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Poupai-nos

por Leonor Barros, em 02.07.10

Portugal tem dois milhões de pobres e três milhões que vivem no limiar da pobreza. Metade dos portugueses são, portanto, pobres. Dois terços dos portugueses vão passar as férias em casa e desconfio que não será por causa dos conselhos do Presidente da República. O IVA aumentou, provocando uma subida nos preços de tudo e mais alguma coisa, ele é gás, pão, água, luz, tudo, rigorosamente tudo. Os salários sofreram uma redução anunciada, fazendo cumprir as tão elogiadas medidas de austeridade. Aproxima-se a passos largos a época do ano que os pais são extirpados de uma quantia ofensiva em manuais escolares que tão a propósito também sofreram um aumento acima da inflação. E neste cenário miserável o Ministro das Finanças vem pedir aos portugueses para pouparem. Só pode ser brincadeira. Gostava de saber como e mais concretamente em quê. Talvez se passasse um mês com o ordenado mínimo ou com os cerca de oitocentos euros que constituem o salário médio neste país, com contas para pagar, filhos em idade escolar e já agora uma vida digna para viver, entendesse a falta de respeito que o pedido encerra. E por falar em poupar, podiam dar o exemplo e poupar-nos a todos estas inanes afirmações.

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18 comentários

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De João Carvalho a 02.07.2010 às 01:44

Nem mais.
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De Leonor Barros a 02.07.2010 às 11:04

Infelizmente, João.
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De Pedro Correia a 02.07.2010 às 08:25

De facto, Leonor, só pode ser brincadeira. E de muito mau gosto. Se há coisa a que devíamos todos ser poupados é a governos incompetentes.
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De Leonor Barros a 02.07.2010 às 11:05

Também, Pedro.
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De Ana Margarida Craveiro a 02.07.2010 às 09:39

Excelente, Leonor.
Só quanto a essa história das férias é que tenho dúvidas. É que os portugueses têm das taxas mais altas de segunda casa, a chamada casa de férias. Portanto, para todos os efeitos, passam férias "em casa" - mas na praia... Isto é só uma suposição, estou completamente de acordo com a tua leitura.
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De Leonor Barros a 02.07.2010 às 11:07

Mas os cino milhões que vivem neste estado lamistável não terão grandes alternativas, Ana Margarida. Alguns terão de usar esse dinheiro para comprar manuais escolares, por exemplo. Pergunto-me muitas vezes como é que as pessoas vivem e isso angustia-me. Muito.
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De Ana Margarida Craveiro a 02.07.2010 às 11:44

Percebo o que dizes. E partilho dessa angústia. Aliás, não sei se já assististe a pessoas a deixar coisas no supermercado, com o dinheiro contado a não chegar (e não, não falamos de supérfluos).

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De Ana Margarida Craveiro a 02.07.2010 às 11:44

Outra coisa: a minha bolsa, paga pelo Estado (FCT), em regime de exclusividade (não posso ganhar mais nada) está pouco acima desse valor.
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De Leonor Barros a 02.07.2010 às 14:50

Pois. Resta saber como é que acham que se vive assim.
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De Leonor Barros a 02.07.2010 às 14:49

Nunca assisti, Ana Margarida, mas já dei por mim a fazer fotócopias dum manual escolar e oferecê-lo a uma aluna porque ela não tinha dinheiro para comprar livros. Eu sei que é errado fazer fotocópias mas perdi todo o pudor perante situações destas. Horrível. Fiquei sempre com um peso na consciência por não o ter feito mais cedo.
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De ariel a 02.07.2010 às 10:53

"Talvez se passasse um mês com o ordenado mínimo ou com os cerca de oitocentos euros que constituem o salário médio neste país, com contas para pagar, filhos em idade escolar e já agora uma vida digna para viver..." muito bem Leonor. A questão é que a interiorização e consciencialização desta terrível realidade tem de passar por todos nós, não só pelos políticos do governo, mas por todos em geral, oposição, jornalistas organizações sociais. E que tivéssemos todos um pouco de pudor e de vergonha de nos queixarmos das nossas pequenas misérias, nós os que vivemos com conforto, quando nem sequer imaginamos como poderá ser o dia a dia da esmagadora maioria das famílias portuguesas que vivem com oitocentos euros, para já não falar no desespero dos desempregados...
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De Leonor Barros a 02.07.2010 às 11:35

Concordo inteiramente, Ariel, não suporto queixumes. Todos temos problemas, situações mais ou menos difíceis mas os que vivem com conforto, mesmo sendo absolutamente legítimo aspirar sempre a uma situação mais justa e equalitária e não abdico disso, apenas conseguirão imaginar o drama destas famílias. Como sou professora, vou-me apercebendo aqui e ali, mas como nem sempre conseguimos chegar aos miúdos e numa coisa não abdico nunca, respeitar a privacidade e a dignidade de cada uma, nem sempre se consegue ajudar. Angustiante.
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De Ana Paula Fitas a 02.07.2010 às 12:13

