Ainda a propósito do post aqui de baixo, vejo agora em reportagem televisiva que os partidos que aprovaram a nova lei de financiamento partidário - isto é, todos - alegaram que para o PCP, que tem todos os anos a Festa do Avante para organizar e um eleitorado envelhecido (eventualmente avesso a cartões de crédito e cheques), esta alteração é conveniente. Foi bonito ver este gesto de solidariedade para com os camaradas da assembleia!
Fica o exemplo. Em tempo de crise. Depois, não se esqueçam de ficar admirados com a abstenção. Tirando esta chamada de atenção, sou incapaz de comentar a aprovação parlamentar de hoje relativa ao financiamento partidário. Porque correria o risco de escrever alguns palavrões.
Talvez tenha sido o melhor atleta português de todos os tempos:
Joaquim Agostinho morreu, faz hoje 25 anos
António Lobo Antunes, Livro de Crónicas
A Feira do Livro de Lisboa já está no Parque.
Acho uma certa piada aos demagogos do desemprego, aqueles que acham que Portugal é imune à conjuntura económica que o rodeia e, plenos política barata, disparatam constantemente sobre o tema.
Compreendo que a história por vezes é cruel e muito difícil de digerir, afinal, em 2005, quando o desemprego descia em todo o lado, aumentava em Portugal. Não era?
Mas porque já estamos em 2009 e 2005 é um pesadelo passado, tomei a liberdade de "roubar" ao Jorge Assunção esta tabela, para partilhar a convosco minha reflexão.
Analisando a evolução 2007-2010 das taxas de desemprego, vemos que a Irlanda, exemplo de comparação tão querido do CDS/PP, vê a sua galopar 8,5%. Espanha, nossa vizinha embora isso nada releve para alguns, vê a sua disparar 11%, sendo que em 2007 era apenas três décimas superior à de Portugal.
Cá no Burgo, e segundo previsão do insuspeito Fundo Monetário Internacional, a taxa de desemprego cresce "apenas" 3%...
Se é o cenário desejável? Não, não é. Mas se em 2005, quando tudo estava internacionalmente saudável, o desemprego crescia em Portugal, imagino velocidade de crescimento superior à da luz hoje em dia, caso o PSD fosse governo.
não perca... o Cánau da Verdadji!
É, também, no respeito que os governantes têm por aqueles que governam que se encontra a grandeza do país em causa. E os jornalistas são, além de vigilantes para com os abusos do poder, os melhores intermediários que um povo pode ter na sua relação com quem exerce o poder.
A foto foi roubada daqui e uma óptima entrevista com o recém eleito presidente Obama pode ser encontrada aqui.


Os Panhard (França) pós-Guerra:
Dyna X (1948/54), Dyna Z (1954/59),
PL 17 (1959/65) e CT 24 (1964/67).

As galinhas de Fafe numa manifestação espontânea, após a visita do inspector à Escola Secundária. Noutro cartaz podia ler-se: "Isto não é Aveiro, aqui os ovos não são moles". E num outro, ainda: "Fora com os trouxas de ovos".
(* Título roubado à Leonor)
TRAPALHADAS SOCIALISTAS
1. O cartaz é do PS. O lapso era grosseiro: estava errada a data de adesão de Portugal à CEE. Culpa do partido? Nada disso: a culpa foi da gráfica.
2. O tempo de antena é do PS. Com base numa iniciativa inqualificável: filmar crianças numa escola pública do ensino básico fazendo-as elogiar o Magalhães para as utilizar sem pré-aviso na propaganda eleitoral. Culpa do partido? Nada disso: a culpa foi da produtora.
É o título de um artigo que tive a oportunidade de escrever para o "Público", a propósito dos primeiros "cem dias" de Obama. Para os interessados, e para quem não pôde ler (o acesso online é restrito a assinantes), fica aqui a peça (longa, desde já previno).
