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O ser e o nada

por Pedro Correia, em 31.03.09

  

Jade era uma rapariga inculta, sem instrução, nascida e criada numa família desestruturada. O pai drogava-se, a mãe também. Os horizontes dela esgotavam-se num sonho: a fama televisiva. Conquistou-a, num desses concursos que fabricam celebridades como se fossem pudins instantâneos. Jade apareceu na pantalha, sentiu-se realizada. Mostrou-se tal como era a milhões de espectadores: uma jovem inculta, grosseira. Insultou outra concorrente do programa com epítetos racistas, tornou-se a rapariga mais odiada da Grã-Bretanha. Exibindo tudo em directo – a grosseria, os modos suburbanos, a falta de instrução, o analfabetismo funcional. Chamaram-lhe todos os nomes.

Um dia adoeceu. Também em directo. O veredicto médico desenganou-a, ela chorou lágrimas verdadeiras defronte das câmaras que a devassavam. Tornou-se a rapariga mais amada da Grã-Bretanha. Todos sentiram pena dela. Decidiu casar em directo, já com as marcas da doença bem visíveis. Todo o país reparou nela: uns fizeram-lhe elogios, outros também. Um dia destes morreu. Depois de uma agonia também registada quase em directo. O povo chorou lágrimas verdadeiras por ela, até o primeiro-ministro lhe prestou um comovido tributo.
Era uma rapariga inculta, de horizontes estreitos, igual a tantas outras de tantos outros subúrbios de tantos países. Só tinha um sonho: ser famosa. Concretizou esse sonho simplesmente por aparecer na televisão. Em directo, sempre em directo. Nos dias de sorte e também nas horas amargas do infortúnio.
Jade era uma rapariga vulgar. E também um perfeito símbolo do nosso tempo, em que ser é aparecer. Há milhões de Jades por aí. Sonham com a fama instantânea, com a celebridade sem esforço, com o dinheiro caído do céu. Devassadas no ecrã. Amadas e odiadas no ecrã. Vivendo e morrendo no ecrã, para o ecrã, pelo ecrã. E em directo, sempre em directo.

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Blogue da semana

por Jorge Assunção, em 31.03.09

Não. Não. Não twito nem facebuco. Não gosto de ser seguido, diz o autor do blogue em causa no mais recente post. Não é para seguir o autor, mas tão só para acompanhar os 'desafabos de um ermo' no palavras ermas.

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Isto não vai acabar bem

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 31.03.09

O Procurador-Geral da República desmente que os magistrados que investigam o caso Freeport estejam a ser pressionados. O Sindicato do Magistrados do Ministério Público garante que sim, e vai fazer queixas a Cavaco Silva. Ora, ou estou a ver mal as coisas, ou alguém está a enganar-nos. Por outro lado, vindo as divergências sobre a matéria do mesmo corpo de magistrados, alguma coisa me diz que isto vai acabar mal.

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RE: “Fait divers”: O atraso na ópera

por Adolfo Mesquita Nunes, em 31.03.09

Caro Diogo,

 

Onde é que eu digo que Sócrates começou a sua marcha inexorável para a derrota com esta vaia?

 

A única coisa que me interessou realçar é que a vaia obrigou Sócrates a repensar a sua estratégia e a duvidar do seu estado de graça. Não estamos perante uma manifestação, que tem sempre de ser planeada e organizada (ou instrumentalizada, até). Não estamos perante uma acção política da oposição que acabou em vaia. Não estamos perante uma marcha por uma ou por várias causas.

 

Estamos perante uma vaia espontânea. Que começou porque sim. Porque as pessoas tiveram vontade de o fazer, apesar do espaço em que se encontravam e da ocasião que as juntava. Num segundo, começaram a vaiar o primeiro-ministro sem que microfones o tivessem ordenado, sem que gurus os tivessem incitado, sem uma causa em particular que os juntasse a todos os outros que vaiavam.

 

Apenas isso. E não é pouco para forçar José Sócrates a perceber que algo tem de mudar, que foi o que procurei dizer no post que aqui escrevi. Mas se o PS e os socialistas acham que a vaia é coisa nenhuma e que tudo não passa, mais uma vez, de gente a mando de interesses obscuros, muito bem. Cada um sabe de si.

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Muito respeitinho

por Pedro Correia, em 31.03.09

  

 

"Difamar as religiões constitui um grave atentado à dignidade humana levando à restrição da liberdade religiosa e à incitação ao ódio religioso e à violência.” Acabo de citar uma proclamação do Papa, confrontado com as críticas recebidas na Europa durante a sua recente deslocação a África? Nada disso: é um trecho de uma resolução aprovada há dias pelo prestigiadíssimo Conselho dos Direitos Humanos da ONU, sob proposta do Paquistão, em nome da Organização da Conferência Islâmica. Aprovada por 23 votos, registando-se 11 contra e 13 abstenções, a resolução exprime “viva inquietação” sobre a “difamação” de que as religiões têm vindo a ser alvo, nomeadamente nos órgãos de informação, e aos estereótipos a que são reduzidas. Um esclarecedor exemplo assinalado no texto: “O Islão é frequentemente associado a violações dos direitos humanos e ao terrorismo.”

