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Saramago e o Portugal de sempre

por Pedro Correia, em 18.06.10

 

Vivi com José Saramago um dos momentos mais gratificantes da minha vida profissional. Aconteceu em Maio de 1981, quando o Círculo de Leitores, a propósito do lançamento da sua Viagem a Portugal, convidou um grupo de jornalistas a acompanhar o escritor numa deslocação ao interior do País em que ele próprio fez de cicerone. Foram três dias à descoberta de um Portugal que muitos de nós desconhecíamos, com etapas em locais deslumbrantes, como Sortelha, Marialva e Cidadelhe. Eu era um miúdo, ainda a dar os primeiros passos na profissão, e talvez por ser o benjamim do grupo tive mais facilidade em travar longos diálogos com o escritor. No início daquela que seria talvez a década mais feliz da sua vida, Saramago estava ainda longe do reconhecimento público de que gozou mais tarde. Estivera longos meses desempregado, na sequência do 25 de Novembro de 1975, e aplicara toda a sua férrea força de vontade na escrita. Desse labor nasceu a obra que confirmaria a sua vocação de romancista: Levantado do Chão, lançada meses antes.

Mas esses, para o futuro Nobel da Literatura, ainda eram tempos de incerteza. O êxito de Levantado do Chão não foi imediato: o romance foi maturando entre o público e só ganhou projecção à medida que se sucediam as críticas favoráveis, com semanas de intervalo. O lançamento da Viagem a Portugal ocorreu nessa altura em que conheci pessoalmente Saramago e fui testemunha directa da paixão que o escritor tinha pelo País. Aqui e ali, revoltava-se com atentados notórios à nossa memória histórica. Uma vez e outra, maravilhava-se perante jóias do nosso património natural e cultural, procurando transmitir esse deslumbramento aos seus companheiros de jornada.

 

Publicada a reportagem no jornal onde então trabalhava, liguei ao escritor, pedindo-lhe uma entrevista. E ele acedeu de pronto. Era o tempo do balanço de Levantado do Chão, o Memorial do Convento vinha a caminho. Longe da imagem pública que transmitiu nos anos posteriores, Saramago era uma pessoa tímida, que procurava disfarçar essa característica - reflectida também numa ligeira gaguez - com um rosto fechado e até um pouco duro. Mas os seus traços fisionómicos logo se suavizavam à medida que a conversa progredia e se estabeleciam pontos de contacto com o interlocutor. Lembro-me de lhe ter dito na altura que também o apreciava como poeta: os seus Poemas Possíveis (1966), que lera pouco antes, deixaram-me uma excelente impressão. "Agradeço-lhe, mas sei que nunca serei mais do que um poeta mediano", disse-me. Não voltou a editar outro livro de poesia.

Depois dessa longa entrevista, seguiu-se outra, por ocasião do lançamento d' O Ano da Morte de Ricardo Reis (1984). Guardo uma grata memória de uma tarde passada no seu apartamento na Rua da Esperança, em Lisboa, com a conversa a fluir para o gravador ao som das partituras de Bach e Mozart que enchiam a casa. Era já evidente, nessa altura, a consagração literária do escritor que 14 anos mais tarde se tornaria o único autor em língua portuguesa até hoje distinguido pela Academia de Estocolmo.

 

Saí de Portugal, andei longos anos fora. Só voltei a ver José Saramago depois do Nobel, quando o escritor foi recebido no Diário de Notícias com uma estrondosa ovação dos jornalistas, por iniciativa de Mário Bettencourt Resendes, então director do jornal. Um gesto que pôs fim simbólico a uma traumática etapa da vida do centenário periódico onde Saramago, enquanto director-adjunto, escreveu alguns dos mais inflamados editoriais do Verão quente de 1975 - textos que o perseguiram durante o resto da vida.

Nunca partilhei das ideias políticas de Saramago nem apreciei um certo culto narcísico que o escritor foi alimentando nos anos imediatamente anteriores e posteriores ao Nobel, aliás bem patentes em dezenas de páginas dos seus Cadernos de Lanzarote. Alguns dos seus livros são projectos falhados, como Jangada de Pedra ou A Caverna (que deixei a meio, farto de tanto ataque primário ao "capitalismo"). Mas é incontestável o lugar na história da literatura portuguesa do homem que nos legou o Memorial do Convento, o Ensaio sobre a Cegueira e As Intermitências da Morte, notável novela-testamento em que de algum modo ironizava com o seu próprio destino físico.

Mas o meu livro preferido será sempre a Viagem a Portugal: costumo ter à mão e consulto com frequência o meu exemplar da primeira edição, com uma amável dedicatória do autor. Recordação daqueles três dias inesquecíveis e testemunho perene do amor de José Saramago pelo Portugal profundo, pelo Portugal de sempre.

