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O mundo estranho do futebol

por Leonor Barros, em 30.06.10

Para uma leiga como eu, o mundo do futebol é um mundo estranho, muito estranho, tão estranho que se torna difícil decifrá-lo. É que não é só o facto de vinte e dois homens correrem como desalmados atrás duma bola, com mais um ou dois ou três a fiscalizar o seu comportamento, não vão fazer traquinices, não é só o mistério do balneário que freudianamente imagino coroado de homens em trajes menores, bem menores, benzós deus, com os corpinhos atléticos e esculturais, ainda luzidios da prática do desporto viril e que contraditoriamente com o faro de perdigueira com que vim equipada de origem me causa até vómitos só de pressentir os odores acres a machos exaustos. Não é só o futebolês, essa linguagem única, cheia de prognósticos depois do jogo ou quadrados que se fazem com três. O que me inquieta neste desporto que há quem diga rei, não é apenas isso, porque como se sabe sou uma republicana empedernida e sou contra cargos que não sejam eleitos por essa massa desalmada chamada povo.

 

O mundo estranho do futebol caracteriza-se por linhas de orientação onde a palavra pode será sancionada, cortada, calada, proibida. Vejamos Deco. Deco não jogava na posição costumeira, Deco não estava habituado, Deco diz que não estava habituado com aquele seu ar doce de cachorrinho abandonado. Ora se isto fosse num mundo normal não havia nada de mal, o rapaz nunca tinha jogado naquela posição e ao afirmá-lo reportou-se apenas a uma evidência facilmente comprovável, sim, eu sei que reina por aqui uma redundância, mas apeteceu-me. Errado. Deco teve de retratar-se como se tivesse caluniado alguém o Queiroz Almighty, esse Obi Wan Kenobi do futebol luso, o Gandalf dos esféricos lusitanos. Outro exemplo: Hugo Almeida. O jovem e viril rapaz diz que não estava esgotado quando o Almighty Queiroz o substituiu. Contudo, o contraditório surgiu e Queiroz, o Grande, afirmou “Quando eu digo que um jogador está cansado, é porque está cansado.” Livrai-vos pois rapazes de afirmações análogas. Deve ter sido o que aconteceu com Nani “Quando eu digo que tens uma lesão na clavícula, tens uma lesão na clavícula” e por aí fora. Preocupante. Muito preocupante. Imagine-se o que poderá acontecer com todos estes rapazes à mercê das vontades queirozianas e restringidos a duas palavritas apenas Heil Queiroz!

E sendo Queiroz quem é, o Timoneiro da Redondinha, cabem-lhe as decisões técnico-tácticas, reparem nesta propriedade de linguagem, portanto se põe os rapazes a jogar onde não devem, tira os que estão a render e põe os coxos, quando a coisa não corre bem, de quem é a responsabilidade? Pois, desse mesmo. Todos sabem mas ai de quem ousar atravessar essa tormenta da verbalização do óbvio. Coube desta feita ao nosso rapagão que quando questionado por uma justificação para a faena letal dos nuestros hermanos respondeu “Perguntem ao Carlos Queiroz”. Ai dele! Ai de todos nós! Até esse rapaz valoroso que vende pequenos-almoços por insignificantes quantias, o tal que algures em 2002 terá ameaçado sair da selecção do seu país porque tinha um nome a defender, veio apunhalar o derriço da mulherio, a mascote que transpira testosterona e põe os estrogénios em desvairo. Se o futebol não é um mundo estranho, não sei o que é, mas democrático não é com toda a certeza.

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Discussão a importar

por André Couto, em 30.06.10

Não sei se Sarah Palin colocou implantes, ou se Sarah Palin não colocou implantes.

Sinceramente isso nem me interessa muito.

Interessante, interessante, é imaginar esta discussão a surgir em Portugal, com figuras portuguesas, no rescaldo das pretéritas legislativas de 2009...

Que pagode seria!

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Sobre Cristiano Ronaldo

por Pedro Correia, em 30.06.10

Tudo de essencial dito na primeira frase. Bom jornalismo é assim.

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Sabia que... (29)

por João Carvalho, em 30.06.10

... o "garrafão" e a VCI, o IC19 e a Ponte da Arrábida, etc., não passam de quebra-cabeças de meninos, se comparados com o que acontece em torno de tantas e tantas cidades do mundo, como Pequim, Cidade do México e Joanesburgo? Pois pode acreditar que Lisboa e Porto estão muito longe da bagunça que se vive lá por fora. Um estudo recentemente realizado pela IBM junto de mais de oito mil condutores em vinte cidades permitiu concluir que 67 por cento deles acham que o problema do trânsito que envolve os grandes perímetros urbanos piorou drasticamente nestes três últimos anos. Mais: 65 por cento dos que conduzem diariamente para o trabalho queixam-se do stress e confessam andar sistematicamente zangados ou arreliados e com menos tempo para a família e para dormir.

De acordo com os resultados do mesmo estudo, Pequim pode ser uma excepção, pois a situação talvez tenha melhorado um pouco nos três anos recentes, depois de um período de crescimento descontrolado. Neste momento, as dez piores cidades em matéria de trânsito rodoviário considera-se que são Paris, Toronto, Amsterdam, Los Angeles, Berlim, Montreal, Nova Iorque, Houston, Melbourne e Estocolmo. Concluindo: até no caos instalado somos amadores.

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Incentivos ao visionamento do Mundial, # 8

por Ana Cláudia Vicente, em 30.06.10

No adeus português à competição em curso não podemos deixar de indicar este revigorante elixir, oriundo do extremo oeste ibérico. De extracção duriense, o mesmo combina de forma harmoniosa virtualidades atlânticas e meridionais, sendo particularmente indicado em situações de lacrimejamento inflamado, como as ontem acusadas por considerável parte da população nacional.