Os países europeus, o Canadá e o Chile votaram contra. Mas os países muçulmanos e outros representantes daquilo a que outrora se convencionava chamar o “Terceiro Mundo não alinhado, progressista e anti-reaccionário”, votaram a favor. É uma ironia dos tempos modernos: o laicismo está hoje em vigor, verdadeiramente, quase só nos países pertencentes ao que também outrora se convencionava integrar na esfera do “capitalismo mais agressivo, retrógrado e explorador dos povos”.
A partir de agora é favor tratar os assuntos religiosos com o conveniente respeitinho. O Conselho dos Direitos Humanos da ONU assim o ordena.

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Foi há muito, muito tempo... [2]

por André Couto, em 31.03.09

... decorria o trigésimo primeiro dia do mês de Março do ano da graça do Senhor de mil novecentos e quatorze quando foi criada a União Portuguesa de Football (UPF). Doze anos volvidos a designação seria alterada para a actual, Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Deixo esta efeméride num tempo em que urge realizar uma profunda reflexão sobre o futebol em português.

Olhando para outras Ligas vemos que os seus organizadores fazem questão de propiciar aos seus clubes meios para que possam crescer e prosperar. Em Portugal a FPF é há décadas um peso morto e amiúde alheado das responsabilidades que devia assumir. Em tempos difíceis e de desunião, avocar as funções delegadas poderia ser uma boa solução. É preciso coragem e é devido à falta dela que tudo está como está.

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Passado Presente (LI)

por José Gomes André, em 31.03.09

 

 

Bonanza (1959-1972 e posteriormente reposta na RTP e RTP2)

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Cavaco, o super-polícia?

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 31.03.09

O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) pediu uma audiência «com carácter de urgência» ao Presidente da República, no âmbito do processo Freeport. Alega que há pressões sobre procuradores para que o processo seja arquivado. Percebo o pedido, mas não me parece que seja este o caminho a seguir. Pressionar magistrados, da forma alegada, constitui crime. Ora, se há magistrados do MP que se sentem coagidos, devem, como titulares da acção penal, agir em conformidade, abrindo inquéritos contra os coactores. Parece-me mais adequado do que ir fazer queixinhas a Cavaco, assim transformado em super-polícia.

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 31.03.09

Ao Rio Sem Regresso.

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O ministro da semana

por Pedro Correia, em 30.03.09

Rui Pereira. No sítio do costume: o Prós e Prós.

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Um regime podre no seu esplendor

por José Gomes André, em 30.03.09

O grande Domingos Névoa - sim, o tal que foi condenado por corrupção activa por tentar subornar Sá Fernandes em Lisboa - é o presidente do Conselho de Administração da "Braval", empresa intermunicipal da região de Braga. Este país não existe... (via Nuno Gouveia, no 31 da Armada).

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Pensem comigo...

por Cristina Ferreira de Almeida, em 30.03.09

 

Em consequência da gravação divulgada sexta-feira pela TVI, José Sócrates emitiu um comunicado dizendo que vai processar os autores da difamação. Metade dos meios de comunicação social entendeu que ele ia processar a TVI, a outra metade decidiu que ele ia processar Charles Smith. A quem interessa a falta de clareza? José Sócrates quer que pensemos que ele admite que a TVI forjou a gravação? Que foi a polícia inglesa? Que é Charles Smith o autor da difamação? Ou que não lhe compete a ele decidir? Aproveitando a confusão, Charles Smith veio declarar que nunca injuriou nenhum político e que tudo isto é uma campanha antiga. Ao não negar ser o protagonista da gravação e ao lançar esta declaração no vazio, Charles Smith pretende o quê? Que pensemos que a gravação é forjada? Que, sabendo que não é considerada prova na investigação, pensemos que também ele é vítima da campanha negra? Colar-se a Sócrates para não ficar como o mau a fita? Estou confusa. Sinto-me parva. Deve ser esse o objectivo.

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"Boss" Obama!

por André Couto, em 30.03.09

Dizia este fim de semana José Sócrates que a direita havia ficado economicamente sem ideologia. Constatou um facto. É certo que as mentes mais liberais e simultaneamente com preocupação de manutenção de coerência devem estar há meses em reflexão.

