Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




You may say I'm a dreamer

por Cristina Ferreira de Almeida, em 31.12.09

Quando penso no ano que entra e no que desejo para mim e para Portugal sou assaltada pela imagem das apreensões de drogas e armas da PSP. Sobre uma mesa, armas automáticas, pistolas e carregadores em perfeita simetria. Ao lado, notas altas estão dispostas em leque. No centro da mesa, os pacotes de haxixe e os sacos de cocaína formam a sigla PSP. Imagino a pessoa que se encarrega deste arranjo, sem cromas, sem efeitos especiais, sem outros materiais além dos da apreensão, orgulhoso do cumprimento anónimo do dever, a dispor as notas em leque e a droga em letras da corporação. 

Quero o ano de 2010 como aquele decorador anónimo, que não leu livros de design nem sabe nada sobre os truques de marketing, se atira ao essencial. Quero o dever cumprido, as coisas básicas que nos competem dispostas com aquele brio para chegar ao fim, sacudir as mãos e dizer: "mais um dia chato no escritório. Prendemos os maus, defendemos os bons, vamos para casa". Podem dizer que sou uma sonhadora. Espero não ser a única.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Votos para 2010

por Pedro Correia, em 31.12.09

Em 2010 gostaria de ver uma blogosfera mais irreverente e menos previsível, com ideias próprias e sem temor dos diversos poderes. Gostaria de ver uma blogosfera menos dependente de agendas políticas e com a autenticidade que a marcou nos primeiros anos. Gostaria de ver uma blogosfera que reflectisse menos as opiniões impressas nos jornais e se revelasse mais capaz de influenciar o que neles se publica. Gostaria de ver uma blogosfera onde o espírito de trincheira não prevalecesse, onde jamais se confundisse quem pensa de maneira diferente com um adversário e muito menos com um inimigo. Gostaria de ver uma blogosfera onde o insulto não fosse moeda corrente e onde o prazer de discutir ideias voltasse a estar na primeira linha.

Acredito que é possível. Se não acreditasse, não estava aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Afinal o problema era outro

por Sérgio de Almeida Correia, em 31.12.09

Quem se recordar do que foi dito sobre a ex-ministra da Educação e tiver agora ouvido e acompanhado com alguma atenção o que a nova ministra foi dizendo, bem como os comentários que ao longo das últimas semanas foram sendo produzidos pelos sindicatos dos professores, não pode deixar de ficar estarrecido. Maria de Lurdes Rodrigues foi afastada, os sindicatos esfregaram as mãos de contentamento: agora é que ia ser. 

Poucas semanas volvidas verifica-se que está tudo na mesma.

Ontem fiquei a saber que um dos sindicatos quer "impor" ao Ministério um conjunto de 38 pontos (só?) para poder chegar a um acordo.

O PSD, pela voz altamente credível do seu twitter e deputado Pedro Duarte, um homem que como todos sabem tem uma vasta experiência profissional e notável currículo, lá veio de novo criticar Isabel Alçada. Mas quanto a soluções zero. 

Cada dia que passa percebo menos o que querem os sindicatos e fico sem saber o que pensam os professores daquilo que as dezenas de sindicalistas que os representam andam a fazer pelos gabinetes da 5 de Outubro.

Não sei se no meio deste caos negocial ainda haverá alguém na opinião pública que acredite numa palavra do que diz a Fenprof, o Sr. Mário Nogueira ou os seus pares, mas começa a ser demasiado óbvio que o problema não era de flexibilidade, de diálogo ou de boa fé. Ou seja, a culpa não era de Maria de Lurdes Rodrigues.

Acho notável que mais de 100.000 professores tenham desfilado em Lisboa contra a ex-ministra, mas duvido que hoje voltassem a fazer o mesmo contra Isabel Alçada, em especial com a mesma convicção e com o mesmo espírito.

A mim, que nada tenho a ver com essa guerra, mas a quem custa ver o estado a que tudo isto chegou (o diagnóstico que Francisco José Viegas fez na entrevista a João Pereira Coutinho é bem elucidativo) por culpa de uma incontornável e necessária avaliação, quer-me parecer que ou os professores se livram destes sindicalistas profissionais e das dezenas de sindicatos que têm, passando a falar a uma só voz, ou a classe e o ensino nunca mais terão sossego. Hoje são 38 pontos, amanhã serão 50, e nunca mais se sai disto.

Oxalá que 2010 possa trazer lucidez e bom senso aos sindicatos e paciência aos portugueses para acompanharem os próximos capítulos dessa miserável novela que a ninguém serve, mas que ou muito me engano ou dentro de algumas semanas acabará com o Sr. Mário Nogueira a pedir a demissão da ministra.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Voltar a dar

por Sérgio de Almeida Correia, em 31.12.09

"Artigo único

É revogada a Portaria n.º 1244/2009, de 13 de Outubro.

O Ministro da Justiça, Alberto de Sousa Martins, em 30 de Dezembro de 2009"

(Portaria n.º 1460-B/2009, de 31 de Dezembro)

 

Não vai ser fácil arrumar a casa, mas por algum lado seria necessário começar. E, já agora, o novo e absurdo regime do processo de inventário, que põe conservadores e notários a fazerem partilhas sob a supervisão de um juiz, sempre é para entrar em vigor em Janeiro?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Se calhar o futuro é redondo

por Teresa Ribeiro, em 31.12.09

E agora, a piéce de resistance. Muito pior que a avaliação de desempenho dos nossos chefes e até que as perguntas indiscretas das tias e primas abelhudas que só vemos no Natal, é este jogo adolescente a que dificilmente resistimos.

Por incompetência ou porque as expectativas que criamos são  irrealistas, a verdade é que nem sempre nos safamos como queríamos deste balanço anual. 

