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Como era o mundo há meio século

por Pedro Correia, em 31.10.10

 

 

Um simples olhar à lista dos dirigentes em funções no mundo há meio século, no início de uma das décadas mais memoráveis de sempre, revela-nos muito do que eram aqueles tempos. Em 1960 mal se haviam dissipado ainda os ecos da II Guerra Mundial: dois heróis daquele conflito, o mais sangrento da História, ocupavam funções presidenciais – Dwight Eisenhower na Casa Branca e Charles de Gaulle no Palácio do Eliseu. A política de blocos – capitalista e comunista – estava no auge, o que se revelava bem na existência de três países divididos: Alemanha (Konrad Adenauer era o chanceler no Ocidente, Walter Ulbricht era o número um da Alemanha de Leste), a Coreia (com o pró-soviético Kim Il-sung a norte e o pró-americano Syngman Rhee a sul) e o Vietname (Ho Chi Minh era o líder em Hanói e Ngo Dinh Diem em Saigão).

 

 

 

Era ainda o tempo das ditaduras: bastava ver o mapa da Europa dessa época, povoado delas. Umas de direita (Franco em Espanha, Salazar em Portugal), outras de esquerda (Tito na Jugoslávia, Novotni na Checoslováquia, Gomulka na Polónia, Kádar na Hungria, Gheorghiu-Dej na Roménia, Enver Hoxha na Albânia).

E havia sobretudo o sonho – rapidamente gorado – de um Terceiro Mundo livre da influência da política de blocos, com dirigentes prestigiados um pouco por todo o planeta, vários dos quais em países que acabavam de se libertar das tutelas coloniais. Nehru na Índia, Sukarno na Indonésia, Nasser no Egipto, Nkrumah no Gana, Sékou Touré na Guiné, Senghor no Senegal.

 

 

 

Era um tempo em que ainda se acreditava na política e nos políticos. Um tempo em que se acreditava que um homem podia fazer a diferença. Líderes tão diferentes como Juscelino Kubitschek (no Brasil), Fidel Castro (em Cuba) e Ben-Gurion (em Israel) mobilizavam multidões para o seu ideário e os seus projectos.

Um tempo que coexistia com a manutenção de reinos e impérios, alguns dos quais milenares. Hirohito, um dos derrotados da II Guerra Mundial, mantinha-se no trono japonês. Hailé Selassié era o imperador da Etiópia, ex-Abissínia. Reza Pahlevi pontificava como xá do irão, antiga Pérsia. Havia também monarcas jovens e dinâmicos, muito populares entre os súbditos, como Hussein na Jordânia e Sihanouk no Camboja.

Nikita Krutchov, o sucessor de Estaline, era o dirigente supremo da URSS, que via a China de Mao Tsé-tung distanciar-se cada vez mais apesar das afinidades programáticas entre os dois gigantes comunistas. A regra mantinha-se, fosse qual fosse o quadrante geográfico ou ideológico: o poder era ocupado por figuras carismáticas – até o poder espiritual, com o jovem Dalai Lama ou o velho Papa João XXIII. Nesse ano em que uma nova palavra entrou nos dicionários: primeira-ministra. Sirimavo Bandaranaike, no Ceilão (actual Sri Lanca), era a primeira mulher a assumir a chefia de um Governo. Num mundo cronologicamente tão perto mas em certos aspectos já tão distante.

 

Imagens:

1 - João XXIII (1881-1963)

2 - Mao Tsé-tung (1893-1976)

3 - Juscelino Kubitschek (1902-1976)

4 - Gamal Abdel Nasser (1918-1970)

5- David Ben-Gurion (1886-1973)

6 - Dwight Eisenhower (1890-1969)

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Lentes desfocadas

por Paulo Gorjão, em 31.10.10

Vital Moreira considera que os €500 milhões de receita que deixarão de ser arrecadados pelo Estado na sequência do acordo entre o Governo e o PSD poderão conduzir à intervenção do FMI em Portugal.
Tem graça que eu pensava que a eventual entrada do FMI em Portugal se devia à incapacidade do Governo em controlar a despesa. Enfim, para não não recuar muito mais, pormenores como a derrapagem na despesa do Estado em 2010 de €1.7 a €1.8 mil milhões. Aparentemente isto é um detalhe irrelevante para Vital Moreira.

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Passado presente (CCLXX)

por Pedro Correia, em 31.10.10

 

Frigoríficos Indesit

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Cimeira de Bruxelas

por João Carvalho, em 31.10.10

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Frases do ano (75)

por João Carvalho, em 31.10.10

"Gostaria muito de ter tirado uma fotografia com o Doutor Catroga."

Teixeira dos Santos, ainda ministro, depois de pôr defeitos no acordo que acabara de assinar

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Heróis da BD (79)

por Pedro Correia, em 31.10.10

 

 

 

Martin Milan, de Christian Godard

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Leituras

por Pedro Correia, em 31.10.10

 

"A alegria dos alegres é uma doença como qualquer outra, uma espécie de vício que desordena a vida e a falsifica. Gente alegre todo o dia. Gente que ama profunda e desorganizadamente a vida. Não tinha opinião sobre isso, mas reconhecia que era preciso ter algum ressentimento contra a vida, em algum lugar, em algumas horas, em certos dias. O bom humor permanente é um atrevimento de medíocres."

Francisco José Viegas, Longe de Manaus

(Asa, 6ª edição, 2008) 

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Um problema de hábitos

por João Carvalho, em 31.10.10

Para o Governo, o acordo com o PSD sobre o Orçamento «tem um custo»: 500 milhões de euros, retirados das receitas. Peanuts. Nada que o Governo não esteja habituado a desperdiçar num estalar de dedos. O problema vai ser compensar esse montante do lado das despesas, visto que o Governo não está habituado a poupar.