Hoje foi a vez de Barack Obama vir a terreiro, não armado de grandes teorias, mas desferindo um ataque sem precedentes a essa coisa da ausência de intervenção dos Estados sobre os mercados. Numa só intervenção Obama pediu a demissão de Rick Wagoner patrão da General Motors (ao seu lado na fotografia) e exigiu a esta e à Chrysler profundas reformas e a elaboração de um plano de recuperação a ser analisado pelo Governo. Só depois haverá a decisão se o fluxo de capitais governamentais em direcção a estas empresas se mantém.

As reacções contam-se pelos dedos. Continua a ser um dado adquirido que a Obama tudo é permitido.

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A sociedade dividida em três

por Ana Margarida Craveiro, em 30.03.09

Structurally, we are endangered because many of the Western democracies are becoming tripartite states in which one-third of all taxpayers are employed by government at some level, one-third of the people are crucially dependent in some way on government support (welfare, Medicare, Medicaid, farm subsidies, and a gazillion other untrackable support programs), and one-third produces the income (the tax base) paid out in supports for the first two-thirds.

 

William D. Gairdner, na New Criterion.

 

A ideia de Gairdner é interessante, e tem consequências neste contexto de depressão. A crise começou por afectar inicialmente desempregados e classes mais baixas, que passam a depender do estado. Para os muitos que trabalham para o estado, houve duas hipóteses: reforma antecipada, para quem a pediu antes de os valores descerem no início deste ano, e  um agarrar-se com toda a força ao emprego, para todos os outros. Há um egoísmo implícito: quem tem 50/60 anos, recusa-se a abdicar de um cêntimo do que tem, mesmo sabendo que isso fecha as portas aos seus filhos. O que conta é o salário ao fim do mês, e esse é pago a horas pelo estado, com ou sem crise.

Claro que há um problema grave; os programas de apoio não se pagam a eles mesmos. Nada têm de sustentado. É evidente quem vai pagar esta almofada de protecção: o último terço. São os profissionais liberais que vão aguentar este Titanic, com os seus impostos. 

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A vaia

por Adolfo Mesquita Nunes, em 30.03.09

Houve um tempo -- há sempre um tempo destes em cada Governo -- em que José Sócrates julgou ter tudo sob controle. Houve um tempo -- há sempre um tempo destes em cada Governo -- em que José Sócrates viu em cada má notícia um pretexto para sacar um coelho na cartola. Houve um tempo -- há sempre um tempo destes -- em que José Sócrates se convenceu que o país inteiro se importunava com as perguntas da oposição e apreciava o silêncio da governação. Houve até um tempo -- há sempre um tempo destes -- em que José Sócrates acreditou que as trapalhadas podiam ser apagadas pelas atrapalhadas intervenções de Augusto Santos Silva. Houve um tempo -- para quê insistir? -- em que José Sócrates acreditou que os portugueses eram suficientemente distraídos para se deixarem comandar pelas técnicas de propaganda.

E há sempre um momento -- há em todos os Governos -- em que o primeiro-ministro se apercebe que as tácticas do costume já não resultam nem permitem vencer. Não sei se a vaia sofrida por José Sócrates marca, como diz o Pedro Picoito, o princípio do fim ou o fim do princípio. Mas sei que marca o momento a partir do qual José Sócrates percebeu que a maioria absoluta já não permite más notícias, arrogâncias gratuitas e disparates de Santos Silva.

A vaia pode marcar qualquer outra mais. Mas marca seguramente -- e já não é pouco -- o momento a partir do qual José Sócrates se viu forçado a mudar de estratégia. Veremos se muda, intensificando o controlo que exerce sobre o Governo e o espaço público ou se muda, começando a tratar o sistema político com o institucionalismo que lhe tem faltado.

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Foi há muito, muito tempo... [1]

por André Couto, em 30.03.09

... decorria o trigésimo dia do mês de Março do ano da graça do Senhor de mil oitocentos e cinquenta e três quando nasceu em Groot Zundert o pintor holandês Vincent Willem van Gogh.

Foram 37 anos de vida profícuos como poucos e que marcaram a história da pintura. Van Gogh foi injustiçado ao seu tempo, sendo que o reconhecimento e valia da sua obra apenas chegaram a título póstumo. Com o valor actual de um quadro, viveria toda uma vida de luxo e opulência, mas ao tempo sobreviveu com dificuldade, nunca assegurando o auto-sustento. Suicidar-se-ia em 1890, fruto de profundos problemas mentais.

 

  

 

Da sua vasta obra deixo o seu "Auto-Retrato", "O Quarto" e "Girassóis".

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Maurice Jarre (1924-2009)

por Pedro Correia, em 30.03.09

 

Quando penso numa banda sonora ideal, como parte integrante de um filme, vem-me logo à memória a de Lawrence da Arábia (1962). Pensei nisso há pouco, ao saber da morte de Maurice Jarre, um dos maiores compositores de música para a Sétima Arte. Relembro, uma vez mais, aqueles acordes hipnóticos que sublinham o recorte do perfil de Lawrence sob um mágico nascer do sol nas areias eternas do deserto, fixado pelo talento cinematográfico de David Lean.

