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Ler

por Pedro Correia, em 30.09.10

Esgoto a céu aberto. Da Maria João Marques, n' O Insurgente.

Incompetente. Do Nuno Gouveia, n' 31 da Armada.

Sem crédito. Do Gabriel Silva, no Blasfémias.

Virar a mesa. De Pedro Pestana Bastos, n' O Cachimbo de Magritte.

Função pública, o primeiro alvo dos cortes anunciados. De Isabel Moreira, na Pegada.

O país às avessas. De Luís Menezes Leitão, no Albergue Espanhol.

Perguntas para bingo. Do Miguel Marujo, na Cibertúlia.

Canonizem-na. De Rui Passos Rocha, n' A Douta Ignorância.

Por vezes nascem na rua. Do Rui Bebiano, n' A Terceira Noite.

Uma inovação terapêutica. Da Ana Matos Pires, no Jugular.

Ressaca da 'greve'. De Paulo Granjo, no 5 Dias.

O sucesso. Do Pedro Mexia, na Lei Seca.

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Ontem / Hoje (1)

por Ana Cláudia Vicente, em 30.09.10

A vida antiga tinha raízes, talvez a vida futura as venha a ter. A nossa época é horrível porque já não cremos – e não cremos ainda.

 

Raul Brandão (1867-1930), Memórias, Setembro de 1910.

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Eu renuncio

por Ana Margarida Craveiro, em 30.09.10

- Renuncio a ter um sector empresarial público com a dimensão própria de uma grande potência, dispensando-me dos benefícios sociais e económicos correspondentes;

- Renuncio ao bem que me faz ver o meu semelhante deslocar-se no máximo conforto de um automóvel de topo de gama pago com as minhas contribuições para o Orçamento do Estado, e nessa medida estou disposto a que se decrete que administradores das empresas públicas, directores e dirigentes dos mais variados níveis de administração, passem a utilizar os meios de transporte que o seu vencimento lhes permite adquirir;

 

Mais, aqui. Renuncie também.

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Sim, sim.

por Luís M. Jorge, em 30.09.10

A receita e a despesa, e tal. Mas este PSD tem que deixar passar o orçamento: se até ontem tinha margem de manobra, hoje já não a tem. A lindeza que prepare as lágrimas, o copo de água e o batráquio.

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Deputados do ano (5)

por Pedro Correia, em 30.09.10

 

João Semedo (BE)

 

O melhor desempenho parlamentar no ano legislativo que terminou coube, quanto a mim, ao bloquista João Semedo. É um bom orador, capaz de demolir com sólida argumentação as teses contrárias. E tem uma notável capacidade de trabalho, como ficou bem evidente no relatório que elaborou na comissão de inquérito às interferências do Governo em órgãos de comunicação social. Foi um relatório sério, minucioso, desassombrado, que prestigiou a instituição parlamentar. João Semedo, médico de profissão e antigo dirigente comunista, é hoje seguramente um dos políticos que mais prestigiam o Bloco de Esquerda, o que o leva - sem qualquer favor - a ser respeitado por todas as forças partidárias representadas na Assembleia da República

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Leitura muito recomendada

por João Campos, em 30.09.10

O cantinho do hooligan. Apoio Incondicional. De Francisco José Viegas, no Origem das Espécies. Isto merece mesmo ser lido (sim, vale a pena esquecermos a crise por momentos).

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Vento Norte

por João Carvalho, em 30.09.10

aqui falei nisto. Vê-se por aqui que está a mexer. O projecto de Manifesto do Movimento pró-Partido do Norte (e muito mais) encontra-se aqui. E lembrem-se: não é novidade na nossa História que os ventos de mudança comecem a soprar do Norte.

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Ontem à noite

por António Manuel Venda, em 30.09.10

Entre trabalhos, passei pelo lançamento do Agualusa, no Clube Ferroviário. Sítio magnífico, a ver o Tejo, e muita, muita gente. Acho que me tinham mandado o livro, mas de tarde não o encontrei na pilha da D. Quixote em cima da secretária. Comprei um exemplar e trouxe um autógrafo fantástico. Apesar de tudo o que se tem falado, ainda não conhecia nada do livro, mas os excertos lidos por Fernando Alves - em cima de um palco que partilhou com o autor - deixaram-me impressionado. Textos de uma estranha beleza, leitura a tocar o encantamento. Lembro-me do que pensei na altura, que se alguém merecia um palco eram aqueles dois.

 

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Convidado: RODRIGO MOITA DE DEUS

por Pedro Correia, em 30.09.10

 

As forças da reacção I

É absolutamente falso que o objectivo da direita seja deixar os pobres morrerem à porta dos hospitais. Toda a gente sabe que se os pobres morrerem ficamos sem ninguém que trabalhe para os ricos. O objectivo do capitalismo é a exploração do homem pelo homem. A direita é a principal interessada em cuidados de saúde de qualidade para os pobres. O bom senso demonstra que se o homem quina não fica ninguém para explorar.

 

As forças da reacção II

Há que proteger a rede pública de ensino. Muito embora já não exista rede pública de ensino. O pré-escolar é gerido por privados e IPSS. O ensino básico é gerido pelas câmaras e o ensino secundário também começou agora a passar para as mãos das autarquias. E apesar do número de alunos diminuir todos os anos, e apesar da delegação de competências, o ministério da educação todos os anos aumenta o orçamento e aumenta o número de funcionários.