Ora, aquele mau hábito associado a esta falta de hábito nada augura de bom. Palpita-me que os 500 milhões de euros banidos das receitas hão-de reaparecer mais-dia-menos-dia de regresso às receitas. Mais os milhões das derrapagens habituais, é claro, porque a incompetência não se cura na noite da passagem de ano.

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As canções do século (304)

por Pedro Correia, em 31.10.10

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Todos os livros são iguais? Mmmhbem...

por Bandeira, em 30.10.10

José Bandeira

 

Na contracapa de um livro que tenho em mãos (não importa que livro, é sobre sexo, ok?), pode ler-se (tradução caseira, realçados meus):

“UMA EDIÇÃO DOVER CONCEBIDA PARA ANOS DE USO!
Não nos poupámos a esforços para fazer deste o melhor livro possível. O nosso papel é opaco, com um grau de transparência mínimo; não descolorará nem ficará quebradiço com o tempo. As páginas são encadernadas em fascículos, no método tradicionalmente usado para os melhores livros, e não se separarão. Os livros permanecem facilmente abertos para eficaz consulta. A capa não criará fendas nem se destacará. Este é um livro permanente.”

Emocionei-me, chorão leitor. Examinei demoradamente a capa. Assentei o volume numa mesa para averiguar se era capaz de se manter aberto num local contendo a reprodução de uma foto… ahm… interessante. Estudei a lombada, a textura das folhas, a sua opacidade. Lembrei os tempos, não tão longínquos assim, em que o papel era fabricado a partir de algodão ou linho: na I Grande Guerra, Londres ainda pedia roupa velha para o fabrico de panfletos e qualquer outro produto que contribuísse para o esforço de guerra, como mortalhas de cigarro e cartas de jogar. A coisa durava os conflitos regionais e mundiais que fosse preciso.

Depois, a celulose; e com ela, o papel de desgaste rápido. No processo, alterou-se o carácter das nossas florestas e fauna. Simpáticos koalas preguiçam hoje um pouco por todo o nosso lindo país de eucaliptos (ninguém os vê, mas isso é porque serão koalas, mas não são parvos). Papel feito a partir do pinheiro possui razoáveis qualidades, mas a nobre árvore leva o seu tempo a crescer; eucalipto é bem mais rápido. Não, tem toda a razão, experimentado leitor, de facto o papel não fica tão bom, mas isso é coisa para as crianças mais tarde terem alguma coisa para resolver para além do défice, da Segurança Social ou das alterações climáticas, não queremos que fiquem com a vida demasiado facilitada, queremos? Por todas as vezes que nos obrigaram a levantar da cama às quatro ou cinco da madrugada, não, um categórico NÃO.

Enfim, se acha que vale a pena deixar uma pequena biblioteca aos rebentos mas não tem espaço e a vizinha do lado não permite que instale mais estantes em casa dela, reflicta um pouco. Há por aí uns discos baratos que levam monstrabytes de livros digitais e duram, quê?, uma eternidade (desde que mantenha os seus filhos longe do teclado e o Universo não seja finito). E não me venha com a conversa de que não consegue ler num computador. Livros digitais podem sempre ser passados a papel. Pelo menos os que não estão protegidos contra impressão por essas empresas amigas do… eh… meio ambiente, digamos assim.

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Nota: Scott Vile (quem é Scott Vile? Não faço a mínima ideia) leu um panegírico muito parecido com o meu mas parece ter os “livros permanentes” da Dover em não tão boa conta (perdoe o litotes, mas é perfeitamente legal: já passa das cinco da tarde).

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Fumaça

por Paulo Gorjão, em 30.10.10

A tese do ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, segundo a qual as exigências do PSD abriram um buraco de €500 milhões é, no mínimo, hilariante. Como se não fosse a incompetência do Governo e a sua incapacidade para cortar na despesa a verdadeira razão da pesada carga de impostos que pagamos.
Qualquer pessoa minimamente séria reconhece que as propostas do PSD eram sensatas. E qualquer pessoa minimamente atenta sabe que o Estado tem muita despesa inútil por onde cortar. Assim queira o Governo e Teixeira dos Santos colocar mãos à obra.
O resto são tretas que apenas pretendem antecipar e justificar (mais) uma derrapagem nas metas orçamentais previstas.

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Frases do ano (74)

por Pedro Correia, em 30.10.10

"O portunhol, o franciú e o bad english que os portugueses teimam em tentar falar desvalorizam anos de história da nossa língua."

Manuel Maria Carrilho

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O meu sonho

por Pedro Correia, em 30.10.10

 

Título de capa do Expresso hoje: "Clara F. Alves entrevista A. Damásio".

O meu sonho é um dia conseguir um título de capa assim: "Pedro C. entrevista Penélope C."

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"Arejar um pouco a malquerença"

por Pedro Correia, em 30.10.10

«Até que ponto as batalhas verbais em torno do orçamento não servem também apenas para “arejar um pouco a malquerença”, antes de tudo ficar como estava?»

Escrito aqui há uma semana, com a devida vénia a Norman Mailer, criador da saborosa expressão. Confirmado agora, pelos motivos que sabemos.

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Alguém lhe explica que...

por André Couto, em 30.10.10

 

 

... por muito que queira que as cassetes vivam, a "fita de filmagens" é coisa não utilizada há mais de uma década?

(Já agora mentalizem-no também que, em breve, a resma de papel também perderá actualidade. Diz que é a desmaterialização.)

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Um segredo meu e dos deuses (faz de conta)

por André Couto, em 30.10.10

 

 

Oráculo de Delfos

 

Um profundo transe nocturno, patrocinado pelo barulho da chuva, disse-me que o Orçamento do Estado 2012 foi chumbado.