Raras vezes a palavra perfeição merece ser tão usada como aqui.

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De Portugal inteiro (23)

por Pedro Correia, em 30.03.09

Capela Arraiana (do Sabugal)

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Quem se vê na TV (5)

por João Carvalho, em 30.03.09

Os perguntadores agendados

Andam sempre com uma agenda decorada na tola (que é como quem diz: "encornada"). Os perguntadores  agendados são repórteres que, normalmente, fazem serviço exterior de cobertura às entradas e saídas de personalidades presentes em quaisquer acontecimentos previamente anunciados.
Para os perguntadores agendados, as respostas que obtêm dos entrevistados à queima-roupa são pouco ou nada importantes. Jamais ouvem as declarações que vão apanhando, por muito que elas suscitem outras perguntas certeiras, porque nunca se habituam a pensar por eles próprios: levam o encadeamento das perguntas que têm para fazer previamente agendado na mioleira. Vejamos um exemplo.
Na campanha para as eleições autárquicas de 2005, Manuel Maria Carrilho era o candidato do PS a presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Certa vez, Carrilho decidiu declarar que acabaria com o problema do trânsito na capital e disse que os bons exemplos têm de vir de cima, dos responsáveis políticos. O disparate é que garantiu aos repórteres que iria pôr o governo todo a andar nos transportes públicos.
Ora, a pergunta necessária seguinte era óbvia: saber se Manuel Maria Carrilho estava ou não a imaginar um ministro numa paragem de autocarro na cavaqueira com o seu segurança ou o primeiro-ministro a entrar numa composição do metropolitano com uma dúzia de guarda-costas atrás em fila.
Claro que essa pergunta mais do que evidente ficou por fazer. O candidato teve sorte na sua parvoíce, porque só havia os perguntadores agendados por perto e eles nem devem tê-lo ouvido falar. Já tinham a pergunta agendada seguinte a escorrer-lhes dos miolos para a ponta da língua. Era, quase de certeza, sobre algum tema palpitante do momento, como o clima ameno de Lisboa e os efeitos para o Mar da Palha do degelo no Ártico...

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Passado presente (L)

por Teresa Ribeiro, em 30.03.09

Os Marretas

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 30.03.09

AO Sinaleiro da Areosa.

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Momentos de ironia involuntária

por Paulo Gorjão, em 29.03.09

José Sócrates passou o tempo todo a criticar o PSD. Vital Moreira seguiu a mesma linha com igual afinco e empenho. Repito, José Sócrates e Vital Moreira passaram uma parte significativa da sessão de pré-campanha a criticar a oposição e o PSD em particular. No meio da orgia crítica, de forma completamente incoerente, Vital Moreira lembra que as eleições europeias não devem ser instrumentalizadas e aproveitadas para criticar...

... o Governo!

Moral da história?

Faz aquilo que eu digo, mas não faças aquilo que eu faço. As eleições europeias servem para criticar a oposição, mas -- credo, cruzes, canhoto! -- não podem servir para criticar o Governo. O Governo, como se sabe, está acima de qualquer crítica. Aliás, o Governo nada tem que ver com opções de política europeia. É preciso ter lata...

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Condenados ao desemprego

por Pedro Correia, em 29.03.09

Têm menos de 30 anos. Mas estão condenados a prosseguir a formação, a viver com os pais mais tempo ainda e a esperar. Porque terminam os estudos em plena crise. E sem oportunidades. Uma excelente reportagem do El País, que recomendo. Fala da Espanha de Zapatero. Mas tudo isto se passa também no Portugal de José Sócrates, onde a geração mais bem preparada de sempre, em termos académicos, para enfrentar os desafios profissionais parece afinal condenada ao desemprego. Nunca se estudou tanto como agora. E nunca a falta de perspectivas foi tão notória. Felizmente, existe Angola. Para as estatísticas serem menos chocantes deste lado da península.

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A cor dos homens

por João Carvalho, em 29.03.09

Estava a chegar perto da televisão e apanhei a parte final d'As Escolhas de Marcelo Rebelo de Sousa, nos minutos derradeiros que ele dedica aos livros que recebe. Tinha ele na mão um livro (O Mundo em Mudança, se bem consegui perceber) em cuja capa se destacam os rostos sorridentes de Mário Soares e de Barack Obama.

Lembrei-me que o nosso antigo Presidente, afastado George W. Bush da Casa Branca, deve andar actualmente muito satisfeito com o actual Presidente dos EUA. Ao ver aqueles dois rostos na capa do livro, o velho líder socialista e o jovem estadista democrata lado a lado, vê-se bem que são ambos da mesma cor.