 

As forças da reacção III

Há que proteger o Serviço Nacional de Saúde. Aquele serviço que tem um custo/ano de 900 euros por habitante. O serviço Multicare, com estomatologia, tem um custo/ano de 530 euros por utente. Com a margem de lucro incluída. Sendo que a Multicare pertence ao mesmo accionista que gere o SNS. Temos redes privadas, redes públicas e redes em parceria público-privada. Hoje, mais de três milhões de portugueses têm acesso a cuidados de saúde privados. Seja através de seguros, seja através dos sub-sistemas. Três milhões de utentes que duplicam os seus encargos. Três milhões de utentes que pagam o SNS e praticamente não o usam. E não consta que os custos com o SNS tenham diminuído. Pelo contrário.

 

As forças da reacção IV

Ouvir Sócrates defender a rede pública de ensino depois de inaugurar a creche do Jumbo em Alfragide.

 

As forças da reacção V

Trinta e seis anos depois de Abril volta a ideologia e a semântica da época. De um lado quem quer mudar tudo. Quem quer revolucionar. Do outro, quem quer que tudo fique na mesma. Quem até prefere que o tempo volte para trás. Mas a relação de poder traz curiosas ironias. A relação de poder faz do centro-direita uma força revolucionária e da esquerda a força da reacção. O obscurantismo e o dogma ideológico.

 

Rodrigo Moita de Deus

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Ceci n'est pas un post (3)

por Ana Vidal, em 30.09.10

 

Matéria

 

E no entanto, meu amigo, não é de evidências, mas de intangíveis, que se faz essa fugaz matéria a que chamamos amor. Faz-se de uma substância estranha, mutante e imprevisível, apenas materializada na surpresa que de repente nos devolve o espelho: um corpo que desconhecíamos, um olhar perplexo. Faz-se de um súbito sobressalto que nos invade as entranhas, um imperioso capricho da pele, um inapelável desassossego. Faz-se de um gesto irreprimível, todo languidez e impotência. Faz-se da essência dos rios, correndo em curso livre até se precipitarem num mar que nunca viram, mas sabem ser o seu único destino. E faz-se da placidez dos lagos. Faz-se da beleza terrífica de um incêndio, da voragem de um tornado, do mortífero poder de um raio. Faz-se de clarividência e de cegueira, de lucidez e de loucura. Faz-se de júbilo e de angústia. Faz-se de pudor e de lascívia. Faz-se do mais magnífico festim e da mais insuportável solidão. Faz-se de glória e de miséria, de riso e de pranto, de cobardia e de audácia, de música e de silêncio, de luz e de sombra. Faz-se de guerra e de paz. De vida e de morte. De tudo. De nada.

 

(Imagem: René Magritte - Liaison Dangereuse)

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O cerco ao Presidente (3)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 30.09.10

A oportunidade da apresentação das medidas de austeridade do Governo ajuda, salvo melhor opinião, a confirmar a minha teoria de que José Sócrates procurou encurralar Passos Coelho e Cavaco Silva. Senão vejamos.

 

Primeiro, José Sócrates enganou Passos Coelho, dando a entender que os socialistas não estavam na disposição de enfrentar a realidade adoptando medidas de austeridade. Com isto, provocou uma reacção histérica de Passos Coelho e pressionou uma posição de maior inflexibilidade do PSD.

 

Depois, aproveitando o histerismo de Passos e a aparente recusa de viabilização do Orçamento pelo PSD, Sócrates ameaçou com a demissão, criando o clima necessário para provocar a entrada em cena de Cavaco Silva. Com isto, obrigou Cavaco a sancionar as políticas orçamentais do Governo, porquanto se não admite que Cavaco tivesse andado a pressionar os partidos para aprovar algo que fosse mau para o país.

 

Tendo conseguido a intervenção de Cavaco, Sócrates decidiu-se por fim a anunciar as medidas de austeridade que, dias antes, escondera de Passos Coelho, suavizando as críticas de todos os sectores e quadrantes e escapando às pressões internacionais (pode lá acreditar-se que estas medidas foram pensadas em 2 ou 3 dias?). Com isto, fornece ao PSD o espaço necessário para, seguindo as directivas de Cavaco, e em nome do interesse nacional, viabilizar o Orçamento (o que não significa que não tenha de desdizer-se, uma vez mais...).

 

Tudo somado, José Sócrates vai ter o seu Orçamento, sancionado pelo Presidente da República e com a anuência do partido que aspira substituir os socialistas. Pelo caminho, fez Passos Coelho passar por histérico, obrigando-o, aliás, a desdizer-se uma vez mais (teremos, quem sabe, mais um pedido de desculpas). Nos dias que correm, com a miserável situação do país e perante a escancarada incompetência técnica do Governo, não deixa de ser admirável.

 

(Postado originalmente, com adaptações, no Aparelho de Estado.)

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Afirmações dispensáveis

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.09.10

Há coisas que não deviam ser ditas

Um senador vetusto devia saber resistir a um microfone quando não tem nada para dizer. 

O povo sofre com as crises, pois sofre, mas às vezes zanga-se.

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Um dia...

por António Manuel Venda, em 30.09.10

Um dia a taxa do IVA será igual à do imposto sobre os produtos petrolíferos.

