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Embirrações

por Leonor Barros, em 30.09.09

O Senhor Palomar e as crianças de tenra idade naquela fase em ainda não se reconhecem como sujeitos são provavelmente as únicas criaturas de quem suporto sem o menor incómodo que falem de si próprias na terceira pessoa. Abomino tudo o resto. A mais recente pessoa adicionada a esse rol de gente é o Presidente da República. Aquela mania de falar de si como o Presidente da República, como se fosse outro que não ele próprio, muito vincada na primeira parte do discurso, é profundamente irritante. Mesmo sendo um recurso estilístico –como estou benemérita - para se aproximar passo a passo da verbalização na primeira pessoa e modificar a perspectiva não lhe fica bem e soa a conversa de jogador de futebol. Não gosto.

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Previsões

por Pedro Correia, em 30.09.09

Maria de Lurdes Rodrigues vai fora. Mário Lino também. Jaime Silva, idem; Severiano Teixeira, idem aspas. E Alberto Costa. E Pinto Ribeiro. E Mariano Gago.

Nunes Correia nem cheguei a saber quem é.

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Maldito mês de Agosto

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 30.09.09

Este ano foram as escutas. No ano passado foi a interdição do espaço aéreo à volta da casa do Algarve. O mês de Agosto exacerba os medos do PR em relação à sua segurança?

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Belém sob escrutínio

por Pedro Correia, em 30.09.09

A melhor interpretação das palavras de Cavaco. É esta, de José Costa e Silva.

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A propósito de Cavaco

por Pedro Correia, em 30.09.09

A política é mesmo assim: em poucos dias quase tudo pode mudar. Foi no que pensei esta manhã ao lembrar-me destas palavras que o Pedro Picoito teve a amabilidade de me dirigir há dias, a própósito disto que escrevi sobre Cavaco Silva.

Palavras que hoje o Pedro bem poderia dirigir a ilustres colegas do seu próprio blogue.

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Leituras

por Ana Margarida Craveiro, em 30.09.09

1. Golpe de Estado, por Luciano, no Insurgente.

2. O pronunciamento de Cavaco, e o fim do regime, por Henrique Raposo, no Clube das Repúblicas Mortas.

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Hoje, na RTP 2

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 30.09.09

José Carlos Vasconcelos, Vicente Jorge Silva e o juiz Eurico Reis vão estar hoje no programa do Clube de Jornalistas (RTP 2, 23h30m) para um debate sobre o tratamento jornalístico  do caso das alegadas escutas.

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Legislativas (52)

por Pedro Correia, em 30.09.09

  

 

O QUE DIZ A AVESTRUZ

 

Diz que o PSD perdeu as legislativas por causa da 'asfixia democrática' (seja lá o que isso for).

 

Diz que o PSD registou o quarto 'desaire' em cinco eleições legislativas consecutivas por causa dos jornalistas.

 

Diz que o PSD manteve a votação conseguida por Santana Lopes em 2005 por causa das agências de comunicação dos outros (que são mais competentes que as deles).

 

Diz que o PSD foi ineficaz na oposição porque o Presidente da República não falou mais cedo.

 

Diz que o PSD foi incapaz de ultrapassar o PS porque o povo é estúpido.

 

Diz que o PSD sofreu uma derrota histórica porque este país não tem emenda.

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Hã?... (2)

por João Carvalho, em 30.09.09

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Vincent Van Gogh, auto-retratos (1889)

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Boca na botija

por Adolfo Mesquita Nunes, em 30.09.09

Sentindo-se vigiado, eventualmente pelo Governo, Cavaco Silva foi apanhado com a boca na botija a tentar resolver o assunto através da pequena intriga jornalística. A sua declaração de ontem mais não foi do que a desesperada tentativa de fazer sobressair as suas desconfianças e de camuflar a desastrada e pouco digna forma como procurou fazer-lhes face. Vitimizar-se, no fundo. E dizer-se cercado pelo Governo.

 

Sendo impossível escapar à querela institucional com o Governo, a vitimização de Cavaco Silva poderia, apesar de tudo, servir-lhe para arregimentar numa qualquer indignada vaga de fundo o eleitorado de direita que nele votou e que ainda não digeriu bem a reeleição de Sócrates. Acontece que Cavaco Silva foi precisamente um dos artífices da vitória de José Sócrates e o PSD é, neste momento, o último partido com vontade de manifestar comiseração pelo cerco feito pelo Governo ao Presidente.

 

A declaração de Cavaco Silva teve, por isso, um efeito contrário ao pretendido. Alargou a vitória de José Sócrates e reduziu em muito a margem de manobra de uma oposição que poderia e deveria continuar a insistir no espírito controleiro do governo socialista, levando de caminho a credibilidade de um jornal que cometeu o erro de acreditar que a Presidência jamais poderia estar a meter-se na pequena intriga. O que não deixa de ser irónico, uma vez que, tanto quanto posso adivinhar, o Presidente considera mesmo que o Governo andou a vigiar a Presidência.

 

A Cavaco Silva resta aproveitar a lição e, desta vez com tino e rigor, colocar a circular um bom e insuspeito motivo para não voltar a candidatar-se à Presidência.

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O que o Presidente devia ter dito.

por Luís M. Jorge, em 30.09.09

Portugueses,

 

A Presidência da República é frequentemente invocada, citada e criticada pelos actores políticos, muitas vezes sem razão, durante os períodos de campanha eleitoral. Essas ocorrências, que não nos orgulham, fazem parte da vida democrática.

 

Não cabe ao Presidente comentar comentadores ou responder a notícias de jornais.

 

Recentemente, no entanto, a Presidência da República foi associada a um facto de especial gravidade que, se não fosse por mim desmentido, poderia pôr em risco o regular funcionamento das instituições democráticas. Esse facto, esse rumor propalado por notícias falsas, pretende sugerir que o Presidente receia ou receou ser alvo de escutas comandadas por um outro órgão de soberania.

 

Quero desmentir veementemente esse rumor e essas notícias.

 

Durante a campanha eleitoral considerei que o assunto, por ser delicado, merecia uma intervenção discreta — e nesse sentido procedi a uma reorganização da minha Casa Civil. O efeito desejado, infelizmente, não ocorreu: as notícias falsas não acabaram, e o nome do Presidente continuou a ser associado, de forma injusta, a uma pretensa intervenção na disputa partidária que então decorria.

 

Quero por isso deixar bem claro o seguinte: O Presidente nunca afirmou que era alvo de escutas, nem alguma vez manifestou preocupação semelhante. Quem quer que tenha dado essa notícia aos meios de comunicação social, se é que a notícia foi dada, não falava em nome do Presidente. Só o Presidente, ou os chefes da Casa Civil e da Casa Militar do Presidente, falam em nome da Presidência da República. Mais ninguém está autorizado a fazê-lo. Repito: ninguém.

 

Rejeito por isso qualquer insinuação de que a Presidência tenha inspirado, patrocinado ou tolerado as notícias e os rumores que referi.

 

O país atravessa tempos difíceis. São pesadas e inúmeras as responsabilidades que recaem sobre o Presidente da República. Não fugirei delas.

 

Cabe-me assegurar que existe, entre os órgãos de soberania, uma relação de respeito, lealdade institucional e dedicação à causa pública. E pretendo ser o primeiro a dar o exemplo nesse sentido.