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Ferreira Leite e o Freeport

por Paulo Gorjão, em 29.03.09

É impressão minha, ou há um upgrade na posição de Manuela Ferreira Leite relativamente ao caso Freeport? Embora continue sem comentar, há um elemento novo de pressão sobre o poder judicial?

Haja ou não essa nuance, a posição da líder do PSD parece-me institucionalmente correcta.

 

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Músicas de filmes (VIII)

por Jorge Assunção, em 29.03.09

 

Also Sprach Zarathustra por Richard Strauss

2001: Odisseia no Espaço (1968) de Stanley Kubrick

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De blogue em blogue

por Pedro Correia, em 29.03.09

1. A Montanha Mágica é nome de romance. E é nome de blogue, agora a festejar o sexto aniversário. Parabéns ao seu autor, Luís Miguel Dias.

2. João Sousa André relançou a sua Estação Central. E fez muito bem.

3. Joaquim Queiroz, veterano jornalista, surge em grande na blogosfera. O título é um achado: Essa de Queiroz.

4. O Rui Bebiano mudou de casa: está agora aqui.

5. Reforços de Primavera: Miguel Esteves Cardoso e João Pereira Coutinho na Geração de 60.

6. O Blogue de Direita e o Blogue de Esquerda vão dar imenso que falar.

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Passado presente (XLIX)

por João Carvalho, em 29.03.09

 

Citroën D-Special

(França, 1974)

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O 'apagão' de Queiroz

por Pedro Correia, em 29.03.09

 

Carlos Queiroz, que foi levado aos ombros pela "opinião" desportiva nacional quando Gilberto Madaíl decidiu pô-lo no lugar de Scolari, recolocou a selecção portuguesa de futebol no trilho das "vitórias morais". Com opções tácticas inexplicáveis (chegou a fazer alinhar três defesas centrais, jogou parte do desafio sem ponta de lança), uma absurda escolha do onze inicial (se Deco estava em condições de jogar, por que motivo só entrou no terço final do jogo?) e a habitual falta de ousadia que o caracteriza, o "professor" tão celebrado pelos crânios da modalidade viu esta noite a sua equipa rubricar mais uma exibição medíocre contra uns suecos medianíssimos, no estádio do Dragão. Resultado: zero a zero. Há quase trezentos minutos que Portugal não marca um golito nas balizas adversárias, o que constitui um perfeito retrato desta "era Queiroz". O que falta na selecção? Quase tudo: motivação, acerto de pontaria, espírito vencedor. Sobram os habituais cálculos aritméticos de última hora e o fado choradinho dos "quatro penáltis não marcados" com que o seleccionador, bem à portuguesa, se desculpou na sequência deste fruste empate caseiro com sabor a derrota. Houve lenços brancos no estádio. Vieram a propósito: bem podemos dizer adeus ao Mundial da África do Sul.

Era a noite em que os ambientalistas planetários nos tinham aconselhado a apagar todas as luzes entre as 20.30 e as 21.30 - à hora do jogo, portanto. Penitencio-me desde já: devia ter-lhes dado ouvidos. Antes esse apagão do que o outro, que aconteceu no estádio.

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 29.03.09

A Arte da Fuga.

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É só amanhã, Zézito

por Leonor Barros, em 28.03.09

Alguém que diga a José Sócrates que a hora só muda amanhã. Chegar atrasado e alegar que a culpa é de outrem não é bonito e não lhe fica nada bem. Outra questão permanece porém: quem eram afinal os infiltrados que em pleno CCB vaiaram o Primeiro-ministro? Os comunistas, os sindicalistas ou os laboriosos da cabala que, ai dele, perseguem José Sócrates ardilosamente?

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Ninguém sabe

por Jorge Assunção, em 28.03.09

 

Na RTP2, hoje, pouco antes da uma da manhã, é transmitido um brilhante filme japonês, baseado numa história verídica que aconteceu no Japão em finais da década de oitenta. Entretanto, o economista Nattavudh Powdthavee é autor de um artigo polémico sobre as crianças e a felicidade que elas (supostamente) não trazem: Think having children will make you happy? Think again, suggests Nattavudh Powdthavee – you’re experiencing a focusing illusion. Para a mãe das crianças do filme em causa, estas não eram muito mais do que isso: um entrave à sua felicidade. Eu cá, ilusão ou não, vou continuar a considerar que as crianças trazem felicidade, a história real que originou o filme é que não me causa mais do que tristeza.