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História de uma criação

por João Carvalho, em 30.10.10

Acaba aqui a história da criação do Orçamento do Estado para o próximo ano. Quer dizer que termina também a tournée de uma dramatização que percorreu o País. É o fim de uma peça teatralizada sobre negociações irredutíveis e irredutibilidades negociáveis. A partir de agora, voltamos à história antiga e vale a pena fazermos duas perguntas.

Primeira pergunta: quantas vezes um Orçamento foi chumbado no passado? Resposta: nenhuma. Segunda pergunta: quantas vezes um Orçamento foi cumprido? Resposta: nenhuma. Orçamentos rectificativos, Orçamentos suplementares, desorçamentações, receitas extraordinárias e por aí fora, manobras à vista e esquemas escondidos — o cardápio é longo e conhecido.

Em toda esta história com mais de três décadas, a conclusão possível é apenas uma: o OE para 2011 é imprescindível que venha a ser aprovado e era impensável que chumbasse, mas não se sabe bem porquê. Só se sabem duas coisas: que a criação não será cumprida e que a sua execução permanecerá nas mãos dos criadores, que já levam anos a mostrar a maior incompetência para executar e cumprir.

Por outras palavras: continuamos bem entregues. O OE é essencial...

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Passado presente (CCLXIX)

por Pedro Correia, em 30.10.10

  

 

 

Banda do Casaco

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Outubro (6) casamenteiro (29)

por João Carvalho, em 30.10.10

Bolo de casamento "Vamos-Voltar-à-Mesa-das-Negociações".

É um bolo que representa os termos inegociáveis e finais do enlace pretendidos pela noiva e que o noivo considera inaceitáveis. Felizmente, a noiva está disposta a negociar as suas condições irredutíveis e derradeiras.

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Ler

por Pedro Correia, em 30.10.10

Cavaco e as sondagens. De Alexandre Homem Cristo, n' O Cachimbo de Magritte.

Os cinco Cavacos. Do Daniel Oliveira, no Arrastão.

Pudor. De António Pais, no Fim de Semana Alucinante.

A teoria da farsa ou a farsa da teoria. Do Luís Naves, no Albergue Espanhol.

Coisas más. Do Miguel Marujo, na Cibertúlia.

Telegrama. Do Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas.

Vai no Batalha. Do Francisco José Viegas, n' A Origem das Espécies.

Dupla personalidade política (apenas política). Do Emídio Fernando, no Correio Preto.

Procura-se. Do David Levy, no Lisboa-Tel Aviv.

Misses Pinch. Do José António Abreu, n' O Escafandro.

Um outro Outubro. Da Joana Lopes, no Entre as Brumas da Memória.

O inquilino. De Rui Herbon, na Jugular.

O sonho feminino. Do Luís Naves, no Emoções Básicas.

Algés. Da Cristina Nobre Soares, no Deserto do Mundo.

É a estética, estúpida! De Eugénia de Vasconcellos, no É Tudo Gente Morta.

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As canções do século (303)

por Pedro Correia, em 30.10.10

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E agora, com a Vossa licença...

por Adolfo Mesquita Nunes, em 29.10.10

... os Delituosos encontram-se para jantar.

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O mau exemplo de Martine Aubry

por Pedro Correia, em 29.10.10

 

Vi há dias a líder dos socialistas franceses, Martine Aubry, numa manifestação de protesto em Paris contra a decisão do Governo de aumentar a idade de reforma dos 60 para os 62 anos. E ouvi-a proferir declarações indignadas contra esta medida, que se destina a viabilizar o sistema público de pensões em França, país que tem sérios problemas de natalidade e índices crescentes de esperança de vida: segundo as estimativas oficiais, daqui a duas décadas 31% da população terá pelo menos 60 anos, o que altera drasticamente a tradicional proporção entre trabalhadores activos e trabalhadores aposentados, base essencial do sistema.

Numa altura em que toda a Europa faz imensos sacrifícios em nome das gerações futuras, esta posição da dirigente máxima do PSF pareceu-me profundamente demagógica, irresponsável e até indigna de alguém que tem sérias ambições políticas. Interrogo-me o que faria Martine Aubry se estivesse no Governo. Certamente nada muito diferente do que o seu camarada Zapatero, presidente do Governo de Madrid, que em Maio anunciou a subida de 65 para 67 anos da idade da reforma em Espanha. E daquilo que o primeiro-ministro Giorgio Papandreou – também socialista – se viu obrigado a pôr em prática na Grécia, aliás de acordo com as receitadas preconizadas pelo FMI, cujo presidente é o socialista francês Dominique Strauss-Kahn. Já para não falar nas restrições que José Sócrates – igualmente parceiro de Aubry na Internacional Socialista – impôs este ano, por duas vezes, em Portugal.

A diferença entre um demagogo e um estadista é que o demagogo pensa na eleição seguinte e o segundo pensa na geração seguinte. Martine Aubry merece, sem dúvida, o primeiro dos qualificativos e está muito longe de justificar o segundo. Nem por isso lhe auguro sucesso nas próximas eleições francesas.

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Optimizar recursos

por João Campos, em 29.10.10

Mais umas manhãs como esta, e pode-se fundir a Carris com a Transtejo.