Selecção: Portugal
Clube: Futebol Clube do Porto
Posição: Médio [Defensivo]
Nota: um valente e solidário shout-out à raparigagem da Jezebel, revista digital norte-americana que tão prestimosamente avaliou o potencial luso (entre outros), coisa que nos entremezes lhes valeu a acusação de objectificação masculina, misoginia, etc.

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Correr atrás sem ultrapassar

por João Carvalho, em 30.06.10

«Tivemos que correr atrás do resultado.»

(Carlos Queiroz no balanço da derrota com Espanha)

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Encatrupigaitado

por Pedro Correia, em 30.06.10

Adoro ouvir falar futebolês na televisão. Adoro aqueles neologismos muito giros debitados pelos locutores do desporto-rei. Adoro o léxico muito típico de quem tem por missão relatar jogos de futebol no pequeno ecrã.

É um idioma tão moldável que até podemos falar futebolês sem estarmos propriamente a falar de futebol. Não acreditam? Ora vejam só como isso é possível.

 

A postura competitiva da equipa de todos nós tem vindo a esvaziar-se na segunda metade do tempo regulamentar deste jogo decisivo. Há até quem aponte a necessidade de fazer substituições de uma assentada no plantel, de modo a que este posso mostrar não só a força da técnica mas igualmente a técnica da força, atirando a bola para o melhor sítio.

Fala-se muito, por exemplo, na necessidade de refrescar o sector recuado para desfeitear as ofensivas dos times adversários. Uma defesa bem escalonada é meio caminho andado para as vitórias no relvado.

Um dos problemas desta equipa é a baliza, que tem estado mal guarnecida. Pereira, o guarda-redes, mostra-se amiúde mal colocado entre os postes e intercepta de forma deficiente muitos cruzamentos despejados na grande área, revelando uma certa tendência para deixar entrar frangos. Além disso tem sido vítima de surtos de violência dentro das quatro linhas, o que contribui para a sua desconcentração e a sua insegurança. É um dos elementos que se candidatam a ir para o duche mais cedo.

 

O defesa Jorge também revela algumas debilidades. O seu maior calcanhar de Aquiles é ser fisicamente pouco possante, o que o coloca em posição de inferioridade no embate com o plantel adversário. Apesar da sua baixa estatura tem, porém, boas ideias ao nível da exploração do espaço aéreo. Principal ponto negativo: a fraca pulmadura, que não aguenta 90 minutos em toada competitiva.

O outro defesa, Augusto, é um falso lento, o que por vezes confunde e desbarata os adversários. E joga bem de cabeça, o que noutros desafios já contribuiu para fazer a bola anichar-se nas redes contrárias. Capaz de bons gestos técnicos, tem no entanto o defeito de ser muito individualista e de se enredar nos seus próprios dribles. Por vezes parece querer a redondinha só para ele.

O médio Serrano domina bem o esférico e, devido à sua estatura meã, revela-se exímio na forma como conduz a bola à flor da relva. Mas, tal como Jorge, é desfavorecido no confronto com antagonistas dotados de melhor planta atlética. Além disso as suas características combinam mal com Vieira, o outro médio, muito económico nos lances de jogo que consegue criar no miolo do terreno. Ao contrário de alguns dos seus colegas, este elemento do plantel raramente joga para a bancada, nunca fazendo levantar o terceiro anel. A seu favor pode dizer-se que sabe aproveitar bem os espaços vazios.

 

À frente as coisas complicam-se um pouco mais. Porque os dois jogadores mais adiantados no rectângulo articulam mal as jogadas, ao que parece por incompatibilidades de ordem tecnico-táctica, apesar de serem dotados de boa destreza individual. Teixeira corre bem pela direita, às vezes como se fosse um extremo, e é conhecido pelas suas fintas primorosas. O seu maior defeito é ter um pé cego, que é o esquerdo. Mendonça, por sua vez, joga bem com os dois pés e assume-se também como especialista nos lances de arremesso manual. O seu ponto fraco são as jogadas de cabeça. Quando tenta dizer que sim à bola jogando-a com a testa, o esférico acaba sempre por sair junto ao poste mais distante, não chegando a criar real perigo para as malhas adversárias.

É de louvar, de qualquer modo, a postura atacante que Teixeira e Mendonça revelam no último terço do terreno. O pior é que os dois estão a desentender-se cada vez mais na hora da verdade, afectando o rendimento do conjunto.

 

Entretanto há quem diga que a raiz do problema não está nos jogadores mas no treinador que orienta a equipa há seis temporadas. Fala-se na necessidade de uma chicotada psicológica, admitindo-se a possibilidade de o técnico José - por alcunha "o Engenheiro" - deixar o time no final da presente época. Alguns adeptos garantem que ele é o grande responsável pelo plantel se ter mostrado tão encatrupigaitado nos últimos desafios que disputou.

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Interesse nacional

por Adolfo Mesquita Nunes, em 30.06.10

Deixei no Aparelho de Estado as razões pelas quais considero que o Estado português perdeu a noção e a vergonha ao utilizar a golden share para impedir a venda da Vivo. Interessa-me agora, aqui, lançar a reflexão sobre o que é essa coisa de interesse nacional, que serviu para justificar a opção do Estado através do governo socialista.

 

O que é isso de interesse nacional? Quem o define? O governo? Um ministro? O interesse nacional varia então de ministro para ministro ou de governo para governo? Podem existir interpretações diversas sobre o que é o interesse nacional? E se sim, podemos então falar de um único interesse nacional? Pode alguém saber ao certo, e por todos, qual é o interesse nacional?

 

Quando invoca o interesse nacional, ao estilo do pai que diz ao filho que o que faz é para seu bem, o Estado não andará a brincar aos papás? Ou melhor, não andará a fingir deter a mão de Deus?

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Cem palavras que odeio (77)

por Pedro Correia, em 30.06.10

"DISFUNCIONALIDADE"

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Exemplos

por João Carvalho, em 30.06.10

Seguindo sempre os melhores exemplos europeus, espera-se a todo o momento que José Sócrates anuncie que vai convocar Carlos Queiroz para uma reunião.