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Touché!

por José Gomes André, em 28.03.09
Leia-se o que escreve Miguel Morgado sobre a arrogância que grassa no meio académico português, sintoma aliás de um complexo cada vez mais disseminado entre nós: o horror à crítica, ao debate de ideias, à consideração de perspectivas diferentes das nossas: "Dizia-me um amigo das andanças académicas que estava preocupado com a incapacidade crescente manifestada pelos académicos portugueses de aceitar críticas ao seu trabalho. Repare-se que estou a falar do meio académico, em que a crítica dos pares desempenha um papel insubstituível na progressão do trabalho científico. E a queixa deste meu amigo pode ser verificada todos os dias, em todas as esferas de actividade. Somos um País de gente medrosa, insegura, freneticamente ciosa do risível quintal que vai assegurando, e em guerra com um conjunto infindável de ameaças que os outros suscitam. No fundo, isto é também um reflexo do País que fomos construindo nos últimos anos. Um País literalmente de bárbaros, isto é, de pessoas incapazes de manter uma conversação racional."

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Fumaça

por Paulo Gorjão, em 28.03.09

Esta mega-operação poderia ter tido lugar antes da divulgação do Relatório Anual de Segurança Interna. Acontece que ocorreu imediatamente após a divulgação de números incómodos para o Governo. Como não poderia deixar de acontecer, salvo explicação convincente, esta iniciativa não escapa à suspeita que foi ditada puramente por critérios de necessidade política do Governo -- e do MAI em particular -- e não por objectivos operacionais de segurança. Nada de novo, portanto...

[Adenda]

A isto chama-se ironia de fino recorte ainda que involuntária: o Público não encontrou melhor fotografia para ilustrar uma suposta mega-operação policial do que uma imagem de viaturas policiais junto a uma esquadra que já não existe...!

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Comunismo e ejaculação precoce

por Pedro Correia, em 28.03.09

 

A cineasta Raquel Freire concede hoje, ao semanário Sol, a mais hilariante entrevista que tenho lido na imprensa portuguesa de há muitos dias para cá. Fazendo um rasgado elogio dos "sistemas marxistas", onde "havia mais piscinas" do que no capitalismo, a realizadora de Rasganço compara os dois modelos alternativos de sociedade, centrando-se com nostalgia na Alemanha da era do Muro de Belim. E parece ver vantagens óbvias no comunismo: "O sexo na Alemanha comunista durava mais tempo e era melhor. As mulheres, como adoptavam as doutrinas feministas, achavam que também tinham que ter orgasmos, que não eram só os homens. Já as mulheres da Alemanha Ocidental faziam um bocado o papel de bonecas insufláveis, como as nossas mães e as nossas avós. Na Alemanha comunista usavam-se métodos contraceptivos e estava muito mais presente a ideia do sexo pelo prazer e não apenas com o objectivo da reprodução."

Certamente tão espantado como eu com esta torrencial associação entre sexo e ditadura comunista, o entrevistador, José Fialho Gouveia, pergunta-lhe: "O comunismo combate a ejaculação precoce?"

Raquel não se atrapalha: admite logo que sim. "Provavelmente, mesmo que os homens ejaculassem depressa eram obrigados a continuar a relação e a dar prazer às mulheres." Lembrei-me então daquelas célebres fotos dos beijos na boca entre Brejnev e Honecker - dois símbolos do anacrónico mundo comunista - destinados a selar a "solidariedade internacionalista" sob a foice e o martelo.

Nada melhor, com efeito, para combater a ejaculação precoce...

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Ainda as preservatices

por Teresa Ribeiro, em 28.03.09

Lamentamos, mas o cardeal Ratzinger é mesmo polémico. E enquanto as críticas, considerandos, adendas ou o que lhe queiram chamar que ele inspira partirem de católicos, nem sequer poderão argumentar que se trata de ingerências abusivas de ímpios nos assuntos da Igreja.

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Patxi López

por André Couto, em 28.03.09

Patxi López é o nome deste Senhor que vos trago hoje.

Decorria o mês de Março de 2002 quando chegou à liderança do Partido Socialista Euskadi (PSE), membro do Partido Socialista Obrero Español (PSOE). Desde cedo rompeu com a linha orientadora do PSE até então, que procurava construir uma frente antinacionalista com o Partido Popular, líder da oposição Vasca ao tempo. Recusou sempre ascender ao poder com o Partido Nacionalista Vasco e nunca se aliou ao Partido Popular.

Ousou mais: acreditou que era possível o PSE existir por si, lutar por si e conquistar o País Vasco com as suas ideias, ideais e princípios.

Sete anos volvidos torna-se o primeiro lehendakari (Chefe do Governo Vasco) não nacionalista, facto conseguido, agora sim, com o apoio do Partido Popular.

Patxi escreve com a sua mão uma nova página desta região tão conturbada de Espanha.

Socialistas ou não, todos devemos desejar o seu sucesso.