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190 comentários

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De Leonor Barros a 18.06.2010 às 22:37

Gostei de te ler, Pedro. O Memorial do Convento e As Intermitências da Morte são dos meus livros preferidos.
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De Teresa Ribeiro a 18.06.2010 às 22:53

Levei muitos anos, como sabes, a reconciliar-me com Saramago. Ainda bem que o fiz a tempo de o apreciar ainda em vida. Fizeste-lhe aqui uma bonita e justa homenagem.
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De Pedro Correia a 19.06.2010 às 13:02

Ainda bem que gostaram, Leonor e Teresa. Este texto pretendeu ser apenas um pequeno testemunho pessoal. Poderia tê-lo escrito antes. Mas não calhou: só senti o impulso de o escrever agora.
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De lazaro a 20.06.2010 às 12:12

So conheci Saramago ha relativamente poucos anos...
ADOREI " As intermitencias da morte"...maravilhoso..

gosto do estilo de escrita.. tambem gosto do "Homem"..

sempre convicto nas suas ideias , boas ou nao . conforme as pessoas, fez-me lembrar este funeral o do Alvaro Cunhal, que nao . sendo "comunista" tive bastante pena , pois acreditou sempre no que disse, nao . foi um "troca de tintas" como muitos que ha na nssa praca ,...

Jose Saramago...
morreu fisicamente, mas vai continuar vivo nos que o conheceram...e leram...

bem haja por ter existido...
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De Pedro Correia a 20.06.2010 às 22:35

Obrigado pelas palavras tão simpáticas e cordiais que aqui deixa. Eu também gostei muito dessa novela de Saramago, que há-de ser lembrada como uma das suas obras mais originais e mais reveladoras.
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De juliana a 20.06.2010 às 23:00

O Memorial do convento é dos livros mais fascinantes que li ate hoje!!!!
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De Pedro Correia a 31.07.2015 às 16:13

Um dos melhores romances portugueses do século XX.
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De singularisb alentejanus a 18.06.2010 às 22:51

Será possível diferenciar as análises sobre Saramago, o escritor e o homem? Ambos morreram. Um com obra literária marcante, outro partidário de regimes facínoras.
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De Pedro Correia a 18.06.2010 às 23:10

É sempre possível separar o homem da obra. Direi mais: é até desejável. Se não fosse assim, muitos dos grandes criadores artísticos da história da humanidade estavam eliminados das nossas listas de preferências. Quantos deles, através dos séculos, não defenderam regimes ditatoriais e mesmo sanguinários?
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De David Lopes a 18.06.2010 às 23:43

Tens toda a razão, Pedro. Gostei do teu texto, é um testemunho pessoal honesto e sentido. E, quanto à questão do homem e da obra, tantos exemplos que há por aí, que a direita convenientemente esquece. Olha Céline, olha Ezra Pound, olha Malaparte, entre tantos outros. E mesmo a questão do Verão Quente nem sempre é bem contada. As pessoas esquecem-se do clima político da altura e de ter sido um plenário de trabalhadores do DN que saneou os 24. E, muito antes disso, uma direcção afecta ao PS tinha saneado, por exemplo, a poetisa Natércia Freire, responsável pelo suplemento literário do jornal e respeitada à esquerda e à direita. E depois do 25 de Novembro foram saneados centenas de profissionais da imprensa, rádio e televisão. Por isso, é melhor não andarmos a atirar pedras, pois não? Um grande abraço.
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De Pedro Correia a 19.06.2010 às 13:08

Gosto de te ver por cá, David. Foste um dos jornalistas que estavam naquele dia memorável, no DN, a aplaudir Saramago. Um gesto bonito da direcção do jornal, que pôs fim a contenciosos antigos que na altura já não faziam qualquer sentido. Tal como referes, se não soubéssemos separar o homem da obra, teríamos de apagar os nomes de muitos escritores das nossas listas de preferências: à direita e à esquerda, não faltam exemplos de quem aplaudiu as mais sinistras ditaduras (e até regimes totalitários, como os de Hitler e Estaline). Borges elogiou Pinochet - devemos, por isso, deixar de admirar a sua obra? E Sartre, que andou encantado com a China maoísta?
É bom ter memória. Os 'saneamentos' no DN, como justamente referes, não começaram nem acabaram com Saramago.
Abraço amigo.
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De João Raposo a 31.07.2015 às 17:25

Ainda bem que alguém tem memória e não se limita ao bla bla do juízo de valor e opinião sem fundamento ou argumento.
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De Pedro Mota a 18.06.2010 às 23:59

Não creio que Saramago, que era um optimista informado, como ele próprio dizia, sobre o futuro da sociedade e do homem, fosse um defensor de regimes facínoras. Acreditar na possibilidade do comunismo não é o mesmo que defender a sociedade concentracionária estalinista, o ataque à cultura universal na revolução cultural maoísta , a monarquia informal de Estado dos Kim coreanos. Ser-se comunista é simplesmente lutar, de muitas maneiras possíveis (e muitas delas erradas), pelo ideal duma sociedade sem proprietários privados de meios de produção, sem Estado e sem dinheiro, como bases sociais para um salto no desenvolvimento humano. Creio que Saramago subscreveria esta visão do comunismo.
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De carla simoes a 19.06.2010 às 18:18

olhe,amigo , eu ainda nao vi um comunista que nao queira ser proprietario privado, que nao queira ter um tacho para se governar e gostava de saber como é que sem Estado, sem dinheiro e sem gente que dà emprego, voce vivia!!!!!!!!!!!!!!!!!! E depois, devemos apreciar Saramago pela sua obra, porque o lado humano,é como todo o lado humano... cheio de qualidades e defeitos!!Quem se julga perfeito que atire a primeira pedra!!! De facto cada vez estou mais convencida que nòs portugueses temos muito mais de àrabes que de europeus!!! Basta ir a Marrocos e ver com olhos de ver! Apreciem a obra e deixem-se de tretas e lé ...lé...Lé. Vivam os escritores, principalmente os bons!
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De Pedro Mota a 20.06.2010 às 17:42