Talvez por esse motivo é que  no dia 1 de cada ano já nem me dou ao trabalho de fazer uma lista de objectivos como deve ser. Fica tudo em rascunho.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Lá fora, sempre cá dentro

por Pedro Correia, em 31.12.09

 

Quando chega o fim do ano, gosto de recapitular as leituras que fui fazendo. E desta vez apetece-me destacar vários blogues da diáspora, que acompanhei sempre com interesse em 2009. A cultura lusófona prolonga-se por qualquer local onde exista gente a pensar, a dialogar e a escrever no nosso idioma, reflectindo realidades locais mas sempre com esta linha identitária que nos é comum. Refiro-me a blogues como o Combustões (do Miguel Castelo-Branco) e o Visto de Bangkok (de Nuno Caldeira da Silva), da Tailândia. E a Rititi (da Rita Barata Silvério) e Esse Bandido (de Samuel Filipe), de Espanha. E o Café Margoso (de João Guedes Branco), de Cabo Verde. E o Bairro do Oriente (do Leocardo) e o Macau Antigo (de João Botas), de Macau. E a Estrada Poeirenta (de António Oliveira) e o Ma-Schamba (de José Pimentel Teixeira), de Moçambique. E o Boas Intenções (da Rita Maria), da Alemanha. E o Tuga em Londres (da Filipa), do Reino Unido. E o Duas ou Três Coisas (de Francisco Seixas da Costa), de França. E a Estação Central (do João Sousa André) e o Crónicas das Horas Perdidas (da Luna), da Holanda. E No Cinzento de Bruxelas (da Pitucha) e o Lote 5, 1º Dto (da Carlota), da Bélgica. E O Livro das Contradisoens, de Timor-Leste. Todos estes blogues, há muito em destaque na nossa barra lateral, são traços de união entre Portugal e diversas parcelas do globo. Que, cada qual à sua maneira, me fazem sentir um pouco mais orgulhoso deste nosso jeito muito peculiar de ser e de estar: a qualquer parte do mundo somos capazes de chamar a nossa casa.

 

Foto: as montanhas sagradas do Matabian, mane (homem) e feto (mulher) em Timor. Com a devida vénia ao blogue O Livro das Contradisoens.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Happy New Year

por Ana Vidal, em 31.12.09

 

Mira, no pido mucho,

 

solamente tu mano, tenerla

 

como un sapito que duerme así contento.

 

Necesito esa puerta que me dabas

 

para entrar a tu mundo, ese trocito

 

de azúcar verde, de redondo alegre.

 

¿No me prestás tu mano en esta noche

 

de fìn de año de lechuzas roncas?

 

No puedes, por razones técnicas.

 

Entonces la tramo en el aire, urdiendo cada dedo,

 

el durazno sedoso de la palma

 

y el dorso, ese país de azules árboles.

 

Así la tomo y la sostengo,

 

como si de ello dependiera

 

muchísimo del mundo,

 

la sucesión de las cuatro estaciones,

 

el canto de los gallos, el amor de los hombres.

 

 

(Julio Cortázar - Happy New Year)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Ligação directa

por Pedro Correia, em 31.12.09

Ao PValue.

Autoria e outros dados (tags, etc)

De blogue em blogue

por Pedro Correia, em 30.12.09

1. A Regra do Jogo, cujo aparecimento foi um dos acontecimentos da blogosfera portuguesa em 2009, elegeu o DELITO DE OPINIÃO como blogue do ano. Fica aqui o sincero agradecimento a estes nossos colegas, com a promessa de fazermos tudo em 2010 por continuar a merecer esta prova de apreço que agora nos expressaram.

2. O João Carvalho já tinha destacado o facto, que agora recordo: também o Jornal do Pau nos distinguiu como blogue do ano. Um abraço ao João Severino por mais esta prova de amizade.

3. Também o João Espinho, da Praça da República, nos inclui na sua selecção dos melhores de 2009. A genuína generosidade alentejana, também a justificar um abraço de agradecimento.

4. É igualmente uma honra a distinção que nos faz o Luís Novaes Tito, ao eleger-nos entre os melhores do ano que agora termina n' A Barbearia do Sr. Luís. E uma responsabilidade acrescida para 2010. Um abraço, caro Luís.

5. E esta onda de simpatia abrange ainda a Metafísica do Esquecimento  e O Reprobatório, que votaram também no DELITO como um dos blogues de 2009. Gestos que nos estimulam a fazer ainda melhor no próximo ano.

6. Um abraço muito especial ao Joshua e a toda a equipa do 2711. Com votos de um excelente 2010.

7. De parabéns está o Luís Serpa. Pelo sexto aniversário do seu Don Vivo. Que conte muitos - e bons.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sobreviventes (3)

por Pedro Correia, em 30.12.09

 

MICKEY ROONEY

Cantava, dançava, electrizou o ecrã ao lado de Judy Garland em vários filmes do quase lendário Busby Berkeley que povoaram o imaginário americano - e de todo o mundo - em sucessivas matinés nos anos 30. Actuou com Spencer Tracy em Boys Town (1938) e com uma Elizabeth Taylor ainda criança no tocante National Velvet (1945). Eterno adolescente, desdobrava-se de filme em filme irradiando optimismo e alegria de viver. Terá sido este um dos segredos da sua longevidade.

 

Tem 89 anos (nasceu a 23 de Setembro de 1920)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Bendito Diário de Notícias

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.12.09
"Daí que a decisão do JIC, ao retirar consequências de conversações interceptadas em que interveio o Primeiro-Ministro, valorando e dando sequência a conhecimentos fortuitos revelados por uma conversação, viola as regras de competência material e funcional do artigo 11º, n.º 2, alínea b) do CPP, sendo, consequentemente, nula (artigo 119º, alínea e) CPP)" - Despacho de 3 de Setembro de 2009 do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça
 