Obrigado pela clareza lúcida do comentário, Leonor.
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De Leonor Barros a 02.07.2010 às 14:50

Obrigada pelo seu comentário, Ana Paula.
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De Fernanda Nylund a 02.07.2010 às 14:16

Pois e Leonor, o que tu apontaste aqui, a pobreza em que grande parte dos Portugueses se encontra e uma coisa que tambem me faz muita confusao. Como e que as pessoas conseguem viver com uma media de 800 eur por mes ? casa, agua, luz, gaz , comida, roupa, livros escolares, despesas de saude , transportes etc . Nao consigo entender. Mas, o governo e quem as pessoas la poem .</a> E se nao poem .</a> deviam de por. Sei que a taxa de abstencao e muito alta. Tambem nao admira, as pessoas estao muito decepcionadas com tudo. Mas tambem se nao derem a sua opiniao , nada acontece, e o que esta mal continua a estar mal ou pior. Eu ja quis votar e nao puder por ter que me deslocar a embaixada que fica a 650 km do sitio onde vivo. Faze-lo no consulado a 10 km, nem pensar, e pelo correio, complectamente impensavel. Sera que nao se deveria acabar com certas borucracias , como esta que impede um cidadao de exercer o seu direito de voto?? No proximo outono vou votar para as autarquicas da Noruega e vou poder faze-lo via internet!
Mencionas o preco dos livros escolares. E uma vergonha dizerem que a educacao e gratis .</a> Gratis onde? os pais tem que comprar os livros todos e mais os cadernos e lapiz e etc por ai fora. Aqui na Noruega o ensino basico e GRATIS. O que quer dizer que os livros sao alguns dados (os que sao para escrever) e os outros, por exemplo textos, sao emprestados. Ao fim do ano, devolvidos a escola para voltarem a ser utilizados. Para isso, as criancinhas tem como primeiro trabalho de casa do ano escolar, forrar os livros para nao se estragarem, e o programa escolar nao esta constantemente a mudar de tal forma que seja necessario estar sempre a comprar livros novos. Todos os cadernos para escrever, lapiz , canetas, borrachas sao a escola que da. Isto sim, e ensino gratis .</a> que deveria ser aplicado em Portugal. Mas tambem e preciso dizer que para se ter ensino gratis .</a> entre outros bens sociais, e preciso pagar impostos. E os impostos aqui nao sao brincadeira. Em Portugal as pessoas gritam sempre que os impostos sofrem um aumento. Compreendo que gritem, devido as dificuldades dos demais. Mas o que deviam fazer era tirar do governo e outors postos de gestao , os incapazes de organizar as financas do pais de forma aque va em bem da populacao e nao em bem do bolso de quem la esta. E para isso so ha duas hipoteses. Ou fazem uma outra revolucao , ou entao na proxima vez que forem votar, facam para que as pessoas se dirijam as bancas de voto ou mesmo modernizar o sistema de forma a que quem gostava de votar pudesse votar. Assim como eu.
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Pois e Leonor, o que tu apontaste aqui, a pobreza em que grande parte dos Portugueses se encontra e uma coisa que tambem me faz muita confusao. Como e que as pessoas conseguem viver com uma media de 800 eur por mes ? casa, agua, luz, gaz , comida, roupa, livros escolares, despesas de saude , transportes etc . Nao consigo entender. Mas, o governo e quem as pessoas la poem .</A> E se nao poem .</A> deviam de por. Sei que a taxa de abstencao e muito alta. Tambem nao admira, as pessoas estao muito decepcionadas com tudo. Mas tambem se nao derem a sua opiniao , nada acontece, e o que esta mal continua a estar mal ou pior. Eu ja quis votar e nao puder por ter que me deslocar a embaixada que fica a 650 km do sitio onde vivo. Faze-lo no consulado a 10 km, nem pensar, e pelo correio, complectamente impensavel. Sera que nao se deveria acabar com certas borucracias , como esta que impede um cidadao de exercer o seu direito de voto?? No proximo outono vou votar para as autarquicas da Noruega e vou poder faze-lo via internet! <BR>Mencionas o preco dos livros escolares. E uma vergonha dizerem que a educacao e gratis .</A> Gratis onde? os pais tem que comprar os livros todos e mais os cadernos e lapiz e etc por ai fora. Aqui na Noruega o ensino basico e GRATIS. O que quer dizer que os livros sao alguns dados (os que sao para escrever) e os outros, por exemplo textos, sao emprestados. Ao fim do ano, devolvidos a escola para voltarem a ser utilizados. Para isso, as criancinhas tem como primeiro trabalho de casa do ano escolar, forrar os livros para nao se estragarem, e o programa escolar nao esta constantemente a mudar de tal forma que seja necessario estar sempre a comprar livros novos. Todos os cadernos para escrever, lapiz , canetas, borrachas sao a escola que da. Isto sim, e ensino gratis .</A> que deveria ser aplicado em Portugal. Mas tambem e preciso dizer que para se ter ensino gratis .</A> entre outros bens sociais, e preciso pagar impostos. E os impostos aqui nao sao brincadeira. Em Portugal as pessoas gritam sempre que os impostos sofrem um aumento. Compreendo que gritem, devido as dificuldades dos demais. Mas o que deviam fazer era tirar do governo e outors postos de gestao , os incapazes de organizar as financas do pais de forma aque va em bem da populacao e nao em bem do bolso de quem la esta. E para isso so ha duas hipoteses. Ou fazem uma outra revolucao , ou entao na proxima vez que forem votar, facam para que as pessoas se dirijam as bancas de voto ou mesmo modernizar o sistema de forma a que quem gostava de votar pudesse votar. Assim como eu. <BR class=incorrect <a name="incorrect">Tambem</A> ha outra coisa que eu acho que e a resposta a maneira como os portugueses conseguem sobreviver. Alem dos 800 eur por mes fruto do ordenado legal e de onde paga impostos, sera que nao ha muitos que conseguem superar a questao com biscates aqui e ali? dinheiro limpo, sem impostos. Como e que o pais pode andar para a frente?? <BR>Um abraco <BR class=incorrect <a name="incorrect">Nanda</A>
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De Leonor Barros a 02.07.2010 às 15:20