 

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O ensino das línguas estrangeiras

por João Campos, em 30.09.10

A pequena polémica sobre o spoken engrish de José Sócrates pode ser um excelente ponto de partida para uma discussão muito interessante e, na minha opinião, muito importante. Não sei se alguém fala nisso, mas a verdade é que os programas curriculares de línguas estrangeiras do ensino básico e secundário não permitem aos alunos aprender a falar esses idiomas. Nem o Inglês, língua que goza de uma série de factores que creio facilitarem imenso a sua aprendizagem (a opção por legendagem nas séries e filmes, ao invés da dobragem). Ora se isto nem acontece num idioma com o qual todos contactamos desde tenra idade, como pode acontecer em idiomas menos presentes, como o Francês? Falo no Francês, entenda-se, porque no meu tempo era a segunda língua dos programas escolares. No meu caso, foi a primeira: tive Francês do quinto ao décimo-primeiro ano (sete anos, com sete níveis correspondentes), e Inglês do sétimo ao décimo-segundo (seis anos, seis níveis). A verdade é que, ao longo desses sete anos de língua francesa e seis anos de língua inglesa (durante os quais, com uma excepção no nono ano a Inglês, tive sempre professoras boas ou muito boas), nunca houve um treino metódico e intensivo para que aprendêssemos a falar aquelas línguas. Havia exercícios de gramática (imensos), de vocabulário. Escrevíamos redacções (raramente textos livres). Líamos textos. Falava-se o básico no idioma em estudo com a professora - mas apenas isso, o básico. Com sete anos de excelentes notas a Francês, acabei o Secundário incapaz de me exprimir com um mínimo de fluência na língua francesa; e o mesmo não aconteceu com o Inglês porque aprender a ler, escrever e falar correctamente Inglês foi um objectivo pessoal que estabeleci no décimo ano e que resolvi sozinho, nos meus tempos livres - e tudo graças aos meus gostos mais ou menos geek, quem diria.

Confesso que nunca tinha pensado nisto até ter passado umas férias em casa de amigos na Dinamarca. Amigos dinamarqueses, entenda-se, com filhos mais novos que eu. A mais nova, com treze anos na altura, já falava inglês quase tão bem como eu. As duas filhas mais velhas do casal, à época com 15 e 17, falavam inglês com absoluta naturalidade. Quantos adolescentes em Portugal dominam a língua inglesa?

Regressando a Portugal: a verdade é que chegam todos os anos às universidades imensos alunos incapazes de manter uma conversa ou escrever num idioma estrangeiro - falo no Inglês porque é o mais comum nos dias que correm. Mais grave: temos alunos a acabar cursos universitários exactamente nas mesmas condições [por favor: tive colegas de turma que acabaram Jornalismo (!) quando eu acabei e eram incapazes de chegar à terceira frase em Inglês; talvez até fossem a maioria]. No desastre que é o ensino em Portugal, fala-se muito do Português e da Matemática e perde-se imenso tempo em redor da famigerada "educação sexual"; mas não vejo ninguém referir o descalabro no ensino das línguas estrangeiras. É pena, pois faz falta. Como o nosso primeiro-ministro tão bem demonstrou.

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A canção das nossas vidas

por João Carvalho, em 30.09.10

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Os nossos convidados

por Pedro Correia, em 30.09.10

Tenho o prazer de anunciar que hoje vem escrever connosco o Rodrigo Moita de Deus. Do 31 da Armada.

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O filme das nossas vidas

por João Carvalho, em 30.09.10

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Quando nada têm a dizer...

por João Carvalho, em 30.09.10

«Nós... de alguma maneira... iniciamos hoje um dia que é o dia que começa o resto da nossa vida (...)»

(Vítor Ramalho, socialista e presidente do Inatel, sobre "o dia que começa", ontem à noite)

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A gramática da crise

por António Manuel Venda, em 30.09.10

«… e no fim disto, esperemos ao menos que vamos ter um país bem melhor.»

Ricardo Costa, a comentar as medidas contra a crise, presumo que seguindo já o acordo ortográfico

 

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Frases do ano (62)

por Pedro Correia, em 30.09.10

"O povo tem que sofrer as crises como o Governo as sofre."

Almeida Santos, presidente do PS, esta noite, no largo do Rato

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As canções do século (273)

por Pedro Correia, em 30.09.10

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Cogitações

por Leonor Barros, em 30.09.10

Manso não é a tia do Louçã. Mansos somos todos nós que aturamos isto.

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 30.09.10

Ao Fazer para Aprender.

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Read his lips

por Pedro Correia, em 29.09.10

21 de Março de 2005: "[O aumento de impostos] vai ser evitável, porque estamos cá para garantir que vamos conter a despesa e combater a fraude e a evasão fiscal." (José Sócrates no debate do programa do Governo)

 

14 de Abril de 2005: "Nós não vamos aumentar os impostos, porque essa é a receita errada. Não vamos cometer os erros do passado." (Em entrevista a Judite Sousa, na RTP)

 

26 de Março de 2008: José Sócrates anuncia descida do IVA de 21 para 20 por cento com efeitos a partir de 1 de Julho.

 

24 de Novembro de 2009: O primeiro-ministro assegurou que não vai aumentar os impostos. (...) O chefe do Governo adiantou que está a trabalhar e a preparar o próximo Orçamento para que se possa criar condições para a recuperação da economia e emprego e que se for possível baixar impostos isso será feito também com este objectivo. Sócrates adiantou ainda que o compromisso de não aumentar os impostos vale para até ao final da legislatura.

