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O Zé e as árvores que não buzinam

por Pedro Correia, em 30.11.09

  

 

Moro a dois passos da Praça de Alvalade, zona que tão maltratada tem sido pela Câmara Municipal de Lisboa. Mas nem eu, que já vi acontecer um pouco de tudo nesta cidade  e que praticamente deixei de acreditar em qualquer palavra de qualquer político, imaginava o que acaba de suceder: as laranjeiras que há quatro décadas ornamentavam a praça acabam de ser arrancadas por decisão do município. Primeiro desapareceram as da ala nascente, agora foram derrubadas as da ala poente. Deixou de haver laranjeiras na Praça de Alvalade. Eram um património vegetal inestimável da cidade de Lisboa, um autêntico ex libris do género na capital. E foram retiradas ainda carregadas de laranjas: bem as vi há dias, pouco antes do blitzkrieg determinado pelo vereador encarregado dos espaços verdes de Lisboa, José Sá Fernandes, com a ordem para o seu abate a pretexto do "arranjo" da praça. Quase em segredo, sem consulta de espécie alguma aos habitantes da freguesia. O "arranjo", na capital menos arborizada da Europa, é um eufemismo para aumentar o espaço empedrado no passeio - isto é, proporcionar mais uns quantos lugares de estacionamento ilegal à custa dos direitos do peão e do equilíbrio ecológico da cidade. Estando os cofres camarários sem um vintém, como António Costa não se cansa de repetir, percebe-se mal que ainda haja verba para gastar nestas operações cosméticas destinadas a substituir árvores por pedras. Tornando Lisboa uma cidade mais feia e mais inóspita.

Esta sanha contra os espaços verdes do vereador Sá Fernandes, que também acaba de autorizar o derrube de pelo menos 46 árvores no jardim do Príncipe Real, a pretexto de que estavam "doentes" (como se tantas árvores pudessem "adoecer" ao mesmo tempo, no mesmo local), esbarra com a tradicional apatia dos lisboetas: ninguém protesta, ninguém se indigna, ninguém se insurge.

Se fosse no Porto, onde o bairrismo é uma bandeira, bastaria a suspeita de que estaria em marcha uma operação lesa-ecologia como esta para Sá Fernandes encontrar pela frente uma acção de embargo, que lhe pudesse travar o passo. Ele sabe bem o que isso é, aliás: antes de fazer parte do poder camarário distinguiu-se como o maior embargador da capital. Não na defesa dos interesses da cidade, como agora se comprova, mas na defesa dos seus interesses políticos.

"Tanto que fazer e metem-se com as árvores. Deve ser por não buzinarem", como escrevia sabiamente a Maria Isabel Goulão n' O Carmo e a Trindade. Definitivamente, este Zé inimigo das árvores não fazia falta nenhuma a Lisboa.

 

Imagem: as laranjeiras que já não há, no blogue Amigos do Botânico.

 

ADENDA

Ler também:

- O arboricídio camarário floresce no Príncipe Real. De José do Carmo Francisco, na Aspirina B.

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A figura da semana (3)

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 30.11.09

António Guterres

A revista Forbes publicou, há semanas, uma lista das pessoas mais poderosas do mundo. Muitos terão ficado surpreendidos por António Guterres  ser  o único português  que consta dessa lista e de ela não incluir  o nome do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.
Se perguntássemos aos portugueses qual era o português mais poderoso do mundo,  Durão Barroso recolheria, certamente, o maior número dos votos e poucos se lembrariam de António Guterres, presidente de um organismo que a maioria dos portugueses desconhece: o Alto Comissariado das Nações Unidas  para os Refugiados (ACNUR).
A reacção de surpresa é bem reveladora da forma distorcida como vemos o mundo, incapazes de olhar  para além do nosso umbigo. A comunicação social portuguesa padece do mesmo mal. Raras vezes fala do ACNUR e da sua importância. Provavelmente, porque também não  se preocupa muito com o trabalho desenvolvido pelo ACNUR
Goste-se ou não de Guterres, a sua escolha para figura da semana parece-me justa.  Tal como o cromo da semana, que podem ver aqui.

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Portugal: por estes rios acima (30)

por Pedro Correia, em 30.11.09

 

 

 

 

RIO ZÊZERE

 

Nascente: Serra da Estrela, junto ao Cântaro Magro

Foz: Rio Tejo, em Constância

Afluentes: Rios Alge, Cabril, Nabão

Extensão: cerca de 240km

 

"Era uma pobre, trémula fita de água, ora muito estreita, ora mais larguita, às vezes quase invisível, que se lançava lá do alto por um sulco ou diáclese da rocha negra, aberta para lhe dar melhor caminho."

Ferreira de Castro, A Lã e a Neve 

 

ADENDA: Esta série chega hoje ao fim: conforme prometido, era para durar todo o mês de Novembro. Mas a pedido de vários leitores seguir-se-ão outros rios numa série complementar. Já a partir de amanhã. Até 20 de Dezembro.

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Pratos do dia (17)

por Paulo Gorjão, em 30.11.09

Charles Ebbets, Lunch Atop a Skycraper, c.1932.

 

1. Citação

"A vote is like a rifle; its usefulness depends upon the character of the user", Theodore Roosevelt.

2. Uma posta

"A difícil equação de Sócrates", por Vítor Matos (Elevador da Bica, 30.11.2009). Não me parece provável, mas...

3. Em 140 caracteres

"Gosto de ver mais uma vez Pacheco com Preto e Mme. Lopes da Costa", por António Nogueira Leite.

4. Notícias da onda em tempos de maré vazia...

Aqui.

