÁS BELCHIOR

por Pedro Correia, em 26.04.11

 

O Estado Social fez de nós umas bestas quadradas

 

O Estado Social sempre foi uma construção absurda. Só assim se pode descrever uma tentativa de aperfeiçoar a natureza humana através de um sistema que não faz mais do que dar aos políticos a possibilidade de comprarem os seus cargos com o nosso dinheiro. O que é espantoso é o facto de, durante muito tempo, termos vivido bem com este esquema. Não questionámos sequer os seus resultados, quanto mais os seus métodos ou os seus pressupostos. Até ao dia em que a realidade veio enguiçar as coisas.
Termos ficado sem dinheiro para manter a máquina a funcionar está a revelar-se ser uma espécie de epifania. De repente descobrimos que só no papel existem benesses universais e tendencialmente gratuitas e que a única coisa real entre o lirismo é a cavalgada furiosa da conta que pagamos anualmente em impostos. Mas mais patético do que este nosso momento de revelação só mesmo as respostas dos políticos ao estertor do Estado Social.
À esquerda, agora que o chamado economicismo nos impede de gastar dinheiro público precisamente no momento em que ele seria mais necessário, só sobra a revolta primária contra os bancos, os ricos e o FMI. À direita, vende-se ao povo a solução do menos do mesmo. No meio de tudo isto, estamos nós, de boca aberta, à espera que nos devolvam as últimas gotas do dinheiro que pagámos, depois de este ter sido devidamente lavado no Orçamento de Estado, sem nos apercebermos do que aí vem. Sem nos apercebermos que o fim do Estado Social é uma boa notícia.  

 


Porquê uma boa notícia? Porque o Estado Social é um subsídio para nos tornarmos umas bestas. Porque o Estado Social não nos protege, isola-nos uns dos outros. Porque o Estado Social não nos salva de nós próprios, salva os políticos de quem vota neles. E, sobretudo, porque a verdadeira liberdade só existe quando podemos não só decidir mas também enfrentar as consequências dessas decisões. Quando podemos assumir a responsabilidade pelas famílias que criamos, pelos empregos que temos, pelas opiniões que emitimos, pelo sal que comemos.
Há uns anos, o Mark Steyn resumiu bem o problema: “O maior crime do Estado Social não é o desperdício de dinheiro, é o desperdício de pessoas”. Foi precisamente este desperdício de pessoas que nos trouxe até aqui e é o fim deste desperdício que vai acabar por nos salvar.
Se não formos livres para fazer o que está certo, nunca saberemos o que isso significa. Lembrem-se disto quando estiverem na fila do centro de emprego."

 

Tomás Belchior

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Passado presente (CCCXVI)

por Pedro Correia, em 26.04.11

 

Português Suave (sem filtro)

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