Senhora Carla Simões, obrigado pelo comentário e pela oportunidade que me dá de poder rebater alguns equívocos, na minha modesta opinião. Em primeiro lugar, é preciso distinguir a pessoa e as suas ideias, que muitas vezes (nunca, arriscaria eu) não se confundem. O homem é o sujeito e a sua circunstância, no qual as duas instâncias se interpenetram e se degladiam. As circunstâncias específicas duma época obrigam o homem a agir em conformidade com elas para salvaguardar a sua própria pessoa e os seus próximos. Eu, marxista que sou, nunca abdicaria da minha propriedade privada, dos meus rendimentos, na medida em que preciso de sobreviver e de viver dignamente numa sociedade que me impõe este tipo de existência (o livre-arbítrio é uma ilusão), embora o ideário marxista nada tenha contra a propriedade individual em si mesma.
Se eu acredito, em virtude da minha experiência de vida e das leituras cuidadosamente estruturadas que tenho feito, na possibilidade duma sociedade comunista (a muito longo prazo, admito, por força da realidade), na qual as pessoas guardarão a sua propriedade pessoal, como expressão física essencial do seu ser, é porque a ideia de comunismo não admite apenas a propriedade privada dos meios de produção de bens socialmente necessários, e nada mais. E isso porque ela consiste numa privação da propriedade dos outros sobre eles, que estão cativos do direito duma minoria, criando assim muitas injustiças na distribuição e irracionalidades concorrenciais, além de formas de alienação financeira da actividade produtiva, como temos estada a verificar uma vez mais. Mas, dado que vivo numa sociedade capitalista, muitas das actividades que posso realizar têm que ser realizadas a título de propriedade privada dos meios para tal. Não é a vontade de cada um que, por si mesma, muda o modo de produção social. São antes as condições técnógicas e sociais da produção que criam as condições para o transformarem, e os ideais surgem então como uma orientação teórica da prática para que tais possibilidades existentes se convertam em realidades efectivas. É isto o sentido da práxis comunista. E José Saramago, com a sua obra literária, nada mais fez do que elevar mais um degrau na tomada de consciência da necessidade e na possibilidade de realização de tal ideal igualitário. Mas, como de novo fez notar Saramago, o homem é um misto de ideais e de circunstâncias, de altruísmo e de egoísmo. O homem é um homem do seu tempo. E é nesta tomada de consciência para a qual contribuiu Saramago que nos devemos apoiar para sermos cada vez melhores, mais coerentes com os nossos ideais, e para sermos cada vez mais humanos, para que os nossos ideais compreendam em si cada vez melhor aquilo que somos e podemos vir a ser.
Respeitosos cumprimentos.
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De Carlos Pinto a 20.06.2010 às 18:23

O comunismo, mesmo pintado de cores suaves, é sempre a negação do homem e da sua individualidade, é a sua transformação numa simples e descartável peça da máquina de execução do poder totalitário.
Como outros totalitarismos a ditadura do proletariado é sempre o governo duma minoria, que se organiza no partido para dominar a sociedade, sobre a maioria.
A história do séc.xx não deixa dúvidas sobre a natureza real do comunismo e das escolhas libertárias dos povos que o experimentaram.
E eu, que trabalhei durante uma década numa autarquia de maioria absoluta comunista, sei bem do que estou a falar e do que não quero para o meu pais.
Porque a liberdade é ainda o valor fundamental para tudo o resto se consiga conquistar.
Como Saramago sabia muito bem e por isso não se "exilou" em Cuba ou na Coreia do Norte, mas num país de democracia "burguesa" ocidental...
Alguém trata melhor os comunistas do que as democracias "burguesas" que eles querem derrubar?
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De Pedro Mota a 20.06.2010 às 20:08

Caro Carlos Pinto, talvez a minha ideia de comunismo seja de facto muito heterodoxa. Como deixei implícito no comentário anterior, e como José Saramago reconheceu, a experiência comunista foi um desastre. E mostrou que a ditadura do proletariado, o centralismo democrático, a dita democracia de partido único estavam condenados ao fracasso, e mais, negavam uma das conquistas históricas universais da civilização burguesa: a liberdade individual. Por isso penso que, a concretizar-se alguma vez o comunismo, tal possibilidade só se deverá, não a voluntarismos políticos, mas às condições objectivas do desenvolvimento da economia, acompanhado do progresso da democracia participativa e da moral humanista. O comunismo, se alguma vez puder existir, será só a falta objectiva de necessidade social, devido ao desenvolvimento das forças produtivas e da transformação das relações de produção, da propriedade privada dos meios de produção, do dinheiro e do Estado como sistema repressivo acima da sociedade civil. E, com isso, uma maior liberdade do indivíduo.
Os meus sinceros cumprimentos.
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De Carlos Pinto a 20.06.2010 às 23:13

Caro Pedro Mota, os seus desejos são certamente partilhados por muitos milhões em todo o mundo.
Eu incluído. Mas, sejamos rigorosos, isso já não é comunismo nos termos em que foi teorizado pelos seus fundadores. É uma outra coisa, um outro mundo que está por inventar, bem melhor do que o comunismo.
Até lá vamos saboreando a democracia "burguesa" capitalista com todas as suas virtudes e contradições. E, já agora, denunciando as atrocidades que se vão fazendo pelo mundo, mesmo nos países comunistas. Por exemplo exigindo a libertação dos presos políticos em Cuba. Para que "cuba livre" não seja só nome de bebida.
Saudações democráticas deste que já foi comunista e acredita que o mundo pode ser melhor.
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De Pedro Mota a 20.06.2010 às 23:26