5. Are you sure?

"Goleada no Parlamento", por João Cândido da Silva (JNeg., 30.11.2009). Já o disse aqui, por outras palavras, e volto a dizer: julgo que se estão a fazer leituras apressadas e erradas do que aconteceu no Parlamento na sexta-feira. A votação coordenada do arco que vai do BE ao CDS, pura e simplesmente, não é sustentável no tempo. Se fosse significaria que não havia divergências entre si e o feitiço acabaria por se virar contra o feiticeiro. O que se passou foi uma mera manobra de dissuasão. Um alerta severo ao Governo. Aliás, parte importante dos diplomas aprovados na generalidade não passará na especialidade. Em suma, a goleada será bem menor do que se está a apregoar.

6. Jogo de sombras

Balanço actual, com a (des)informação que é pública: nenhuma das partes fica bem na fotografia. Muito jogo político por debaixo da mesa.

7. 100 Notable Books of the Year

Aqui.

 

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2017

por Luís M. Jorge, em 30.11.09

O presidente da União Europeia lamentou o impasse do encontro de emergência de Potsdam, em que a Escandinávia, a Alemanha e a Grã-Bretanha exigiram que as economias do Leste e da Europa do Sul fossem excluídas da moeda única. Este momento de incerteza na vida das instituições europeias foi recebido com indiferença em Portugal, a braços com o rescaldo das legislativas.

 

Numa entrevista ao Diário de Notícias, Pedro Passos Coelho comprometeu-se a reforçar a cooperação estratégica entre o seu partido e o Governo de José Sócrates, invocando os inúmeros sucessos da última legislatura.  Fontes anónimas garantiram-nos que o social-democrata Ângelo Correia será o novo presidente do Conselho de Administração da EDP, enquanto Miguel Relvas ocupará funções idênticas na REN.

Os dados recentes sobre o agravamento do défice das contas públicas e do saldo negativo da balança de transacções correntes, bem como a confirmação do crescimento da taxa de desemprego para 18,3 por cento não desencorajam o primeiro-ministro,  que se mostra determinado e confiante no rumo que traçou para o país. Atribuindo os maus resultados pontuais à persistência da crise internacional, José Sócrates recordou que está previsto um crescimento de 0.2 por cento do PIB em 2018, uma consequência evidente das iniciativas encetadas pelo Governo.

É verdade que há sinais de vitalidade na economia portuguesa. O presidente da Sonae, Armando Vara, anunciou a edificação do maior centro comercial da Península Ibérica, que servirá as populações de Vinhais, da Sobreira de Baixo e do Parque Natural de Montesinhos. Também o governador do Banco de Portugal, José Lello, declarou ontem a sua confiança no efeito multiplicador dos novos investimentos públicos, como a construção do aeroporto internacional de Castelo Branco, outorgada à Mota-Engil.

A reforma da justiça continua a obter resultados. Esta semana a polícia judiciária efectuou buscas nas residências de quatro juízes desembargadores e de seis magistrados do Ministério Público, em conformidade com o mandato do senhor presidente do Supremo Tribunal de Justiça — o meritíssimo Lopes da Mota. O ministro dos assuntos parlamentares, João Galamba, congratulou-se com mais uma vitória do Estado de Direito contra a insídia da espionagem política.  Os quinze jornalistas recentemente acusados de calúnia e ofensa agravada ao bom nome do primeiro-ministro foram condenados em processo sumário a penas que variam entre os 14 e os 24 anos de prisão efectiva.

Hoje a Assembleia da República votará mais um orçamento redistributivo e a proibição de símbolos católicos em lugares de culto — uma medida há muito exigida pelos blogs da maioria. Para a próxima semana está agendada a discussão da proposta de lei que visa uniformizar os títulos das bibliotecas universitárias, sujeitando as novas aquisições à aprovação prévia de uma entidade reguladora.

O primeiro-ministro afirmou que a proposta segue as melhores práticas em vigor nos países desenvolvidos, acusando os profetas da desgraça e os bota-abaixistas que persistem em obstaculizar os esforços reformadores do seu governo. Não terão sucesso, concluiu. Portugal está no bom caminho.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 30.11.09

 

"1. A mim arrepia-me a ideia de que uma confissão possa de alguma forma servir para condenar alguém. Porque essa era a prática em estados ditatoriais como a União Soviética: obtinha-se a confissão sob tortura, e ala para o Gulag com o infeliz. As confissões, a não ser as depostas em tribunal - e mesmo essas! - podem ser obtidas por meios duvidosos. Condenar uma pessoa com base na sua confissão do crime é abrir a porta à utilização desses meios duvidosos.
2. A filosofia garantística não permite ilibar toda a gente - permite ilibar os ricos, que são aqueles que têm dinheiro para pagar aos advogados. É precisamente esse o atrativo da filosofia garantística - permite fazer uma justiça de classe. Sem dúvida que tal é muito popular no Brasil, e cá em Portugal também, pelos mesmos motivos."

 

Do nosso leitor Luís Lavoura. A propósito deste texto meu.

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 30.11.09

Ao Coisas de Tia.

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Blogue da semana

por Jorge Assunção, em 29.11.09

Na blogosfera económica, nenhuma universidade está tão presente como a George Mason. Não é de admirar, uma vez que, quer a blogosfera, quer a George Mason, partilham parte do código genético: a abertura à comunidade exterior, a necessidade de estabelecer um circuito aberto para troca de ideias. O tempo ‘perdido’ pelos seus professores a comunicar com o exterior, mais do que compensou. Entre outras coisas, promoveu a ascensão da universidade nos rankings de reconhecimento e nas preferências dos alunos. Talvez a academia portuguesa pudesse aprender alguma coisa com o exemplo, mas duvido.

 

A originalidade na forma de comunicar e pensar a economia - marca da George Mason e que deu origem ao termo masonomics - pode ser encontrada naquela que é a minha escolha para blogue da semana: o Econlog. Neste, Arnold Kling, Bryan Caplan e David Henderson, abordam os fenómenos económicos com aquele toque de liberalismo tão ausente do panorama lusitano.