 

ADENDA — Aguarda-se que a Assembleia da República faça o mesmo, a exemplo do Parlamento francês.

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Há capas que fazem história

por Pedro Correia, em 30.06.10

 

Por exemplo: esta, do inconfundível jornal A Bola.

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Publicidade a quanto obrigas (2)

por Ana Vidal, em 30.06.10
 

 

- Bom dia, é do Zezé World? Quero inscrever-me naquele curso de 15 dias grátis, de Kamasutra, com o vosso novo professor Zezé Littlebed.

- Não, não, espere aí... está a falar para o Wall Street Institute.

- E não é a mesma coisa?

- Não. Aqui só se ensina inglês.

- Só inglês?? Olhe, fique sabendo que vou queixar-me à DECO, por publicidade enganosa!

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As canções do século (181)

por Pedro Correia, em 30.06.10

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 30.06.10

Ao Fluir de Espumas.

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A ver o Mundial (12)

por Pedro Correia, em 29.06.10

As palavras dos outros:

 

Nuno Gouveia: "No final do jogo, Eduardo, o melhor em campo, chorava. Pepe, um dos piores da selecção nacional, abraçava um colega espanhol, com um grande sorriso na cara."

 

João Távora: "A nossa selecção, para além de perder, deixou na Africa do Sul uma confrangedora imagem do nosso futebol: cinzento, medroso e triste, muito triste, como o povo que representa."

 

Alexandre Borges: "Muita gente não entendeu a convocatória de Ricardo Costa. Afinal, tinha uma missão bem definida: mostrar, à saciedade, quanto percebe Queiroz de futebol."

 

Fernando Moreira de Sá: "A Espanha fez por merecer contra uma equipa que se perdeu após a primeira substituição e não mais se encontrou."

 

José Adelino Maltez: "A Catalunha jogou melhor."

 

João Severino: "Destaque e grande aplauso para Eduardo e Fábio Coentrão, os dois melhores jogadores da selecção que não mereciam ter sido orientados por um assistente de treinador que sabe muito pouco de futabol."

 

Henrique Raposo: "O homem matou a equipa ao tirar o nosso melhor jogador no jogo, Hugo Almeida."

 

Manuel S. Fonseca: "Saímos humildes e, a partir da substituição de Hugo Almeida, medíocres sem ambição."

 

João Ferreira Dias: "Queiroz não aprendeu a lição mais importante de José Mourinho: injectar adrenalina."

 

Rogério da Costa Pereira: "Se o Ronaldo tivesse podido estar no Mundial, tudo teria sido diferente."

 

Nuno Gonçalo Poças: "Portugal é isto: um líder incompetente, um capitão que não serve de exemplo e muita qualidade a que ninguém dá o devido mérito no tempo certo."

 

João Cândido da Silva: "Nada como uma derrotazinha por um a zero no segundo jogo contra um adversário digno desse nome para deixar os crentes na selecção luso-brasileira com a fé um bocadinho beliscada."

 

José António Abreu: "Até a jogar futebol Portugal está parecido com a Grécia."

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A ver o Mundial (11)

por Pedro Correia, em 29.06.10

Portugal despediu-se hoje do Mundial da África do Sul. Um golo de Villa aos 63', culminando uma excelente combinação com Iniesta e Xaví, bastou para os espanhóis derrotarem os portugueses nesta partida dos oitavos-de-final disputada na Cidade do Cabo. Minutos antes do golo, Carlos Queiroz tirou do campo Hugo Almeida, o mais eficaz dos atacantes portugueses. Esta inexplicável substituição, conjugada com o golo sofrido, bastou para desnortear a selecção das quinas, que até aí conseguira anular as jogadas ofensivas dos espanhóis e praticara bons lances de contra-ataque, equilibrando a partida. A partir daí, foi o descalabro: o meio-campo português praticamente deixou de existir. E os espanhóis só não marcaram mais porque na baliza estava Eduardo, um dos melhores guarda-redes deste Mundial.

À beira do fim, a expulsão de Ricardo Costa, por agressão a um defesa espanhol, era um perfeito símbolo da desorientação da equipa portuguesa, que a partir daí passou a jogar com dez. Ou antes, com nove. Porque Cristiano Ronaldo mal se viu em todo o jogo.

 

Espanha, 1 - Portugal, 0

 

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Os jogadores portugueses, um a um:

 

Eduardo - Uma grande exibição. Mais uma. Sai da África do Sul como o melhor jogador português. E um dos melhores guarda-redes do Mundial. Não teve a mínima culpa no golo, que se deveu a uma recarga do inconformado e combativo Villa. Terminou o jogo em lágrimas, como Eusébio no Mundial de 1966. Uma atitude que merece aplauso.

 

Ricardo Costa - Nem Miguel nem Paulo Ferreira: Queiroz optou por reeditar a solução adoptada no jogo contra o Brasil. A verdade é que Ricardo Costa foi o elo mais fraco da defesa portuguesa. Intranquilo, perdeu diversos lances individuais com Villa. E perdeu a cabeça à beira do fim, com uma agressão que lhe valeu o cartão vermelho.

 

Ricardo Carvalho - Novamente o patrão da defesa das quinas. Anulou várias ofensivas espanholas com grandes desarmes, bem à sua maneira.

 

Bruno Alves - Forma um eficaz dueto na defesa central com Ricardo Carvalho, dando segurança à equipa. A defesa foi, claramente, o ponto mais forte da selecção portuguesa neste Mundial.

 

Fábio Coentrão - Novamente um dos melhores em campo. O defesa benfiquista sai da África do Sul como um dos melhores do torneio. Bateu-se bem contra Sergio Ramos e anulou Fernando Torres. Muitos dos melhores lances ofensivos portugueses começaram nos pés dele. Tal como a generalidade dos colegas, apagou-se na última meia hora.

