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É incompreensível tanto amadorismo

por Pedro Correia, em 31.03.11

 

Ouvi há pouco o ministro da Bancarrota em declarações à TVI. Em sintonia com o chefe, foi incapaz de pedir desculpa aos portugueses pelo défice real das contas públicas, só hoje conhecido: 8,6% - mais 1,3% do que o Governo tinha anunciado, o que constitui um novo marco no longo cadastro de "inverdades" do ainda primeiro-ministro. O País está de tanga, mas o referido entrevistado da TVI, também ministro do Estado a Que Isto Chegou, garante que não moverá um dedo para pedir ajuda externa de emergência, cada vez mais imperiosa e inevitável. A entrevista destinou-se apenas a reafirmar o estilo de galo de briga a que José Sócrates habituou os portugueses: o seu braço direito na desgovernação fez gala em jogar ao braço-de-ferro com o Presidente da República. Motivo? Minutos antes, num discurso ao País, Cavaco Silva sublinhara esta evidência que só o Governo teima em negar: o Executivo "não está impedido de praticar os actos necessários à condução dos destinos do País, tanto no plano interno como no plano externo."

No dia em que também se soube que a dívida pública portuguesa foi revista "em alta", saltando para 92,4%, e que os juros da dívida a cinco anos dispararam para uns inéditos - e inaceitáveis - 9,52%, recordei-me das palavras arrasadoras de António Costa, proferidas há duas semanas, contra o homem que se destaca como o principal rosto da ruína financeira portuguesa: é "incompreensível" tanto "amadorismo".

Ataturk, na guerra contra os gregos, proclamava aos seus homens: "Eu não vos ordeno que ataquem. Ordeno-vos que morram." Por vezes parece que Sócrates ordena o mesmo a alguns dos seus ministros. Com uma diferença assinalável: o líder turco foi capaz de ganhar a guerra.

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Este esqueceu-se de enviar o fax

por Rui Rocha, em 31.03.11

A precariedade é um problema sério. Mas, o que é mesmo urgente é acabar com a porcariedade.

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Apaguem a luz

por Rui Rocha, em 31.03.11

Hoje, o INE veio confirmar o que já se sabia. O buraco do BPN foi nacionalizado. Por isso, as responsabilidades têm que estar inscritas no Orçamento de Estado. O Ministro das Finanças sabe disto melhor que ninguém. Apesar disso, para além de ter garantido aos portugueses que não lhes sairia um cêntimo do bolso, tentou empurrar a inscrição orçamental com a barriga. Podia e devia tê-lo feito em anos anteriores. Agora, foi obrigado a fazê-lo para o ano de 2010. No que diz respeito às empresas públicas de transportes, trata-se de caso claro de desorçamentação. A partir de certa altura, optou-se por financiar a sua activiadade por via de endividamento directo garantido pelo Estado. As responsabilidades estão lá na mesma. A diferença é que esse expediente permitia retirar do Orçamento de Estado as transferências necessárias. Por isso, a argumentação de Teixeira dos Santos é, mais uma vez, uma vergonha. Queixa-se o Ministro de alteração de regras. Na verdade, está na posição do futebolista sarrafeiro que passou o jogo a distribuir cartuchada. O árbitro foi sendo complacente. A certa altura, perante mais uma entrada dura, decidiu-se finalmente por mostrar o cartão amarelo. Teixeira dos Santos, em vez de estar calado, dedica-se agora a esbracejar, dizendo que o cartão é injusto porque já fez outras entradas iguais ao longo da partida. O ponto fundamental é que, quer no caso do BPN, quer no do buraco das empresas públicas de transportes, a responsabilidade existe e os portugueses vão ter que a pagar. Tal como vai acontecer relativamente às parcerias público-privadas. Chegado à governação, o Professor de Finanças decidiu converter-se no Professor Mandrake. O dia de hoje marca o fim da ilusão. Sócrates e Teixeira dos Santos ficarão na história de Portugal por terem protagonizado um projecto consumado de co-incineração das contas públicas.

 

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O ódio à 'rua islâmica'

por Pedro Correia, em 31.03.11

 

As revoltas populares no Magrebe e no Médio Oriente têm servido de pretexto, a vários colunistas na imprensa portuguesa, para debitarem o seu ódio contra as sociedades islâmicas em geral e os países árabes em particular. Não me lembro há muito de ver textos tão rasteiros e tão boçais, em que se traça de cada árabe o retrato de um fulano manipulável, demente, violador de mulheres, saqueador de bens e um terrorista em potência, às ordens dos extremistas mais fanáticos. Um desses colunistas, alarvemente, chegou a proclamar-se islamófobo em prosa digna de um Ahmadinejad – bastaria trocar “islâmico” por “judeu” no referido arrazoado.

Esses articulistas (alguns dos quais certamente com ascendência árabe) nem reparam, nesta visceral aversão à “rua islâmica”, que os seus textos expressam um radicalismo simétrico ao daqueles que  pretendem denunciar. E esquecem que, se os atentados matam, também as palavras podem matar. O primeiro passo para uma bomba assassina é sempre um texto a escorrer ódio.

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Convidada: PATTI

por Ana Vidal, em 31.03.11

 

 Efeitos anímicos


Foi despedida, exactamente dez minutos, antes da sua hora de saída do escritório. Com efeito imediato. E nem precisou de dar dias à empresa.