Caro Carlos Pinto, só para terminar que vem aí um dia de trabalho, subscrevo inteiramente o que disse. Não terá todavia dito Marx que só tinha a certeza duma coisa, que não era marxista? E não terá Saramago concluído o mesmo? Para gente que entende...
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De João Raposo a 20.06.2010 às 21:02

Então ainda não viu um comunista
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De Anónimo a 22.06.2010 às 15:52

Já imaginava que os nossos amigos comunistas iriam reagir às minhas palavras, mas olhem, a minha vivência e a minha formação são suficientes para ter uma ideia muito precisa do que são os idealismos comunistas, li tudo o que podia ler sobre o assunto (Estaline, Lenine, Marx, Trotski, Che, Engels ...tudo) para além disso trabalhei no meio deles (comunistas) durante 15 anos, portanto sei muito bem qual é a filosofia dos comunistas em Portugal. Respeito muito e admiro homens que deram a vida e o melhor dela contra o fascismo de Salazar: Tarrafal, PIDE, tortura, e tantas outras coisas,sofreram na pele, mas "comunistas" à pressão vi tantos.!!! Por exemplo: Américo Tomás passou por Almada não muito tempo antes do 25 Abril. O largo estava cheio de gente, com bandeiras e palmas. Depois do 25 Abril, morreram todos? Não... eram todos comunistas|||||||| Depois, os mesmos Viva Otelo!, Mais tarde, os mesmos, Morra Otelo! Por isso, ninguém me venha dar lições de História e de moral!... Tacho não tenho nenhum, porque alguma coisa que tentei fazer após o 25 Abril, e eram ideais de uma jovem de 20 anos, foi tudo roubado por comunistas que tentavam arranjar poleiro à conta dos trabalho e das ideias dos outros!::: E sobre o assunto, tenho dito, porque não tenho a pretensão de fazer filosofia, ou ter uma "diarreia" intelectual a propósito de Saramago. Não estou de acordo com os seus ideais, não tenho paciência para ler alguns dos seus livros, mas aqueles que li, apreciei-os como leitora, sabendo que um escritor para além da informação que tem, usa a fantasia, a criatividade e a liberdade naquilo que escreve. Recebeu um prémio e outros vários que honraram Portugal e por uma série de circunstâncias merece respeito. Gostaria que o Sr. Pedro Mota tivesse a coragem de autorizar a minha outra opinião. Divirtam-se a fazer comentários porque eu tenho os meus tachos para cuidar ( aqueles verdadeiros...)
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De João Raposo a 22.06.2010 às 20:56

Subscrevo praticamente na integra o seu comentário e, por isso mesmo, volto a dizer-lhe que ainda não conheceu um comunista.
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De carla simoes a 24.06.2010 às 13:24

saiu "anónimo" erradamente, peço desculpa, mas eu sempre dei a cara pelas minhas afirmaçoes, e lamento que o Sr. Pedro Mota continue a não autorizar o meu outro comentário em que refiro que eu não consigo publicar os meus poemas em Portugal, apesar de em Itália já ter ganho prémios. (possivelmente é a sua índole democrática que não lho permite....)
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De Pedro Mota a 25.06.2010 às 23:15

Só agora li a sua afirmação de que eu, Pedro Mota, não autorizei um comentário da senhora Carla Simões. Estarei a ler bem? É inacreditável! Que surpresas a Net ainda reserva? O que posso fazer para não autorizar-lhe um seu comentário? Acaso sou o dono deste Blogue? Não diga mal dos outros sem ter a certeza do diz.
Já agora, a propósito do que escreveu inadvertidamente sob anonimato (terei também feito algo de inadvertido?), gostaria que não confundisse Filosofia com política. A Filosofia dos comunistas é naturalmente o marxismo, melhor dito, o materialismo dialéctico. Pergunto-lhe, porém, se conhece algum comunista que saiba alguma coisa de filosofia marxista? Olhe que eu não conheço mais do que dois (talvez haja mais alguns): Eduardo Chitas e José Barata-Moura . A Filosofia marxista é muito complexa, leva muitos anos a estudar, como qualquer outra filosofia e, infelizmente, não pode partilhar devidamente o seu tempo com a prática política. Além do mais, há muito mais na filosofia marxista (teoria do conhecimento, metodologia, ontologia, teoria da práxis , ética, estética, etc., que influenciaram profundamente todas as ciências humanas) do que a política comunista deixa antever. Leia obras como "A Ideologia Alemã", os Grundrisse ", a "Dialéctica da Natureza", Ludwig Feuerbach e o Fim da Filosofia Clássica Alemã", "Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado", escritos por Marx ou pelo seu amigo Engels, como tudo o que permanece de válido e tudo o que está datado, assim como livros mais recentes como Lógica Formal e Lógica Dialéctica", "Metodologia das Ciências", ambos de Henri Lefebvre , "Marxismo e Teoria da Personalidade" de Lucien Sève , o Volume 10 da Enciclopédia Einaudi intitulado "Dialéctica", "Marx, Pensador do Possível" de Michel Vadée , "Filosofia da Práxis " de Sánchez Vázquez , "Compreender o Capital" de Duncan Foley , e mais, muitos mais livro que se continuam a escrever pelo mundo fora, sobretudo em França, Itália, Inglaterra e Estados Unidos. Assim terá um vislumbre da riqueza e da complexidade do marxismo. E perceberá então que, tal como tudo o que de importante se concebeu, muito do que ficou escrito nesses livros não resistiu ao critério da prática, esse critério que o marxismo definiu melhor do que qualquer outra filosofia, pelo que o marxismo até poderá ser aplicado, junto com outras contribuições, à explicação histórica, social e económica, da queda dos regimes ditos socialistas.
Se parece absurdo, deixá-lo-á de ser se puder dedicar-se ao estudo sério do marxismo. Se nenhuma concepção do mundo tem o privilégio de se garantir 'a priori' a verdade sobre o mundo, em todo o caso o marxismo deu um contributo imenso para um melhor conhecimento da realidade como um todo.
Desejo-lhe a melhor sorte para a sua actividade literária. Sinceramente, Pedro Mota.
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De ASeve a 31.07.2015 às 15:45