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Passado presente (CXCIV)

por Pedro Correia, em 29.11.09

 

Alf, o Extraterrestre

(série da NBC norte-americana, 1986-1990)

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As senhoras primeiro

por João Carvalho, em 29.11.09

A peixeirada-do-mal é uma nódoa que cai aos fins-de-semana num canal de informação – a SIC-Notícias. O moderador não modera e os opinadores não opinam. Ou opinam, mas ninguém os ouve: atropelam-se todos à molhada, cada qual a levantar mais a voz do que os restantes, e a peixeirada instala-se invariavelmente. Não é um grande mal, porque o pouco que se percebe é um chorrilho de lugares-comuns que não-aquenta-nem-arrefenta.

Pela devida ordem, a senhora vai à frente. Seguem-se dois inócuos. Por fim, o lugar mais honroso é o do Daniel Oliveira. Raramente concordo com ele, mas reconheço que se destaca pela seriedade e coerência. Já lhe dirigi umas gracinhas no passado, mas deve ser por isso mesmo que gastei algum tempo. E até lhe dirijo outra: aquela peixeirada não é séria, Daniel.

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Portugal: por estes rios acima (29)

por Pedro Correia, em 29.11.09

  

 

 

 

RIO VOUGA

 

Nascente: Serra da Lapa, freguesia de Quintela, concelho de Sernancelhe

Foz: Ria de Aveiro

Afluentes: Rios Sul, Caima, Ul, Águeda, Marnel, Teixeira

Extensão: cerca de 140km

 

"Todas as águas do Vouga, do Águeda e dos veios que nestes sítios correm para o mar encharcam as terras baixas, retidas pelas dunas de 40 quilómetros de comprido, formando uma série de poços, de canais e de lagos de uma vasta bacia de água salgada."

Raul Brandão

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Pratos do dia (16)

por Paulo Gorjão, em 29.11.09

Charles Ebbets, Break Time, Rockeffeler Center, 1932.

 

1. Citação

"If you don't know where you are going, any road will get you there", Lewis Carroll.

2. Referendo: minaretes

A Suíça acaba de aprovar a interdição de construção de minaretes. Nada a dizer sobre a legitimidade da decisão. A medida foi aprovada através de referendo e o voto foi exercido livremente. Coisa distinta é saber se foi justa. Não foi, na minha opinião. O resultado do referendo revela medo, intolerância, ou mesmo xenofobia. Um velho e longo debate.

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Os gurus devem estar loucos

por João Carvalho, em 29.11.09

Ainda no início de Outubro passado, os celebrados gurus do mercado automóvel norte-americano colocavam o Smart ForTwo na posição de topo dos piores carros da década. De repente, no mesmo mercado e neste final de Novembro, o simpático Smart é apontado como o quinto automóvel mais popular do ano, à frente de muitos veículos fabricados nos EUA.

Por estas e por outras é que hei-de continuar a dar imenso valor ao que os norte-americanos pensam (pensam?). É de loucos.

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Só um deles?

por João Carvalho, em 29.11.09

«(...) mas nem todos estarão presentes, como Hugo Chávez, Evo Morales ou Raúl Castro (...)»

(Vários, repetidamente, na SIC-Notícias)

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Heróis da BD (31)

por Pedro Correia, em 29.11.09

 

 

 

 

Recruta Zero, de Mort Walker

 

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Ler

por Pedro Correia, em 29.11.09

O Tratado que era a solução. Do Filipe Tourais, n' O País do Burro.

O crepúsculo dos ídolos. Do Miguel Morgado, n' O Cachimbo de Magritte.

Para os tempos de crise - I, II, III, IV. Do Francisco José Viegas, n' A Origem das Espécies.

No Estado português nem os maus hábitos nem os cargos se perdem. Da Helena Matos, no Blasfémias.

Robalos na vara. Do João Tunes, na Água Lisa.

Marilyn tranquila. Do Rui Bebiano, n' A Terceira Noite.

A gripe (I). Do João Campos, no Jardim de Micróbios.

A vertigem. Do Nuno Ramos de Almeida, no 5 Dias.

A minha aventura na Assembleia Municipal. De Manuel Falcão, n' A Esquina do Rio.

A vida em 91 páginas. Do António Luís, na Latitude 40.

O feicebuque da minha vida (6). Do João Severino, no Jornal do Pau.

Acerca do voto de agradecimento a Edmundo Ho. De Pedro Coimbra, no Devaneios a Oriente.

 

(em actualização)

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 29.11.09

Ao Paraíso do Gelado.

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'Artitectura': os mal-amados (10)

por João Carvalho, em 28.11.09

Alvalade XXI,

Lisboa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Alvalade XXI é um complexo em torno do Estádio José Alvalade, do Sporting Clube de Portugal (SCP), que inclui ainda o Edifício Visconde de Alvalade (sede do clube), um centro comercial, um pavilhão desportivo, uma clínica e outros serviços. Foi projectado por Tomás Taveira e custou cerca de 154 milhões de euros, dos quais o estádio custou quase 105 milhões.

O arquitecto ficou conhecido por diferentes polémicas: as polémicas Torres das Amoreiras, o polémico Edifício Arco-Íris, dois outros polémicos estádios de futebol em Portugal, o polémico projecto para um estádio do Palmeiras em São Paulo (Brasil) e um polémico filme pornográfico amador rodado no seu escritório das Amoreiras e que uma revista promoveu a escândalo sexual nacional.

Alguém menos avisado que se aproxime da obra poderá achar estranho que a Selecção do Brasil tenha um estádio e, mais ainda, que esse estádio seja em Lisboa. São as cores do SCP, é certo, mas a aplicação de verde e amarelo é excessiva.