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O outro lado da arte de desenrascar

por João Campos, em 29.10.10

Estou no trabalho com os pés molhados. Ou antes: encharcados. O meu "guarda-chuva aerodinâmico" sobreviveu às rajadas de vento e manteve a parte superior do meu corpo bem seca durante a borrasca desta manhã, se fechar os olhos e me distrair um bocado quase tenho a sensação de, dos joelhos para baixo, estar dentro de água. A saída do autocarro, ali na João Crisóstomo,  foi direitinha para uma poça de água quase do tamanho do Alqueva - os motoristas da Carris aperfeiçoaram a técnica de parar com as portas a dar directamente para a água, qual prancha de um barco pirata. Claro que as obras de toda a zona do Saldanha não ajudam nada. E claro que a famosa, tradicional e mui amada calçada portuguesa também não: a incapacidade nacional de construir um passeio direitinho, sem altos e baixos, só encontra rival na inaptidão, também nacional, para as contas públicas. Junte-se a isso goteiras, algerozes a descarregar directamente para os passeios e as inevitáveis obras - andar a pé em Lisboa em dias de chuva faz lembrar aquele divertido jogo do Takeshi's Castle (em português, Nunca Digas Banzai!, lembram-se? Era a versão japonesa dos nossos Jogos Sem Fronteiras, mas incomparavelmente melhor que estes) em que os concorrentes japoneses andavam a saltar de "nenúfar" em "nenúfar" no meio de um charco, sendo que alguns (muitos) "nenúfares" eram falsos e lá iam os malucos dos japoneses à lama. Os passeios de Lisboa são mais ou menos o mesmo - a malta anda aos saltinhos, de guarda-chuva na mão, a evitar poças, descargas súbitas e outros transeuntes que jogam o mesmo jogo. O Takeshi's Castle era divertido - talvez tenha sido o programa mais divertido a passar na televisão portuguesa -, mas este jogo alfacinha não é nada engraçado, bem pelo contrário.

Depois há as sarjetas. Os degraus da nova parte da estação de Metro de Saldanha pareciam as cataratas do Niagara, e metade do átrio da estação ameaçava deixar os lisboetas com água pelo tornozelo (parece que o sistema de escoamento da nova estação não é grande coisa). Diz que a Baixa alagou, como alaga sazonalmente. Idem para Alcântara. Passei lá de manhã, no autocarro, estava o dilúvio a começar. Pouco tempo depois ficou neste lindo estado que o Expresso mostra. Aqui, a regularidade também é sazonal. Um tipo fica a pensar: mas se isto acontece todos os anos, por que motivo nada se faz para prevenir a inundação? Talvez, para começar, não seja necessária grande engenharia para a coisa: limpar as sarjetas já deve ajudar, e para ver isso até um independente engenheiro de domingo deve servir. Este é o lado perverso do internacionalmente famoso desenrascanço português: nunca planeamos nada, mesmo quando enfrentamos o mesmo desastre a cada Outono. Este ano ainda não acabou, mas podemos ficar descansados: para o ano, por esta altura, as zonas baixas de Lisboa voltam a alagar. É certinho.

 

 

 

 

 

 

 

Imagem 1: a saída de um autocarro da Carris em dia de chuva. O uso de capacete é puramente estético; já a prancha é muito recomendada.

 

 

 

 

 

 

Imagem 2: Como andar nas ruas de Lisboa em dias de chuva. Sugestão do dia: um par de meias suplentes, ou galhochas. Boa sorte.

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Convidada: ANA MATOS PIRES

por Pedro Correia, em 29.10.10

 

 

Quando passear na blogosfera nos faz ficar coprolálicos: 

um exemplo

 

Aqui "há atrasado" o Pedro Correia convidou-me para escrever um texto no Delito de Opinião. Eram vários os temas possíveis mas, de repente, ao esbarrar com um escrito onde se lia "O monstro cresce, mesmo para tratar de problemas de que ninguém se queixa", tornou-se impossível não pegar mais uma vez na violência doméstica (VD) .

Já para já, por via da existência dos jaquinzinhos deste mundo, nunca é demais  relembrar que a VD, nomeadamente a exercida sobre as mulheres, é crime público, isto é, o procedimento criminal, através do Ministério Público, não está dependente de queixa por parte da vítima. Ora assim sendo estamos a falar de um problema passível de queixa por qualquer um, ao invés de um problema de que ninguém se queixa.

Por outro lado a notícia não foi bem lida, o que está escrito é "Outra novidade no combate à violência doméstica (para além da atenção clínica a dar à VD durante a gravidez, digo eu)  é a aposta na formação de técnicos na área da saúde mental para prevenir e acompanhar casos de vítimas e agressores." (sublinhados meu).

Ninguém está a inventar doenças, apenas a aplicar uma lei e a usar a definição de "saúde" da OMS: estado de bem estar físico, psíquico e social.

Nos últimos anos surgiram evoluções importantes no que à VD diz respeito, sobretudo em termos legislativos. É agora altura de nos preocuparmos com uma rede operacional, a funcionar no terreno, capaz de dar uma resposta mais efectiva e eficaz. Neste sentido, como já escrevi, importa discutir  o papel dos agentes da saúde mental no processo. Onde entramos nós? A que nível do processo? Com que instrumentos e com que objectivos? Como nos devemos articular com as estruturas sociais já existentes, sejam ou não organismos estatais? Qual a contribuição deste flagelo para o  estado geral da patologia mental em Portugal? Estas são algumas das questões a que importa responder tendo em vista melhorar a resposta e a assistência a estes casos.

A operacionalização de tudo isto passa pelo conhecimento da realidade. Importa, por isso, não só identificar os casos de desfecho fatal como as sequelas que resultam deste tipo de violência  - as cabeças transformadas em queijos suíços por via dos traumatismos ou as malformações fetais, por exemplo - e desenvolver estratégias e planos de acção. O rastreio da VD durante a gravidez é exemplo de uma dessas situações, 9% de grávidas serem vítimas de VD é percentagem que chegue para merecer uma atitude. Mais do que de uma questão de igualdade de género é de dignidade humana que falamos, de um crime. Em causa pode estar uma das nossas filhas. 

 

Ana Matos Pires

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O meu Ruben e a Cárina

Mostraram-me a intrénet:

Carrego no botõn de cima,

E nem preciso de cassete!


Ao descobrir a blogusfera

O meu ser modificou-che...

Tenho o mundo à minha espera

Nos Barrancos de Trajouce.

 

Durante o dia semeio

Batatas e ananájes...

Mas à noite dejencadeio

Ventos e tempextades!!!