"A referência aos primeiros cem dias de governação como um importante barómetro político nasceu com a Presidência de Franklin Roosevelt, cujo início foi caracterizado justamente por uma crucial e frenética acção governativa, determinante para salvar os Estados Unidos de uma crise sem precedentes. O momento era especialmente grave: o desemprego atingira em 1932 os 24%; a economia conhecera uma contracção de 13,4% e o sistema bancário estava à beira do colapso. Impulsionado por uma vitória retumbante, Roosevelt avançou porém com um vasto programa político capaz de combater aquele cenário negro, fazendo jus ao lema que havia enunciado no seu discurso inaugural: «A única coisa de que devemos ter medo é o próprio medo».
A Norte andam a passar-se fenómenos estranhos. Primeiro foi o caso Charrua, magistralmente resolvido pela Moreira excelentíssima. Agora mais a Norte surge outro fenómeno curioso. Na sequência da chuva de ovos com que a Ministra da Educação foi recebida em Novembro último, a diligente Inspecção-Geral da Educação pôs pés ao caminho para averiguar do feito. Até aqui tudo normal. Contudo, nem tudo correu bem e o alerta foi dado pelos pais dos alunos da Escola Secundária de Fafe. A fazer fé na notícia, o Inspector lembrou-se de questionar os alunos sobre o possível envolvimento de professores na chuvada de ovos,estimulando a delacão. Além dos menores não poderem ser ouvidos sem a presença dos pais ou quem os represente e não o tendo sido, como parece ser o caso, foi cometida uma ilegalidade, não se entende o teor destas inquirições. Prefiro acreditar que foi trabalho do Bruxo de Fafe a admitir que este país vai de mal a pior e que se perdeu por completo o pudor.

... este foi o primeiro automóvel a chegar ao País do Sol Nascente? Pois é que foi mesmo. Trata-se de um Panhard & Levassor, fabricante francês, e foi importado pelo Japão em 1898.
Eles voltaram, após ano e meio de ausência. E voltaram em forma. Aí está, de novo, o Dolo Eventual. É o nosso blogue da semana.
«Portugal é um país onde é fácil ser corrupto.» Frase de um participante de um dos fóruns da rádio, há poucos dias.
A Joana atribuiu ao DELITO DE OPINIÃO o prémio Este blogue é tão bom que até arrepia. E desafia-me a mencionar outros blogues que mereçam esta distinção.
Para validar a escolha, há que dar os seguintes passos:
Agradeço a distinção, em nome de toda a tribo 'delituosa'. Falta acrescentar um agradecimento à Eugénia de Vasconcellos e ao José Simões, que também nos distinguiram. E sublinhar que Entre as Brumas da Memória, da própria Joana Lopes, também deve, por mérito próprio, ser incluída nesta galeria de blogues que admiro.

Lâmpada de Aladino em bronze*
(símbolo da Enfermagem)
* — Pedidos na caixa de comentários.
CINCO CANDIDATOS NA SIC NOTÍCIAS
O debate entre os cabeças de lista às europeias desta noite, na SIC Notícias, foi mais substantivo e - pareceu-me - também mais esclarecedor do que o da RTP. Com Nuno Melo e Miguel Portas a marcar pontos, Vital Moreira coladíssimo ao Governo, Paulo Rangel estranhamente apagado e Ilda Figueiredo igual a si própria.
Detalhemos um pouco.
ILDA FIGUEIREDO
O melhor. A sua reiterada preocupação com a "perda de soberania" de Portugal na União Europeia, o que faz dela, aparentemente, a mais patriótica dos cabeças de lista.
O pior. A contradição em que cai com frequência ao reclamar contra o "directório das grandes potências europeias" enquanto reclama mais dinheiro dessas mesmas potências.
A frase. "É necessária uma ruptura com estas políticas do capitalismo, do neoliberalismo."
MIGUEL PORTAS
O melhor. Procurou sempre centrar a discussão nas questões europeias. Reclamou um referendo europeu, negado pelo PS e pelo PSD, e mais poderes efectivos para o Parlamento Europeu.
O pior. Diz-se "europeísta", mas é fácil confundi-lo com um eurocéptico.
A frase. "Não sou europorreirista, como Vital Moreira e Paulo Rangel."