 

Os Portugueses sabem que podem contar comigo: não para insuflar crises artificiais, mas para ajudar a resolver os graves problemas que enfrentam todos os dias. Não para alimentar guerrilhas institucionais, mas para valorizar e engrandecer as nossas instituições.

 

Essa é a missão do Presidente. E esse é o meu desejo profundo, que achei necessário sublinhar perante todos. Boa noite.

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O que o Presidente disse.

por Luís M. Jorge, em 30.09.09

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À atenção de Manuela Ferreira Leite

por Pedro Correia, em 30.09.09

Frank-Müntering, presidente dos sociais-democratas alemães, renunciou à liderança do partido depois da derrota eleitoral de domingo. 

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Resumindo e concluindo

por Sérgio de Almeida Correia, em 30.09.09

1 - Em Abril de 2008, o Presidente da República (PR) foi à Madeira e levou na sua comitiva um assessor do primeiro-ministro que tem por missão acompanhar as relações com a Região Autónoma;

 

2 - O referido assessor fez todo o programa da visita, participou nas reuniões, nos almoços e jantares para que foi convidado, e deslocou-se nos veículos que para tal lhe foram destinados;

 

3 - No regresso da Madeira, o assessor de imprensa do PR referiu a um jornalista do Público que a presença desse assessor do primeiro-ministro fora incómoda e inconveniente, desconfiando que aquele estivesse ao serviço de terceiros para espiar as actividades da Presidência da República, pelo que entregou ao jornalista do Público um dossier, pedindo-lhe que o jornal investigasse esse assessor;

 

4 - O Público conduziu uma investigação, contando para tal com o seu correspondente na Madeira, e no final esclareceu que não encontrou nada de substancial, nada havendo a noticiar;

 

5 - No Verão de 2009, membros da Casa Civil do PR participaram na elaboração do programa eleitoral do PSD, facto referido em jornais e de que foi dado público conhecimento no site oficial desse partido;

 

6 - O assessor de imprensa do PR voltou a contactar o jornalista do Público e, retomando a história da Madeira e a divulgação pública da participação dos membros da Casa Civil do PR na redacção do programa eleitoral do PSD, disse que o PR desconfia da existência de escutas no Palácio de Belém, por parte do Governo, pretendendo que o jornal volte a investigar a visita à Madeira e publique uma notícia destinada a prejudicar um dos partidos concorrentes às eleições legislativas de 27 de Setembro, em pleno período pré-eleitoral;

 

7 - Durante todo este período, a Presidência da República ignorou tudo o que foi publicado nos jornais e referido nos demais órgãos de comunicação social, permitindo que um clima artifical de crispação invadisse a vida política e subsistissem múltiplas interpretações em função da publicação de notícias oriundas de fontes anónimas da sua Casa Civil;

 

8 - O líder de uma força política veio dizer que a fonte anónima do Público na Presidência da República era Fernando Lima.

 

9 - O Diário de Notícias, colocando em causa o Código Deontológico dos Jornalistas para poder tornar conhecida a verdade, publicou um e-mail denunciando a moscambilha promovida por Fernando Lima e patrocinada pelo Público;

 

10 - O Presidente da República veio a terreiro dizer que só falava depois das eleições legislativas de 27 de Setembro;

 

11 - Três dias depois da publicação da notícia e do e-mail pelo Diário de Notícias, a Presidência da República divulgou o afastamento, sem explicações, por vontade do PR, do assessor de imprensa Fernando Lima;

 

12 - Passado o acto eleitoral de 27 de Setembro, o PR veio dizer que:

           

            a) Ninguém fala em nome do PR, com excepção dos chefes da  Casa Civil e da Casa Militar;

            b) É normal que membros da sua equipa participem na elaboração dos programas eleitorais dos partidos concorrentes às eleições;

             c) Duvida que o seu assessor de imprensa tenha falado com o jornal Público;

             d) Se o assessor falou, o PR não teve conhecimento prévio; 

             e) Tem dúvidas que, tendo o assessor falado com o Público, os termos constantes do e-mail do Diário de Notícias sejam os correctos; 

              f) Achou estranha a publicação do e-mail pelo Diário de Notícias, 17 meses depois da visita à Madeira (mas não achou estranho que o seu assessor de imprensa tenha voltado a falar com o Público - invocando o seu nome, não sendo chefe da Casa Civil e não estando para tal autorizado - referindo uma viagem ocorrida 17 meses antes e encomendando uma notícia);

              g) O assessor não fez nada de errado;

              h) Embora não tenha feito nada de errado, pelo sim, pelo não, retirou-o da assessoria de imprensa (visto que notícias "falsas" tinham inviabilizado a sua continuação nesse lugar, sendo melhor dar-lhe um lugar mais discreto, mais de acordo com a sua forma de actuação e a ligação entre ambos);

              i) Desconhece que não há sistemas informáticos invulneráveis, a começar pelos do Pentágono, e estava convencido de que o da Presidência da República era o melhor do mundo;

              j) Não percebeu nada do que se passou, não tem provas de ter havido qualquer intrusão nos sistemas informáticos da Presidência, mas ficou convencido que a culpa de tudo, incluindo dos seus fantasmas e do que aconteceu a Fernando Lima, é do Partido Socialista e de uns dirigentes mentirosos que eles para lá têm.

 

13 - O Presidente da República esteve mal antes, durante e depois dos factos;

 

14 - O Presidente da República não tem a mínima noção do papel que exerce, confunde o interesse nacional com os interesses do PSD e da sua entourage presidencial, e à força de querer ser isento acabou por se comportar como um elefante numa loja de porcelanas;

 

15 - O Presidente da República deixou-se enredar pelos seus fantasmas, perdeu a compostura ética, tomou abertamente partido, entrou na luta política, inviabilizou toda a cooperação estratégica institucional entre o Governo e a Presidência da República,  vive atormentado com medo de escutas, desconfia da sua própria sombra e, ingenuamente, deixou-se convencer de que tudo o que não é crime é permitido aos seus assessores;  

 

16 - Por inépcia política, mau aconselhamento e falta de visão de Estado, o Presidente da República colocou-se numa posição vulnerável, expôs-se, deixou que a disputa institucional assumisse contornos sul-americanos e hipotecou todas as condições de governabilidade numa altura de grave crise ecónomica e social, mostrando não estar à altura do cargo para  que foi eleito.

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O que faz correr Cavaco?

por José Gomes André, em 30.09.09

Bem sei que todo o caso Cavaco-Sócrates-escutas é complexo e merecedor de várias análises. Mas quando tento compreender o fundo da questão, só consigo pensar em duas explicações válidas para o sucedido.

 

1. Há coisa de ano e meio, Cavaco Silva decidiu entrar claramente no jogo político, inventou a história das escutas (talvez motivado pela episódio do putativo "espião do PS" na Madeira) e deu ordens a Fernando Lima para levar o pseudo-caso para os jornais, na esperança de que a sua amiga de longa data Ferreira Leite chegasse ao poder. Deu-se mal porque o episódio veio a público, envolvendo o seu nome. E desde aí, Cavaco mais parece aquela pessoa que tenta corrigir um erro cometendo pelo menos mais três no caminho. Se assim for, o buraco é enorme e não parará de crescer, como assinalou o Paulo Gorjão.