 

2 de Fevereiro de 2010: "Vamos fazer uma consolidação orçamental baseada na redução da despesa e não através de aumento de impostos, porque isso seria negativo para a economia portuguesa."

 

8 de Março de 2010: "O Governo vai concentrar-se na redução da despesa do Estado, tarefa que é provavelmente a mais difícil e exigente. Mais fácil seria aumentar impostos, mas isso prejudicaria a nossa economia."

 

9 de Março de 2010: O primeiro-ministro recusou hoje que o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) implique aumento de impostos.

 

30 de Abril de 2010: José Sócrates garantiu hoje que o Governo não vai aumentar o IVA, justificando que essa medida que não está prevista no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), documento que se comprometeu a cumprir fielmente.   

 

6 de Junho de 2010: José Sócrates disse que o último aumento de impostos “é suficiente” para cumprir o objectivo orçamental.

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Alguém falou em credibilidade?

por Pedro Correia, em 29.09.10

O (des)governo de José Sócrates acaba de anunciar o aumento do IVA de 21% para 23%. Há dois anos, com eleições quase à porta e a crise já a bater forte na Europa, o (des)governo de José Sócrates baixou o IVA de 21% para 20%. Em Maio deste ano, já sem eleições no horizonte, o (des)governo de José Sócrates voltou a aumentar o IVA de 20% para 21%.

Em 2009, ano eleitoral - eleições europeias, legislativas e autárquicas -, o (des)governo de José Sócrates aumentou em 2,9% os salários da função pública. A crise era indisfarçável, mas a demagogia eleitoral falou mais alto. Agora, o (des)governo de José Sócrates anuncia cortes até 10% dos salários da função pública.

Alguém falou em credibilidade aí ao fundo da sala?

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Os filmes da minha vida (17)

por Pedro Correia, em 29.09.10

Comecei a ver cinema muito cedo. Era ainda um garoto, leitor assíduo de revistas de banda desenhada, quando me deixei seduzir pelo ecrã mágico de onde irrompiam heróis de todo o género, emanados do mundo dos adultos. Fixei para sempre um sorriso de Fernandel, um silêncio de John Wayne, um trinado de Marisol, uma expressão dura de Bogart, um esgar trocista de Belmondo, Errol Flynn conquistando as matinés e o coração de Olivia de Havilland em As Aventuras de Robin dos Bosques. E as pernas de Silvana Mangano, os olhos de Michèlle Morgan, o rosto magoado de Ingrid Bergman à beira de um vulcão a preto-e-branco em Stromboli. Puto de calções, largava as brincadeiras da bola ou do berlinde para me pôr defronte da pantalha, quando a RTP oferecia bom cinema aos espectadores, e lá ficava, de olhos arregalados, mergulhado no fascínio da Sétima Arte oferecida ao domicílio da geração privilegiada de que fiz parte. São imagens que me ficarão gravadas para sempre: o inquietante sobrolho de Gregory Peck no Caso Paradine, o trenó em chamas de Citizen Kane, Gene Kelly dançando à chuva, um grão de areia no olho de Celia Johnson, a radiosa Audrey Hepburn andando de lambretta nos dédalos de Roma.
Filmes de Verão, com Johnnny Weissmuller, Totó e Fred Astaire. Filmes de Inverno, com Giulietta Masina, Henry Fonda, Alec Guinness e Marlene Dietrich. Títulos perdidos na memória dos tempos mas recordados à simples evocação de uma cena imortal: Shirley Temple fazendo sapateado, Vasco Santana falando a uma girafa, Grace Kelly beijada por Cary Grant, Alice Faye cantando “With a Song in my Heart”, Alida Valli caminhando ao som da cítara vienense de Anton Karas.
Tardes de cinema, noites de cinema. O mundo que se movia à velocidade de 24 imagens por segundo.

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Uma história por contar

por João Carvalho, em 29.09.10

«In the fall semester of 2010, Manuel Pinho, former Portuguese minister of the economy and innovation, will serve as visiting professor at Columbia’s School of International and Public Affairs (SIPA).  In this role, Pinho will help oversee lectures and other new programming to advance education about non-traditional sources of energy.  (...) Pinho “largely masterminded the transition” Portugal has made to renewable energy.

SIPA is developing the programming, to launch this fall and to be announced soon, with the support of a gift from Energias de Portugal, S.A. (EDP)», etc., etc., conforme se lê no site da SIPA/Universidade de Columbia.

O facto é que há quem diga que Manuel Pinho está a dar aulas na Universidade de Columbia sobre energias renováveis por um período de quatro anos e que não é a universidade que lhe paga: é a EDP (fala-se em três milhões de euros). A confirmar-se, esta é mais uma história que ainda ninguém quis contar e em que só o ex-ministro pode (já pôde) manifestar-se muito satisfeito. Espera-se que não seja bem assim e que aquele site não seja uma pista.

 

Adenda — «A cadeira que Manuel Pinho vai dar na Universidade de Columbia está integrada num projecto a quatro anos financiado pela EDP. A eléctrica portuguesa fez uma doação à School of International and Public Affairs (SIPA), num montante que pediu à Universidade nova-iorquina para não divulgar (...)»