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Alfredo Farinha [1925-2009]

por André Couto, em 28.03.09

Vi agora, apenas agora, que faleceu o Alfredo Farinha.

Cresci a vê-lo na televisão a defender o meu Benfica. Ganhei enquanto criança espírito crítico com futebol a ler os seus textos, quando ainda tinha a ingenuidade de miúdo e ia todos os dias de manhã comprar A Bola à banca do Sr. Fausto.

Não me esqueço daquela forma espontânea e inabalável como defendia o Benfica. Parecia que lhe saíam o coração e o estômago pela boca cada vez que atacavam o Nosso Glorioso. Era assertivo e impunha um respeito único, jamais visto em defensores do Benfica em programas do género. Eram tempos difíceis, acumulavam-se os anos em que o título nos fugia, mas nem por isso o Alfredo desistia.

Sei que antes de tudo isto, antes de o Alfredo se afastar, muito deu ao mundo do futebol.

Ao Alfredo Farinha deixo o meu muito obrigado e a certeza de que a sua memória perdurará.

E Pluribus Unum!

 

[Adenda] Contributo do Pedro Correia:

O Alfredo Farinha era o penúltimo representante ainda vivo da melhor geração de jornalistas da imprensa desportiva portuguesa. Uma geração que transformou o jornal 'A Bola' num cartão de visita de Portugal em todos os continentes. Gente que escrevia bem, que tinha convicções e que não receava exprimir opiniões, não confundindo o confronto de ideias com ataques de carácter. Uma geração que incluía Vítor Santos, Carlos Miranda, Carlos Pinhão, Homero Serpa e Aurélio Márcio (este o único sobrevivente).
Li, desde miúdo, incontáveis textos do Alfredo Farinha, ainda naqueles velhos lençóis d'"A Bola". Presto aqui a minha homenagem, como leitor, à memória desse veterano jornalista.

 

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Queriam o quê?

por Teresa Ribeiro, em 28.03.09

Não há nada mais desinteressante e raro do que a felicidade feita de serenidade, solidez e candura que percebemos em certos casais de velhos que às vezes observamos na praia, entretidos um com o outro a fazer aquelas coisas que só as crianças e os velhos felizes sabem fazer. A outra, a dos balõezinhos de adrenalina, é um produto de contrafacção made in Taiwan.

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Ler

por Pedro Correia, em 28.03.09

Os deputados, o Parlamento, o Governo e o regime. De Fernando Martins, n' O Cachimbo de Magritte.

O dueto do Tratado. De João Tunes, na Água Lisa. 

A coisa aproxima-se. De José Medeiros Ferreira, no Bicho Carpinteiro.

O meu nome é melhor que o teu. Do Sérgio de Almeida Correia, n ' O Bacteriófago.

O apagão da inteligência. Da Helena Matos, no Blasfémias

Cem anos e três dias. De Vítor Pimenta, na Avenida Central.

Problemas de geografia. Do Francisco José Viegas, n' A Origem das Espécies.

Che. Na Ana de Amsterdam.

London, por Borges. De Luís Quintais, n' Os Livros Ardem Mal.

Islão, esse sítio porreiro para as mulheres. Do Henrique Raposo, no Clube das Repúblicas Mortas.

Gran Torino. Da Joana Carvalho Dias, no Hole Horror.

Gran Torino. Do Sérgio Lavos, no Auto-Retrato.

'Playboy' à portuguesa. De Pedro Adão e Silva, no Léxico Familiar.

Espelhos e reflexos #16. De Fábio Santos, no Jardim de Micróbios.

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Judge Dredd: I am the Law

por Paulo Gorjão, em 28.03.09

V. Ex.cia está inebriado pelas pequenas mordomias que o poder político lhe oferece. Viola leis elaboradas pelo próprio Governo de V. Ex.cia. Não vê inconveniente em prejudicar terceiros.

 

 

É caso para dizer que V. Ex.cia entrou na bolha do poder e denota sinais preocupantes de insensibilidade democrática. You're the Law, right?

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 28.03.09

AO Amigo do Povo.

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Estamos bem entregues

por Pedro Correia, em 27.03.09

O Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas, com sede em Genebra, tem esta brilhante composição: inclui países como a China e a Arábia Saudita, dois campeões mundiais da luta contra a pena de morte e da defesa intransigente dos mais elementares direitos cívicos e políticos. E ainda o Paquistão. E o Egipto. E até a libérrima Cuba. Um quadro idílico, que nos deixa a todos mais tranquilos. Por mim, só tenho uma pequena reclamação a fazer: faltam lá pelo menos quatro países para a defesa dos direitos humanos à escala mundial ser ainda mais completa. Refiro-me ao Sudão do suave benemérito Omar al-Rashid. Ao Irão do pacifista Ahmadinejad. Ao Zimbábue do delicado humanista Mugabe. E, naturalmente, à Coreia do 'Querido Líder' Kim, esse extremoso democrata.