 

2. Cavaco acha que está de facto a ser vigiado pelo governo, ou que Sócrates utilizou meios ilícitos para o controlar, só que não tem provas disso. Neste quadro, quereria demitir o governo, mas não tinha condições políticas para o fazer, uma vez que não poderia provar as acusações e não dispunha de outros motivos institucionais para tomar esta acção. Não quer Sócrates como Primeiro-Ministro, porque acha que ele está a cometer (ou cometeu) uma ilegalidade particularmente grave e antidemocrática, mas não sabe - nem pode, na ausência de provas - explicar ao país porque tomaria uma decisão tão drástica como recusar empossá-lo como chefe do governo. 

 

Haverá certamente mais análises possíveis, mas - a menos que estejamos perante uma brincadeira de crianças - acabarão em última instância por ir dar a uma das duas hipóteses referidas. Qual delas é verdadeira? Confesso sinceramente que não sei.

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When you're in a hole, stop digging

por Paulo Gorjão, em 30.09.09

O Presidente da República ignorou por completo esta frase célebre de Denis Healey. O resultado está à vista. O buraco institucional é cada vez mais profundo e não se vislumbra forma fácil de o ultrapassar. Não é de todo para mim claro que exista um vencedor nesta espiral. Um beneficiário entre os actores principais, note-se. Há seguramente em segundo plano quem esteja a esfregar as mãos de contentamento com o que se está a passar. Que Aníbal Cavaco Silva não o perceba, ele que tem mais de 25 anos de experiência política activa, é para mim uma enorme surpresa.

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O ódio move montanhas

por Pedro Correia, em 30.09.09

   

 

O ódio é uma poderosa força motriz que jamais deve ser subestimada. Muito menos na vida política. O ódio faz congregar esforços, mobilizar vontades, mover montanhas. Sem ódio quase toda a actividade política estaria condenada ao fracasso. Sem ódio talvez até nem houvesse política. É certo que existiram Gandhi e Luther King. Mas esses, como é sabido, acabaram mal.

 

Imagem: Robert Mitchum no filme A Sombra do Caçador (The Night of the Hunter, 1955)

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 30.09.09

 AO Escudo.

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Era um redondo vocábulo

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 29.09.09

Desta vez não acertei em cheio, mas andei lá perto. O PR falou das escutas, mas não disse nada de relevante. Lançou suspeições, fez insinuações, mas em substância, Zero! Pior: escamoteou o essencial da história, como se não tivesse qualquer importância, fazendo os portugueses passar por idiotas. Criou um clima de conflitualidade institucional, que o país dispensava e deixou ficar no ar a ideia de que queria proteger JMF. Em vez de estabilizar, desestablizou. O ataque ao partido que venceu as eleições, no tom em que foi feito, é de enorme gravidade e demonstra que Cavaco anda à deriva e tem a sua credibilidade feita em cacos, porque nenhum partido (nem o PSD) deixou de lhe tecer críticas.
 Vejamos os factos:
1- O PR iniciou as suas alegações acusando membros do PS de o pretenderem encostar ao PSD.
2- Curiosamente, preocupou-se com a notícia sobre a intervenção de membros da sua Casa Civil na elaboração do programa do PSD, mas não se deverá ter preocupado com as notícias do “Público” de 18  e 19 de Agosto que foram o rastilho para o que se seguiu. Preferiu remeter-se ao silêncio e continuar a fingir que a notícia não existiu.
3- Já quanto ao e-mail publicado pelo DN, a sua atitude foi diferente. Indignou-se contra a publicação, mas não desmentiu a sua veracidade. Manifestou as suas dúvidas quanto à possibilidade de alguém ter falado ao Público em seu nome, mas achou normal que alguém da sua Casa Civil, enquanto cidadão, o tenha feito.
4- Não apresentou uma única justificação para ter demitido Fernando Lima das suas funções e o ter mantido em Belém.
5- Cavaco descobriu que o seu computador era vulnerável. Pena que só tenha pedido essa prova hoje, se já tinha essa desconfiança há 18 meses.
6- Cavaco enganou-se quando disse que tinha acabado a disputa eleitoral. Terá esquecido que estamos em plena campanha autárquica, ou  para o PR as eleições autárquicas  são de segunda e não valem um caracol?
7- Cavaco prestou mais um péssimo serviço ao país, lançando acusações não fundamentadas  sobre um partido que venceu as eleições, mas não dando nenhuma prova de que não foi por sua iniciativa que um assessor se dirigiu ao “Público”, invocando o seu nome. Contornou a questão, deixando que continue a especulação.
8- Reconheceu que prejudicou o seu partido, mas não admitiu que, com o seu silêncio, após a publicação da notícia do “Público”, estava a prejudicar o PS.


Ao contrário do que avançam certos analistas, não acredito que Cavaco se recuse a indigitar Sócrates. Estaria a  fazer batota e lançaria o país num caos, em período de crise.
O PS, como seria de esperar, acaba de responder à letra, lembrando ao PR os factos que ele omitiu e são os mais relevantes em toda esta história. Fê-lo de forma  igualmente agressiva e pouco recomendável no diálogo entre instituições. 
O PR perdeu a pouca credibilidade que já tinha. Nem os blogs da direita  racional saíram em sua defesa. Mais cedo do que esperava, Marcelo Rebelo de Sousa viu chegar a sua hora de se candidatar às presidenciais. Será em  2011, salvo se for obrigado a candidatar-se à liderança do PSD para devolver a credibilidade ao partido. Cavaco sairá sem glória, criticado por todos os partidos, por ter desestablizado a vida politica portuguesa.
Onze minutos durou a intervenção do PR. Apesar de todas as contrariedades, estes foram mais bem vividos.

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Marcelo: a hora do nunca

por João Carvalho, em 29.09.09

Desta vez, discordando do Pedro Correia aqui em baixo, vou retomar um elemento antigo que já foi apoucado em tempos, que costuma ser desvalorizado, que pode mesmo ser desconfortável, que todos parece evitarem, mas que está sempre silenciosamente presente. Por tradição, esse elemento apenas é referido indirectamente uma única vez, na pergunta que cada um faz perante um candidato presidencial: quem é (quem será) a Primeira Dama?

Marcelo Rebelo de Sousa é um dos homens que jamais chegarão a Belém, por mais condições que possa reunir, porque nunca será Presidente da República quem não leve consigo uma Primeira Dama. Dir-me-ão: a figura institucional da Primeira Dama não existe em Portugal. Eu respondo: não está consagrada de facto, mas existe. Existe não só implicitamente, mas também explicitamente: tem instalações de trabalho, tem staff', tem segurança, tem agenda, tem tudo o que se queira e cumpre um papel, nem sempre fácil e muitas vezes penoso.

Mesmo que assim não fosse, há um factor que um homem só não consegue contornar: o protocolo. O rigor protocolar não dispensa uma Primeira Dama em inúmeras ocasiões, pois um Presidente é recebido, designadamente, por outros Chefes de Estado e, sobretudo, também tem de receber. Tal como acontece no mundo em que o nosso país se insere há séculos, nestas coisas.

Em suma: por muitas condições que Marcelo tenha, faltar-lhe-á sempre uma. Seja qual for a hora. É pouco? Bem, se Portugal não pertence ao Terceiro Mundo, se o Chefe de Estado não recebe convidados oficiais em farda de combate, se não tem o hábito de andar pelo mundo a acampar em tendas, se o staff da Presidência não tem na lapela um emblema vermelho com o rosto do Grande Líder, então não é pouco nem é muito: é a vida.

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A hora de Marcelo

por Pedro Correia, em 29.09.09

 

Faltam 16 meses para as próximas presidenciais. À direita, só conheço uma personalidade que tem bons motivos para revelar satisfação com esta desastrada recta final do mandato de Cavaco Silva em Belém: Marcelo Rebelo de Sousa. Não tardaremos a saber porquê.