Arrumou tudo mecanicamente. Não teve tempo de dizer adeus à colega das fotocópias. Nem do rapaz dos cafés. Ficara mesmo sem saber o nome dele. Seis meses ali a trabalhar e nem lhe sabia o nome.

Estava agora na rua, numa noite fria de Outono baço, à espera do metro. Na estação só um homem, já velho e de ar abstraído, sentado no banco.

Ignorou-o. Na sua cabeça só pairavam as palavras da chefe: irresponsável, sempre atrasada, distraída, lenta, burra, sem iniciativa, tímida de mais. Palavras que cada vez mais iam subindo de volume, ao ponto de ter de agarrar-se à cabeça, para as parar de escutar.

Já o homem mantinha-se descontraído, e sacara do bolso do sobretudo um corta-unhas. Cruzara as pernas para ficar mais confortável e sem mais nada: clique-claque, clique-claque, clique-claque… na noite acústica.

Concentrado, limava com os dentes sépia, uma falha ou outra que escapara à destreza do corta-unhas, mirava as mãos de frente, polia com saliva, sorria como uma manicure e voltava à carga: clique, claque, clique, claque, clique, claque…

Aquela sonância metálica, repetitiva; a voz interior que lhe atirava ofensas de irresponsável, atrasada, tímida; a baba do velho a ser sugada pelas unhas baças; o lenta, o sem iniciativa, o burra; a cabeça a estalar; o está despedida; o clique-claque, clique-claque, clique-claque; a voz da chefe; a privacidade do velho…

Não suportou tamanho som junto. E na chegada do metro à plataforma, empurrou-os a todos numa só força: a chefe, a tímida e a burra, o corta-unhas, a colega das fotocópias, o emprego no escritório, o nome que não sabia do rapaz dos cafés, o clique-claque, a dor de cabeça, a noite gelada daquele Outono, a vida toda.

E o homem das unhas sujas também.

 

Patti

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Segundo mandamento eleitoral

por Pedro Correia, em 31.03.11

Tratarás com urbanidade os teus adversários políticos, evitando transformar comícios em arenas. Lembra-te que serves de exemplo a milhares de cidadãos, sobretudo aos mais jovens.

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Modo de vida (4)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 31.03.11

 

Saio de casa, com a casa às costas, e entro na nova casa, onde a coloco. Cansado, não descanso. Agora que está tudo certo, é tempo de tirar os livros encaixotados, ao acaso ou por comodidade de tamanho, e inventar uma nova ordem. O pior só agora começou.  

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Sucesso profissional

por Rui Rocha, em 31.03.11

É preciso muito mérito para reconhecer a importância do acaso.

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Pequenas irritações

por Pedro Correia, em 31.03.11

 

A linguagem jornalística infestada pelo 'economês' e pelo 'sociologuês'. Blablablá para afastar ainda mais os leitores.

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Os nossos convidados

por Pedro Correia, em 31.03.11

Tenho o gosto em dar as boas-vindas à Patti, do blogue Ares da Minha Graça. Ela é a nossa visitante especial de hoje.

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De Portugal inteiro (65)

por Pedro Correia, em 31.03.11

O Lugar no Tempo (de Torres Vedras)

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As canções do século (455)

por Pedro Correia, em 31.03.11

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 31.03.11

Ao The Beatles forever!

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Previsões: PSD

por Pedro Correia, em 30.03.11

 

«Se a direita tiver maioria absoluta, o povo depois não se queixe de que lhe irão privatizar as escolas e os hospitais.»

Clara Ferreira Alves, O Eixo do Mal, 27 de Março

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Retrato em final de banquete

por João Carvalho, em 30.03.11

A oposição revogou o decreto que aumentava os limites de autorização da despesa pública e não fez mais do que cumprir o seu papel em tempo útil. A autorização legislativa que tinha permitido ao governo decretar como decretou não era, obviamente, uma obrigação, ao contrário do que o governo e o grupo parlamentar que o apoia pareciam querer sugerir hoje à tarde na Assembleia da República.

Jorge Lacão, que se fartou de perorar, indignadíssimo, contra as posições da oposição, foi hoje no Parlamento o retrato da falta de respeito pelo sacrifício que o desgoverno exige aos cidadãos. Um retrato em final de banquete só comparável ao do ainda ministro Mendonça, tal como o imagino se o deixassem aproveitar qualquer aumento da despesa pública antes de o mandarem para casa.

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Pró Guinness

por Rui Rocha, em 30.03.11

O momento histórico em que o nariz mais comprido e as maiores orelhas se juntaram na mesma fotografia.

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A bacoquice parlamentar

por João Carvalho, em 30.03.11

Não é a primeira vez que registo isto, mas o insucesso com que o fiz antes desafia a minha teimosia. A Assembleia da República é um dos infelizes espelhos dos desmandos na utilização da nossa língua e mesmo que quisesse listar aqui os casos mais correntes seria fastidioso. Porém, não resisto a voltar à norma parlamentar sobre os vocativos que devem abrir cada intervenção: «Senhor presidente, senhores deputados».