Tem de reconhecer-se que, se assumido o lado artístico da criatividade, um arquitecto é sempre polémico nos projectos (e nos filmes caseiros) que faz. O problema é quando se trata de um clube e muitos adeptos também torcem o nariz.

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Já percebo

por Pedro Correia, em 28.11.09

Já percebo por que motivo há tanta gente preocupada com as fugas ao 'segredo de justiça' em Portugal.

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'Artitectura': os mal-amados (9)

por João Carvalho, em 28.11.09

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

The Obelisk,

em Puerto Maldonado

(Peru)

The Obelisk é um monumento com a altura de um prédio de cinco andares na City Plaza de Puerto Maldonado – um monumento de autoria anónima numa cidade pouco mais do que anónima, cuja única atracção é ser a terra mais importante do distrito de Madre de Dios e eventual ponto de partida para conhecer a Amazónia peruana em que se insere.

O topo do monumento permite observar toda a cidade – uma terra praticamente parada – e, sobretudo, para lá dela, espalhar a vista sobre a selva. O problema é que a subida lá ao alto tem de fazer-se com grande parcimónia, porque o espaço é pouco.

Cá em baixo, a base do obelisco é redonda e apoia uma coluna quadrangular com pretensões futuristas que termina no dito observatório exíguo e que mais parece um fungo dos trópicos nascido sem ser convidado.

Numa região em que faria sentido encontrar uma ruína dos incas, esbarrar com um conjunto piroso em que a base de apoio hostiliza a torre e o cabeção que lhe pesam é absurdo. Resta a tal vista, que não é de cortar a respiração a partir daquela altura modesta de cinco andares.

O protesto de quem abomina a obra nunca se fará ouvir longe, mas uma coisa é certa: além de ser um caso menor e de mau gosto como tantas outras, não passa de mais uma auto-celebração das vistas em redor que se plantam por todo o mundo. Podia ser mais alta e mais sóbria, simultaneamente, e deve ser por isso que custa tanto encontrar uma imagem decente deste hino aos fungos, por muito que se procure.

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Portugal: por estes rios acima (28)

por Pedro Correia, em 28.11.09

  

  

 

 

RIO TUELA

 

Nascente: Parque Natural do Lago de Sanábria, Serra Secundera (Castela e Leão, Espanha)

Foz: Rio Tua, que forma ao juntar-se ao Rio Rabaçal, perto de Mirandela

Afluente: Rio Baceiro

Extensão: cerca de 100km

 

"O melhor deste dia será a passagem do Rio Tuela. Da ponte não tem o viajante memória, nem sequer do rio, talvez, e só, o espumejar da água entre as pedras, mas isto é o que tem para oferecer qualquer rio ou ribeira destes sítios. Aquilo que ao viajante não esquecerá enquanto viver é a sufocante beleza do vale neste lugar, nesta hora, nesta luz, neste dia."

José Saramago, Viagem a Portugal

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Pratos do dia (15)

por Paulo Gorjão, em 28.11.09

 

1. Citação

"When you’re in a hole, stop digging".

2. Learning the hard way

De pouco adianta ao Governo a pose de vítima na reacção aos (des)equilíbrios de poder no Parlamento. Estamos ainda numa fase em que as partes medem forças numa dinâmica que tem algumas semelhanças ao chicken game. A seu tempo emergirá um ponto de equilíbrio. Instável, claro. Mas por agora o contexto ainda não é propício à ruptura total.

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Leituras

por Pedro Correia, em 28.11.09

 

"As mulheres têm bom coração e má memória."

Mario Vargas Llosa, Conversa n' A Catedral

(D. Quixote, 3ª edição, 2009)

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Eu adio, tu adias, ele adia

por Teresa Ribeiro, em 28.11.09

 ... nós adiamos casamentos, divórcios, filhos, férias, exames médicos, idas ao cabeleireiro, compras de sapatos, de livros, de apartamentos, de carros, passeios, mestrados, idas ao ginásio, obras na casa.

Enquanto eles adiam mais uma subida inevitável dos impostos.

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Passado presente (CXCIII)

por Pedro Correia, em 28.11.09

 

Quem Sai aos Seus / Family Ties

(série norte-americana da NBC, 1982-89)

 

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 28.11.09

Ao E Pluribus Unum.

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Ou serão antes bienais?

por João Carvalho, em 27.11.09

«Esta, por acaso, realiza-se todos os anos. Normalmente, as cimeiras até são bianuais... realizam-se de dois em dois anos.»

(Luís Amado, no Expresso da Meia-Noite, SIC-Notícias)

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'Fortil' vende-se nas farmácias?

por João Carvalho, em 27.11.09

«Nós queremos a nossa equipa fortilizada.»

(Carlos Carvalhal aos repórteres)

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Portugal: por estes rios acima (27)

por Pedro Correia, em 27.11.09

 

 

 

RIO TUA

 

Nascente: A norte de Mirandela, por junção dos rios Tuela e Rabaçal

Foz: Rio Douro, na aldeia de Foz Tua, concelho de Carrazeda de Ansiães

Extensão: cerca de 57km

 

"Encosta abaixo medra o carvalho negral, o castanheiro, a oliveira e o sobreiro; e sazonam em frutos incomparáveis as laranjas do Tua, as vinhas do Roncão, as cerejeiras de Penajóia e as amendoeiras de Freixo de Espada à Cinta."

Jaime Cortesão, Portugal - A Terra e o Homem

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Pratos do dia (14)

por Paulo Gorjão, em 27.11.09

 

1. Citação

"The leader must aim high, see big, judge wisely, thus setting himself apart from the ordinary people who debate in narrow confines", Charles de Gaulle.