Olá, Fernanda! Gosto tanto de te 'ver' por aqui :)
A situação cá em Portugal está mesmo muito difícil. O que dizes em relação à particpação dos cidadãos tem a ver com o que dizes, reina um profundo descrédito nos políticos e instalou-se a ideia de que os políticos só querem poleiro e um 'encosto' para o resto da vida. A verdade é que a actuação deles não nos permite ter esperança.
A burocracia é um cancro neste país. Finalmente as pessoas vão tentando usar as novas tecnologias e há uma tentativa ainda que ténue de melhorar as coisas, mas os hábitos são velhos, estão muito inculcados e leva tempo. Mas também há o reverso da medalha e até parece que emperrar a máquina e exigir formulários e idas e vindas às repartições é uma forma de exercer poder sobre os outros. Só para teres uma ideia: quando o meu pai morreu quisemos fechar a conta dele num banco. Foi de tal forma complicado que, depois de várias idas ao dito banco, nos chegaram a dizer que só o próprio. Não se compreender
A questão do ensino ser grátis é treta, porque como digo no post o preço dos manuais é um abuso, a pressão das editoras e dos livreiros para que se compre tudo o que são materiais de apoio imensa. Este ano aqui na Escola sou eu mesma que vou à papelaria avisar que os alunos SÓ precisam mesmo do manual, o aviso irá ser feito também no site da escola e durante as matrículas. Só para teres uma ideia, o livro custa cerca de 25 euros, mas com tudo o resto que querem impingir e que não é determinante para que os alunos aprendam mais e haja mais sucesso, custará 40 euros. Um absurdo. Isto apenas para uma disciplina, neste caso Inglês. Cá na escola está a organizar-se uma banco de manuais usados, de forma a que quem já não os queiram possa doá-los para servirem a outros que os entregam no fim do ano. Contudo, é uma acção isolada.
Quanto aos impostos, o problema principal, além da fuga que considero inaceitável, é sentir que estamos a pagar impostos para suportar ordenados estapafúrdios dos administradores de alguns organismos públicos e a sensação e certeza de que não são usados em prol da comunidade mas para favorecer alguns. Não conheço de todo a Noruega mas por exemplo na Alemanha, há a preocupação e responsabilização perante os cidadãos. Um exemplo de que nunca me esqueço foi aquando duma visita de uma delegação de Leimen a Mafra (estamos geminados), a delegação inteira, Burgomestre incluído, viajou numa low-cost. Cá seria impensável, porque até daqui a Alemanha, Paris ou Londres tudo abaixo de executiva é ralé e indignificante para os nossos governantes/autarcas. Quem paga isto somos todos nós.
Ainda em relação aos biscates, servirão para uma minoria apenas, acho.
Beijinhos
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De Bandeira a 02.07.2010 às 18:03

Mil vezes as tuas fotocópias fora-da-lei do que este beija-mão aviltante que se tornou a marca da nossa desistência. Beijo e admiração deste teu amigo que há muitos anos sabe o quanto sofres com estes miúdos que te atiram para as mãos (e - desculpa a nota ligeira, sabes que não resisto - a promessa de que irei visitar-te à cadeia se a tanto chegar).
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De Leonor Barros a 03.07.2010 às 00:17

Beijos, Zé, o que me vai safando são os miúdos que me atiram para as mãos, é por eles que lá estou :) Se me fores vistar à cadeia leva-me uns livritos, umas tortas de azeitão, chamuças e uma sopita de cação, se não for pedir muito. Sabes que esta tua amiga continua a ser rapariga de muito alimento. Obrigada pelas tuas palavras carinhosas.

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