Bacoca a inventar falsos requintes, talvez inspirada na quota destinada às mulheres, a maioria dos parlamentares (seguida por membros do governo como Jorge Lacão) decidiu estender a coisa e estender-se ao comprido: «Senhor presidente, senhoras e senhores deputados». Um preciosismo saloio, como facilmente se percebe cá fora e não se percebe no interior do Palácio de S. Bento. Preciosismo saloio porquê? Simples: apenas porque o substantivo "deputado" tem a forma feminina de "deputada".

Portanto, quando os parlamentares ignoram que a forma masculina também aglutina gramaticalmente ambos os géneros e, nessa ignorância, não são capazes de perceber que «senhores deputados» é um vocativo q.b., só têm uma saída: «senhoras deputadas e senhores deputados». Não o fazendo e insistindo em «senhoras e senhores deputados», a asneirada é óbvia e lê-se assim: "senhoras coisa-nenhuma e senhores deputados".

Que o Fernando Mendes no seu programa interminável na RTP-1 ainda não tenha conseguido aprender, ao fim de tantos anos, que não devia dizer inúmeras vezes por programa «meus senhores e minhas senhoras», mas sim «minhas senhoras e meu senhores», pode dar-se de barato. Que os nossos deputados se reduzam à mesma saloiada bacoca é que me incomoda.

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O detector de "bullshit".

por Luís M. Jorge, em 30.03.11

O PSD fez publicar hoje as linhas de orientação para a elaboração do seu programa eleitoral. Alguns espíritos malévolos talvez observem que o líder social-democrata, ocupando o cargo desde 26 de Março de 2010, já teria tido tempo de nos proporcionar um documento maduro e definitivo em vez destes bitaites enjorcados.  Pura injustiça. Pedro Passos Coelho angustia-se com os reais problemas do país e está, como é seu dever, imerso no exame atento do Programa do Governo. Esse sim, já foi criado, e encontra-se desde há muito disponível aqui.

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Recordar as eleições directas no PS

por Rui Rocha, em 30.03.11

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Primeiro mandamento eleitoral

por Pedro Correia, em 30.03.11

Não diabolizarás o teu adversário. Nunca confundirás a indispensável crítica política com violentos ataques pessoais. Lembra-te do que sucedeu ao PSD nas campanhas legislativas de 2005 e 2009 e aos rivais de Cavaco Silva nas presidenciais de 2011.

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E que tal apresentarem alternativas

por Rui Rocha, em 30.03.11

O discurso oficial e oficioso do PS passa pela descredibilização de Passos Coelho e por exigir que este apresente alternativas. É verdade que o PSD e o seu líder devem ganhar em consistência se quiserem aparecer aos olhos dos eleitores como solução para a situação a que o governo do PS nos conduziu. Todavia, esta linha de argumentação parece muito pobre quando analisada pelo seu valor intrínseco. O interessante (diria mesmo, o imperativo democrático) seria que o PS esclarecesse se o que tem para oferecer ao país é mais do mesmo (líder, discurso, prática, PEC) ou se a sua proposta inclui, para além de um indispensável acto de contrição, uma mudança (de política, de programa, de atitude). No fundo, antes de interpelar a oposição, os socialistas deveriam clarificar se pretendem, ou não, apresentar-se como alternativa ao desastre da sua própria governação. Caso contrário, para o eleitor típico do bloco central, a questão fundamental nas próximas eleições consistirá em correr o risco de comprar gato por lebre (Passos Coelho) ou optar pela certeza de receber gato por gato (José Sócrates). Posta a questão nestes termos, escolher não parece, apesar de tudo, muito difícil.

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Convidado: MIGUEL NORONHA

por Pedro Correia, em 30.03.11

 

O "culto da carga"

  

Chama-se "culto da carga" à tentativa de sociedades tecnologicamente atrasadas adoptarem, de forma ritualista, os sinais exteriores de progresso das mais desenvolvidas. Ainda que não consigam discernir de forma correcta a relação de causalidade, esperam com isso obter as mesmas comodidades das últimas.

O exemplo clássico ocorreu nas ilhas do Pacífico praticamente isoladas de contactos exteriores até à chegada de americanos e japoneses durante a II Guerra Mundial. Após a partida das forças ocupantes, os ilhéus tentaram garantir a continuação do maná que literalmente lhes caía do céu, trazido pelos aviões de abastecimento, construindo réplicas exactas dos aeródromos. Mas há outros. No livro "Mao's Great Famine", de Frank Dikötter (aqui recordado por Bryan Caplan) explica-se o comunismo como um "culto da carga" massificado em que as consequências foram amplificadas pela planificação central. No Grande Salto em Frente Mao Zedong pretendeu transformar a China num dos maiores produtores de aço a nível mundial. Afinal, todos os países desenvolvidos o eram também. O resultado deste maciço desvio de recursos foi a fome generalizada e toneladas de aço de fraca qualidade e sem utilidade para a economia chinesa.

No plano nacional penso que o "culto da carga" é a forma correcta de entender as "paixões", "apostas" e "prioridades" dos governos socialistas que prometiam tornar-nos numa referência de desenvolvimento a nível mundial. O maciço desperdício de recursos em que toda a despesa era por artes mágicas transformada em "investimento" levou-nos à ruína. As supostas "tecnologias do futuro" só se tornaram rentáveis graças a generosos subsídios estatais. O sobre-investimento em infraesturas revelou-se incomportável para a economia nacional.