 

Porq’ eu tenho vida dupla

Nas cáichas dos comentárius —

Dou pôrrada aos filhos da puta

E cacetada aos salafrários

 

Assino com muitos nomes:

“A Váquiria”, o “Cagaceiro”

Pra ninguém saber que me xamo

Zé Maria Lopes Padeiro!?...

 

Posso parecer um patêgo...

Mas xou um homem do mundo

Já vi o mar no Rebordelo

E passei férias no Dafundo!

 

Por isso só leio testos

D’ ilevada cualidáde

Ejijo português de lei

E respeito pla actualidáde.

 

Há seis meses fiz um blog

E tenho já cinco leitores!

A minha burra, o meu cão,

A minha mulher e dois doutores.

 

Se consseguir chamar mais jente

Daqui até ao Natal

Cherei o Pulido Valente

Da Imprensa Regional.

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Frases do ano (73)

por Pedro Correia, em 29.10.10

"A mim, o que me deu vontade de escrever foram o Almanaque Bertrand, o Pato Donald, o Mandrake... Foi por causa disso que eu comecei a escrever."

António Lobo Antunes, na excelente entrevista feita por Ricardo Araújo Pereira na edição desta semana da Visão

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Outros motivos para amar Portugal (16)

por Ana Vidal, em 29.10.10

 

 

Peixinhos da horta

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 29.10.10

 

Andrea Corr

 

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Os nossos convidados

por Pedro Correia, em 29.10.10

Passadeira vermelha já desenrolada para recebermos condignamente a nossa convidada de hoje, Ana Matos Pires. Do blogue Jugular.

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Outubro (5) casamenteiro (28)

por João Carvalho, em 29.10.10

Bolo de casamento "Foste Bem Pescado".

Eis aqui a receita para as noivas que têm um sentido prático da vida: em tempos de crise, há que saber lançar o anzol para onde estiver um bom orçamento.

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Frases do ano (72)

por João Carvalho, em 29.10.10

"Sócrates não tem duas palavras."

José Lelo, dirigente do PS

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As canções do século (302)

por Pedro Correia, em 29.10.10

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Notícias do dia

por Teresa Ribeiro, em 28.10.10

Há dias, como o de hoje, em que os jornais ganham vida própria. Lemos na primeira página que o Primeiro Ministro está a fazer um esforço e esse título persegue-nos, mesmo quando já passámos para outras notícias. Inteiramo-nos sobre o desemprego na construção civil e na foto vemos suspensa dos andaimes a progressiva dificuldade dos portugueses em comprar casa, que é a matéria da informação que está ao lado. Os cortes no abono de família, em vigor na segunda-feira, é outra notícia que nem por isso nos distrai do tal esforço do PM. Parece que pisca, essa palavra, qual lâmpada de néon. Esforço. Olhamos para a foto que acompanha esse título e não resistimos à ironia. Essa palavra presta-se mesmo a trocadilhos parvos. Quando, por fim, paramos nas notícias sobre o BPN e o Face Oculta e vemo-las amarinhar pela página e juntar-se lado a lado às da construção civil e dos abonos e do esforço, do esforço, do esforço do PM então é inútil escapar à leitura cruzada e de pendor escatológico das notícias do dia.

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Frases do ano (71)

por João Carvalho, em 28.10.10

"O problema é que o Estado não sabe em que é que gasta e, como não sabe em que é que gasta, tem dificuldade em saber em que é que há-de cortar."

João Cantiga Esteves sobre o OE no Jornal das 9, SIC-N

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Os filmes da minha vida (21)

por Pedro Correia, em 28.10.10

 

NUNCA HOUVE UM ANO ASSIM

  

Foi um ano mágico para Hollywood. A sisuda Greta Garbo soltou pela primeira vez umas sonoras gargalhadas em Ninotcha, de Ernst Lubitsch – um filme que passou logo a ser conhecido pelo slogan publicitário: “Garbo ri.” John Wayne protagonizava o “primeiro western adulto”, como lhe chamou Peter Bogdanovich – era Cavalgada Heróica. James Stewart ascendia ao estrelato num papel inesquecível em Peço a Palavra (Mr. Smith Goes to Washington), de Frank Capra, pelo qual a exigente Associação de Críticos de Nova Iorque lhe deu o prémio de melhor actor. O produtor David O. Selznick trouxe de Estocolmo uma actriz muito jovem e muito tímida, a quem os jornais, com aquelas fórmulas demasiado fáceis a que gostam de recorrer, não tardaram a chamar “nova Garbo”. À beira do fim do ano, o mesmo Selznick estreou aquilo a que os mesmíssimos jornais se apressaram a intitular “filme da década”: E Tudo o Vento Levou.

O ano era 1939 – não houve outro assim na meca do cinema. Um ano em que as obras-primas se sucediam numa vertiginosa sucessão de estreias. Foi o ano em que William Wyler – ainda com o dedo de Selznick – mostrou ao mundo que o universo romanesco de Emily Brontë era filmável, dirigindo Laurence Olivier e Merle Oberon em O Monte dos Vendavais. O ano em que George Cukor (que liderou as filmagens de E Tudo o Vento Levou antes se incompatibilizar com o protagonista, Clark Gable) rodou Mulheres, só com papéis femininos. O ano em que Bette Davis, ferida no seu amor-próprio por não ter sido escolhida para o papel de Scarlett O’Hara, rapou as sobrancelhas para protagonizar Isabel de Inglaterra, de Michael Curtiz. O ano em que Henry Fonda fez de Abraham Lincoln em A Grande Esperança, de Ford. O ano em que Humphrey Bogart se firmava definitivamente no cinema, ao lado de James Cagney, em Heróis Esquecidos, de Raoul Walsh. Um ano em cheio para Judy Garland, que passou De Braço Dado (Babes in Arms, de Busby Berkeley) com Mickey Rooney e foi visitar O Feiticeiro de Oz (de Victor Fleming, o realizador de E Tudo o Vento Levou).