2. Debate de ideias e abrangência

Enquanto alguns persistem na tentativa de fabrico de candidaturas de facção -- e ontem/hoje foi um dia de más notícias para os engenheiros de ondas --, Pedro Passos Coelho vai fazendo o seu caminho, trabalhando no sentido de criar condições objectivas para o debate de ideias e propostas. De forma complementar, Pedro Passos Coelho dá sinais com actos e não com meras declarações retóricas que concreta e objectivamente criam condições para a unidade e a abrangência interna no PSD. Não há outra forma de entender o convite que foi feito a Paula Teixeira da Cruz, que anteriormente apoiou a candidatura de Manuela Ferreira Leite e antes disso integrou as direcções de Luís Marques Mendes (como vice-presidente da CPN) e de Marcelo Rebelo de Sousa (salvo erro como vogal da CPN).

Paula Teixeira da Cruz é um trunfo de peso também pelo facto de representar uma sensibilidade programática do PSD diferente da de Pedro Passos Coelho, ela que é nítida e claramente social-democrata e não liberal. Haveria melhor resposta para quem acusa Pedro Passos Coelho de se ter rendido a uma suposta deriva neoliberal?

Não sei se Paula Teixeira da Cruz tem o perfil certo para a função. O que sei é que a escolha de Paula Teixeira da Cruz revela que Pedro Passos Coelho está já a pensar mais longe do que as directas e sobre aquilo que realmente interessa: programa e propostas.

3. Política internacional

"U.S. Gears Back Criticism of Two Russia-Backed Pipelines", por Guy Chazan (WSJ, 27.11.2009).

4. Um livro

Edward Luttwak, The Grand Strategy of the Byzantine Empire

 

 

5. Dream Team

Ide ler a crónica de Pedro Santana Lopes no Sol, ide...

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Pacheco Pereira e o seu sósia

por Pedro Correia, em 27.11.09

  

 

José Pacheco Pereira escreveu inúmeras páginas contra a tentação tão portuguesa de denegrir a função política e que cede às mais básicas pulsões populistas, tendo servido de fermento à ditadura. José Pacheco Pereira escreveu inúmeras páginas sobre a necessidade de introduzirmos racionalidade no debate político português, evitando as infiltrações extremistas susceptíveis de corroer o nobre mas frágil edifício institucional da democracia.

Pensava ontem à noite nisto enquanto concluía que não podia ser o mesmo Pacheco Pereira aquele que se desgrenhava no ecrã à minha frente, atirando argumentos cheios de carga emocional e populista para a fogueira da discussão na Quadratura do Círculo. Fogueira que praticamente só ele alimenta, na permanente tentativa de falar em cima dos restantes intervenientes, procurando a todo o passo travar-lhes o raciocínio. É um Pacheco Pereira que parece sempre à beira do delito passional, agarrado a duas ou três teses férreas das quais não se demove um milímetro em função dos argumentos alheios, o que no fundo inviabiliza qualquer debate. Lobo Xavier, nas raras vezes em que o companheiro de mesa lhe permite falar, é muito mais hábil na defesa dos pontos de vista que interessam ao PSD para se firmar como eficaz partido de oposição. António Costa mal consegue juntar duas frases sem ser de imediato atropelado pela torrente verbal de Pacheco, ao melhor estilo das reuniões gerais de alunos de há várias décadas. Carlos Andrade parece todo o tempo investido da ingrata missão de procurar reduzir o ruído que este irreconhecível Pacheco Pereira provoca em estúdio, olhando nervosamente para o cronómetro, com a angústia do guarda-redes antes do penalti.

O "debate", nesta Quadratura, é nulo: tudo se esgota no incessante martelar das teclas de Pacheco, cada vez mais prisioneiro das suas obsessões, cada vez mais transfigurado pelo ódio cego a José Sócrates. E nestes instantes vou sentindo uma irreprimível nostalgia do Pacheco antigo, que nos mandava tomar as devidas precauções contra o frenesim populista, inimigo desbragado dos "políticos" e de todo o debate travado em moldes racionais. Nada a ver com esta penosa reencarnação do ilustre pensador, tão mal representado pelo seu sósia, que parece desdizer hoje tudo quanto o Pacheco original dizia outrora.

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A oeste nada de novo

por Teresa Ribeiro, em 27.11.09

É provável que quando Mary Quant inventou a mini saia os pais desta miúda ainda nem sequer tivessem nascido. Mas há coisas que não mudam.

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 27.11.09

 

Natalie Portman

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 27.11.09

A Casa Farnsworth.

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Estraga tudo em que mexe

por Pedro Correia, em 26.11.09

Paulo Pinto Albuquerque não podia ter escolhido pior semana para anunciar a candidatura a vice-presidente da Distrital de Lisboa do PSD, como braço direito do deputado Jorge Bacelar Gouveia. Pela simples razão de ter passado os últimos dias a esbracejar exaustivamente em nome do "interesse público" pela revelação do conteúdo das conversas telefónicas entre José Sócrates e Armando Vara, invocando para o efeito a qualidade de professor de Direito Penal enquanto garantia não pretender colher dividendos políticos do caso. E teve mesmo um grande palco para o efeito - o programa Prós & Contras, da última segunda-feira.

Fiquei agora sem saber ao certo quem se pronunciou naquele palco - se o ilustre professor universitário, insusceptível de pressões políticas, ou o aguerrido social-democrata que tudo fará para travar o passo a José Sócrates. Fiquei também com a certeza de que o PSD não acerta uma: continua a estragar tudo em que mexe.

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Praias de uma vida

por Ana Vidal, em 26.11.09

 

Tive a sorte de apanhar ontem a última sessão de um documentário auto-biográfico notável: Les Plages d'Agnès, da autoria da fotógrafa e cineasta francesa Agnès Varda.