 

Pepe - Actuação sem brilho. Demonstrou que está ainda muito longe da sua melhor forma física.

 

Tiago - Fez dois remates perigosos à baliza espanhola na fase inicial do encontro. Eficaz nas missões de marcação no meio campo durante todo o primeiro tempo. Foi um dos que acusaram com maior nitidez o golo espanhol.

 

Raul Meireles - Fez um excelente passe da linha lateral para a cabeça de Hugo Almeida aos 38'. Recuperou bem as bolas, lançando ataques. Baixou muito de nível na segunda parte.

 

Cristiano Ronaldo - Voltou a demonstrar que não se integra bem na selecção portuguesa. Pareceu ausente em diversas partes do encontro, jogando em sectores muito recuados. Após a mudança táctica, quando Queiroz o mandou mais para a frente, o seu desempenho não melhorou. Prometeu o melhor Mundial de sempre. Regressa a casa com mais esta promessa por cumprir.

 

Simão Sabrosa - Fez a pior exibição neste Mundial após uma exibição de grande nível contra o Brasil, ainda assim uns bons pontos acima da de Ronaldo. Deu o lugar a Liedson aos 71'.

 

Hugo Almeida - O melhor avançado português. Falhou por pouco o golo aos 38', num remate de cabeça. Fez um grande arranque pelo flanco esquerdo aos 51' que também esteve a poucos metros de culminar num golo. Seis minutos depois, sem qualquer justificação, Queiroz mandou-o sair. E logo a seguir a Espanha marcou.

 

Danny - Substituiu Hugo Almeida. Sem qualquer vantagem para a equipa.

 

Pedro Mendes - Entrou para o lugar de Pepe aos 71'. Não aqueceu nem arrefeceu.

 

Liedson - Rendeu Simão também aos 71', colocando-se à frente da baliza espanhola. Sem qualquer efeito prático.

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Mínimas

por Bandeira, em 29.06.10

O truque consiste em parar de tentar encontrar o parceiro certo e começar a fugir dos errados.

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"Solid!" as Lehman Brothers?

por André Couto, em 29.06.10

Alguém viu o último anúncio do Santander-Totta? Refiro-me ao que nos brinda com um "lá lá lá Solid! Solid as a rock!" e desagua na fundamentação da afirmação com a avaliação feita pela Standards & Poor's e outra agência internacional de rating. Giro, giro é vermos ainda no anúncio moedas a afundarem-se mar adentro...

Qual é a parte da transmissão de tranquilidade e segurança que me escapa?

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O caso das estradas suspeitas

por João Carvalho, em 29.06.10

Está a discutir-se muito essa coisa de ser obrigatório ter um chipe para andar em certas estradas. E então das escutes ninguém diz nada? Claro que é chato andarmos a ser observados por um chipe, mas não me digam que é pior do que andarmos a ser escutados.

Sabem que mais? Acho isto tudo muito suspeito.

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Cem palavras que odeio (76)

por Pedro Correia, em 29.06.10

"CONTEMPORANEIDADE"

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Banda sonora

por Ana Margarida Craveiro, em 29.06.10

A banda sonora para o país, quando descobrimos que metade da população é pobre, ou quase pobre.

 

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«Em cima da mesa» do governo

por João Carvalho, em 29.06.10

Portugal tem mais de dois milhões de pobres, como se sabe. Sabe-se agora também que tem mais de três milhões de pessoas que vivem ligeiramente acima da pobreza formal — agregados familiares em que os adultos muitas vezes são licenciados, trabalham precariamente, são mal pagos — e com dificuldades sérias (impossibilidade até) para fazer face às despesas fixas.

Sobre este quadro desolador, a ministra do Trabalho apareceu a explicar dois pontos:

— que esta realidade é um problema a que o governo está atento (o que tanto pode ser estar à janela de olhos arregalados como outra coisa qualquer);

— que o governo tem o problema «em cima da mesa» (o que permite desconfiar de que já não deve sobrar muito espaço no tampo da imensa mesa em que o governo pousa tudo e mais alguma coisa).

Em suma: Portugal tem mais de cinco milhões de pobres declarados e pobres envergonhados, o que corresponde a mais de metade da escassa população. Ora, como o primeiro-ministro anda há cinco anos a afirmar a pés juntos que a pobreza está a diminuir, haja quem tenha paciência para o fazer ver que os portugueses viviam melhor há cinco anos.

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Uma lição de vida

por Pedro Correia, em 29.06.10

Por vezes, no mais inesperado dos lugares despertam inimagináveis vocações. Aconteceu com José Saramago, o que é um - entre tantos outros - aspecto memorável da sua biografia. Impossibilitado de prosseguir os estudos para além do curso profissional de serralharia mecânica na escola industrial Afonso Domngues o jovem Saramago passava os tempos livres recolhido na biblioteca municipal de Lisboa, no Palácio Galveias, ao Campo Pequeno. Enquanto os seus parceiros de geração optavam por folguedos, bailaricos e comezainas, ele cultivava-se com esmero, persistência e determinação naquelas salas austeras que lhe propiciaram o equivalente à formação universitária que formalmente nunca chegou a ter.

O Nobel de 1998 recorda esse período da sua vida num admirável prefácio escrito para o livro De Volcanas Llena: Biblioteca y Compromiso Social (Gijón, Trea, 2007). "Era um lugar em que o tempo parecia ter parado, com estantes que cobriam as paredes do chão até quase ao tecto, as mesas à espera dos leitores, que nunca eram muitos (...). Não posso recordar com exactidão quanto durou esta aventura, mas o que sei, sem sombra de dúvida, é que se não fosse aquela biblioteca antiga, escura, quase triste, eu não seria o escritor que sou. Ali começaram a escrever-se os meus livros", escreveu Saramago, lembrando os dias, meses e anos ali passados.