Os nossos sumo-sacerdotes garantiam um futuro radioso se lhes obedecêssemos cegamente. Dir-se-ia que, em vez disso, despertam a fúria dos deuses.

 

Miguel Noronha

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Pequenos prazeres

por Pedro Correia, em 30.03.11

 

Ver as cerejeiras, que já começam a estar em flor.

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Pequenas irritações

por Pedro Correia, em 30.03.11

 

 

A multiplicação de gravatinhas azul-bebé. Deixou de ser uma moda para se tornar uma praga.

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Mais uma do Passos Coelho?

por Rui Rocha, em 30.03.11

Curso de magistrados não abriu por carências financeiras.

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O apreço tem um preço

por Rui Rocha, em 30.03.11

O futuro ex-Ministro da Economia entende que os portugueses devem manifestar apreço pela Galp. Pela minha parte, estou disponível para isso. Desde que a Galp decida mostrar preço por mim.

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Os nossos convidados

por Pedro Correia, em 30.03.11

Hoje fuma-se cachimbo no DELITO. Vem aí o Miguel Noronha, do blogue O Cachimbo de Magritte.

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Leituras

por Pedro Correia, em 30.03.11

 

«O desejo de que determinada coisa seja verdadeira - que não deve ser confundido com o desejo da própria verdade - pode bem ser a raiz de todos os males. É indubitavelmente a raiz de todas as ideologias, e as ideologias foram uma fonte de grandes males no século que passou.»

Benjamin Wiker, Dez Livros que Estragaram o Mundo

(Alêtheia, 2011)

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As canções do século (454)

por Pedro Correia, em 30.03.11

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Alcatrão e azeite misturam-se

por João Campos, em 29.03.11

Ou seja, a ideia é que o olival que deu origem ao melhor azeite maduro frutado do mundo vá dar origem ao melhor alcatrão do mundo. Parafraseando uma tira antiga de Calvin & Hobbes, onde é que estavam as almas que planeiam estas coisas quando se deu a distribuição de miolos?

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A maçã

por João Campos, em 29.03.11

Há dois tipos de pessoas que perdem a noção da realidade perante os produtos da Apple: os fanboys e, passe a generalização, os jornalistas. Não houve jornal cá no rectângulo que não publicasse pelo menos meia página sobre o iPad 2 - perspectivas de vendas, hype avulso, especificações técnicas, enfim, o diabo a quatro. Claro que, a bem do equilíbrio, não faltaram as comparações com a concorrência, e outros tablets são também mencionados. Diz que é o chamado "contraditório". Mesmo que esse contraditório seja feito, como num diário generalista que li na semana passada, numa curiosa ilustração com os quatro aparelhos concorrentes... dentro do écrã do iPad. Ou em estreitas colunas para cada, após uma página inteira dedicada ao aparelho da Apple, com título aparatoso e "gordas" bem cheias. Não admira que a Apple não precise de investir muito em publicidade. Não precisa. Aos fanboys habituais, que defendem a marca da maçã com um fervor digno de um cruzado medieval, juntam-se os media e o seu turbilhão de euforia mediática. Compreendo muito bem a importância dos temas de tecnologia na agenda mediática, assim como percebo a relevância da Apple: goste-se ou não (e não é isso que está em causa), os seus produtos são incontornáveis. Só me incomoda ver o jornalismo virar evangelista.

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A cassete do pirata

por Rui Rocha, em 29.03.11

O Primeiro-Ministro convocou hoje os jornalistas para entoar o canto do cisne. Sócrates sabe que a situação actual é insustentável. Acredito que chegou a convencer-se, ao longo destes anos, que a sua governação reluzia. E que ele próprio era de ouro. Perdido o brilho ilusório, sobra-lhe a lata. Hoje, mais uma vez, ensaiou o seu número favorito. Vitimizou-se e atribuiu a responsabilidade da situação actual à oposição. Por isso, é preciso recordar-lhe que em  Novembro de 2004, Jorge Sampaio deu início a um processo de dissolução da Assembleia da República. Foram convocadas eleições antecipadas. Nessa ocasião, os juros não dispararam para níveis socratosféricos e as notações das agências de rating não se precipitaram para o abismo. A diferença de efeito das crises políticas tem seis anos de governação de Sócrates pelo meio, com a evolução de rating que aqui se recorda. Governação essa em que nunca um erro foi admitido. A mesma que levou a uma situação tão desafogada (viu-se!)que permitiu aprovar medidas eleitoralistas em 2009. Assim, Sócrates é o último a poder arvorar-se em cobrador de responsabilidades à oposição. Antes de mais, é o próprio Sócrates que deve prestar contas aos portugueses pela bancarrota a que conduziu o país. E é também aos portugueses que cabe exigir à oposição que apresente alternativas. Tivesse Sócrates um pingo de dignidade e este seria um julgamento democrático a que assistiria em contrito silêncio. Até porque, como Mário Soares oportunamente salientou, a própria crise política foi desencadeada pelo seu comportamento inqualificável. Igual a si próprio, porém, Sócrates optará até ao fim por utilizar os portugueses como alvo da sua arma preferida. A mistificação apresentada em suporte de cassete. Aliás, não fosse o caso de o país estar na situação desesperada a que Sócrates o conduziu e a melhor resposta à sua exigência de alternativas seria a apresentação de duas singelas promessas na campanha eleitoral: o aumento dos funcionários públicos e a descida do IVA.