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Nebulosas

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.09.09

As palavras do Presidente da República, que acabei de ouvir, mantêm a nebulosidade. É evidente que há ali uma visão complexada e uma ideia distorcida do papel que deve ser desempenhado pelos membros da sua Casa Civil. E mesmo uma leitura enviesada das funções presidenciais. A boa fé não é posta em causa, mas isso não esconde a infelicidade da escolha e o papel que a comunicação social teve nisto tudo.

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Rescaldo (2ª parte)

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.09.09

Vencidos:

 

1. José Sócrates: Será o futuro primeiro-ministro e é o líder que conduziu o PS à vitória, o que pode parecer contraditório com esta inclusão no grupo dos vencidos estando o PS no dos vencedores. É fácil perceber porquê: a perda de 500 mil votos deve-se inteiramente à sua liderança e aos erros que cometeu ao longo de 4 anos e meio. Escolheu quem quis e como quis, desvalorizou o apoio interno, ignorou as críticas que vinham de dentro do partido, cortou a direito mesmo quando não tinha razão, permitiu que fossem dados numerosos tiros nos pés e só a união do PS, o esforço e a raça dos seus militantes permitiu a recuperação em relação às europeias. Isso não permite esconder que desbaratou a maior maioria de sempre do PS no  confronto com a pior liderança que o PSD encontrou. Proferiu declarações assustadoras numa reportagem televisiva que passou na antevéspera das eleições, deixando fugir um doloroso autoconvencimento. Na noite eleitoral escolheu ficar nesta lista quando perdeu completamente a compostura para dizer, depois de perder 500 mil votos, que tinha obtido uma vitória "extraordinária". Extraordinário era ter reeditado a maioria absoluta. De qualquer modo, não será por não o ter conseguido que perderá o meu apoio nos combates que se avizinham.

 

2. PSD e a direcção de Manuela Ferreira Leite: Há pouco a dizer. O seu peso eleitoral ficou na mesma. Limitou-se a reeditar o resultado de Santana Lopes. Mais 7 mil votos não representam nada no final de 4 anos e meio de oposição ao Governo do PS. Uma direcção sem estratégia, sem ideias, sem carisma, vivendo de soundbytes e de "inventonas" não poderia ir mais longe. No naufrágio  dão boleia a Alberto João Jardim e aos caciques que os apoiaram.

 

3. Presidente da República: Esteve mal no tempo e no modo. Tudo o que hoje vier dizer não apaga o mal que esteve nem as confusões que a sua Casa Civil criou.

 

4. Manuela Moura Guedes, Pacheco Pereira, Fernando Lima e seus acólitos: Para estes, a grande lição destas eleições é a de que em democracia mandam os eleitores.

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Rescaldo (1ª parte)

por Sérgio de Almeida Correia, em 29.09.09

Vencedores:

 

1. Partido Socialista: Recuperou do desastre das eleições europeias, reconquistando um milhão dos votos que lhe haviam fugido e mostrando que com unidade, bom senso e algum esforço é possível remediar os erros dos seus dirigentes e apresentar aos portugueses propostas aceitáveis de governação. Tem agora um longo caminho a percorrer. Neste momento a sua principal missão é formar um governo credível e sólido e apresentar um programa que não comprometa as escolhas dos eleitores. Governando bem recuperará facilmente os eleitores que agora lhe fugiram para o Bloco de Esquerda e para o CDS. Se nas próximas eleições parte destes 500 mil votos regressar, então será sinal de que esteve bem.

 

2. Paulo Portas e o CDS/PP: Fizeram com poucos meios uma campanha de grande nível. Concentraram a mensagem, apostaram num discurso directo e sem subterfúgios, ainda que com os habituais laivos populistas. Ainda assim, levaram a carta ao destino, ultrapassando os dois dígitos e humilhando as sondagens. Resta saber o que irão fazer com os dois dígitos e se o seu grupo parlamentar estará à altura do resultado obtido ou se vai continuar a ser o eco do líder.

 

3. Bloco de Esquerda: Apesar dos múltiplos deslizes de Louçã e da vacuidade do discurso, o Bloco de Esquerda voltou a crescer. Resta saber até onde irá e se quererá usar a sua influência para benefício do país ou apenas para a galvanização dos protestos sociais.

 

4.  Oposição interna do PSD: Nos outros partidos na hora da vitória todos se apressam a reclamar os louros respectivos, a sua quota-parte no resultado. No PSD, estranhamente, é na hora da derrota que todas as suas facções aparecem a reclamar méritos nos maus resultados e a pedirem a decapitação dos chefes. Quando as figuras nacionais do partido aparecem nas televisões a mostrar a sua preocupação pelos resultados, estão subtilmente a dizer aos descontentes do partido que o mau resultado também se deveu a eles e que chegou a hora de substituir quem lá está. No PSD a vingança serve-se a quente e de preferência ainda com as urnas a fumegar. De nada lhe servirá esta vitória se não conseguir dar um rumo ao partido.  

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Cavaco não fala das escutas

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 29.09.09

Em 31 de Julho de 2008, fiz esta previsão sobre a declaração de Cavaco ao país, em véspera de partir para férias. Acertei em cheio, apesar de poucos acreditarem.

Hoje, volto a fazer a minha previsão. O PR irá falar sobre os resultados das legislativas e fazer um apelo velado ao Bloco Central.

Sobre as escutas ficaremos a saber o mesmo. A única surpresa seria o PR anunciar que, terminada a campanha para as legislativas, Fernando Lima voltará a ocupar o seu lugar. Como não me parece, acredito que sobre um puxão de orelhas para alguns jornalistas. Lembrem-se que a nota do PR diz que vai falar à comunicação social.

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Queres alianças, Paulinho?

por Luís M. Jorge, em 29.09.09

paulo portas

 

Dois dias após as legislativas, o Departamento Central de Investigação e Acção Central fez buscas em quatro escritórios dos advogados presumivelmente envolvidos na compra de submarinos quando Paulo Portas era ministro da Defesa.

 

Eis uma infeliz coincidência que, com alguma sorte, talvez se transforme num auspicioso incentivo ao diálogo com o partido da maioria.

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Entretanto, nas Honduras...

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 29.09.09

Continua  a hipocrisia internacional. Perante o silêncio da UE e dos EUA, Micheletti  faz o que lhe apetece. Embora não passe de um golpista, ameaça o Brasil e lança um ultimato: se até dia 6 de Outubro não esclarecer qual o estatuto de Zelaya - o presidente eleito pelos hondurenhos que se encontra na embaixada brasileira - retira o direito do Brasil à sua missão diplomática. Não informou com que direito o faz, mas todo o mundo sabe – embora a comunicação social portuguesa finja não saber - que o faz respaldado nos milhões de dólares que os EUA estão a enviar para as Honduras, através do FMI, apoiando assim os golpistas.