Eu já vi. Estava ontem a tomar o pequeno almoço ali no café da esquina...
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De João Raposo a 31.07.2015 às 17:21

E tinha uma etiqueta na testa?
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De ASeve a 31.07.2015 às 19:32

Não tinha etiqueta mas ainda vi a ponta da fralda quando mastigava...
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De inframodal a 20.06.2010 às 22:04

A menina, mulher ou senhora, desconheço-o, Carla Simões, dever-se-ia informar melhor antes de falar sobre os sonhos (não revelados, senão não o seriam) daqueles que acreditam no ideário comunista; quanto ao tacho, presumo que tenha um. Estarei errado?

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De o sátiro a 21.06.2010 às 03:16

Olá Carla!

Grandes verdades ditas nesse comentário!

Apesar dos media quererem impingir uma ideia errada dos "pobrezinhos" comunistas e bloquistas.

Aliás, o saramago disse que o Nobel era para portugal...mas o dinheiro para ele! Embora ninguém lho tivesse pedido.

cptos
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De enbft a 21.06.2010 às 10:21

Chamar bom escritor a este marreta, que apenas sabe caluniar, é obra!
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De Pedro Correia a 24.06.2010 às 00:51

ENBFT quer dizer o quê?
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De Panjo a 19.06.2010 às 00:02

Que tristeza de comentário! Guarde esse ódio político para outra altura homem! Triste que deve ser o senhor...com esse ódio dentro de si!
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De JORGE FRESCO a 20.06.2010 às 23:12

em primeiro lugar quero prestar a minha singela homenagem a um HOMEM que teve a coragem de se assumir tal e qual como era e É por ser assim teve a estima que teve. Sim teve a inquisição no sec . XX mas não deixou de ser aquilo que todo o Povo conhece alertou disse mas mas como sempre este País não o percebeu. Agora já partiu mas fica a sua obra para as futuras gerações. Mas actuais tem para com Saramago a maior admiração nesta geração aqui estou pois desde sempre acompanhei o seu percurso literário pois através das suas obras se conhece a pessoa ou as pessoas. Bem Haja J SARAMAGO.
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De Jorge Henrique Moniz Ribeiro a 20.06.2010 às 11:24

Primeiro que tudo, você é um cobarde: nesta situação um pseudónimo não é aceitável.
Finalmente: você não sabe ler, pelo menos Literatura! Saramago viverá pela sua obra muito mais do que Luís de camões e até mesmo que o provável Homero.
Se a obra é "marcante", como você, aparentemente contraditório, afirma, o escritor não morrerá; à sua obra ficará para sempre associado o nome José Saramago.
E a Igreja de Roma não é ou nunca foi facínora?
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De Jorge Henrique Moniz Ribeiro a 20.06.2010 às 13:23

A minha intervenção dirigia-se naturalmente a "singularisb alentejanus". Não o referi na altura porque pensei que o meu comentário viria "agregado" ao dessa pessoa...
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De Pedro Mota a 25.06.2010 às 23:31

Não exageremos, senhor Jorge Ribeiro, Saramago é talvez um dos melhores estilistas e criadores de personagens do último meio século na literatura portuguesa. Embora muitas vezes use o seu estilo paradoxal, à vez barroco e coloquial, para disfarçar alguma falta de ideias originais e que vão ao âmago das coisas em muitos dos romances que escreveu. Se quer comparar alguém a Homero na época contemporânea, o que é impossível pelo que ele representou na vida e na cultura clássicas, pode lembrar-se de Goethe , de Ibsen, de Joyce , de Brecht . Na literatura universal, Saramago, por mais brilho que tenha no seu estilo e na sua magnífica frontalidade que tentou refrescar a envegonhada e hipócrita mentalidade portuguesa (vide Caim, que todavia só choca a referida ridícula sensibilidade puritana portuguesa e o Vaticano), é apenas uma nota de rodapé. E, no entanto, para nós, que somos tão mesquinhos, Saramago só pode ser um gigante.
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De Jorge Henrique Moniz Ribeiro a 26.06.2010 às 01:47

