Sexta-feira, 16 de Abril de 2010
por Paulo Gorjão | 16.04.10

"Esta mania de querer parecer culto traduz um problema de carácter", referiu José Pacheco Pereira sobre Pedro Passos Coelho em Fevereiro de 2009. O mesmo Pacheco Pereira que, igualmente em 2009, afirmou que não compreendia como é que Passos Coelho queria fazer parte das listas de candidatos a deputados de uma direcção com que não se identificava.
Ironia das ironias: Pacheco Pereira é deputado numa altura em que lidera o PSD uma direcção com que não se identifica e, mais grave ainda, sob a liderança de alguém que considera ter um problema de carácter. Perante um cenário destes, em coerência, esperava-se que renunciasse ao seu mandato. Curiosamente, tal não aconteceu. Depreendo que, afinal, o problema de carácter não será tão relevante como pensara e a falta de identificação entre os deputados e a liderança do partido até pode ser uma mais valia. É a vida.

 

[Adenda]

Aparentemente, Fernando Martins está disponível para explicar a Manuela Ferreira Leite que os líderes dos partidos não são donos dos lugares dos deputados à Assembleia da República. Mais vale tarde do que nunca.

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5 comentários:
De Rogerio Pereira a 16 de Abril de 2010 às 23:47
"Esta mania de querer parecer culto traduz um problema de carácter", duplamente, ao Pacheco Pereira:
1º - Ele não tem a mania de quer parecer, ele julga-se;
2º - Não traduz um problema, ele é um problema de carácter.

...mas porque é que andam com ele ao colo?


De Pedro Coimbra a 17 de Abril de 2010 às 03:30
A crónica podia ter outro título, tipo - O carácter é uma coisa muito linda. Mas a bolsa é muito mais!

De Nuno Pereira a 17 de Abril de 2010 às 14:46
O grande mal deste país é ter pessoas que falam demais. Que lutam furiosamente para ter o seu espaço.
Falam com a certeza de que estão certas no que dizem que nem pensam que o que hoje é um dado adquirido, amanha nunca o será.
E como só olham para o seu umbigo, não interessa descobrir que devem dar a mão à palmatória e assumir as suas certezas, mesmo que para isso renunciem aos seus cargos.
Como o carácter é já uma extinção em quase todos os políticos, sujeitam-se ao ridículo de cuspir para o ar e caírem-lhe bem no centro das fuças.
O mais importante é garantir o sustento, numas panelinhas onde a maioria se coze em banho-maria. E enquanto o banho-maria durar enchem o tacho para eles e para os seus. E no que diz respeito ao resto, que venha o próximo e bata a porta.
O importante é comentar e tentar descortinar o presente. Assegurar um lugar permanente (ou quase). Porque o futuro é uma incógnita e quando chegar, umas palmadinhas nas costas, ou uns telefonemas na hora certa. Dão a certeza de continuar a usufruir de privilégios, mesmo sendo garantidos por alguém que se subestimou não à muito tempo atrás.




De José Sejeiro a 17 de Abril de 2010 às 18:16
O grande mal deste país...
Não conhece mais nenhum? Este mal e outros constantemente apontados a Portugal, são comuns a todos os países que conheci. E não foram poucos, em diferentes latitudes.

De Jose Serras a 18 de Abril de 2010 às 12:47
Paulo Gorjão,

Cumprimento-o pela qualidade dos seus comentários principalmente este post em que fala dessa excelsa personagem que é o pacheco pereira.
O mundo ainda não se apercebeu, e deu o devido valor ao facto de, estamos perante um dos filósofos mais importantes da marmeleira o que, por si só faz com que, critérios de coerência e de carácter não lhe possam ser aplicados com é ao comum dos mortais.
Bem haja
Jose Serras

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