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Convidado: BERNARDO PIRES DE LIMA

por Pedro Correia, em 29.09.10

 

O debate que nunca existiu

 

A candidatura de Portugal a membro não-permanente do Conselho de Segurança pode ser vista de duas perspectivas. Se atendermos à valorização das Nações Unidas por parte do PS (recordemos todo o debate nacional aquando da guerra do Iraque), este deveria ser um objectivo central da política externa do actual governo. A concorrência feroz aos dois lugares em disputa (Canadá e Alemanha, sendo este último praticamente certo) mereceria, assim, do orçamento para 2010 mais do que os 1,5 milhões de euros destinados à candidatura. Além disso, em Portugal, ninguém deu por qualquer envolvimento da sociedade neste objectivo estratégico, não existiu debate algum sobre o tema e, tampouco, o governo tem dado cavaco às oposições sobre o que tem feito. Verdade seja dita que as oposições também não têm feito o que lhes compete. Por outras palavras, e de acordo com esta perspectiva, a magnitude do desafio mereceria muito mais por parte deste governo, da presidência da república, das oposições, dos media e dos institutos de investigação. Se, como parece que acontecerá, ficarmos a meros 15 votos de garantir o lugar, deve haver uma prestação de contas sobre o falhanço. E, diga-se desde já, com o governo à cabeça, ninguém está verdadeiramente imune à crítica.

De um outro ponto de vista, podemos sustentar que 1,5 milhões de euros orçamentados são realistas face à situação do país e às expectativas da nossa diplomacia face à capacidade dos nossos dois directos concorrentes. Daí as baixas expectativas em paralelo com a ausência de debate público, o que faz com que um falhanço da nossa diplomacia não implique grandes críticas ao governo. Contudo, esta lógica reflecte duas enfermidades crónicas presentes no nosso debate político: a nulidade de discussão pública sobre as grandes questões estratégicas da nossa política externa; a completa falta de vontade política dos decisores portugueses em formular como desígnios políticos transversais algumas matérias importantes à valorização do prestígio do país no plano internacional. Luís Amado definiu há pouco tempo o debate político nacional sobre política externa de uma confrangedora pobreza. Pese embora a consideração que me merece, também ele contribuiu para ela.

 

Bernardo Pires de Lima

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Aqui tens, caro João

por José Gomes André, em 29.09.10

 

Na sequência deste excelente post.

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Eu votava no Gandalf

por João Campos, em 29.09.10

Costuma-se dizer por cá (agradeço a quem me explicar a origem de tal dizer), quando um candidato eleitoral é fraco, que até o Rato Mickey lhe ganhava. Na Suécia, ao que parece, o Mickey teve pouca expressão, mas o Pato Donald impediu a maioria absoluta, ao obter 120 votos nas recentes eleições legislativas.

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Como envergonhar o país no estrangeiro

por João Campos, em 29.09.10

Não sei se os leitores estarão lembrados de um episódio caricato do primeiro mandato do governo PS: aquele discurso, não me lembro onde ou a que propósito, em que o inglês macarrónico (autêntico engrish) de José Sócrates fez Angela Merkel e Gordon Brown rirem a bom rir. O vídeo está na Internet e chegou a circular em alguns círculos mais "obscuros" da rede com o título de "English Fail". Esse episódio devia ter feito Sócrates pensar duas vezes: afinal, nestas coisas há sempre tradução simultânea, também é necessário dar emprego a tradutores e, enfim, sempre se evita fazer má figura. Mas se há actividade à qual o nosso primeiro-ministro não dedica muito tempo é a pensar; tampouco é conhecido pela sua noção do ridículo, pois, algum tempo volvido, decidiu repetir a graça, mas em castelhano, em terras de Espanha. E como não há duas sem três, parece que a recente visita de Sócrates aos Estados Unidos tem sido rica em episódios. Confesso que suspirei de alívio por, nas Nações Unidas, Sócrates ter discursado em Português - pensei para com os meus botões: o homem pode nunca deixar de ser um primeiro-ministro sofrível, passe o eufemismo, mas ao menos já aprendeu alguma coisa. Erro meu: na Universidade de Columbia, em conferência, o senhor primeiro-ministro de Portugal decide quebrar o gelo recorrendo... a uma piada. A uma que nem foi original, por ser já muito batida: quem viu o excelente Le Cinquième Elément, filme europeu de ficção científica (juro que esta foi coincidência) com Bruce Willis, Milla Jovovich, Ian Holm e outros, certamente recordar-se-á de uma passagem em que Leeloo (Jovovich), em estado mais ou menos catatónico, começa a falar no idioma dos deuses; e Korben Dallas (Willis), confuso, diz-lhe apenas "woah, lady, I only speak two languages: English and Bad English". Foi mais ou menos esta a linha de Sócrates, dizendo, perante uma plateia já de si atónita com o engrish de um primeiro-ministro (um primeiro-ministro, meu Deus!), qualquer coisa do género: que iria discursar na língua mais falada internacionalmente, não o inglês, mas o mau inglês. Se alguém quiser exibir o vídeo, por favor; no computador que estou a usar isso não me é possível. Adiante. Isto de contar piadas numa conferência para quebrar o gelo tem muito que se lhe diga; já vi alguns oradores (sobretudo americanos, mas recordo-me também de um extraordinário orador alemão que conheci) fazerem-no com mestria e tornarem conferências sobre temas complexos em sessões muito divertidas e enriquecedoras. Mas é preciso jeito para falar em público, sentido de humor e, sobretudo, muita prática; ora o nosso primeiro-ministro não possui possui qualquer vestígio de talento para falar em público; desconheço-lhe sentido de humor, pelo menos, sofisticado; e assim sendo não há prática que lhe valha. Tentou ser engraçado; conseguiu envergonhar o país no estrangeiro, uma vez mais. Way to go, man.