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De blogue em blogue

por Pedro Correia, em 29.03.11

1. Ortodoxia: um novo blogue, a seguir com atenção.

 

2. Reapareceu a Sinusite Crónica. Mais uma oportunidade para lermos bons textos do Alexandre Borges, do João Bonifácio e do Nuno Costa Santos, entre outros.

 

3. Um abraço aos nossos amigos do Aventar. Pelo segundo aniversário do blogue.

 

4. Também a festejar o aniversário está um blogue-revelação de 2010: Adeus Lenine. Parabéns aos seus autores.

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Soares é Fitch

por Rui Rocha, em 29.03.11

Mário Soares no DN em 15.03.2011:

"Sócrates cometeu erros graves (...) não tem informado, pedagogicamente, os portugueses, quanto às medidas tomadas e à situação real do país. Nos últimos dias, negociou o PEC IV sem informar o Presidente da República, o Parlamento, e os parceiros sociais. Foram esquecimentos imperdoáveis ou actos inúteis que irão custar-lhe caro. (...) Assim se abre, ao que parece, uma crise política, a juntar às outras que precederam: financeira, económica (estamos a entrar em recessão), social, ambiental e de valores".

Mário Soares no DN em 29.03.2011:

 "(...) a perspectiva de aumentar o IVA - que Passos Coelho anunciou como teste - deve tê-lo convencido pela reacções negativas que provocou, que terá escolhido o pior momento para desencadear uma crise".

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Frases de 2011 (21)

por Pedro Correia, em 29.03.11

«Nós estamos no limiar da bancarrota.»

Manuel Maria Carrilho, na TVI 24

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Uma mania

por António Manuel Venda, em 29.03.11

A mania de Pedro Passos Coelho querer privatizar a Caixa Geral de Depósitos já chateia. Quer dizer, a mim já me chateia há algum tempo, não é de agora. Um dia entrevistei-o, pouco antes de ele ter ganho as eleições para líder do PSD, e ele foi capa da revista com essa entrevista. Uma conversa muito simpática, e lembro-me do título que pus na entrevista, uma frase dele, «Não podemos deixar enraizar a ideia de que quem faz a marosca é recompensado». Demasiado tarde, já estava bem enraizada… Mas mesmo assim a frase deu em título, e foi para a capa. Lembro-me das perguntas que levava para fazer, mais incómodas, menos incómodas, algumas que nem uma coisa nem outra. Levava também uma da privatização da Caixa Geral de Depósitos, ainda por cima numa altura em que estava bem quente a confusão no sector financeiro. Quando cheguei a essa pergunta, em vez de colocar uma pequena cruz à frente e fazê-la, não, nada disso; fiz um risco por cima e passei à pergunta seguinte. E por momentos, breves momentos, disse para comigo, em pensamento, era só o que faltava numa entrevista minha ter de falar desta porcaria. Passei à parte de José Sócrates e foi aí que arranjei o título.

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Convidado: ALEXANDRE BORGES

por Pedro Correia, em 29.03.11

 

o atEstado

 

Foi a nossa fraqueza que nos trouxe aqui.

Já lá vão quase 200 anos da última vez que o sangue correu abundante de Vilar Formoso para cá. E mesmo essa revolução deu no que deu. No desapontamento geral, no fim do romance. Em Alexandre Herculano, o escritor-soldado consciência da Nação (não sei se o acordo obriga a escrever com minúscula. Aguardo notificação para pagamento de multa), a retirar-se para o campo e produzir azeite. Em Garrett feliz com o título nobiliárquico, a morrer pensando na decoração da casa.

A Monarquia de 767 anos caiu em 36 horas, de podre, quase sem vítimas a contabilizar além das árvores da Avenida. A República passou educamente o poder a quem lho pediu. Nem a ditadura ofereceu grande luta, depois de lhe facultarem um bilhete para o Brasil.

Essa mesma fraqueza explica o amor que temos a quem fala alto, quem parece ter força para – note-se a terminologia – “pegar nisto”. “Isto” somos nós e não deveríamos gostar que alguém nos “pegasse”. Mas gostamos. Gostamos da dureza de Cavaco, da de Cunhal, da de Sócrates. Não importa a ideologia, nem importam grandemente as acções. Entregamo-nos nos braços do primeiro que parecer saber para onde vai.

Somos órfãos de nós mesmos. Não procuramos líderes políticos; ansiamos por um pai. A admiração que temos por quem fala alto é a confissão embaraçosa da nossa menoridade enquanto sociedade; o apreço pelas maiorias absolutas a revelação da nossa falta de talento para a democracia.

Somos agressivos quando protegidos pela carroçaria do carro ou pelo anonimato da net. Vilipendiamos em mau português até o visado nos olhar nos olhos.

Não precisamos de um governo. Precisamos de tomates.

 

Alexandre Borges

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E só não chora quem não tem coração!

por Rui Rocha, em 29.03.11

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Parabéns!

por João Carvalho, em 29.03.11

Há mais vida para lá do trabalho. Feliz aniversário, André Couto!

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Os nossos convidados

por Pedro Correia, em 29.03.11

Daqui vai desde já um abraço de boas-vindas ao Alexandre Borges, dos blogues 31 da Armada e Sinusite Crónica. Ele vem hoje escrever connosco.