Uma lição de vida.

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As canções do século (180)

por Pedro Correia, em 29.06.10

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Os filmes da minha vida (4)

por Pedro Correia, em 28.06.10

A DESAPARECIDA:

JURAR PARA SEMPRE, NA GUERRA E NO AMOR

 
Não existe melhor interpretação em cinema do que a de John Wayne como protagonista deste filme. É verdadeiramente insuperável o que o actor favorito de John Ford faz aqui com um olhar fixo, um gesto tenso, um simples esgar ou um silêncio que parece eternizar-se. A Desaparecida é um filme cheio de silêncios prolongados e magoados: Ethan Edwards (Wayne) arrasta consigo um segredo por desvendar. "A guerra já acabou há três anos. Porque não voltaste antes?", pergunta-lhe o irmão, Aaron, ao vê-lo chegar com tanto atraso. A pergunta fica sem resposta. Há imensas perguntas sem resposta neste filme.
Estamos no Texas, em 1868. Wayne combatera na guerra civil (1861-65), pelos confederados. A derrota marcou-o: jamais voltará a ser o mesmo. "Um homem só pode ser fiel a um juramento", diz ele, num discurso feito de entrelinhas. A Desaparecida é não só um filme de admiráveis silêncios, mas também de meias-palavras e de eloquentes subentendidos. É neste plano, apenas pressentido, que se desenrola a paixão de Ethan pela cunhada, Martha (Dorothy Jordan). Terá sido este sentimento proibido que o manteve à distância? Nunca saberemos. Mas quando a casa do irmão é destruída pelos comanches, Ethan chama desvairadamente por Martha: adquirimos então a certeza de que este western encerra também uma profunda e trágica história de amor.

 

São ainda os ecos secretos da paixão por Martha que levam Wayne a deambular durante cinco anos um pouco por toda a parte, procurando obsessivamente resgatar a sobrinha Debbie, raptada pelos índios. É o único laço de família que lhe resta - a última amarra que o prende ao mundo e à memória da mulher que amou. Com ele, seguindo-o como uma sombra, galopa Martin Pawley (o malogrado Jeffrey Hunter), órfão de pai e mãe, filho adoptivo de Martha e Aaron. Este mestiço de índio, espécie de consciência moral de Ethan, é uma das grandes personagens de toda a obra de Ford: o seu humanismo congénito contrasta com a figura desencantada do confederado. Numa das mais belas cenas deste filme semeado de elipses, Wayne sugere-lhe o motivo por que jamais desistirá da busca por Debbie, a mais nova das suas sobrinhas: "Eles [os comanches] vão criá-la durante tempo suficiente para..." Não diz mais, mas a neve que cai, incessante, completa-lhe o discurso.

É assim o grande cinema.
E quando enfim encontram Debbie as piores expectativas do homem que só fez um juramento haviam-se concretizado. Cruzam-se aqui diversas noções de honra que Ford sabiamente põe em confronto sem nunca assumir a pose de vendedor ambulante de "mensagens". As imagens dizem tudo - da arrepiante sequência em que Ethan descobre o escalpe de Martha à cena culminante, em que o duro confederado resolve enfim o dilema moral que há muito o perseguia no momento em que pega na sobrinha ao colo - a filha do amor da sua vida, sangue do seu sangue - e lhe diz, com toda a ternura que nele sobrevive: "Let's go home, Debbie." Momento mágico numa longa-metragem que está repleta deles.


A Desaparecida é o melhor western de todos os tempos - obra-prima absoluta. Um filme sobre um amor impossível, um filme sobre o inapelável peso da solidão. Começa com uma porta aberta, rasgada para a beleza em estado bruto de Monument Valley, quando Martha vê Ethan a cavalgar no horizonte, e termina com o mesmo enquadramento. Só que Martha já não existe. Wayne, que chegara com atraso, parte agora, rumo ao desconhecido. Missão cumprida, é tempo de levantar âncora. Nunca saberemos de onde veio, nunca saberemos para onde vai. Sabemos apenas que, na guerra como no amor, ele se manteve fiel ao que jurou. Quantos poderão dizer o mesmo nas várias vidas que uma vida tem?

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A Desaparecida (The Searchers, 1956). Realizador: John Ford. Principais intérpretes: John Wayne, Jeffrey Hunter, Vera Miles, Ward Bond, Natalie Wood, John Qualen, Harry Carey Jr.

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Blogue da Semana

por André Couto, em 28.06.10

"A blogosfera é boa é para discutir a bola!", dizem uns.

"Blogues de futebol? Nem sabia que isso existia!", dizem outros.

"O que é o futebol?", dizem outros para além dos outros da última sentença.

Esta semana trago ao Delito de Opinião a ponte entre estes dois mundos da blogosfera. Destaco assim o "Tertúlia Benfiquista", o maior blogue português de futebol que conheço, como o blogue da semana. São a prova viva que se pode escrever sobre futebol com elevação de espírito, rigor linguístico e extremo bom gosto.

Parabéns à malta do "Tertúlia" pelos conteúdos que nos fornecem e pelos bons valor que incutem diariamente às nossas crianças.

Boas leituras!

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Cabeçada no poste

por João Campos, em 28.06.10

Há na blogosfera algumas pessoas, porventura mais adeptas do "aportuguesamento" de tudo o que é expressão estrangeira, que não escrevem posts, mas sim postes. Já tinha reparado nisto há algum tempo, mas nunca tinha falado sobre o tema. Falo agora: ó meus amigos, um poste é isto:

Aquilo que escrevem não é um poste (que diabo, um poste não se escreve!), mas sim um post (em inglês), ou, se quiserem uma tradução gratuita, um artigo. Podem chamar-lhe crónica, também - dá à coisa um ar mais importante. Eu sei que estas coisas são tramadas, que as terminologias vêm todas em inglês, que raramente há traduções directas. Mas se blog passou a blogue de forma mais ou menos pacífica, não será por isso que post passará a poste. Em caso de dúvida, há sempre o itálico.