É verdade que, hoje mesmo, Micheletti  recuou nas suas intenções e afirmou que não atacará a embaixada brasileira, mas isso aconteceu porque Zelaya  falou à Assembleia Geral da ONU, através de telemóvel, pedindo  “o fim da ditadura fascista de Micheletti” , o que causou algum embaraço
Perante o silêncio da comunidade internacional, alguns pensarão que Zelaya é mais um daqueles  “perigosos comunistas” democraticamente eleitos, que pretendem  defender o seu povo, libertá-lo do jugo americano e restituir-lhe a dignidade a que tem direito. Mas não. Como escreve Maurice Lemoine no  “Le Monde Diplomathique” , Zelaya  é um fazendeiro eleito pelo centro-direita que cometeu dois pecados: aumentou o salário mínimo e fez algumas reformas com o objectivo de retirar da miséria as classes mais desfavorecidas. Bem, é verdade que cometeu um terceiro pecado, mais relevante. Aliou-se aos países sul-americanos que pretendem libertar-se do jugo político e militar dos EUA. Ora Obama, tal como Bush, não admite que lhe estraguem o recreio onde gosta de brincar às guerras.
Entretanto, Micheletti declarou o recolher obrigatório, suspendeu as liberdades cívicas e políticas e autorizou a prisão de qualquer pessoa que seja considerada “suspeita”. Não satisfeito, encerrou uma estação de rádio e um canal de televisão, supostamente apoiantes de Zelaya, ou seja, da legalidade democrática.  Como não é Chavez, nem Morales, tudo bem cá pela urbe de idiotas encartados. Desde que apoie os EUA, permita a instalação de bases militares americanas, coarcte as liberdades cívicas em nome do superior interesse americano, passa de perigoso comunista a democrata num ápice.
Há uma coisa que não percebo de todo. Por que razão é que a direita  europeia  tem tanto medo da democracia na América Latina?  O país pode estar  à beira de uma guerra civil, graças à hipocrisia de um grupo de néscios, para quem o mercado é o único bem sagrado. Mas se a guerra eclodir, todos se vão armar em carpideiras. Só me apetece recordar aquela canção do Zeca :


“(…) Os pretos, os comunistas
Os Índios, os turcomanos
Morram todos os hirsutos!
Fiquem só os arianos!"

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Legislativas (51)

por Pedro Correia, em 29.09.09

    

LAMENTO TER ACERTADO

 

28 de Maio de 2008, Groucho Marx no PSD: "As primárias no PSD revelam que neste partido cresce exponencialmente a cartilha marxista - tendência Grocho. 'Estes são os meus princípios. Se não gostarem, tenho outros', dizia o genial mestre da comédia norte-americana. Nada define tão bem a campanha em curso no partido laranja rumo a coisa nenhuma. Como o futuro próximo amplamente demonstrará."

 

29 de Maio de 2008, Mais do mesmo: "Se [Manuela Ferreira Leite] for eleita para a presidência dos sociais-democratas, Sócrates tem todos os motivos para ficar satisfeito."

 

31 de Maio de 2008, Rota de solidão: "Manuela Ferreira Leite, com apenas 37,91% dos votos dos militantes e sem assento na Assembleia da República, prepara-se para governar um partido dividido em três. Não lhe gabo a sorte."

 

31 de Maio de 2008, Mau perder: "Há oito meses foi assim: Menezes, que acabara de vencer a eleição por 56%, não teve um momento de trégua interna. O que sucederá agora a Manuela Ferreira Leite, com uma vitória bem mais escassa? Não custa vaticinar."

 

1 de Junho de 2008, As coisas são o que são: "Alguém se lembra de uma só ideia expressa por Manuela Ferreira Leite durante a campanha interna? Eu também não. Haja fé."

 

2 de Junho de 2008, Previsão: "António Preto vai ter um cargo de responsabilidade no 'novo' PSD."

 

22 de Junho de 2008, Treze notas sobre o congresso do PSD: "Manuela Ferreira Leite veio para ficar? É óbvio que não. É uma 'líder' tão precária e tão provisória como os 'líderes' precedentes. Por muito que alguns dos seus gurus pretendam convencer-nos do contrário. O interregno começou. Mais um."

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Passado presente (especial)

por João Carvalho, em 29.09.09

File:SculptureOfMafalda.jpg

 

A Mafalda, de Quino (Joaquín Salvador Lavado) faz hoje 45 anos.

A escultura está no local de Buenos Aires onde Quino vivia

e é do escultor argentino Pablo Irrgang.

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Rua Direita

por Adolfo Mesquita Nunes, em 29.09.09

Durante algumas semanas fiz parte do blogue que apoiou o CDS nestas últimas eleições, o Rua Direita, que chegou hoje ao fim e que em larga medida motivou a minha ausência do Delito.

Deixo aqui parte da nossa declaração final, porque me parece que ela corresponde aos novos tempos por que atravessará o CDS. Espero que quem por lá tenha passado possa concordar com a nossa declaração final, ainda que possa ter discordado de tudo o que por lá se debateu ou escreveu.

 

Os partidos não devem ser espaços monolíticos onde só cabe uma ideia, nem lugar nenhum onde cabe tudo. Nós, que não somos a voz do CDS, somos o CDS dos eleitores (dos que têm e vêm à net, mas não só). Os eleitores que aqui passaram não são apenas o futuro do CDS. Eles são o presente do CDS e foi por eles e com eles que se testemunhou o crescimento eleitoral do CDS. De resto, esta Rua mostrou como o CDS é muito mais do que aquilo que muitas vezes o fazem parecer. Coisa que os leitores da Rua perceberam e os eleitores também.

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Teste cinematográfico (the end)

por Teresa Ribeiro, em 29.09.09

Com a solução do  teste anterior (vencedor: João André) encerro este passatempo de Verão. Agradeço a todos os que me acompanharam neste filme e quanto a eventuais imprecisões na apresentação de perguntas e respostas, só tenho uma coisa a dizer em minha defesa:

Nobody is perfect

 

Para a posteridade ficam, por ordem de entrada em cena, os nomes dos vencedores de cada um dos testes:

 

TragédiaGeek

Ariel

João Galamba

Carlos

Pedro Correia*

Sem-se-ver

Mike

Ana Mestre

Hugo Ramos Alves

Ana Vidal*

Ivone Costa

Ana Lima

L.Rodrigues

João Caetano Dias

Maria

Rodrigo Furtado

Sofia

João André

João Sousa

Miguel Barbosa

David

 

 

*(as autoridades competentes estão a investigar se eles tiveram acesso a informação privilegiada)

 

Resta, caras cinéfilas e caros cinéfilos, divulgar o nome da vencedora deste passatempo. Ganhadora de DOZE testes (12º, 15º, 18º, 20º,  22º, 26º, 27º, 30º, 31º, 32º, 33º e 37º). Peço uma salva de palmas para .... (rufar de tambores em crescendo)

 

IVONE COSTA!!!!!!!!

 

 

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Hã?...

por João Carvalho, em 29.09.09

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Legislativas (50)

por Pedro Correia, em 29.09.09

  

O ETERNO RETORNO AO PARTIDO BICÉFALO

 

O PPD/PSD, já mergulhado em plena esquizofrenia pós-legislativas, apresenta-se novamente com duas faces. Enquanto ontem à noite, na SIC Notícias, Pacheco Pereira reagia com intransigência à hipótese de os sociais-democratas viabilizarem iniciativas legislativas do Governo socialista na Assembleia da República, um seu companheiro de partido, Pedro Duarte, falava em tom muito mais moderado no Prós & Contras da RTP, sublinhando que "o PSD tem sentido de responsabilidade". E enquanto Pacheco vociferava pela enésima vez contra a 'asfixia democrática', como se ainda se imaginasse na desvairada campanha eleitoral do seu partido, Pedro Duarte suscitava exclamações de espanto ao declarar isto, em tom peremptório, no auditório do Teatro Armando Cortez: "Não somos contra o investimento público, antes pelo contrário." E ainda isto: "O TGV não é um papão que vai trazer mal ao País."