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Giros e talentosos (43)

por Leonor Barros, em 29.09.10

 

Paulo Pires

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Paradoxos

por Adolfo Mesquita Nunes, em 29.09.10

A putativa (e naturalmente legítima) candidatura presidencial de José Ribeiro e Castro não está pensada para ajudar Paulo Portas, como me parece que é evidente. Mas a verdade é que, e porque Ribeiro e Castro sem o apoio de grande parte do CDS não poderá avançar, tem a virtualidade de fazer crescer o peso negocial de Paulo Portas perante Cavaco Silva. O incómodo causado a Paulo Portas e ao CDS por José Ribeiro e Castro apenas fará subir, precisamente, o valor do apoio ao actual Presidente. Pela primeira vez, em muitos anos, Cavaco Silva terá de olhar para, e agradecer ao, CDS.

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República velha

por Ana Margarida Craveiro, em 29.09.10

Dia 4 de Outubro, pelas 17.00, será inaugurada a  exposição «A Repressão da Imprensa na 1ª República», no Palácio da Independência em Lisboa podendo ser visitada até o dia 15 de Outubro. Uma iniciativa e organização da Plataforma Centenário da República. A sessão inaugural contará com José Manuel Fernandes como convidado a fazer a apresentação.

 

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Histórias do José Eduardo Agualusa

por António Manuel Venda, em 29.09.10

 

Hoje é o dia da apresentação em Lisboa do novo romance do José Eduardo Agualusa, «Milagrário Pessoal». Tentarei ir, obviamente, pelo autor e pela ligação que tenho àquilo que escreve. Acompanho a escrita do José Eduardo desde a segunda metade da década de oitenta do século passado, quase vinte e cinco anos. Era os tempos do «DN Jovem», ainda antes de ele conseguir publicar o primeiro livro («A Conjura»). Em 2007 foi o José Eduardo que apresentou o meu romance «O que Entra nos Livros», uma espécie de continuação do livro que mais gostei de escrever, «O Medo Longe de Ti». Foi na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, e a foto é da altura em que o José Eduardo falava, ainda às voltas com o cansaço da viagem que acabava de fazer do Brasil. O meu filho mais velho tinha na altura quase três anos. No final da apresentação, chamou-me de parte e perguntou-me quem era o senhor que tinha ido comigo para a mesa, para falar do livro. Disse-lhe que era o Agualusa. Claro que a seguir veio logo uma pergunta: «Quem é o Agualusa?» Pensei um pouco e acabei por responder que era um senhor que tinha muitas histórias. A partir daí, durante quase um ano, noite após noite, o meu filho pediu-me que lhe contasse uma das histórias do Agualusa. E eu contei. As minhas histórias do José Eduardo Agualusa, uma nova a cada dia, inventada por mim exactamente na altura em que a contava. Talvez umas trezentas histórias, ou mais. Grandes aventuras as dessas noites, à espera que o sono do meu filho chegasse…

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Os nossos convidados

por Pedro Correia, em 29.09.10

Quem vem hoje escrever connosco é o Bernardo Pires de Lima. Do blogue União de Facto.

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O cerco ao Presidente (2)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 29.09.10
Escrevi ontem que a actual estratégia de Sócrates, ameaçando demitir-se em caso de não aprovação do Orçamento, passa por encurralar o Presidente da República. Gostava de desenvolver um pouco esta ideia, evidenciando, pelo menos, e na minha opinião, quais os objectivos de tal estratégia.
 
Deixando (enganando-o) Passos Coelho comprometer-se com o PEC e, mais do que isso, comprometer-se com negociações orçamentais, José Sócrates esperou pela impossibilidade de o Presidente da República dissolver a Assembleia da República para, dramatizando e chantageando, vir ameaçar com a demissão em caso de não aprovação do Orçamento. Com tal estratégia, obrigou o Presidente da República a vir fazer aquilo que este menos queria: iniciar diligências que garantam a aprovação do Orçamento socialista. 
 
Se o Presidente da República for bem sucedido, e tudo indica que o será, levando o PSD a invocar o interesse nacional, José Sócrates amarra o Presidente ao Orçamento e à estratégia governativa dos socialistas. Na verdade, se o Orçamento for aprovado, tê-lo-á sido graças à intervenção do Presidente. O que na prática equivale a dizer que o Presidente o sancionou.
 
Que Presidente da República pode dissolver a Assembleia da República, daqui a uns meses, com fundamento no cumprimento de uma estratégia orçamental que ele próprio sancionou? Não lhe faltará legitimidade constitucional, mas é mais duvidoso que tenha legitimidade política para o efeito. E se assim é, José Sócrates consegue garantir um intervalo de sobrevivência maior do que aquele que lhe era apontado há uns tempos, com a vantagem do desgaste de Passos Coelho (obrigado a dar piruetas umas atrás das outras, acabando por se subjugar a Cavaco Silva). Claro que este intervalo não dura para sempre, e há um novo Orçamento a aprovar no ano que vem. Mas até lá, José Sócrates jogará de novo, como até aqui.     