 

A história de vida desta mulher extraordinária confunde-se com a própria história do cinema europeu do séc.XX e neste filme sobressaem os seus encontros com praticamente todos os grandes nomes do cinema contemporâneo, incluindo alguns do universo mágico de Hollywood. Com o pretexto de apresentar-nos as praias da sua vida, Agnès Varda partilha connosco, neste documentário intimista e sensível, um percurso que vale a pena conhecer. A todos os cinéfilos (e não só) recomendo que estejam atentos à versão DVD, que deve estar a aparecer em breve.

 

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A ópera bufa

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 26.11.09

Se isto for verdade, o país bateu no fundo.

O PR está a tentar lavar a face, ou a proteger o amigo que lhe fez um favor?

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Pratos do dia (13)

por Paulo Gorjão, em 26.11.09

 

1. Citação

"It's not over untill it's over".

2. As voltas que a vida dá...

Não deixa de ser interessante ver na apresentação da candidatura de Jorge Bacelar Gouveia -- alguém que não tem existência política própria sem o apoio de Pedro Santana Lopes -- nem mais nem menos do que José Pacheco Pereira, juntamente com Helena Lopes da Costa e António Preto. A vida está difícil e a sobrevivência política exige que se dê todas as piruetas que for necessário...

3. The World in 2010

A edição anual da Economist já está à venda em Portugal.

4. Al-Qaeda e Portugal

Ler "Fronteira portuguesa com Paquistão", por Diogo Noivo (DN, 26.11.2009).

5. Confiança

Totalmente de acordo com Pedro Passos Coelho: "É terrível para a credibilidade das instituições porem-se em causa as decisões do procurador-geral da República, do presidente do Supremo Tribunal de Justiça e discuti-las na praça pública. (...) Nenhuma instituição está isenta de críticas, de ser questionada e deve ser transparente. Outra coisa é colocarmo-nos no lugar do juiz e sindicarmos as suas decisões. No dia em que fizermos isso, deixamos de confiar na justiça. Isso é a última coisa de que precisamos".

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Portugal: por estes rios acima (26)

por Pedro Correia, em 26.11.09

 

 

 

 

RIO TEJO

 

Nascente: Serra de Albarracim (Aragão, Espanha)

Foz: Oceano Atlântico, em Lisboa

Afluentes em Portugal: Rios Erges, Ponsul, Ocreza, Zêzere, Almonda, Alviela, Jamor, Trancão, Sever, Sorraia

Extensão: cerca de 1000km

 

"Olho o Tejo e de tal arte / Que me esquece estar olhando, / E de súbito isto me bate / De encontro ao devaneando - / O que é ser-rio, e correr? / O que é está-lo eu a ver?"

Fernando Pessoa

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A hipocrisia também devia ser um pecado mortal

por Teresa Ribeiro, em 26.11.09

 

Como é que a mesma Igreja que tanto vigia e reprime a sexualidade pode ao mesmo tempo ser cúmplice destes crimes? Sempre me chocou esta santa e intolerável duplicidade.

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Cuidadinho com as opiniões

por Pedro Correia, em 26.11.09

 

O director de Informação da RTP, segundo leio no 24 Horas, acaba de emitir um documento interno que pretende impor normas aos jornalistas da estação pública sobre a utilização de blogues e redes sociais na Internet.

Passo a citar alguns excertos:

- "Nada do que fazemos no Twitter, Facebook ou Blogues (seja em posts originais ou em comentários a post de outrem) deve colocar em causa a imparcialidade que nos é devida e reconhecida enquanto jornalistas."

- "(...) Deverão deixar em branco a secção de perfil de Facebook ou outros equivalentes, sobre as preferências políticas dos utilizadores."

- "Ter particular atenção aos 'amigos' friends do Facebook e ponderar que também através deste dado, se pode inferir sobre a imparcialidade ou não de um jornalista sobre determinadas áreas."

- "Meditar sobre o facto de 140 caracteres de um twit poderem ser entendidos de forma mais deficiente (e geralmente é isso que acontece!) do que um texto de várias páginas, o que dificulta a exacta explicação daquilo que cada um pretende verdadeiramente dizer."

Sob uma linguagem aparentemente melíflua, o que está em causa neste conjunto de orientações assinadas por José Alberto Carvalho é uma restrição de um direito constitucional - o direito de opinião. Sendo inaceitável que os jornalistas se vejam impedidos de emitir opiniões políticas em páginas pessoais de que disponham na Internet, o facto de estas normas passarem a vigorar numa empresa pública de comunicação social constitui uma agravante. Gostaria de ver o Conselho de Redacção da RTP pronunciar-se sobre esta matéria. Infelizmente, como revela também o 24 Horas, a RTP está há seis meses sem Conselho de Redacção, o que é outro facto inaceitável.

Resta-me, portanto, aguardar uma posição da ERC, sempre tão vigilante noutras matérias. E, já agora, também dos deputados que integram a Comissão de Direitos, Liberdades e Garantias da Assembleia da República.

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Todos diferentes, todos iguais

por Teresa Ribeiro, em 26.11.09

Quando a idoneidade das instituições anda a ser posta em causa e se fala todos os dias na decadência do regime, a iniciativa de Jaime Gama em início de legislatura pareceu-me de evidente interesse táctico.

Mas os senhores que tanto têm debatido sobre a necessidade de enfrentar os interesses corporativos para que o país se torne governável, quando se sentem beliscados são os primeiros a reagir contra a mudança. Na hora da verdade as "forças de bloqueio" equivalem-se.