Senhor Pedro Mota: gostei de ler o seu texto, mas não alterei a minha opinião, porque o que os autores, que citou, não alcançaram a abrangência que Saramago conseguiu, não só no "retrato" e análise crítica da sociedade portuguesa de várias épocas, sempre com ligação implícita à nossa (séc. XX e XXI), como de questões cruciais da Humanidade de todos os tempos.
Os outros, que também conheço, além de muitos mais (GRANDES também), limitaram-se a alguns aspectos, importantes sem dúvida, mas sem a amplitude da obra de José Saramago.
Continuo na minha e gostaria de ter saúde e tempo de vida suficientes para conseguir documentar a minha opinião com exemplos de todos os romances de Saramago (são os que me motivam mais, por serem "ficção").
Quanto a sermos mesquinhos, estou de acordo consigo, mas apenas como amálgama de criaturas que vivem no mesmo país que já não são um povo e muito menos se sentem uma Nação (a não ser quando joga a selecção de futebol...).
Mas ainda há, como sempre houve, muita fruta sã que resiste no meio da podridão.
Obrigado de qualquer forma, pelo seu comentário.
Cumprimentos.
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De Anónimo a 21.06.2010 às 10:34

Caro senhor! REGIME FACÍNORA... Não pretendendo fazê-lo mudar de opinião sobre o conceito de facínora, não resisto a manifestar-lhe a minha, bem como a convidá-lo a uma reflexão. E olhe que... facínora por facínora, é bem mais "justo" o facínora que esteja ao lado dos oprimidos, dos pobres, dos espoliados, dos sem voz,... do que os facínoras que, ao que parece, o senhor quer idolatrar. Ou quer chamar justos, puros e santos aos causadores das grandes tragédias da humanidade? Consegue demonstrar-me que a fome no mundo, o desemprego e o actual desastre da economia mundial, se deve aos facínoras da União Soviética, ao Fidel Castro, ao Lula da Silva e outros? A quem se deve o actual estado do planeta, senão ao capitalismo selvagem, aos Madoffes e companhia? Reflicta meu caro senhor! Quem sabe talvez possa mudar de opinião. E por tabela, o que faz a Igreja pelos pelos pobres, pelos desgraçados da vida, pelas crianças sub-nutridas, etc, etc? Já viu a igreja descalça, faminta, sem esperança? Viu o Claudio Toscani, partilhar a sua fartura e a do Vaticano com a pobreza? Óbvio que não viu e jamais verá. O que nunca deixará de ver são estes, em nome sabe-se lá de quê, a extorquir os pobres e os pobres de espírito. Reflicta caro senhor!..
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De Jorge Henrique Moniz Ribeiro a 26.06.2010 às 02:01

Parece que o "senhor" ANÓNIMO a 21 de Junho de 2010 às 10:34 nunca ouviu falar do Tribunal do Santo Ofício da Igreja de Roma, dos séculos de terror, tortura e assassinatos da Inquisição...
Parece também que não tem qualquer informação do quase certo assassinato, desejado pela alta hierarquia da igreja de Roma, do Papa João Paulo I...
Depois vem dizer-me que essa igreja está "ao lado dos oprimidos, dos pobres, dos espoliados, dos sem voz"? Ou não percebi bem o seu texto?
E já agora, porquê ANÓNIMO? Tem medo de quê?
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De fernando.candoso@gmail.com a 21.06.2010 às 10:52

A este comentário impõe-se uma pergunta: Haverá "regime mais fascínora" que o capitalismo - devorador insaciável, canibal, fascínora...
Haverá quem mais tenha lutado contra esse predador da humanidade que Saramago? A resposta está no seu legado literário e, acima de tudo, na sua verticalidade intelectual. Porque isso sim, é ser Comunista!
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De Manuel Azevedo a 18.06.2010 às 23:27

Bonito este depoimento, pela seriedade intelectual de quem o escreve.O meu muito obrigado, pelo prazer que me deu lê-lo.
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De Pedro Correia a 19.06.2010 às 13:10

Obrigado. Aquela viagem, de facto, para mim foi memorável. E aquele livro de Saramago acompanha-me até hoje.
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De Ana Vidal a 18.06.2010 às 23:43

Gosto de ler-te, sabendo que este é um testemunho pessoal emocionado e não mais um dos milhentos textos laudatórios que vão aparecer de todos os lados, agora que ele morreu. Não me era uma figura simpática, como homem, mas sempre o admirei como escritor. O engraçado é que na última entrevista em que o ouvi em directo, com a qual muita gente ficou chocada, consegui finalmente vê-lo com outros olhos e concordei com ele em vários pontos que defendeu. Falei disso aqui, na altura. Era uma figura controversa, cheia de contradições como todos os que se questionam profundamente. Fico contente comigo própria por ter conseguido aproximar-me um bocadinho mais do homem, mas isso podia até não nunca ter acontecido que o escritor não sairia beliscado. Não li todos os livros, quero ainda ler alguns, outros não. Mas nunca hei-de esquecer como me deixou maravilhada o Memorial, o primeiro que li dele.
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De Nicolina Cabrita a 19.06.2010 às 01:22

O «Memorial» sim, sem dúvida. Aconteceu-me tal e qual... :-)
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De Nicolina Cabrita a 19.06.2010 às 01:45

Estive a pôr a leitura em dia, até uns «posts» mais abaixo e, talvez por isso, agora arrepiei-me: diz-se «aconteceu-me»? ;-)))
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De Ana Vidal a 19.06.2010 às 19:02