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O sexo e a idade

por João Carvalho, em 29.09.10

O PS entrou naquela velhice decadente em que já não se disfarçam os sinais característicos. Crise internacional? Concentra-se no caso dos homossexuais. Crise nacional? Cuida do problema dos transexuais. Qualquer diagnóstico confirmará que estamos a lidar com outra crise sintomática típica: a crise de terceira idade do PS com a sua obsessão sexual impulsiva, caracterizada por um automatismo neurótico que se insere na psicologia patológica. O que não teria qualquer importância se o PS não fosse governo ou se Portugal fosse um reduto de dramas em torno da sexualidade.

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As canções do século (272)

por Pedro Correia, em 29.09.10

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 29.09.10

A Um Homem na Cidade.

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Notícias do "estado social" (9)

por Pedro Correia, em 28.09.10

Portugal subiu, durante a sessão da tarde, da sétima para a sexta posição no TOP 10 mundial do risco de incumprimento de dívida soberana.

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Notícias do "estado social" (8)

por Pedro Correia, em 28.09.10

Défice das administrações públicas agrava-se para 9,5%.

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Notícias da crise

por Pedro Correia, em 28.09.10

1. José Sócrates - como sucedeu inicialmente a Zapatero em Espanha - recusou encarar a realidade, fazendo orelhas moucas aos avisos mais lúcidos. Isto até ao momento em que a crise embateu em Portugal com todo o estrondo. Ele e membros do seu Governo, como o anterior titular da Economia, Manuel Pinho (ainda me lembro da célebre frase "A crise acabou", proferida em 2006), e o actual ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos.

2. Praticamente por falta de alternativa, a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e a Alemanha governada por Angela Merkel puxaram as orelhas ao Governo português. Em Maio, o primeiro ministro de Estado e das Finanças de Sócrates, Luís Campos e Cunha, deu à revista Visão uma entrevista em que fazia uma crítica demolidora ao comportamento do Executivo socialista nesta matéria. Afirmando, com todas as letras, que Portugal se transformou num "protectorado alemão". De facto, quando falamos de crise económica é já de soberania nacional que estamos a falar. Ou da falta dela.
 
3. Existe um antes e depois de 20 de Maio - a data em que Sócrates foi enfim forçado a encarar de frente as vastas proporções da crise, confrontado com o ultimato das instâncias europeias. Mas as coisas podiam e deviam ter-se passado de modo diferente se algumas medidas contidas no Pacto de Estabilidade e Crescimento anunciadas há quatro meses pelo Governo tivessem sido adoptadas antes da aprovação do Orçamento de Estado para 2010. Seguramente não seriam então globalmente tão drásticas. O tempo jogou contra os interesses nacionais, avolumando os efeitos da crise, que o primeiro-ministro teimava em não reconhecer.

4. O Governo preferiu enganar os portugueses - e enganar-se a si próprio. O mesmo Governo que este ano aumentou impostos depois de ter baixado o IVA de 21% para 20% e congelou os vencimentos da função pública depois de ter aumentado os funcionários em 2,9%. Os bónus anteriores ocorreram a pensar no ano eleitoral de 2009 (em que houve eleições europeias, legislativas e autárquicas). Agora, felizmente para Sócrates, não há eleições legislativas à vista. O que talvez explique o anúncio já antecipado de novas subidas de impostos inscritos no Orçamento de Estado para 2011. Governar em ziguezague costuma dar nisto. Sendo as coisas o que são, quem se admira que o País esteja hoje no atoleiro em que se encontra?

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O dedo na ferida

por João Carvalho, em 28.09.10

«Perante o inevitável aumento de impostos, há quem defenda que Passos Coelho deve negociar o orçamento forçando o governo a também cortar na despesa (Camilo Lourenço, por exemplo). É incrível como a memória é curta. Isso foi o que foi negociado há menos de 6 meses. O governo não cumpriu.»

(João Miranda)

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O cerco ao Presidente

por Adolfo Mesquita Nunes, em 28.09.10

José Sócrates soube esperar pela data limite para a dissolução da Assembleia da República para radicalizar o discurso, se necessário no estrangeiro e perante credores, e colocar o ónus da aprovação do Orçamento na oposição.

 

 Esta estratégia é boa para o PS e funciona. Pena que não seja boa para o país e que apenas funcione porque o Presidente da República se chama Cavaco Silva.

 

Por mais do que uma vez atraiçoado pelo Primeiro-Ministro, não estava já na hora de o Presidente da República se ter apercebido que, com Sócrates, não há regular funcionamento das instituições democráticas, precisamente porque este funcionamento se não confunde com a garra ou a motivação ou lá o que é do nosso Primeiro, que lhe serve de justificação para a funcionalização do Estado a seu bel-prazer?

 

Ao contrário do que por aí se escreve, não foi Passos Coelho o maior encurralado com a estratégia de Sócrates. Foi o Presidente da República. E se Passos foi encurralado porque não tem grandes opções, já o Presidente foi encurralado porque quis. Ou por sistemática nabice, que é pior. 