NUNO MELO
O melhor. Foi o mais eficaz nas críticas a Vital Moreira, lembrando que no anterior debate o candidato socialista chegou a elogiar José Sócrates por ter reduzido os impostos, proeza que mais ninguém vislumbrou.
O pior. Passou uma esponja no passado eurocéptico do CDS, como se isso nunca tivesse existido.
A frase. "Não somos eurocépticos nem eurocalmos. Somos europeístas convictos."
PAULO RANGEL
O melhor. Esteve sereno e calmo. Introduziu no debate um dos temas mais importantes - a baixíssima aplicação dos fundos europeus em Portugal, no âmbito do actual QREN (quadro de referência estratégico nacional).
O pior. Esteve sereno demais.
A frase. "A concorrência ajuda não apenas as pequenas e médias empresas mas os pequenos e médios estados."
VITAL MOREIRA
O melhor. Rebateu com alguma eficácia as posições eurocépticas dos partidos à sua esquerda.
O pior. Demasiado colado a Sócrates, elogiou o Governo por ter conseguido desbloquear verbas europeias sem assinalar que essa verbas só têm vindo a ser residualmente aplicadas.
A frase. "Não quero ganhar o campeonato da algazarra, da vozearia e da mistificação."
«Em política, quem passa a vida a ter de esclarecer, corrigir, especificar, desmentir, clarificar, o que disse é porque não acerta. Está nos livros», diz o Jorge Ferreira, no Tomar Partido. E tem razão - é mais ou menos como um actor cómico que se vê obrigado a explicar a piada, perante o sorriso amarelo da assistência.
- Se faz favor, para o Pingo Doce?
- A senhora vai sempre em frente. Quando chegar à rotunda vira à esquerda e depois é passando o "porreiro pá" logo à direita.
- Ora bolas, tinham-me dito que era depois do Vital Moreira e já tive que dar uma volta enorme...
- Isso foi alguém que não é de cá e fez confusão, de certeza. O Minipreço é que é logo a seguir ao Vital Moreira. Mas é o Minipreço...
Alguém perguntou ao governo "onde foi buscar o dinheiro"? Já está esclarecida a questão?
«Eu não consigo falar!... Pois... Eu peço desculpa... mas de facto não consigo falar!...»
(Maria de Lurdes Rodrigues, na Assembleia da República)
Fonte "ultra fidedigna" comunicou-me que esta linha visa ajudar a Dra. Manuela Ferreira Leite a superar um problema de solidão que se tem vindo a agudizar nas últimas semanas.
Muitos dos que foram eleitos consigo viraram costas e muito do eleitorado tradicional do PSD tem-se transferido para outras cores, o que tem deixado a líder cada vez mais sozinha e com medo que os poucos que sobram abandonem o barco.
Devemos ter especial sensibilidade por esta mensagem ser eminentemente para dentro do Partido, um apelo desesperado para evitar a debandada geral.
Sejamos solidários com a sua causa.
A reacção de Vitalino Canas à entrevista de Ferreira Leite, segundo notícia do DN: "Vitalino Canas, porta-voz do PS, disse que as palavras da líder do PSD sobre soluções de Governo «só visam obscurecer uma escolha clara: só haverá estabilidade com uma maioria absoluta» dos socialistas."
NADA A VER
Pacheco Pereira tem andado muito distraído, a contemplar o banco de jardim do Alto de Santo Amaro. Talvez isso explique o tom eufórico com que garante, no seu blogue, que só agora Zapatero apresentou o cabeça de lista do PSOE às europeias. Anda nove meses atrasado, o ideólogo de Manuela Ferreira Leite. Desde Julho de 2008 que era conhecido esse cabeça de lista - Fernando López Aguilar, ex-ministro da Justiça de Zapatero e actual secretário-geral dos socialistas das Canárias. Nada a ver com 14 de Abril de 2009, a data que Ferreira Leite escolheu para apresentar o cabeça de lista do PSD às europeias.
Liberdade só da boca para fora - e fora de casa. Lá dentro, impera o regime do inquérito interno, para travar qualquer fuga à ortodoxia. Em qualquer mês do ano. Incluindo Abril.