LOL. Diz-se, sim, Nicolina. E depois de uma belíssima crónica do António Lobo Antunes, eu digo até "morreu-me" em relação à morte de alguém que me é querido. Não pode ser mais verdadeiro, e mais poético.
:-)
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De Pedro Correia a 20.06.2010 às 22:41

Excelente, essa expressão.
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De João Carvalho a 20.06.2010 às 23:10

Sim, sim. Diz-se (pode dizer-se) "aconteceu-me", "morreu-me", etc. É coloquial do mais coloquial, é até rural de tão popular, mas nada de mais poético e ilustrativo. Chega a ser um mimo, um afago, um brilho nos olhos.
Diz-se e, nos momentos certos, escreve-se quando está mesmo a apetecer; nos momentos certos, quando apetece mesmo, até dá gosto. Quais são os momentos certos? São aqueles ditados pelo texto e pelo contexto.
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De Pedro Correia a 20.06.2010 às 23:44

Há até um livro do José Luís Peixoto - salvo erro, o primeiro dele - que se intitula assim mesmo. 'Morreste-me'.
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De Pedro Correia a 19.06.2010 às 13:19

Ana: obrigado pelas tuas palavras, sempre generosas.
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De Anónimo a 19.06.2010 às 18:17

Dos livros de Saramago, apenas li dois: Memorial do Convento e a Caverna.
Fiquei de tal maneira impressionada com o Memorial do Convento que me aventurei com a Caverna.
Foi pena, não ter sido ao contrário, pois certamente continuaria a lê-lo.
Para mim, leitora mediana, que aprecia uma boa leitura, daquelas que prendem, a Caverna foi uma decepção.
Mas o desaparecimento do nosso Nobel, espicaça-me a curiosidade e outros livros virão.
M.I.M.
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De Ana Vidal a 19.06.2010 às 20:11

Se aceita um conselho, mais ou menos consensual, sugiro-lhe o Ensaio sobre a Cegueira ou O Ano da Morte de Ricardo Reis para próxima leitura. Penso que não vai ficar decepcionada.
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De Pedro Correia a 20.06.2010 às 22:42

Excelentes sugestões, Ana. Subscrevo. Além de recomendar - sempre - a 'Viagem a Portugal'.
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De Ana Vidal a 20.06.2010 às 22:58

Esse é dos que nunca li, Pedro. Vai para a minha lista.
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De RC a 21.07.2010 às 16:32

Parabéns pelo texto. Faz, muito provavelmente, justiça à experiência vivida.

Por curiosidade, saberá o período em que decorreu "a viagem" propriamente dita?

Saudações literárias (a quem as queira receber),
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De João Carvalho a 21.07.2010 às 16:49

O Pedro Correia está para fora, mas creio que há-de dar com este seu comentário para lhe responder.
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De João Carvalho a 19.06.2010 às 00:19

Bela memória, belo texto.
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De Pedro Correia a 19.06.2010 às 13:11

Obrigado, compadre. Um abraço.
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De ariel a 19.06.2010 às 01:01

Excelente texto de homenagem Pedro, que honra o homem e o escritor. Estou de acordo consigo quanto à irregularidade da obra, também não consegui ficar "agarrada"à Jangada , dos livros que li do autor, foi o único que nunca concluí. para além do Memorial do Convento, O ano da Morte de Ricardo Reis é aquele que considero mais fascinante. É interessante que o Pedro não o tenha mencionado, provavelmente não o terá achado tão interessante. É esta diversidade de opiniões que me parece enriquecedora, quem lê Saramago tem à disposição uma obra tão vasta e diversificada que certamente encontrará nalgum dos seus livros qualquer coisa que o toque, interpele e em que se reveja.
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De Pedro Correia a 19.06.2010 às 13:14

'O Ano da Morte de Ricardo Reis' é um livro especial para mim: Ariel. Soube dele ainda antes de estar concluído e de algum modo 'vi-o' nascer. Tem toda a razão no que refere: "Quem lê Saramago tem à disposição uma obra tão vasta e diversificada que certamente encontrará nalgum dos seus livros qualquer coisa que o toque, interpele e em que se reveja."
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De Nicolina Cabrita a 19.06.2010 às 01:17

É curioso, este texto teve o condão de me «reconciliar» com a figura, porque há a escrita e há a «figura». Este retrato que aqui traças permite, sem dificuldade, gerar uma memória equilibrada (e por isso agradável) para os dois aspectos. A lisura no trato, na análise, é, de facto, uma enorme qualidade.
Excelente texto. Parabéns!
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De Pedro Correia a 19.06.2010 às 13:15

Obrigado, Nicolina. Deixas-me sem palavras.
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De a25abril a 19.06.2010 às 01:53

as cenizas del descansaran a metade en espanha e oitra metade en portugal, asi quero eu que fagan cas minhas, eso so entende que ama a terra
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De Pedro Correia a 19.06.2010 às 13:15

Por supuesto.
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De Slsalgueiro a 19.06.2010 às 07:31

…morreu de guerra o cavalo da guerra, morreu de peste o cavalo da peste, morreu de fome o cavalo da fome, a morte é a suma razão de todas as coisas e a sua infalível conclusão, a nós o que nos ilude é esta linha de vivos em que estamos, que avança para isso a que chamamos futuro só porque algum nome lhe havíamos de dar, colhendo dele incessantemente os novos seres, deixando para trás incessantemente os seres velhos a que tivemos de dar o nome de mortos para que não saiam do passado.
José Saramago, Jangada de Pedra