 
"(...) No caso como refere e defende o PGR, as comunicações interceptadas, em que incidental ou acidentalmente interveio o PM, não foram levadas ao conhecimento do PrSTJ, como impunha a aplicação conjugada das normas do art. 188, n.º 4, com a norma específica de competência constante do art. 11, n.º 2, alínea b), CPP.
A desconsideração destes elementos - que é substancial formal - determina a nulidade das intercepções, em que interveio o PM, como, também, salienta e defende o PGR.
5. Porém, mesmo que por hipótese não fosse - como manifestamente é - caso de aplicação da consequência nulidade fixada no artigo 190º CPP, o conteúdo dos "produtos" referidos em que interveio o PM, se pudesse ser considerado, não revela qualquer facto, circunstância, conhecimento ou referência, susceptíveis de ser entendidos ou interpretados como indício ou sequer como uma sugestão de algum comportamento com valor para ser ponderado em dimensão de ilícito penal.
Deste modo, e visto o que é salientado pelo M.P. na posição que tomou no processo (despacho que consta a fls. 1055 segs de 12/11/2009) os produtos não continham qualquer interesse quanto aos factos averiguados no processo em que foi autorizada a intercepção dos alvos n.º 1X372M e 40037M.
(...) Também por este fundamento e por não terem qualquer relevo, sendo completamente estranhos ao processo, devem ser destruídos, porquanto, afectam o direito à palavra e à autonomia informacional do titular de função de soberania especialmente protegida e tais direitos terão necessariamente um especial valor de referência e de exigências de ponderação, integrando-se na previsão da alínea c) do n.º 6 do artº 188º do CPP" - Despacho de 27 de Novembro de 2009 do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça
 
 
Os sublinhados são, evidentemente, meus.
Eu só não compreendo o que tinham estes despachos de tão extraordinário, secreto, confidencial, que não tivesse permitido logo a sua divulgação, obviando ao estado de demência que se instalou nalguma opinião pública e à catadupa de dislates que durante semanas a fio foram proferidos pelas eminências pardas do regime, a começar pelos distintos líderes dos partidos da oposição e a catrefa de comentadores que salta de televisão em televisão e de jornal em jornal imaginando tramas dignas de Molière.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O maior patíbulo do planeta

por Pedro Correia, em 30.12.09

 

O tráfico de heroína é um dos crimes mais repugnantes no mundo contemporâneo. Mas é um crime que jamais deverá ser pago com uma execução 'legal', como a que acaba de vitimar um cidadão britânico chamado Akmal Shaikh, o mais recente alvo do sistema penal chinês, responsável por cerca de três quartos da aplicação da pena capital a nível planetário. Esta execução levantou um imediato clamor internacional, plenamente justificado. O regime 'socialista' de Pequim, que tanto gosta de exibir uma faceta modernaça, comporta-se nesta matéria como o mais primitivo dos regimes à face da Terra - de tal maneira que é hoje "o maior patíbulo do mundo", na exacta definição do jornal El País. Só em 2008 foram ali executadas 1718 pessoas - mais de 140 por mês, segundo as estimativas cautelosas da Amnistia Internacional. O número exacto, porém, não é conhecido: esta matéria, como tantas outras, constitui segredo de estado na República Popular da China. Há quem fale em seis mil execuções anuais.

A pena capital está prevista para um total de 68 crimes previstos no código penal chinês - crimes como contrabando, proxenetismo, suborno, corrupção, desfalque e fraude fiscal. Com a agravante de o sistema judicial da República Popular da China não ser independente do poder político - antes pelo contrário, é um braço do Partido Comunista, que na economia se comporta como o mais predador dos capitalistas e em tudo o resto se mantém fiel aos ditames de Lenine, estendendo os tentáculos sobre os mais ínfimos aspectos da sociedade chinesa.

Um porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros vem agora dizer que "ninguém tem o direito de comentar a soberania judicial chinesa", o que diz tudo sobre o peculiar conceito dos dirigentes de Pequim quanto a democracia e direitos humanos. Se não nos revoltamos contra isto, perdemos a capacidade de nos indignarmos contra o que quer que seja.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Dois retratos.

por Luís M. Jorge, em 30.12.09

 

 

No Público de hoje menciona-se seriamente (como o assunto merece) a possibilidade de demolir alguns estádios do Euro 2004. Numa outra página revela-se que o Alentejo obteve em 2009 os melhores resultados turísticos de sempre.

 

Não é difícil compreender o que se passou para chegarmos até aqui. De um lado houve um Governo de incapazes, que alinhou com alacridade numa estratégia de grandes eventos sem a integrar em qualquer visão do país. Do outro lado tivemos o trabalho sério de algumas câmaras que valorizaram os vinhos, a gastronomia, o ordenamento das cidades e até (como no caso de Montemor) a cultura, para criarem um produto de qualidade que agora (e agora é o momento) irão promover internacionalmente.

 

No Alentejo teremos uma nova Toscânia, em Portugal um atamancado Brasil. Uma coisa é certa: a implosão dos estádios será um belo símbolo do regime.

 

Nota posteriorno meu blog pessoal um comentador pergunta: "Não acha que as duas situações podem estar ligadas, sem que uma exclua necessariamente a outra? Ou seja, grandes eventos que elevam o perfil do país na arena internacional, e que depois favorecem o turismo noutras regiões?" A minha resposta: "não, porque nesse caso seriam as regiões com estádios de futebol as mais favorecidas."

Autoria e outros dados (tags, etc)

Naturais baralhações

por Ana Vidal, em 30.12.09

"E as coisas perdem a sua beleza natural quando a natureza se intromete."

 

(Afirmação categórica feita por um repórter da TVI 24, a propósito do mau tempo)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Prémios Escorpião de Ouro

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 30.12.09

Cumprindo uma tradição, que remonta a 2007, foram hoje divugados os Prémos Escorpião de Ouro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Giros e talentosos (15)

por Leonor Barros, em 30.12.09

Jeremy Irons

Autoria e outros dados (tags, etc)

A arte da propaganda

por José Gomes André, em 30.12.09

Sete minutos ilustrativos de uma estratégia e de uma certa forma de estar na política.