Feita esta ressalva, só posso concluir: estamos bem entregues.

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É o contrário de bom estar

por João Carvalho, em 27.03.09

«Existiu algum mau estar (...)»

(Diogo Feio, sobre o "caso Freeport", no Jornal das 9, SIC-Notícias.)

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Passado presente (XLVIII)

por Leonor Barros, em 27.03.09

Os Cinco

 Livros de aventuras

(Literatura juvenil)

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Músicas de filmes (VII)

por Jorge Assunção, em 27.03.09
 

C'era una volta il West por Ennio Morricone

Aconteceu no Oeste (1968) de Sergio Leone

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Turbo-candidatos

por Paulo Gorjão, em 27.03.09

Para além dos críticos da treta, também temos os turbo-candidatos ou candidatos two in one: autárquicas + europeias. A isto chama-se subsídio de desemprego garantido. Se falhar a candidatura autárquica resta sempre a segurança do lugar em Bruxelas.

Como eleitor considero isto inadmissível. Uma fraude política.

Naturalmente não posso deixar de aplaudir a decisão tomada por Manuela Ferreira Leite no sentido de considerar incompatível as candidaturas autárquicas e legislativas. Espero, aliás, que o mesmo princípio prevaleça em relação às europeias.

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Críticos da treta

por Paulo Gorjão, em 27.03.09

Londres e Paris são excelentes locais para se criticar o Governo. Melhores do que Lisboa e o Parlamento em particular. Que o digam João Cravinho e Manuel Maria Carrilho, que na primeira oportunidade abandonaram a desprestigiada Assembleia da República. Um e outro, assim que foi possível, abdicaram do lugar de treinadores -- na Assembleia da República -- pelo de treinadores de bancada -- na remanso dos seus novos cargos.

Quem disse que não era possível estar com um pé fora e com um pé dentro ao mesmo tempo?

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Quem se vê na TV (4)

por João Carvalho, em 27.03.09

Os que falam em bold

Em regra, são políticos, mas podem ser profissionais de outros sectores. Os que falam em bold são quase sempre homens e são chamados com frequência a usar da palavra à frente de microfones, quer seja em contactos fortuitos, quer seja em debates, congressos e coisas desse género.
Para os que falam em bold, a construção das frases que debitam é normalmente fluente. A característica que os distingue dos oradores comuns é que cada oração de cada frase tem sempre uma palavra que se destaca das restantes pelo tom subtilmente elevado da voz, a marcar o discurso. Digamos que se trata de palavras que, vertidas a texto escrito em Microsoft Word, deveriam ser destacadas a ‘negrito’ ou bold.
Francisco Louçã e António Vitorino são bons exemplos deste grupo. Contudo, pertencem a dois subgrupos diferentes: os que falam em bold nas palavras-chave e os que falam em bold à toa, respectivamente.
Louçã utiliza a conhecida técnica discursiva da colocação de voz à pároco-a-fazer-um-sermão-num-funeral, em tom macio, aveludado, para não perturbar o sono dos justos. Recorre a um bold arredondado, a elevar-se-lhe da alma quase em surdina, muito típico dos que falam em bold, que é naquelas que considera as palavras-chave de cada frase.
Vitorino, por seu turno, limita-se a uma voz bem colocada, mas sem recurso a técnicas especiais. A única especialidade personalizada, mas atípica para a maioria dos que falam em bold, é a das palavras em bold serem escolhidas à toa, tipo não-te-atrevas-a-adormecer-quando-eu-estou-a-falar…

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Comovente Solidariedade

por André Couto, em 27.03.09

A Candidatura de Pedro Santana Lopes a Lisboa mostra claras semelhanças com a estratégia nacional de Manuela Ferreira.

Relembremos os momentos em que a Doutora se remeteu a um longo e estratégico silêncio para depois vir a terreiro quebrar esse mesmo silêncio com argolada atrás de argolada.

Depois de meses de silêncio Pedro Santana Lopes lançou os seus sites. Após uma breve vista de olhos percebi que o Doutor e os Doutores assessores desconhecem que a Praça de Touros do Campo Pequeno não se situa na Freguesia de S. João de Deus, mas antes na Freguesia de Nossa Senhora de Fátima. É um "pormaior" que quem esteve anos à frente da Câmara Municipal de Lisboa não deveria desconhecer. Mais, depois de tamanho silêncio prometendo que decorria a preparação da melhor campanha jamais vista em Lisboa, não deixa de ser um tremenda desilusão. Assim só chega a Presidente da Câmara de Lisboa suspendendo a democracia.

É caso para dizer... "Salva os Touros dos toureiros"!

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