 

Ford rodou o seu primeiro filme a cores (Ouvem-se Tambores ao Longe). Marlene Dietrich parodiou a personagem que a tornou célebre, a Lola d’ O Anjo Azul, num western genial – A Cidade Turbulenta, sob a direcção de George Marshall. George Stevens realizou um modelar filme de aventuras com Cary Grant e Douglas Fairbanks Jr – Gunga Din. Grant, grande isco de bilheteiras, protagonizou Paraíso Infernal, de Howard Hawks, contracenando com uma estreante chamada Rita Hayworth. Ingrid Bergman, a tal caloira sueca que afinal era superior à Garbo, comoveu as plateias pela sua actuação em Intermezzo, de Gregory Ratoff. Carole Lombard casava com James Stewart em A Vida Começa Amanhã, de John Cromwell. E Bette Davis, recuperadas as sobrancelhas, fez chorar as pedras da calçada em Vitória Negra, de Edmund Goulding.

“Foi um ano extraordinariamente vigoroso para o cinema americano”, viria a sublinhar Bogdanovich, ele próprio nascido em 1939. A indústria cinematográfica americana estava no auge, a guerra desencadeada por Hitler ainda não ultrapassara o solo europeu, a máquina de sonhos estava bem oleada (nesse ano estrearam-se 476 filmes norte-americanos), estúdios como a MGM gabavam-se de ter mais estrelas sob contrato do que as existentes no firmamento. “Imaginem um realizador do calibre de Ford – mesmo que houvesse algum – hoje estrear três filmes por ano. E ninguém deu grande importância a isso nesses dias misericordiosamente naturais. Era apenas uma ‘missão cumprida’, como diria Ford.”

 

São ainda palavras de Bogdanovich, que nos lembra a forma como a chamada “imprensa de referência” ridicularizara um ano antes o filme As Duas Feras (Bringing Up Baby), de Hawks. O crítico do conspícuo New York Times chamou-lhe “fita tonta”, desaconselhando os espectadores de a verem por se tratar de “uma perda de tempo”. Foi preciso esperar duas décadas e o reconhecimento de respeitáveis críticos franceses como André Bazin e François Truffaut para que Hawks fosse enfim celebrado nos Estados Unidos como o grande autor que sempre foi e As Duas Feras ser enfim reconhecido em Nova Iorque como uma das mais geniais comédias de todos os tempos. Ninguém é profeta na sua terra...

Quantas obras-primas não passam hoje pelos nossos olhos sem estarmos preparados para as reconhecermos? E quantos críticos, munidos com arsenais de bolas pretas, chamarão hoje “fitas tontas” às obras-primas de amanhã?

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Um país sui generis

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.10.10

De um aviso afixado em papel cor-de-rosa no Tribunal de Família e de Menores de Vila Franca de Xira:

 

"Procedimentos a evitar na sala de audiências:

 

Mascar pastilha elástica

Usar telemóvel

Óculos de Sol na cabeça

Mãos nos bolsos"

 

Quando em casa ninguém diz nada e a escola pública não ensina, acabamos a ler coisas destas nos tribunais.

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Heróis e vilões

por Pedro Correia, em 28.10.10

 

 

Estamos a ser testemunhas de um dos momentos mais tristes da História: o do fim do estado de bem-estar, do estado social, do estado-providência que levantou a Europa das cinzas da guerra. Este período prolongou-se por 60 anos e teve os seus heróis: Alcide de Gasperi, Konrad Adenauer, Clement Attlee, Robert Schumann, Paul-Henri Spaak, Jean Monnet (europeus), Harry Truman e George Marshall (norte-americanos). Foi um período ímpar de crescimento económico e paz social, com largos anos de pleno emprego e um cortejo de conquistas em vários planos - da queda drástica da mortalidade infantil à virtual erradicação do analfabetismo. Foi uma revolução sem bombas nem mortos - uma revolução silenciosa que levou o progresso a centenas de milhões de pessoas no continente europeu e, por natural contágio, a outras partes do mundo.

Um longo caminho se percorreu dos heróis de então aos vilões actuais, coveiros do estado social que garantiam proteger. De uns e outros falará a História - a que se deixa seduzir pelos factos, não pela propaganda.

 

Fotos: Gasperi e Adenauer

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Convidada: HELENA MATOS

por Pedro Correia, em 28.10.10

 

Não existirá um único português saudável?

 

A doença fascina-nos. Falar sobre doenças é uma mania nacional. E sobretudo a doença é a porta de saída para o que não se quer ver, ouvir e dizer. Os colegas são insuportáveis? Mete-se baixa. A família não funciona? Diagnostica-se uma depressão. A vida corre mal? Sofre-se de um síndroma raro.

Tudo somado, não existe um português saudável. Coloquei no google portugueses+doença+sofrem e para início de conversa obtive isto:


UM QUARTO DOS PORTUGUESES SOFRE DE DOENÇAS RESPIRATÓRIAS CRÓNICAS

20 mil portugueses sofrem da doença de Parkinson

Metade dos portugueses tem uma doença crónica

Um em cada quatro portugueses sofre doença responsável por AVC

Mais de um milhão de portugueses sofre de doença pulmonar obstrutiva crónica

8 mil portugueses sofrem Doença Celíaca

Uma em cada quatro pessoas desenvolve ao longo da vida fibrilhação auricular

Há 60 mil portugueses que sofrem de Alzheimer

Doenças reumáticas atingem 5,9% dos trabalhadores portugueses

7 em cada 10 portugueses sofrem de dores nas costas

Cinco mil portugueses sofrem de doenças neuromusculares

 

Helena Matos

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Ceci n'est pas un post (7)

por Ana Vidal, em 28.10.10

 

Fénix

 