Será interessante assistirmos às cenas dos próximos capítulos deste partido bicéfalo nas suas progressivas manobras de aproximação aos socialistas, dando provas evidentes de "sentido de responsabilidade". Já foi assim durante o consulado de António Guterres, quando a abstenção do PSD viabilizou três orçamentos de Estado apresentados pelo PS. A vida é feita de eternos retornos. E a vida política não é excepção.

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Logo à noite há comunicação ao país

por Ana Margarida Craveiro, em 29.09.09

 

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O adeus ao rigor

por José Gomes André, em 29.09.09

Certos namoros dão nisto. O Eduardo Pitta, durante anos um dos mais lúcidos comentadores da blogosfera nacional, entusiasmou-se de tal forma com o socratismo que abandonou o rigor em detrimento de wishful thinkings e imprecisões sistemáticas. A ver se nos entendemos:

1. O PSD não elegeu 77 deputados, mas sim 78. E pode chegar aos 80 ou 81, consoante resultados da emigração. Se atendermos ao facto de, em 2005, quatro lugares terem sido oferecidos ao PPM e MPT, no âmbito da coligação forjada por Santana Lopes, o PSD ganha objectivamente mais 9 ou 10 deputados. Foi um mau resultado, mas é um bocadinho diferente dos mais dois de que o Eduardo fala.

2. O PS "deixou o PSD a seis pontos de distância" no concelho de Lisboa. Pois foi. Mas não está esquecido que Santana Lopes concorre numa coligação com CDS, PPM e MPT, pois não? É que se contarmos com isso - e fazendo o paralelo para a corrida contra Costa, como o Eduardo faz - então ficamos com 34,8% (PS) versus 40,9%. Também são seis pontos de diferença, mas é para o lado contrário.

3. "61% dos portugueses que votaram apoia o casamento entre pessoas do mesmo sexo". Onde desencantou estes números? É que a soma de PS+PCP+BE nem chega perto. Ou está a depreender que os votos nulos e brancos são de apoio ao casamento homossexual? É uma leitura original, pelo menos.

 

Adenda: parece que este texto teve alguma utilidade: Eduardo Pitta já alterou os dados referentes ao número de deputados do PSD (sem contar com círculo de emigração) e do putativo número de portugueses que apoia o casamento homossexual. Continuo a achar precipitada a inferência, mas para início de conversa já não é mau.

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 29.09.09

À Catarse.

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Blogue da Semana

por Ana Cláudia Vicente, em 28.09.09

Nesta semana não vos sugiro um blogue. Sugiro-vos um condomínio cheio deles. Este de que vos falo foi construído há alguns anos lá pela outra banda atlântica da bloga, e é administrado pela Verbeat, que os fundadores gaúchos Leandro Gejfinbein e Tiago Casagrande descrevem como uma não-organização, não-lucrativa, não-governamental, criada e em criação. Já que entramos num período de particular atenção a desafios locais, nada como ir espairecendo por outros um pouco mais distantes, diferentes. 

 

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Legislativas (49)

por Pedro Correia, em 28.09.09

  

 

CONTA CORRENTE

 

Há quem prefira fazer "prognósticos" depois do jogo. Eu nestas coisas sou muito antiquado: prefiro fazê-los antes.

Foi assim que fiz. Aqui. E também aqui. E ainda aqui, aqui e aqui.

 

Sobre a nova maioria que se desenha no Parlamento, eis desde já o meu palpite.

 

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Too cold

por Teresa Ribeiro, em 28.09.09

Posso ser old fashioned, mas fez-me alguma confusão perceber, através de uma reportagem da TV, que na festa do PS, no Largo do Rato, se tocava Coldplay.

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Há razões para festejar?

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 28.09.09

Compreendo bem a euforia de Sócrates. Em termos políticos  e pessoais.
A vitória, sem maioria absoluta, foi folgada e acaba por ser conseguida num contexto que lhe é favorável. Não ficando refém do BE, podendo negociar à direita e à esquerda (obrigando BE e CDU a entenderem-se),  Sócrates terá conseguido uma vitória mais confortável do que pode parecer à primeira vista.  Poderá governar sozinho e só uma aliança entre esquerda e direita o poderá derrubar. Se isso vier a acontecer, não deixará  de capitalizar votos para o PS, como aconteceu com Cavaco em 87.
O reforço do CDS/PP e a derrota clamorosa do PSD também lhe são favoráveis. Um novo líder do PSD terá sempre que se confrontar com um grupo parlamentar que apoia MFL e onde pululam alguns deputados que podem causar instabilidade interna.  A paz do PSD não será conseguida apenas com um novo líder, porque MFL deixou o terreno armadilhado a quem lhe suceder. Demorará por isso, muito tempo, até que o PSD se recomponha deste desastre.
Resta saber se Sócrates é capaz de governar sem a arrogância que lhe é característica e terá capacidade negocial para estabelecer acordos pontuais, levando a legislatura até ao fim. A muito breve prazo terá uma prova de fogo: a escolha do candidato do PS às presidenciais de 2011. Se a sua opção for Jaime Gama, perderá a esquerda e uma significativa franja do eleitorado do PS.
Em termos pessoais, Sócrates tem ainda mais razões para estar satisfeito. Não me lembro de nenhum primeiro-ministro que tenha sido tão atacado na sua dignidade, vilipendiado e acusado de corrupto, ao longo do seu mandato, como Sócrates. Apesar de  ninguém  ter conseguido provar nada, as condenações da opinião pública  sucederam-se. O caso Freeport, a licenciatura e mais recentemente as escutas em Belém teriam sido suficientes para liquidar qualquer líder político. Sócrates resistiu. Mesmo quando alguma  opinião pública confundiu a vítima com o algoz, saindo a defender MMG, num processo  onde o jornalismo esteve ausente e o ajuste de contas sempre presente, o PM resistiu. Como também não se deixou abalar no caso das escutas, urdido entre intrigas palacianas, num conluio entre assessores e jornalistas. Sócrates resistiu ao confronto institucional para onde o quiseram atirar e terá assistido, com algum gozo, à reacção pateta e patética do principal partido da oposição que, ao pretender tirar dividendos da situação, acabou por sair chamuscado.
No plano pessoal os ataques a Sócrates também foram do mais baixo calibre. Começaram por insinuar que Sócrates seria homossexual, depois passaram a explorar a sua relação com uma jornalista. Chegaram à baixeza moral de levar o assunto à Assembleia da República, o que demonstra o nível rasteiro de alcoviteiras de bairro de lata de alguns deputados.  MFL  alinhou sempre com os ataques, produzindo afirmações  indignas de uma líder da oposição. Como foi este caso num encontro com os “jotinhas”.  Ou as repetidas acusações de mentiroso.
Sócrates tem, por isso, razões para estar satisfeito. Os portugueses também porque, dando a possibilidade a  Sócrates de governar sem maioria, disseram que estavam fartos da sua arrogância, mas preferiam dar-lhe uma segunda oportunidade, a entregar o poder a uma pessoa cujo único projecto para o país era o retrocesso .
Sócrates devia agora demonstrar que é  um cavalheiro e  enviar um ramo de flores a MFL. Seria uma forma  simpática de agradecer o forte contributo de MFL para a sua vitória.
Finalmente, quando tomar posse, seria bom que não esquecesse que foi o Partido Socialista que o elegeu. Caso contrário, os socialistas não lhe darão nova oportunidade.