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As canções do século (453)

por Pedro Correia, em 29.03.11

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Notícias do Estado Social (36)

por Rui Rocha, em 28.03.11

AMI regista maior aumento de sempre de pobreza em Portugal

Os números de 2010 revelam o pior ano em termos de pobreza em Portugal desde que a AMI tem registo. Mais de 12.300 pessoas solicitaram apoio nos nove centros sociais da fundação pelo país, nas Olaias, Chelas, Cascais, Almada, Porto, Vila Nova de Gaia, Coimbra, Funchal e Angra do Heroísmo. Um valor sem precedentes, que representa um aumento de 40 por cento considerando os últimos cinco anos e de 24 por cento relativamente ao ano anterior.
As áreas metropolitanas de Lisboa e Porto continuam a ser as zonas mais afectadas pelo flagelo da pobreza e da exclusão social. Do total de pessoas apoiadas no ano passado pela AMI, 45 por cento reside na Grande Lisboa (Olaias, Chelas, Almada e Cascais) e 40 por cento no Grande Porto (Porto e Vila Nova de Gaia).
A acompanhar esta tendência de subida nos dois grandes centros urbanos estão também as pessoas em situação de sem-abrigo, que não param de aumentar em Portugal. Em 2010 recorreram à AMI 1.821 sem-abrigo, dos quais 701 pela primeira vez, mais 12 por cento do que em 2009. Nota mais uma vez o caso das mulheres nesta situação que já representam 29 por cento das pessoas sem-abrigo que procuraram a AMI pela primeira vez, uma agudização de 16 por cento em 12 anos.
A pobreza registada pela AMI em Portugal atinge sobretudo mulheres desempregadas, entre os 16 e os 65 anos, residentes nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.
A maioria da população (69 por cento) que recorre aos centros sociais da AMI encontra-se em idade activa, seguida dos menores de 16 anos (23 por cento) e finalmente, a população com mais de 65 anos, (18 por cento).
Uma nota final em relação aos Abrigos Nocturnos de Lisboa e do Porto. Foram acolhidos um total de 129 homens.


Fundação AMI
Departamento de Informação e Comunicação
28 de Março de 2011

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Tempo para amar, tempo para morrer

por Pedro Correia, em 28.03.11

 

 

«Enquanto há morte há esperança.»

Lampedusa, O Leopardo

 

Um senhor de 87 anos, marceneiro de profissão, conta-me histórias sobre o tempo em que ele e o Pai, dois anos mais novo, frequentaram a escola primária do Parque das Tílias. A antiga empregada doméstica dos meus tios-avós, que andou comigo ao colo na velha quinta à saída para a estrada do Telhado, vem dar-me um abraço: reconheço-a logo pela voz. Dois primos vão desfiando memórias desse tempo em que eu passava aqui todos os Verões – os mais prolongados e doces da minha infância. No adro da capela de Santo António, pequeno monumento de granito erigido há mais de 300 anos no centro histórico da cidade, que era vila nos meus dias de menino, lembro as palavras amigas ditas ao telefone, pouco antes, pelo director do Jornal do Fundão, Fernando Paulouro Neves.

Após a breve missa, em que o diácono alude às bem-aventuranças, o cortejo segue, vagaroso, para o cemitério. Ali desce o caixão à terra, na campa rasa que já era também dos meus avós, junto ao Talhão dos Combatentes destinado a honrar a memória daqueles que, como o avô Luís, participaram na I Guerra Mundial. Percorro os olhos pelas sepulturas anexas – muitas das quais de pessoas que conheci na juventude, várias delas ainda minhas parentes, e vêm-me à memória as frases imortais do Eclesiastes: “Todas as coisas têm o seu tempo e tudo o que existe debaixo dos céus tem a sua hora. Há tempo para nascer e tempo para morrer, tempo para plantar e tempo para arrancar o que se plantou, tempo para chorar e tempo para rir.”

Sopra uma aragem agreste a prenunciar o fim da tarde quando os coveiros começam a cobrir a sepultura. Em pano de fundo, como uma nave de pedra, o maciço da Serra da Estrela, ainda coroado com neve na Torre. Cenário da minha infância. Cenário da tua infância, Pai. Repousas no local que escolheste – na terra que não te serviu de berço mas foi sem dúvida a que mais amaste.

Tempo para amar, tempo para morrer: do pó vimos, ao pó voltamos após uma fugaz passagem debaixo do sol. 

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Convidado: ANTÓNIO PEDRO NETO

por Pedro Correia, em 28.03.11

 

Os Melhores, os Piores e os Piores dos Piores

 

O artigo chama-se “Empire at the end of decadence” e pretende ser um “wake up call” para todos os americanos. Debruça-se sobre vários aspectos dos ditos países industrializados que vivem sob a alçada do FMI (ao que tudo indica o próximo partido a coligar-se com o PSD), citando fontes como o “World Factbook” da CIA e estatísticas da OCDE.