Autoria e outros dados (tags, etc)

As canções do século

por Pedro Correia, em 30.12.09

Decidi chamar-lhe As canções do século. É uma série que por aqui ficará ao longo de todo o ano de 2010, estabelecendo uma fronteira natural entre cada dia que vai passando e tendo por vezes algo a ver com esse dia. Uma série que visa recordar a melhor música do século XX, nos seus mais diversos géneros e proveniências, sem privilegiar nenhum. Cruzo aqui, naturalmente, os meus gostos pessoais com muitas referências obrigatórias da música popular do século passado que mantêm ecos permanentes nos nossos dias. É uma secção que viverá também das sugestões dos leitores: desde já fica o pedido para que nos falem das suas canções favoritas, que poderão figurar nesta galeria. Uma única regra existe à partida: só passará por aqui música cantada. Isto exclui temas instrumentais de que gosto muito, dos Shadows a Paco de Lucía, do In the Mood ao Samba pa Ti. A música portuguesa terá um tratamento à parte, como mais tarde se verá. Mas também nesta matéria agradeço todas as sugestões que quiserem dar-me. Com a certeza antecipada de que 2010 será um ano cheio de canções aqui no DELITO DE OPINIÃO. Enquanto os políticos tentam dar-nos música (sem o conseguirem) um pouco por toda a parte.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ligação directa

por Pedro Correia, em 30.12.09

Ao Blog Notícias do Polvo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Aqui ao lado

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 29.12.09

Aqui ao lado, em Espanha, as investigações costumam dar resultados e a relação da Justiça com os poderosos também é um bocadinho diferente. E se «de Espanha nem bom vento, nem bom casamento», que venham os bons exemplos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

É no que dá a megalomania

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 29.12.09

Estádio de Leiria: eis um bom exemplo de como tão mal se gere os dinheiros públicos em Portugal, este país de megalómanos. Ainda por cima, e tanto quanto sei, a obra nunca foi acabada.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Vox pop

por Pedro Correia, em 29.12.09

"Não vou telefonar para o gajo. Podia pensar que estava atrás dele e não estou para isso."

Mulher de cerca de 40 anos, falando sozinha, ao princípio da tarde, enquanto descia a Avenida da Liberdade (Lisboa)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Espelho do país

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.12.09

A EDP - Electricidade de Portugal de Portugal S.A. é uma empresa que afirma ter "por missão produzir bem estar e aumentar a qualidade de vida e do ambiente, promovendo o optimismo e o dinamismo social" e cujos "princípios e políticas definidos para o Grupo são o reflexo da aplicação da Visão, dos Compromissos e da estratégia a determinados temas corporativos transversais a todos os negócios em que a EDP pretende posicionar-se de forma distintiva".

A linguagem pode parecer esotérica, mas talvez por isso mesmo é que a empresa tenha uma multiplicidade de órgãos, de conselhos e de departamentos, e milhares de colaboradores, prosseguindo, diz ela, princípios e políticas de "ética e de conduta", de "desenvolvimento sustentável", de "protecção pelo ambiente", de "biodiversidade", de "segurança", de "formação", de "comunicação", de "respeito pelos direitos humanos", de "combate às alterações climáticas" e de "combate à corrupção, suborno e financiamento de partidos políticos". Para além disso, afirma ter um código de ética, um provedor e está presente em vários continentes.

Em suma, à escala empresarial, a EDP é como que uma espécie de Estado, só que bem mais rico. E, como de repente se percebeu, com a vantagem de ter poucas ou nenhumas responsabilidades.

No meio desta babilónia, tal como o Estado ignora os seus contribuintes, a EDP despreza os seus consumidores nos momentos de aflição, limitando-se a fazer o básico, como seja o restabelecimento do serviço interrompido. 

São de há muito as queixas dos consumidores, obrigados a contratarem com a EDP para terem electricidade nas suas casas, de que a qualidade do serviço prestado é má, que as falhas de energia são mais frequentes do que o admissível, mesmo quando não há chuva nem vento, que a factura é normalmente elevada e que quando há problemas a empresa é a primeira a enjeitar responsabilidades. A culpa pelo mau serviço que presta ou é do frio, ou do calor, ou do vento, ou de uma cegonha irresponsável que pousa onde não deve e dá cabo da rede.

Depois do temporal que assolou a região do Oeste, que deixou milhares às escuras e ao frio durante o Natal, ontem fomos de novo confrontados, à hora do jantar, invariavelmente, com as queixas, justíssimas, dos consumidores do Prior Velho (Lisboa), sendo certo que tanto quanto se sabe por aqueles lados não houve nenhum furacão.

Eu até posso aceitar como explicação que as falhas na região do Oeste tenham origem nas más condições climatéricas, mas custa-me bem mais compreender por que razão a luz falta constantemente em Cascais e as quebras de serviço são rotineiras em Lisboa ou em Faro, incluindo em dias de bom tempo.

Não são poucas as vezes em que no escritório fico sem computador. No Verão dizem-me que é porque o quadro não aguenta os aparelhos de ar condicionado. No Inverno o problema é do frio, porque a EDP não pensou que seria desconfortável trabalhar gelado a uma secretária. E não são poucas as vezes, no final do dia, quando chego a casa e dou com os vídeos e os despertadores a piscarem, com o gelo semi-derretido e os congelados com vestígios de terem iniciado um processo de descongelação à minha revelia. E, pior do que isso, houve uma ocasião em que fiquei com o Arcam Alpha sem dar sinal de vida. A culpa, disseram-me depois da reparação, foi, de novo, de uma quebra de corrente.

Para a EDP tudo isto é normal. Para os portugueses também deve ser. Quem não pode passar sem a EDP e aceita o serviço prestado sem reclamar; quem todos os meses paga sem tugir nem mugir a conta da electricidade, não considera anormal o preço leonino das tarifas e das taxas cobradas, e aceita os aumentos como uma inevitabilidade, também não deve merecer mais nem melhor.