Calculadora Remington 73P
(décadas de 30 e 40)
Manuela Ferreira Leite voltou a meter os pés pelas mãos. Como quando falou em suspender a democracia por seis meses ou sustentou que não deviam ser os jornalistas a seleccionar as notícias que difundem. Entrevistada ontem por um Mário Crespo que se excedeu em benevolência, no prime time da SIC, a presidente do PSD abriu a porta a um entendimento com o PS para um futuro governo de Bloco Central, confirmando que as divergências com José Sócrates são de forma e não de fundo. Como tem vindo a ser hábito, não tardaram os oficiosos hermeneutas de serviço a traduzir as palavras de Ferreira Leite, procurando interpretar o seu verdadeiro pensamento sobre a matéria: diz que disse que não disse. É um clássico, desde que a ex-ministra das Finanças ascendeu ao posto supremo do partido: os seus apaniguados tremem cada vez que abre a boca. Confirma-se: a senhora não é fadada para estas lides. O PS só pode agradecer ao PSD. Espero sinceramente que Sócrates não seja ingrato.
ADENDA 1. Por tudo isto, não admira que personalidades do partido, como Marcelo Rebelo de Sousa, Pedro Santana Lopes, Pedro Passos Coelho e Nuno Morais Sarmento confessem não se ter dado sequer ao incómodo de ver a entrevista. E admira ainda menos que os votos de comunistas e bloquistas, conjugados, andem muito perto dos do PSD.
ADENDA 2. Curiosa, cada vez mais curiosa, a simetria entre José Sócrates e José Pacheco Pereira. Um queixa-se da 'campanha negra' contra ele, o outro queixa-se da 'campanha 'contra a líder dele. Desta vez, ao menos, Pacheco dispara contra "os jornalistas" em geral, sem fazer discriminações: a 'conspiração' é global. Aqui entre nós, que ninguém nos ouve, isto anda tudo ligado. E o Elvis não morreu: foi raptado por marcianos.
Fiz em tempos um trabalho sobre autarquias locais. Para esse trabalho tive uma enorme ajuda do meu amigo Luís Bento, que é consultor. Um dos seus contributos foi traçar o perfil-tipo de quem ocupa as cadeiras da presidência nos municípios portugueses. Deixo a seguir 13 tópicos que ele definiu.
Ao Notas ao Café.
Juan Luis Cebrián é uma referência importante no jornalismo europeu. Pelo papel que teve na fundação e consolidação do El País como principal jornal espanhol - e também pela sua acção como pedagogo, revelado enquanto autor de obras como Cartas a um Jovem Jornalista. Por tudo isto, foi enorme a minha decepção ao ler ontem, no El País, um texto dele sobre Nicolas Sarkozy que mais não é do que um desabragado panegírico ao Presidente francês. Um texto que descredibiliza a reputação de Cebrián, a tal ponto que pode apresentar-se, em futuras cartas a jovens jornalistas, como exemplo evidente do que não se deve escrever.
Seguem alguns trechos desta longa conversa entre Cebrián e Sarkozy, intitulada 'O Poder e a Felicidade':
Leio esta autêntica peça de propaganda ao Presidente francês e questiono-me, como outras vezes já fiz, sobre o que levará tantos profissionais da informação - incluindo alguns dos mais conceituados - a sucumbir com aparente facilidade aos mecanismos de sedução do poder. Por cada Bob Woodward, que se mantém como jornalista tantos anos depois do caso Watergate, surgem oito Cebriáns - ou nove, ou dez, que cedo trocam as redacções pelas administrações de órgãos de informação e passam a encarar o poder político com olhos cúmplices, perdendo a perspectiva crítica que outrora cultivavam.
Há muitas formas de desprestigiar a profissão. Esta é uma das mais eficazes. E uma das mais letais - por vir de dentro.
Tal como previra, esta série vai ter pernas para andar. Veja-se este curioso texto de Carlos Manuel Castro, no Eleições 2009: "[...] caso o PS ganhe as próximas eleições legislativas com minoria, tal representaria uma forte ameaça à estabilidade nacional. Com uma direita sem rumo nem causas, apenas preocupada em sobreviver, e com uma esquerda totalmente irresponsável e desprendida do bem-estar dos portugueses, como ficará o País sem a estabilidade política destes anos? Condenado a um período de quase ingovernabilidade."
