Sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010
por Pedro Correia | 22.01.10

Pode um avião carregado de ajuda de emergência servir de transporte a duas dezenas de jornalistas armados em celebridades? Pode. Pode um "enviado especial", borrado de medo, desatar em pranto logo após ter aterrado no Haiti? Pode. Pode algum repórter chegar irresponsavelmente à zona mais devastada do planeta sem água nem um telefone pronto a funcionar? Pode.

É um outro retrato da catástrofe no Haiti, desta vez tendo a ver com jornalistas. Leia tudo aqui.

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23 comentários:
De Ana Margarida Craveiro a 22 de Janeiro de 2010 às 19:22
hmm. pedro, isto podia servir como base para uma reflexão sobre os cursos universitários de jornalismo e comunicação social. que me dizes?

De Pedro Correia a 22 de Janeiro de 2010 às 19:44
Excelente ideia. É um assunto cada vez mais pertinente (e actual).

De David Lopes a 23 de Janeiro de 2010 às 22:26
Meu caro Pedro!
Isto nada tem a ver com os cursos de comunicação social. Não é o curso, bom ou mau, que faz um bom jornalista, tal como nem todos os médicos, arquitectos, engenheiros, etc,, são profissionalmente bons, apesar do curso. O problema é outro, como bem sabes! Ser um bom repórter transcende qualquer curso e, em situações destas, além da capacidade profissional, é necessária coragem e algum espírito de sacrifício... que não abundam nesta nossa profissão, como sabes!
E, já agora, e a propósito do texto do Reverte, deixa-me recordar um grande jornalista português, Adelino Tavares da Silva, que não tinha qualquer curso. Era um homem de cultura, escrevia primorosamente e tinha uma grande qualidade: era, como hei-de dizer, um pouco "louco". Uma vez, quando não havia telemóveis nem telefones por satélite, "O Século" mandou-o para Angola. Passados uns dias, o Adelino deixou de contactar. Temeram o pior. Até que, muito tempo depois, o Adelino deu notícias... de Brazzaville!
O Adelino foi fazer uma reportagem com o MPLA e achou que reportagem a sério era acompanhar o MPLA na mata! E andou pela mata com eles, até chegar ao Congo! Era um homem modesto e nem se gabava dessas semanas de pura privação. E sabes o que o divertia? A dificuldade que teve, no regresso, em justificar as despesas aos burocratas dos serviços administrativos!
Passa bem, e um abraço

De Pedro Correia a 23 de Janeiro de 2010 às 23:12
Tens toda a razão, meu caro Zé David. A questão essencial tem a ver com a coragem e o espírito de sacrifício, que infelizmente não abundam na nossa profissão. Aliás, para dizer de outra forma, existem na razão inversa do vedetismo bacoco e da submissão voluntária a vários poderes.
Bem saborosa essa história que aqui nos deixaste do Adelino Tavares da Silva. Outros tempos, com meios escassíssimos, mas em que a necessidade fazia aguçar o engenho. Agora é o que se vê e lê.
Grande abraço. E volta sempre.

De Carlos Barbosa de Oliveira a 22 de Janeiro de 2010 às 22:00
Conta com o meu apio, Ana.

De Ana Vidal a 23 de Janeiro de 2010 às 01:44
Óptima ideia, Ana Margarida. É um debate importante e muito oportuno.

(um aparte: o que já me ri com o nome que dão à "estrela da televisão nacional" na notícia do El Mundo...)

De mike a 22 de Janeiro de 2010 às 20:00
Apoio a ideia.

De tric a 22 de Janeiro de 2010 às 20:38
de duas uma, ou os cursos de jornalismo em Portugal são a maior fantochada no mundo Universitario em Portugal ou então são cursos de excelencia, a nivel Mundial, na formação de agente de propaganda ideologia e interesses politicos...depende da definição de Jornalista!

De João Carvalho a 22 de Janeiro de 2010 às 20:49
Ou depende da atenção que eles derem ao programa televisivo do 'Ponto'.

De Pedro Correia a 22 de Janeiro de 2010 às 20:50
Diz bem, no seu estilo sempre abrupto. É uma verdadeira quadratura do círculo.

De João Campos a 22 de Janeiro de 2010 às 21:29
Acredite: não são a maior fantochada do mundo universitário nacional. São medíocres, como tudo o resto.

Só uma dúvida: os "enviados especiais" para o Haiti eram novatos?

De João Carvalho a 22 de Janeiro de 2010 às 20:47
E levavam maquilhadora para a hora do satélite?

De Pedro Correia a 22 de Janeiro de 2010 às 20:52
Claro. Pensam em tudo. Alguns levam até satélite para a hora da maquilhadora.

De João Carvalho a 22 de Janeiro de 2010 às 21:00
Ah ah ah...

De Daniel Santos a 22 de Janeiro de 2010 às 21:30
meninos da mamã.

De Maria a 22 de Janeiro de 2010 às 21:35
E na bagagem, quem sabe, algum diário de guerra do então delfim José Rodrigues dos Santos...

De João Carvalho a 23 de Janeiro de 2010 às 00:07
Um guia útil, sem dúvida.

De susana a 22 de Janeiro de 2010 às 22:03
Resposta: meninos da mamã.

De Carlos Barbosa de Oliveira a 22 de Janeiro de 2010 às 22:05
Embora não venha muito a propósito ( ou até talvez venha...), queria realçar a diferença entre as reportagens feitas na RTP pelo Vítor Gonçalves e os enviados da SIC e da TVI e o José Rodrigues dos Santos.
Mal lá chegou, não ficou no aeroporto e foi para o terreno. Saiu de Port au Prince e mostrou-nos um bocado mais da tragédia. Com explicações que ninguém até agora tinha dado na comunicação social portuguesa ( pelo menos que me tivesse apercebido)

De João Carvalho a 23 de Janeiro de 2010 às 08:35
Eu gosto é daqueles que se instalam na República Dominicana e começam assim: «Lá ao fundo... não sei se conseguem ver... aquelas montanhas, se é que conseguem vê-las... por trás daquelas montanhas lá adiante fica o Haiti... blá-blá-blá-blá...»

De André Miguel a 22 de Janeiro de 2010 às 22:10
São como os expatriados no 3º mundo: é difícil, é. Passa-se mal, sim. Mas ajuda muito a subir na carreira...

De TOZE Canaveira a 22 de Janeiro de 2010 às 22:13
Fui Bombeiro durante muitos anos e uma das coisas que se aprendia na altura (espero que ainda assim seja) era que, para se poder salvar alguém, era necessário, acima de tudo, zelar pela nossa segurança.
Dito por outra palavras, se morresse-mos ou ficasse-mos gravemente feridos, não poderia-mos salvar quem precisava de ajuda.
No caso dos jornalistas, pode aplicar-se a mesma regra.
Se não sobreviverem, não informam.
Mas nos Bombeiros também me disseram outra coisa.
Que estava ali, de livre vontade, que conhecia os riscos, portanto, consciente das consequências.
Não é assim no jornalismo?




De João Carvalho a 23 de Janeiro de 2010 às 00:10
É suposto ser mais ou menos isso. Ninguém vai sem ser voluntário ou concordar explicitamente com a designação.

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