A EDP é, desgraçadamente, a imagem deste país: uma estrutura pesada e altamente burocratizada que está sempre a queixar-se dos investimentos que faz, paga por dez milhões e que derrete muitos outros em publicidade e marketing, enquanto meia dúzia se vai governando com os resultados e os dividendos, sem grandes trabalhos nem complicações de maior, mas que é incapaz de prestar um serviço à altura da cultura empresarial que promove e da imagem que quer dar de si.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Silêncio, mata-se

por Pedro Correia, em 29.12.09

 

O título, infelizmente, não podia ter sido mais bem escolhido. Silêncio, mata-se. Foi desta maneira que a mais prestigiada organização internacional de jornalistas, Repórteres sem Fronteiras, salientou a dramática situação que se vive no Irão, onde nos últimos dois dias foram mortas pelo menos oito pessoas e 300 acabaram encarceradas - incluindo destacados membros da oposição, jornalistas e activistas de direitos humanos. Prisão e censura são dois termos de grande actualidade em Teerão nos dias que correm: "A violência das forças da ordem tem vindo a ser acompanhada de uma nova vaga de ciberataques" que tolhe a actividade dos correspondentes estrangeiros e a própria comunicação dos iranianos através da Internet. Na sua página na Rede, os RSF mencionam casos concretos. Emadoldin Baghi, jornalista e figura emblemática da defesa dos direitos do homem no Irão e fervoroso militante contra a pena de morte, "detido no seu domicílio em Teerão, a 28 de Dezembro, por indivíduos trajando à civil e levado para local desconhecido". Alireza Behshtipour Shirazi, director do sítio oficial do principal candidato da oposição nas presidenciais de 12 de Junho, Mir Hussein Moussavi, "detido no seu domicílio em Teerão e levado para local desconhecido". Shiva Nazar Ahari, conhecida bloguista e activista dos direitos humanos, "encarcerada desde 20 de Dezembro na secção 209 da prisão de Evin".

Este é o Irão de Ahmadinejad, recentemente recebido no Palácio de Miraflores, em Caracas, por um Hugo Chávez em êxtase. "Exemplo de firmeza e constância pela liberdade de seu povo, pela grandeza da pátria persa, a pátria iraniana", chamou-lhe o Presidente venezuelano, um dos raros dirigentes internacionais capazes de dizer frases destas sem corar de vergonha. Este é um regime que chama aos membros da oposição "agitadores ao serviço de potências estrangeiras", com eco imediato no deslumbrado Avante!, porventura vislumbrando algum resquício de comunismo na ditadura xiita de Teerão. Salazar dizia o mesmo dos opositores - alguns dos quais comunistas. Mas nem isso confere hoje algum decoro ao jornal dos mais ortodoxos membros do PCP, cego e surdo à repressão quando se pratica nos países 'amigos' - por acaso alguns dos menos recomendáveis do planeta.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Indignações

por José Gomes André, em 29.12.09

O Presidente promulgou um diploma aprovado por uma maioria dos deputados da Assembleia da República, perfeitamente legítimo e sem inconstitucionalidades conhecidas. Este gesto vulgar numa democracia emancipada mereceu críticas de vários quadrantes e até reacções indignadas. Parece-me natural que se denuncie eventualmente o valor do diploma, mas já me deixa estupefacto que se critique a referida promulgação presidencial de um acto tão básico e natural do processo democrático. A menos que se considere que somente o Governo pode aprovar leis e/ou que o Presidente deve vetar leis meramente por discordar das mesmas. Querem mesmo abrir essa caixa de Pandora?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Leituras

por Pedro Correia, em 29.12.09

 

 

"Não há muitas pessoas que saibam das maravilhas que aguardam para serem reveladas através do recordar das histórias e das visões das suas próprias infâncias. Enquanto crianças nós escutamos, sonhamos e guardamos pensamentos incompletos que, quando mais tarde queremos recordar, já nos achamos prosaicos e murchos sob o efeito do veneno da vida. Mas alguns de nós acordamos durante a noite com estranhas aparições de colinas e jardins encantados, de fontes cantando ao sol, de penhascos dourados sobre mares murmurantes, de planícies que se estendem até às cidades adormecidas de bronze e pedra e de fantásticas companhias de heróis envoltos em neblina, galopando em adornados cavalos brancos ao longo das orlas de densas florestas, e nesse momento apercebemo-nos de que olhávamos através de portões de marfim para aquele mundo de encantamento que era nosso antes de sermos sábios e infelizes."

H. P. Lovecraft, Herbert West: Reanimador

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ligação directa

por Pedro Correia, em 29.12.09

Ao Manuel Tito de Morais.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Meio século de magia no ecrã

por Pedro Correia, em 28.12.09

 

Há precisamente meio século, o cinema registou um dos seus mais memoráveis anos de sempre, culminando aquela que foi provavelmente a melhor década da Sétima Arte, com quase todos os cineastas pioneiros ainda em actividade – Charles Chaplin, John Ford, Fritz Lang, Alfred Hitchcok – enquanto uma geração de jovens realizadores, vários dos quais oriundos da televisão, como Sidney Lumet e John Frankenheimer, começava a mostrar o seu talento. Foi também a década que assistiu à verdadeira universalização do cinema como forma de expressão artística, com obras de Ingmar Bergman, Federico Fellini, Andrzej Wajda, Louis Malle, Alain Resnais, Tony Richardson, Akira Kurosawa, Michelangelo Antonioni e tantos outros.
Esse fabuloso ano de 1959 assinalou o arranque de um dos mais originais movimentos de sempre do cinema – a Nouvelle Vague, com as longas-metragens seminais de François Truffaut (Os 400 Golpes) e Jean-Luc Godard (O Acossado). Depois delas nada ficaria como dantes. O olhar errante de Jean-Pierre Léaud na película de Truffaut permanecerá para sempre impresso na memória do espectador, tal como Jean-Paul Belmondo parodiando Bogart no filme de Godard, que reinventou a linguagem cinematográfica.
Foi também o ano do apogeu de todos os géneros. O thriller, com a inimitável Intriga Internacional, de Hitchcock. O western, com o assombroso Rio Bravo, de Howard Hawks. A comédia, com o genial Quanto Mais Quente Melhor, de Billy Wilder. O épico, com o monumental Ben-Hur, de William Wyler. O filme de guerra, com essa lapidar película que é A Balada do Soldado, do soviético Grigori Chukhrai. E até o musical, recriado com todo o prodígio melódico e rítmico de que só os brasileiros são capazes em Orfeu Negro, rodado pelo francês Marcel Camus nas favelas do Rio de Janeiro – o filme que revelou ao mundo o talento de Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes.
E houve ainda, nessa década, o mais feliz cruzamento de várias gerações de actores. Desde os que vinham quase dos primórdios do cinema, como Gary Cooper, Joan Crawford, John Wayne e Marlene Dietrich, até à primeira geração formada na escola do Método, que incluiu Marlon Brando e Paul Newman. Foi a década das figuras trágicas, como Marilyn Monroe,  James Dean e Montgomery Clift. E também de novas divas, verdadeiramente intemporais – Audrey Hepburn, Grace Kelly, Elizabeth Taylor. Foi ainda um tempo em que se provou ser possível o estrelato muito para além das fronteiras de Hollywood, com a projecção internacional de actores italianos como Marcello Mastroianni e Sophia Loren, japoneses como Toshiro Mifune, franceses como Jeanne Moreau e Gérard Philipe, suecos como Ingrid Thulin e Max von Sydow.
Uma década que começou bem e terminou ainda melhor. Quando a vida era inseparável do cinema e este era a melhor expressão da vida.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Olha o Magalhães fresquinho!