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A ver o Mundial (10)

por Pedro Correia, em 28.06.10

O confronto com Espanha, já amanhã, era o mais temido pela selecção portuguesa, que preferia defrontar o Chile nos oitavos de final. Tanto mais que a equipa de Villa, Torres, Xaví, Iniesta e Ramos, após o susto inicial com a Suíça, voltou a mostrar-se em grande forma contra hondurenhos (2-0) e chilenos (2-1). "Todos menos os espanhóis", chegou a dizer o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, com a argúcia e o sentido de oportunidade que todos lhe reconhecemos. Pois aí vem a fúria espanhola, certamente ainda mais animada após a manifestação pública de temor expressa pelo inamovível Gilberto Madaíl. Por mim, acho óptimo. Será um verdadeiro jogo de tira-teimas. Que permitirá confirmar se a solidez de que a nossa selecção tem dado provas é menos aparente do que real e se persiste entre os portugueses aquele antiquíssimo complexo de inferioridade perante os castelhanos que as palavras de Madaíl parecem confirmar.

 

Para já, ficam três dados relevantes:

1 - Portugal foi a equipa mais goleadora da primeira fase do Mundial da África do Sul (sete golos, a par da super-favorita Argentina).

2 - O jogo Portugal-Coreia do Norte - que nos ficará para sempre na memória - foi o que registou mais remates às balizas: 41. A par dos ocorridos no desafio EUA-Argélia.

3 - Cristiano Ronaldo é até agora o segundo jogador deste Mundial com melhor relação de remates por minutos jogados: 17, em 270 minutos. melhor que ele só Messi (Argentina), com 20 também em 270 minutos.

 

É muito? É pouco? Parece-me o suficiente para nos permitir alguma satisfação. E para considerar disparatadas as palavras medrosas do presidente da Federação.

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Passado presente (CCXLVIII)

por João Carvalho, em 28.06.10
 
 

 

Peugeot 402 Eclipse* (França, 1935/42)

 

* — Com a versão Eclipse do 402, a marca lançou o primeiro coupé cabriolet do mundo, isto é, um coupé cuja capota rígida pode ser recolhida na mala.

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Rasgos (20)

por Ana Vidal, em 28.06.10

Ainda hesitei entre incluí-lo nesta série ou enviá-lo para a série dos mal-amados do João Carvalho, mas, independentemente da megalomania e do exibicionismo reinantes, é inegável o rasgo arquitectónico de Moshe Safdie, o criador do novíssimo  Hotel Marina Bay Sands, em Singapura. A inauguração, inicialmente prevista para 2009, foi adiada até agora por motivos que se prendem com a crise económica que assola até o mundo dos bilionários que frequentarão este hotel ultra-luxuoso de 2.500 quartos, parque de diversões, casino, spa e uma assombrosa piscina com 150 metros de comprimento, por razões óvias a estrela da companhia. Não deixe de visitar o site, se quiser saber mais pormenores. Todos os números são impressionantes. Aqui ficam algumas imagens, bem sugestivas:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Cem palavras que odeio (75)

por Pedro Correia, em 28.06.10

"SEQUENCIALIDADE"

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A ver o Mundial (9)

por Pedro Correia, em 28.06.10

Árbitros empurram Alemanha e Argentina para os quartos-de-final. Tudo dito num título que resume exemplarmente a vergonhosa actuação das equipas de arbitragem do Alemanha-Inglaterra e do Argentina-México. Antes tivessem sido arbitrados pelo Olegário Benquerença.

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Ler

por Pedro Correia, em 28.06.10

Entre a confiança e a insustentabilidade. De Bruno Faria Lopes, no Elevador da Bica.

Progressão na carreira. De José Simões, no Der Terrorist.

A odiosidade do progresso. De Jorge Lopes de Carvalho, no Manual de Maus Costumes.

A escola da Capinha. De Joana Amaral Dias, no Córtex Frontal.

Trambique? De Nelson Reprezas, no Espumadamente.

Diálogos no inferno entre o contribuinte e o estado. Do Rodrigo Moita de Deus, no 31 da Armada.

Ainda falam em incentivos para jovens. Do João Severino, no Pau para toda a obra.

Deixem-se de tretas. Da Helena Matos, no Blasfémias.

Pobre homem. Do Francisco José Viegas, n' A Origem das Espécies.

Histórias da Literatura. De Luís Januário, n'A Natureza do Mal.

Encalhados no silêncio. Do Daniel Oliveira, no Arrastão.

Olhar os olhos dos outros. De Ana Lima, no Dias Imperfeitos.

Problemática albanesa. Do Rui Bebiano, n' A Terceira Noite.

Rádio Blogue: James Bulger. Da Carla Quevedo, na Bomba Inteligente.

 

(em actualização)

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As canções do século (179)

por Pedro Correia, em 28.06.10

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 28.06.10

Ao Um Tempo Novo.

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O comentário da semana

por João Carvalho, em 27.06.10

 

«A gravidade das situações denunciadas na notícia é muito desigual, mete-se tudo no mesmo saco e isso parece-me muito mal. Desde logo o chamariz da notícia com a foto de Manuel Pinho. É, de entre todos e na minha opinião, o caso mais irrelevante. A foto devia ser de Castro Guerra, é a situação dele que motiva a notícia, mas como ninguém o conhece, colocam a foto do outro. Estas coisas irritam-me, até porque ao misturarem tudo no mesmo saco, acabam por retirar importância àquilo que realmente tem.

Não estou com esta posição a branquear as outras situações. O que estou a dizer é que, para acabar com este péssimo hábito enraizado em todos os partidos do arco governamental, as denúncias têm de ser feitas de forma criteriosa para que as pessoas percebam bem o que está em causa. Só assim se contribui para criar e formar a consciência crítica das pessoas e não alimentar aquele velho ditado do "eles lá se entendem, comem todos da mesma panela" e quejandos, que só serve para libertar frustrações mas não mobiliza ninguém para a acção.