Os scores estão distribuídos pelas seguintes categorias: “Melhor”, “Pior” e “Pior dos Piores”. Portugal está entre os “piores dos piores” em 4 das 9 analisadas, sendo que está entre os “piores” noutras duas. Sem grandes surpresas, Espanha e Grécia acompanham-nos, sendo que a Irlanda se consegue colocar, apesar de tudo, melhor na generalidade. Este último país é, curiosamente, dos que não enfermam de uma série de características comuns aos restantes três PIGS (um trocadilho que é a sigla pela qual são conhecidos Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha na comunidade internacional, para grande desgosto do professor Cavaco), a saber: enormes desigualdades na distribuição do rendimento (já sabem dos novos multimilionários portugueses?); taxas de desemprego galopantes; má performance dos estudantes em Matemática e Ciências, contradizendo todos os dados divulgados recentemente pelo Ministério da Educação.

Debruçando-nos sobre o “nível de democracia”, verificamos estar razoavelmente bem posicionados, sendo ultrapassados, no entanto, por uma série de países. Os países que obtêm a classificação de “melhor” neste aspecto são, curiosamente, os que estão melhor posicionados nos restantes parâmetros.

 

O que podemos concluir através da análise deste ranking? Nada de especial, dirá o leitor mais incauto. Mas não deixa de ser interessante que não seja este país que abre os telejornais da RTP, mas sim aquele em que o primeiro-ministro distribui Magalhães sorridente. O país negado por uma classe política inteira: por José Sócrates e todos os seus ministros, principalmente por aqueles que surgem sempre empertigados com as perguntas dos “senhores jornalistas”: Maria de Lurdes Rodrigues (e agora Isabel Alçada); o país negado por Augusto Santos Silva, saudoso ministro da propaganda (substituído nestes últimos tempos pelo líder da bancada do PS, Francisco Assis); o país negado por Teixeira dos Santos (e reafirmado na trilogia PEC, a caminho de mais uma sequela); o país negado por Helena André, que com um grande sorriso nos vai dando conta das mais recentes invenções da senhora Merkel e do senhor Sarkozy no que diz respeito à “flexibilidade”. Todos os dias nos negam este país. Os colunistas pró-governo denunciam o “pessimismo” reinante na comunicação social e exibem em grande-plano todas as notícias que de algum modo suavizam a verdade crua e dura (aquelas que dizem maravilhas do cartão do cidadão, da modernização da administração pública e do carro eléctrico): Portugal não tem uma economia competitiva, não tem empresas que criem empregos e não tem trabalhadores qualificados (como é bem sabido, trabalhadores licenciados não significam necessariamente trabalhadores qualificados), mas fazer referência a este facto é embarcar “no pessimismo” ou, melhor ainda, no “bota-abaixismo”.

Nada disto é novo mas parece que foi necessário o surgimento (ou a revelação) de uma “geração à rasca” (nas ruas, na internet, na comunicação social) para que se volte a falar do porquê de Portugal não conseguir, ao contrário de países como a Bélgica ou Itália, sobreviver e afirmar-se independentemente dos seus políticos (tópico que desenvolverei mais abaixo).

 

 

 

Muitos respondem com o facto de o Estado ter habituado mal as pessoas, e é uma hipótese provável (a mais provável até). Podemos também lamentar o facto de a liberalização do ensino (levada a cabo pelo mesmo Presidente que hoje sugere “sobressaltos cívicos”) ter servido apenas para concretizar virtualmente a sua “universalidade”, tendo criado nas universidades (e também nas “universidades”) um monstro de licenciados que não consegue arranjar emprego. Pois bem: estes licenciados (predominantemente ligados ao Estado/serviços) não conseguem arranjar empregos porque o mercado de trabalho não lhes consegue arranjar utilidade nem valor. A utilidade que o Estado lhes foi criando e mantendo mas que se vê obrigado hoje a retirar; o valor que existe numa economia evoluída e competitiva mas que não existe numa que se limita a sobreviver (não estamos a falar obviamente das grandes empresas) a uma máquina tributária sôfrega que serve essencialmente para resolver problemas criados pelo próprio Estado e principalmente pela banca.

Tudo isto parece caricato num país conhecido pelo seu bom clima, pelos seus vinhos, pelos seus móveis, pela sua simpatia, pela sua cultura, pela sua gastronomia, até mesmo pela sua moda. Num país que não é assim tão diferente de Itália, por exemplo. Já vi perguntar por que razão se vende o mobiliário italiano em todo o mundo, da mesma forma que se vendem os seus vinhos, da mesma forma que se vendem os seus carros.

E por que diabo não acontece isto connosco?

Arrisco a seguinte tese: Portugal não consegue sobreviver apesar dos seus políticos. As empresas estão demasiado dependentes do Estado, o Estado está demasiado dependente das empresas. Pois parece-me, então, que a sobrevivência da “geração à rasca” (e de todas as que ficaram “à rasca”) só vai acontecer se e quando as pessoas deixarem de criar expectativas relativamente aos seus políticos e derem como adquirido o facto de o Estado já não conseguir assegurar as prestações que assegurou outrora. Claro que é imoral que o dinheiro dessas prestações seja esbanjado a salvar bancos de gente amiga, em compras inúteis, ordenados de gestores públicos que não produzem resultados, empresas públicas que nada têm de empresas nem de públicas, fundações e um sem fim de peças dadas como engrenagens que nos fazem crer que o Estado já não pode funcionar de outra forma. Pergunto: não terá chegado a altura de haver uma geração que crie valor fora do Estado? Que tome conta das empresas, que lhes mostre o porquê de  serem elas a perder por não a empregarem; que invente novas e que revolucione as existentes? Valerá a pena continuarmos a lamentar um Estado moribundo, uma política desprovida de pessoas competentes, um país de comentadores que subsumem o debate público às últimas declarações de um qualquer líder partidário, e nem sequer tentarmos chegar perto da “vida pública” (só lá estão os que deixámos que se mantivessem e que legitimámos sentados em casa)? Não terá chegado a altura de voltarmos às universidades e de procurarmos melhor aquilo que o país precisa (mais do que licenciados “em cursos com nomes de hobby”), de lermos sobre o que de melhor se faz lá fora e em último caso de mudarmos de ramo (sendo que ainda vamos a tempo)?