por Ana Vidal, em 28.12.09

 

Premissa 1: Como toda a gente sabe, trocar é um prazer igual ao de fazer compras, com a enorme vantagem de não se gastar dinheiro. E em tempos de crise...

 

Premissa 2: A avaliar pelo inferno em que se transformaram os centros comerciais nestes dias pós-Natal, nunca a época de trocas foi tão delirante.

 

Sendo assim, porque haveriam as crianças dos Açores de ser diferentes de toda a gente?

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Não há volta a dar-lhe...

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 28.12.09

Todos os anos , em plena época natalícia, a comunicação social faz questão em brindar-nos com notícias destas. Já era tempo de perceberem que nos estão a vender "gato por lebre", porque as contas que fazem não são verdadeiras e só enganam alguns incautos.

Este ano, porém, introduziram um dado novo. Falam-nos de pontes, como se de verdadeiros feriados se tratassem, e fazem coro com estes propagandistas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Um país de tanga

por José Gomes André, em 28.12.09

O que está a dar são debates sobre o casamento homossexual, ameaças veladas pelos abrantes do costume e sentidos apelos a mais uma vigília por um activista qualquer. Entretanto, Daniel Bessa publicou esta breve peça

 

"Dez mil milhões de euros/ano. É quanto, entre aumento de receitas e diminuição de despesas, o Estado Português tem de reduzir o seu défice anual. Não para o anular mas para o trazer para os 3% do PIB. [...] Pode fazê-lo de vários modos: subir a taxa máxima do IVA para 35% (e as outras proporcionalmente); subir a taxa máxima de IRS para 87% (e as outras proporcionalmente); reduzir em 47% os salários da função pública; privatizar 35% dos serviços públicos. Pode também proceder a qualquer combinação destas e de outras medidas, em doses variáveis: por exemplo, reduzir para metade o investimento público, fixar a taxa máxima de IVA em 23%, fixar a taxa máxima de IRS em 52%, privatizar ou encerrar 7,5% dos serviços, reduzir em 10% os salários dos restantes funcionários públicos."

 

Num país que não tivesse as suas prioridades completamente baralhadas, este texto assustador justificaria um alarme generalizado. Por cá, no pasa nada.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 28.12.09

 

"Aqui há dias sucedeu-me em Coimbra B: ia cheia de pressa trocar um bilhete comprado via internet e ia stressando quando vi uma fila descomunal na bilheteira. Meti-me nela a espumar e enquanto olhava para os dísticos (sempre a mudar), vejo noutro guichet um tranquilo funcionário a apanhar moscas. "Alfa, IC", rezava a tabuleta. Li uma vez, duas, três, duvidando se era eu a maluquinha do sítio, ou antes todos os outros. Mas como para grandes males, grandes remédios, saí temerariamente da fila e plantei-me à frente do ocioso, disparando o pedido à espera do pior (uma daquelas respostas abstrusas que podem acontecer em Portugal, tipo "pois, mas falta o amanhã no dístico. Sim, é alfa- intercidades, mas só para o dia seguinte. Hoje é ali naquela fila..." Mas qual quê, receios infundados. Era ali, sim, dizia candidamente o homem. Também podia trocar, sim senhora.
E pronto! Troca feita em três tempos, e eu a sair diligente porta fora, sentindo dois ou três olhares inquietos cravados nas minhas costas.
Tipicamente portuguesa, esta atracção fatal pelo sofrimento."

 

Da nossa leitora Chloé. A propósito deste meu texto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Incoerências por incoerências

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 28.12.09

Há dias, dizia-me uma amiga que se o casamento entre pessoas do mesmo sexo fosse aprovado, teria de ir a um casamento não tarda muito. E que, provavelmente, até teria de ser madrinha. Não sei se da noiva, se do noivo, se. Encolhi os ombros - já estou por tudo. Pedi-lhe, apenas, que não se lembrasse de me convidar para a acompanhar no eventual evento. Do mesmo modo que já garanti que, como advogado, recusaria patrocinar qualquer parte num divórcio homossexual, também não me sinto preparado para entrar numa festa dessas. Tal como o Papa, acho que o casamento que é casamento, é entre pessoas de sexos diferentes. Tudo isto não invalida que respeite a orientação sexual de quem quer que seja. Ou que ostracize os homossexuais, desde que não sejam daqueles que, virilmente, impõem o seu incomodativo «orgulho». Ou que não respeitem a minha diferença.

Tenho visto, curiosamente, que os mais acérrimos defensores do casamento entre pessoas do mesmo sexo são aqueles que mais estremecem quando se lhes pergunta: «Como reagiria se o seu filho chegasse a casa e lhe apresentasse o namorado?».