Não se pode misturar o lugar de um presidente do conselho de administração de uma empresa como a Cimpor e um lugar não remunerado na Fundação Arpad Szenes – Vieira da Silva. Eu também sei que, infelizmente, não compete hoje aos jornais formarem a consciência crítica das pessoas, mas tenho pena.

Dito isto, claro que estou de acordo, Teresa: como é que ninguém tinha reparado nisto?»

 

Da nossa leitora Ariel. A propósito deste texto da Teresa Ribeiro.

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Antes Wittengstein que tal sorte

por Pedro Correia, em 27.06.10

 

Fernando Henrique Cardoso foi um excelente presidente do Brasil. Mas é um dos mais entediantes sociólogos da língua portuguesa, como está bem patente no seu livro Perspectivas para uma Análise Integrada do Desenvolvimento – um título que já diz quase tudo sobre a capacidade de atracção da sua escrita.

Millôr Fernandes pegou nesta obra de 323 páginas e de lá extraiu este excerto tão esclarecedor (aviso desde já que convém tomar balanço antes de começar a ler): “Em síntese, reconhecendo a especificidade das distintas formas de comportamento, a análise sociológica trata de explicar os aparentes ‘desvios’, através da determinação das características estruturais das sociedades subdesenvolvidas e mediante um trabalho de interpretação. Não é exagerado afirmar que é necessário todo um esforço novo de análise a fim de redefinir o sentido e as funções que as classes sociais têm no contexto estrutural da situação de subdesenvolvimento e as alianças que elas estabelecem para sustentar uma estrutura de poder e gerar a dinâmica social e económica.”
De fazer perder o fôlego a qualquer um.
Millôr, humorista consumado, compara a prosa de Fernando Henrique Cardoso com a de Ludwig Wittgenstein, autor do Tractatus Logico-Philosophicus, de que Bertrand Russell certa vez disse: “Não entendi nada. Mas é genial.” Pois Millôr, na sua coluna da revista Veja, chega à conclusão que o austríaco que revolucionou a filosofia do século XX – “a que FHC chama de século vindouro” – produziu textos bem mais acessíveis do que o do ex-presidente brasileiro. E fornece um exemplo, extraído precisamente do Tractatus Logico-Philosophicus: “O sentido total do livro pode ser sintetizado nas seguintes palavras. O que pode ser dito pode ser dito claramente e aquilo sobre o que não podemos falar devemos passar por cima, silenciar.”
De regresso à prosa de Fernando Henrique Cardoso, segue nova peça de artilharia apta a fulminar qualquer leitor: “As duas dimensões do sistema económico, nos países em processo de desenvolvimento, a interna e a externa, expressam-se no plano social, onde adoptam uma estrutura que se organiza e funciona em termos de uma dupla conexão: segundo as pressões e vinculações externas e segundo o condicionamento dos factores internos que incidam sobre a estratificação social.”
Mais excertos de Perspectivas para uma Análise Integrada do Desenvolvimento? Antes Wittgenstein que tal sorte.
 
Imagem: Ludwig Wittgenstein (1889-1951)

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Sugestões úteis e construtivas

por Paulo Gorjão, em 27.06.10

 

Mário Soares é único. O mesmo Soares que critica Cavaco por não dar "sugestões úteis e construtivas", estaria na primeira linha a acusar Cavaco Silva de interferir na esfera executiva se este desse "sugestões úteis e construtivas".

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Arraiais e arraialitos

por Ana Vidal, em 27.06.10

 

"Não se vai celebrar qualquer matrimónio no recinto, mas haverá um concurso chamado Noivas do Arraial. Quem fizer o pedido de casamento mais original recebe duas viagens de oito dias em lua-de-mel à Grécia (Mikonos para eles, Lesbos para elas), copo-de-água para vinte pessoas e despesas com a conservatória."

 

Estas são declarações de Paulo Côrte Real, presidente da ILGA (Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero), que organizou ontem mais um Arraial Pride em parceria com a Câmara de Lisboa, desta vez no Terreiro do Paço. Este ano com uma especial comemoração a fazer: a legalização do casamento homossexual. No evento não faltou sequer um "arraialito" - um espaço dedicado às crianças - numa clara alusão ao direito à adopção para os novos casais. "O arraialito existe porque queremos celebrar as famílias que já somos, as crianças que já existem em que só uma figura parental é reconhecida pelo Estado".

 

Fico sempre arrepiada com estas manifestações espalhafatosas, sobretudo porque dizem ter a intenção de dignificar a causa dos homossexuais. Continuo a não entender, sequer, a razão de ser de um sentimento de "orgulho gay" (da mesma forma que não veria qualquer razão para a defesa de um "orgulho straight", para usar uma expressão equivalente).  A afirmação de pertença orgulhosa a um determinado grupo  identificado pela sua orientação sexual tem exactamente o efeito contrário ao que se pretende: acentua a clivagem e define barricadas, em vez de fazer com que as diferenças se diluam. E fazê-lo com recurso a um folclore de gosto mais do que duvidoso só piora as coisas. Acho particularmente criminoso meter crianças ao barulho, obrigando-as a uma exposição mediática brutal que não pediram, não lhes dá segurança nem lhes faz qualquer bem. Tenho a certeza de que a maioria dos homossexuais não aprova este circo exibicionista, como se torna evidente pelo reduzido número de participantes nestes eventos. Como querem ser respeitados e levados a sério, com atitudes deste calibre?

 


Nota: Numa reportagem de ontem, em directo, um casal de lésbicas aceitou ser entrevistado mas recusou-se a "dar a cara" para as câmaras. É estranho: estas duas mulheres estavam presentes numa manifestação cuja regra é a visibilidade máxima, em plena rua, sabendo que os media não resistem a este tipo de eventos. Mais: defendem (ou não estariam ali), o tal "orgulho gay" a ponto de terem corrido ao Terreiro do Paço de mãos dadas e empunhando cartazes sugestivos. E depois, no momento da verdade... não deram a cara. Alguém me explica um comportamento destes?

