Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009
por Adolfo Mesquita Nunes | 08.01.09
Manuela Ferreira Leite tem de facto alguma razão de queixa pela forma como a comunicação social tem tratado a sua liderança no PSD, quer porque realça as opiniões dos críticos, quer porque desconsidera alguma da sua acção política.
Mas ao contrário do que a sua parca memória parece sugerir, a indiferença perante as suas propostas (talvez porque as mesmas não sejam muito diferentes daquelas que vêm do Largo do Rato) é coisa pouca perante a forma como, também pela mão de Ferreira Leite, foram tratadas as lideranças de Santana Lopes, Luis Filipe Menezes e até de Marques Mendes.
E muita sorte tem Manuela Ferreira Leite em ter Pedro Passos Coelho como crítico, uma vez que a actuação deste, ao luso estilo de chove mas não molha, tem respeitado a figura da Presidente e, bem assim, o seu campo de acção. Já o mesmo se não pode dizer da forma como os anteriores Presidentes do PSD viram a sua liderança ser desafiada, tantas vezes vendo a sua própria honorabilidade e capacidade intelectual postas em causa.
Este estado de desordem no PSD, em que ninguém respeita ninguém, e muito por culpa dos "credíveis" encartados, resulta da forma como o PSD lidou com o último Governo por si liderado (e não falo, evidentemente, da oposição que podia e devia ser feita ao Governo, mas à forma como a mesma foi feita). E não deixará de ser irónico quando, daqui a uns anos se fizer a história do PSD, se vir que esse foi o princípio do fim.
De Anónimo a 8 de Janeiro de 2009 às 12:13
É engraçado o PM vir hoje recusar debates nestas condições, quando o PS criticou os outros quando fizeram o mesmo. (E o PSD vir crtiticar o PM quando nos seus tempos de maioria absoluta foi também assim que procedeu). Enfim, a porca da política.
Mas também a dra. Manuela referiu há pouco que a oposição não tinha nada que apresentar propostas, porque a oposição não governava, e só lhe cabia fiscalizar e criticar o governo quando este andasse mal.
Afinal, agora já quer debater com o PM as propostas do PSD.
Não há mesmo pachorra para estas inconsistências todas...
A verdade é que o PSD tem apresentado propostas. Mas é também verdade que estas propostas, na sua essência, não oferecem matéria para um debate de tão semelhantes que são ao socialismo do PS.
De qualquer forma, o tratamento dado por Sócrates à oposição não pode ser louvado. E só prejudica o país.
Subscrevo tudo quanto referiste, Adolfo. Da primeira à última linha.
Muito bem observado, Adolfo.
De Virgínia a 8 de Janeiro de 2009 às 13:00
Snr . Adolfo, parabéns pelo seu artigo.
MFL é uma pessoa inteligente e sabe fazer bem as 'contas', mas...
MFL não tem o perfil nem o carisma de um líder.
MFL não consegue ser ouvida nem 'mover multidões' e, essas multidões, são essenciais para o êxito do PSD.
Cumpts
O problema do PSD reside no facto de ser o único partido com barões - os barões do PSD.
Manuela Ferreira Leite é uma baronesa. E os títulos nobiliárquicos, por serem velhos e carregadinhos de mofo,
provocam, em algumas pessoas, grandes calosidades no espírito e definham a massa encefálica.
Para mal do país,tem toda a razão.Este não é o meu PSD.Em outras lides, costumo dizer que quero a minha BRIOSA de volta.Posso pedir o meu PSD de volta?
Também subscrevo na íntegra.
De Luís Lavoura a 8 de Janeiro de 2009 às 17:01
A oposição porca que fizeram a Luís Filipe Menezes enquanto líder do PSD foi em tudo análoga à oposição porca de que Ribeiro e Castro foi vítima enquanto líder do CDS.
E não, essas oposições porcas não relevam de uma incorreta análise da atuação desses partidos enquanto estiveram no governo. Elas relevam simplesmente de pura má educação e falta de ética, que, como se viu enquanto esses partidos estiveram no governo, é o que mais neles abunda.
Infelizmente, e em ambos,
Percebo a intenção dos adjectivos usados Luís. Respeito, mas não vou abrir essa porta.
Realço, isso sim, que o ponto de viragem que assinalei foi a oposição de um partido ao seu próprio governo. Essa oposição, inédita em Portugal e, temo bem, na Europa, deixou feridas que não vão sarar com facilidade.
Um abraço
Discordo. Menezes viu muito país contra si e, pela minha parte, muitas e boas razões para isso até vinham de longe. Já Ribeiro e Castro, a meu ver, foi ingénuo e alvo de rasteirice exclusivamente interna.
JC: O Menezes não chegou a ter tempo de virar o país contra si. O problema do homem não foi esse. Acho.
Os nossos pontos de vista não me parece que sejam necessariamente diferentes, meu caro. Eu disse que «muitas e boas razões» contra ele «até vinham de longe», pelo que começou logo a suscitar o levantamento (que não foi só interno). Não sei se respondi, meu caro.
Comentar post