Pois bem. Incoerência por incoerência, o único casamento homossexual em que admitiria participar seria o de um filho meu. Ou de um amigo muito próximo. Não iria muito feliz. Mas iria compassivo. E talvez até conseguisse esboçar um sorriso. Quanto ao mais, que o diabo seja cego, surdo e mudo. E paralítico.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ligação directa

por Pedro Correia, em 28.12.09

Ao Blogs sobre SIC Notícias.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Livros

por Ana Sofia Couto, em 27.12.09

 

The Scarlet Letter, pintura de T. H. Matteson

 

No prefácio que escreveu para a sua tradução de The Scarlet Letter, romance de Nathaniel Hawthorne publicado em 1850, Fernando Pessoa cita vários críticos e conclui que, para a generalidade da opinião crítica inglesa, o romance é uma obra-prima. Não sabemos se Pessoa estaria de acordo com esta opinião geral; como nota George Monteiro na introdução ao texto traduzido pelo autor de Mensagem, «é possível especular sobre o fascínio que o romance deve ter exercido sobre o poeta» (Dom Quixote, 2009, Biblioteca António Lobo Antunes, p. XV).
O texto que li, A Letra Encarnada, é uma tradução – a de Fernando Pessoa –, mas as considerações filosóficas e as analogias, que singularizam a prosa genial de Hawthorne, escapam à traição do tradutor, e mostram um autor empenhado em criar «qualquer coisa de novo em literatura» (p. 35). O «novo em literatura» significará a capacidade de contar uma história a partir da qual possamos aperfeiçoar as nossas teorias sobre a natureza humana («Escolha o leitor entre estas teorias a que lhe parecer melhor», p. 270). E o que diz acerca da ‘natureza humana’ a história de Hester Prynne, a mulher que, no meio de uma comunidade onde reinava a «tristeza puritana» (p. 241), usava um sinal – uma letra encarnada – como marca da ignomínia? Optando por uma «teoria», seria possível incluir na resposta a palavra “sinceridade”. De facto, a ‘loucura’ do padre Arthur Dimmesdale tem a ver com a incapacidade de viver na verdade, com as consequências que essa vida implica. É neste sentido que o discurso de autocrítica proferido a meio de um sermão tem um significado que os ouvintes nunca poderão entender (o padre «tinha falado verdade, transformando-a em mentira», p. 148). Por outro lado, a contrastar com um modo de vida em que o segredo e a lei moral governam as relações humanas, ganha relevo a alegria de Pearl, a ‘criança com movimentos de ave’. Pearl, na sua pureza infantil, tem uma percepção mais nítida, mais próxima da verdade das coisas, e é isso que a torna tão especial no romance de Hawthorne.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Blogue da semana

por Teresa Ribeiro, em 27.12.09

No rescaldo de Copenhaga e do stress natalício parece-me apropriado convidá-los a passear por aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Heróis da BD (35)

por Pedro Correia, em 27.12.09

 

 

 

 

Jean Valhardi, de Jijé, Jean Doisy e Eddy Paape

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

O estado da Nação

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 27.12.09

Lida a imprensa do fim-de-semana, concluo: o supra-sumo Cavaco anda tão fraquinho, que até o fraquinho Sócrates é capaz de chegar para ele. E, por falar nisso, por onde anda a oposição? O PSD, por exemplo? (Cheguei ao ponto - fraquinho - de precisar de apenas três linhas para dizer o que penso sobre o estado da Nação). E, por falar nisso: como está a Nação?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ligação directa

por Pedro Correia, em 27.12.09

Ao Do Baixo ao Alto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Causas para 2010.

por Luís M. Jorge, em 26.12.09

Temo que a consagração do casamento entre pessoas do mesmo sexo provoque uma sensação de orfandade aos meus leitores da esquerda moderna. Agora que o Rubem e o Martim podem juntar os trapinhos, haverá nesse roupeiro cheio de Versaces, Cavallis e Gallianos alguma coisa por que ainda valha a pena lutar? Será a blogosfera de Sócrates forçada a deter-se em temas áridos, como o desemprego, a corrupção ou o défice? Numa palavra: nunca.

 

O mundo continua repleto de apelos galantes, que bramam pelo activismo das senhoras preparadas para cometerem o singular pecado de pensar. Inspirado pelos bons sentimentos desta quadra festiva, apresento-vos o meu conjunto de ideias para 2010.

 

Janeiro: legalização da eutanásia, adopção gay e casamento transgender, corte de relações diplomáticas com o Vaticano, referendo contra a Fox News, proibição dos rodeos e criação de cinco regiões administrativas. A parte das regiões é chata, mas trata-se de um dever patriótico. Em alternativa: acabar com o patriotismo.

 

Fevereiro: educação sexual no primeiro ciclo, com distribuição gratuita de preservativos, lubrificantes, masturbadores, coleiras, anéis vibratórios, lingerie comestível, algemas, correntes para mamilos, arneses e godemichets. As nossas crianças têm direito a uma sexualidade plena, vivida em profundo respeito pelas diferenças. Lançamento do Projecto Vasco da Gama, que levará às escolas o primeiro dildo totalmente fabricado em Portugal.

 

Em Fevereiro, nas mochilinhas deles.

 

 

 

Março: o Grande Festival da Primavera celebrará o naturismo, o vegetarianismo e o swinging num vasto conjunto de eventos que animarão a última semana do mês. Os titulares de cargos políticos, as magistraturas judiciais e os funcionários públicos serão encorajados a despir preconceitos e a estreitarem laços com colegas de ambos os sexos. Também os utentes poderão frequentar as instituições do Estado em pelota, tal como deus (um deus metafórico e tolerante) os trouxe ao mundo.

 

Abril: em Abril lutaremos por uma imprensa verdadeiramente livre, capaz de romper a canga infame do neoliberalismo. Será tempo de exigirmos que se reconheçam os esforços de uma esquerda actuante, progressista, e de denunciarmos quem se serve ilegitimamente da sua liberdade para promover campanhas de ataques pessoais, calúnias torpes e insinuações vis. A Fogueira das Vaidades, que brilhará no largo do Rato durante três dias, vai ser o ponto alto de uma iniciativa patrocinada pela PT, a que se associam desde já o Diário de Notícias, a TSF, a RTP e o Pedro Marques Lopes.

 

 

Brevemente no Correio da Manhã.

 

 

Maio: em Maio há eleições antecipadas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Espírito de Natal só mesmo no filme do Pingo Doce

por Teresa Ribeiro, em 26.12.09

Música no Coração? Do Céu Caiu uma Estrela? Muito Obrigado Mr Scrooge? Um Conto de Natal? Bambi? Nã... o que a TVI passou no serão do dia 24, em horário nobre foi o...Transformers. No dia seguinte, desta vez na SIC e também ao serão, quem quis pôde assistir ao Homem Aranha parte 3.

