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Fábricas de estrelas

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 10.01.10

A propósito deste post da Ana, escrevi um comentário aludindo ao facto de muitas estrelas do mundo do desporto e do espectáculo terem sido sujeitas, pelos pais, a trabalhos forçados para atingirem o estrelato. Falei do caso específico do ténis feminino, onde abundam os exemplos  de pais tiranos que condicionam o futuro dos filhos em prol da sua própria vaidade. Poderia também ter feito referência aos regimes de Leste, onde o Estado fabricava estrelas – nomeadamente na ginástica, natação e atletismo.
Hoje, ao ler na “Pública” excertos da biografia deste homem, fui obrigado a reflectir sobre outras questões, que seriam pertinentes, não se desse o caso de vivermos numa sociedade onde a ideia de lucro parece tudo justificar.

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5 comentários

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De João Carvalho a 10.01.2010 às 17:20

Estás cheiinho de razão. O apoio que os pais devem aos filhos precisa, antes do mais, de ter em conta as respectivas apetências. E tem de haver uma idade para tudo. Sobretudo, não devem fazer deles estrelas: o estrelato virá por eles, se e quando for o caso.
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De Maria a 10.01.2010 às 18:51

Não é raro os pais tentarem transferir para os filhos os seus "desejos frustrados", com a melhor das intenções, sei do que falo e também sei que normalmente isso não dá certo e não é justo. Agora - "sujeitos à força" - Carlos, nunca. Esses pais deviam ser punidos. Conheço um caso, um jovem que se se suicidou e que o próprio pai se sentiu culpado por de certa maneira o ter forçado a seguir medicina e exigindo muito dele - o moço já tinha mostrado, logo no 1º ano do curso, pouca vontade para continuar. Foi uma tragédia. O pai, um excelente médico, tem a sua vida destroçada, também se culpou de não ter estado atento aos "sinais" sim,
neste caso o rapaz já andava deprimido...Em outras condições ou com outro perfil não tomaria uma decisão tão drástica...Os Pais têm que estar atentos e quanto a exigir - nem oito nem oitenta,,,
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De João André a 10.01.2010 às 20:32

Infelizmente são casos a mais e, como está no comentário acima, não se trata apenas de desportistas, mas também em profissões de outros tipos.

Seja como for, não é fenómeno moderno associado apenas a profissões desportivas ou altamente qualificadas (i.e., que implicam estudos universitários). Recuemos décadas ou mesmo séculos e veremos os pais a forçarem os seus filhos a seguir as suas próprias profissões, especialmente entre artesãos: os filhos de sapateiros eram sapateiros, os de ferreiros eram ferreiros, os de tanoeiros tanoeiros eram, etc, etc, etc. As alternativas surgiam quando os pais forçavam os filhos a seguirem pela via do sacerdócio quando exisitia alguma mostra de inteligência ou quando havia algum nobre ou rico que tomasse o jovem sob a sua alçada. Imagino quantos padres (por exemplo) o terão sido sem a mínima vontade ou vocação apenas porque os pais os forçaram a isso, sabendo que teriam uma vida melhor dessa forma.

Aquilo que vemos hoje é apenas uma extensão destes antigos casos. Os pais querem sempre o melhor para os seus filhos e por vezes tornam-se verdadeiramente fanáticos nesse desiderato. Os casos são exacerbados pelo desporto porque se trata de algo que os pais vivem frequentemente com paixão, o que apenas alimenta a obsessão com o sucesso do filho.
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De mdsol a 10.01.2010 às 21:45

Só uma "boca":

No caso do desporto parece mais chocante nomeadamente porque no desporto as mais altas performances são atingidas em idades jovens. Se comparamos com outros campos da actividade humana este aspecto ainda é mais saliente. Todos sabemos que para se atingirem níveis de excelência em qualquer actividade são necessárias muitas horas de prática nessa mesma actividade (há quem fale em 10.000 horas ). Ora, no desporto, essa quantidade de trabalho tem de ser "concentrada" numa idade de formação por excelência já a performance mais elevada é atingida, como já referi, numa idade relativamente jovem (depende das modalidades, mas no geral é assim).
A relação "estranha" dos pais com os filhos muito frequente no desporto, não há-de andar muito longe também de aspectos com uma explicação um tanto "psicologista". O desporto é, talvez, a única actividade humana em que o filho, na sua adolescência e juventude, pode ser muito melhor do que o pai, mesmo que este saiba do assunto... É que aqui a idade não perdoa mesmo...

:))))
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De Ana Vidal a 10.01.2010 às 22:47

Ainda na área do desporto, não esquecer a China, onde as condições de "fabrico" de estrelas ultrapassam todas as marcas e chegam mesmo a pisar alegremente os direitos humanos mais básicos.

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