A propósito do desaguisado que opôs Ana Gomes a Manuela Ferreira Leite, a propósito das "negociações" entre Alberto João Jardim e o PSD sobre candidatos(as) elegíveis, a propósito dos "piropos" que ainda estão para vir — a propósito, enfim, das candidaturas femininas impostas e desse inesperado número de mulheres obrigadas a entrar à força na política — receio bem que a lei da paridade só contribua para umas valentes e escusadas "peixeiradas".
Oxalá eu me engane, mas ainda estamos na pré-campanha e há já vários episódios que se dispensavam. De resto, se querem saber, nem vejo onde está a tal paridade. Uma mulher para cada dois homens? Isso é que é paridade? Pois a mim parece mais ménàge à trois...
Aabamos de atingir a cifra dos cem mil leitores, o que muito nos satisfaz. Com 1023 visitas diárias e 3708 páginas consultadas por dia, em média. E 5,24 minutos de permanência por leitor, também em média - o que é um sinal evidente de que não falta quem aprecie o que vamos escrevendo. Além de ligações a cerca de 280 blogues, de Portugal e do estrangeiro. Menos de quatro meses após termos iniciado este DELITO DE OPINIÃO.
Razões de sobra para continuarmos. Com tanto ânimo como até aqui.

Não bastava a crise económica generalizada, a insegurança do terrorismo à escala planetária, o aquecimento global... agora até as doenças dos porcos constituem uma ameça de pandemia. A humanidade está a atravessar um qualquer fim de ciclo.
Um dia destes, um amigo dizia-me que um escritor atinge a sua qualidade máxima por volta dos 36 anos. Depois, é sempre a cair. Este fim-de-semana, li que o Ian McEwan está a escrever um romance sobre as alterações climáticas. Depois do Le Carré e do José Rodrigues dos Santos, eis que a escassez dos recursos chega ao feudo mais canonizado da literatura contemporânea. Confesso que leio as obras mais recentes de McEwan por preguiça de abandono: não gostei de Saturday (pobrezinho, previsível, demasiado correcto), nem de On Chesil Beach (infantil, quase). Parece-me que tenho o argumento final para o deixar nas prateleiras: os 36 anos de McEwan já lá vão. Resta a pergunta: para quando o romance sobre a gripe suína?
TOCA A ACHINCALHAR
Li este texto uma vez, e outra. E tive grande dificuldade em acreditar no que lia. Parece-me inconcebível que uma candidata ao Parlamento Europeu, órgão político que deve ser o reduto supremo da cidadania, aluda assim a uma dirigente política só porque esta cometeu o pecado de pertencer a outro partido. Mais que isso: concebo mal que uma mulher se dirija assim a outra mulher, sendo ambas políticas. Isto porque fui escutando, ano após ano, como justificação definitiva para a introdução de quotas sexuais nas listas eleitorais, que as mulheres têm uma forma muito diferente dos homens de estar na política. São mais elegantes, mais cordatas, menos explosivas, menos cavilosas, resistem sem dificuldade à tentação de achincalhar o adversário - presumia eu. Enganei-me redondamente: Ana Gomes acaba de me demonstrar até que ponto eu estava errado.
ADENDA: Vital Moreira, cabeça de lista do PS e parceiro de blogue de Ana Gomes, reitera aqui a sua aversão aos ataques pessoais na política. Nada mais a propósito: só posso concordar. Ressalvando, naturalmente, o que assinalei aqui.
Os falantes-em-teu-nome

Quando era miúdo, um dos meus passatempos era coleccionar cromos da bola, numa caderneta que dava direito a prémio quando completa. Trocava os "repetidos" - os que estavam sempre a sair - com os meus amigos e havia os "dificílimos", aqueles que raramente saíam e que, praticamente, inviabilizavam o prémio. Por vezes, trocávamos os "dificílimos" por uma série de "repetidos", sempre no afã de completar a caderneta e ganhar a bola brilhante que o estabelecimento ostentava. Leio, agora, que a PSP se prepara para lançar uma variante dos cromos, só que agora já não da bola, mas do crime. Lê-se, no JN, que várias esquadras do país estão a impor "números-base" de detenções a fazer até ao fim do ano.
