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Marcelo e «a unidade para o futuro»

por J.M. Coutinho Ribeiro, em 20.03.10

Já por aqui escrevi e repito: o próximo líder do PSD - seja quem for - será sempre um líder de facção e um líder transitório. A não ser que, por uma qualquer razão do destino, Sócrates caia antes do tempo - fulminado - e o PSD chegue ao poder, momento em que, em nome do poder, todas as divergências se esquecem. Não estou sozinho nesta reflexão - há mais quem assim pense. Lendo o Expresso de hoje, creio que esta será também a perspectiva de Marcelo Rebelo de Sousa, que resiste a apoiar qualquer dos candidatos à liderança, optando pela neutralidade. Justificação: «Alguém vai ter de preservar a unidade para o futuro». Alguém? Trocada por miúdos, a expressão quererá dizer que Marcelo sabe que a próxima liderança do PSD é apenas um interlúdio. E sabe que, a seguir, a solução passa por alguém capaz de unir os destroços do PSD. E sabe que, nesse momento, talvez não haja ninguém, para além dele, tão bem colocado para o fazer. E sabe que, nesse momento, Sócrates estará mais frágil do que agora. Malandro, este Marcelo. Mas não deixa de ter razão.

 

P.S.: (DECLARAÇÃO DE VOTO) Nas últimas directas votei em Pedro Passos Coelho. Mais por exclusão de partes do que por convicção. Não me revia em Manuela Ferreira Leite e no seu baronato tantas vezes insuportável, do mesmo modo que achava que a candidatura de Santana Lopes andava ali a destempo. Se eu fosse um tipo esperto, agora que tudo indica que PPC vai ganhar, diria agora publicamente que o meu voto era seu, cavalgando a onda. Mas não sou um tipo esperto. Por isso, não tenho qualquer problema em dizer que vou votar em José Pedro Aguiar-Branco, mesmo sabendo que não tem hipóteses de ganhar. Voto por uma questão de proximidade pessoal, porque confio nas suas capacidades, porque sei que a sua vida resiste a um escrutínio apertado e, também, porque me parece que é o único candidato que pode fazer a síntese entre os barões e a "carne assada". Isto é: parece-me o candidato "mais PSD" de todos.

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5 comentários

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De José Manuel Faria a 20.03.2010 às 22:04

Parece que o seu candidato nem vai a votos. A RTP1 do Estado vai dar 30 minutos de antena/entrevista a 1 candidato do PSD que terá nem 1 000 votos. É extraordinário que a TV Estatal não tenha 15 minutos para uma entrevista à Carmelinda Pereira que anda pelos 5 000, mas tem partido autónomo.
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De Pedro Correia a 21.03.2010 às 01:05

Caro Joaquim, não é preciso ser grande oráculo para antever que o próximo líder do PSD será transitório. O próprio Marcelo, recordo, foi um líder muito transitório. Como fora antes Fernando Nogueira. E como foram depois Durão Barroso, Santana Lopes, Marques Mendes, Luís Filipe Menezes e Manuela Ferreira Leite (já foram tantos que nem sei se esqueci alguém). Basta ler alguns blogues pintado de laranja para perceber que o próximo líder contará com uma brutal guerrilha interna no dia seguinte à eleição. Se for preciso voltam as setas para baixo e os aprendizes de Bakunine voltarão a aludir à necessidade de o fazer sair nem que seja à bomba.
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De Chloé a 21.03.2010 às 03:33

Já acreditei muito nessa tese das metades inconciliáveis. Aliás, por sensibilidade própria. Mas o contexto externo é tão avassalador que talvez as pessoas venham a centrar-se no essencial das suas afinidades. E pode nem ser pela via racional, mas precisamente pela contrária.

Por isso é que a (condenada) eleição de JPAB seria o caminho para mais uma liderança transitória, admito, mas com poderes curativos definitivos para o partido.
Com ele sim, talvez finalmente o PSD tivesse 'alta médica'...
Aliás, diga-se que todo o discurso de JPAB é de uma lucidez soberana. De uma incansável lucidez soberana. Tão grande e tão cristalina quanto a (disfarçada) indiferença que provoca em quem devia dar-lhe ouvidos, mas prefere auto convencer-se que a hora é de poupar em lealdades, identificações e simples instintos.
Palpita-me que ainda se vão lembrar muito dele.
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De Os 4 Elementos a 21.03.2010 às 09:39

"Ferreira Leite não trouxe o que esperavam, expectável pela figura parca em simpatia e fotogenia. Pouco interessa a eventual competência quando o marketing não vinga, que o diga Sócrates e a sua bela e absolutamente perfeita máquina publicitária.


Ora, o PSD tem dois caminhos. Optar, de imediato, por um líder duplamente novo, alguém cuja imagem vá sendo divulgada e construída nos próximos anos, sempre a esperar que o Governo resista até ao final do mandato, sem nunca lhe assegurar uma maioria. A minha sentença seria antes de manter o Líder actual, esperar um ainda maior desgaste da figura de proa e restantes ministros, e daqui a dois ou três anos confiar que uma figura forte a nível nacional, e só vejo Marcelo Rebelo de Sousa, se apresente para liderar o partido. O meu palpite em tal cenário seria uma estrondosa maioria absoluta."

As minhas palavras a 13 de Fevereiro, ou melhor, compartilho da sua opinião, no que ao Marcelo Rebelo de Sousa respeita, quanto a quem sucede a Ferreira Leite, no imediato, não revejo nenhum com potencial para fazer melhor, ou ir mais além, que Ferreira Leite.
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De João Carvalho a 21.03.2010 às 12:41

«Um líder duplamente novo, alguém cuja imagem vá sendo divulgada e construída nos próximos anos»? V. é um optimista. Um líder do PSD pode até ser triplamente novo que jamais irá envelhecer no lugar...

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