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Convidada: MARIA JOÃO MARQUES

por Pedro Correia, em 28.09.10

  

O poder curativo do perdão

 

Na Melhor Revista do Mundo, também conhecida por Standpoint, li no início do Verão um texto sobre o poder curativo do perdão para os afectados por crimes violentos: as vítimas e os criminosos. A melhor forma de lidarmos, e de não azedarmos, com os pecadilhos que vamos sofrendo e perpetrando, de aprendermos com a vida (ou com o somatório dos pecadilhos nas duas direcções), é perdoarmos e aceitarmos o perdão dos outros – o que não significa que sejamos sempre inteligentes ou magnânimos e coloquemos em prática o que sabemos mais eficaz para aliviar a consciência e até o humor (eu, pelo menos, ainda imperfeita na arte do perdão me confesso). Não espanta, assim, que ultrapassar a vivência de um crime violento passe por alguma forma, preferencialmente crescente, de perdão.

 

Tenho-me recordado desta necessidade de perdão quando oiço ou leio nestas últimas semanas alguns argumentos favoráveis à construção da Cordoba House, a mesquita que se planeia construir a dois quarteirões do Ground Zero. Sobretudo os argumentos que qualificam a mesquita naquele local como um poderoso símbolo de reconciliação entre Nova Iorque e o Islão, ou do reconhecimento de que não foi o Islão que implodiu as torres mas sim uns extremistas que, só por acaso, eram muçulmanos. Se o último argumento é facilmente desmontável – como escreve William McGurn no WSJ, ninguém passeia pelas ruas de Manhattan receando que um metodista lhe expluda o escritório – já o primeiro argumento me é muito apelativo. Em especial porque eu não fui uma sobrevivente que conseguiu escapar das Twin Towers antes de desabarem, não era familiar ou amiga de alguma das vítimas que pereceram, não fui colega dos bombeiros que entraram nos edifícios para ajudar à evacuação e terminaram debaixo dos escombros, nem estava em NI naquele dia e, logo, não senti o medo de quem está sob ataque. O perdão e a reconciliação são, para mim e neste caso, muito fáceis. Exigi-los a quem tem o 11 de Setembro marcado na pele já me parece um abuso.

 

 

Só passei pelo Ground Zero uma vez, em 2004, e deparei-me com um ambiente inesperado. Junto à rede que vedava o local via-se a menina com um ramo de flores para depositar na rede, acompanhada da senhora com idade para ser sua avó; viam-se pessoas sentadas nos bancos perto, ou no chão do passeio, olhando com ar vazio para onde estiveram as torres; via-se quem agarrasse a rede e deixasse correr silenciosamente as lágrimas pela cara; via-se, paralelamente ao frenesim da cidade, toda a panóplia de personagens que se espera encontrar num cemitério.

 

A pretensão de construir um centro da religião em nome da qual foram realizados os ataques de 11 de Setembro junto a um local que é ainda, e será por mais uns bons anos, uma ferida por cicatrizar - relembro que apenas nas celebrações dos sessenta anos do Dia D  foi convidado o chanceler alemão para se juntar aos representantes políticos dos aliados na Normandia, tendo Helmut Kohl mostrado vontade de estar presente, sem resultado, aquando dos cinquenta anos – é uma provocação deliberada, por um imã que parece saído de um manual do cinismo (ao mesmo tempo que afirma querer construir pontes ameaça com a fúria islâmica se não lhe permitirem construir a mesquita) e a quem o epíteto de moderado só se pode aplicar num intenso exercício de ingenuidade.

 

Regressando aos inícios do texto, desejo que familiares e amigos das vítimas consigam perdoar a quem sintam como responsável pela perda que sofreram. Desejo que lhes seja dado o tempo necessário para a reconciliação sem que lhes acicatem o sofrimento. E desejo também que os muçulmanos americanos, num real gesto de boa-vontade, pressionem o imã Rauf a construir a sua mesquita noutro local menos simbólico.

 

Maria João Marques

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Programa de governo

por Ana Margarida Craveiro, em 28.09.10

 

A culpa é da crise, a culpa é do PSD, não aumentamos impostos, o investimento público é necessário, afinal não aumentamos impostos excepto x, y e z, afinal não há TGV agora, daqui a seis meses há TGV, o mundo mudou outra vez. E a culpa é do Medina Carreira e do João Duque.

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Tiques

por João Carvalho, em 28.09.10

«Fala-se cada vez mais na possibilidade da Irlanda ter de recorrer ao fundo europeu de estabilização. Se tal acontecer, vai ser fascinante ver como é que a Comissão Europeia, o Ecofin, o BCE, os Duques, os Medinas, os Cantigas... vão arranjar maneira de explicar a queda do Tigre Celta mantendo as suas teorias económicas tradicionais. O malabarismo promete.» Com esta nota estapafúrdia, vê-se que João Galamba estava com vontade de escrever qualquer coisa — só não sabia o quê. Dou-lhe uma dica para um próximo ensaio sobre ilusionismo: por onde anda toda aquela gente de quem tanto gosta e que jurava há poucos meses que a situação de Portugal era muito diferente da situação da Grécia?

Se há algo que me enfastia é esse tique nacional de tentar a todo o custo encontrar quem consiga estar quase tão mal quanto nós. Pior que isso, só esse tique popular de seguir alegremente os que tentam a todo o custo encontrar quem consiga estar quase tão mal quanto nós.

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Os nossos convidados

por Pedro Correia, em 28.09.10

Passadeira hoje desenrolada para a visita da Maria João Marques. Dos blogues O Insurgente, O Cachimbo de Magritte e Farmácia Central.

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Parabéns!

por João Carvalho, em 28.09.10

 

Por muitos e bons, Sérgio!

 

 Que a Témis continue a iluminar-te.

(Aqui ainda é dia 27)

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