Estou a ver os polícias:
- Então, já detiveste este?
- Ora, esse é "dificílimo". Mas tenhos alguns "repetidos" para a troca...
- Ora, esses toda a gente detém...
- Troco 10 "repetidos" por um "dificílimo".
- Bem, deixa-me pensar...
(Palpita-me que todos vão completar a caderneta. Porque, neste jogo, os "repetidos" valem tanto como os "dificílimos"...)
1. A Daniela Major celebrou o primeiro aniversário da sua Câmara dos Lordes. Muitos parabéns.
2. Saúdo o Lutz Brückelmann por ter reaberto o Quase em Português. Já era tempo.
3. Verdadeiro acontecimento é o regresso do Dolo Eventual, que se despediu com um "voltamos já" em Outubro de 2007 e esteve ano e meio em silêncio. Um abraço a todo o "bando doloso", com votos de muitos e bons posts.
4. A Joana Lopes lançou-me este desafio. Não tardo a dar resposta.
5. A Cristina Vieira lança, por sua vez, este desafio ao DELITO em peso, num dos posts com mais ligações já surgidos este ano na nossa blogosfera. Desafio aceite, como se tem lido por cá nos últimos dois dias.
(um grande, grande filme)
Ao Macau Antigo (de Macau)
Faz hoje trinta e cinco anos que a mulher do PIDE dormiu lá em casa. Apesar do meu pai ter visto o PIDE rumar ao seu trabalho, talvez na António Maria Cardoso, e não o ter avisado de que havia uma revolução em curso e que provavelmente não voltaria para jantar, a mulher do PIDE era colega da minha mãe na escola, tinha dois filhos pequenos, o mais novo ainda de colo, e ficou completamente só com as crianças numa casa que ficava na mesma rua que a nossa, apenas umas casas abaixo e do outro lado. Do PIDE ninguém teve pena lá em casa, havia de pagar o que fez aos outros, os primos da minha mãe eram repetidas vezes presos pela PIDE bem como o padre amigo da família, sabia-se lá em casa muito bem quem eram e ao que iam, mas a pobre mulher, professora de Francês com duas crianças pequenas, era digna de compaixão e assim dormiu a primeira de algumas noites no sofá-cama da sala com a criançada.
«O que me ocorreu foi aquela visão cinzenta, para não dizer mais forte. Salazarenta (...)»
(Mário Lino em resposta a Paulo Rangel, nas televisões)

(série da RAI, de 1984 a 1999)
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Pasta Dentífrica Couto actual*
(antiga Pasta Medicinal Couto, desde os anos 30)
* — Disto ainda há, mas está sem graça.
Pink Panther Theme por Henry Mancini
A pantera cor-de-rosa (1963) de Blake Edwards
Abril, águas mil. Do Tomás Vasques, no Hoje Há Conquilhas.
26 de Abril. De Nuno Cunha Rolo, no Arcádia.
Luta pelo poder(zinho). Do Carlos Abreu Amorim, no Blasfémias.
Controleiros do PS em tudo o que mexe, da bloga até ao twitter. Do Henrique Raposo, no Clube das Repúblicas Mortas.
A aldeia mais portuguesa de Portugal. Do António Figueira, no 5 Dias.
O misterioso minuto 58. Do Jorge Ferreira, no Tomar Partido.
Mr. Biswas. De Ana Cássio Rebelo, na Ana de Amsterdam.
Camus na Figueira da Foz. De Luís Januário, n' A Natureza do Mal.
Imagens e palavras. De David Luz, na Linha dos Nodos.
Manoel de Oliveira. De João Campos, no Jardim de Micróbios.
Jack Cardiff (1914-2009). Do Henrique Raposo, no Clube das Repúblicas Mortas.