No dia em que tudo ruiu, fez-se à estrada. Não olhou para trás. Não procurou entre as cinzas, soterrados nos escombros de uma vida, sonhos desfeitos que ainda pudessem respirar. Não socorreu memórias sobreviventes, deixou-as asfixiar no fumo que sobrou da grande fogueira que tinha ateado, ainda inconsciente da catástrofe que se avizinhava. Passou por cima de gestos e de palavras, pisou sorrisos agonizantes com os pés nus, já calçados para a viagem. Escorraçou todas as lembranças que teimavam em agarrar-se-lhe à pele e afugentou fantasmas, velhos conhecidos a quererem transpor com ela a porta de entrada. Ou de saída. Só de saída, nesse dia. Lavou das narinas os cheiros familiares, expulsou dos olhos as imagens coloridas de arcos-íris passados, sacudiu das mãos o velho ímpeto de arrumar uma vez mais o caos, de repor a ordem, como sempre fizera. Não aplacou os demónios que bailavam por todo o lado, enfim vitoriosos, seguros do seu poder. Por uma vez, deu-lhes tudo o que exigiam. Fechou a porta atrás de si e atirou a chave para longe. Lá dentro, por detrás da madeira triste, uma vida acorrentada. Não levou nada, não queria nada. De seu, só uma indómita e urgente vontade de partir. Tudo o resto ficou para trás, e nunca mais lhe fez falta.

 

(Imagem: René Magritte)

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A piada de Lelo

por João Carvalho, em 28.10.10

«O primeiro-ministro não tem duas palavras.» A frase é do impagável secretário nacional do PS, José Lelo. Está mesmo a ver-se que os socialistas estão divididos e que Lelo já é um dos adversários internos de Sócrates. Sim, no momento que se atravessa, quem é que se lembraria de contar anedotas?

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Socialistas rima com despesistas

por Adolfo Mesquita Nunes, em 28.10.10

A viabilização, a todo o custo, de um mau Orçamento só coincide (e mesmo assim...) com o tão proclamado interesse nacional se, a executá-lo, estiver gente responsável, capaz e com respeito pelas gerações futuras. Responsável, para saber medir as consequências de cada uma das cedências ao socialismo que vai ser convidado a fazer; capaz, para fazer vingar, contra os interesses instalados, uma política de drástica redução da despesa e de reforma do Estado; com respeito pelas gerações futuras, para impedir que se continuem a diferir os problemas e as contas para as gerações que estão a nascer. 

 

Com este Governo, com este Primeiro-Ministro e este Ministro das Finanças, poderemos dizer que estamos perante gente responsável, capaz e com respeito pelas gerações futuras? Não me parece. Estamos por isso na eventualidade de oferecer um fósforo a um pirómano que se prepara para entrar numa floresta e deixá-la em cinzas. Isto é, estamos na eventualidade de dar aos socialistas (rima com despesistas) a possibilidade de continuarem a gerir o nosso dinheiro, deixando-o, precisamente, em cinzas.   

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De Sá Carneiro a Sócrates

por Pedro Correia, em 28.10.10

Cinco anos como Presidente da República, dez anos como primeiro-ministro, dez anos como presidente do PSD, um ano como ministro das Finanças, há 30 anos no primeiro plano da política portuguesa - mais tempo do que o mandato de Pinto da Costa no FC Porto. É Aníbal Cavaco Silva, o economista que recusa ser político profissional.

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Próxima paragem: Triângulo do Diabo

por João Carvalho, em 28.10.10

«É minha convicção que José Sócrates continua a ser o Timoneiro deste Transatlântico.» Neste final da viagem — cruzeiro de recreio para alguns, cruzada de enjoo para muitos — estamos quase lá. Triângulo das Bermudas à vista.

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Os nossos convidados

por Pedro Correia, em 28.10.10

Saúdo desde já a Helena Matos, que vem escrever hoje connosco. Com o estilo que bem lhe conhecemos do Blasfémias.

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Grandes sarilhos em Sarilhos Grandes

por Ana Vidal, em 28.10.10

 

No estado de sítio em que se transformou a situação deste país, chega-nos a insólita notícia da descoberta e desmantelamento de uma fábrica de transformação de droga em... Sarilhos Grandes. Bem pensado, já a piscar o olho à polícia por conta do humor na escolha do nome do local, caso as coisas dessem para o torto. E deram. Uma pena: afinal, este caso raro de empreendorismo, engenho e brio profissional até podia ser um exemplo a seguir, já que a qualidade do produto deste laboratório de alta produtividade - o maior da Europa! - era "quatro vezes superior ao que é habitual no mercado". A vida é injusta.

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A culpa é das "gajas"

por Sérgio de Almeida Correia, em 28.10.10

Volto hoje de novo a Alberoni.

De manhã ouvi na rádio uma notícia, aparentemente em violação do segredo de justiça, do qual serão os principais guardiões os senhores do Ministério Público, e fiquei a saber que uma ex-secretária de Estado e actual deputada do PS, Ana Paula Vitorino, tinha sido visada numa conversa entre dois figurões envolvidos no caso “Face Oculta”. A violação do segredo de justiça é uma trivialidade.

Dizer que volto a Alberoni pode parecer uma repetição. Não é. Se o objectivo fosse esse seria mais fácil transcrever o que já muitas vezes escrevi. Mas eu raras vezes volto atrás. A memória do passado transporto-a comigo, o que a torna sempre parte do presente e, por vezes, é capaz de me antecipar o futuro. As sombras também.

Aparentemente, as posições públicas de Ana Paula Vitorino valeram-lhe a desaprovação de alguns arguidos do caso “Face Oculta”. De acordo com os diálogos que todo o país ficou a conhecer. Ao que parece, as suas posições, no que dizia respeito à Refer, à linha do Tua ou a eventuais contratos com um sucateiro, não colhiam a simpatia de algumas pessoas apanhadas nas escutas da PJ.