 

Chegou a altura de vivermos apesar da política e não por causa da política. De interrompermos a espera pelo próximo boy que nos vai prometer, obviamente, tudo aquilo que sabe que nunca vai conseguir cumprir mas que sabe ser essencial prometer para lá chegar (assustador é ver que líderes como Passos Coelho já nem se dão ao trabalho de prometer o que quer que seja). Não é preciso confiar no governo para se criar valor: é preciso acreditar no país.

Eu não garanto que esta perspectiva optimista resolva o problema (nem sequer parte dele). Mas sem emprego e sem futuro chegou a altura de tentar novas armas: a rua foi um importante começo; o debate e o empreendedorismo são naturalmente o próximo passo. Se mesmo isto não resultar... há sempre um ou outro voo barato para o Canadá ou para a Noruega.

Pescar bacalhau soa, ainda assim, melhor que trabalhar a recibos verdes.

 

António Pedro Neto

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Modo de vida (3)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 28.03.11

 

Em dias sem sol, muita cor para compensar. Em dias de sol, muita cor para acompanhar. Quando na moda, porque é bom estar de acordo com ela. Quando fora de moda, porque é bom fazer de original. E com estas desculpas me deixo levar todas as manhãs.  

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Dois meses e meio é muito tempo!

por Rui Rocha, em 28.03.11

O Governo do Canadá foi derrubado na mesma semana em que o Primeiro-Ministro português apresentou a sua demissão. Lá, como cá, seguem-se eleições antecipadas. Em Portugal, o acto eleitoral decorrerá algures entre o final de Maio e o princípio de Junho. No Canadá, as eleições estão já marcadas para 2 de Maio. Ou seja, os canadianos, tal como os ingleses, precisam de pouco mais de um mês para realizar eleições. Os portugueses demoram perto de dois meses e meio a organizar o acto eleitoral. Como não acredito que os canadianos e os ingleses sejam pouco exigentes no que diz respeito às garantias do processo democrático, a diferença só pode  ser atribuída a um sistema pesado e ineficiente. E essa ineficiência tem, pelo menos, duas consequências muito negativas. Desde logo, o país fica entregue, durante demasiado tempo, a um governo de gestão. Na melhor das hipóteses, o executivo fica diminuído nas suas competências e politicamente esgotado. Na pior, porventura a mais próxima da realidade, utiliza cada um desses dias para pôr a máquina do Estado ao serviço dos seus interesses e das suas clientelas. Por outro lado, a campanha eleitoral prolonga-se para lá do razoável. Em Portugal, a qualidade do debate já não costuma ser por aí além. Depois de dois meses e meio de arremesso não há quem resista à mediocridade. Tudo isto constitui mais um factor de degradação da qualidade da democracia e de alheamento dos cidadãos. Todos sabemos que a renovação da classe política e das suas atitudes é um desígnio urgente, mas de concretização muito demorada. Entretanto, já não seria mau se conseguissemos tornar os processos democráticos mais rápidos e eficientes.

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Os nossos convidados

por Pedro Correia, em 28.03.11

O António Pedro Neto, do blogue A Mesa do Café, vem hoje escrever connosco. A passadeira já está desenrolada para o receber.

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Tomada de posse

por António Manuel Venda, em 28.03.11

 

Conforme se pode ver aqui, os números parecem não bater certo. Depois de «afinada a contagem», segundo o presidente em exercício da Assembleia Geral, de quem não fixei o nome, o escolhido Godinho Lopes tomou posse assim do meu clube, ou antes, como presidente do meu clube. Tenho esperança de que o Sporting, depois do desastre dos últimos 15 anos, possa mudar um dia, se possível já amanhã.

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Sondagem.

por Luís M. Jorge, em 28.03.11

A Intercampus fez, a TVI revela: PSD 42,2%; PS 32,8%.

 

Mais ou menos o que se esperava: os socialistas descem para os mínimos da sua base de apoio (nem com um genocídio obteriam menos) e os social-democratas roubam 12 ou 13% ao centro — só Cavaco Silva conseguiu melhor. Com os 8,7% do CDS chega e sobra para uma coligação à direita.

 

Para o PSD foi uma oportunidade perdida. O desafio, neste momento, era alterar a distribuição sociológica do eleitorado — isto é, obter uma vantagem definitiva sobre o PS. Mas os laranjinhas são incapazes de elaborar planos a um ano, quanto mais a uma década.

 

Passos Coelho vai para o Governo aplicar o regime do FMI: um destino pouco invejável e, seguramente, breve.

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As canções do século (452)

por Pedro Correia, em 28.03.11

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