As boas ideias resistem ao tempo... Do Pedro Rolo Duarte.
(Produção da Rede Globo, 1985-86)

... o Fiat 600 Multipla, ainda em meados dos anos 50, foi o primeiro ensaio do conceito "monovolume"? É verdade: trata-se de um carro que criou a ideia de espaço amplo; ainda por cima, com motor traseiro, porque este modelo nasceu do histórico Fiat 600, cuja pequena mala e roda sobressalente eram na frente. Na foto (um modelo de 1966) do interior em que se vê o volante, vê-se também essa roda arrumada adiante do passageiro da frente, visto que o habitáculo teve de avançar sobre o eixo dianteiro.
Com seis lugares, quatro deles com bancos rebatíveis, o 600 Multipla era um carro versátil e invulgar, mas nunca conheceu grande sucesso, ao contrário do célebre 600 que lhe serviu de base e que teve várias gerações. Porém, os Fiat 600 Multipla foram táxis muito populares em várias cidades italianas, até ao início da década de 70.
A divergência -- e a crítica -- pública de Rui Rio tem dado muito que falar, como não poderia deixar de ser. A crítica, dura nos termos e expressa de forma muito clara, causou incómodo. José Pacheco Pereira, porém, não veio de imediato acusá-lo de criar um "facto" hostil a Manuela Ferreira Leite. Adiante. Não sei quais foram as intenções de Rui Rio, nem tal me parece especialmente relevante. O que sei é que Rui Rio não precisa de se 'demarcar' de Ferreira Leite para abrir caminho para a sua eventual candidatura, nem necessita de criar pretextos para o efeito. Julgo não ser necessário recorrer a grandes teorias de conspiração. Muito provavelmente, a explicação é simples e a expressão pública da divergência decorre da relevância que Rio atribui ao tema, nomeadamente por envolver a inversão do ónus da prova. Noutros tempos, noutros contextos, Pacheco Pereira manifestava a sua enorme preocupação com a inversão do ónus da prova. Desta vez, porém, o assunto não lhe mereceu uma linha. Um mísero bit.
Pois, não sei. Não digam é que a situação portuguesa é semelhante à da maioria dos restantes países da Europa. Curiosamente, para provar o argumento, recorrem invariavelmente à comparação com Espanha, como a tabela demonstra, não por acaso...
"Em Portugal estamos sempre a discutir o acessório! Estamos sempre a discutir o acessório! Estamos sempre a discutir o acessório! Estamos sempre a discutir o acessório!"
Clara Ferreira Alves, há pouco, na SIC Notícias
Todo o dia 25 de Abril sem possibilidade de ligar o computador (apesar de tê-lo na mala do carro, com ligação à Internet e tudo). Só agora escrevo, já em casa. Com o dia 26 já a levar mais de meia-hora, deixo aqui a ligação para o relato do meu dia 25 de Abril, não o de 2009 mas o de há 35 anos. O meu golpe demasiado azul.Dez anos depois, o grupo Auchan reincide na proibição da venda d’ A Casa dos Budas Ditosos de João Ubaldo Ribeiro. O responsável pelas compras do grupo considerou o livro pornográfico pela linguagem e decidiu não tê-lo disponível. Quando questionado acerca da proibição, o dito responsável considerou uma ‘falta de chá’ a pergunta, não tivesse ele de explicar a inanidade da censura ao Prémio Camões 2008. O livro foi escrito para a colecção Plenos Pecados e versa sobre a luxúria, logo não é de esperar uma linguagem angelical e imaculada, ainda mais se tivermos em conta que é narrado por uma mulher vetusta que sem pudor relata as suas experiências sexuais. Um grande passo, porém, até à pornografia. Bela notícia para um vinte e cinco de Abril.
Helena Matos (Blasfémias via Portugal dos Pequeninos): "Não sei se Sócrates é corrupto e espero bem que não seja. E sobretudo espero que deixe de ser primeiro-ministro não por ser arguido mas sim por os portugueses se fartarem dele e da sua concepção oligárquica do poder e da legislação".
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José Maria Gui Pimentel (perfil)
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