A expressão que retive, das várias que foram reproduzidas para todos nós, foi a de que era necessário dar uma ”stickada na gaja”. Nem mais nem menos. A ”gaja” era a, ao tempo, secretária de Estado dos Transportes. Uma mulher.

Tenho alguma dificuldade em aceitar que uma mulher, qualquer que ela, seja tratada por “gaja”. E quando isso é dito por um tipo de bigodes fico piurso. Defeito meu.

Há dois dias, num belíssimo texto de Alberoni, escrevia ele que “quem triunfa são os que não têm escrúpulos, os que aparecem na televisão, os que têm amigos na política”.

Eu tenho amigos que são políticos. Não tenho “amigos na política”. Isso dá-me uma grande liberdade e uma especial tranquilidade para poder pensar, dizer e escrever aquilo que quero sem ter de pedir autorização a ninguém. Sou senhor da minha consciência, kantianamente responsável pelas minhas escolhas.   

Alberoni sublinhou que quando os mais dotados estão num ambiente cultural que não os favorece, nem os ajuda, têm mais dificuldade em triunfar. Precisam de ser mais ousados e mais firmes para encararem o cinismo do dia-a-dia.

É claro que ninguém vai dar nenhuma “stickada na gaja” porque a nossa sociedade é, além de tudo o mais, uma sociedade profundamente cobarde. E por ser cobarde é que tem tiradas desse género. Tiradas rascas, tiradas dignas de um verdadeiro trolha.

Alberoni diz-nos que um dos dramas de hoje é que existe um sentimento, “devastador” diz ele, e eu concordo, de que os que estudam e que trabalham, os que se esforçam, jamais verão o seu esforço compensado.

De certa forma é isso que explica a necessidade que alguns machos com ar de cornos mansos têm de dar uma “stickada na gaja”. Ou nas “gajas”.

Eu se estivesse no lugar da “gaja” tratava era de dar uma “stickada no gangue” que se apoderou deste país e que impunemente o gere, de norte a sul, no Estado e nas empresas, nos bancos e nos clubes desportivos, nas universidades e nas casas de alterne, e que dando “stickadas” aqui e ali até já foi capaz de gerar dirigentes para os maiores partidos nacionais. O país está sequestrado por um gangue que só suporta as “gajas” na aparência e que se alterna reciprocamente no exercício do poder. Formal e informal.

Nas negociações entre o Governo e o PSD, sobre o Orçamento de Estado, a ruptura deu-se por causa de 0,1% do PIB. Não sei quem tem razão. Sei que 0,1% deve valer uma boa “stickada”. Gente séria não rompe negociações por causa de 0,1%. Gangues mafiosos também não. Só por estupidez o fariam. Merecem ambos o mesmo respeito.

As ”gajas” deste país, a começar por Ana Paula Vitorino, deviam perder a vergonha e dar uma valente “stickada” nestes “gajos” que perdem os dias a falar ao telemóvel, a escutar as conversas dos outros e que depois de três dias de insónias rompem as negociações do Orçamento do Estado por causa de 0,1% do PIB.

Como escreveu Alberoni, temente do futuro, a sociedade até poderia deixar de funcionar. Pois bem, poderia. E nesta altura isso ainda seria grave? Penso bem que não.  Num “país de cidadãos não praticantes”, num “país de gente que se abstém, como os que dizem que são católicos mas não fazem nada do que um católico tem para fazer, não comungam, não rezam e não param de pecar”*, nada disso seria grave. Daí que Cavaco Silva se tenha recandidatado.

As coisas são bem mais simples do que às vezes parecem. Com uma boa "stickada" a gente talvez volte à vida.

 

*  valter hugo mãe, in “a máquina de fazer espanhóis

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As canções do século (301)

por Pedro Correia, em 28.10.10

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Até quando?

por Pedro Correia, em 27.10.10

 

"Este Governo falhou rotundamente na gestão economico-financeira. (...) Este PS e José Sócrates merecem, de facto, o chumbo do Orçamento. O País é que não merece."

António José Teixeira, SIC Notícias

 

"Não sei o que vai fazer Pedro Passos Coelho mas à medida que vou conhecendo o Orçamento, feito com raiva e total falta de cuidado, e que vou percebendo o que se tem passado nas contas públicas nos últimos anos e no banquete em que se transformou o dinheiro dos contribuintes para alguns grupos, cresce em mim a dúvida se não seria melhor inviabilizar o Orçamento."

Helena Garrido, Visto da Economia

 

Ouço na TV, esta noite, o ministro das Finanças dizer que não pode "aceitar um acordo qualquer" para viabilizar o Orçamento de Estado. O mesmo ministro que em 2009, ano em que se disputaram três eleições, aceitou irresponsavelmente aumentar 2,9% os salários dos trabalhadores da função pública e diminuir o IVA de 21% para 20%.

Convém que este senhor - e aquele que ainda lhe dá ordens, cada vez mais isolado - perceba que é possível enganar algumas pessoas durante todo o tempo e toda a gente durante algum tempo mas é impossível enganar toda a gente durante o tempo todo. A propósito, recordo um artigo de um célebre pensador português contemporâneo que deu muito que falar em 2004, também nesta estação do ano em que costuma cair a folha. Passo a transcrever o essencial desse actualíssimo artigo, com a devida vénia ao seu inspirado autor: "Por interesse próprio e também por dever patriótico, cabe às elites profissionais contribuírem para afastar da vida partidária portuguesa a sugestão da lei de Gresham, isto é, contribuírem para que os políticos competentes possam afastar os incompetentes. Recordo que Portugal, desde 2001, tem vindo sistematicamente a afastar-se do nível de desenvolvimento da vizinha Espanha e da média da Europa dos quinze e que esta tendência irá manter-se no futuro, de acordo com as previsões para 2005-06 recentemente publicadas pela Comissão Europeia. Até quando?"

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