Saramago, coma sua obra, avançará no sentido do futuro, ficando incessantemente entre os vivos.
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De Pedro Correia a 19.06.2010 às 13:15

Não tenho a menor dúvida quanto a isso.
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De Carolina Braga a 19.06.2010 às 08:23

A escrita de Saramago revela-se genial, não só pelas ideias (discutíveis, claro, mas muitíssimo bem defendidas e coerentes), mas também pela maneira de as explanar através de histórias nacionais, mundiais e pesooais.
Ler o Memorial do Convento é algo que nunca mais se esquece: uma história interessante e pungente, que nos faz olhar para dentro de cada cada um de nós!
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De Pedro Correia a 19.06.2010 às 13:18

As ideias são discutíveis, claro. Como referi, não me revejo na ideologia de Saramago e critiquei sempre o apoio que tributou a regimes autoritários (no caso de Cuba, a partir de certa altura, com matizes). Mas a obra literária fica. E quando um escritor é grande a obra transcende as circunstâncias da sua época. Não tenho a menor dúvida de que será esse o caso de Saramago.
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De celia alma a 19.06.2010 às 18:44

Manuel Alegre
A Missa do Gato
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De Maria Cândida Pimenta a 20.06.2010 às 13:13

O povo diz: As pessoas para serem boas, ou morrem ou se ausentam. É o que está a acontecer. Quantas vezes ouvi críticas a José Saramago. Quantas vezes até o ultrajaram. Não gosto da maneira como ele escreve. É um direito que tenho, tal como muitos que o criticaram, hoje acorreram aos Passos do Concelho para para se curvarem perante o escritor. Cinismo? Hipocrisia? Não sei nem me interessa. Nem direito tenho de o julgar pelas palavras injuriosas que dirigiu a DEUS.O DEUS em que acredito, é bom, é justo, e sabe perdoar... Mas dizer que Saramago foi superior a Camões ou Homero, acho demais. Que a sua alma descance em paz.
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De paulo a 20.06.2010 às 16:08

Estou plenamente de acordo! Como pode um Estado curvar-se perante aquele que disse, que Portugal deveria ser uma província Espanhola, é uma vergonha.
O que é ser patriota???? qual o valor da bandeira que nos representa???? Porque será que hoje vi alguém , que até é Reitor de uma universidade, apregoar tanto e defender a suas "dama", José Saramago, se calhar, está a piscar o olho á fundação que será inaugurada para o ano! Quem lhe deve favores, que lhe pague, agora esbanjar dinheiro publico, neste tempo, é que o povo não devia perdoar. Mas o povo quer é festa e futebol . E eu sei bem do que digo, que acompanhei esses "Hipócritas nestes dois dias". E como "Vermelho que é," o P.S. e o P.C.P . que pague os favores políticos , dos seus próprios bolsos, é que não foi á toa que ele deu apoio ás campanhas eleitorais últimas...
Bem hajas, Sua Ex.ª o presidente da Republica, e da assembleia da republica. Estarem presentes, era dar demasiada importância. Espero que o Sr. Reitor, que teve uma intervenção de se tirar o chapéu, se digne e aplique á "sua" universidade, como se aplicou nestes dois dias. Pelos vistos, dá mais protagonismo, falar da casa alheia, do que naquela, em que as propinas lhe garantem esta projecção! Hipócritas , já que não resistem a um grande plano nas televisões.
E diga-se de passagem, tirando os que estiveram na Câmara municipal de Lisboa, as ruas até ao cemitério , ao contrário das expectativas , não tinha povo á espera. O povo não dorme. E direito ao PANTEÃO, é só para aqueles que enalteceram Portugal, para aqueles que nunca renegaram a Pátria, para aqueles que defendem a Bandeira. Para mim as cinzas deveriam ser tratadas pela Valor Sul, esse era o destino digno daqueles que queriam este Portugal como província!
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De Rosa Maria a 20.06.2010 às 19:00

osmeus mais sinceros parabéns pelo seu texto...partilho inteiramente da sua opinião!!!!!Saramago poderá ter sido um bom escritor.....(pessoalmente não sou fã) mas acima de udo ele RENEGOU A PÁTRIA e as honras que se lhe têm feito... meu Deus.... como é possivel??????? em quê ele enalteceu Portugal???? defendendo que deveríamos falar Espanhol ????? mas o povo é mesmo assim quer é festa e futebol e como ainda não inventaram uns comprimidos para a menória curta temos de assistir sentados a este desplante!!!!!!!!!!!!


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De Pedro Correia a 20.06.2010 às 22:47

Tanto ódio aqui à solta. Faz-me sempre impressão o ressentimento que tantas pessoas alimentam em relação a quem não pensa como elas - de tal modo que nem no dia de um funeral deixam de exprimir palavras de insuportável azedume sobre o morto. Isto diz muito sobre o carácter de quem assim se exprime.
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De Mariquinhas a 21.06.2010 às 00:05

mas será que Portugal pediu para ser enaltecido?!!! Ou serão os portugueses que precisam que se lhes passe a mão pelo pêlo? E a propósito de quê? Será que acham que o merecem? Por favor, deixe-se de opiniões pessoais sem discernimento!!!
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De Pedro Correia a 24.06.2010 às 00:52

Como está sua casa, Mariquinhas? Ainda tem janelas com tabuinhas?

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