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Um salto para a escuridão

por Pedro Correia, em 26.11.09

 

No dia 31 de Janeiro de 1933, um jornal católico alemão resumiu tudo numa só frase: “Um salto para a escuridão.” Com este título – que o futuro demonstraria ser correctíssimo, em sentido real e metafórico – classificava a chegada ao poder, na véspera, de Adolf Hitler.
A frase infelizmente profética é recordada na monumental biografia de Hitler redigida pelo historiador britânico Ian Kershaw e agora editada em português numa versão condensada de 849 páginas. A versão original está distribuída em dois volumes – Hitler, 1889-1936: Hubris e Hitler, 1936-1945: Nemesis, inicialmente publicados em 1998 e 2000, com um total de mais de 1450 páginas, acrescidas de outras 450 só com notas e bibliografia. É “a biografia definitiva de Hitler”, como assinalou o Los Angeles Times, com razão.


O que mais impressiona, neste exame minucioso da tomada do poder por Hitler numa das nações culturalmente mais ricas da Europa, é o facto de ela ter ocorrido por vias estritamente legais, cumprindo as regras constitucionais estabelecidas na República de Weimar, implantada em 1919, logo após a Alemanha ter sido derrotada na I Guerra Mundial. No final da década de 20, Berlim transformara-se numa das cidades mais dinâmicas e cosmopolitas do Velho Continente, albergando uma multidão de intelectuais e artistas que serviam de exemplo ao restante mundo civilizado. Mas tinha também uma das mais ineptas castas de dirigentes políticos de que há memória. As pequenas ambições, os ódios disseminados, as intensas rivalidades pessoais e a falta de sentido de Estado cruzaram-se, à esquerda e à direita, para abrir caminho à tropa de choque nazi que se propunha regenerar a Alemanha das humilhações impostas pelos vencedores da guerra na conferência de paz de Versalhes.

Neste quadro, que favorecia a tolerância perante todos os extremismos, Hitler singrou com o seu bando de arruaceiros até o poder lhe ser oferecido de bandeja a 30 de Janeiro de 1933, quando o idoso presidente Hindenburg lhe formalizou o convite para formar governo. O Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães era então a força política mais representada num Parlamento profundamente dividido: obtivera 33,1% nas eleições de Novembro, quando os sociais-democratas conseguiram cerca de 20% e o Partido Comunista conquistou 16,9%. Os restantes votos foram partilhados por forças políticas do centro e da direita moderada, que viviam em permanente clima de contenda civil. “Foi a cegueira da direita conservadora (...) que entregou o poder de uma nação soberana, que albergava toda a agressão reprimida de um gigante ferido, nas mãos do perigoso líder de um bando de arruaceiros políticos”, assinala Kershaw.

 

O primeiro Governo de Hitler era de coligação. Os nazis só tinham duas pastas ministeriais: a do Interior, confiada a Wilhelm Frick, e a da Prússia a Hermann Göring – ambas decisivas por tutelarem as forças policiais. Mas nos Negócios Estrangeiros ficou Konstantin von Neurath, que transitara do Executivo anterior, e todas as pastas na área económica foram confiadas a políticos da direita conservadora tradicional, que tinha o seu líder, Von Papen, como vice-chanceler. Estavam convencidos de que conseguiriam “moderar” Hitler. Foi uma perigosa ilusão.

Pouco depois do meio-dia de 30 de Janeiro, Hitler e o seu gabinete da ‘direita nacionalista’ eram recebidos por Hindenburg, que lhes deu posse, limitando-se a proferir uma frase: “E agora, cavalheiros, em frente com Deus.” A Alemanha mergulhava num longo pesadelo. Só despertou em 1945, transformada num mar de cinzas.

 

Hitler, de Ian Kershaw (Dom Quixote, 2009). 849 páginas.

Classificação: * * * * *

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 26.11.09

Ao Sua Excelência.

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Passado presente (CXCII)

por Pedro Correia, em 25.11.09

   

 

 

Carrocel Mágico

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'Artitectura': os mal-amados (8)

por João Carvalho, em 25.11.09

 

Ed. Mirador,

em Madrid

(Espanha)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Edifício Mirador data de 2005 e está em Sanchinarro, uma zona suburbana de Madrid, para o lado norte. A concepção pertenceu ao MVRDV – um grupo holandês de jovens arquitectos com alguns trabalhos arrojados (quer temporários, quer permanentes) espalhados por alguns lugares do mundo – e à espanhola Blanca Lleó.

Trata-se de um bloco de habitação com 21 pisos e 165 apartamentos de nove tipologias diferentes. Os apartamentos estão organizados de acordo com cada tipologia, formando uma espécie de bairros dentro do prédio, pelos quais se circula como se o fizéssemos por uma espécie de arruamentos e que se distinguem no exterior e no interior por umas fantasias arquitectónicas e pelos tons: branco, uns cinzas, corredores e áreas comuns a vermelho. Só falta saber se é distribuído um manual de instruções à porta.

O edifício incluiu um enorme buraco na estrutura, cuja base constitui uma zona comum de lazer – uma espécie de terraço – com vista para a Serra de Guadarrama. Como a serra não faz 360 graus em torno do observador, o resto da vista não consta que tenha algum interesse. O que condiz com o inverso: quem estiver na serra a apreciar a vista para Sanchinarro, esbarra com uma estrutura em betão que tem um buraco e que não devia estar lá.

Com os seus 63,4 metros de altura, destaca-se definitivamente numa área em que a urbanização tem crescido a olhos vistos. Foi erguido junto de uma rotunda e serve de cortina de fecho a uma avenida que aí desemboca.

Se a ideia foi conseguir travar de todo a vista para lá da avenida, o resultado teve sucesso. Se o buraco foi para evitar a ideia de uma cortina, o resultado foi continuar a ser uma cortina gigantesca com um enorme rasgão.