É certo que a Mary Poppins também constou da programação de Natal da televisão, mas passou entre a 1h e as 3h da madrugada, hora imprópria para comer pipocas em família, muito menos azevias ou broas castelares.

O Sozinho em Casa parece que também passou, mas não conta porque de tão repetido já não é um filme, é um espasmo sazonal que já ninguém consegue voltar a ver.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ligação directa

por Pedro Correia, em 26.12.09

AO Templário.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Dia de Natal

por Teresa Ribeiro, em 25.12.09

Não era homem de rotinas, mas gostava de rituais, porque davam à sua vida um sentido que na maior parte das vezes lhe escapava.

- Já estou pronta!

Antes de ela falar, já lhe tinha chegado do quarto o perfume que anunciava a iminência destas mesmas palavras. Se havia momentos em que essa previsibilidade o irritava, em dias como este enchia-o de ternura.

Dia de Natal. De manhã a missa, à tarde a reunião familiar, em casa dos pais, como sempre.

- Vamos?

Sorriu-lhe, sinceramente embevecido. É possível amar as pessoas pela capacidade que têm de suportar a dor que lhes infligimos? Claro que sim.

Há muito que não se confessava. Fê-lo pela última vez no dia do seu casamento, para poder comungar, e preferia continuar assim, com as suas culpas. Um assunto que só lhes dizia respeito. A ele e a ela, que as suportava com uma abnegação adorável.

- Vamos, querida.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O essencial é isto (II)

por Ana Sofia Couto, em 25.12.09

É verdade: o essencial sobre o Natal está no texto que o Pedro colocou aqui. Para além disso, com ou sem prendas (como propõe o Alberto Gonçalves na crónica que escreve na Sábado), o importante, para mim, continua a ser reunir a família que temos, aquela que marcou a nossa história de vida. É o que tenho feito. E entre o bacalhau e aquelas iguarias que não fazem bem mas sabem muito bem, nada melhor do que um poema recitado pelo meu avô, que continua a ser 'o poeta da aldeia'. Espero que isto continue, e aproveito para desejar um excelente Natal aos meus colegas de delito e a todos os leitores que por aqui passam.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

O essencial é isto

por Pedro Correia, em 25.12.09

"José, deixando a cidade de Nazaré, na Galileia, subiu até à Judeia, a cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e linhagem de David, a fim de recensear-se com Maria, sua mulher, que se encontrava grávida. E quando eles ali se encontravam, completaram-se os dias de ela dar à luz e teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoira, por não haver para eles lugar na hospedaria."
São Lucas, 2: 4-7

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Jingle Bells (16)

por Leonor Barros, em 25.12.09

 

 Poema de Natal

 

Para isso fomos feitos:

Para lembrar e ser lembrados

Para chorar e fazer chorar

Para enterrar os nossos mortos -

Por isso temos braços longos para os adeuses

Mãos para colher o que foi dado

Dedos para cavar a terra.

 

Assim será nossa vida:

Uma tarde sempre a esquecer

Uma estrela a se apagar na treva

Um caminho entre dois túmulos -

Por isso precisamos velar

Falar baixo, pisar leve, ver

A noite dormir em silêncio.

 

Não há muito o que dizer:

Uma canção sobre um berço

Um verso, talvez de amor

Uma prece por quem se vai -

Mas que essa hora não esqueça

E por ela os nossos corações

Se deixem, graves e simples.

 

Pois para isso fomos feitos:

Para a esperança no milagre

Para a participação da poesia

Para ver a face da morte -

De repente nunca mais esperaremos...

Hoje a noite é jovem; da morte, apenas

Nascemos, imensamente.

 

Vinicius de Moraes

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ligação directa

por Pedro Correia, em 25.12.09

Ao The Cat Scats

Autoria e outros dados (tags, etc)

Jingle Bells (15)

por Leonor Barros, em 24.12.09

 Praga

Autoria e outros dados (tags, etc)

Jingle Bells (14)

por Leonor Barros, em 24.12.09
Sonhos
 
E os sonhos de que são feitos? Penso nisso enquanto o dia se aconchega na noite e a tarja de mar prateado cintila lá longe pela janela da cozinha. Será Natal do outro lado do mar? Um tacho, claro, largo, como todos os tachos, preto e pesado, naturalmente. Um copo de leite, uma pitada de sal, uma colher bem cheia de manteiga. Manteiga, jamais margarina. Deixar ferver sob olhar vigilante. Os sonhos são caprichosos, qualquer desvio pode derrotá-los ainda meninos. Retirar do lume. Acrescentar a medida do leite em farinha. A tarja de mar desaparece-me no horizonte entretanto. Levar ao lume outra vez e envolver vigorosamente todos os ingredientes com uma colher de pau, enquanto o calor se encarrega de os ligar. Deitar para um recipiente largo e, quando começar a arrefecer, ir juntando ovos inteiros: um, dois, três, quatro, cinco, seis. Os ingredientes de que os sonhos são feitos devem abundar em quantidade e qualidade, é sabido. Escureceu de repente. Da janela da cozinha escuro apenas. Momento improvável para acalentar sonhos. Depois as mãos na massa, os sonhos que se querem sonhos querem-se batidos com o vigor da vida, amassados com as próprias mãos, já se sabe. Com perseverança, sem desistir, até chegarem ao ponto exacto, difícil de explicar na palidez do ecrã para que escrevo e na noite que ouço lá fora, silenciosa e soturna. Depois a fritura. Aquecer o óleo e ir deitando pequenas porções na fritadeira. O óleo nem muito quente nem muito frio, um dos segredos mais bem guardados. E eis que se avolumam e crescem. Os sonhos devem crescer, pois claro. Envolver com açúcar e uma quantidade muito generosa de canela. E assim são os sonhos, envolvidos com carinho, batidos com robustez e saboreados com a doçura do açúcar e o exotismo da canela. O aconchego possível para a noite imensa que se pôs lá fora.

 

 

publicado aqui num Natal passado

Autoria e outros dados (tags, etc)

Manifesto

por Teresa Ribeiro, em 24.12.09

O Natal é o que a minha gula quiser!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pág. 1/7





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D