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Sabia que... (extra)

por João Carvalho, em 27.06.10

... o mau cheiro já chega à Madeira? Este instantâneo de Adriano Miranda (Público) confirma-o: Alberto João Jardim tapa o nariz e esconde o ar enjoado que por lá se espalhou desde que fez as pazes com José Sócrates. Os ambientalistas madeirenses andam preocupados com a atmosfera, embora não se atrevam a dizê-lo.

Ainda assim, no nosso território continental é pior: Sócrates e Jardim, cada qual do seu jeito, sempre contribuíram para o mau ambiente nacional.

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Passado presente (CCXLVII)

por Pedro Correia, em 27.06.10

 

Fotonovelas

 

 

 

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Cem palavras que odeio (74)

por Pedro Correia, em 27.06.10
"PAULATINAMENTE"

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Heróis da BD (61)

por Pedro Correia, em 27.06.10

 

 

 

 

Popeye, de Elzie Segar, Max Fleischer e Hy Eisman

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As canções do século (178)

por Pedro Correia, em 27.06.10

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Uma viagem na nossa terra

por Pedro Correia, em 26.06.10
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Viagem de comboio Faro-Lisboa, no Alfa pendular. Princípio da tarde: quatro amigos do Entroncamento, sexagenários já reformados, foram almoçar à capital do Algarve e regressam à terra. Durante três horas, só falam de comida. E em voz bem alta: toda a gente na carruagem os escuta.
Alguns excertos:

A – Aqueles carapauzinhos e aquele arrozinho estavam de estalo!
B – E o porco preto também.
C – Só fiquei sem saber se era porco ou era porca.

(todos riem)

 

D – Valeu a pena virmos almoçar a Faro. Agora havemos de ir a Beja. Um gajo come lá, perto da estação, e volta. Uma açorda à alentejana, um ensopado de borrego...
A – E aviamos antes um pratinho de caracóis. Com orégãos, à alentejana.
C – Tem é de ser à sombra, para não derretermos.
 

(todos riem)

 

B – Eh, pá! Quando é que vamos almoçar à Farmácia? Dizem que é o melhor restaurante do País. E que tem um vinho branco de Amarante que é um espectáculo.
C – Onde é?
B – Em Matosinhos. O gordo do Preço Certo diz que é muito bom.
D – Ele deve ir lá muita vez!


(todos riem)


A – Então sempre se faz a sardinhada na terça-feira?
C – Claro que sim. Vamos reunir o grupo...
A – Vão o Mesquita, o Vasco Pedreiro, o Zé Maria Lavrador. Posso convidar o meu amigo Trindade e o meu compadre Canaca.
D – Eu levo vinho. Tenho lá vinho bom bom bom. Cinco estrelas.
B – Batatinha nova também é preciso levar?
C – Eu levo o café.
A – Eu combino aqui com o Pratas e vamos comprar as sardinhas ao Pingo Doce. Tenho que saber quantas são. Não convém comprar a mais, para não se estragarem.
B – Cinco a cada um chegam.
C – Eu como cinco ou seis, não mais.
A – Então compram-se cinquenta sardinhas: pode aparecer mais um voluntário... E cinco quilos de batatas.
B – Eh, pá! É melhor alugares uma camioneta.


(todos riem)


A – E para que horas se marca aquilo?
D – A sardinha é muito indigesta. É melhor ser ao meio-dia.
C – É conveniente arranjar tomate também?
A – Vou à praça comprar uma broazinha.
B – Ó Rodrigues, e um Serra da Estrela?
A – Faz-se uma sopinha também, se for preciso.
D – Para a sardinha não se leva cerveja, só vinho. Disso trato eu. Tenho lá do bom! Tira-se a rolha e parece champanhe.
C – Eu levo uns pastelinhos de bacalhau.
B – Isso pede cerveja. Eu levo umas cervejinhas.
A – A gente depois lava a loiça. Tenho lá um avental...
B – Tens lá um avental?! És algum maricão?


(todos riem)

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Incentivos ao visionamento do Mundial, #7

por Ana Cláudia Vicente, em 26.06.10

Acontece que a equipe com a mais alta eficácia colírica (vide Lugano, Eguren, Silva, Scotti, etc.) no evento em apreciação foi a primeira a passar aos oitavos quartos de final. Daqui enviamos as nossas felicitações, saudando a América do Sul pelas suas destacadas qualidades homeopáticas.

Nome: Sebastián 'El Loco' Abreu

Selecção: Uruguai

Clube: Botafogo (alias Botafogo de Futebol e Regatas)

Posição: Avançado

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Frases do ano (40)

por Pedro Correia, em 26.06.10

"Nós entrámos de fato-macaco e saímos de smoking."

Carlos Queiroz, após o Brasil-Portugal de ontem, comparando o festival de passes perdidos pelo meio-campo português na primeira parte do jogo a um "fato-macaco"

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Passado presente (CCXLVI)

por Pedro Correia, em 26.06.10

 

Bronzaline

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Sabia que... (28)

por João Carvalho, em 26.06.10

... estão a regressar os fatos-de-banho mais recatados? Assim parece. Entende-se o motivo: à custa de malhas mais elásticas e em maior quantidade escondem-se algumas misérias e disfarçam-se umas banhas excessivas.

Claro que são mais corpetes do que fatos-de-banho propriamente ditos e claro que o regresso desta moda representa um embuste: a gente vê o invólucro e não vê o enchido, não é? Mas, num país em que a mentira está institucionalizada e onde se vive de aparências, quem é que quer saber desta cabala?

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As canções do século (177)

por Pedro Correia, em 26.06.10

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