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Portugal: por estes rios acima (25)

por Pedro Correia, em 25.11.09

  

  

 

 

RIO TÂMEGA

 

Nascente: Verín, Ourense (Galiza)

Foz: Rio Douro, em Entre-os-Rios

Afluentes: Rios Odres e Ovelha

Extensão: cerca de 145km

 

"Ó meu Tâmega obscuro, água dormente... / Ó rio, à noite, a arder, todo estrelado! / Água meditativa, ao luar nascente, / Água coberta de asas, ao sol-nado!"

Teixeira de Pascoaes

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Garantias a mais, justiça a menos

por Pedro Correia, em 25.11.09

 

A nova tendência do direito penal, dando ênfase ao sistema garantístico, gera aberrações de toda a espécie. A revista Veja relatou recentemente o caso emblemático do jornalista António Marcos Pimenta Neves, ex-director do jornal O Estado de São Paulo, que assassinou a namorada com dois tiros de revólver - um nas costas, outro na cabeça - em Agosto de 2000. Condenado em três instâncias judiciais pelo homicídio, que ele próprio confessou em sede de audiência, o jornalista cumpriu apenas sete meses de prisão preventiva, logo após o crime.

Apesar dos 19 anos de detenção a que foi condenado em 2006 num tribunal com júri popular, e de esta sentença ter sido confirmada no mesmo ano pelo Tribunal de Justiça, Pimenta Neves "continua livre como um pássaro", na expressão da Veja. Leva "uma vida mansa e discreta, toma chope com amigos e recebe convidados para o almoço". Como se nada tivesse ocorrido. Tudo porque o caso ainda não transitou em julgado.

Quem pode pagar uma boa equipa de advogados, como Pimenta Neves pôde, protela a resolução do caso até à eternidade. O processo aguarda agora a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, enquanto os advogados do jornalista entram com um novo processo, desta vez para anular a decisão inicial do júri, o que faria regressar tudo à estaca zero. E é aqui que a filosofia garantística, em voga no Brasil como em muitos outros países, constitui afinal um entrave à justiça. Partindo do princípio de que não há rapazes maus, o Supremo Tribunal Federal estabeleceu jurisprudência que dá prevalência absoluta ao princípio da presunção da inocência.

Mesmo tendo confessado o crime, e mesmo condenado em três instâncias, Pimenta Neves continua a ser "presumível inocente". O crime de 2000 permanece sem castigo. "Ele não vai ser preso nunca", diz - também à Veja - o pai de Sandra, João Gomide, um ex-mecânico de 71 anos com graves problemas de saúde.

É bem capaz de ter razão. Há quem chame "progresso" a isto. Eu sou incapaz de lhe chamar assim.

 

Quadro: O Martírio de São Mateus, de Caravaggio

 

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Giros e talentosos (10)

por Leonor Barros, em 25.11.09

 

Joseph Fiennes

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'Artitectura': os mal-amados (7)

por João Carvalho, em 25.11.09

Secret Intelligence Service (SIS),

em Londres (Reino Unido)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Vulgarmente conhecido por MI6, o Secret Intelligence Service acabou de celebrar em Outubro o seu primeiro centenário, instalado desde 1995 na nova sede, na Vauxhall Cross, em Londres. O projecto é de Terry Farrrell, que se aproximou do governo britânico em 1987 para ver se vendia a ideia. Na altura, o MI5 (que tem funções internas, ao contrário do MI6) procurava novas instalações e foi estudada a possibilidade de ter os dois serviços juntos, só que se entendeu ser arriscado que as duas instituições passassem a constituir um único alvo. Mas a primeira-ministra Margaret Thatcher, no ano seguinte, aprovou a reinstalação do MI6 e acabou por aparecer este bolo-de-noiva-armado-em-fortaleza, salpicado com um creme de corantes.

Sempre a lidar com crescentes exigências governamentais, o projecto foi revisto e a obra arrancou com as normas de segurança sofisticadas que foram impostas, parte das quais ainda são mantidas em segredo e encareceram substancialmente os custos. Por curiosidade: foram abolidas janelas e, a par de câmaras que espiam tudo o que se passa em redor, apareceu na base um fosso defensivo envolvente, com água e tudo, como nos castelos medievais!

O certo é que lá ficou pronto e recebeu o SIS em 1995, tendo sofrido um ataque a 20 de Setembro de 2000 (atribuído aos republicanos irlandeses) com um rocket russo RPG-22 anti-tanque, que atingiu o oitavo piso e não causou mais do que estragos superficiais.

Por sinal, o imenso prédio já apareceu em alguns filmes do James Bond (primeiro, até sem autorização para ser filmado e, depois, já nos créditos da ficha técnica): GoldenEye, 007 – O Mundo Não Chega, 007 – Morre Noutro Dia e Casino Royale. Diz quem sabe que só mesmo Bond conseguiria descobrir e pousar um helicóptero nas coberturas certas, tal é a profusão e variedade dos planos de topo.

Compreende-se o desgosto de muitos londrinos (e não só por lembrar um hotel de estância balnear): o insólito complexo parece uma construção feita por fases, tem uma volumetria gigantesca e mal distribuída por diversos volumes e ignora por completo qualquer enquadramento estético. Mais a mais, aquela área de Vauxhall, junto da ponte com o mesmo nome, é uma zona tradicional de habitação social que tem estado, nos últimos anos, a ser requalificada.

Ora, plantar tamanho edifício numa zona urbana sensível e, pior ainda, fazê-lo praticamente em cima do Tamisa – como um muro a tapar a vista da marginal para a água e vice-versa – para muito boa gente foi asneira grossa e jamais disfarcável. E quem é que aceita pacificamente que esteja de frente para o rio e que, do lado oposto, seja uma traseira virada à rua e não outra frente?

Por isso, os londrinos só não olham de soslaio para a casa-forte do SIS porque é impossível olhar para ela de outro modo que não seja com os olhos esbugalhados.

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