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Legislativas (48)

por Pedro Correia, em 28.09.09

SABER VER À DISTÂNCIA

 

Relendo textos publicados na blogosfera logo após as europeias, reparo nesta advertência de Miguel Morgado (n' O Cachimbo de Magritte), que foi capaz de perceber o essencial quando ainda a poeira daquele escrutínio andava no ar: "A julgar pelos resultados finais por distrito, parece-me evidente que, para o PSD ganhar as eleições legislativas, terá de crescer nos distritos de Lisboa e Setúbal. Não só porque são respectivamente o maior e o terceiro maior da escala eleitoral dos distritos portugueses, mas antes porque foi neles que o crescimento do PSD foi praticamente nulo. Apesar das quedas vertiginosas do PS. Será aqui em Lisboa e em Setúbal que se jogará a futura maioria legislativa. "

Chama-se a isto saber ver à distância. Chapeau!

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O outro PPR de Louçã

por André Couto, em 28.09.09

Fazendo uma análise política de presente e futuro creio que Francisco Louçã e o Bloco de Esquerda foram os vencedores da noite de ontem recebendo do povo um resultado de sonho.

A implementação do Bloco de Esquerda no eleitorado acontece sustentada num discurso irresponsável e utópico que só pode sair da boca de quem recusa assumir resposabilidades governativas e sabe que sobre si não podem recair tais expectativas. Assim acontecia na anterior maioria absoluta do PS, assim continua a acontecer uma vez que o Bloco, mesmo duplicando o número de deputados, não tem número bastante para viabilizar governo ou opções de fundo para o País.

É assim fácil constatar que Francisco Louçã vai continuar a sua entifada contra o PS, captando os votos de tantos quantos, revoltados, se revêm naquele discurso, carentes de percepção do alcance das suas ideias e bandeiras.

Enquanto o Bloco mantém a sua postura o PS, para aprovar o que quer que seja, vai ter de se segurar nos votos do CDS ou do PSD, uma vez que juntar BE, PCP e Verdes será pouco menos que fazer como Macgyver a fabricar uma bomba de uma pastilha elástica e uma casca de banana.

Com isto o PS será levado a perder cada vez mais o apoio de votantes da esquerda, aos quais o Bloco piscará constantemente o olho com um discurso demagógico e populista.

Depois do resultado de ontem, evitar isto será um dos grandes desafios de futuro para o PS. Espero para ver.

 

(Também no Câmara de Comuns)

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O malabarista

por André Couto, em 28.09.09

Jerónimo de Sousa foi o grande derrotado da noite. O histórico Partido que durante décadas deteve o monopólio da oposição e da luta à esquerda do PS viu-se ultrapassado por um pujante Bloco que promete com os anos reduzir o PCP a cinzas. Desta feita até para o desapoiado PCTP/MRPP de Garcia Pereira o PCP perdeu votos, temendo certamente o que este fará com os €173.000 que receberá de subvenção. É que a carolice do líder passa a ter meios financeiros de vulto como suporte...

Não obstante Jerónimo não cai e consegue o malabarismo de encontrar motivos para festejar, entrando num quase autista estado de negação, como fizera no pós-Europeias quando recebeu o primeiro sinal do eleitorado.

Se quiser sobreviver o PCP terá de assumir que está a perder o eleitorado jovem em massa para o Bloco de Esquerda, custando-lhe isso diversos deputados perdidos no seu terreno para o opositor directo.

Foi um castigo merecido para quem manipulou os seus subservientes sindicatos até à exaustão. Parece que não serviu de muito. Este deverá ser tema de reflexão.

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Os 10% do CDS

por Adolfo Mesquita Nunes, em 28.09.09

A extraordinária vitória do CDS tem várias explicações. Mas em todas elas serão comuns três factores: o carisma do líder, a clareza do discurso e a afirmação de uma alternativa ao socialismo.

 

Ora, o carisma de Portas e a clareza do seu discurso estiveram presentes ao longo da sua carreira política e nunca lhe tinham permitido chegar aos 10,5% e aos 21 deputados. Assim, o que verdadeiramente possibilitou este resultado foi a afirmação de um discurso verdadeiramente alternativo ao socialismo, que encostou o PSD ao centrão e que seduziu 10% do eleitorado.

 

É por isso que todas as teorias acerca uma eventual coligação com o PS esbarram na realidade: elas desmentem precisamente as razões do sucesso do CDS nestas eleições. E só quem não percebeu nada do que se passou nestas eleições pode achar que a ideia de governo PS/CDS passa pelo Largo do Caldas.

 

Assim como só quem não percebeu nada do que se passou com o eleitorado de direita nestas eleições pode achar que o resultado do PSD se deve apenas à má prestação de Manuela Ferreira Leite, que alcança um resultado pouco superior ao de Pedro Santana Lopes. É que pese os contributos de um e de outro para as derrotas eleitorais de 2005 e 2009, o que verdadeiramente ressalta dos resultados do PSD é a sua incapacidade de combater a invasão pelo PS do espaço natural do PSD. E recupero o que já escrevi em Dezembro de 2008:

 

O PSD, enquanto partido que quer manter-se social democrata, pouco mais pode fazer quanto a isso do que tentar fazer passar a ideia de que o PSD é, naquela área em que se move o PS, mais competente, mais audaz e mais reformista. É coisa pouca e que não cheira a verdadeira alternativa.

 

O PSD sofre neste momento as vicissitudes de ser, enquanto social democrata, um partido a mais no sistema partidário. Esta originalidade portuguesa, de ter dois partidos sociais democratas a ocupar 70% do eleitorado, não poderia, nem poderá, durar muito tempo.

 

E se é certo que qualquer um dos dois partidos poderia estar a sofrer este fenómeno de erosão, a verdade é que, desses dois, apenas o PSD o está a sofrer, e a olhos vistos. Veja-se que se José Sócrates vencer, com ou sem maioria absoluta, e se mantiver no poder durante a próxima legislatura, teremos que o PSD governou, de 1995 a 2013, apenas dois anos e meio. Ou seja, em 18 anos, apenas 2,5 poderão ser associados ao PSD.

 

Esta erosão do PSD é, por isso inevitável, ajudada pelo facto de, lá dentro, credíveis e não credíveis não saberem muito bem por onde deve ir o partido, e com quem. O que é natural, quando se tem o PS à perna, a ocupar o discurso que o PSD sente como seu.

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Portas em vista

por João Carvalho, em 28.09.09

Começa a perceber-se o que pode vir aí: Sócrates diz que vai governar com o seu programa, mas admite outras soluções e não fecha portas. E não deve estar a referir-se a Miguel Portas.

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Já passou, continuamos no séc. XXI...

por André Couto, em 28.09.09

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Legislativas (47)

por Pedro Correia, em 28.09.09

 

 

LIÇÕES A TIRAR

 

A arrogância no Governo custou meio milhão de votos - e o adeus à mais sólida maioria do PS de todos os tempos.

 

A incompetência na oposição custou mais uma derrota eleitoral ao PSD - a quarta das últimas cinco eleições legislativas.

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Legislativas (46)

por Pedro Correia, em 28.09.09

 

A NOITE DAS FACAS LONGAS

 

Foi o terceiro pior resultado de sempre do PSD em legislativas desde 1976: 29,1%. Pior mesmo só os 27,2% de 1983 (que conduziu o partido para os braços do PS, no bloco central) e os 28,8% de 2005, com Pedro Santana Lopes. Lendo os blogues incondicionais, que em Junho cantaram hossanas ao mérito da líder com a magra vitória nas europeias, verifica-se que não atribuem desta vez a expressiva derrota ao demérito da mesmíssima pessoa. A culpa foi do povo, que é ingrato e estúpido. A culpa foi do País, que está a saque. Há mesmo quem, certamente com sede de novas derrotas, defenda que tudo deve manter-se como está.

Parece não ser essa, no entanto, a opinião de vários membros do partido. Esta noite começou já a escutar-se o tinir de espadas. Anotei, entre outras, as seguintes declarações:

 

Jorge Neto, deputado, presidente da Comissão Parlamentar de Economia e Finanças - "Esta derrota é o corolário de um conjunto de erros que o partido cometeu e que podiam ser evitados. Alguém vai ter que assumir as responsabilidades da derrota. Esse debate vai ter que ser travado inexoravelmente no PSD. Esta direcção política do PSD tem de assumir responsabilidades dos erros que cometeu e que levaram a esta derrota. Houve uma sucessão de erros imperdoáveis."

Mira Amaral, ex-ministro da Indústria - "Manuela Ferreira Leite está acabada politicamente devido ao desastre eleitoral. Este resultado era previsível. A senhora [Manuela Ferreira Leite] não tinha quaisquer condições nem a mínima categoria para ser líder do PSD nem de ser primeira-ministra. Eu avisei no dia em que a senhora se candidatou. Não me quiseram ouvir, agora reflictam sobre o desastre que se criou. Se não se demitir hoje vai em morte vegetativa até às eleições autárquicas."

Marco António Costa, presidente da Comissão Política Distrital do Porto - "Os resultados devem fazer reflectir o partido. O PSD deve fazer um corte geracional nas suas elites dirigentes e fechar a página do cavaquismo, libertando-se de todas as suas reminiscências e influências."

Luís Filipe Menezes, presidente da câmara de Gaia e ex-líder do PSD - "Não vamos ser hipócritas. Esta direcção política não tem condições para continuar, acho que é um consenso no partido e um consenso nacional. E uma mudança de rumo é fundamentalmente uma mudança de geração. Para encontrar um rumo temos de apostar na geração dos 40 anos, nos jovens de 30 anos saídos das universidades, num líder jovem, arejado. Não podemos ficar virados para o passado."

 

Tudo isto numa noite. A coisa promete.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 28.09.09

 

"Parece-me evidente que o sistema político e eleitoral não responde com eficácia a todas as preocupações do eleitor.
Por exemplo, há muitos eleitores que não tendo simpatia a favor de nenhum dos concorrentes e tendo mesmo antipatia por todos eles em proporções mais ou menos iguais, mas não querendo deixar de participar na festa da democracia que são as eleições, acabam por votar em branco; ora o nosso sistema não só não valoriza os votos brancos, como os atira para um canto sem lhes dar a menor relevância.
Há também a questão da proporcionalidade dos votos e dos mandatos.
Pouca gente consegue compreender porque é que um partido que, por hipótese, tem apenas 45% dos votos expressos, consegue obter 52% dos mandatos; creio que é a altura de colocar as cartas na mesa e defender que deve haver um sistema de proporcionalidade pura – x% de votação deverá equivaler aos mesmos x% de deputados.
Dir-me-ão que tal método (o método de Hondt) foi pensando para criar governos estáveis, mas não creio que essa seja uma objecção válida; é que o alibi dos governos estáveis favorece inevitavelmente os maiores partidos e desfavorece os menores (só para terem uma ideia, nas últimas legislativas, em 2005, o PS teve 45,03% de votantes e obteve 52,60% de mandatos de deputado; o Bloco de Esquerda obteve 6,35% dos votos do eleitorado, mas não foi além dos 3,40% em número de deputados); isto é uma enorme entorse da democracia.
As leis eleitorais não têm que se preocupar em garantir governos estáveis, têm é que ter como preocupação máxima a criação de um Parlamento que traduza com rigor e exactidão as opções dos cidadãos votantes.
Traduzindo tudo isso para linguagem comum, o meu voto vale bastante mais se votar num dos grandes partidos, vale muito menos se votar num pequeno partido e não vale nada se votar branco ou nulo.
Nesse quadro, a pura e simples abstenção – por não se aceitar um sistema tão injusto – pode ser a opção mais lúcida.
Nessa perspectiva, só por ignorância se poderão acusar os abstencionistas de serem pouco democráticos ou de se estarem a marimbar para o regime.
Deverão, sim, ser responsabilizados os arquitectos do sistema politico-eleitoral por deixarem fora da opção válida de voto uns milhares muito largos de cidadãos."

 

Do nosso leitor 100 Anos. A propósito deste texto da Teresa Ribeiro.

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Na hora do rescaldo

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 28.09.09

Deixarei para mais tarde uma análise mais pormenorizada sobre o futuro que antevejo face ao panorama resultante das escolhas eleitorais dos portugueses. Por agora, apenas uma leitura aos resultados de cada partido.

 

PS - Foi o vencedor das eleições. Razão suficiente para cantar vitória. Na perspectiva de Sócrates, o facto de não ter ficado refém do BE para uma eventual maioria parlamentar justifica o seu rasgado sorriso, mas não vai ter vida fácil. A vitória desta noite pode significar a sua derrota a breve prazo. Precisará de gerir com pinças os acordos que vier a estabelecer à direita e à esquerda, até que uma moção de censura determine a sua queda.

 

PSD - O grande derrotado. Quando o maior partido da oposição sobe apenas 0,4%, num momento em que o governo é criticado à direita e à esquerda, demonstra a inabilidade da líder  e o falhanço rotundo da sua estratégia. Não se derrota um governo sem propostas concretas e sem credibilidade.

 

CDS - O grande vencedor. Não tanto pelo crescimento em número de votação (o BE subiu mais), mas por ter conseguido fazer o pleno dos seus objectivos. Reforço significativo da representação parlamentar e único  partido com possibilidade de fazer  um entendimento com o PS para a formação de um governo de coligação.

 

BE - O partido que mais subiu e único a duplicar a sua representação parlamentar, falhou o seu grande objectivo: obrigar o PS a entender-se com ele. Nem o significativo aumento da votação e o facto de ter eleito deputados em nove distritos evitam algum amargo de boca na hora do balanço final. Foi um dos grandes vencedores, mas a vitória de nada lhe  servirá se continuar a cometer os erros em que a esquerda europeia persiste. O PS estará à espreita de recuperar muitos dos votos que o BE agora lhe roubou, nas próximas legislativas. Corre o risco de se esvaziar se continuar a  persistir nos mesmos erros. Os eleitores não deixarão de perguntar para que servem 16 deputados se o BE não conseguir fazer passar algumas das suas propostas. 

 

CDU - Conseguiu eleger mais um deputado que em 2005 e, apesar de ter passado a ser a quinta força política, continua a ser a formiguinha laboriosa que vai levando a água ao seu moinho. Já muitos lhe decretaram a morte, mas resiste.

 

MRPP - Como é que um partido com 0,9% pode cantar vitória? Simples... Ultrapassou os 50 mil votos e passa a ter direito a uma subvenção anual de 3,33€ por voto. Basta fazer as contas para se perceber o sorriso de Garcia Pereira

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